O peão passante (Elisa Hulshof): Política e sacrifício
Introdução
Esse livro faz parte da curadoria de 2022 do Clube de Leitores Salus. Tal curadoria foi realizada com a intenção de prestigiar e divulgar a boa literatura dos autores católicos brasileiros.
Autora
Elisa Hulshof Storarri nasceu em 1994, em Buritis (MG), sendo a mais nova de cinco filhos. Logo em seguida, sua família mudou-se para Holambra (SP). Formou-se em Design Gráfico pela Universidade Federal do Paraná e atualmente vive em Jundiaí (SP) com seu marido e seu filho.
Resenha
"Gênia!". Foi essa a palavra que me veio à mente diversas vezes ao longo da leitura.
Veja bem: se você joga ou já jogou xadrez, sabe o que é um peão passante. Eu, porém, não fazia a menor ideia. Nunca joguei xadrez na vida, apesar da insistência da professora de educação física (sim, você leu certo). No entanto, isso não comprometeu o entendimento do livro; pelo contrário, acho que me fez ficar ainda mais embasbacada com a criação que a autora elaborou usando um tabuleiro de xadrez.
O tema do livro é, veja bem, política, naquele sentido mais profundo e hoje totalmente esquecido, juntamente com o tema do sacrifício. Acontece que, para chegar a essas reflexões, a autora nos faz passar por vários cenários em que elas são vividas: minorias são apresentadas de outra forma ou finalmente mencionadas (já que são totalmente esquecidas, apesar dos discursos em prol delas feitos justamente por quem deveria lembrá-las), embates internos de pessoas corajosas, heróis e heroínas que o são justamente por conta de suas debilidades. Você também encontrará uma criação que permite contrastar as formas de governo e o papel da Igreja em questões importantes.
Só um ponto me deixou realmente intranquila, mas acredito que não era o foco de atenção da autora: as personagens femininas. Bem, todas me lembraram Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, mais especificamente a do segundo livro, meio descontrolada. Exceto por uma personagem, as outras me pareceram a mesma pessoa com embates internos distintos.
Senti falta de uma presença feminina como auxiliar dos bispos, como aconteceu, de fato, nos primeiros séculos até a Idade Média, que parece ser o período (um tanto indefinido) do livro. Senti falta de rainhas mais inteligentes do que aparentemente fortes. Talvez vocês entendam ao fazer uma comparação com a protagonista de The Princess Weiyong ou de The General and I.
Meu principal incômodo é que o feminino só tem sua força evidenciada pela fraqueza do masculino. Isso é uma característica contemporânea, e foi uma pena encontrá-la aqui.
Apesar desse apontamento, que achei necessário, o livro é fenomenal e pode ser um presente fantástico para qualquer pessoa que goste de romances de época e queira uma leitura com princípios e valores.
Professora Ana Paula Barros
É especialista em Educação Clássica e Neuroeducação e graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Atua como professora independente no Portal Educa-te desde 2018, além de ser editora-chefe da Revista Salutaris. É autora dos livros Modéstia e Graça e Beleza e desenvolve, desde 2012, projetos de formação religiosa, humana e intelectual voltados à tradição católica, com enfoque na educação clássica e na filosofia tomista. É fundadora e responsável pelo projeto Salus in Caritate.
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