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Salus in Caritate



"Quem deitar fora as espécies consagradas ou as subtrair ou retiver para fim sacrílego incorre em excomunhão "latae sententia" e reservada à Sé Apostólica" (CIC 1367).


Muitos católicos desconhecem a imensidão de sacrilégios cometidos contra o Santíssimo Corpo do Senhor, sacrilégios que se multiplicam imensamente e nos levam a nos posicionarmos em defesa do Santíssimo Corpo do Senhor.

Todos sabemos que existem duas formas de comunhão, atualmente, no que se refere ao rito romano: na boca e na mão. A orientação da Igreja sempre foi que os fiéis comungassem na boca, mas em alguns países a conferencia episcopal permitiu a comunhão na mão como na Itália, Espanha e Brasil, assim como permitiu ministros da Eucaristia. 

Desde então os fiéis, nesses países, podem escolher a forma de comungar.

"Não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé" (Redemptionis Sacramentum, 91).


No entanto, vemos, como já dito, uma multiplicação absurda de ofensas e sacrilégios a Santíssima Eucaristia. Os sacrilégios a Jesus Eucarístico podem ser feitos quando um padre celebra a Missa com a intenção sacrílega, a profanação de um sacrário ou uma falsa comunhão, ou seja, o individuo finge comungar e leva o Corpo de Cristo para profaná-Lo.

Qualquer alma cristã, devidamente amante de Jesus Eucarístico sente uma dor imensa diante de qualquer uma dessas possibilidades. Nada pode ofender mais o Coração de Jesus que a profanação do Seu Santíssimo Corpo deixado como alimento para os membros da Igreja.

Você deve estar a se perguntar como seria possível alguém roubar e profanar o Corpo do Senhor, não é mesmo?


É uma realidade, o Corpo Santíssimo do Senhor, diante do qual todo o joelho deve se dobrar no Céu, na Terra e nos Infernos é usado em ritos satânicos, em rituais de magia negra e também é levada "para casa" como uma espécie de amuleto, ou como uma fonte de "energias', ou como um "purificador de energias da casa", além das comunhões em que o fiel esta longe da graça ou ainda os que comungam sem crer, enfim profanações diversas e sem fim, espinhos no Coração do Amado Jesus que já esta muito ofendido.

Diante de roubos mediante falsas comunhões cabe aos fiéis, aos ministros e aos padres orientar o maior número de pessoas e passar a orientação da Igreja:

“Se houver perigo de profanação, NÃO se distribua aos fiéis a Comunhão na mão”. (Redemptionis Sacramentum 92).


Ou seja, diante de tantas profanações explicitas, hóstias consagradas vendidas pela internet, pessoas colocando partículas consagradas em saquinhos como lembrancinhas zen ou em cultos protestantes e diversas profanações em missas satânicas em que se pisoteia o Corpo Santíssimo do Senhor ou ainda outras profanações horrendas, como passar a hóstia consagra no corpo nu de uma mulher, não podemos deixar de fazer o que devemos fazer e o que devemos fazer é incentivar a comunhão na boca.

Independente do que eu e você pensamos, se gostamos ou não, se o padre gosta ou não, se é mais demorado ou não, isso não importa! O que importa é zelar pelo Santíssimo Corpo do Senhor, é defende-Lo, honrá-Lo, amá-Lo e isso faz da comunhão na boca uma ação de emergência e de zelo, devemos dificultar a ação desses diversos profanadores e facilitar a identificação dos mesmo pelos ministros da eucaristia, padres e fiéis - sim, fiéis.

Que ninguém se abstenha de deter alguém que sai da fila da comunhão com Jesus na mão sem comungar ou que coloca o Corpo do Senhor no bolso, na bolsa ou o fecha na mão como uma bolacha trakinas.

Nenhum católico pode se calar ou ficar a olhar sem fazer nada diante de tanta cara de pau satânica.

Que sejamos consumidos de zelo Eucarístico!

Paz e Bem!
Ana Paula Barros
"Enchi-me de zelo pela minha Mãe Imaculada e Ela me livrou de todas as tribulações"

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Nós pensamos mais do que respiramos, e em uma única respiração surgem inúmeros pensamentos. Muitas vezes, nós mulheres somos mestras em inventar, aumentar ou criar coisas “dentro da nossa cabeça” (mais sobre isso aqui). É importante lembrar que a mente é um território de batalhas constantes e que tudo o que pensamos repercute em nossa vida e até mesmo em nossa saúde. A mente não distingue plenamente realidade de imaginação: basta assistir a um filme de terror ou ler uma história horrenda para sentir medo, mesmo sabendo que é “mentira”.

Nossos pensamentos são a melodia da vida interior e se alimentam do que lemos, ouvimos e do meio em que vivemos. Por isso, se desejamos mudar o padrão dos pensamentos, torná-los menos cansativos e mais fecundos, precisamos transformar o ambiente ao nosso redor: o que consumimos, o que assistimos e até mesmo com quem conversamos. Na tradição da educação clássica católica, esse cuidado é parte da formação integral, pois não basta aprender conteúdos; é preciso cultivar virtudes. Uma dama não desperdiça tempo com atividades que não produzem frutos bons, que não honram a Deus nem edificam os que estão à sua volta. O primeiro passo é uma verdadeira faxina interior e exterior: afastar livros, filmes, novelas e hábitos que alimentam pensamentos ruins, desordenados ou inúteis.

Os Padres do Deserto ensinaram que os pensamentos podem vir de três fontes: de nós mesmos, de Deus ou do demônio. O que vem de Deus é sempre bom; o que vem de nós pode ser confuso; e o que vem do demônio muitas vezes se apresenta como aparentemente bom, mas leva à morte da alma. Por isso, o dom do discernimento dos espíritos foi considerado essencial na educação espiritual e continua sendo central na formação católica clássica: sem ele, não se vence a batalha interior.

Essa batalha se desenvolve em quatro estágios. Primeiro, a infecção: o pensamento surge como uma ideia, mas não somos culpados por recebê-lo. Depois, a luta: o pensamento retorna insistentemente como tentação, e resistir é mérito diante de Deus. Em seguida, a combinação: quando começamos a dialogar com a tentação, buscando justificativas ou supostos “bens” em um mal, já há pecado venial. Por fim, o consentimento: quando o pensamento se torna ato. Todo pecado nasce primeiro na mente, e por isso Jesus advertiu: “Quem olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5,28). São João reforça: “Todo aquele que odeia o seu irmão é um assassino” (1Jo 3,15).

A educação clássica católica sempre entendeu que formar a mente é formar a alma. Para bem aprender retórica, lógica ou filosofia; é preciso vigiar os pensamentos e cultivar virtudes. Como diz Cristo: “Não sejais sepulcros caiados” (Mt 23,27). É necessário limpar o interior para que o exterior também esteja puro (Mt 23,26). Assim, como um vigia que espera a aurora, devemos observar e treinar nossa mente para discernir os pensamentos, rejeitar os maus e acolher os bons. Essa é a verdadeira pedagogia católica: unir razão e fé, disciplina e oração, para que o coração seja educado junto com a inteligência.



professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 
















Julian Marías, filósofo espanhol, observou que a interação entre homem e mulher sofreu uma transformação radical ao longo das décadas. Se antes o contato era distante, quase furtivo — um olhar rápido entre divisórias, um encontro breve na missa ou a alegria contida ao receber um bilhete —, com o advento das guerras mundiais e a reorganização social, a convivência se tornou aberta e cotidiana: nas ruas, nas escolas, nas universidades. Nunca houve tanta oportunidade para a amizade. E, contudo, contraditoriamente, nunca houve tanto desencantamento.

No romantismo, o encantamento era levado ao extremo. A mulher era vista como figura angelical, idealizada em sua palidez, brancura ou morenice, como faz o protagonista volúvel de A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, o primeiro romancista brasileiro. Hoje, em contraste, o que domina é a sexualidade. Freud e seus discípulos deram à sensualidade um peso quase absoluto, e com isso a amizade parece ter sido sacrificada. A aproximação entre homem e mulher, em muitos casos, é reduzida a um movimento instintivo, quase animal, voltado ao acasalamento, mesmo nos meios cristãos. É uma interação empobrecida, desumana.

Não surpreende, portanto, que alguns defendam que não existe amizade entre homem e mulher. Mas essa premissa se desfaz diante da vida dos santos e da própria tradição bíblica. Segundo a Bíblia, Adão e Eva foram criados em estado de inocência e pureza: viviam nus e não se envergonhavam, tinham inteligência infusa, não morriam nem adoeciam e possuíam o domínio das paixões pela razão. O Talmude e os Midrashim, da tradição judaica, descrevem Adão como portador de uma luz espiritual intensa visível de longa distancia, e Eva igualmente sem mácula antes da queda, também revestida de “luz de glória” (kotnot or). O Tanya, obra central do judaísmo chassídico, interpreta Adão e Eva como representantes da alma em estado de pureza original, sem inclinação ao mal. Essa pureza, porém, não era definitiva: estava em prova e foi perdida com o pecado. Assim, o plano original de Deus era um casal em pureza, que deveria passar por provação e ser elevado à vida celeste. A pureza é o estado da nossa alma na forma original, criada por Deus, antes da queda da humanidade.


No Antigo Testamento encontramos Débora e Baraque, que cooperaram na liderança de Israel contra Sísera. Após Cristo, surgem amizades santas que edificaram a Igreja: São Jerônimo e Santa Paula de Roma, Santa Teresa e São João da Cruz, São Francisco e Santa Clara, Dom Bosco e Santa Maria Mazzarello, São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal. Essas amizades existiram e geraram frutos espirituais imensos.



O problema, portanto, não está na impossibilidade da existência da amizade entre homem e mulher, mas em nossa mediocridade como humanidade caída, ferida e luxuriosa. É a incastidade, os pensamentos mundanos, o coração volúvel, a falta de fortaleza e a incredulidade na graça de Deus que nos impedem de viver amizades puras entre homem e mulher. Mesmo entre cristãos essa interação foi reduzida a uma só palavra: coito, tal e qual um animal. A graça redentora, porém, mostra que é possível restaurar a pureza nos relacionamentos e antecipar, já nesta vida, algo do convívio celeste. Talvez o mínimo de honestidade que se possa exigir seja reconhecer: a amizade entre homem e mulher existe, os santos estão aí para provar. Quem não consegue vivê-la deve dizer: a amizade existe, eu é que não consigo porque sou incrédulo, incasto, prisioneiro de pensamentos impuros, mas existe. 


Negar a existência da possibilidade dessa amizade é negar a própria obra da Graça, o poder da Graça.




professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 



Esta formação é complementar a duas anteriores, que para melhor assimilação, sugiro que sejam lidas antes: Qual a minha missão? (aqui) e Sentindo-se no lugar errado? (aqui.)

segredos de Deus

Um grande problema feminino é o das mulheres solteiras, referimos-nos àquelas que, embora com vocação matrimonial, não chegam a casar-se. Como não o conseguem, perguntam-se: para que estamos nós no mundo? Que lhes responderia?


Para que estamos nós no mundo? Para amar a Deus com todo o nosso coração e com toda a nossa alma, e para estender esse amor a todas as criaturas. Ou será que isso parece pouco? Deus não deixa nenhuma alma abandonada a um destino cego; para todas tem um desígnio, a todas chama com uma vocação pessoalíssima, intransferível.

O matrimônio é caminho divino, é vocação. Mas não é o único caminho, nem a única vocação. Os planos de Deus para cada mulher não estão necessariamente ligados ao matrimônio. Têm vocação e não chegam a casar-se? Em algum caso, talvez seja assim: ou, quem sabe, talvez tenha sido o egoísmo ou o amor próprio que impediu que esse chamado de Deus se cumprisse. Mas, outras vezes, a maioria mesmo, isso pode ser sinal de que o Senhor não lhes deu matrimonial. Sim, gostam de crianças, sente que seriam boas mães, que entregariam seu coração fielmente ao seu marido e aos filhos. Mas isso é normal em todas as mulheres, também naquelas que, por vocação divina, não se casam - podendo fazê-lo -, para se ocuparem no serviço de Deus e das almas. 

Não se casaram. Pois bem: que continuem, como até agora, amando a vontade de Deus, vivendo na intimidade desse Coração amabilíssimo de Jesus que não abandona ninguém, que é sempre fiel, que vai olhando por nós ao longo desta vida, para se dar a nós desde agora e para sempre.

Além disso, a mulher pode cumprir a sua missão - como mulher, com todas as suas características femininas (mais sobre aqui e aqui), incluindo as características afetivas da maternidade - em círculos diferentes da própria família: em outras famílias, na escola, em obras assistenciais, em mil lugares. A sociedade é, às vezes, muito dura - com grande injustiça - para com aquelas que chamam "solteironas". Mas há mulheres solteiras que difundem à sua volta alegria, paz, eficácia, que sabem entregar-se nobremente ao serviço dos outros  e a ser mães, em profundidade espiritual, com mais realidade do que muitas que são mães apenas fisiologicamente. 

Para refletir com amor. Esse texto tem a intenção de nos despertar a missão real da mulher, que é inerente a nós e pode ser executada no estado que Deus nos coloca hoje. Tem a intenção de despertar as mulheres para que não esperem o que acreditam ser o estado adequado para trabalhar e colocar em prática suas habilidades femininas. O estado adequado, o tempo favorável é o que o Senhor nos coloca, hoje. Não tenho a intenção de dizer se você irá casar-se ou não, isso é com o Senhor. O fato é que o tempo vivido hoje, é o tempo que hoje esta reservado para viver sua feminilidade e trabalhar espalhando-a com alegria pelo mundo. Não é o tempo para se angustiar com o que não esta acontecendo, é tempo de viver o feminino no que acontece, no hoje.

São Josemaria Escrivá
Revista Feminina Telva

Paz e bem,
Abraços,
Ana Paula Barros
Olá, paz e bem

Hoje iniciamos um pequeno ciclo de formação com São José Maria Escrivá, em que ele responde questões importantes sobre a mulher, o lar e o trabalho. Como hoje ainda sentimos as sequelas do movimento feminista, acredito que será útil partilhar essa formação, para mostrar a visão da Igreja sobre a mulher, as motivação que a mesma da as mulheres, a importância da vocação feminina e principalmente o reconhecimento da extensão da mesma. 

Tenho notado em conversas com algumas meninas, moças e mulheres que, provavelmente devido ao feminismo que entrou nos lares e na formação escolar, existe uma confusão e uma inquietação sobre a missão e a vocação de ser mulher. Isso sendo ampliado para a relação da mulher com o lar, a família e o trabalho, transparecendo que são coisas contrárias e inimigas. Lembrando que essa formação vale para homens e mulheres casadas ou solteiras.

destino último da mulher


Monsenhor, é cada vez maior a presença da mulher na vida social, para além do âmbito familiar em que ela até agora se movia quase que exclusivamente. Que lhe parece esta evolução? E quais são, em seu entender, as características gerais que a mulher deve vir a ter para cumprir sua missão?


Em primeiro lugar, parece-me oportuno não contrapor esses dois âmbitos que acaba de referir. Tanto como a vida do homem, ainda que com matizes muito peculiares, o lar e a família ocuparão sempre um lugar central na vida da mulher: é evidente que a dedicação aos afazeres familiares representa uma grande função humana e cristã. Isso, porém, não exclui a possibilidade de uma ocupação em outros trabalhos profissionais - o do lar também o é-, qualquer dos oficios e empregos nobres há na sociedade em que se vive. Logo se vê o que se quer dizer quando se equaciona o problema assim; contudo, eu penso que insistir na contra-posição sistemática - mudando apenas a tônica- levaria facilmente, do ponto de vista social, a um equivoco maior do que aquele que se tenta corrigir, pois seria mais grave que a mulher abandonasse o seu trabalho em casa.



No plano pessoal, também não se pode afirmar unilateralmente que a mulher só fora do lar alcança sua perfeição, como se o tempo dedicado à família fosse um tempo roubado ao desenvolvimento e à maturidade da sua personalidade. O lar - seja qual for, porque a mulher solteira deve ter um lar- é um âmbito particularmente propicio ao desenvolvimento da personalidade. A atenção prestada à família será sempre para a mulher a sua maior dignidade: no cuidado com o marido e os filhos ou, para falar em termos mais gerais, no trabalho com que procura criar em torno de si um ambiente acolhedor e formativo, a mulher realiza o que há de mais insubstituível em sua missão e, por conseguinte, pode atingir aí sua perfeição pessoal.

Como acabo de dizer, isso não se opõe à participação em outros aspectos da vida social e mesmo da politica, por exemplo. também nesses setores pode a mulher dar uma valiosa contribuição, como pessoa, e sempre com as peculiaridades de sua condição feminina; e assim o fará na medida em que estiver humana e profissionalmente preparada. É claro que tanto a família quanto a sociedade necessitam dessa contribuição especial, que não é de modo algum secundária.

Desenvolvimento, maturidade, emancipação da mulher, não devem significar uma pretensão de igualdade - de uniformidade - com o homem, uma imitação do modo de atuar masculino: isso seria um logro, seria uma perda para a mulher; não porque ela seja mais, mas porque é diferente. Num plano essencial - que deve ser objeto de reconhecimento jurídico, tanto no direito direito civil como eclesiástico -, aí, sim, pode-se falar de igualdade de direitos, porque a mulher tem, exatamente como o homem, a dignidade de pessoa e filha de Deus. Mas, a partir dessa igualdade fundamental, cada um deve atingir o que lhe é próprio; e, neste plano, dizer emancipação é o mesmo que dizer possibilidade real de desenvolver plenamente as virtualidades próprias: as que tem em sua singularidade e as que tem como mulher. A igualdade perante o direito, a igualdade de oportunidades em face da lei, não suprime, antes pressupõe e promove essa diversidade, que é riqueza para todos.

A mulher esta destinada a levar a família, à sociedade civil, à Igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: sua delicada ternura, sua generosidade incansável, seu amor pelo concreto, sua agudeza de engenho, seu capacidade de intuição, sua piedade profunda e simples, sua tenacidade...A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível, e se não a insere na própria vida.

Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingênuo espírito de imitação que - em geral - a situaria facilmente num plano de inferioridade, impedindo-lhe a realização das suas possibilidades mais originais. Se se forma bem, com autonomia pessoal, com autenticidade, realizará eficazmente o seu trabalho, a missão para que se sente chamada, seja qual for: sua vida e trabalho serão realmente construtivos e fecundos, cheios de sentimento, quer passe o dia dedicada ao marido e aos filhos, quer se entregue plenamente a outras tarefas, se renunciou ao casamento por alguma razão nobre. Cada uma em seu próprio caminho, sendo fiel a vocação humana e divina, pode realizar e realiza de fato a plenitude da personalidade feminina. Não esqueçamos que Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, é não somente modelo, mas também a prova do valor transcendente que pode alcançar uma vida aparentemente sem relevo. 

São Josemaria Escrivá
Entrevista a revista feminina Telva, 1968 

Paz e bem,
Abraços,
Ana Paula Barros
Olá, paz e bem

Hoje vamos continuar as formações com São José Maria Escrivá. A primeira formação esta aqui, vocês também pode encontrar outras formações do Damas da Rainha aqui. Sugiro que seja lida antes dessa.

O lugar da mulher


Mas, às vezes, a mulher não tem certeza de se encontrar realmente no lugar que lhe compete e a que é chamada. Muitas vezes, quando faz um trabalho fora de casa, pesam sobre ela as solicitações do lar; e, quando continua dedicando-se em cheio à família, sente-se limitada em suas possibilidades. Que diria o senhor às mulheres que passam por essas contradições?

Esse sentimento, que é muito real, procede frequentemente, mas do que das limitações concretas - que todos temos, por sermos humanos -, da falta de ideais bem determinados, capazes de orientar a vida inteira, ou então de uma inconsciente soberba: às vezes, desejaríamos ser os melhores sob qualquer aspecto e em qualquer nível. E, como isso não é possível, nasce um estado de desorientação e de ansiedade, ou até desânimo e tédio (mais sobre aqui): não se pode estar em toda parte ao mesmo tempo, não se sabe a que se há de atender e não se atende a nada eficazmente. Nessa situação, a alma fica exposta a inveja, a imaginação tende a desatar-se, e a buscar um refúgio na fantasia que, afastando da realidade, acaba adormecendo a vontade (mais sobre aqui). É uma mística do oxalá, feita de sonhos vãos e de falsos idealismos: oxalá não me tivesse casado, oxalá não tivesse essa profissão, oxalá tivesse mais saúde, ou menos anos ou mais tempo!

O remédio - custoso, como tudo que tem valor- está em procurar o verdadeiro centro da vida humana, o que pode dar uma hierarquia, uma ordem e um sentido a tudo: a intimidade com Deus, mediante uma vida interior autêntica. Se, vivendo em Cristo, tivermos nEle o nosso centro, descobriremos o sentido da missão que nos foi confiada, teremos um ideal humano que se torna divino, novos horizontes de esperança se abrirão à nossa vida, e chegaremos a sacrificar com gosto, não já este ou aquele aspecto de nossa atividade, mas a vida inteira, dando-lhe assim, paradoxalmente, seu mais profundo acabamento.

O caso da mulher, que focaliza, não é extraordinário: com outras peculiaridades, muitos homens sentem algo de semelhante algumas vezes. A raiz costuma ser a mesma: falta de ideal profundo, que só se descobre à luz de Deus.

Em todo caso, também é preciso pôr em prática pequenos remédios, que parecem banais, mas que não o são: quando há muitas coisas a fazer, é necessário estabelecer uma ordem, impõe-se organizar a vida. Muitas dificuldades provêm da falta de ordem, da carência deste hábito. Há mulheres que fazem mil coisas, e todas bem, porque organizaram a vida, porque impuseram com fortaleza (mais sobre aqui e aqui) uma ordem à abundância das tarefas. Souberam permanecer em cada momento no que deviam fazer, sem se desvairarem pensando no que viria depois ou no que talvez houvessem podido fazer antes (mais sobre isso aqui), Outras, em contrapartida, vêem-se afobadas pelos muitos afazeres; e, assim afobadas, não fazem nada (mais sobre aqui).

Sempre haverá, decerto, muitas mulheres cuja única ocupação seja dirigir o seu lar. Devo dizer que esta é uma grande ocupação, que vale a pena. Através dessa profissão - porque o é, verdadeira e nobre-, influem positivamente, não só na família, mas também numa multidão de amigos e conhecidos, em pessoas com as quais de um modo ou de outro se relacionam, realizando uma tarefa bem mais extensa, muitas vezes, do que a de outras profissões. Isto, para não falar do que acontece quando põem essa experiência e essa ciência ao serviço de centenas de pessoas, em centros destinados à formação da mulher. Nesta altura convertem-se em professoras do lar, com mais eficácia educativa, diria eu, do muitos catedráticos de universidade. 

São Josemaria Escrivá
Entrevista a revista feminina Telva, 1968 
Paz e bem
Abraços
Ana Paula Barros


De súbito começaram a aparecer dúvidas sobre masturbação na minha caixa de e-mails e nas mensagens das redes sociais. A princípio me perguntei qual seria a razão, já que nunca falei desse tema diretamente, nem em palestras, nem em posts, nem em qualquer outro lugar. Mas logo percebi que isso devia estar relacionado ao fato de eu falar frequentemente sobre castidade, pureza e modéstia.

Atualmente, sobretudo no Brasil, temos nos atentado novamente à virtude esquecida da modéstia. Por consequência, torna-se inevitável falar também da castidade e da pureza. O caminho dessas virtudes leva à purificação da sexualidade e da afetividade, tornando mais claro o conflito para aqueles que se encontram escravos desse vício.

Vivemos em uma sociedade que enaltece a luxúria e a imodéstia. Não podemos esquecer que o Brasil é representado por uma festa como o “Carnaval”, em que pessoas desfilam sem pudor em espetáculos caros e eufóricos. Essa exaltação da lascividade perverteu nosso povo e enfraqueceu a vivência de um catolicismo autêntico. A luxúria, uma das portas da corrupção, não apenas está aberta em nossa sociedade, mas tornou-se uma marca cultural.

Por isso, toda luta contra a luxúria, através da vivência da modéstia, da castidade e da pureza, enfrentará grandes percalços. Os Padres do Deserto já alertavam sobre o demônio da luxúria:



“O demônio da luxúria força a desejar outros corpos. Ele ataca cruelmente os que praticam a continência, para que a abandonem, já que não leva a nada. Enlameia a alma e a seduz a ações vergonhosas. Fá-la pronunciar certas palavras e tornar a ouvi-las, como se o objetivo estivesse visível e presente.” ( Evágrio Pôntico)



Segundo os monges, esse demônio age através da fantasia e da ilusão. Avaliando isso, percebemos o tamanho da escravidão de quem vive alimentado por tais pensamentos, assim como de um povo que os transforma em entretenimento cultural. Essa escravidão e alienação se estendem a diversas áreas da sociedade e são nutridas por comportamentos como fornicação, masturbação e relações sexuais desordenadas.

A educação clássica católica ensina que a formação da mente e da vontade é inseparável da formação moral. Por isso, compreender o território desse combate é de importância radical. Sem a graça, a pureza é impossível. 

A batalha se vence na mente. Antes da ação, a imaginação conduz à luxúria. É preciso cortar pela raiz, eliminando pornografia, programas inúteis e hábitos solitários, substituindo-os por amizades e práticas saudáveis. Cada vitória aumenta a confiança. Resistir fortalece a alma e enfraquece a tentação.


A Tradição Católica sempre valorizou:

  • Jejum, como mortificação e caminho de humildade.
  • Disciplina, regulando horários de sono, alimentação e hábitos.
  • Prudência, evitando estímulos que alimentem a imaginação.
  • Confissão clara, inclusive dos pensamentos, pois a queda começa na mente.
  • Comunhão frequente, mesmo que seja necessário confessar-se muitas vezes.
  • Adoração eucarística, visitando o sacrário com constância.



Essas práticas são parte da pedagogia clássica católica, que une a ascese, a disciplina e os sacramentos para formar não apenas intelectos, mas corações virtuosos, que segundo o prisma tradicional também significa mentes fortes.





professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 


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Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




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