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Salus in Caritate





No céu Francisco fulgura, 
cheio de glória e de luz, 
trazendo em seu corpo as chagas, 
sinais de Cristo e da Cruz. 

Seguindo o Cristo na terra, 
pobre de Cristo se faz, 
na cruz com Cristo pregado, 
torna-se arauto da paz. 

Pelo martírio ansiando, 
tomou a cruz do Senhor: 
do que beijou no leproso 
contempla agora o esplendor. 

Despindo as vestes na praça, 
seu pai na terra esqueceu; 
reza melhor o Pai-nosso, 
junta tesouros no céu. 

Tendo de Cristo a pureza, 
mais do que o sol reluzia, 
e, como o sol à irmã lua, 
Clara em seu rastro atraía. 

Ao Pai e ao Espírito glória 
e ao que nasceu em Belém. 
Deus trino a todos conceda 
os dons da cruz: Paz e Bem.
(Liturgia das Horas: Laudes)



Primeira Carta aos Fiéis 

Exortação aos irmãos e às irmãs sobre a penitência


Em nome do Senhor!


Capítulo 1

Dos que fazem penitência


1.Todos os que amam o Senhor com todo o coração, com toda a alma e a mente, com toda a força (cfr. Mc 22,39) e amam seus próximos como a si mesmos (cfr. Mt 22,39),

2.e odeiam seus corpos com os vícios e pecados,

3.e recebem o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo,

4 e fazem frutos dignos de penitência:

5.Oh! como são bem-aventurados e benditos, eles e elas, enquanto fazem essas coisas e nelas perseveram,

6.porque des-cansará sobre eles o espírito do Senhor (cfr. Is 11, 2) e neles fará sua casa e morada (cfr. Jo 14, 23),

7.e são filhos do Pai celeste (cfr. Mt 5,45), cujas obras fazem, e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Mt. 12, 50).

8.Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a nosso Senhor Jesus Cristo.

9.Somos seus irmãos quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus (Mt 12, 50).

10.Mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo (Cfr. 1Cor 6, 20), pelo amor divino e a consciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo (cfr. Mt 5, 16).

11.Oh! como é glorioso, santo e grande ter nos céus um Pai!

12.Oh! como é santo ter tal esposo: paráclito, belo e admirável!

13.Oh! como é santo e dileto ter tal irmão e filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e sobre todas as coisas desejável: Nosso Senhor Jesus Cristo! que deu a vida por suas ovelhas (cfr. Jo 10,15) e orou ao Pai dizendo:

14.Pai santo, guarda-os em teu nome (Jo 17, 11), os que me deste no mundo; eram teus e mos deste (Jo 17,6).

15.E as palavras que me deste, lhas dei; e eles as receberam e creram, de verdade, que saí de ti e conheceram que me enviaste (Jo 17,8).

16.Rogo por eles e não pelo mundo (cfr. Jo 17, 9).

17.Bendize-os e santifica-os (Jo 17, 17), e por eles santifico a mim mesmo (Jo 17,19).

18.Não rogo só por eles, mas por aqueles que hão de crer em mim por sua palavra (Jo 17, 20), para que sejam santificados em um (Cfr. Jn 17, 23), como também nós (Jo 17, 11).

19.E quero, Pai, que onde eu estou também eles estejam comigo, para que vejam minha claridade (Jo 17,24) em teu reino (Mt 20,21). Amém.


Capítulo 2

Os que não fazem penitência


1.Mas todos aqueles e aquelas que não vivem em penitência,

2.e não recebem o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo,

3.e cometem vícios e pecados

4.e que andam atrás da concupiscência má e dos maus desejos de sua carne, e não guardam o que prometeram ao Senhor,

5.e servem corporalmente ao mundo com os desejos carnais e com as preocupações do século e com os cuidados desta vida:

6.presos pelo diabo, de quem são filhos e cujas obras fazem (cfr. Jo 8,41),

7.são cegos, porque não vêem a luz verdadeira, nosso Senhor Jesus Cristo.

8.Não têm a sabedoria espiritual, porque não têm o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai,

9.dos quais se diz: Sua sabedoria foi devorada (Ps 106, 27); e malditos os que se afastam de seus mandatos (Ps 118, 21).

10.Vêem e conhecem, sabem e fazem o mal e eles mesmos perdem, sabendo, as almas.

11.Vede, cegos, enganados por vossos inimigos: pela carne, o mundo e o diabo; porque para o corpo é doce fazer o pecado e é amargo fazê-lo servir a Deus;

12.porque todos os vícios e pecados saem e procedem do coração dos homens, como diz o Senhor no Evangelho (cfr. Mc 7, 21).

13.E nada tendes neste século nem no futuro.

14.E calculais que possuís por muito tempo as vaidades deste século, mas estais enganados, porque virá o dia e a hora, em que não pensais, não sabeis e ignorais; adoece o corpo, a morte se aproxima e assim se morre com amarga morte.

15.E onde quer, quando quer, como quer que morra o homem em pecado mortal, sem penitência e satisfação, se pode satisfazer e não satisfaz, o diabo arrebata sua alma de seu corpo com tanta angústia e tribulação, que ninguém pode saber senão quem as sofre.

16.E todos os talentos e poder e ciência e sabedoria (2Par 1, 12), que calculavam ter, deles serão tirados (cfr. Lc 8, 18; Mc, 4, 25).

17.E o deixam aos parentes e amigos e eles tomaram e dividiram sua riqueza e disseram depois: Maldita seja sua alma, porque podia dar-nos e conseguir mais do que conseguiu.

18.Os vermes comem o corpo, e assim perderam corpo e alma neste breve século e irão para o inferno, onde serão atormentados sem fim.

19.A todos a quem chegar esta carta, rogamos, na caridade que é Deus (cfr. 1Jo 4, 16), que recebam benignamente com a-mor divino estas sobreditas odorosas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo.

20.E os que não sabem ler, façam com que as leiam muitas vezes;

21.e as guardem consigo com santa operação até o fim, porque são espírito e vida (Jo 6, 64).

22.E os que não fizerem isto, terão que dar conta no dia do juízo (cfr. Mt 12, 30), diante do tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Rm 14, 10).

Foi Paulo Sabatier quem publicou pela primeira vez este Escrito, no ano de 1900. Ele o achara no Códice de Volterra. Deu-lhe o nome de Verba vitae et salutis (Palavras de vida e de salvação) e disse que se tratava de um primeiro esboço do Escrito hoje conhecido como Segunda Carta aos Fiéis (que ainda não tinha sido publicado naquele tempo). Lemmens e Boehmer aceitaram o escrito mas disseram que se tratava de um resumo posterior. Esser conseguiu provar que se tratava realmente de uma primeira versão, mais antiga, da outra e lhe deu esse nome de “Carta aos Fiéis - primeira recensão”, corrigindo o título dado por Sabatier. Essa primeira versão, bem de acordo com o que dizem o Anônimo Perusino (41) e a Legenda dos Três Companheiros (60), é escrita no plural, pelos frades, com São Francisco. É um belíssimo e simples documento que fala dos que fazem e dos que não fazem penitência. Na segunda edição da obra de Esser, Grau aproveitou estudos feitos por Pazzelli e mostrou que, de fato, não se trata de uma Carta mas de um “louvor” a Deus pelos que fazem penitência: os que chamamos de Irmãos e Irmãs da Penitência. E que o título de Sabatier estava correto...


Segunda Carta

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


1.A todos os cristãos religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que moram no mundo inteiro, Frei Francisco, seu servo e súdito: submissão com reverência, paz verdadeira do céu e sincera caridade no Senhor.

2.Como sou servo de todos, a todos estou obrigado a servir e a prestar-lhes em serviço as odorosas palavras de meu Senhor.

3.Por isso, considerando na mente, que, em pessoa, pela enfermidade e debilidade do meu corpo, não poderia visitar a cada um, me propus, por meio desta carta e de mensageiros, anunciar-lhes as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Palavra do Pai, e as palavras do Espírito Santo, que são espírito e vida (Jo 6,64).

4.Esta Palavra do Pai, tão digna, tão santa e gloriosa, foi anunciada pelo altíssimo Pai lá do céu, por meio de seu santo anjo Gabriel, no útero da santa e gloriosa Virgem Maria, de cujo útero recebeu a verdadeira carne de nossa humanidade e fragilidade.

5.O qual, sendo rico (2 Cor 8,9) sobre todas as coisas, quis ele mesmo escolher a pobreza no mundo com a beatíssima Vir-gem, sua mãe.

6.E perto da paixão, celebrou a Páscoa com seus discípulos e tomando o pão, deu graças e o abençoou e partiu, dizendo: Tomai e comei, este é meu corpo (Mt 26,26).

7.E tomando o cálice disse: Este é meu sangue do Novo Testamento, que por vós e por muitos será derramado para remissão dos pecados (Mt 26,27).

8.Depois orou ao Pai dizendo: Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice.

9.E seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam na terra (Lc 22,44).

10.Mas colocou sua vontade na vontade do Pai, dizendo: Pai, faça-se tua vontade (Mt 26,42); não como eu quero, mas como tu (Mt 26,39).

11.A vontade desse Pai foi que seu Filho, bendito e glorioso, que nos deu e nasceu por nós, se oferecesse por seu próprio sangue, como sacrifício e hóstia na ara da cruz;

12.não para si, por quem foram feitas todas as coisas (cfr. Jo 1,3), mas por nossos pecados,

13.deixando-nos exemplo, para que sigamos suas pegadas (cfr. 1Pe 2,21).

14.E quer que todos nos salvemos por ele e o recebamos com coração puro e com nosso corpo casto.

15.Mas são poucos os que querem recebê-lo e ser salvos por ele, embora seu jugo seja suave e sua carga leve (Mt 11,30).

16.Os que não querem provar como é suave o Senhor (cfr. Ps 33,9) e amam as trevas mais do que a luz (Jo 3,19), não querendo cumprir os mandamentos de Deus, são malditos;

17.sobre eles é dito pelo profeta: Malditos os que se afastam de teus mandamentos (Ps 118,21).

18.Mas, oh! como são bem-aventurados e benditos aqueles que amam a Deus e fazem como diz o próprio Senhor no Evangelho: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o coração e com toda a mente e a teu próximo como a ti mesmo (Mt 22,37,39).

19.Amemos, pois, a Deus e adoremo-lo com coração puro e mente pura, porque buscando isto sobre todas as coisas, disse: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4,23).

20.Pois todos os que o adoram, é preciso que o adorem no Espírito da verdade (cfr. Jo 4,24).

21.E digamos-lhe louvores e orações dia e noite (Sl 31,4) dizendo: Pai nosso, que estás nos céus (Mt 6,9), porque é preciso que oremos sempre e não desfaleçamos (Lc 18,1).

22.Devemos certamente confessar ao sacerdote todos nossos pecados; e receba-mos dele o corpo e o sangue de nosso Se-nhor Jesus Cristo.

23.Quem não come sua carne e não bebe seu sangue (cfr. Jo 6,55, 57), não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5).

24.Mas coma e beba dignamente, porque quem recebe indignamente come e bebe sua própria condenação, não distinguindo o corpo do Senhor (1Cor 11,29), isto é, não o discerne.

25.Façamos, além disso, frutos dignos de penitência (Lc 3,8).

26.E amemos o próximo como a nós mesmos (cfr. Mt 22,39).

27.E se alguém não quiser amá-lo como a si mesmo, pelo menos não lhes cause mal, faça o bem.

28.Mas os que receberam o poder de julgar os outros, exerçam o julgamento com misericórdia, como eles mesmos querem obter misericórdia do Senhor.

29.Pois haverá juízo sem misericórdia para aqueles que não fizerem misericórdia (Tg 2,13).

30.Portanto, tenhamos caridade e humildade, e façamos esmolas, porque elas lavam a alma das manchas dos pecados (cfr. Tb 4,11; 12,9).

31.Pois os homens perdem tudo que deixam neste século, mas levam consigo o preço da caridade e as esmolas que fizeram, pelas quais obterão do Senhor prêmio e digna remuneração.

32.Também devemos jejuar e abster-nos dos vícios e pecados (cfr. Sir 3, 32) e do excesso de comidas e bebida, e ser católicos.

33.Também devemos visitar as igrejas freqüentemente e venerar os clérigos e reverenciá-los, não só por eles, se forem pecadores, mas pelo ofício e administração do santíssimo corpo e sangue de Cristo, que sacrificam no altar e recebem e administram aos outros.

34.E saibamos firmemente todos que ninguém pode salvar-se, senão pelas santas palavras e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, que os clérigos pronunciam anunciam e administram.

35.E só eles devem administrar e não outros.

36.E especialmente os religiosos, que renunciaram ao século, estão obrigados a fazer mais e maiores coisas, mas sem omitir estas (cfr. Lc 11,42).

37.Devemos ter ódio a nossos corpos com os vícios e pecados, porque diz o Senhor no Evangelho: Todos os males, vícios e pecados saem do coração (Mt 15,18 s.; Mc 7,23).

38.Devemos amar a nossos inimigos e fazer o bem aos que nos têm ódio (cfr. Mt 5,44; Lc 6,27).

39.Devemos observar os preceitos e conselhos de nosso Senhor Jesus Cristo.

40.Devemos também negar a nós mesmos (cfr. Mt 16,24) e por nossos corpos sob o jugo da servidão e da santa obediência, como cada um prometeu ao Senhor.

41.E ninguém tenha que obedecer por obediência a alguém naquilo em que se comete delito ou pecado.

42.Mas aquele a quem foi encomendada a obediência e que é tido como maior, seja como menor (Lc 22, 26) e servo dos outros irmãos.

43.E para com cada um de seus irmãos faça e tenha a misericórdia, que quisera que a ele se fizesse, se estivesse em caso semelhante.

44.E não se irrite contra o irmão pelo delito do ir-mão, mas benigna-mente o admoeste e suporte com toda paciência e humildade.

45.Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne (1Cor 1,26), mas antes devemos ser simples, humildes e puros.

46.E tenhamos nossos corpos em opróbrio e desprezo, porque todos, por nossa culpa, somos miseráveis e podres, hediondos e vermes, como diz o Senhor pelo profeta: Eu sou um verme e não um homem, opróbrio dos homens e desprezo do povo (Sl 21,7).

47.Nunca devemos desejar estar acima dos outros, antes devemos ser servos e submissos a toda humana criatura por Deus (1 Pd 2,13).

48.E todos, eles e elas, enquanto isso fizerem e perseverarem até o fim, descansará sobre eles o Espírito do Senhor (Is 11,2) e fará neles habitação e morada (cfr. Jo 14,23).

49.E serão filhos do Pai celeste (cfr. Mt 5,45), cujas obras fazem.

50.E são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Mt 12,50).

51.Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a Jesus Cristo.

52.Somos certamente irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está no céu (cfr. Mt 12,50);

53.mães, quando o levamos no coração e em nosso corpo (cfr. 1Cor 6,20) pelo amor e a consciência pura e sincera; o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo (cfr. Mt 5, 16).

54.Oh! como é glorioso e santo e grande, ter nos céus um Pai!

55.Oh! como é santo, ter um esposo consolador, bonito e admirável!

56.Oh! como é santo e como é querido ter tal irmão e tal filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e mais desejável do que todas as coisas, que deu a vida por suas ovelhas (cfr. Jo 10,15) e orou ao Pai por nós dizendo: Pai santo, guarda em teu nome, os que me deste (Jo 17,11).

57.Pai, todos os que me deste no mundo, eram teus e os deste a mim (Jo 17,6).

58.E as palavras que me deste, eu lhes dei; e eles as receberam e conheceram verdadeiramente que saí de ti e creram que tu me enviaste (Jo 17,8); rogo por eles e não pelo mundo (cfr. Jo 17,9); abençoa-os e santifica-os (Jo 17,17).

59.E por eles santifico a mim mesmo, para que sejam santificados na (Jo 17,19) unidade, como também nós (Jo 17,11) o somos.

60.E quero, Pai, que onde eu estou também eles estejam comigo, para que vejam minha glória (Jo 17, 24) em teu reino (Mt 20,21).

61.Mas àquele que por nós suportou tantas coisas, que nos trouxe e trará tantos bens no futuro, toda cria-tura que há nos céus, na terra, no mar e nos abismos retri-bua louvor, glória, honra e bênção (cfr. Apoc 5,13),

62.porque ele é força e fortaleza nossa, o único bom, o único altíssimo, o único onipotente, admirável, glorioso, o único santo, louvável e bendito pelos infinitos séculos dos séculos. Amém.

63.Mas todos aqueles que não estão em penitência e não recebem o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo,

64.e operam vícios e pecados, e que andam atrás da má concupiscência e dos maus desejos, e não observam o que prometeram,

65.e servem corporalmente o mundo pelos cuida-dos e preocupações deste século e pelos cuidados desta vida,

66.enganados pelo diabo, de quem são filhos e cujas obras fazem (cfr. Jo 8,41), são cegos, porque não vêm a luz verdadeira, nosso Senhor Jesus Cristo.

67.Não têm a sabedoria espiritual, porque não têm o Filho de Deus em si, que é a verdadeira sabedoria do Pai, e deles se diz: Sua sabedoria foi devorada (Sl 106, 27).

68.Vêem, conhecem, sabem e fazem o mal, e perdem as almas conscientemente.

69.Vêde, cegos, enganados por nossos inimigos, a saber, pela carne, pelo mundo e pelo diabo, que para o corpo é doce fazer o pecado e amargo servir a Deus, porque todos os males, vícios e pecados do coração dos homens saem e procedem (cfr. Mc 7, 21, 23), como diz o Senhor no Evangelho.

70.E nada tendes neste século nem no futuro.

71.Por longo tempo calculais possuir as vaidades deste século. mas estais enganados, porque virá o dia e a hora em que não pensais, e não sabeis e ignorais.

72.Adoece o corpo, aproxima-se a morte, vêm os parentes e amigos dizendo: Dispõe de teus bens.

73.Eis sua mulher, parentes e amigos fingindo chorar.

74.Olha e os vê chorando; é levado por um mau passo; pensa consigo mesmo, e diz: Ponho a alma, o corpo e todas as minhas coisas em vossas mãos.

75.Verdadeiramente amaldiçoado é esse homem, que confia e expõe alma, corpo e todas as suas coisas em tais mãos;

76.por isso, diz o Senhor pelo profeta: Maldito o homem que confia no homem (Jr 17,15).

77.E logo fazem vir o sacerdote; diz-lhe o sacerdote: “Queres receber a penitência de todos teus pecados?”.

78.Responde: “Quero”. “Queres satisfazer como podes com teus bens, pelos pecados e por essas coisas em que defraudaste e enganaste as pessoas?”.

79.Responde: “Não”. E o sacerdote diz: “Por que não?”.

80.“Porque distribuí tudo nas mãos dos parentes e amigos”.

81.E começa a perder a fala e assim morre aquele miserável.

82.Mas saibam todos que, onde quer e como quer que morra o homem em pecado mortal sem satisfação, se podia satisfazer e não satisfez, o diabo arrebata sua alma de seu corpo, com tanta angústia e tribulação, como ninguém pode saber, a não ser quem o sofre.

83.E todos os talentos e poder e ciência, que pensava ter (cfr. Lc 8,18) ser-lhe-ão tirados (Mc 4,25).

84.E deixa-o para os parentes e amigos, e eles tomarão e dividirão sua riqueza e dirão depois: “Maldita seja sua alma, porque podia dar-nos e conseguir mais do que conseguiu,”.

85.Os vermes comem o corpo; e assim perde corpo e alma neste breve século e irá para o inferno, onde será atormentado sem fim.

86.Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

87.Eu, frei Francisco, vosso menor servo, vos rogo e conjuro, na caridade que é Deus (cfr. 1 Jo 4,16), e com a vontade de beijar vossos pés, que deveis receber e pôr em prática e observar estas e as outras palavras de nosso Senhor Jesus Cristo com humildade e caridade.

88.E todos aqueles e aquelas que benignamente as receberem, entenderem e enviarem a outros para exemplo, e se nelas perseverarem até o fim (Mt 24,13), bendiga-os o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Amém.


Wadding publicou esta carta dividida em duas, baseando-se em um manuscrito. Mas hoje temos muitos outros manuscritos, inclusive do sec. XIII, que dão o texto como uma única carta. Sua autenticidade é aceita. Talvez se possa situar a primeira recensão por volta de 1212 e esta por volta de 1222. Bem mais longa, esta nos faz pensar em como a Regra primitiva dos Frades Menores foi se transformando na Regra não bulada: na medida em que aumentava o número dos Irmãos e Irmãs da Penitência e em que as dificuldades iam aparecendo, a Carta foi crescendo. É fácil perceber como muitos trechos novos foram colocados para esclarecer quanto aos erros dos cátaros, que deviam influenciar muitos irmãos.


Êxtase de Santa Teresa. Fontebasso, 1800


Castelo Interior: Uma Análise Simbólico-Espiritual da Obra de Santa Teresa

Professora Ana Paula Barros¹




Resumo


O presente estudo propõe uma análise da obra Moradas ou Castelo Interior, de Santa Teresa d’Ávila, a partir de uma abordagem literária e espiritual. Examina-se a construção simbólica da metáfora do castelo como ferramenta narrativa, articulando elementos do maneirismo espanhol. A escrita teresiana, marcada por oralidade controlada, introspecção e densidade simbólica, é compreendida como instrumento de mediação entre experiência mística e linguagem. Além disso, discute-se o itinerário espiritual descrito pela autora em sete moradas sucessivas, que configuram um caminho de purificação, iluminação e união com Deus. A obra se consolida, assim, como síntese de doutrina e elaboração estética, contribuindo de forma duradoura para a tradição literária e espiritual do Ocidente.


Palavras-chave: Santa Teresa d’Ávila, estilo literário, maneirismo, Siglo de Oro, prosa mística




1. Introdução


A obra Moradas ou Castelo Interior, escrita por Santa Teresa de Jesus em 1577, constitui-se como um dos marcos mais expressivos da literatura mística ocidental. Redigida por orientação de seus superiores religiosos, a obra ultrapassa os limites do tratado espiritual ao apresentar uma construção simbólica e narrativa de notável complexidade. A metáfora do castelo — com suas sete moradas — não apenas estrutura o conteúdo espiritual, mas também estabelece uma arquitetura literária que articula introspecção, pedagogia e elaboração estética. Esta pesquisa propõe uma leitura que privilegia os aspectos formais e simbólicos da obra, inserindo-a no contexto do maneirismo espanhol e da tradição literária do Siglo de Oro, sem desconsiderar sua dimensão espiritual e teológica.




2. Contexto estético: o maneirismo e o Siglo de Oro

Inserida no período do Siglo de Oro, Moradas ou Castelo Interior reflete as tensões e os refinamentos formais característicos do maneirismo espanhol, corrente estética que sucede o classicismo renascentista e antecipa o barroco. Esse período é marcado por uma intensificação da subjetividade, pela valorização da linguagem simbólica e pela busca de expressar o inefável por meio de imagens elaboradas. Santa Teresa, embora não se proponha como escritora literária no sentido estrito, demonstra pleno domínio das estratégias discursivas de sua época. Como observa Alonso (2005), “a linguagem teresiana é simultaneamente espontânea e elaborada, marcada por uma oralidade controlada que simula naturalidade, mas revela domínio retórico” e também “a escrita de Teresa é uma forma de resistência estética e espiritual, que transforma a experiência interior em linguagem simbólica e pedagógica”. Sua obra, portanto, deve ser compreendida como parte integrante da produção literária do século XVI, enriquecendo o acervo cultural de seu tempo, acompanhada por autores como São João da Cruz, Fray Luis de León e Miguel de Cervantes.



3. A metáfora do castelo: estrutura simbólica e narrativa

A imagem do castelo de cristal, apresentada logo no início da obra, constitui o eixo simbólico e estrutural de Moradas ou Castelo Interior. Cada uma das sete moradas representa um estágio da alma em seu processo de interiorização e aproximação de Deus. Essa metáfora cumpre uma função tripla: organiza a narrativa em níveis progressivos, simboliza a dignidade e a complexidade da alma humana e atua como recurso pedagógico que facilita a visualização do itinerário espiritual. Santa Teresa escreve: “Consideremos nossa alma como um castelo feito de um só diamante ou de um cristal muito claro, no qual há muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas” (Primeiras Moradas, cap. 1).

A progressão pelas moradas — da conversão inicial à união — pode ser lida como uma narrativa de formação espiritual, que se desdobra em três grandes movimentos: purificação, iluminação e união. Essa estrutura tripartida encontra eco em outras tradições literárias e filosóficas.

Na Divina Comédia, de Dante Alighieri, escrita no século XIV, a jornada do protagonista também se dá em três etapas: Inferno (purificação pelo reconhecimento do pecado), Purgatório (iluminação por meio da penitência) e Paraíso (união com o divino). Assim como Santa Teresa, Dante utiliza uma arquitetura simbólica — círculos, terraços e esferas — para representar o progresso da alma. Ambos os autores constroem uma topografia espiritual, em que o espaço é metáfora do estado interior. A montanha do Purgatório, por exemplo, corresponde à purificante ascensão moral e espiritual, tal como o avanço pelas moradas no castelo interior.

Já na tradição confucionista, embora não haja uma estrutura alegórica semelhante, encontramos a ideia de autocultivo progressivo da alma por meio da prática da virtude, da retificação do caráter e da harmonia com o Tao (道). Confúcio afirma: “Aquele que vence a si mesmo e retorna ao ritual é um homem de virtude” (Analectos, 12.1). A jornada interior, nesse caso, é ética e relacional, mas também culmina em uma forma de união: a integração do indivíduo com a ordem moral do cosmos. Assim como Santa Teresa propõe a oração como porta do castelo, Confúcio propõe o estudo e a prática do li (禮, rito) como caminho para a perfeição.

Portanto, a metáfora do castelo em Santa Teresa d’Ávila não apenas estrutura a obra, mas a insere em uma tradição universal de itinerários espirituais, nos quais a alma, por meio da disciplina, da contemplação e da transformação interior, busca retornar à sua origem divina. A originalidade da Santa Madre está em articular essa jornada com uma linguagem acessível e uma arquitetura simbólica que permanece viva na tradição mística e literária ocidental.



4. Estilo literário: oralidade, introspecção e retórica

O estilo de Santa Teresa em Moradas aponta uma maturidade literária. A oralidade simulada — característica marcante de sua prosa — é utilizada como estratégia de aproximação com o leitor, especialmente com as religiosas a quem a obra se dirige. No entanto, essa oralidade é cuidadosamente construída, articulando pausas, interpelações e digressões que conferem ritmo e naturalidade ao texto. A introspecção é outro traço distintivo: a autora escreve a partir da experiência vivida, o que confere singularidade e autoridade ao discurso. Além disso, o uso recorrente de metáforas, analogias e hipérboles mostra um domínio retórico que aproxima sua escrita da tradição alegórica medieval. Em diversos momentos, a autora reconhece os limites da linguagem diante da experiência mística: “Não sei como explicar isto melhor; quem o tiver experimentado entenderá” (Sextas Moradas, cap. 4). Essa tensão, que decorre da narração do indescritível, constitui um dos desafios centrais da escrita mística e é enfrentada por Santa Teresa com notável maestria literária. Pois, se são mestres das letras os que narram o descritível, muito mais o são os que narram o indescritível.


5. A leitura espiritual: itinerário da alma e pedagogia mística


Sob a perspectiva espiritual, Moradas ou Castelo Interior configura-se como um itinerário da alma rumo à união com Deus. As sete moradas representam estágios sucessivos de aprofundamento na vida interior, que vão desde a conversão inicial até a plena habitação divina. A progressão é marcada por um movimento de interiorização crescente, em que os sentidos são purificados. A Santa Madre afirma: “A porta deste castelo é a oração e a meditação” (Primeiras Moradas, cap. 1), indicando que o acesso à vida interior depende de um esforço consciente de recolhimento.

A seguir, apresenta-se uma descrição sintética e progressiva das sete moradas:

  • Primeiras Moradas: Representam o início da vida espiritual. A alma começa a despertar para a presença de Deus, mas ainda está cercada por distrações, tentações e apegos mundanos. É o estágio da conversão e do autoconhecimento. Santa Teresa escreve: “É grande lástima e causa de grande vergonha que, por nossa culpa, não entendamos a nós mesmos nem saibamos quem somos”.

  • Segundas Moradas: A alma persevera na oração e começa a escutar os chamados de Deus com mais atenção. No entanto, enfrenta intensas lutas interiores e tentações. É uma etapa de combate espiritual, em que se exige firmeza e discernimento.

  • Terceiras Moradas: A alma já pratica as virtudes com constância e vive com retidão. No entanto, ainda há risco de estagnação espiritual e de orgulho sutil. A Santa Madre adverte: “Não há segurança nesta vida, por mais elevado que seja o estado da alma”.

  • Quartas Moradas: Marca-se a transição entre a vida ascética e a vida mística. A alma começa a experimentar os primeiros toques sobrenaturais da graça, como a oração de recolhimento e os “gostos espirituais”. É uma etapa de consolação interior, mas também de vigilância.

  • Quintas Moradas: A alma entra na oração de união, em que a vontade se conforma plenamente à de Deus. Santa Teresa compara essa união à seda produzida pelo bicho-da-seda, que morre para dar lugar à borboleta: “A alma já não vive em si, mas em Deus”. 

  • Sextas Moradas: A alma passa por purificações intensas, sofrimentos interiores e provações místicas. Apesar da dor, há uma consciência clara da presença de Deus. Santa Teresa descreve visões, êxtases e feridas de amor divino, mas insiste que o verdadeiro sinal de progresso é o crescimento na humildade e no amor ao próximo.

  • Sétimas Moradas: Representam a união, em que a alma habita plenamente em Deus e Deus nela. É o cume da vida espiritual, caracterizado por paz, liberdade interior e fecundidade apostólica. 

A pedagogia mística de Santa Teresa, portanto, não se limita à descrição de estados espirituais de forma alegórica, mas propõe um caminho concreto. A obra convida o leitor a trilhar esse percurso com coragem, humildade e confiança, reconhecendo que “não está o jogo em pensar muito, mas em amar muito” (Quintas Moradas, cap. 4).





6. Considerações finais

Moradas ou Castelo Interior destaca-se pela maneira original com que Santa Teresa d’Ávila representa o caminho espiritual da alma. Por meio da metáfora do castelo, a autora constrói uma imagem concreta da interioridade, afastando-se de modelos teóricos abstratos e valorizando experiências sensíveis, linguagem simbólica e expressão acessível. Mais do que descrever uma trajetória mística, Santa Teresa transforma a escrita em prática de contemplação: a narrativa acompanha, em ritmo e forma, o próprio movimento da alma buscadora do divino. Ao afirmar o interior da alma como espaço legítimo de conhecimento e comunhão com Deus, a obra efetiva uma contribuição duradoura à cultura espiritual e literária do Ocidente.





Referências Bibliográficas

D’Ávila, T. Moradas ou Castelo Interior. São Paulo: Edições Loyola, 2012.
Alonso, M. Literatura y mística en el Siglo de Oro. Madrid: Ediciones Cátedra, 2005.
Blecua, A. Prosa española del Siglo de Oro. Madrid: Castalia, 1992.
Rico, F. Historia y crítica de la literatura española. Barcelona: Crítica, 1980.



Outros artigos sobre o tema:

Literatura Clássica Católica| Caminho da Perfeição: Uma Leitura Estético-Histórica no Contexto do Maneirismo Espanhol 

Literatura Clássica Católica: Estudo Histórico-Espiritual da Obra Castelo Interior, de Santa Teresa de Ávila 

Acervo Digital Salus: Mapas Mentais das Moradas do Castelo Interior




¹Ana Paula Barros


Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).


Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.


Totus Tuus, Maria (2015)






Caminho da Perfeição: Uma Leitura Estético-Histórica no Contexto do Maneirismo Espanhol

Professora Ana Paula Barros¹




Resumo


Este artigo propõe uma análise literária da obra Caminho da Perfeição, de Santa Teresa d’Ávila, a partir de uma perspectiva que privilegia seus aspectos formais, estilísticos e históricos. Embora tradicionalmente lida como texto piedoso e místico, a obra apresenta um arranjo literário sofisticado, inserido no contexto do maneirismo espanhol e do chamado Siglo de Oro. Através de uma leitura descritiva e interpretativa, busca-se compreender como a linguagem, a estrutura e os recursos retóricos empregados por Santa Teresa constroem uma prosa singular, que articula oralidade, introspecção e pedagogia espiritual com notável densidade estética.


Palavras-chave: Santa Teresa d’Ávila, estilo literário, maneirismo, Siglo de Oro, prosa mística, oralidade.




1. Introdução

A obra Caminho da Perfeição, escrita por Santa Teresa de Jesus por volta de 1566, é frequentemente abordada sob o viés da espiritualidade cristã e da teologia mística. No entanto, sua relevância ultrapassa o campo religioso, inserindo-se no panorama literário do século XVI espanhol. Esta pesquisa propõe uma leitura que valoriza a dimensão estética da obra, considerando sua inserção no contexto do maneirismo e sua contribuição para a prosa confessional e didática da época. A análise parte do princípio de que a linguagem de Santa Teresa, embora marcada pela naturalidade, é também portadora de estratégias retóricas e estilísticas que a aproximam das grandes obras do Siglo de Oro.


O Siglo de Oro (Século de Ouro) foi um período de esplendor cultural e artístico na Espanha, que se estendeu aproximadamente do final do século XV até o final do século XVII. Marcado por uma intensa produção literária, teatral e pictórica, esse período abrange tanto o Renascimento quanto o Barroco, refletindo as tensões entre o ideal clássico e a espiritualidade contrarreformista. A literatura do Siglo de Oro destacou-se pela sofisticação formal, pela riqueza simbólica e pela emergência de gêneros como o romance picaresco, a poesia gongorina e o teatro popular de Lope de Vega. Autores como Miguel de Cervantes, Luis de Góngora, Francisco de Quevedo, Calderón de la Barca e Santa Teresa d’Ávila foram expoentes dessa era, que consolidou a língua castelhana como veículo de expressão artística e filosófica de alcance internacional




2. Contexto histórico-literário: o maneirismo e o Siglo de Oro


O século XVI espanhol é marcado por intensas transformações culturais, políticas e religiosas. No campo literário, esse período é conhecido como Siglo de Oro, caracterizado pela produção de obras que combinam erudição humanista, religiosidade e experimentação formal. O maneirismo, corrente artística que sucede o classicismo renascentista, manifesta-se na literatura por meio da complexidade sintática, da introspecção psicológica e da tensão entre forma e conteúdo.

Santa Teresa, embora não se identifique diretamente com os cânones literários de sua época, compartilha com os autores maneiristas o gosto pela metáfora, pela digressão e pela construção de uma voz subjetiva. Sua escrita, como observa Alonso (2005), “é simultaneamente espontânea e elaborada, marcada por uma oralidade controlada que simula naturalidade, mas mostra domínio retórico”.




3. Estrutura e organização discursiva da obra

A obra Caminho da Perfeição é composta por um prólogo e 42 capítulos, organizados de forma progressiva. A estrutura pode ser dividida em três grandes blocos:

Capítulos 1–15: instruções sobre a vida comunitária, com ênfase na humildade, caridade e desapego;
Capítulos 16–26: desenvolvimento da doutrina da oração mental e do recolhimento interior;
Capítulos 27–42: comentário místico e simbólico à oração do Pai-Nosso.


A organização da obra não segue um rigor lógico-dedutivo, mas sim uma lógica afetiva e experiencial. Santa Teresa escreve como quem conversa, e não como quem sistematiza. Essa característica confere à obra um caráter híbrido entre tratado espiritual, confissão autobiográfica e ensaio pedagógico.




4. Estilo literário: oralidade, afetividade e construção da voz

O estilo de Santa Teresa é um dos elementos mais notáveis da obra. Sua prosa é marcada por:


Oralidade simulada: Santa Teresa escreve como se estivesse falando diretamente com suas irmãs. Frases como “Não vos assusteis, filhas, se vos digo que a oração é caminho estreito” (Cap. 21) mostram um estilo de escrita de aproximação com o leitor.

Afetividade e empatia: o tom é maternal, acolhedor, mas também exigente. A autora não hesita em corrigir, advertir e exortar.

Digressões e retomadas: a linearidade é frequentemente interrompida por reflexões pessoais, exclamações e orações espontâneas.

Metáforas e analogias: a linguagem figurada é abundante. A oração, por exemplo, é comparada a um jardim, a uma fonte, a um caminho: “A alma que reza é como um jardim regado por dentro” (Cap. 19).

Esses elementos conferem à obra um caráter literário que ultrapassa sua função doutrinária. Como observa Blecua (1992), “a escrita de Teresa é uma forma de presença: ela se faz ouvir, ver e sentir por meio das palavras”.




5. A metáfora do caminho: construção simbólica e narrativa


O título da obra já anuncia sua principal metáfora: o caminho. Trata-se de uma imagem recorrente na tradição bíblica e mística, mas que, em Santa Teresa, adquire contornos literários específicos. O caminho é, ao mesmo tempo, itinerário espiritual, narrativa de formação e estrutura simbólica da obra.


No capítulo 21, a Santa Madre escreve: “Importa muito ter uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar a ele, venha o que vier, suceda o que suceder, trabalhe-se o que se trabalhar, murmure quem murmurar, quer lá se chegue, quer se morra no caminho”. Essa passagem  articula perseverança, drama, gravidade e força interior necessários no Caminho, nome que também remete ao nome dado ao cristianismo nos primeiros séculos da Igreja. .





6. A Leitura Espiritual de Caminho da Perfeição


Caminho da Perfeição está profundamente enraizada na tradição mística cristã. Santa Teresa d’Ávila não apenas instrui, mas conduz o leitor — ou melhor, o orante — por um itinerário formativo. A oração, nesse contexto é um caminho de autoconhecimento e de união com Deus.

A autora insiste na centralidade da oração mental, que define como “tratar de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama” (Cap. 8). Essa definição mostra a dimensão relacional da espiritualidade teresiana: a alma é chamada a um diálogo íntimo com o Divino, sustentado pela confiança e pela perseverança.

Outro eixo da leitura espiritual é a prática das virtudes, especialmente a humildade, o desapego e o amor fraterno. A Santa Madre afirma que “a humildade é a base de todas as virtudes” (Cap. 4), e sem ela não há progresso na vida espiritual. O caminho da perfeição, portanto, não é feito de êxtases ou visões extraordinárias, mas de pequenos atos cotidianos de entrega e renúncia.

A obra também propõe uma interpretação contemplativa do Pai-Nosso, nos capítulos finais. Cada petição da oração é desdobrada em meditações que expressam o anseio de conformar a vontade humana à vontade divina. Como escreve a autora: “Se quisermos que o Senhor nos ouça, é necessário que nos conformemos com sua vontade” (Cap. 32).



7. Considerações finais


A leitura de Caminho da Perfeição sob a ótica dos estudos literários permite reconhecer em Santa Teresa d’Ávila uma autora de estilo singular, cuja escrita combina oralidade, introspecção e sofisticação. Sua obra dialoga com as correntes literárias de seu tempo e contribui para a consolidação de uma prosa confessional no contexto do Siglo de Oro. Ao transformar a experiência mística em linguagem, Santa Teresa inaugura, no período conturbado da contrarreforma, uma forma de literatura que é, ao mesmo tempo, testemunho, ensinamento e arte.






Referências Bibliográficas

D’Ávila, T. Caminho da Perfeição. Tradução de A. Ribeiro. São Paulo: Edições Loyola, 2011.
Alonso, M. Literatura y mística en el Siglo de Oro. Madrid: Ediciones Cátedra, 2005.
Blecua, A. Prosa española del Siglo de Oro. Madrid: Castalia, 1992.
Rico, F. Historia y crítica de la literatura española. Barcelona: Crítica, 1980.



Outros artigos sobre o tema:

Literatura Clássica Católica| Castelo Interior: Uma Análise Simbólico-Espiritual da Obra de Santa Teresa 

Literatura Clássica Católica: Estudo Histórico-Espiritual da Obra Castelo Interior, de Santa Teresa de Ávila 

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¹Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)


























Jesus, Nosso Mestre: Novena

"Vós me chamais Mestre e Senhor — e dizeis bem, pois realmente Eu o sou." — Evangelho de São João



O que é uma Novena

Na tradição católica, a novena é uma prática de piedade composta por orações realizadas durante nove dias consecutivos. Nesse tempo, os fiéis se dedicam a pedir a Deus graças especiais. As orações podem incluir a recitação do Terço, passagens bíblicas ou breves preces ao longo do dia.



A Origem das Novenas

A prática das novenas tem origem nas Escrituras. Após a Ascensão de Jesus ao céu, Ele orientou os discípulos a permanecerem unidos em oração constante (Atos 1,14). Assim, os Apóstolos, Maria Santíssima e outros seguidores de Jesus perseveraram em oração por nove dias, até a vinda do Espírito Santo, no Pentecostes, conforme a promessa do Senhor.

A novena é, portanto, uma jornada espiritual que pode ser vivida individualmente ou em comunidade, unindo as pessoas por uma mesma intenção.




Novena a Jesus, Nosso Mestre


Embora cada diocese esteja em diferentes regiões do país, todas se preparam para receber o Ícone de Jesus, Nosso Mestre, ao longo do ano de 2018. Nos nove dias que antecedem, acompanham ou sucedem a chegada do Ícone à Arquidiocese, somos convidados a unir nossos corações e pensamentos por meio da oração, das Escrituras e de reflexões inspiradas em Jesus, o Mestre, fortalecendo nossa comunhão e intenção.




Primeiro Dia
Beato Contardo Ferrini (1859–1902)





Reflexão

Leigo celibatário italiano, professor de Direito Romano nas universidades de Pavia, Messina e Modena. Membro da Ordem Franciscana Secular, unia erudição acadêmica à santidade de vida, com simplicidade, oração e compromisso cristão.


Oração

Beato Contardo Ferrini, que buscaste a verdade na ciência e na fé, intercede por nós para que nossos estudos e ensinamentos sejam sempre iluminados pela humildade e pelo amor a Deus. Ensina-nos a ver no conhecimento um caminho de serviço. Amém.


Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que possamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que saibamos confiar em Ti em todos os aspectos de nossas vidas, para que possuamos a vida eterna. Que continuemos a edificar tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Fazemos estas e todas as nossas preces por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...






Segundo Dia
Beata Maria Raffaella Cimatti (1861–1945)


Reflexão 

Religiosa italiana das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, foi professora de Ciências Naturais e atuou como farmacêutica e enfermeira, servindo com coragem durante a Segunda Guerra Mundial.

Oração 

Beata Raffaella Cimatti, que educaste com bondade e curaste com ternura, intercede por todos os educadores e profissionais da saúde, para que nunca se cansem de servir com generosidade e fé. Amém.



Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a honrar verdadeiramente o nome de cristãos. Que saibamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em ti em todos os aspectos de nossa vida, para alcançarmos a vida eterna. Que continuemos a edificar a tua Igreja, praticando nossa fé em ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...






Terceiro Dia
Beato Giuseppe Toniolo (1845–1918)





Reflexão 

Leigo italiano, professor de Economia e Ciências Sociais, pai de família e promotor do pensamento social católico. Foi um dos fundadores da Universidade Católica de Milão.


Oração 

Beato Giuseppe Toniolo, que uniste fé e ciência com integridade, intercede pelos professores e estudiosos, para que nunca se esqueçam de buscar o bem comum e a justiça inspirados pela luz do Evangelho. Amém.


Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que possamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos de nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a edificar a tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...





Quarto Dia
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, 1891–1942)





Reflexão 

Filósofa judia convertida ao catolicismo, foi professora universitária e depois carmelita descalça. Morreu mártir em Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. 


Oração 

Santa Teresa Benedita da Cruz, mulher da verdade e da cruz, intercede por nós para que tenhamos coragem de buscar a sabedoria que conduz a Deus, mesmo diante das trevas do mundo. Amém.


Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a viver de maneira digna do nome de cristãos. Que amemos a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos a Ti todos os aspectos da nossa vida, para que possuamos a vida eterna. Que continuemos a edificar a tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas preces por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...





Quinto Dia
Santa Clélia Barbieri (1847–1870)





Reflexão 

Jovem italiana, leiga celibatária, fundadora das Irmãs Mínimas da Nossa Senhora das Dores. Começou a ensinar ainda adolescente, dedicando-se à alfabetização e catequese de crianças pobres.


Oração 

Santa Clélia Barbieri, mestra da humildade e da ternura, intercede pelos jovens educadores para que encontrem força e alegria em ensinar com simplicidade e coração puro. Amém.


Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que possamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos de nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a construir a tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...






Sexto Dia
São João Bosco (1815–1888)




Reflexão 

Sacerdote italiano e fundador dos Salesianos. Dedicou sua vida à educação de jovens, especialmente os mais pobres. Criou um sistema pedagógico baseado na razão, religião e carinho.



Oração 

São João Bosco, pai e mestre da juventude, intercede pelos educadores e educandos, para que cultivem ambientes de esperança, alegria e responsabilidade. Que teu exemplo nos inspire a formar corações santos. Amém.



Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que possamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos de nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a construir tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas preces por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...





Sétimo Dia
Beato Pier Giorgio Frassati (1901–1925)






Reflexão

Jovem italiano, estudante de engenharia e catequista voluntário. 



Oração 

Beato Pier Giorgio, amante da montanha e da caridade, intercede pelos jovens catequistas e estudantes para que vivam sua fé com coragem, alegria e solidariedade. Amém.



Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que amemos a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos de nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a construir a tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...





Oitavo Dia
Venerável Guadalupe Ortiz de Landázuri (1916–1975)




Reflexão

Leiga celibatária espanhola, química e professora universitária, foi uma das primeiras mulheres a se incorporar ao Opus Dei. Lecionou em colégios e universidades na Espanha e no México, onde também iniciou trabalhos apostólicos com mulheres. Destacou-se por sua alegria, competência acadêmica e espírito de serviço. Sua vida uniu ciência, fé e missão com naturalidade e profundidade.



Oração 

Venerável Guadalupe Ortiz, que ensinaste com inteligência e coração, intercede por todos os educadores para que saibam unir fé e razão em sua missão. Que teu exemplo nos inspire a viver com alegria e generosidade no cotidiano. Amém.


Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a sermos fiéis ao nome de cristãos. Que possamos amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos de nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a construir tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...





Nono Dia
Jesus, o Nosso Mestre



Reflexão

Jesus, nosso Mestre, em teu amor por nós, ajuda-nos a desenvolver os dons e talentos que recebemos, para que nos tornemos mais semelhantes a Ti e levemos uma vida de bondade. Abençoa todos os estudantes e todos os educadores. Que nossas escolas católicas continuem a servir nossas famílias, nossas comunidades e nosso país. Ajuda-nos, por meio do aprendizado, a crer em ti e a celebrar a vida da tua Igreja. Que possamos crescer em santidade à medida que fortalecemos nossa união Contigo e buscamos viver como Teus santos. 

Fazemos esta oração em Teu Nome. Amém.



Oração da Novena a Jesus, o Mestre

Jesus, o Mestre, ajuda-nos a viver de maneira digna do nome de cristãos. Que amemos a Deus, ao próximo e a nós mesmos; que confiemos em Ti em todos os aspectos da nossa vida, para herdarmos a vida eterna. Que continuemos a edificar tua Igreja, praticando nossa fé em Ti, o Filho do Deus vivo.

Apresentamos estas e todas as nossas orações por Cristo, nosso Senhor.

Pai-Nosso... Ave-Maria... Glória ao Pai...







Publicado em 2015 e atualizado em 2017.


Hoje, os livros de romance estão amplamente disponíveis no mercado, em diversas categorias, como teen, new adult e adult. Esses gêneros têm conquistado um público vasto e diversificado, cada um com suas particularidades e apelos específicos.

A literatura possui um poder formativo significativo. Alguns livros exploram o potencial da literatura e seus efeitos desastrosos. Por exemplo, em “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, que pessoalmente não aprecio, e “O Vermelho e o Negro” de Stendhal, que considero razoável, os personagens principais adotam modelos de vida retirados de livros e tentam replicar esses modelos em suas próprias vidas. Esse comportamento resulta em narrativas de vida perturbadoras e angustiantes, distantes de qualquer autenticidade ou virtude.

Em “Madame Bovary”, Emma Bovary é influenciada pelos romances que lê, levando-a a buscar uma vida de luxo e paixão que acaba por destruí-la. Como Flaubert escreve: “Ela queria morrer, mas também queria viver em Paris” (FLAUBERT, 1857, p. 123). Já em “O Vermelho e o Negro”, Julien Sorel é inspirado por figuras históricas e literárias, o que o leva a uma ambição desmedida e, eventualmente, à sua queda. Stendhal descreve: “O homem que não tem nada a perder é invencível” (STENDHAL, 1830, p. 45).

Por outro lado, a literatura também pode exercer uma influência positiva. Vemos isso em obras como “As Mulherzinhas” de Louisa May Alcott, “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbery (representada pela personagem Senhorita Prim), e “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien. Nessas histórias, os personagens são inspirados por valores nobres e virtudes, promovendo uma narrativa edificante e enriquecedora.

Em “As Mulherzinhas”, as irmãs March enfrentam desafios com coragem e bondade, inspirando os leitores a valorizar a família e a integridade. Alcott escreve: “Não há nada como ficar em casa para um verdadeiro conforto” (ALCOTT, 1868, p. 78). Em “A Elegância do Ouriço”, a personagem Paloma é transformada pela sabedoria e bondade de Renée, a concierge, mostrando como a literatura pode despertar a beleza na vida cotidiana. Barbery observa: “A beleza consiste naquilo que se vê” (BARBERY, 2006, p. 102).

Finalmente, em “O Senhor dos Anéis”, os personagens embarcam em uma jornada épica que destaca a importância da amizade, coragem e sacrifício. Tolkien escreve: “Mesmo a menor das criaturas pode mudar o curso do futuro” (TOLKIEN, 1954, p. 89).

A Igreja Católica também reconhece a importância da leitura e da literatura na formação moral e espiritual dos indivíduos. A prática da Lectio Divina, por exemplo, é uma forma tradicional de leitura orante das Escrituras, que visa aprofundar a relação pessoal com Deus através da meditação e contemplação. Além disso, a Igreja incentiva a leitura de obras que promovam valores cristãos e virtudes, ajudando os fiéis a crescerem na fé e na moralidade.

Santos e filósofos também têm muito a dizer sobre a leitura. Santo Agostinho, por exemplo, afirmou: “A leitura das Sagradas Escrituras é um meio de nos aproximarmos de Deus” (AGOSTINHO, 397, p. 56). São Tomás de Aquino destacou a importância do estudo e da leitura para o crescimento espiritual: “A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo” (AQUINO, 1274, p. 34).

Entre os filósofos, Blaise Pascal refletiu sobre a condição humana e a leitura: “A leitura é uma forma de pensar com a cabeça de outra pessoa, em vez de usar a própria” (PASCAL, 1670, p. 78). Johann Wolfgang von Goethe, por sua vez, disse: “Aquele que não lê bons livros não tem vantagem sobre aquele que não sabe ler” (GOETHE, 1824, p. 45). Aristóteles também valorizava a leitura, afirmando: “A leitura é o caminho mais curto para o conhecimento” (ARISTÓTELES, 350 a.C., p. 12).

O Midrash também oferece uma perspectiva interessante sobre o estudo noturno. Segundo o Midrash, quando Moisés esteve no Monte Sinai por 40 dias e noites, ele sabia que era noite quando lhe ensinavam a Torá Oral. Isso reflete a importância do estudo noturno na tradição judaica, onde a noite é vista como um tempo propício para a reflexão e o aprofundamento espiritual (MIDRASH, 2024, p. 23).

Portanto, a literatura tem o poder de edificar ou perverter, dependendo da forma como é utilizada e interpretada pelos leitores. Ela pode tanto inspirar comportamentos virtuosos quanto desencadear ações desastrosas, refletindo a complexidade e a profundidade da experiência humana.



Referências

ALCOTT, Louisa May. As Mulherzinhas. 1. ed. Boston: Roberts Brothers, 1868.

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Giovanni Reale. São Paulo: Loyola, 1999.

AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Trad. Alexandre Correia. São Paulo: Loyola, 2001.

BARBERY, Muriel. A Elegância do Ouriço. Trad. Rosa Freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. Trad. Mário Laranjeira. São Paulo: Martin Claret, 2003.

GOETHE, Johann Wolfgang von. Conversações com Goethe. Trad. Paulo Rónai. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

MIDRASH. Midrash sobre o estudo noturno.  Acesso em: 31 ago. 2024.

PASCAL, Blaise. Pensamentos. Trad. Sérgio Milliet. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

STENDHAL. O Vermelho e o Negro. Trad. Dorothée de Bruchard. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

TOLKIEN, J.R.R. O Senhor dos Anéis. Trad. Lenita Maria Rimoli Esteves e Almiro Pisetta. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

VATICANO. Lectio Divina. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cclergy/documents/rc_con_cclergy_doc_20080415_lectio-divina_en.html. Acesso em: 31 ago. 2024.



Novena para o Sucesso na Educação


Podes recorrer à Novena pelo Sucesso na Educação tanto por ti mesmo, caso estejas empenhado na nobre tarefa dos estudos, quanto por aqueles que te são caros. Por meio desta oração, confias a Deus os frutos da tua dedicação, suplicando que Ele abençoe teu caminho e o torne fecundo, segundo os desígnios de Sua vontade.

Também podes oferecê-la por teu filho ou por alguma alma querida que se encontre em fase de aprendizado. Pede-se, então, que o Senhor ilumine os mestres, fortaleça o zelo dos pais que educam no lar e se faça presente a cada passo da caminhada escolar daqueles que amamos.

Ademais, esta novena pode ser rezada com a intenção de todos os estudantes de uma disciplina específica ou de determinada etapa do ensino, a fim de que, sustentados pela graça divina, perseverem nos estudos e colham frutos que edificam não apenas a mente, mas também o espírito.





Novena para o Sucesso na Educação – Dia 1 


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, agradecemos o dom da educação e Vos pedimos que abençoeis nossos esforços nesse caminho.

A aprendizagem é graça vossa, mas, em meio às dificuldades do mundo, exige dedicação, disciplina e perseverança para que o aprendizado floresça. Particularmente no cuidado e na formação das crianças pequenas, o caminho pode ser árduo e repleto de provações.

Neste primeiro dia da novena, pedimos pelo êxito de todo empenho dedicado à formação das crianças.

Concedei-nos confiança em Vós e perseverança diante das provações.

Apresentamos, com fé, nossas intenções particulares: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória




Novena para o Sucesso na Educação – Dia 2 


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, agradecemos o dom da educação e Vos pedimos que acompanheis com graça os nossos esforços.

À medida que os jovens crescem e se aproximam da vida adulta, seus caminhos nos estudos podem se tornar incertos e desafiadores. Mas confiamos que, mesmo nas situações mais difíceis, Vós podeis conduzir cada um ao verdadeiro êxito.

Hoje, pedimos de modo especial pelos alunos do ensino fundamental e médio. Que seus corações encontrem direção, e que nossos esforços em guiá-los sejam frutíferos.

Dai-nos a graça de Vos servir fielmente em tudo e de buscar em Vós a força em cada circunstância.

Apresentamos, com fé, nossas intenções desta novena: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória





Novena para o Sucesso na Educação – Dia 3


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos pelo dom da educação. Pedimos que conceda sucesso a todas as nossas atividades educacionais. 

Abençoeis todos os que buscam o ensino superior.

Sabemos das exigências e lutas que acompanham essa etapa, mas cremos que Vossa graça pode sustentar cada estudante universitário em sua jornada.

Neste dia, suplicamos pelos que se dedicam ao estudo nas universidades. Que encontrem clareza, ânimo e dedicação.

Ajudai-nos a crescer em santidade nas provações diárias e a colocar nosso relacionamento Contigo como prioridade.

Confiantes, apresentamos nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração. 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória





Novena para o Sucesso na Educação – Dia 4


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos pelo dom da educação. Pedimos que conceda sucesso a todas as nossas atividades educacionais.

O caminho educacional é diferente para cada pessoa. Muitos só conseguem retomar os estudos mais tarde, enfrentando desafios próprios dessa fase.

Hoje Vos pedimos, de modo especial, por todos os que buscam o ensino superior em etapas mais maduras da vida. Concedei-lhes força, motivação e esperança.

Ajudai-nos a aproveitar cada oportunidade de crescer em santidade e aprofundar nosso amor por Vós.

Com confiança, apresentamos nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória





Novena para o Sucesso na Educação – Dia 5


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos pelo dom da educação. Pedimos que conceda sucesso a todas as nossas atividades educacionais.

Agradecemos pelos mestres e educadores que colocais em nosso caminho — homens e mulheres que, com talento e entrega, colaboram na formação de tantas vidas.

Hoje Vos pedimos por eles: que sejam abençoados em sua missão e encontrem frutos em seu trabalho.

Ensinai-nos a fazer tudo por amor a Vós e a buscar um vínculo cada vez mais profundo convosco.

Apresentamos com fé nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória





Novena para o Sucesso na Educação – Dia 6


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, agradecemos e louvamos o dom da educação. Pedimos que concedas sucesso a todas as nossas atividades educacionais.

O caminho do aprendizado exige esforço constante, especialmente em tempos difíceis. Por isso, hoje pedimos que fortaleças, com perseverança, todos os que se dedicam a ensinar e aprender.

Ajuda-nos a confiar em Ti nas provações e a Te amar com mais fervor a cada dia.

Apresentamos, com fé, nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória



Novena para o Sucesso na Educação – Dia 7

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, louvamos-Te pelo dom da educação e Te suplicamos sucesso em todos os nossos esforços educacionais.

As dificuldades e os fracassos nos ensinam humildade. Hoje pedimos que conduzas à verdadeira humildade todos os que trabalham pela educação, mesmo diante de tropeços.

Concede-nos crescer em virtude e aproveitar cada oportunidade de santificação.

Com confiança, apresentamos nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória




Novena para o Sucesso na Educação – Dia 8


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, Te rendemos graças pelo dom da educação. Concede, por bondade, sucesso a todos os que caminham por essa via.

Sabemos que o tempo da aprendizagem é longo e muitas vezes árduo. Pedimos hoje que todos os que buscam o sucesso na educação sejam fortalecidos na paciência.

Ensina-nos a recorrer a Ti todos os dias e a Te buscar com mais intimidade.


Apresentamos nossas intenções com fé: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória




Novena para o Sucesso na Educação – Dia 9


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Senhor, louvamos-Te pelo dom da educação. Pedimos que abençoes com sucesso todos os que nela se empenham.

Mesmo quando não compreendemos Vossos caminhos, queremos confiar em Vosso plano. Por isso, hoje pedimos que fortaleças, com confiança, todos os que trabalham pela educação.

Dá-nos a graça de buscar a santidade com fidelidade e de fazer de Ti o centro de nossas vidas.

Apresentamos, com fé, nossas intenções: (mencione-as aqui).

Ouvi, Senhor, nossa oração.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória




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"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




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