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Salus in Caritate





O que é ser alegre?

Quando estudamos filosofia, aprendemos que o primeiro passo é perguntar: “o que é…?”. Interessantemente, vemos que na prática fazemos isso muito pouco. Quando falo sobre alegria, a maioria já tem uma ideia mental estabelecida que pode, ou não, ser semelhante à euforia, que, por sua vez, não é nem de longe alegria.

Para Aristóteles, a felicidade é o maior bem do homem e a alcançamos com a execução de atos virtuosos. Ou seja, a alegria é a felicidade do virtuoso ao executar virtudes. Bem, já São Tomás se perguntou se a alegria é o mesmo que o prazer e concluiu que sim, mas se difere do mundano uma vez que possui matéria mais nobre; no caso, gera o alargamento, a dilatação do coração.

Não sei se notou, mas nenhuma das citações ou até mesmo os textos bíblicos sobre a alegria remetem a essa visão que temos sobre “ser alegre”, que é uma obrigação imposta na pós-modernidade: temos que ser SEMPRE felizes, bem-sucedidos, pulantes de alegria exorbitante. Acontece que isso só gera infelicidade, simplesmente porque ninguém é assim.

Também devemos nos atentar que a visão que temos do outro é extremamente fragmentada, parcial. Normalmente, demoramos muitos anos para conhecer alguém e, quando conhecemos, passamos a notar formas de comportamento maravilhosas que antes não víamos. Digo isso por achar que, aparentemente, as pessoas realmente acreditam que a imagem parcial que veem na internet ou da pessoa na Santa Missa ou seja lá onde, é a pessoa toda e, portanto, é alegre ou triste segundo uma constatação de, no máximo, um minuto.

Uma vez fiz uma pesquisa com imagens de santos e perguntei o que eles tinham em comum, e uma parcela significativa respondeu “tristes?”. Veja bem, como pode um santo ser triste?! Um pensamento desses só pode existir quando há uma percepção muito, muito, muito deturpada de alegria. Num outro momento, eu partilhei muitas fotos antigas em preto e branco. Eu amo fotos antigas em preto e branco. Acredita que acharam que eu estava triste? Mas veja a loucura da situação: fotos em preto e branco, coisas antigas, brechó são coisas que me deixam alegre. O que me leva a pensar no distanciamento que existe nas relações sociais atuais, acrescidas da internet (e veja bem, eu não odeio a internet, estou usando agora, mas não dá pra deixar passar que o robô parece estar gerando robôs dentro da “rede mágica do pôr-do-sol”, o “robô-insta-crazy”). A internet gerou uma relação baseada, ainda mais que o normal, no eu. Você pode parar de ler e me apagar quando quiser, pode me cancelar quando quiser, pode me deixar falando sozinha quando quiser. O “eu interneteiro” é soberano, não precisa interagir, não precisa escutar ou ler o que não quer, não precisa se incomodar de parar e pensar, simplesmente aperta um botão e vai ver ou escutar outra coisa, que muitas vezes é mais do mesmo (mas eu falo sobre isso em outro momento). O que me leva a questionar se essa obrigação da “alegria eufórica” não é uma necessidade egoísta, ou ainda, como alguém que acha que a violeta não é alegre só por não ser um girassol. Mas o que aconteceu com o antigo “o que seria do mundo se todos gostassem de azul” e o “somos todos diferentes”?

Reflexivamente e singelamente, Ana















Passamos muito tempo lutando para viver e acabamos vivendo muito pouco. Existir e viver são coisas diferentes. 


Desacelerar é um convite ousado numa sociedade que enaltece a velocidade e a produtividade, sem se lembrar que a calma é mais produtiva que a agilidade que fadiga. 


Você teria coragem de desacelerar? Pois é, quem diria que isso exigiria coragem, seja para arcar com o fato de ir na contramão de todos os outros, seja por se deparar com você mesmo no processo e tudo que deixou de lado para poder ser rápido.


Eu gosto de assitir séries com mestres de artes marciais desde pequena e, se você já assistiu alguma, já reparou que, os movimentos são rápidos, mas quem está lutando vê as coisas em câmera lenta? A atenção plena e lenta lhe concede agilidade e uma visão ampla da realidade. 


 Pois é, você já deve ter me entendido e talvez já tenha pensado nisso, toda essa fluidez de informação, todos falando ao mesmo tempo, tanta agitação dentro e fora de nós, deve ter lhe esgotado, de alguma forma, também. 


Não sei se posso defender, pessoalmente, a escolha de se apartar totalmente, mas a entendo completamente. Defendo, no entanto, certa consciência no uso de tanta agilidade, certa coragem de aceitar parar e olhar em volta, de desacelerar e ver os outros avançarem sem uma angústia interior. Você verá que não é muito fácil, exige certa resiliência e auto domínio. 


Existe uma história de um cachorro que viu uma lebre e saiu correndo, todos os outros cães sairam correndo também, mas não tinham visto nada. Penso que esse desacelerar permite ver o que não vimos, permite sair do "efeito manada", como eu o chamo, e fazer as coisas com mais consciência, pode até ser as mesmas coisas que antes ou que os outros já fazem, mas com consciência, com reta intenção, com presença.


Isso também vale para os que fazem trabalhos na Igreja e para a Igreja. Muitas vezes nós nos esquecemos que o Senhor trabalhou seis dias e descansou. Eu mesma pulei solenemente a imitação da parte do descanso por seis anos seguidos. Na verdade, eu nunca me sentia cansada, mas eu estava correndo... você já viu um atleta correndo? Bem, caso não tenha visto, depois de um tempo ele não sente mais nada, a endorfina anestesia tudo, os músculos estão tão energizados que pulam, ele não está cansado de fato, embora tudo esteja fadigando. Estranho né? Mas isso acontece na nossa vida e também nas práticas de apostolado. Então você que é fundador, orientador, coordenador, catequista, padre, irmã, consagrado, enfim, qualquer servidor assíduo do Reino, se lembre de descansar, se lembre de desacelerar, isso também dá glória a Deus e nos dá perspectiva. 


O atleta lá na pista de corrida, correndo e correndo só vê a pista, só vê a looonga pista... perde um pouco a perspectiva do que o cerca, do quê e quem está na beira da pista, até mesmo de quem corre com ele... ele só vê a pista e a linha de chegada. E devemos dizer que isso é ótimo, isso é plena concentração, é muito útil imitar essa atitude na vida e no serviço ao Senhor. Mas perder a perspetiva não é muito bom quando se serve o Reino, tudo o que servimos está, também, em volta de nós. 


Então, se lembre, aspirante a servo bom e fiel, de glorificar a Deus desacelerando. Parece loucura, eu sei, principalmente se você veio de uma formação como a minha "servir, servir, servir e fim", mas vamos lá aprender a descansar como o Senhor, você verá que existe serviço nisso também, por isso o Senhor Jesus disse que "meu Pai nunca descansa". 


Só temos que descobrir, com a vivência e o tempo, que sementes de edificação existem nesse desacelerar e descansar. Então vamos lá, aprender mais uma coisa com o Senhor!  


Paz e Bem! 







Em 2016 eu abri um grupo de estudo gratuito, o objetivo era testar a minha didática e sondar a recepção das pessoas ao conteúdo, foi um grupo maior do que imaginei, numa época em que o tema feminismo, Beleza e etc, era tratado como algo fora da alçada de uma formação com base cristã. Acredite se quiser, ao dar a primeira formação eu falei sobre o feminismo e outros pontos sobre as mudanças significativas que a condição feminina passou após a ascensão da burguesia e depois, mais drasticamente, após a Primeira Guerra Mundial, e recebi uma enxurrada de mensagens de moças que achavam que falar sobre isso não era importante e que falar sobre a vida das santas é que era importante (e é também e consegui abarcar as duas coisas com a graça de Deus). O mesmo aconteceu ao falar sobre a Beleza, Obras de arte e etc. Esse material foi trabalhado até 2018 e se tornou o primeiro módulo (de seis) do Curso Mulher Católica. É maravilhoso como a ação de Deus na História é notória para quem está realmente observando, afinal você deve ter uma idéia do que eu penso vendo o cenário atual. 


Então, não preciso dizer que, finalmente - mas não sei bem se felizmente em todos os casos - um grupo significativo de mulheres falam sobre esses assuntos, mesmo não tendo a real percepção do que fazer para ser realmente cristã após descobrir todas - ou quase todas - as faces das cobras que coroam a cabeça da Medusa moderna chamada feminismo. Ao ver o rosto da Medusa fica um buraco enorme, afinal boa parte das mulheres possuem traços feministas sem saber. Lembra que no mito ao olhar diretamente nos olhos da Medusa a pessoa é transformada em pedra? Pois bem, essa transição costuma ser difícil... é difícil deixar de ser pedra, por isso que a formação feminina cristã é desafiadora, existe uma parcela grande de traços feministas não notados, resistências, aversões e apego às próprias vontades, feridas do pecado original ressaltados com as pitadas dessa ideologia. 


Como disse no texto 1 dessa série, essa pseudo formação tirada de turnês de lives cria uma falsa percepção de formação, é um conhecimento superficial com aparências de algo mais. O que não seria um problema, mas como gera uma falsa percepção de nós mesmos por conta do mimetismo que é confundido com conhecimento, passa a ser um problema. Veja bem, a pessoa assiste lives e documentários (o que é ótimo, se forem bons) logo começa a imitar a forma de falar do que mais acompanha, seus trejeitos, jargões, roupas, hábitos e em quinze dias já está repetindo com ar de conhecimento nato o que escutou... ou seja, isso mostra que nós devemos começar por uma mudança na forma como vemos o processo de aprendizagem.


Edith Stein diz que a mulher deve se dedicar a estudar literatura e história (o que inclui política, mas não falarei disso agora), além de fugir da superficialidade. Vou usar essa premissa para explicar o que está dificultando o processo: a maior parte de vocês, que são mulheres, abriram esse texto por ler a palavra "feminina" no título, também assistem lives e tem um interesse maior - se não total, absoluto e exclusivo - por conteúdos que possuam "mulher", "feminina", "feminilidade" (e variações) no título. E é aí que está o problema. 


Para iniciar um processo de aprendizagem você precisa saber o que tem na bagagem, o que você aprendeu que realmente é útil e, principalmente, verdadeiro. Depois, é preciso saber o que te falta e dentro do que te falta escolher por onde começar, ao começar, o ideal é escolher um caminho, que é facilitado escolhendo um professor ou, a segunda opção, o caminho auto ditada. Por exemplo: Quantos clássicos você leu? Como leu? O que aprendeu e que virtudes viu neles? Você consegue resumir alguns períodos da história mundial? Alguns períodos da história da Igreja? Consegue olhar para o presente e fazer um link com o que aconteceu em algum período anterior, na Igreja por exemplo, ou na Filosofia? 

Bem, essas perguntas são incômodas, eu sei, já que as fiz muitas vezes para mim mesma; mas encarar o "eu não sei" gritante é o melhor caminho para vir a saber de verdade. 

Por fim, independente do caminho que você escolherá para começar a criar uma bagagem capaz de lhe dar ferramentas para responder uma dessas perguntas, você levará tempo para ler livros e assistir as aulas (se escolher um professor) e etc. E a verdade é que você não quer fazer isso, o mesmo impulso que te leva a abrir somente coisas com "feminilidade", "mulher" e "feminino" no título, é o mesmo que te faz querer aprender tudo por osmose. Bem, não vou entrar na cansativa explicação dessa impossibilidade para poupar nosso precioso tempo. 


Muito bem, contando que você corajosamente venceu a si mesma e deixou de contar com um milagre osmótico, provavelmente se deparará com um desafio, as respostas ou ainda o complemento da sua formação, surpreendentemente, não está somente, nos livros com "mulher", "feminilidade" (enfim você entendeu) na capa. Para me fazer entender deixo um exemplo atual, na verdade, está acontecendo nesse momento com você, boa parte das moças que lêem meus textos sobre feminilidade não lêem sobre Educação Clássica, sobre livros ou outro assunto (não é mesmo? te peguei!). No começo isso me gerava certa irritação, por ser obtuso, é inexplicável alguém saber que precisa se formar e simplesmente só ler ou assistir uma única coisa, é como alguém que quer ter conhecimento e só se dedicar ao custoso trabalho de ler stories de instagram, não faz sentido algum. Mas como não tenho escolha além de continuar falando que você pode mais e que é capaz de aprender mais do que imagina, sigamos...


Portanto, se quer mesmo começar: mude o comportamento. Primeiro, notando que por mais que assista trocentas lives isso não é formação, pode gerar, com sorte, um Frankenstein (o que é melhor que nada, realmente). Segundo, amplie os seus interesses e leia outras coisas que não tenham a palavra "mulher", "feminilidade", "feminino", " beleza", no título . Digo isso por uma questão muito simples, uma mulher é formada por muito mais do que é escrito sobre esses assuntos. Só assim as lacunas poderão ser preenchidas, como você viu (e sentiu, provavelmente em algum lugar perto da garganta ou na boca do estômago) nos exemplos das perguntas acima. 


O terceiro ponto se trata da superficialidade. Sempre achei interessante a fama, no meio feminino, de pessoas que compartilham uma foto de uma xícara com café, chá ou alguma trivialidade. Antes que me atirem pedras, eu gosto de trivialidades quando elevadas, a vida é feita do trivial e do banal. Mas, de uma forma geral, esse ponto mostra muito sobre a superficialidade feminina, uma tendência a gostar de coisas sem conteúdo, sem nada de realmente interessante, sem nada de edificante, isso dentro dos meios cristãos, veja bem... Esse é um aspecto dessa feminilidade atualmente propagada. No entanto, e agora as coisas se complicam, esse ponto vem acompanhado de uma aversão a inteligência. De uma forma geral, aqui no Brasil, existe uma aversão ao conhecimento, e no "meio feminino" existe uma aversão a inteligência, a inteligência de algumas mulheres parece gerar sufocamento em outras (isso acontece também no meio feminino dentro dos meios cristãos, reitero). Portanto, eu não estou falando de uma condição de desinteresse pessoal por questões profundas ou alguma área do conhecimento, estou falando de uma aversão a inteligência realmente, somado a um apego à superficialidades. Acredito que é isso que faz a Formação Feminina ser tão difícil de ser feita, existe um medo de ser inteligente e um afastamento de mulheres inteligentes, não me pergunte o motivo disso, não faço idéia, mas acontece com frequência e impede o processo de formação da seguinte forma: essas moças, que são muitas, se sentem inferiores às que estudam ou parecem ser inteligentes (não falo de faculdade, falo de estudar por querer aprender), no entanto, além de estudar também, elas fogem para as montanhas das trivialidades e fim. O mesmo acontece quando elas encontram homens inteligentes, se sentem inferiores e menores (o que diminue a cota de casamentos e coloca meu querido hobbie de casamenteira em risco). Acontece que se sentir inferior não resolve o problema e fugir para as montanhas triviais também não, já que ambos geram um impedimento em simplesmente ser melhor (não somente por si mas também pelos seus, considerando que você seja a moça que quer ter uma família católica linda).


Não é fácil suprir a falta de bagagem, mas não é impossível, no entanto, é preciso saber dessa tendência geral que cada uma precisa vencer para enfim ter alguma formação. Admirar pessoas é útil, mas normalmente, gera uma condição de expectador, alguém que só assiste a vida do outro e não faz nada pela sua própria. Estudar por estudar, por saber é um hábito difícil de adquirir, estudar sem perspectivas de diplomas e títulos, simplesmente estudar por si e pelos seus. Essa é a proposta que funciona. 


Claro que não estou dizendo que você sairá fazendo palestras e formações e debates, talvez você não queira isso, talvez queira (talvez Deus queira, talvez não), mas busque se abrir para aprender, aprender de verdade. 


Como disse anteriormente, existe o caminho guiado por um professor e o auto didata. O primeiro você escolhe um professor e segue ali até sentir que está pronta para aprofundar, isso significa que você não completará a sua formação num único curso de uma única pessoa. Terá que tecer várias formações até ter algo organizado, o fato de seguir um cronograma ajuda a tornar o processo mais tranquilo e organizado, além de gradual, já que o mesmo conteúdo revisitado costuma ser mais bem aproveitado. O segundo caminho é o auto ditada, que é possível trilhar, o cerne desse caminho é ler tudo que encontrar e aprender um método de triagem para ficar com o que é melhor, buscar obras mais antigas e comparar com as novas, escolher uma área por vez pode lhe ajudar, além de buscar textos de apoio. Nesse caminho é sempre bom notar que revisar o que aparentemente já se sabe é importante, além de ter clareza de tudo que ainda não leu ou compreendeu, também é bom de tempos em tempos, se expor a uma aula que abarque algo que você já estudou sozinha, esse momento é importante para vasculhar e discernir se essa escolha foi boa ou não, se está dando certo ou se está patinando. 


Seja qual for o caminho escolhido tenho certeza que com bom senso, amor pela Verdade e fuga da superficialidade chegará a um bom resultado. 

Singelamente, Ana






Acredito que todos que me conhecem já saibam das minhas reticências em relação à internet. Embora seja um meio de comunicação maravilhoso, pode ser um verdadeiro abismo. Quando falamos qualquer coisa, a outra pessoa entende conforme o que ela tem na bagagem e conforme os seus sentimentos. O que é extremamente compreensível e também cansativo. Isso tem como ponto motivador a nossa era moderna super emotiva e a educação assombrosamente emburrecedora do Paulo Freire.

Recentemente, lecionei umas aulas sobre Filosofia Prática para o Educa-te, nelas falo sobre o impacto que o “método Paulo Freire” gerou na percepção filosófica, um impacto negativo, claro. Mas você deve se perguntar que relação isso tem com você, que talvez não goste de filosofia (provavelmente porque nunca teve um professor tomista). Veja bem, a didática se baseia praticamente em ensinar usando o meio do aluno, isso parece muito maravilhoso e de fato surte resultado na educação básica, letramento por exemplo, mas é uma desgraça em todo o restante.

A literatura, uma carta, um artigo, um bilhete têm por objetivo dar ao leitor uma informação ou um ensinamento, ou seja, visa abrir um buraco na muralha da realidade que o cerca, uma janela ou um portal conforme a profundidade do que se lê. O ato de ler visa ampliar horizontes. Mas com a forma da educação atual, não temos mais a leitura como portais e sim como espelhos; não se vislumbra nada novo, antes se inicia uma tentativa insistente e absurda de encontrar em todo texto algo de si mesmo e, quando não encontra, se inventa, se adapta.

É impossível um ser humano viver todas as coisas, portanto, é impossível que tenha um comentário sobre todas as experiências da vida. A literatura, a leitura, não serve para vermos a nós mesmos (não no começo), mas para vislumbrar além, sair de si, ver o mundo com outros óculos, em silêncio, e depois voltar os olhos para si e ver coisas antes nunca vistas.

Mas não é isso que acontece. Todos nós fomos condicionados a ver um livro, um artigo, uma carta, um bilhete como espelhos; como pequenos Narcisos, não podemos sair de nós mesmos sem cair em nós mesmos. Portanto, você já deve entender o impacto que isso causa na comunicação. Ninguém escuta ninguém, não há o trabalho de parar e ler o que outro está realmente dizendo; existe só o trabalho de tentar encontrar ali, no que está sendo lido, algo que já tenha vivido (ou aparentemente vivido) e dar o seu parecer.

Isso existe em todos os níveis educacionais, o que gera a tão conhecida “falta de interpretação de texto”. Se o texto foi escrito para expressar algo além, para comunicar, para ser um portal, mas é lido por olhos que só enxergam a si mesmos, haverá logicamente ruídos na comunicação, pelo simples fato de que a pessoa falou para ser ouvida e não para ser um reflexo. Por isso que na educação clássica se instrui a ler o que está escrito e não o que eu quero entender; os ruídos surgem justamente porque, para isso, é preciso constatar que podemos não ter aquela vivência e que, portanto, entendemos o que está sendo dito, mas não tudo. É difícil fazer isso numa educação que te faz achar que entender é já ter vivido tudo que já foi escrito e ter, de imediato (e muitas vezes na adolescência, veja bem), um pensamento crítico.


Para você ter uma ideia de como essa forma de educação é destrutiva, vou colocar num cenário mais simples: a pessoa está a ler Moradas do Castelo Interior e, na quinta morada, começa a achar que já passou pelo que a Santa Madre fala, que já viveu aquilo, porque achou um ponto na sua história, um único ponto, parecido. Logo, aquilo já se torna certeza e ela se vê na quinta morada. Parece exagero, mas todos sabemos que é justamente assim que a maioria de nós lê algo, sempre tentando achar algo que nos reflita, sempre buscando a auto-referência. O livro não foi escrito com esse propósito, mas isso não é levado em consideração. Não passa pela cabeça do citado leitor observar se já venceu as características das moradas anteriores e se tem os traços nelas citados; tudo se resume àquele ponto que, adaptado, é forçosamente tido como já vivenciado.

Isso acontece com tudo, até num bilhete. Acontece que isso impede a comunicação e o processo de aprendizado. Alguém que vê tudo como espelho nunca encontrará ocasião de olhar para algo e constatar “isso eu não vivi, não tenho na minha bagagem, mas entendi o que foi dito”, de dizer “eu não sei isso” ou “eu não sabia disso, obrigada”; e depois de anos se deparar com a situação real e dizer “haaa, então é assim!”. Isso é o processo de aprendizado, é usar a experiência literária, mas alguém que acredita já ter vivenciado tudo que lê, que se vê em tudo e tudo adapta para ter como já vivenciado, nunca aprenderá, nem com Santa Teresa explicando a sétima morada, nem com o bilhete que lhe dá uma nova informação.

A internet e a falsa percepção de formação ampliam e muito essa situação. Fora de uma boa educação, as pessoas entendem o que leem e escutam segundo o seu humor, temperamento, emoções e história; elas entendem o que querem. Mas quem escreve ou fala está, na maioria das vezes, falando outra coisa e com outra intenção, ou ainda, muitas vezes, se refere a coisas que não existem (ainda) na realidade e vivência do leitor, que, por sua vez, está acostumado a olhar para espelhos e não para janelas.

Uma Babel moderna.












O tema "feminilidade" está em alta, 10 entre 10 perfis de mulheres cristãs ostentam essa palavrinha na descrição. Não sei, no entanto, ao certo, se a palavra feminilidade é entendida verdadeiramente. 


Meus alunos, verdadeiramente assíduos, já me escutaram falar sobre a "feminilidade burguesa", que é o que estamos re- vivendo. Burguês aqui não se refere somente ao conveniente, mas sim às feminices, coisa já falada no meu livro "Modéstia". As feminices são inclinações da mulher, mas não são a feminilidade. Partindo desse princípio falar sobre cabelo, unhas, roupas, inclinações para coisas belas e fofas são feminices e não feminilidade, são um atributo (muito variável inclusive) da mulher. Dessa forma o termo feminilidade, como é usado hoje, é burguês, tal e qual o era na ascensão da burguesia, em que a mulher tomou um papel de "bibelô" mesmo que com muitas habilidades, o que é melhor do que o quadro atual. Hoje nem as habilidades temos a graça de ver louvadas, mas as feminices sim. Motivo pelo qual alguns argumentos feministas continuam de pé, pelo simples fato de que quando fazemos da feminice uma pseudo feminilidade deixamos a realidade concreta de que esses interesses são distintos em cada mulher. 


Esse é o real motivo desse texto e de tudo o que eu faço em relação a mulher.


 Já no extremo oposto existe a preocupação de "estudar sobre a feminilidade", bem, só no Educa-te existem mais de 37 aulas sobre a mulher, realmente é possível "estudar" a condição de ser mulher, mas a feminilidade que é a expressão de ser mulher no mundo, não é possível ser estudada, é possível vislumbrar as possibilidades que Deus nos abre através da história de piedosas mulheres, coisa que me alegro de ter concluído nas aulas que dou, mas ainda assim sempre terá aquela ação pessoal e irrepetivel do Espírito Santo na sua expressão no mundo, por isso que "estudar a feminilidade" é uma expressão que exige mais pensamento ao ser dita, como o próprio termo feminilidade exige um pouco mais de cuidado ao ser usado, principalmente quando é usado como sinônimo de feminices. 


Digo isso por me preocupar com as preocupações atuais das moças. Veja bem, se você irá se casar é claro que precisa saber sobre as coisas do lar, exercitar a virtude da mansidão, economia e ordem. Claro. No entanto, essa vocação também pode lhe trazer almas imortais, das quais você será a tutora, você será mãe dos filhos de Deus. Aí eu pergunto se a sua formação está de acordo com o chamado. Veja só, uma vocação religiosa exige nove anos de percurso até o voto perpétuo... quanto tempo você, que será mãe carnal, e deveria ser também a espiritual, dedicou a sua formação?


Estou espantada com a quantidade de moças que deixaram o estudo de lado, estudo humano e religioso (não me refiro a faculdade), elas simplesmente não estudam e não lêem nada. Estou espantada porque um dia a criança irá fazer uma pergunta dessas áreas e ela não saberá como "responder direito" ou o marido quererá falar de alguma coisa mais profunda e não terá com quem falar, sua própria carne não o acompanhará. Isso não te preocupa? Pois eu, que nem tenho essa vocação, estou preocupada. 


 Ter uma boa formação é obrigação de todo cristão, mas uma mãe deve se educar para poder proteger os seus. Não sei se fui feliz em deixar claro o motivo do meu espanto, mas moças que não querem saber o mínimo de teologia e filosofia - e veja bem, não digo uma mãe que educa seus filhos em casa ou alguém que quer ter vida intelectual, estou falando no geral mesmo - é preocupante em vista do mundo em que vivemos. A mãe é a primeira a interceder e a primeira a receber perguntas, precisa saber minimamente a história da Igreja, apologética, questões existênciais, tudo isso unido à oração, mas precisa, sim, cobrir lacunas de formação para poder exercer a sua vocação. E preencher lacunas não é assistir lives a esmo na internet, sair colhendo sem rumo, é preciso seguir um caminho para não cair numa pseudo formação.


Não sei exatamente o que leva as moças a estudarem muito por um diploma e nada por sua vocação essencial, sendo todas dotadas de inteligência e força de vontade, mas me espanta o atual empenho em feminices e pouco em buscar ser uma Mulher, capaz de refletir e falar sabiamente como Débora, de gerenciar como a Mulher de Provérbios e Nossa Senhora nas Bodas de Caná, de falar sobre vários assuntos com inteligência como Santa Hildegarda, enfim de estudar para edificar a si e não por um papel sobre uma, e somente uma, habilidade do ser. 


Isso não é uma exigência para a chamada vida intelectual, é uma exigência da vocação de ser mãe. Portanto, novamente, eu pergunto quanto tempo você dedica para se formar em vista de ser uma Mulher e uma Mãe? 


Eu realmente espero que isso lhe cause alguma reflexão, afinal embora exista um número de vozes masculinas se tornando cada dia mais presente, esse conjunto só terá harmonia com a sutileza da voz feminina, de Mulheres que são mais que feminices, que são sábias, interessantes, inteligentes, que sabem mostrar o prisma feminino dos mais diversos assuntos, enfim Mulheres Católicas. 


Sei que algumas se sentem pressionadas com o tema "estudo", mas saiba que pelos seus você deveria repensar as suas prioridades e observar a constituição da sua formação. 


Singelamente, 
Ana





















Considerando o atual cenário, não seria exagero verificar que temos uma noção muito equivocada a respeito do que é ser filósofo. O ato de pensar bem passou a ser confundido com um emaranhado pouco lúcido de opiniões altamente apaixonadas. Vimos anteriormente o quanto São Tomás nos ensina sobre como debater desapaixonadamente, tendo como princípio que a Verdade tem uma força em si e que a cortesia deve se unir à clareza para gerar uma exposição adequada.

Cabe, então, ao pensador o domínio da linguagem e a dedicação em lapidar o seu uso de modo a expressar o que deseja usando as palavras que realmente as expressam. No entanto, não é difícil notar que, numa educação em que “ter senso crítico” vem antes de aprender a dominar o mundo da linguagem, poucos são os que leem o que realmente está sendo dito.

Portanto, vale relembrar alguns pontos sobre essa temática, na esperança de deixar mais claro que um filósofo é um opinador, mas nem todo opinador é um filósofo. Em tempos de internet, se torna extremamente perigoso aderir a opiniões pessoais como quem aceita um dogma, sem verificar de onde veio aquela informação e se sua fonte é idônea. Saber estabelecer um critério de seleção, sem paixões desordenadas, para executar um julgamento é um dos ensinamentos da educação clássica, assim como o alicerce do pensador. Com essa habilidade, pode-se julgar sobre livros e política, moral e casos cotidianos. Através desse julgamento, temos uma opinião, uma posição, e isso é essencial para não ser tragado pelo turbilhão de ideias atuais.

O filósofo busca ser um imitador do Criador 


OS LIVROS

1.    Saiba quando e onde o livro que lê foi escrito; assim, poderá entender a situação do escritor, substituir o que falta e cortar o que excede, decifrar termos, compreender e dar valor a uma queixa ou repreensão.


O FILÓSOFO

2.    Um filósofo é quem se dedica a investigar a natureza, a moral e a relação entre as pessoas. Para isso, é preciso:

                          I.          Clareza

                        II.          Juízo com verdade;

                       III.          Discorrer com rigor e firmeza;




Estes são os traços de um bom filósofo:

I. Clareza e firmeza: exige uma percepção habituada a estar atenta.

II. Juízo: julgar é decidir interiormente se algo é ou não é. Para bem julgar, é preciso:Partir de uma boa definição (e elas são raras);
Não usar expressões imprecisas (a confusão dos termos é a origem da confusão de ideias);
Fugir de suposições gratuitas e dos preconceitos (ideias pré-concebidas impedem de ler o que realmente está escrito, nos levam a ler ou ouvir o que queremos). Infelizmente, a educação que recebemos, baseada em Paulo Freire e no imediatismo atual, nos inclina a isso, destruindo todo o processo de aprendizado.


IMITANDO O CRIADOR

3.  A dificuldade não está em aprender, está em captar. Para isso, não é preciso um grande número de ideias ou se fadigar em torturar a alma para aprender; é preciso dar à alma certa folga para inspirar-se e instruir-se, e deixar que o trabalho de contemplar se torne um hábito, sem com isso abrir a brecha do desleixo.

À medida que a alma se aproxima de Deus, o número de ideias diminui, pois o próprio Deus, Inteligência Infinita, tem todo conhecimento numa única ideia, fala tudo numa única palavra. A alma que se aproxima d’Ele se torna mais capaz de encontrar a ideia raiz da questão e, dali, tem uma gama grande de conhecimento. Isso é o que chamamos de gênio.

ENSINO                                

4.     Ser claro e profundo, unir simplicidade à complexidade, conduzir por caminhos fáceis e ensinar a vencer as dificuldades do aprender, inspirar e dar intelecto às consciências fracas, esses são os atributos do bom professor, que sozinho pode produzir benefícios imensos.


INFLUXO DO CORAÇÃO

5.   Para o bem pensar, nada é mais importante que compreender as alterações que o humor pode gerar. E essa é a razão que faz com que tão poucos homens passem o espírito do seu tempo, pois não conseguem dominar as circunstâncias pessoais, preconceitos e interesses. O jovem está convicto de que está meditando, mas não faz mais que sentir; acredita ser um filósofo que julga, quando não passa de um homem que se compadece (o que é bom, mas não é filosofia).

Ter ideias determinadas sobre os assuntos é um bom caminho e, quando não as tem, é de vital importância não se entregar às inspirações repentinas e não seguir o influxo do coração de imediato.



Baseado no livro: O Critério - sobre a arte de pensar bem (aqui) 







Introdução


Desde 2017, assistimos a uma grande mudança no cenário intelectual brasileiro. Me recordo que foi o ano em que coordenei um congresso com intelectuais católicos. Na época, os congressos on-line eram muito raros e os temas foram recebidos com certa estranheza, pois eram temas filosóficos ou reflexivos. Eu não imaginava que, somente alguns anos depois, tudo estaria como está, que teríamos mudanças tão significativas, pois, confesso, boa parte de nós já estávamos sem muita esperança de uma mudança muito visível, estávamos cada um fazendo o seu pouquinho, com certa aceitação em ver as aulas de grandes professores assistidas por seis gatos pingados.

Mas, após esse ano, que foi um Ano Mariano do Centenário de Nossa Senhora de Fátima, tudo pareceu mudar com muita agilidade, o que nos causou certa alegria e também temor, já que o que é rápido dificilmente consegue ser profundo e duradouro. Todos víamos que faltava formação elementar, que, na verdade, as pessoas estavam abraçando certos atributos que se descobriram também adeptos calados, mas não entendiam o significado real de todo o restante. Uma adesão fragmentada e completamente emotiva, numa ânsia por solucionar problemas estruturais brasileiros.

Acredito que, finalmente, uma boa parte das pessoas sabe que a questão é cultural e não necessariamente política (uso o termo no sentido de partidos políticos, já que toda ação cultural é Política). Assim, além de sedimentar uma educação cristã e clássica capaz de nos resgatar da lama freiriana em que estamos, também é necessário resgatar alguns pontos sobre o que seria a arte de pensar bem, o que seria cultivar a habilidade de ser um pensador e depois um filósofo e, por fim, um filósofo que busca imitar o Criador.

Para isso, iniciei essa pequena série com alguns pontos, que são tratados longamente no Educa-te, em vários módulos distintos.


A ARTE DE PENSAR BEM


  1. Pensar bem: consiste em conhecer a verdade ou dirigir a mente para ela. A verdade é a realidade das coisas. A inteligência que conhece a verdade é como um espelho que mostra exatamente as coisas como são; a inteligência que está no erro é como um caleidoscópio que vê coisas onde não existem. Uma inteligência que sabe a verdade pela metade é um espelho distorcido que mostra as coisas em proporções alteradas. A arte de pensar bem é de interesse de todos; a inteligência é um dom precioso do Criador e um dos deveres do homem é manter essa luz em pleno funcionamento.
  2. Atenção: muitas vezes não nos falta capacidade de entender, falta-nos dedicação. Um espírito atento multiplica suas forças; uma atenção fraca amontoa coisas desconexas. Não há nada que não possamos aprender; com atenção, recolhemos as preciosidades. Atenção não é fixação mental, é uma dedicação serena e tranquila. O homem atento possui a vantagem de ser mais urbano e cortês.
  3. Talento: para alguns, a palavra “talento” significa “capacidade absoluta”; nada há de mais falso. Poucos alcançam uma capacidade idêntica em tudo. O Criador distribui as capacidades em diferentes graus. Uma inclinação duradoura numa atividade é sinal de aptidão; uma repulsa duradoura é sinal de que o Autor da natureza não nos dotou.
  4. Julgamento de conduta:
  • Regra 1: não presumir virtude em pessoas que estão em provações árduas. Integridade e heroísmo são coisas diferentes. Em algumas ocasiões, é lícito e prudente desconfiar da virtude das pessoas; isso se dá quando o agir bem requer uma virtude e disposição interior raras.
  • Regra 2: para saber a conduta da pessoa, é preciso conhecê-la bem.
  • Regra 3: abandonar o hábito de pensar que as pessoas agirão como nós. A caridade nos faz amar nossos irmãos, mas não nos obriga a tê-los como bons, se não o são; não nos impede de desconfiar com motivos e de ter justa cautela.
Baseado no livro: O Critério - sobre a arte de pensar bem (aqui) 







CARTA ENCÍCLICA DIVINI ILLIUS MAGISTRI DE SUA SANTIDADE PAPA PIO XI (trechos).

AOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS EM PAZ E COMUNHÃO COM A SANTA SÉ APOSTÓLICA
E A TODOS OS FIÉIS DO ORBE CATÓLICO

ACERCA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ DA JUVENTUDE




A QUEM PERTENCE A EDUCAÇÃO


A) Em geral


A educação é obra necessariamente social e não singular. Ora, são três as sociedades necessárias, distintas e também unidas harmonicamente por Deus, no meio das quais nasce o homem: duas sociedades de ordem natural, que são a família e a sociedade civil; a terceira, a Igreja, de ordem sobrenatural. Primeiramente a família, instituída imediatamente por Deus para o seu fim próprio que é a procriação e a educação da prole, a qual por isso tem a prioridade de natureza, e portanto uma prioridade de direitos relativamente à sociedade civil. Não obstante, a família é uma sociedade imperfeita, porque não possui em si todos os meios para o próprio aperfeiçoamento, ao passo que a sociedade civil é uma sociedade perfeita, tendo em si todos os meios para o próprio fim que é o bem comum temporal, pelo que, sob este aspecto, isto é, em ordem ao bem comum, ela tem a preeminência sobre a família que atinge precisamente na sociedade civil a sua conveniente perfeição temporal.

A terceira sociedade em que nasce o homem, mediante o Baptismo, para a vida divina da graça, é a Igreja, sociedade de ordem sobrenatural e universal, sociedade perfeita, porque reúne em si todos os meios para o seu fim que é a salvação eterna dos homens, e portanto suprema na sua ordem.

Por conseqüência, a educação que considera todo o homem individual e socialmente, na ordem da natureza e da graça, pertence a estas três sociedades necessárias, em proporção diversa e correspondente, segundo a actual ordem de providência estabelecida por Deus, à coordenação do seus respectivos fins.


B) Em especial: À Igreja

A E primeiro que tudo ela pertence de modo sobreeminente à Igreja, por dois títulos de ordem sobrenatural que lhe foram exclusivamente conferidos, pelo próprio Deus, e por isso absolutamente superiores a qualquer outro título de ordem natural.


a) De modo sobreeminente

O primeiro provém da expressa missão e autoridade suprema de magistério que lhe foi dada pelo seu Divino fundador : « Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide pois, ensinai todos os povos, batizando-os em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo: ensinando-os a observar tudo o que vos mandei. E eu estarei convosco até á consumação dos séculos ».

A este magistério foi conferida por Cristo a infalibilidade juntamente com o preceito de ensinar a sua doutrina; assim a Igreja « foi constituída pelo seu Divino Autor coluna e fundamento de verdade, a fim de que ensine aos homens a fé divina cujo deposito lhe foi confiado para que o guarde íntegro e inviolável, e dirija e prepare os homens, as suas associações e acções em ordem à honestidade de costumes, integridade de vida, segundo a norma da doutrina revelada ».


b) Maternidade sobrenatural

O segundo título é a maternidade sobrenatural, pela qual a Igreja, Esposa imaculada de Cristo, gela, nutre, educa as almas na vida divina da graça, com os seus sacramentos e o seu ensino. Pelo que, com razão, afirma S. Agostinho: « Não terá Deus como Pai quem se tiver recusado a ter a Igreja como Mãe ».

Portanto, no próprio objecto da sua missão educativa, isto é: « na fé e na instituição dos costumes, o próprio Deus fez a Igreja participante do magistério divino e, por benefício seu, imune de erro; por isso é ela mestra suprema e seguríssima dos homens, e lhe é natural o inviolável direito à liberdade de magistério». E por necessária conseqüência a Igreja é independente de qualquer autoridade terrena, tanto na origem como no exercício da sua missão educativa, não só relativamente ao seu próprio objecto, mas também acerca dos meios necessários e convenientes para dela se desempenhar. Por isso em relação a qualquer outra disciplina, e ensino humano, que considerado em si é patrimônio de todos, indivíduos e sociedades, a Igreja tem direito independente de usar dele, e sobretudo de julgar em que possa ser favorável ou contrário à educação cristã. E isto, já porque a Igreja, como sociedade perfeita, tem direito aos meios para o seu fim, já porque todo o ensino, como toda a acção humana, tem necessária relação de dependência do fim ultimo do homem, e por isso não pode subtrair-se às normas da lei divina, da qual a Igreja é guarda, interprete e mestra infalível.

É isto mesmo que Pio X, de s. m., declara com esta límpida sentença: « Em tudo o que fizer o cristão, não lhe é licito desprezar os bens sobrenaturais, antes, segundo os ensinamentos da sabedoria cristã, deve dirigir todas as coisas ao bem supremo como a fim último: além disso todas as suas acções, enquanto são boas ou más em ordem aos bons costumes, isto é, enquanto concordam ou não com o direito natural e divino, estão sujeitas ao juízo e à jurisdição da Igreja».

É digno de nota como um leigo, escritor tanto admirável quanto ` profundo e consciencioso pensador, haja sabido bem compreender e exprimir esta fundamental doutrina católica: « A Igreja não diz que a moral lhe pertença puramente (no sentido de exclusivamente), mas sim que lhe pertence totalmente. Jamais pretendeu que fora do seu seio e dos seus ensinamentos, o homem não possa conhecer alguma verdade moral, antes, reprovou por mais duma vez, esta opinião, visto que ela apareceu sob diversas formas. Diz sim, como disse e dirá sempre, que em virtude da instituição que recebeu de Jesus Cristo, e em virtude do Espírito Santo que lhe foi enviado em nome d'Ele pelo Padre, só ela possui originária e imperecivelmente, em toda a sua plenitude, a verdade moral (omnem veritatem) na qual estão compreendidas todas as verdades particulares de ordem moral, tanto as que o homem pode chegar a conhecer guiado pelo único meio. da razão, quanto as que fazem parte da revelação ou desta se podem deduzir ».


c) Extensão dos Direitos da Igreja

É pois com pleno direito que a Igreja promove as letras, as ciências e as artes, enquanto necessárias ou úteis à educação cristã, e a toda a sua obra para a salvação das almas, fundando e mantendo até escolas e instituições próprias em todo o género de disciplina e em todo o grau de cultura.

Nem se deve considerar estranha ao seu maternal magistério a mesma educação física, como hoje a apelidam, precisamente porque é um meio que pode auxiliar ou prejudicar a educação cristã.

E esta obra da Igreja, em todo o género de cultura, assim como presta relevantes serviços às famílias e às nações, que sem Cristo se perdem, como justamente repete S. Hilário: « Que coisa há mais perigosa para o mundo do que não receber a Jesus Cristo? », assim também não causa o menor obstáculo às disposições civis, pois que a Igreja, com a sua prudência materna, não se opõe a que as suas escolas e institutos para leigos se conformem, em cada nação, com as legitimas disposições da autoridade civil, mas está sempre disposta a entender-se com esta, e a proceder de comum acordo, onde surjam dificuldades.

Além disso é direito inalienável da Igreja, e simultaneamente seu dever indispensável vigiar por toda a educação de seus filhos, os fiéis, em qualquer instituição, quer pública quer particular, não só no atinente ao ensino aí ministrado, mas em qualquer outra disciplina ou disposição, enquanto estão relacionadas com a religião e a moral.


SUJEITO DA EDUCAÇÃO

a) Todo o homem decaído, mas remido

Com efeito nunca deve perder-se de vista que o sujeito da educação cristã é o homem, o homem todo, espírito unido ao corpo em unidade de natureza, com todas as suas faculdades naturais e sobrenaturais, como no-lo dão a conhecer a recta razão e a Revelação: por isso o homem decaído do estado original, mas remido por Cristo, e reintegrado na condição sobrenatural de filho de Deus, ainda que o não tenha sido nos privilégios preternaturais da imortalidade do corpo e da integridade ou equilíbrio das suas inclinações. Permanecem portanto na natureza humana os efeitos do pecado original, particularmente o enfraquecimento da vontade e as tendências desordenadas.

« A estultícia está no coração da criança e a vara da disciplina dali a expulsará ».  Devem-se portanto corrigir as inclinações desordenadas, excitar e ordenar as boas, desde a mais tenra infância, e sobretudo deve iluminar-se a inteligência e fortalecer-se a vontade com as verdades sobrenaturais e os auxílios da graça, sem a qual não se pode, nem dominar as inclinações perversas, nem conseguir a devida perfeição educativa da Igreja, perfeita e completamente dotada por Cristo com a divina doutrina e os Sacramentos, meios eficazes da Graça.


b) Falsidade e danos do naturalismo pedagógico

É falso portanto todo o naturalismo pedagógico que, na educação da juventude, exclui ou menospreza por todos os meios a formação sobrenatural cristã; é também errado todo o método de educação que, no todo ou em parte se funda sobre a negação ou esquecimento do pecado original e da graça, e, por conseguinte, unicamente sobre as forças da natureza humana.

Tais são na sua generalidade aqueles sistemas modernos, de vários nomes, que apelam para uma pretendida autonomia e ilimitada liberdade da criança, e que diminuem ou suprimem até, a autoridade e a acção do educador, atribuindo ao educando um primado exclusivo de iniciativa e uma actividade independente de toda a lei superior natural e divina, na obra da sua educação.

Diriam, sim, a verdade, se com algumas daquelas expressões quisessem indicar, ainda que impropriamente, a necessidade cada vez mais consciente, da cooperação activa do aluno na sua educação, e se entendessem afastar desta o despotismo e a violência (a qual, de resto, não é a justa correcção), mas não diriam absolutamente nada de novo e que a Igreja não tenha já ensinado e atuado na prática da educação cristã tradicional, à semelhança do que faz o próprio Deus com as criaturas que chama a uma activa cooperação, segundo a natureza própria de cada uma, visto que a sua Sabedoria « se estende com firmeza de um a outro extremo, e tudo governa com bondade ».

Infelizmente com o significado óbvio das expressões, e com o mesmo facto, pretendem muitos subtrair a educação a toda a dependência da lei divina. Por isso em nossos dias se dá o caso, realmente bastante estranho, de educadores e filósofos que se afadigam à procura de um código moral e universal de educação, como se não existisse nem o Decálogo, nem a lei evangélica, nem tão pouco a lei natural, esculpida por Deus no coração do homem, promulgada pela recta razão, codificada com revelação positiva pelo mesmo Deus no Decálogo. E da mesma forma, costumam tais inovadores, como por desprezo, denominar « heterônoma », « passiva », « atrasada », a educação cristã, porque esta se funda na autoridade divina e na sua santa lei.

Estes iludem-se miseravelmente com a pretensão de libertar, como dizem, a criança, enquanto que antes a tornam escrava do seu orgulho cego e das suas paixões desordenadas, visto que estas, por uma conseqüência lógica daqueles falsos sistemas, vêm a ser justificadas como legítimas exigências da natureza pseudo-autónoma.

Mas há pior ainda, na pretensão falsa, irreverente e perigosa, além de vã, de querer submeter a indagações, a experiências e juízos de ordem natural e profana, os factos de ordem sobrenatural concernentes à educação, como por exemplo, a vocação sacerdotal ou religiosa, e em geral as ocultas operações da graça que, não obstante elevar as forças naturais, excede-as todavia infinitamente, e não pode de manei. ta nenhuma estar sujeita às leis físicas, porque « o espírito sopra onde lhe apraz ».

c) Educação sexual

Mormente perigoso é portanto aquele naturalismo que, em nossos tempos, invade o campo da educação em matéria delicadíssima como é a honestidade dos costumes. Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para os acostumar, como dizem, e quase fortalecer-lhes o espírito contra aqueles perigos.

Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito, e desprezando até a própria experiência dos factos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça.

Se consideradas todas as circunstâncias se torna necessária, em tempo oportuno, alguma instrução individual, acerca deste delicadíssimo assunto, deve, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado, tomar todas as precauções, conhecidíssimas da educação cristã tradicional, e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano, quando diz: « Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso importa sumamente que um bom pai quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício » .

d) Co-educação

De modo semelhante, erróneo e pernicioso à educação cristã é o chamado método da « co-educação », baseado também para muitos no naturalismo negador do pecado original, e ainda para todos os defensores deste método, sobre uma deplorável confusão de idéias que confunde a legítima convivência humana com a promiscuidade e igualdade niveladora. O Criador ordenou e dispôs a convivência perfeita dos dois sexos somente na unidade do matrimônio e gradualmente distinta na família e na sociedade. Além disso não há na própria natureza, que os faz diversos no organismo, nas inclinações e nas aptidões, nenhum argumento donde se deduza que possa ou deva haver promiscuidade, e muito menos igualdade na formação dos dois sexos. Estes, segundo os admiráveis desígnios do Criador, são destinados a completar-se mutuamente na família e na sociedade, precisamente pela sua diversidade, a qual, portanto, deve ser mantida e favorecida na formação educativa, com a necessária distinção e correspondente separação, proporcionada às diversas idades e circunstâncias. Apliquem-se estes princípios no tempo e lugar oportunos, segundo as normas da prudência cristã, em todas as escolas, nomeadamente no período mais delicado e decisivo da formação, qual é o da adolescência; e nos exercícios ginásticos e desportivos, com particular preferência à modéstia cristã na juventude feminina, à qual fica muito mal toda a exibição e publicidade.

Recordando as tremendas palavras do Divino Mestre: « Ai do mundo por causa dos escândalos! »  exortamos vivamente a vossa solicitude e vigilância, Veneráveis Irmãos, sobre estes perniciosíssimos erros, que largamente se vão difundindo entre o povo cristão com imenso dano da juventude.


FIM E FORMA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

O fim próprio e imediato da educação cristã é cooperar com a graça divina na formação do verdadeiro e perfeito cristão, isto é, formar o mesmo Cristo nos regenerados pelo Baptismo, segundo a viva expressão do Apóstolo: « Meus filhinhos, a quem eu trago no meu coração até que seja formado em vós Cristo ». Pois que o verdadeiro cristão deve viver a vida sobrenatural em Cristo: « Cristo que é a vossa vida », e manifestá-la em todas as suas acções: « a fim que também a vida de Jesus se manifeste na vossa carne mortal ».

a) Formar o verdadeiro cristão

Precisamente por isso a educação cristã abraça toda a extensão da vida humana, sensível, espiritual, intelectual e moral, individual, doméstica e social, não para diminuí-la de qualquer maneira, mas para a elevar, regular e aperfeiçoar segundo os exemplos e doutrina de Cristo.

Por isso o verdadeiro cristão, fruto da verdadeira educação cristã, é o homem sobrenatural que pensa, julga e opera constantemente e coerentemente, segundo a sã razão iluminada pela luz sobrenatural dos exemplos e doutrina de Cristo; ou antes, servindo-Nos da expressão, agora em uso, o verdadeiro e completo homem de carácter. Pois que não é qualquer coerência e rigidez de procedimento, segundo princípios subjectivos, o que constitui o verdadeiro caráter, mas tão somente a constância em seguir os eternos princípios da justiça, como confessa o próprio poeta pagão quando louva, inseparavelmente, « o homem justo e firme em seu propósito ». Por outro lado não pode haver justiça perfeita senão dando a Deus o que é de Deus, como faz o verdadeiro cristão.

Tal fim eterno da educação cristã afigura-se aos profanos uma abstracção, ou antes, irrealizável, sem a supressão ou atrofiamento das faculdades naturais, e sem a renuncia às obras da vida terrena, e por conseqüência alheio à vida social e prosperidade temporal, adverso a todo o progresso das letras, ciências e artes, e a qualquer outra obra de civilização.

A semelhante objecção nascida da ignorância e preconceito dos pagãos, mesmo cultos, de outrora — repetida infelizmente com freqüência e insistência nos tempos modernos — havia já respondido Tertuliano: «Nós não somos alheios à vida. Recordamo-nos bem do dever de gratidão para com Deus, Nosso Senhor e Criador; não repudiamos nenhum fruto das suas obras; somente nos moderamos para não usar deles mal ou descomedidamente. E assim não vivemos neste mundo sem foro, sem talhos, sem balneários, sem casas, sem negócios, sem estábulos, sem os vossos mercados e todos os outros tráficos. Nós também convosco navegamos e combatemos, cultivamos os campos e negociamos, e por isso trocamos os trabalhos e pomos à vossa disposição as nossas obras. Verdadeiramente não vejo como podemos parecer inúteis aos vossos negócios com os quais e dos quais vivemos.

b) Que é também o cidadão mais nobre e útil

Por conseqüência o verdadeiro cristão, em vez de renunciar às obras da vida terrena ou diminuir as suas faculdades naturais, antes as desenvolve e aperfeiçoa, coordenando-as com a vida sobrenatural, de modo a enobrecer a mesma vida natural, e a procurar-lhe utilidade mais eficaz, não só de ordem espiritual e eterna, mas também material e temporal.

Isto é provado por toda a história do cristianismo e das suas instituições, a qual se identifica com a história da verdadeira civilização e do genuíno progresso até aos nossos dias; e particularmente pelos Santos de que é fecundíssima a Igreja, e só ela, os quais conseguiram em grau perfeitíssimo, o fim ou escopo da educação cristã, e enobreceram e elevaram a convivência humana em toda a espécie de bens. De facto, os Santos foram, são e serão sempre os maiores benfeitores da sociedade humana, como também os modelos mais perfeitos em todas as classes e profissões, em todos os estados e condições de vida, desde o camponês simples e rude até ao sábio e letrado, desde o humilde artista até ao general do exército, desde o particular pai de família até ao monarca, chefe de povos e nações, desde as simples donzelas e esposas do lar domestico até às rainhas e imperatrizes. E que dizer da imensa obra, mesmo em prol da felicidade temporal, dos missionários evangélicos que juntamente com a luz da fé levaram elevam aos povos bárbaros os bens da civilização, dos fundadores de muitas e variadas obras de caridade e de assistência social, da interminável série de santos educadores e santas educadoras que perpetuaram e multiplicaram a sua obra, nas suas fecundas instituições de educação cristã, para auxílio das famílias e benefício inapreciável das nações?


c) Jesus, Mestre e Modelo de Educação

São estes os frutos benéficos sobre todos os aspectos da educação cristã, precisamente pela vida e virtude sobrenatural em Cristo que ela desenvolve e forma no homem; pois que Jesus Cristo, Nosso Senhor, Mestre Divino, é igualmente fonte e dador de tal vida e virtude, e ao mesmo tempo modelo universal e acessível a todas as condições do gênero humano, com o seu exemplo, particularmente à juventude, no período da sua vida oculta, laboriosa, obediente, aureolada de todas as virtudes individuais, domesticas e sociais, diante de Deus e dos homens.

Dado em Roma, em S. Pedro, a 31 de Dezembro de 1929, ano oitavo do Nosso Pontificado.




CADERNO DE ESTUDO BÁSICO SOBRE TOMISMO


Este material visa fornecer um apanhado sucinto e geral a respeito de alguns pontos da teologia e da filosofia tomista, assim como de sua linguagem.

O ensino de São Tomás é doutrina da Igreja, ou seja, para o católico é fundamental o conhecimento da doutrina tomista. Dentre os pontos principais, o Tomismo se caracteriza pela clareza e cordialidade. São Tomás, dedicando-se desde os 19 anos ao estudo e à vida de monge dominicano, nunca abdicou dessas duas notas em seus discursos, pois era participante assíduo dos debates nas Universidades da Idade Média. No entanto, contrariando a visão apaixonada e irascível atualmente entendida como debate, São Tomás nos mostra, através de sua própria postura, a necessidade de um debate desapaixonado, direcionado a simplesmente apontar a força da verdade sem que para isso seja necessário abdicar da cordialidade. Essa clareza e cordialidade são também características presentes nos filósofos e teólogos tomistas, estendendo-se também ao uso da linguagem.

A linguagem é um instrumento de comunicação; por ela iluminamos e recebemos luzes; daí a necessidade da clareza. Por ela também elevamos ou rebaixamos, nos deixamos elevar ou rebaixar. A linguagem é, na filosofia e teologia tomistas, matéria de importância radical que por si só já oferece elevação humana, o que abre portas para a elevação espiritual. Tal pensamento não encontra receptividade efusiva, pois estamos voltados para a educação de Paulo Freire, que, dentre tantos males, tende a prender o aluno em seu universo de conhecimento. Dessa forma, o professor é levado a usar termos que ele já conhece, exemplos que ele já conhece e músicas ou qualquer forma de arte que ele já conheça. Ou seja, se o aluno só conhece funk e arte de rua, ele ficará preso nisso durante todo o processo educacional; nenhum professor apresentará outra coisa com temor que ele não entenda (o que gera uma descrença do professor no potencial de seus alunos). Assim também acontece nas homilias e nas catequeses. Tal postura, assumida como forma padrão de ensino em várias esferas e durante todo o processo de ensino, gerou um povo com dificuldades de se maravilhar, de aprender coisas verdadeiramente novas e de captar exemplos, aprendizados, etc., que são comunicados fora de sua realidade pessoal. Essa é a raiz da chamada “falta de interpretação de texto”.

A literatura, uma aula, uma carta, um bilhete são instrumentos que abrem ao leitor uma janela, um portal ou um buraco na muralha de sua realidade e lhe proporcionam novos horizontes. Nós, por conta de uma pedagogia destrutiva, passamos a acreditar que a literatura, uma aula, uma carta, um bilhete são, na verdade, espelhos fadados a refletir nós mesmos e não a enriquecer nossa bagagem de coisas que nunca vivemos. Essa visão forçada de um espelho leva o leitor atual a forçar sempre uma identificação, um “já passei por isso”, mesmo que para isso tenha que distorcer o texto, lendo o que quer e não o que o autor realmente disse. Uma leitura sentimental. Claro que tais coisas podem acontecer naturalmente, mas um ensino adequado leva o leitor a identificar o que está sendo de fato dito e depois a adaptar tais coisas ao seu universo.

Um problema tão profundo não teria uma solução instantânea. No entanto, certamente, o melhor caminho é buscar o que temos de melhor no Tesouro da Tradição Católica, que erigiu todo o ocidente e que é a coluna da nossa cultura ocidental, na esperança de esclarecer cordialmente uma pá de gente, dando-lhes o que temos de melhor, pois todos os filhos de Deus são capazes e receberam inteligência e graça para entender.

Eu acredito no seu potencial, Deus também; então basta que você também acredite.

São Tomás de Aquino, rogai por nós.

Singelamente, Ana



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INTRODUÇÃO

A intenção desse artigo é contar sucintamente a história de Santa Gema Galgani, e posteriormente de outros Leigos Celibatários, visando divulgar e difundir entre os membros da Igreja essa vocação legítima e extremamente nutritiva para o Corpo Místico de Cristo. No entanto, não é o objetivo que tais histórias permaneçam na internet, a vida desses santos consagrados, na maioria jovens, devem ser anexados nas formações de jovens, retiros e direções espirituais e qualquer ato que tenha por objetivo apresentar as possibilidades de vocação que o Espírito Santo é capaz de gerar. A Igreja é o império do Espírito Santo e podemos ver a multiplicidade de seus dons, de seus caminhos, de sua Bondade na vida das pessoas que buscaram a santidade, cada uma em seu estado de vida. 

E mesmo que você não se sinta chamado ao Celibato, mesmo que quera se casar, devo lembrar que você provavelmente terá filhos, de sangue ou adotivos, sobrinhos, afilhados e eles podem ser chamados, cabe a você saber enriquecer a vida deles de histórias reais e profundamente maravilhosas, cabe a você também acolher a vocação dos seus "pequenos" quando forem chamados e para isso você precisa ter bagagem, só assim poderá reconhecer a graça quando ela chegar ou até mesmo poderá pedir por essa graça na sua família. 

Gemma Maria Humberta Pia Galgani (Gemma Galgani, como é mais conhecida) (12 de março de 1878 - 11 de abril de 1903) é uma santa da igreja católica, tendo sido beatificada no dia 14 de maio de 1933. Grande mística e uma das maiores e mais populares santas modernas da Igreja Católica. A Igreja festeja Santa Gemma no dia 11 de abril, mas é festejada em 16 de maio pela Família Passionista e pela diocese de Lucca, na Itália.



A História

Gemma nasceu em 12 de março de 1878 em Borgo Nuovo, na região de Camigliano, um vilarejo situado perto da cidade de Lucca. Seu nome, em italiano, significa jóia. O pai de Santa Gemma era um próspero químico, descendente do Beato Giovanni Leonardi. A mãe de Gemma era também de origem nobre. Os Galgani eram uma família católica tradicional que foi abençoada com oito filhos.


Gemma, a quinta a nascer e a primeira menina da família, desenvolveu uma atração irresistível pela oração desde muito pequena. Esse carinho pela oração lhe foi transmitido por sua piedosa mãe, que lhe ensinou as verdades da Fé da Igreja Católica. Foi sua mãe que infundiu na alma de Gemma o amor pelo Cristo Crucificado.

A jovem santa aplicou-se com zelo à devoção. Quando Gema tinha apenas cinco anos, ela lia o Ofício de Nossa Senhora e o Ofício dos Defuntos no Breviário com tanta facilidade e rapidez quanto um adulto.

Quando a mãe de Gema tinha de se ocupar com suas tarefas diárias de dona-de-casa, a pequena Gema puxava a saia da mãe e dizia: “Mamãe, conte-me um pouco mais sobre Jesus”.
Infelizmente, a mãe de Gema deveria morrer em breve. No dia em que Gema recebeu o Sacramento da Confirmação, enquanto rezava ardentemente na missa pela recuperação de sua mãe (a Senhora Galgani estava gravemente doente), ela ouviu uma voz em seu coração que dizia, «Tu me darás a tua mãezinha?»
“Sim,” respondeu Gema, “contanto que Tu me leves também.”
“Não,” replicou a voz, “dá-Me a tua mãe sem reservas. Por ora, tu deves esperar com o teu pai. Vou te levar para o céu mais tarde.”
Gema simplesmente respondeu “Sim”.

Sua mãe morreu de tuberculose quando ela estava com sete anos e, desde então, passou a ter muito trabalho doméstico e muitos problemas pessoais e espirituais. Mas ela os suportou com paz e extraordinária paciência. Desde muito cedo foi sujeita a fenômenos sobrenaturais como visões, êxtases, revelações, manifestações sobrenaturais miraculosas e estigmas periódicos.

Aos 18 anos se opera ao pé sem anestesia e no dia de Natal do mesmo ano, faz o voto de castidade. Nesse mesmo ano, seu pai morreu e ela entrou para a casa de Mateo Giannini como serviçal doméstica. 


Já com 20 anos, Gemma não aceita uma proposta de casamento, por ser «toda de Jesus». Durante este ano fica curada milagrosamente de meningite espinhal, graças à intercessão de São Gabriel da Virgem Dolorosa. Entre 1899 e 1901, Gemma sofreu por 18 meses os estigmas da Crucificação de Cristo (stigmata) e a marcas dos espinhos e dos açoites de Jesus. Experimentou visões de Cristo e da Virgem Maria e do seu Anjo da Guarda.

A chamam, na cidade, «a moçinha da graça».

Fala com o seu Anjo da Guarda e lhe da também encargos delicados, como aquele de entregar em Roma a correspondência ao seu diretor espiritual. «A carta, apenas terminada, a dou ao Anjo, ela escreve. Está aqui perto de mim e espera». E as cartas, misteriosamente, chegavam a destinação sem passar através do Correio do Reino.


Ela desejava entrar para o convento das Irmãs Passionatas em Lucca, do qual o seu conselheiro espiritual era o diretor, mas foi rejeitada devido à sua fragilidade física, à sua saúde precária, que incluía uma meningite espinhal, e por ter visões místicas. Mais tarde, Gemma curou-se graças à intercessão de São Gabriel da Virgem Dolorosa. Entre 1899 e 1901, Gemma sofreu por 18 meses os estigmas da Crucificação de Cristo (stigmata) e a marcas dos espinhos e dos açoites de Jesus. Experimentou visões de Cristo e da Virgem Maria e do seu Anjo da Guarda.


Quando entrava em êxtase, fenômenos sobrenaturais (supranormais) manifestavam-se nela, entre os quais a mudança do som de sua voz e o falar em linguagem usada na época de Cristo (aramaico), da qual não poderia ter conhecimento, visto que apenas poucos luminares em Roma foram capazes de decifrar suas visões e revelações.

Logo se vem a saber que as suas luvas pretas e a sua veste escura e estreita escondem os sigilos da Paixão. Estas estigmas se abrem, dolorosas e sangüinantes, toda semana, na véspera das sextas-feiras.





Gemma faleceu em 11 de abril de 1903, um Sábado Santo, e pouco depois sua devoção se difundiu. Sua popularidade aumentou em 1943 quando suas cartas para o Pe. Germano (seu diretor espiritual) foram publicadas. Foi beatificada em 1933 e canonizada pelo Papa Pio XII em 1940. Santa Gemma Galgani é a Santa padroeira dos farmacêuticos e alquimistas.


Retirado do site: "Santos? Todos!"



Oração a Jesus por Santa Gema Galgani

Aqui me tens prostrada aos Vossos pés Santíssimos, meu querido Jesus, para manifestar-Vos em cada instante meu reconhecimento e gratidão por tantos e tão contínuos favores que me haveis dado e que todavia quereis conceder-me.
Quantas vezes Vos tenho invocado, Oh! Jesus !, me haveis deixado sempre satisfeita; tenho recorrido a vós, e sempre me haveis consolado.
Como poderei expressar meus sentimentos, amado Jesus?
Vos dou graças. mas outra graça quero de Vós.
Oh!, Deus meu, se é de vosso agrado.
(Aqui se manifesta a graça que se deseja conseguir).
Se não fosseis Todo-Poderoso não Vos faria esta súplica.
Oh! Jesus, tende piedade de mim.
Faça-se em tudo Vossa Santíssima vontade.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.




PENSAMENTOS DE SANTA GEMMA GALGANI

"Quem te matou, Jesus" pergunta Gemma. E responde Jesus: "O amor".

"Diversas vezes perguntei a Jesus que me ensine o verdadeiro modo de amá-lo, e então Jesus parece que me fazia ver as suas Santíssimas chagas abertas".

"És muito grande, o Jesus: o meu coração é pequeno, tu não podes estar dentro dele, que se dilate este coração!"

"No ano 1899, de repente senti um profundíssimo arrependimento de todos meus pecados e me apareceu Jesus Cristo com suas cinco chagas e de cada uma delas saíam como chamas de fogo que vinham a tocar minhas mãos e meus pés e meu peito, e apareceram em meu corpo as cinco chagas de Jesus".

“O importante não é olhar a cruz, nem levá-la ao peito, mas portá-la no profundo do coração”.

“Vinde todos, mas todos, compadecer-se de Jesus... Todos adoremos a paixão de Jesus, todos!... Vamos todos a Jesus na cruz!... Eia, vinde... Vamos recolher o sangue... que Ele tanto derramou”.

“Oh, se todos os pecadores viessem ao teu coração!... Vinde, pecadores, não temais, porque a espada da justiça não chega aqui dentro”

“Dai-me Jesus, vereis que serei boa... não serei mais aquela de antes: dai-me, porque me sinto destruída, e não agüento mais esperar”.

“Para mim, neste mundo, não há senão Deus; para mim, basta que Ele esteja contente”.

“Com a fé se leva tudo até o fundo... e com o amor a gente fica acorrentado a Jesus”.

“Quem busca agradar aos homens, não pode agradar a Jesus”.

“Se os atribulados e os aflitos pusessem o amor nas suas provações, muito mais fácil seria para eles suporta-las”.

“Se todos os homens procurassem conhecer e amar a Deus, este mundo se tornaria um paraíso”.

“Muitas vezes, abato-me e choro... o meu espírito está pronto, mas meu corpo é débil”.

“Duas coisas sinto em mim de infinita doçura: no amor, és tu quem deleita minha alma; e na dor, sou eu quem deleito a tua alma”

“Jesus, contenta-me. Já não é mais o tempo de Tu sofreres tanto assim... Agora, estou eu, toca a mim”.

“Que alegria a gente encontra no abandonar-se nos seus braços! Fica-se tão bem com Jesus somente!”

“Quero que ninguém me ultrapasse jamais no amor a Jesus”.

“Sofro por não poder sofrer”.

“O verdadeiro amor se prova na dor”.

“Jesus me disse que seus filhos devem morrer crucificados”.

“Fere-me mais a voz de Jesus do que uma espada de muitos gumes”.




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'Eu procurarei, escreveu duma feita, ser modelo de mansidão, de doçura, de caridade e de humildade. Repararei cada falta por uma redobrada atenção, para evitá-las, e procurarei, todos os dias, ocasião de praticar as virtudes'.


INTRODUÇÃO

A intenção desse artigo é contar sucintamente a história do Beato Contardo Ferrini, e posteriormente de outros Leigos Celibatários, visando divulgar e difundir entre os membros da Igreja essa vocação legítima e extremamente nutritiva para o Corpo Místico de Cristo. No entanto, não é o objetivo que tais histórias permaneçam na internet, a vida desses santos consagrados, na maioria jovens, devem ser anexados nas formações de jovens, retiros e direções espirituais e qualquer ato que tenha por objetivo apresentar as possibilidades de vocação que o Espírito Santo é capaz de gerar. A Igreja é o império do Espírito Santo e podemos ver a multiplicidade de seus dons, de seus caminhos, de sua Bondade na vida das pessoas que buscaram a santidade, cada uma em seu estado de vida. 

E mesmo que você não se sinta chamado ao Celibato, mesmo que quera se casar, devo lembrar que você provavelmente terá filhos, de sangue ou adotivos, sobrinhos, afilhados e eles podem ser chamados, cabe a você saber enriquecer a vida deles de histórias reais e profundamente maravilhosas, cabe a você também acolher a vocação dos seus "pequenos" quando forem chamados e para isso você precisa ter bagagem, só assim poderá reconhecer a graça quando ela chegar ou até mesmo poderá pedir por essa graça na sua família. 


A História

Filho de Ricardo Ferrini e de Luísa Buccellati, um casal muito católico, Contardo era um jovem de memória prodigiosa. Estudioso, chamavam-lhe o Aristóteles. Aprendia tudo o que lhe ensinavam com a maior facilidade. Um dia, apareceu pela Ambrosiana, a pedir ao prefeito da biblioteca que lhe ensinasse o hebreu. Estudou o hebreu, e depois o siríaco, o sânscrito e o copta.

Em Pavia, em 1876, com 17 anos, começou o curso de Direito. Ali, o abade Buccellati, seu tio, ministrava o direito penal. Dos colegas debochados, dos ditos obscenos, dos risos que as ordinarices provocavam, o jovem Ferrini fugia, atormentado. Trazia o cilício sempre bem apertado e procurava o confessionário todos os dias.

Em 1881, fez um voto de castidade. Um dia, um colega apontou-lhe duas jovens irmãs, bastante bonitas, de boa família, e, pois, óptimos partidos. Qual delas escolheria Contardo? O jovem respondeu:

– Eu sou pela terceira, ainda por nascer.

Em Junho de 1880 defendeu, brilhantemente, em Pavia, a sua tese – uma dissertação latina que girava em torno da importância de Homero e de Hesíodo para a história do direito penal – tese que lhe valeu uma bolsa de viagem. (...)

Do professorado, Contardo fez o seu sacerdócio. Foi mestre sempre compenetrado, sério, grande estudioso, que não procurou matérias que levam ao sucesso fácil, mas o direito penal romano e o direito bizantino. Nesta última disciplina, foi quase que um iniciador na Itália. (...)

Assistindo à Missa todos os dias, diante do tabernáculo, Contardo, a orar, chegava ao êxtase.

Aos Domingos, se o procuravam em casa, o porteiro avisava:

– Não é fácil, em dias de festa, achar o professor em casa. Não! Está sempre na igreja, onde tem tanta coisa para fazer!

Terciário franciscano, desde 1886, Ferrini era doce, humilde, paciente, sempre procurando a perfeição.


'Eu procurarei, escreveu duma feita, ser modelo de mansidão, de doçura, de caridade e de humildade. Repararei cada falta por uma redobrada atenção, para evitá-las, e procurarei, todos os dias, ocasião de praticar as virtudes'.


Depois:


'Durante o dia, farei uma visita a Jesus no Santo Sacramento, lembrando-me do seu amor, da sua ternura e da sua doçura inefáveis: a Ele irei em espírito de afectuosa confiança e de humildade. Permanecerei unido a Ele todo o dia com frequentes aspirações e uma grande pureza de intenção. A caridade espiritual para com os outros será meu primeiro cuidado; hei de ser humilde e afável. Falando de Deus aos outros, rogarei a Ele que termine a minha obra com a sua acção inefável'.


De real espírito de pobreza, Ferrini era verdadeiramente indiferente pelo dinheiro. Professor em Pavia, hospedara-se na casa da irmã. Metódico, levantava-se às cinco horas e meia, invariavelmente. Ao final das aulas, depois de atender às perguntas dos alunos, sempre a rodeá-lo, tornava a pé para casa.


Contardo Ferrini faleceu aos 43 anos, em 1902. Foi o tipo do homem que mostrou, e de modo cabal, que a ciência e a religião não são incompatíveis. Beatificado em 1947.


Pe. René François Rohrbacher in 'Vidas dos Santos' (Volume XVIII) - Editora das Américas (São Paulo), 1961, pp. 292-294 - retirado do site Senzala Pagare.


Oração: Concedei-nos, Senhor altíssimo, a graça de sermos sempre prontos na defesa dos santos mistérios de Deus. Derramai sobre nós a graça da inteligência e da compreensão de tudo que seja do vosso agrado, segundo o carisma de São Contardo Ferrini. Amém.
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"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




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