Gotas de Tomismo 31: Do Pecado Original e suas Consequências (São Tomás de Aquino)
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No estado primeiro, no Éden, em que Deus criou o homem, não existia a concupiscência. Ela surgiu somente depois, pois o homem se encontra agora em estado de natureza decaída.
Esse estado de natureza decaída é consequência direta do primeiro pecado do primeiro homem. Tal efeito se estende a todos os homens, porque a nossa natureza é a sua, e dele a recebemos. Se o primeiro homem não tivesse pecado, teria nos transmitido a natureza humana em estado de integridade e justiça. Mas, como pecou, recebemos a natureza marcada pela sua queda. A esta mancha transmitida junto com a natureza chama-se pecado original.
O efeito do pecado original em cada indivíduo é a privação dos dons sobrenaturais e gratuitos que Deus havia concedido à natureza, na pessoa do primeiro homem. Entre esses dons perdidos estão: a graça santificante, as virtudes sobrenaturais infusas, os dons do Espírito Santo e o privilégio da integridade.
O privilégio da integridade consistia na perfeita subordinação dos sentidos à razão e do corpo à alma. Dessa ordem resultava que as faculdades afetivas não experimentavam movimentos desordenados e que o corpo era impassível e imortal. Assim, a morte e as misérias corporais são efeitos próprios do pecado.
Na alma, os efeitos do pecado chamam-se feridas: ignorância, malícia, fragilidade e concupiscência.
- A ignorância é a condição da inteligência, privada da disposição infalível para a verdade.
- A malícia é a condição da vontade, desapossada da disposição infalível para o bem.
- A fragilidade é a condição da parte afetiva sensível, destituída da ordem conatural contra o mal e o difícil.
- A concupiscência é a condição da parte afetiva sensível, que perdeu a autoridade moderadora da razão e se inclina desordenadamente ao prazer.
Essas quatro feridas são efeitos do pecado original, mas podem ser agravadas pelos pecados pessoais e pelos pecados dos nossos ascendentes.
Entre os pecados pessoais, alguns possuem a propriedade de gerar disposições e inclinações para novos pecados: são os pecados capitais — soberba, avareza, gula, luxúria, preguiça, inveja e ira.
Entretanto, apesar de todos esses motivos de pecado herdados de Adão e dos nossos antepassados, devemos afirmar que o homem é livre quando executa atos morais e que jamais peca por necessidade. Nada justifica o ato de pecar.
Essas causas poderiam destruir a liberdade humana somente se privassem o homem do uso da razão. Mas enquanto conserva a razão, o homem é livre e depende dele evitar ou não o pecado.
Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino

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