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Transcrição da aula: A história da moda e a modéstia ministrada pela professora Ana Paula Barros em 29 de julho de 2017 e similar em 14 de junho de 2018. Sugerimos fortemente a leitura complementar do Livro Modéstia: Beleza e Santa Ordem e também do livro Graça e Beleza. 
Texto de transcrição atualizado e revisado em 2026.




É importante discutirmos este tema para estabelecer uma conexão entre a história da moda, as mudanças na vestimenta, principalmente feminina, que será o foco de hoje, e as transformações sociais e ideológicas. Também abordaremos a dessensibilização que a moda pode gerar ao nos adaptarmos e nos vestirmos de maneiras que podem estar ligadas a ideologias ou pensamentos implementados na sociedade ao longo dos anos.

Ao longo da história da moda, você perceberá pontos importantes. Falarei pouco, mas apresentarei muitas imagens, e talvez você chegue a conclusões claras sobre o impacto da moda na sociedade atual. Por fim, veremos as questões espirituais necessárias para compreender, em um nível mais profundo, a importância da modéstia em contraposição às mudanças e influências que a moda exerce.









A história da moda que vamos abordar começa nos anos 1920. Antes disso, as mudanças foram mínimas: o vestido feminino era sempre aquele típico das novelas e séries de época, com grandes saias, saiotes e corpetes. A partir da década de 1920, com a Primeira Guerra Mundial (28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918), iniciam-se transformações significativas.

Nos anos 1920, houve uma predileção pelo glamour, pelas joias e pela elegância, marcada pela ascensão de Coco Chanel, uma das estilistas mais aclamadas até hoje. Chanel revolucionou a forma de se vestir: os saiotes foram eliminados, as roupas ganharam caimento mais fluido, as cores tornaram-se mais escuras e ocorreu um aumento no uso de joias e brilhantes.

Na década de 1930, a elite artística buscou introduzir peças de alfaiataria no guarda-roupa feminino. Marlene Dietrich, por exemplo, popularizou o uso de calças de alfaiataria em fotos. Contudo, esse estilo não teve grande aceitação entre mulheres comuns, permanecendo restrito ao meio artístico. De modo geral, as roupas femininas ainda se assemelhavam às dos anos 1920, mas foram simplificadas pela escassez de tecidos durante a Segunda Guerra Mundial (1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945).

Nos anos 1940, o glamour retornou. As mulheres voltaram a ter acesso a uma variedade de tecidos, e as roupas ganharam detalhes em botões e acabamentos, embora ainda conservassem certa sobriedade. Já nos anos 1950, houve uma mudança significativa nas cores, refletindo inquietações sociais e comportamentais transmitidas pela moda.

Na década de 1960, houve uma intensificação no uso das cores e o período foi marcado pelo início do movimento feminista, que concentrou a inquietação feminina na primeira onda. O Concílio Vaticano II também discutiu o papel da mulher na sociedade, e essas transformações se refletiram na moda. Nos anos 1970, o movimento hippie trouxe saias longas, estampas florais e a filosofia do “paz e amor”.

Nos anos 1980, a moda sofreu uma grande virada: roupas brilhantes, paetês, dourado, maquiagens fortes e sobrancelhas marcadas, com traços animalescos, expressavam inquietação, desejo de liberdade e certa agressividade. Já nos anos 1990, surgiram estilos que ainda vemos hoje: minissaias, roupas justas ou muito largas, refletindo desleixo e descuido, mas também luxúria, sexualização e despudor. Até os anos 1950, medidas de pudor e decoro eram respeitadas; depois disso, a moda passou a expressar agressividade e promiscuidade, em sintonia com o movimento feminista.

Nos anos 2000, consolidou-se a tendência da moda de gênero fluido, com roupas femininas usadas por homens e vice-versa, sem adaptações. Nos desfiles, os modelos passaram a ser apresentados sem definição de sexo, algo incomum em décadas anteriores, quando havia separação clara entre moda masculina e feminina.

Assim, percebemos que a moda imprime ideias e ideologias, dessensibilizando a sociedade para determinados conceitos. A moda de gênero fluido, por exemplo, dessensibiliza para a ideologia de gênero em um momento em que essa discussão está cada vez mais acirrada.








Vamos entender como a moda funciona na prática. Em primeiro lugar, é importante lembrar que o termo moda se refere às coleções lançadas nas temporadas primavera-verão e outono-inverno. Os estilistas criam suas coleções e as apresentam em desfiles. Grandes estilistas e marcas de prestígio estreiam suas criações em eventos importantes, como a São Paulo Fashion Week ou outras semanas de moda ao redor do mundo. Essas coleções normalmente indicam as tendências para aquela temporada.

Hoje, temos uma gama enorme de estilistas, jornalistas e influenciadores digitais que atuam quase como militantes, defendendo ideologias nas quais eles e as marcas que representam acreditam. Essas ideologias são inseridas nas coleções, levadas às passarelas de grande prestígio e, posteriormente, reproduzidas por marcas menores, chegando ao mercado popular nas lojas.

O público, em geral, não percebe esse processo. Quem compra uma peça acredita que a tendência foi criada por um estilista que sabia exatamente o que estava fazendo. No entanto, é importante lembrar que essas tendências são planejadas com anos de antecedência. Por exemplo, marcas como a Nike já sabem qual será o modelo de tênis produzido daqui a cinco ou dez anos, porque isso já está programado. O mesmo ocorre com todas as grandes marcas: elas já têm a ideia, e talvez não a coleção completa, mas possuem uma direção definida para suas futuras criações.

Quando essas tendências chegam ao mercado popular, a maioria das pessoas não tem escolha diante do que é imposto nas prateleiras das lojas. Isso é o que chamamos de moda.

Depois, temos o modismo. O modismo surge, por exemplo, quando um ator ou personagem de novela ou série usa uma roupa específica que ganha prestígio e visibilidade por um tempo. A novela termina, o ator sai de cena e aquele prestígio desaparece, fazendo com que a moda do momento passe. Ao contrário do que muitos pensam, não são os atores, filmes ou séries que criam a moda. Na verdade, a moda é impressa neles, e eles são usados como massa de manobra para levar essas tendências ao grande público sem nenhum filtro, já que as pessoas não são treinadas para reconhecer essas influências.

Por último, temos o estilo. O estilo é algo que perdura ao longo do tempo, diferente da moda e do modismo. O estilo é para sempre. Você adota um estilo caracterizado por determinados tipos de peças usadas em algum período da história da moda e que refletem traços de personalidade, escolhas e atributos pessoais. Quando falamos sobre moda, o ideal é descobrir qual estilo mais combina com sua personalidade, para que você possa expressar quem realmente é.

A moda tem uma questão muito importante: desde a infância, a roupa ajuda na identificação e compreensão da própria identidade e das diferenças entre as escolhas pessoais e as dos outros. É uma forma de distinção de sexo, personalidade e comportamento, contribuindo para a integração social do indivíduo.

Entramos agora em outro ponto importante: a tentativa das ideologias de se infiltrarem no mercado da moda e moldarem nossa identidade. Nossa Senhora deseja que suas filhas sejam libertas da indústria da moda e de seu plano silencioso de escravidão. As pessoas não têm direito de escolha a menos que entendam como a moda funciona e saibam que podem decidir de maneira diferente.

A moda é uma forma de interação com grupos, criando uma identidade pessoal e social. Por isso, é uma ferramenta poderosa para as ideologias. Ao imprimir certas formas de vestir, elas criam grupos, formas de pensar e união em torno daquele pensamento refletido pela vestimenta. Isso facilita a dessensibilização para ideias contrárias às questões morais da sociedade, como a ideologia de gênero.

Esse é um trabalho de longo prazo. As pessoas que atuam com esse tipo de pensamento sabem que precisam criar rachaduras no muro da moral cristã na sociedade para que possamos receber essas ideias e ideologias de maneira mais eficaz. Uma das armas usadas para isso é a moda.








Precisamos lembrar como a modéstia se relaciona com o caminho da virtude. Em primeiro lugar, a virtude é para todo cristão. Não é apenas para um grupo específico, não é só para quem se consagrou a Nossa Senhora, nem para determinadas pessoas. A virtude é para todos os cristãos. Em segundo lugar, a virtude é uma prática. Não adianta dizer “eu vivo a virtude da paciência internamente” sem praticá-la externamente. É necessário demonstrar a paciência nas ações. O mesmo vale para a modéstia.

A ideia de viver a modéstia apenas internamente é falha, tanto em relação à virtude como um todo quanto, principalmente, à própria modéstia. É impossível que isso seja realidade. Devemos lembrar que a virtude é uma prática no bem, é um ato.

Quando falamos de uma virtude, falamos também de outras virtudes da mesma família. A modéstia tem uma família. A mãe da modéstia é a temperança. A temperança nos dá a capacidade de equilibrar as coisas internamente, harmonizando emoções e pensamentos. É uma virtude difícil, mas fundamental, que age como filtro para tudo o que existe dentro de nós.

A temperança, como virtude mãe, tem “filhos”. O primeiro é o pudor. O pudor se desdobra na modéstia, como se fossem virtudes gêmeas. Ele se relaciona com a expressão do que existe dentro de nós, funcionando como um véu que protege nosso interior das coisas externas e guarda o coração. Quando bem trabalhado, o pudor se desdobra na modéstia, que cuida da exposição do corpo. A modéstia se relaciona diretamente com a vestimenta e com o cuidado em se vestir de maneira que não exponha indevidamente o corpo. Portanto, a modéstia é exterior por natureza; não pode ser vivida apenas internamente.

A terceira filha da temperança é a castidade. A castidade age como guardiã da afetividade e da sexualidade. Temos a temperança governando o interior, o pudor velando pensamentos e sentimentos, a modéstia cuidando do corpo físico e a castidade cuidando da sexualidade e da afetividade, impedindo que sejam expostas inadequadamente.

Quando cultivamos uma virtude, puxamos outras junto. Quem busca viver a castidade precisa cultivar a modéstia, não expondo o corpo indevidamente, e também o pudor, guardando pensamentos e sentimentos. Isso nos leva ao entendimento de que precisamos viver todas as virtudes em harmonia.


Cada santo foi exemplar em uma virtude específica, mas não negligenciava as demais. O cultivo de uma virtude leva ao aprimoramento das outras. O mesmo acontece com a modéstia: ao praticá-la, percebemos a necessidade de cuidar do comportamento, das palavras e das ações.

O Catecismo ensina que o pudor leva à discrição, à modéstia e à paciência. São três aspectos importantes: discrição no comportamento, modéstia na vestimenta e paciência no trato com as pessoas. A proposta é exigente, mas o caminho das virtudes é recompensador.

É radical compreender como a modéstia se insere no caminho das virtudes. Quando percebemos que a modéstia é mais do que um modismo dentro da Igreja, isso se torna claro. Se fosse uma tendência, com todos se vestindo modestamente, seria benéfico, pois a prática da modéstia leva à colheita de bons frutos e desperta outras virtudes.






A modéstia está intimamente ligada ao grande número de consagrações feitas a Nossa Senhora. Muitas pessoas foram conduzidas por Ela à prática da modéstia, aprendendo formas de comportamento e vestimenta adequadas. Quando alguém se aproxima de Nossa Senhora, aprende sobre modéstia e sobre atitudes corretas. Por isso, a consagração a Nossa Senhora tem uma relação direta com a modéstia. O aumento das consagrações despertou grande interesse pela prática da modéstia, justamente em um tempo em que a ideologia de gênero e a moda da promiscuidade estão em alta, ambas ofensivas ao Coração de Jesus. Nossa Senhora não permitiria que seus filhos caíssem em tais práticas.








Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 








Parece que ainda estamos em debates sobre "ser mulher", "ser homem" e tudo que poderia milagrosamente nos salvar. Quem escreve se digladia, e as ideias são várias:

Existe quem diz que eu sou feminista porque sou celibatária, escrevo e acho que existem diferenças entre uma mulher e uma árvore de Natal. Por outro lado, há quem diga que sou cristã porque sou celibatária, escrevo e acho que uma mulher não é uma árvore de Natal. Existe quem defenda que, na metafísica do feminismo, ainda estamos dançando a mesma dança revolucionária, mas com mais babados. Existe o discurso de que as feministas são todas imorais e, portanto, não deveriam ter tanto crédito. Outras acreditam que cabelo alinhado, regras de etiqueta, maquiagem e adornos são a própria beleza, e que o mundo será resgatado por essa beleza que se materializou num pó compacto. Outras acham que a feminilidade é uma matrona numa poltrona, que deixa os assuntos como política e economia, ou qualquer coisa que exija algum estudo, para os homens.

Talvez eu tenha esquecido alguns pontos — são tantos que é difícil lembrar de todos.

O interessante de todas essas narrativas é que elas formam grupos partidários que dividem as mulheres, mas eu não quero começar a escrever textos visando a paz mundial. Os discursos separam as pessoas, são uma grande peneira, e assim sempre será. Ingênuo é quem acredita que isso um dia cessará neste exílio. A Babel moderna só pode ser regulada pelo Pentecostes, mas, para isso, precisamos de uma primavera clerical e eclesiástica.

Voltando ao ponto interessante dessa temática: a divisão realizada pelo discurso acontece porque o Brasil é um país populista. Escutar a ideia de alguém e considerar seus pontos é visto como um apoio. O brasileiro — pois nunca chegamos a ser "brasilianos" — apoia pessoas porque vê nelas a si mesmo e a possibilidade de desfrutar do que fulano desfruta. Assim, quando alguém fala da ideia de fulano (e não de beltrano), está automaticamente falando da pessoa e, portanto, de todos que o apoiam. É uma guerra de egos, e o povo segue sempre a ideia mais predominante.

No que se refere às ideias sobre feminilidade atualmente assimiladas, elas foram gestadas numa ação antifeminista desesperada, uma ação que só foi bem-sucedida pela ajuda da Graça. Naquele período, entre 2016 e 2017, as feministas eram auratos bem mais adorados do que hoje e, ao meu ver, era, sim, necessária uma atuação que evidenciasse que não havia nada para admirar. A deputada Ana Campagnolo deu esse passo em sua publicação, e talvez ninguém pudesse fazê-lo de outra forma. É uma regra no mundo das imagens e reputações: se você quer descredibilizar alguém, atinja a imagem que as pessoas têm daquela pessoa. Como quase todas as feministas citadas eram praticamente adoradas — e quem é professor sabe disso — esse passo, considerando que estamos no Brasil, era necessário.

Mas é claro que toda ação tem uma reação, e isso não é necessariamente algo sob o controle do autor. As pessoas seguem não só o que leem, mas também interpretam conforme o que já têm dentro de si. Então, a narração antifeminista daquela época culminou na valoração da família, mas não considerou (e não havia como fazê-lo) que a ideia de família antifeminista e antimoderna ainda estava alicerçada no próprio feminismo.

O feminismo se tornou uma referência de atuação. E veja o problema: o que as feministas consideram como "feminilidade inimiga" é a mulher de vestido perfeito, numa casa perfeita, com um marido perfeito de pulôver e cabelo arrumado, filhos perfeitamente vestidos — uma família de comercial de margarina. Quando uma mulher vê a podridão por trás, não apenas da mentalidade, mas também dos ideólogos por trás do feminismo, pensa: "Bem, se as feministas têm essa imagem como errada, então ela deve ser a certa."

Então, essa mulher tomou esse modelo como o modelo tradicional. O modelo tradicional atual é embasado nas ideias do próprio feminismo sobre a família tradicional.

Acredito que não seja necessário dizer o problema, mas, como professora numa terra como o Brasil, prefiro não me arriscar: o problema é que ninguém questionou — mas será que isso é mesmo a família tradicional? O que é tradicional? E, baseado em quais referências, eu defino isso?

Isso não aconteceu porque ainda estamos, socialmente, num movimento reativo em quase todas as áreas sociopolíticas. As produções, discursos etc. são antifeministas. Estamos muito bem especializados no erro. O que fez com que o público — você, leitor — ficasse cheio de impressões sobre os sinais do erro. A mente humana funciona dessa forma: quando uma ideia é apresentada, ela tenta estabelecer padrões para delinear uma forma exata para essa ideia. Mas a ideologia não é assim; é uma massa de modelar diabólica que se autodefine conforme o ambiente e usa, em seu benefício, discursos que antes serviam para destruí-la.

E, para isso, as mentes não estão prontas. Esse é o motivo de as linhas serem tão díspares: estão lutando contra algo que se autodefine através das ofensas que recebe.

A maioria não tem a esperteza das serpentes para ver algo tão nítido, e, por isso, se organiza pelo populismo. Apoiar e endeusar uma pessoa é mais fácil do que buscar entender as ideias. Eu não critico — acredito que quem consegue escolher o mais fácil, sem peso, certamente assim fará, e ninguém questionará. O ponto é a atmosfera de caos que isso gera, impossibilitando a reflexão que este país precisa para finalmente sair do buraco em que está.

Aqui deixo alguns apontamentos para os que talvez tenham algum gosto pela reflexão, pois talvez vocês entendam que o pensamento — e a mudança do pensamento — ainda não aconteceram:

A maioria das famílias que hoje fazem um bom trabalho parece achar que está criando a roda. No entanto, o Trivium e a Ratio Studiorum que vocês usam foram escritos por celibatários.

A indústria rotulou a área de cosméticos como "beleza e autocuidado" para ganhar mais dinheiro. É por isso que você acha que maquiagem é beleza — é um trabalho de manipulação da massa pela propaganda, e a massa é você.

A feminilidade não é algo adquirido pelo que você compra e pendura em si mesma. A mulher nasce mulher e será mulher mesmo que não tenha nenhum dos objetos que são vistos como "femininos".

Essa ideia de construção do feminino com adereços externos é materialista e, veja só, feminista — que acredita que a mulher se constrói por uma imposição social através dos adereços, normas de comportamento etc. Ou seja, se você pensa assim, ainda é feminista, porque ainda pensa como feminista.

Por fim, leia a vida das santas. Não apenas aquelas que têm a mesma vocação que você — não torne a leitura das santas numa vivência velada de egoísmo, sim? Leia para perceber a variedade e profundidade dos talentos que Deus dá para suas filhas e as diversas áreas em que esses talentos são úteis. Se Deus lhe deu um talento, já está implícito, de forma imperativa, que você deve fazer uso dele — mas de maneira pessoal, distante do mimetismo.



Professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)


















Entrevista publicada em 5 de junho de 2024.
Artigo publicado na 72ª edição da revista Misión, a revista mais lida pelas famílias católicas na Espanha (original em espanhol disponível aqui).
Por Isabel Molina Estrada.
Pintura: Paseo a orillas del mar, Joaquín Sorolla




Para o resgate da elegância. 
"A roupa é uma linguagem que transmite ideias e convicções"




"Você não nasce elegante." 


Embora algumas pessoas tenham aquele "algo" inato que lhes dá uma certa nobreza e refinamento ao seu porte, a autora brasileira Ana Paula Barros explica a Misión que a elegância é adquirida praticando virtudes como simplicidade e modéstia, e exercitando "a arte de escolher o melhor". 



Aprenda o que é a verdadeira elegância e por que praticá-la.

Muitos hoje se vestem mal, não apenas em suas vidas diárias, mas também para participar de eventos memoráveis, como uma formatura ou um evento oficial ou para ir a lugares sagrados (para a missa ou um casamento, uma comunhão ou um funeral). O que aconteceu? Esta geração desistiu da elegância?

Ana Paula Barros, autora do livro Modéstia: o caminho da Beleza e da Santa Ordem (disponível na Editora Salus in Caritate, 2023), explica que as modas atuais fazem parte de uma grande "fábrica social" em que todos são obrigados a usar jeans e camiseta. E isso não é acidental, porque as roupas, como posturas e gestos, comenta a autora, "fazem parte do discurso social, são mais uma linguagem para transmitir ideias e convicções que pertence ao quadro dos símbolos". E, como alertou a baronesa Gertrude von Le Fort, filósofa e teóloga católica, "o símbolo nunca é insignificante". Para que as ideologias se enraízem na cultura, garante Barros, é preciso "silenciar ou perverter os ensinamentos cristãos, também na forma como se vestem, e fazer com que os crentes deixem de prestar atenção ao discurso que pronunciam com seu comportamento".


Os gestos e o vestido pronunciam um discurso cheio de valores


 


A Marca do Horrendo


Barros afirma que a boa postura, o vestuário harmonioso e os gestos medidos e amigáveis criam uma atmosfera cordial que hoje está quase extinta. "Com a descristianização do Estado e da escola e a renúncia à educação moral, não era mais considerado importante educar na elegância. Esses aspectos da educação foram considerados restritivos. O resultado é um aumento crescente no "culto da feiura", do descuido e um esforço para construir uma aparência que esteja em conformidade com os modismos passageiros. As indústrias da moda e da arte, incentivadas por ideologias, querem imprimir nas pessoas – a imagem e semelhança de Deus e, portanto, bela – a marca do horrendo", diz ela.

Barros evoca Gustavo Corção, um de seus autores favoritos, em Conversação em Sol Menor. Compilação de memórias (disponível em português no VIDE Editorial, 2018): "A cidade era linda como as meninas daquela época. Quando eram pequenos, cantavam em círculos, e em todos os bairros os cantos das crianças marcavam o crepúsculo [...]. A rua da cidade ajudava as pessoas a viver. […] Quem ousou tocar levemente o corpo sagrado de uma jovem? […]. As pessoas se vestiam melhor, a postura do corpo era mais ereta, mais resoluta, mais enérgica do que hoje. Folheie você mesmo o álbum de seus avós, leitor, e observe que eles eram mais determinados e firmes. O que aconteceu com os homens, com as cidades? O que foi que aconteceu?..."



A arte de saber escolher


A palavra elegância vem do latim eligere que significa "fazer uma escolha". Portanto, como explica Barros, elegância é a arte de optar pelo melhor no campo moral. E acrescenta que "quando uma pessoa faz suas escolhas de acordo com razões transcendentes, a elegância se manifesta em suas posturas, em seu tom de voz, em seus gestos e no refinamento de sua maneira de se vestir".

Muitas vezes, acredita-se que a elegância seja cumprir certos códigos sociais para ter uma boa aparência ou ser apreciada pelos outros. Mas uma pessoa elegante e de bom gosto, adverte a autora, é aquela que "sabe escolher levando em conta a vontade de Deus, a Tradição Católica e a beleza que emana da evangelização silenciosa".

Os seres humanos são gentil e naturalmente atraídos pela beleza porque ela irradia luz, não apenas física, mas também espiritual. "A beleza é o resultado da harmonia, integridade e clareza", diz Barros, que distingue três formas de beleza: estética, moral e espiritual. "A beleza estética é capturada pela observação da pureza, que é o resultado da harmonia na forma. A moralidade surge do equilíbrio da alma. E o espiritual é a capacidade de chegar à Verdade, que é Jesus Cristo. Só é possível que algo seja belo se a beleza estética estiver subordinada à beleza moral e espiritual. Portanto, a elegância só leva à beleza quando as escolhas estão subordinadas à moral e à verdade cristãs. Caso contrário, torna-se uma mera adesão a regras de etiqueta (que significa pequena ética) que podem não ter valor eterno."



"A elegância [vivida desta forma] ajuda a recristianizar, pois reflete a beleza da alma unida a Deus"



O auge da elegância


Uma pessoa pode ser elegante sem a necessidade de usar joias ou acessórios, simplesmente vestindo trajes modestos e expressando-se com gestos harmoniosos. Para alcançar esse refinamento, Barros sugere buscar a assistência de São José, por sua presença viril e modesta, e da Santíssima Virgem, o ápice da elegância e "senhora da elegância espiritual", como Santo Ildefonso sabiamente a chamou.

Barros adverte que fomos levados a acreditar que, para ter uma boa aparência, é necessário construir um "rosto no rosto" [maquiagem excessiva], um "cabelo no cabelo" [penteados elaborados] e um "corpo no corpo" [roupas excessivamente vistosas ou procedimentos], e esquecemos que a beleza é espiritual e esta ligada à simplicidade. "Em geral, a quantidade e intensidade de acessórios e o esforço para usar roupas e objetos atraentes geram ruído para a beleza natural da pessoa", diz ela.

Em síntese, segundo a autora, a elegância é um atributo indispensável para a recristianização, pois atualiza na pessoa diferentes verdades cristãs: a beleza de ser imagem e semelhança de Deus, o respeito pelo corpo dos outros e pelo próprio, o valor da beleza da alma unida a Deus, as bênçãos e responsabilidades da filiação divina (que variam de acordo com a missão e os dons que cada um recebeu), o valor dos lugares consagrados ao culto, o dever de adorar a Deus de corpo e alma e a capacidade de olhar de perto a beleza que nos rodeia.



MODÉSTIA E ELEGÂNCIA


"Se a elegância é a arte de escolher bem, a modéstia é a prática da moderação em tudo", diz Ana Paula Barros. E explica que a relação entre as duas virtudes é que uma escolhe e a outra coloca em prática, o que é essencial, porque às vezes é difícil para nós realizar as decisões que tomamos. Além disso, a modéstia e o pudor são virtudes irmãs." Um protege os sentidos (e a noção de privado) e o outro protege o corpo. Portanto, se a elegância é considerada de forma cristã: a elegância, a modéstia e o pudor andam juntas", explica. No entanto, se o padrão de elegância é apenas o da etiqueta social, um vestido chique pode não ser virtuoso ou elegante porque seleciona peças que expõem o corpo e o tornam vulnerável. Portanto, a elegância supõe o exercício da temperança, juntamente com as virtudes que dela emanam: sobriedade, mansidão, continência e modéstia, além de outras como cordialidade e respeito pelos outros.




Entrevista publicada em 5 de junho de 2024.
Artigo publicado na 72ª edição da revista Misión, a revista mais lida pelas famílias católicas na Espanha (original em espanhol disponível aqui).
Por Isabel Molina Estrada.

 




Autora: Ana Paula Barros
Revisão de texto: Jarbas

Páginas: 100
Ano de publicação: 2025
R$: 25,00


Formato 1: livro digital acervo Salus (aqui)
Formato 2: livro digital acervo Amazon para os leitores digitais Kindle e app Kindle em celular e tablet (aqui)
Formato 3: livro físico na Amazon (adquira aqui) ou com valor especial aqui.




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A tríade A Mulher Católica começa com o livro Modéstia, publicado em 2018:


Modéstia: O Caminho da Beleza e da Santa Ordem
Autora: Ana Paula Barros
Prefácio: Carlos Nougué

Páginas: 212
Ano de publicação: 2018 - Segunda Edição: 2025
R$: 29,00


Formato 1: livro digital acervo Salus (adquira aqui).
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Formato 3: livro físico na Amazon (adquira aqui) ou com valor especial aqui.


Um ensaio literário é um texto escrito em prosa que explora um tema ou uma ideia de maneira reflexiva. Ele combina análise crítica e expressão artística, permitindo que o autor apresente seus pensamentos, argumentos e insights de forma estruturada e eloquente. Os ensaios literários são frequentemente usados para discutir obras de literatura, temas filosóficos, eventos históricos, questões sociais ou culturais, entre outros tópicos.












Literato Católico 2025 (aqui)



Ficha de Leitura

Título: A última Cadafalso

Autor(a): Gertrud von le Fort

Ano de Publicação: 1931

Gênero: Novela

Tema: Metafísica e Teologia Mística



Crítica de Cultura (por Professora Ana Paula barros)


Um artigo da Universidade de Chicago diz: "Gertrud von le Fort foi uma proeminente literata católica do século XX, autora de mais de 20 romances, contos e poemas. Seu emprego do realismo sacramental exerceu uma influência significativa, embora muitas vezes inadvertida, mas frequentemente explícita, sobre obras de escritores como O’Connor, Greene, Bernanos e outros.


Le Fort cresceu no norte da Alemanha no final do século XIX. Em 1907, aos 21 anos, visitou Roma pela primeira vez e manteve-se lá por quatro meses, aproximando-se da Igreja Católica e da freira Irmã Marie de Maylis. Contudo, a experiência levou alguns anos para convencer totalmente le Fort a se converter. Sua obra poética magna, "Hinos à Igreja", indicou um movimento definitivo em direção à Igreja Romana em 1924. Ela se converteu ao catolicismo em 1926 e viveu e publicou até 1971, quando faleceu no Dia de Todos os Santos, aos 95 anos."




Em 1931, Gertrud von le Fort publicou a novela Die Letzte am Schafott (A Última ao Cadafalso), baseada na execução em 1794 das Mártires Carmelitas de Compiègne. Uma tradução em inglês, intitulada The Song at the Scaffold, apareceu em 1933. Com base nesta novela, Georges Bernanos escreveu um guião em 1947 para um filme de Philippe Agostini que, contudo, jamais foi filmado. Após a morte de Bernanos, em discussão com Albert Béguin, executor literário de Bernanos, von le Fort concedeu permissão para a publicação em janeiro de 1949 e doou a sua fração das royalties, que lhe eram devidas enquanto autora, à viúva e aos filhos de Bernanos. Von le Fort solicitou que a obra de Bernanos recebesse um título diferente de sua própria novela, ao que Béguin optou por Dialogues des Carmélites, que viria a ser a base para a ópera de Francis Poulenc, de 1956.


Seus escritos lhe conferiram o título de "a maior poetisa transcendente contemporânea." Ela escreveu sobre sua novela: "O contexto histórico era meramente um traje para vestir um problema muito agudo." Ela foi nomeada por Hermann Hesse ao Prêmio Nobel de Literatura e agraciada com um Doutorado Honorário em Teologia, em reconhecimento às suas contribuições à questão teológica em suas obras.


No que diz respeito à sua produção literária, tanto os ensaios quanto os romances de Gertrud von le Fort perpassam a metafísica e, como seria de se esperar, a teologia mística. Uma autora verdadeiramente grandiosa, abertamente decidida a proporcionar reflexões profundas e a transformar até mesmo o medo em objeto de análise filosófica e teológica de grande profundidade.


O artigo da já citado afirma a esse respeito: "Le Fort colocou suas teorias de medo existencial cristão em diálogo com a imaginação literária católica."


E continua: "Gertrude von Le Fort foi a primeira autora a tratar dos aspectos psicológicos e metafísicos do medo em uma obra de ficção: o medo das criaturas indefesas, o medo de todas as criaturas, que é o medo da agonia de Cristo no Monte das Oliveiras. Aqueles que leram este livro nos anos trinta na Alemanha compreenderam claramente o seu significado."




Considerando que a temática do medo, pavor e pânico, bem como os avanços das ideias modernistas em relação ao feminino, crescem desenfreadamente, torna-se evidente a necessidade desta obra como uma fonte de reflexão profunda sobre a temática e, acima de tudo, sobre as respostas. Esta filósofa e teóloga católica não se contenta apenas em analisar o problema, mas também em trazer à luz a posição de resposta, ou seja, para onde devemos voltar nosso olhar e em que estado deve se manter nossa mente em relação a essas temáticas.

Esta estudiosa de notável capacidade nos favorece com uma visão clara das limitações em que a mente moderna se encontra. Aplicando-se à nossa época: inclusive os mais devotos trilham um caminho sem se desvencilharem das armadilhas escondidas nas ilusões que se apresentam sob diferentes disfarces. Por exemplo, a crença feminista na superioridade das mulheres sobre os homens é análoga à convicção de que as mulheres piedosas podem, sozinhas, elevar a sociedade. Ambas são ilusões que excluem o papel masculino de se responsabilizar e se tornar mais semelhante ao Senhor, livrando-se das limitações, preconceitos e clubismo, características maléficas realmente existentes por conta do pecado original. Ambas percepções atribuem uma supercapacidade às mulheres em detrimento dos homens e, acima de tudo, negligenciam a verdadeira complementaridade entre a ação feminina e masculina.

Essa complementaridade não reside em dividir tarefas estereotipadas — uma lavar a louça e o outro carpir, uma fazer bolo e o outro estudar — mas em cada um fazer tudo que sabe fazer, o homem como homem e a mulher como mulher. Estranhamente, parece muito complexo aplicar esta realidade. Passamos de ilusão em ilusão, ilusões excludentes que não fazem o homem e a mulher trabalharem juntos, mas, mesmo piedosamente, acreditarem infantilmente que podem fazer algo: os homens num clubismo masculino e as mulheres numa roda feminina. Dessa forma, todos permanecem confortavelmente numa falsa contra-revolução, que apenas preparará o terreno para uma nova revolução ideológica contrária.



A Universidade de Cambridge aponta sobre a autora: "A celebração do octogésimo quinto aniversário de Gertrud von le Fort, ocorrida em outubro passado em Oberstdorff, Baviera, passou praticamente sem comentários neste país. Embora o nome desta autora católica não seja desconhecido do público inglês — sua obra mais conhecida, Die Letzte am Schafott, foi a fonte de uma ópera de Poulenc apresentada no Covent Garden em 1958 e de um filme roteirizado por Georges Bernanos produzido em 1960 — é verdade que grande parte de seu trabalho permanece literalmente um livro fechado. Trata-se de um estado de coisas lamentável, uma vez que seus escritos abordam diversos temas tratados por figuras literárias amplamente celebradas internacionalmente, como Mauriac e nosso próprio Graham Greene.

De ascendência huguenote, Gertrud von le Fort nasceu em 1876 em Minden, Vestfália, e pode traçar uma rica história familiar que remonta aos tempos da Reforma. Três membros da família Le Fort lutaram como oficiais de Luís XVI nas Tulherias, enquanto o mais famoso de seus ancestrais, François le Fort, foi almirante e companheiro de Pedro, o Grande."







Como acontece com todos os trabalhos filosóficos que são expostos à luz, inevitavelmente são submetidos ao esquartejamento moderno, e com esta escritora alemã não é diferente. Na Alemanha, surgem linhas e grupos com o objetivo de desmantelar o texto e inserir interpretações contemporâneas, num esforço solenemente vergonhoso.

No entanto, todos os que escrevem ou falam em público estão cientes de que suas palavras podem ser descredibilizadas, pisoteadas, alteradas e "interpretadas". Por isso, é especialmente importante garantir a preservação mais pura de uma obra tão sublime, sem buscar imprimir nela os devaneios modernos de inexatidão.





Contexto Histórico: Política, economia e comportamento


Nos anos de 1930 e 1931, o mundo testemunhou eventos significativos que se destacaram tanto no cenário internacional quanto no contexto brasileiro.

Internacionais:

Em 1930, a Grande Depressão continuou a devastar as economias globais, resultando em elevadas taxas de desemprego e falências generalizadas. Na esfera cultural, a primeira Copa do Mundo de Futebol foi realizada no Uruguai, onde o país anfitrião obteve a vitória. A indústria cinematográfica lançou filmes notáveis que refletiam a tensão e as esperanças da sociedade em meio à crise econômica. Na ciência e tecnologia, ocorreram avanços substanciais, como o autogiro de Juan de la Cierva, precursor do helicóptero moderno.

Em 1931, a conjuntura internacional foi marcada por uma série de eventos políticos significativos. Na Espanha, a monarquia foi abolida e a Segunda República Espanhola foi proclamada em abril. Na esfera artística e cultural, "The Star-Spangled Banner" foi oficialmente adotado como hino nacional dos Estados Unidos em março, enquanto Luis Buñuel lançou "A Idade Dourada", uma obra-prima do cinema surrealista. Além disso, desastres naturais, como as inundações na China, causaram devastação e resultaram em inúmeras perdas.

Brasil:

No Brasil, em 1930, a Revolução de 1930 culminou na deposição do presidente Washington Luís em 24 de outubro, com Getúlio Vargas assumindo a presidência. Esse evento significou uma mudança radical no panorama político brasileiro.

Em 1931, o Brasil viveu um ano de "consolidação" sob a liderança de Getúlio Vargas, que continuou a implementar várias reformas políticas importantes. Além disso, a inauguração do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, em 12 de outubro, foi um marco significativo do período.


Em 1930, Bertha Lutz, uma das principais líderes feministas do Brasil, estava ativamente engajada na luta pelos direitos das mulheres. Foi em 1932, pouco após este período, que as mulheres brasileiras conquistaram finalmente o direito de voto com a promulgação do Código Eleitoral. Os debates internos entre diferentes abordagens feministas também eram intensos. Algumas vertentes, influenciadas pelo Partido Comunista do Brasil, viam o feminismo como um movimento "pequeno-burguês" e inadequado para as reais necessidades das mulheres trabalhadoras, enfatizando a luta de classes como o verdadeiro caminho para a "emancipação feminina." Isso explica as características peculiares e regionais do feminismo brasileiro e por que, de certa forma, as ações antifeministas (mesmo as piedosas) tendem à atitude burguesa, pois esta foi colocada como antagônica histórica, não por ser boa, mas por ser capitalista. O que, para a resolução da questão sobre respeito genuíno, definitivamente não traz respostas.




Perceba que este estado de ânimo antecedeu à Segunda Guerra Mundial, que recebeu pessoas recém-saídas dos loucos anos 20 já citados (aqui: Literato Católico: Maria Luiza Chaveut e sua Teologia Educacional ) e embevecidas por mudanças políticas, econômicas e ideológicas.






Livros da Literatura do Século XX 



No modernismo, autores como James Joyce, com Ulysses (1922), e Marcel Proust, com À Sombra das Raparigas em Flor (1919), introduziram inovações como o fluxo de consciência. Na literatura existencialista, obras como O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, e A Náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, exploraram a liberdade e a alienação.


O realismo mágico emergiu com força na América Latina, com escritores como Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão (1967), e Juan Rulfo, com Pedro Páramo (1955), que mesclaram o cotidiano ao fantástico. No cenário pós-colonial, autores como Chinua Achebe, com O Mundo se Despedaça (1958), e Salman Rushdie, com Os Filhos da Meia-Noite (1981), abordaram a  independência cultural.


A poesia modernista também se destacou, com T.S. Eliot publicando A Terra Desolada (1922), uma obra repleta de alusões fragmentadas, enquanto Pablo Neruda publicava sua poesia romântica e política, como em Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924). No teatro, Samuel Beckett desafiou as convenções com Esperando Godot (1953), representativo do Teatro do Absurdo, enquanto Federico García Lorca explorou as tensões sociais em peças como A Casa de Bernarda Alba (1936).


A literatura distópica também floresceu com obras como 1984 (1949), de George Orwell, que lançou uma poderosa crítica ao totalitarismo, e Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, que examinou os perigos de uma sociedade controlada. Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo (1949), enquanto Virginia Woolf publicou Uma Janela para o Amor (1927).


No Brasil, Clarice Lispector se destacou como uma das maiores escritoras do século, trazendo uma linguagem introspectiva e poética em obras como sua obra A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Por outro lado, autoras afro-americanas como Zora Neale Hurston, com Seus Olhos Viam Deus (1937), e Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel em 1993, trouxeram narrativas sobre a experiência afrodescendente, como em Amada (1987).


O mercado também abriu espaço para narrativas de suspense, como as de Agatha Christie, a "Rainha do Crime", cujas obras, como Assassinato no Expresso do Oriente (1934) e E Não Sobrou Nenhum (1939). 



Gertrud von Le Fort destacou-se com Hymnen an die Kirche (1924), um tributo à Igreja Católica, e Die Letzte am Schafott (1931), que narra o martírio das Carmelitas de Compiègne. Edith Stein, filósofa e santa católica, deixou importantes escritos como On the Problem of Empathy (1916) e The Science of the Cross. Maria Luiza Chaveut publicou o seu A virgem cristã na família e no mundo em 1930.


Na África, Margaret Ogola contribuiu com The River and the Source (1994), uma celebração de gerações de mulheres quenianas, além de I Swear by Apollo (2002) e Place of Destiny (2005). Flannery O'Connor, uma renomada escritora americana, trouxe contos e romances que abordam a graça divina e a complexidade humana, como em Wise Blood (1952). Alice Thomas Ellis explorou a fé e a moral em obras como The Sin Eater (1977), enquanto Caryl Houselander destacou-se por seus escritos espirituais, como The Reed of God (1944), que reflete sobre a Virgem Maria.


Ademais, Irmã Miriam Joseph, acadêmica e autora católica, deixou um importante legado com The Trivium: The Liberal Arts of Logic, Grammar, and Rhetoric (1937), uma obra que revitaliza as artes liberais na educação, e Shakespeare's Use of the Arts of Language (1947), que analisa o uso da retórica nas obras de Shakespeare. 





para apreciação

Gertrud von le Fort | Blackfriars | Núcleo de Cambridge
Gertrud von Le Fort
Le Fort, Gertrud von – PHTE · Portal digital sobre a História da Tradução na Espanha





Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 




Literato Católico 2025 (aqui)


Ficha de Leitura

Título: A Virgem Cristã

Autor(a): Maria Luiza Chaveut

Ano de Publicação: 1927

Gênero: Instrução Católica

Tema:  Teologia Prática, Teologia Moral, Teologia Educacional, Celibato leigo



Crítica de Cultura (por professora Ana Paula Barros)


Maria Luiza Chaveut escreveu o livro "A Virgem Cristã em Família e no Mundo". Apesar de pouco se saber sobre a autora, é notável que ela tenha publicado este guia valioso sobre o celibato leigo em 1927, muito antes de existirem os variados locais de consagração que temos hoje nesta modalidade.


Este é um dos livros mais admirados sobre o tema. A autora se destaca pela clareza, gentileza e firmeza na medida certa, sendo uma verdadeira pedagoga das celibatárias. A leitura de seus escritos traz felicidade e esperança de que um dia ele seja novamente publicado. Acredita-se que Maria Luiza escreveu com base em sua própria experiência, o que torna o livro um excelente manual para celibatárias, especialmente aquelas que vivem fora de uma comunidade consagrada.


O livro impressiona por sua riqueza de detalhes e orientações práticas, revelando a influência de um bom padre na vida diária da autora, combinada com sua determinação. É surpreendente que, em 1927, o celibato leigo fora de uma comunidade religiosa já fosse um tema de destaque.


Com uma escrita elegante e espirituosa, a autora apresenta uma estrutura para a vida cristã celibatária que, sem dúvida, pode ser de grande proveito para muitas pessoas. O livro transcende barreiras, preconceitos e obtusidades ao explorar um tema pouco abordado no Brasil, inclusive nos meios religiosos.




Com seu característico humor francês, permeia de maneira exemplar a Teologia Prática. Esta área da Teologia Sistemática possui diversas subdivisões, incluindo a Teologia Moral e a Teologia Educacional.

A Teologia Prática é a aplicação concreta dos princípios teológicos na vida cotidiana, preocupando-se com a maneira como a fé é vivida, expressa e transmitida. Englobando desde a pregação e educação até a devoção pessoal e a vida comunitária.

Dentro da Teologia Prática, encontramos a Teologia Moral, que focaliza questões de comportamento, ética e valores cristãos. A Teologia Moral abrange diversos temas, como vocação e moralidade, fornecendo uma base sólida para decisões e ações alinhadas com a fé católica.

A Teologia Educacional é outro ramo crucial da Teologia Prática. Esta área dedica-se à formação espiritual e intelectual, através de métodos e práticas educacionais que integram a fé à vida cotidiana. A Teologia Educacional inclui a catequese, a educação formal e programas de formação contínua, de todas as idades.

Os temas abordados por Maria Luiza, como vocação, moral e instrução, pertencem ora à Teologia Moral, ora à Teologia Educacional, abrangendo, de modo satisfatório, os múltiplos aspectos da Teologia Prática.
Este livro é de inestimável valor para celibatários devotos e convictos, tão raros em um mundo hedonista – um mundo que, aliás, é mais hedonista do que o da autora.





Reflexões secundárias 

De fato, existe um paralelo entre o celibato e a esperança, o qual se conecta à segunda vinda do Messias. O celibato simboliza a espera da Esposa – a Igreja – pelo Cristo reinante – o Esposo. No reino de Cristo, tão ansiosamente esperado, ninguém se casará ou se dará em casamento. Nenhum estado permanecerá, exceto aquele que se comprometeu com Cristo em noivado. Os outros relacionamentos seguirão seus próprios cursos, conforme descrito no "até que a morte nos separe".


O celibato, como estado de noivado, culminará em glória e esplendor, sendo o único vínculo construído na terra que se torna eterno. No Céu, no reinado de Cristo, não existirão mais os cargos e ofícios que conhecemos hoje no clero, nem os laços do casamento; mas o laço devoto e concreto do celibatário permanecerá: o laço do casamento celestial. Isso concede ao celibato uma vida per se em Cristo e em Seu reinado, não como algo acessório numa execução de trabalho temporal, mas como um estado que antecipa a condição da Igreja no reinado eterno do Messias e imita a vida terrena do próprio Messias.


Portanto, o celibatário está intimamente unido à segunda vinda de Cristo, e ambos estão ligados à esperança que, por fim, não existirá mais no Céu. Desde os primeiros tempos do cristianismo, os celibatários foram revestidos de respeito e justa admiração por suas orientações, independentemente das vocações dos ouvintes. Isso se deve ao compromisso com o Senhor, que é superior, como ensinam os santos da Igreja, pois superior é o Esposo, Seu poder e influência, e superior é, portanto, a vocação e o laço de compromisso com Ele.




Contexto Histórico 

No que concerne à época de publicação, podemos apontar os acontecimentos da década de 1920. Os "Loucos Anos 20", também conhecidos como Roaring Twenties ou Années Folles, foram um período de grande efervescência cultural, social e econômica que se seguiu à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Essa década foi marcada por uma explosão de modernidade e inovação em diversas áreas, incluindo moda, música, arte e estilo de vida. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, muitos países experimentaram um período de rápida recuperação econômica. As indústrias cresceram, a produção em massa se tornou comum e houve uma grande expansão do consumo. O jazz se tornou extremamente popular, especialmente em cidades como Nova York, Nova Orleans e Chicago. O jazz clubs e a música ao vivo proliferaram, e artistas como Duke Ellington, Louis Armstrong, Billie Holiday e Ella Fitzgerald se tornaram ícones dessa nova era musical. Também foi o período em que surgiram as danças vibrantes como o Charleston, que conquistou jovens e entusiastas da dança.


Na moda, Coco Chanel revolucionou o vestuário feminino, introduzindo vestimentas que contrastavam com os estilos anteriores. As mulheres começaram a usar roupas mais soltas, saias mais curtas e cabelos curtos. As flappers simbolizavam essa nova liberdade, adotando um visual com lábios vermelhos, pálpebras pintadas de escuro, vestidos na altura dos joelhos e uma atitude desafiadora.


A disseminação do automóvel, do rádio, do cinema e da eletricidade transformou vidas e facilitou o crescimento das cidades. Após a restrição e o sofrimento da guerra, as pessoas buscavam prazer e indulgência, levando a uma época de festas glamorosas e excessos.


Lançar um livro sobre o celibato leigo em meio a este cenário exigia muita coragem. Maria Luiza Chaveut, ao publicar "A Virgem Cristã" em 1927 na França (veja bem!), apresentava um contraste fascinante com o espírito da época, que estava mergulhado em novidades e abusos. Os Loucos Anos 20 terminou abruptamente com o crash da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, que deu início à Grande Depressão, uma época de grande sofrimento e dificuldades econômicas que se seguiu na década de 1930. No entanto, essa devassidão enfraqueceu as pessoas, que diante de uma crise se virão, mas uma vez, diante de uma guerra.




Política, Economia e comportamento


A Grande Depressão foi uma grave crise econômica mundial que teve início com o crash da Bolsa de Valores de Nova York em 29 de outubro de 1929, evento que ficou conhecido como Terça-Feira Negra. Durante essa época, houve uma queda dramática na produção industrial, um aumento massivo do desemprego e uma queda brusca no produto interno bruto (PIB) de diversos países. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego saltou de 3,2% em 1929 para 24,9% em 1933, exemplificando a severidade da crise.

Essa crise não se limitou aos Estados Unidos, mas teve repercussões globais, impactando duramente a Europa, em especial a Alemanha, que ainda se recuperava dos efeitos do Tratado de Versalhes imposto após a Primeira Guerra Mundial. A economia alemã, já fragilizada pelas severas sanções e reparações exigidas pelo Tratado, foi devastada pela Grande Depressão. Isso resultou em elevadas taxas de desemprego e hiperinflação, aprofundando o sofrimento econômico da população.

A crise econômica criou um ambiente propício para o crescimento de ideologias extremistas e movimentos políticos radicais. Na Alemanha, Adolf Hitler e o Partido Nazista capitalizaram a insatisfação popular, prometendo revitalizar a economia, restaurar o orgulho nacional e anular o Tratado de Versalhes. O desespero econômico e a instabilidade política facilitavam a ascensão de Hitler ao poder em 1933, circunstâncias que foram decisivas para o desenvolvimento dos eventos subsequentes.

A necessidade de melhorar a economia e enfrentar os desafios impostos pela Grande Depressão levaram muitos países, especialmente a Alemanha, a investirem na rearmamentação e na indústria bélica. Isso teve o efeito de criar empregos e revitalizar a produção industrial, ao mesmo tempo em que preparava o cenário para futuros conflitos.

Assim, a Grande Depressão e suas consequências políticas e sociais estabeleceram um percurso inexorável em direção à Segunda Guerra Mundial. As tensões geradas durante esses anos de crise, aliadas à ascensão de regimes totalitários e à mobilização massiva para o conflito bélico, formaram uma ligação indelével entre esses dois eventos históricos.




Comportamentalmente, as pessoas vivenciaram um abalo sísmico. Aqueles que haviam dançado nas festas luxuosas e desfrutado da efervescência cultural de repente se encontravam num deserto de incerteza. A euforia cedeu lugar ao pragmatismo; o consumismo desenfreado foi substituído pela austeridade. A confiança na prosperidade infinita foi desafiada, forçando uma reavaliação dos valores e prioridades.

Quando a crise econômica parecia insuperável, as ideologias extremistas encontraram um terreno fértil. Em meio ao desespero e à busca por soluções rápidas, muitos foram seduzidos por promessas de redenção e renovação nacional.

Na década de 1930, o otimismo dos anos 20 se converteu em resignação e preparação para uma nova conflagração global. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) materializou-se como um desdobramento trágico dessas décadas anteriores, onde os sonhos de progresso foram hipotecados pelas realidades brutais de um conflito total.

As pessoas que atravessaram esses períodos de crise econômica e guerra foram forjadas em um cadinho de luta e sobrevivência. Que, por sua vez, não durará muito nos ciclos de acontecimentos mundiais.




Rompendo limitações de entendimento e conhecimento



Na presente conjuntura, testemunhamos a injusta vinculação do celibato leigo às práticas da ala modernista da Igreja, como se esse setor fosse o gerador do celibato leigo. Contudo, conforme detalhado no estudo "Celibato Leigo", essa análise é profundamente obtusa tanto do ponto de vista teológico quanto histórico. O celibato não é, de forma alguma, um legado de grupos progressistas, nem tampouco está vinculado ao Concílio Vaticano II. Este estado de vida é, na verdade, resultado direto do influxo do Sagrado Coração do Senhor Jesus e de Seu corpo puríssimo e santo em Sua Igreja, que, em última análise, produz esse fruto em imitação e vivência escatológica do que há de vir.

Reduzir a augusta vida celibatária a meras bagatelas políticas clericais e eclesiais constitui uma grave ofensa ao poder de Nosso Senhor Jesus Cristo, que tudo provê àqueles que a Ele consagram alma e corpo em resguardo. É também um desrespeito a um dos frutos mais nobres da Santa Tradição Católica. O celibato leigo, devoto e convicto, é um raio terreno da Glória de Deus.





Panorama do século XX



O século XX foi um período de grandes transformações e acontecimentos históricos que moldaram a sociedade como a conhecemos hoje. Foi marcado pelas duas Guerras Mundiais, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que trouxeram devastação e mudanças geopolíticas significativas, incluindo o colapso de impérios e o surgimento de novas superpotências como os Estados Unidos e a União Soviética. Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo mergulhou na Guerra Fria (1947-1991), uma disputa ideológica, tecnológica e militar entre o capitalismo e o socialismo, que influenciou profundamente a política global e levou à corrida espacial, com momentos marcantes como o lançamento do satélite Sputnik pela União Soviética em 1957.

O século também viu o processo de descolonização, intensificado após a Segunda Guerra Mundial, com diversos países da África, Ásia e Oriente Médio conquistando sua independência ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970, como a independência da Índia em 1947.

Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos e científicos revolucionaram todos os aspectos da vida humana, desde a medicina, com o desenvolvimento de vacinas como a da poliomielite nos anos 1950, e antibióticos como a penicilina na década de 1940, até as comunicações, com a invenção do rádio (década de 1920), da televisão (anos 1930), do computador (década de 1940) e, mais tarde, da internet (década de 1980). A exploração espacial tornou-se uma realidade, culminando com a chegada do homem à Lua em 1969.

Socialmente, o século XX foi palco de movimentos transformadores em busca de direitos civis, "igualdade de gênero" e inclusão de grupos marginalizados, como o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos nos anos 1960 e as ações feministas ao longo de todo o século. Na cultura, o modernismo (início do século XX), o surrealismo (década de 1920) e outras correntes artísticas redefiniram as fronteiras da criatividade, enquanto a globalização conectou as nações como nunca antes, especialmente após a Segunda Guerra Mundial.





Livros da Literatura do Século XX 



No modernismo, autores como James Joyce, com Ulysses (1922), e Marcel Proust, com À Sombra das Raparigas em Flor (1919), introduziram inovações como o fluxo de consciência. Na literatura existencialista, obras como O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, e A Náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, exploraram a liberdade e a alienação.


O realismo mágico emergiu com força na América Latina, com escritores como Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão (1967), e Juan Rulfo, com Pedro Páramo (1955), que mesclaram o cotidiano ao fantástico. No cenário pós-colonial, autores como Chinua Achebe, com O Mundo se Despedaça (1958), e Salman Rushdie, com Os Filhos da Meia-Noite (1981), abordaram a  independência cultural.


A poesia modernista também se destacou, com T.S. Eliot publicando A Terra Desolada (1922), uma obra repleta de alusões fragmentadas, enquanto Pablo Neruda publicava sua poesia romântica e política, como em Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924). No teatro, Samuel Beckett desafiou as convenções com Esperando Godot (1953), representativo do Teatro do Absurdo, enquanto Federico García Lorca explorou as tensões sociais em peças como A Casa de Bernarda Alba (1936).


A literatura distópica também floresceu com obras como 1984 (1949), de George Orwell, que lançou uma poderosa crítica ao totalitarismo, e Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, que examinou os perigos de uma sociedade controlada. Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo (1949), enquanto Virginia Woolf publicou Uma Janela para o Amor (1927).


No Brasil, Clarice Lispector se destacou como uma das maiores escritoras do século, trazendo uma linguagem introspectiva e poética em obras como sua obra A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Por outro lado, autoras afro-americanas como Zora Neale Hurston, com Seus Olhos Viam Deus (1937), e Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel em 1993, trouxeram narrativas sobre a experiência afrodescendente, como em Amada (1987).


O mercado também abriu espaço para narrativas de suspense, como as de Agatha Christie, a "Rainha do Crime", cujas obras, como Assassinato no Expresso do Oriente (1934) e E Não Sobrou Nenhum (1939). 



Gertrud von Le Fort destacou-se com Hymnen an die Kirche (1924), um tributo à Igreja Católica, e Die Letzte am Schafott (1931), que narra o martírio das Carmelitas de Compiègne. Edith Stein, filósofa e santa católica, deixou importantes escritos como On the Problem of Empathy (1916) e The Science of the Cross. Maria Luiza Chaveut publicou o seu A virgem cristã na família e no mundo em 1930.


Na África, Margaret Ogola contribuiu com The River and the Source (1994), uma celebração de gerações de mulheres quenianas, além de I Swear by Apollo (2002) e Place of Destiny (2005). Flannery O'Connor, uma renomada escritora americana, trouxe contos e romances que abordam a graça divina e a complexidade humana, como em Wise Blood (1952). Alice Thomas Ellis explorou a fé e a moral em obras como The Sin Eater (1977), enquanto Caryl Houselander destacou-se por seus escritos espirituais, como The Reed of God (1944), que reflete sobre a Virgem Maria.


Ademais, Irmã Miriam Joseph, acadêmica e autora católica, deixou um importante legado com The Trivium: The Liberal Arts of Logic, Grammar, and Rhetoric (1937), uma obra que revitaliza as artes liberais na educação, e Shakespeare's Use of the Arts of Language (1947), que analisa o uso da retórica nas obras de Shakespeare. 





Trechos para apreciação

"Não profaneis o título de "Virgem". Não o deis indistintamente a todas que não abraçaram o estado de matrimônio. Não deis, também, este título tão nobre àquelas que, por não terem achado a quem dar seu coração, vivem desgostosas, despeitadas, procurando agradar a todos em compensação por não terem sabido agradar a um só. Nunca deis, também, o título de "Virgem" àquelas que levam sobre a terra uma existência inútil e egoísta, e que aviltam seu amor, até o ponto de consagrá-lo aos irracionais; que vivem inquietas por causa de seu gato, de seus passarinhos, tendo, no entanto, para os infelizes, um coração de gelo. Dai este belíssimo título somente àquela que, não tendo senão um amor - Deus; uma preocupação - sua glória; um desejo - a salvação e o bem das almas, vive afastada das vaidades do mundo, desapegada dos bens da terra, e não quer ornar-se com outra joia a não ser sua angélica modéstia, nem ter outro diadema senão sua caridade.

Chamai Virgem àquela que na primavera da vida, na flor da sua juventude, renuncia às doçuras da maternidade, às alegrias de um lar, às esperanças de um futuro brilhante para se imolar, para sempre, ao grande e santo amor de Cristo. Àquela a quem Deus, por favor especial e por um especial chamamento, inspira este irresistível desejo de amá-Lo sem reserva e sem medida. Entre Deus e a Virgem não há intermediários: nem esposo, nem filhos, nem criatura alguma. Deus só ocupa todo o seu coração, e a Ele só ela pertence! Deus e a terra apresentaram-se à sua contemplação, e a Deus só ela quis pertencer, embora para esse fim tivesse de renunciar a todos os bens da terra. A bondade infinita, a beleza divina, por uma espécie de sedução, fascinou-a e apossou-se dela para sempre! Àquela que não tem na terra senão os desejos do Céu por alegria, Jesus Cristo por Esposo e a geração das almas por maternidade. Chamai Virgem só àquela que, por livre vontade, renuncia a toda e qualquer aliança terrena, para poder, livre de afeições humanas e dos cuidados da família, consagrar seu coração a Jesus Cristo e trabalhar mais eficazmente para a glória de Deus."





A Obra dos Catecismos

Nas circunstâncias dolorosas que atravessa a Igreja, parece-nos muito importante insistir mais particularmente na obra dos catecismos ou da instrução religiosa que se deve dar às crianças.

É necessário que a Virgem cristã de nossos dias seja um apóstolo, como o era a da primitiva Igreja. É, com efeito, um espetáculo tocante e digno de admiração, o que nos oferecem as Virgens dos primeiros séculos do cristianismo, devoradas pelo zelo de espalhar por toda parte os tesouros da verdade. Iluminadas pela fé, sentiam-se devorar pelo desejo de esclarecer todas as almas que viviam mergulhadas nas trevas do paganismo. Quem poderia contar as conquistas que faziam no seio da família, entre os seus amigos, seus criados, e mesmo seus algozes? Muitas vezes, a prisão e o martírio foram para elas as ocasiões mais fecundas para ganharem as almas para o amor de Cristo.

Aqui vemos Marta, a irmã de Maria Madalena e de Lázaro, que traz as primeiras luzes da fé à Provença.

É Catarina de Alexandria, que não receia entrar em discussão com os mais sábios filósofos de seu país em presença do próprio imperador romano, e força-os a reconhecerem seus erros, leva-os a abraçar a religião do Salvador e a derramar o sangue pouco depois por amor a Ele.

É Cecília, a quem o papa Urbano chamava a ovelha eloquente, e que converteu Valeriano, seu irmão Tibúrcio e os outros moços que extasiados a escutavam, e que, apenas saídos da fonte batismal, voaram com ela ao martírio. Conduzida à morte, Cecília falava de Jesus Cristo aos soldados que a cercavam e que pediram o batismo; foi no meio deste triunfo do apostolado que a ovelhinha eloquente ofereceu a cabeça ao seu algoz e, como dizem os atos de sua canonização, emigrou para o Senhor.

É Eulália, que contando apenas 13 anos, no meio dos mais atrozes tormentos, falava de Jesus Cristo e da eternidade, com tal convicção que chamou à vida da graça as testemunhas de seu suplício, semelhante ao aloé que morre ao dar as primeiras flores.

Columba tira milagrosamente das garras de um urso furioso o libertino que quisera atentar contra a sua pureza e anuncia-lhe o Evangelho, faz dele um generoso discípulo da Cruz e, mais tarde, um glorioso mártir.

Santa Tecla acompanha São Paulo em suas primeiras excursões apostólicas e passa todos os dias, até à idade de noventa anos, no exercício de um zelo tal que os doutores a apelidaram o apóstolo e o evangelista de seu sexo.

Santa Beneditina conquista onze de suas companheiras ao amor de Jesus Cristo e da santa virgindade e faz delas missionárias que de Roma trazem as luzes da fé aos territórios de Soissons e de Beauvais.

Ao nome de Patrício, o apóstolo da Irlanda, está eternamente ligado o nome de Santa Brígida, cuja ciência e caridade enchiam de pasmo os reis e grandes senhores, como ao nome de São Bonifácio, o apóstolo da Germânia, une-se o nome de Lioba, a predileta que consegue reunir, por meio de suas lições e exemplos, inúmeras discípulas.

Ainda poderíamos citar cenas não menos admiráveis que vos lembrariam os esforços e os sucessos das primeiras Virgens cristãs, que com todo ardor trabalhavam para o aumento do reino de Jesus Cristo nas almas. O divino Esposo comunicou-lhes esse fogo sagrado com que Ele veio abrasar a terra: por toda parte, elas arrancam as almas da escuridão do pecado, preparam os corações, incutindo-lhes o amor à religião, e os conduzem aos Apóstolos, aos seus sucessores que as batizam e confirmam na fé.

O Senhor, diz a Escritura, chama as estrelas das profundezas do firmamento e elas respondem: "eis-nos aqui". Obedientes, espalham por toda parte o seu doce fulgor. Assim foram as Virgens dos primeiros séculos. Quando a noite do paganismo envolvia o mundo, elas brilhavam no firmamento da Igreja como puríssimas estrelas, iluminando milhares de almas.

Em nossos dias, ó Deus, para quantos cristãos a luz do dia ainda não despontou no horizonte!

O Soberano Pontífice e os Bispos clamam contra a educação que as sociedades civis querem dar à infância. O nome de Deus deve ser proscrito das escolas: Jesus Cristo deve ser desconhecido, sua imagem tirada da vista dos alunos, sua Cruz adorável deve ser retirada das paredes da escola, para ser muitas vezes calcada aos pés dos sectários.

Chama-se a isto neutralidade: neutralidade falsa, mentirosa e que termina necessariamente no ateísmo e no mais grosseiro materialismo.

Que será desta geração educada assim fora dos princípios religiosos que são a única salvaguarda das sociedades?

As famílias ricas poderão ainda dar a seus filhos professores católicos. A escola livre talvez ainda se possa abrir em alguns lugares favorecidos, e com as esmolas dos fiéis, receber um certo número de alunos que aprenderão a conhecer a Deus, a amá-Lo e a servi-Lo.

Mas que será dos meninos que frequentam as escolas públicas? É possível que os filhos do operário, do pobre, fiquem completamente privados do ensino religioso? Quem lhes falará de Deus, de sua alma, de seus deveres, de seus imortais destinos? Quem os preparará para o grande ato da primeira comunhão? As explicações do catecismo que se faz na paróquia serão suficientes para eles? Poderão eles aprender tudo que se contém nesse precioso livro e que não lhes será explicado nem na escola, nem na casa paterna? Na escola é proibido falar-se de Deus: em casa, os pais, em geral, não têm nem o tempo, nem a necessária instrução para darem essas explicações. Os padres, apesar do seu zelo, são poucos, e vivem muito absorvidos pelas outras funções de seu ministério e não podem se ocupar desta nova obra.

Quem se encarregará de instruir esses pobrezinhos que são batizados, são filhos de Deus e membros da Santa Igreja, Esposa de Jesus Cristo? Pedem o pão da vida, e é possível que ninguém lhes queira distribuir com abundância?

Não o ignoramos; obras admiráveis se organizam em nossas cidades: o apelo do Papa e dos Bispos foi ouvido. Inúmeras cristãs, fervorosas donzelas, viúvas, e mesmo mães de família, se unem, se põem à disposição dos párocos, distribuem entre si as crianças que lhes são confiadas, e fazem-se suas dedicadas professoras.

É muito bom; esse concurso é precioso, mas será suficiente? Para tornar-se eficaz é necessário que seja constante, regular... essa regularidade é fácil de manter por moças, por senhoras a quem os deveres domésticos, a falta de saúde ou as exigências da sociedade retêm muitas vezes em casa?

É a Virgem cristã que deve estar sempre pronta para preencher esses vazios e assegurar a continuidade do ensino. Deve estar à disposição dessas crianças, sobretudo nos lugares do interior, nas pequenas freguesias onde é tão difícil manter uma escola paroquial, onde há um só padre ou onde muitas vezes não há sacerdote algum. Deveis receber essas crianças nas quintas-feiras, nos domingos e mesmo nos outros dias da semana, nas horas em que as escolas públicas não funcionam. Deveis atraí-las pela vossa bondade, pela vossa dedicação e por meio dessas pequenas recompensas que ganharão esses coraçõezinhos, e os tornarão mais dóceis e aplicados. Deveis continuamente redobrar de esforços; não vos fatigueis jamais, não desanimeis diante da inconstância, e talvez da ingratidão dessas crianças, nem diante da aparente esterilidade de vossas palavras. A colheita não se faz logo após a semeadura. São necessários longos meses para que os grãos germinem, que cresçam e que produzam depois as belas espigas. As obras de zelo exigem grande paciência. A ovelha reconduzida ao aprisco ainda pode fugir, e o bom pastor não deixará de procurá-la, para reconduzi-la de novo para o bem.

Tereis que lutar contra a indiferença e muitas vezes contra a hostilidade dos pais dessas crianças. Servi-vos, para vencer a ignorância ou a má vontade deles, de todos os recursos de vossa industriosa caridade e vosso ardente amor por Nosso Senhor e pelas almas vos inspiram. Em breve encontrareis inesperadas compensações no afeto que vossos discípulos vos testemunharão, e sentireis inefáveis consolações no dia em que os virdes, recolhidos e alegres, aproximarem-se pela primeira vez da mesa da comunhão e ali receberem o pão da verdadeira vida. Ah! então sentireis a necessidade de guiar ainda durante algum tempo seus passos incertos, e de assegurar a sua perseverança, dando-lhes ainda algumas lições de doutrina cristã.

Deveis, entretanto, contar com o mau êxito, com o abandono de muitos, mas conservai sempre a esperança de que vossos esforços não serão baldados, e que um dia essas almas voltarão para Deus, que para o futuro haverá conversões, devidas talvez às vossas lições de catecismo que, a princípio, pareceram ineficazes. Como diz o profeta, tereis algumas vezes de semear entre lágrimas: mas tereis em seguida a consolação de recolher uma abundante colheita, que oferecereis ao Pai celeste, para os seus eternos celeiros.

Armai-vos, pois, Virgem cristã, com o catecismo, para conquistar as almas das criancinhas, cujos anjos veem constantemente a face de Deus."



Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 





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Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

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