Devocional 31: Do Pecado Original e suas Consequências

by - junho 01, 2020


Devocional 31 Do Pecado Original e suas Consequências





No estado primitivo (estado primeiro, no Éden) em que Deus criou o homem não existia concupiscência. A concupiscência existe agora pois o homem se acha em estado de natureza decaída. 

O estado de natureza decaída é o estado que se seguiu como efeito e consequência do primeiro pecado do primeiro homem. Tal consequência se estende a todos e cada um dos homens porque a nossa natureza é a sua e dele a recebemos. 

Se o primeiro homem não tivesse pecado teria nos transmitido a natureza humana em outro estado, ou seja, no estado original de integridade e justiça. No entanto, o estado em que atualmente a recebemos é no estado de pecado, já que a recebemos como ficou após a consequência do pecado realizado pelo primeiro homem. A esta mancha do pecado que se transmite junto com a natureza chama-se pecado original. Assim o pecado original se transmite a todos os homens pelo fato de recebermos a natureza de Adão pecador. 

O efeito que produz em cada individuo da espécie humana o chamado pecado original é a privação dos dons sobrenaturais e gratuitos que Deus misericordioso havia concedido à natureza, na pessoa do primeiro homem e pai comum dos mortais. 

Os dons que nos privou o pecado original foram em primeiro lugar, a graça santificante, com as virtudes sobrenaturais infusas e os dons do Espírito Santo; além disso, o privilégio da integridade vinculado aos dons sobrenaturais. 

O privilégio da integridade gerava o efeito da subordinação perfeita dos sentidos à razão, e do corpo à alma. Os bens adquiridos por tal subordinação era que as faculdades afetivas não podiam experimentar nenhum movimento desordenado, e que o corpo fosse impassível ou imortal. 

Assim a morte e as outras misérias corporais são efeitos próprios do pecado. Os efeitos do pecado na alma chamam-se feridas. São elas: ignorância, malícia, fragilidade e concupiscência. 

A ignorância é a condição a que ficou reduzida a inteligência quando perdeu a disposição infalível para a verdade, como a possuía no estado de integridade. 

A malícia é a condição a que ficou reduzida a vontade, desapossada da disposição infalível para o bem, que tinha no estado de justiça original. 

A fragilidade é a condição a que ficou reduzida a parte afetiva sensível, destituída da ordem conatural para com tudo o que é mau ou difícil a que ela possuía no estado de integridade original. 

A concupiscência é a condição a que se reduziu a parte afetiva sensível quando sacudiu a autoridade que no estado de inocência a mantinha nos limites do prazer sensível, moderado pela razão. 

Essas quatro feridas são efeitos do pecado original, no entanto, os nossos pecados pessoais e os dos nossos ascendentes (antepassados) podem agravá-lo. 

Dentre os pecados pessoais existe alguns que possuem a propriedade de produzir as disposições e inclinações especiais para cometer outros novos pecados, são os chamados pecados capitais. São eles: Soberba, Avareza, Gula, Luxúria, Preguiça, Inveja e Ira. 

Entretanto, apesar de todos estes motivos de pecado, herdados de nosso primeiro progenitor (Adão) e ascendentes (antepassados), devemos sustentar que o homem é livre quando executa atos morais e que jamais peca por necessidade. Nada justifica o ato de pecar. 

As ditas causas de pecado poderiam destruir a liberdade humana se, e somente se, o privasse do uso da razão. Logo, enquanto o homem conserva o uso da razão, é livre e depende dele evitar ou não o pecado. 


Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino

















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