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Política Eclesiástica V - Tramas e Dramas

¹Professora Ana Paula Barros


“O amor seja sem fingimento. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.”- Romanos 12, 9





Nos quatro primeiros textos da série Política Eclesiástica, percorremos a tradição católica que fundamenta a relação entre política e moral, refletimos sobre a estrutura monárquica da Igreja e analisamos a responsabilidade do clero diante dos leigos e da comunidade. Mostramos como a autoridade, orientada pelo bem comum e pela lei divina, deve evitar a tirania e permanecer fiel à tradição. Também nos detivemos na reflexão sobre o comportamento do clero e dos seminários, discutindo como a formação molda atitudes e práticas clericais.

Agora, neste quinto artigo, damos continuidade a essa trajetória, voltando nosso olhar para algumas tramas históricas que ainda hoje determinam atuações eclesiásticas e que, devido à falta de bagagem histórica e ao clima conturbado no Brasil, são compreendidas de forma muito limitada, impedindo que tais conhecimentos sejam utilizados como balizadores de reflexão e ponderamento.

Diante dos recentes acontecimentos ligados à excomunhão dos bispos da Fraternidade São Pio X, é compreensível que surjam inquietações entre aqueles que acompanham em silêncio as movimentações do clero. Desde o ano passado, tenho recebido um número crescente de mensagens que repetem a mesma indagação: “Professora, o que está acontecendo na Igreja?”.

Responder a essa questão não é simples. Para compreender o presente, é indispensável conhecer o passado. Por isso, movida apenas pela minha vocação docente, sem vínculos com grupos específicos, sem interesses político-partidários, sem benefícios ligados a cargos ou congruos, e sem reconhecimento por citações — considerando a forma desrespeitosa como as referências bibliográficas são tratadas no Brasil, sobretudo no meio católico — decidi oferecer algo que possa auxiliar nessa busca. Uma busca que que se depara com a crueza dos fatos e confirma que quem conduz a Igreja é, de fato, o Espírito Santo. Este artigo pretende ser um relato histórico e, ao mesmo tempo, uma contribuição distinta, talvez desconfortável, diante dos prismas já amplamente explorados no Brasil e no exterior.


Portanto, prepare seu café ou seu chá calmante (ou, quem sabe, um chá digestivo seja mais apropriado) e acompanhe a narrativa histórica e os balizadores de ponderamento que selecionei para esta explicação.









Primeiro, é necessário compreender o cenário que deu origem à Fraternidade. Para quem já estudou um pouco, a resposta que costuma surgir é imediata: o último concílio. Contudo, essa explicação é apenas parcialmente correta. O concílio foi, na verdade, a culminância de um movimento que buscava mudanças na Igreja e que pode ser rastreado em publicações literárias de pelo menos uma década antes de sua realização.


Para seguir esse rastreio, é preciso recuar ainda mais algumas décadas e encontrar um grupo chamado Ação Católica Italiana. Voltada para a formação intelectual de leigos, a Ação Católica Italiana tinha como objetivo fortalecer a presença católica no meio secular. Fundada em 1867 por Mario Fani e Giovanni Acquaderni, a associação nasceu como a Sociedade da Juventude Católica Italiana, voltada para a formação espiritual e intelectual dos leigos. Seu lema — oração, ação e sacrifício — expressava a fidelidade ao Papa, o compromisso com a educação religiosa e a dedicação à caridade.

A iniciativa, aprovada oficialmente pelo Papa Pio IX em 1868, cresceu rapidamente e se espalhou pelas paróquias italianas, tornando-se um dos principais instrumentos de engajamento dos leigos na vida da Igreja. No século XX, alcançou milhões de membros e inspirou movimentos semelhantes em outros países. Assim, a Ação Católica Italiana, interessantemente, representa um dos pilares do processo que, décadas mais tarde, desembocaria nas discussões sobre a atuação dos leigos no Concílio Vaticano II. Processo que, em algum momento, tomou uma direção (oposta a da Ação Católica) e geradora de embates. 

Em meio ao regime de Mussolini, o Papa Pio XI viu na Ação Católica Italiana um verdadeiro instrumento da Providência. Incentivou pessoalmente os leigos, defendendo sua liberdade contra as investidas do fascismo. Em 1931, quando Mussolini dissolveu associações juvenis católicas, Pio XI reagiu com firmeza na encíclica Non abbiamo bisogno, denunciando o totalitarismo e reafirmando a missão da Igreja.

Com Pio XII, a Ação Católica ganhou novo impulso. Em plena Segunda Guerra Mundial e no período de reconstrução que se seguiu, o papa reforçou a importância da formação intelectual e cultural dos leigos. Sob sua liderança, o movimento atingiu seu auge, reunindo milhões de membros e exercendo grande influência na sociedade italiana.

Instigada pelo exemplo italiano, a Ação Católica foi incentivada também no Brasil em 1935, adotando como método de formação o “Ver, Julgar, Agir”, inspirado pelo padre belga Joseph Cardijn, fundador da Juventude Operária Católica. Cardijn defendia que os jovens trabalhadores fossem protagonistas na transformação da sociedade e, para isso, propôs um caminho pedagógico que partia da observação da realidade, passava pelo discernimento à luz da fé e culminava na ação concreta. Sem necessidade de salientar que o lema já está devidamente entranhado no manto cultural católico brasileiro.

No entanto, a atuação no Brasil revelou-se, em certa medida, deficiente. O clero brasileiro raramente demonstrou intenção de promover uma sólida formação intelectual dos leigos, preferindo concentrar esforços na criação de mão de obra pastoral, algo esperado dado o método de ensino aplicado. Apesar dessas limitações, algumas catedrais e paróquias mantiveram iniciativas relevantes, como o Círculo Tomista, um grupo de estudos inspirado diretamente na formação da Ação Católica Italiana.

Do Círculo Tomista, composto por homens e mulheres, surgiam grupos femininos dedicados à confecção de toalhas, alfaias e paramentos sacerdotais, todos bordados à mão, grupo conhecido como Ofício dos Tabernáculos. Essas mulheres recebiam formação constante em arte, estética e temas ligados à sagrada liturgia e à arte litúrgica. Por volta de 1950, ocorreu um dos últimos encontros voltados à formação desse grupo; dele nasceu um livro sobre vestes litúrgicas e paramentos, redigido pela irmã Maria Vasconcelos.

Esse material, tantas vezes desprezado na coleta de dados, fornece um panorama interessante do pensamento da época, um pensamento que já buscava certa mudança. O livro, de alta qualidade, mostra como o Brasil tinha bons leigos, instruídos e atuantes, mas também evidencia como ideias que podem parecer boas, na verdade, podem gerar maus frutos.

O relato no livro destaca a necessidade de formação e de afastar-se da falsidade no uso dos objetos sacros: a vela deve ser vela, a luz deve ser luz, o ouro deve ser ouro. Há uma forte insistência — uma boa insistência — de que é melhor ser simples do que ostentar algo que apenas parece ser mais do que é. Parece seda, mas não é; parece vela, mas não é; parece ouro, mas não é. Um ponto muito justo, mas que, inevitavelmente, traria seus reveses.

Seguindo o relato, o livro inicia uma surpreendente avaliação estética das casulas romana, gótica e, chocante para a época, a casula ampla. Talvez seja novidade para você, mas a casula ampla, hoje usada pelos padres, foi de difícil aceitação, pois era a mesma utilizada pelos ministros luteranos. O livro participa desse processo de formação de opinião em favor da casula ampla e, para isso, argumenta que a casula romana seria antiestética (!). Lembro: o livro é do início dos anos 50. Ao final, relata a dificuldade de abraçar algo tão característico de outra religião, mas ressalta que o significado de “abraçar a todos” deveria ser considerado e aceito como o melhor caminho.

O Ofício dos Tabernáculos deixou de existir assim que a casula foi trocada. Ou seja, aquele grupo não sabia, mas estava dando um tiro no próprio pé ao defender a casula ampla. Isso se explica facilmente: a casula ampla, como você já deve conhecer, é uma peça única com pouquíssima firmeza (e qualidade de tecido) para trabalhos de bordado manual, enquanto a casula romana e a gótica, embora menores, eram confeccionadas em tecidos apropriados para receber bordados. Pois bem, anos depois, o que temos é uma casula com impressões de máquina, e as mulheres e moças, bem formadas e dedicadas ao Ofício dos Tabernáculos, já não existem mais.

O que nos importa, nesta digressão, é coletar os sinais (visando o aprendizado) de que as sementes da mudança já se lançavam muitos anos antes e, o mais inquietante, em ciclos moldados pela influência de grupos ilustres que, conforme sugerem os textos, acabaram por se extraviar em algum ponto do percurso.






Assim, quando o Concílio aconteceu, já existiam várias frentes prontas para tomar novos rumos. Durante o Concílio, ocorreram discussões intensas e a votação foi extremamente acirrada. Participaram cerca de 2.000 padres conciliares: bispos, arcebispos, patriarcas e superiores religiosos da Igreja Romana (Latina) e das diversas Igrejas Orientais Católicas sui iuris (isto é, Igrejas particulares autônomas em plena comunhão com Roma, cada uma com sua própria tradição litúrgica e disciplina). Além deles, estiveram presentes observadores convidados como líderes protestantes, representantes de Igrejas ortodoxas, judeus e até figuras ligadas a grupos seculares, incluindo maçons. Esses convidados não tinham direito a voto, mas acompanharam os debates e contribuíram com opiniões. Dentro desse universo, o Colégio Cardinalício contava com aproximadamente 90 cardeais (não estavam todos presentes ao mesmo tempo). 

Diante da decisão de mudanças pastorais, mudanças litúrgicas, mudanças de linguagem e de diversas outras coisas ao mesmo tempo, alguns cardeais se opuseram. Entre eles, se destacaram como opositores às reformas: Alfredo Ottaviani, Giuseppe Siri e Ernesto Ruffini. Outros se tornaram defensores das mudanças, como Léon-Joseph Suenens, Julius Döpfner e Giacomo Lercaro. 

Para que você tenha uma ideia, caso não tenha consultado o acervo de publicações, livros e mídias da época, muitos relatam que o rito mudou de forma abrupta, quase da noite para o dia: em um dia seguia-se um rito, no seguinte já era outro, e todos tiveram que simplesmente se adaptar. Oficialmente, as reformas foram implementadas de forma gradual, mas na prática, em diversas comunidades, a transição foi sentida como brusca. Imagine o impacto na cabeça dos leigos e dos padres diante dessa transformação repentina, somada ao caos social que se vivia naquele período (como a construção do Muro de Berlim em 1961, a Crise dos Mísseis em Cuba em 1962, o assassinato de John F. Kennedy em 1963, o Regime militar no Brasil em 1964, a intensificação da Guerra do Vietnã a partir de 1964 e o  movimento em prol dos direitos civis nos EUA entre 1963–1965). 







Além disso, ocorreu uma espécie de “rádio corredor”. Como em todo lugar onde pessoas influentes decidem os rumos da vida de milhares de pessoas, existe uma rádio corredor e no Vaticano não é diferente. Enquanto as falas oficiais aconteciam, um cardeal conversava com outro... a rádio corredor funcionava a todo vapor. O resultado foi que muitas decisões acabaram sendo tomadas com base nesse ambiente paralelo, de onde surgiu a expressão “espírito do concílio”. É por isso que tantas coisas não aparecem nos documentos oficiais, mas são justificadas facilmente com a frase “espírito do concílio”. Essa dinâmica de movimentos paralelos que emergem durante e após um concílio já se verificara anteriormente, no Concílio de Constança, de onde brotou a teoria conciliar. Portanto, nada de novo debaixo do sol.

Dessa rádio corredor, elevada à condição de espírito, vieram várias diretrizes, algumas registradas de forma breve nos documentos oficiais. A mais curiosa está relacionada às imagens nas igrejas. Certamente você sabe que as igrejas mais antigas possuem altares dedicados a santos, altares laterais, muitos deles doados por fiéis. Pois a orientação era de que não deveria haver tantos altares e imagens, o que colocou padres do interior de diversos países diante de uma situação difícil: o que fazer com as imagens doadas pelos fiéis, muitas vezes presentes há décadas na igreja? A solução encontrada foi colocá-las dentro dos altares ou escondê-las em alguns espaços da própria igreja.

Isso mostra a dificuldade e o estado interior de muitos padres: precisavam obedecer à orientação (ou ao menos acreditavam que sim) e, ao mesmo tempo, carregavam em seus corações o peso de agir contra algo que não causava qualquer mal aos fiéis. Afinal, muitas dessas imagens eram sinais da devoção (de famílias inteiras) e fruto das doações voluntárias feitas por eles ao longo dos anos.

Entre os casos mais conhecidos esta o da Igreja de Nossa Senhora do Ó e Conceição, em Valença (Piauí), onde em 2019 foram encontradas imagens de Santa Teresa d’Ávila e Santo Antônio de Pádua escondidas dentro do altar durante uma reforma. Além desse caso documentado, existem relatos em comunidades do interior de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, bem como menções em países como Itália e Alemanha, de que imagens foram retiradas ou guardadas em sacristias e depósitos paroquiais devido as orientações conciliares.

Também começaram a ser impressos novos catecismos, não autorizados, com ensinamentos duvidosos, fato que pode ser rastreado em diversas iniciativas do próprio clero para tentar conter essa prática. 

No Brasil, o cenário era ainda mais conturbado: além das mudanças religiosas súbitas que atingiam os fiéis, o país vivia intensas agitações políticas. Neste ponto, cabe destacar um aspecto de importância radical: no Brasil, as tramas religiosas e políticas sempre estiveram fortemente entrelaçadas, de modo que reveses religiosos se vinculam, e sempre se vincularam, a reveses políticos. Isso se torna evidente na atuação da mídia, que frequentemente une, ainda hoje, de forma taxativa, questões de grupos religiosos a partidos e apoios políticos. Tal dinâmica está enraizada na própria trama cultural do Brasil.

Nesse contexto, os movimentos leigos ligados à tentativa de uma Ação Católica no Brasil acabaram se desfazendo, dando origem a pequenos grupos tradicionais, firmes e resolutos. O que permaneceu se transformou na atuação dos leigos por meio das pastorais (que será abordado em outro momento). 








Nos Estados Unidos, por sua vez, entre 1965 e 1985 cerca de 10 a 12 mil padres deixaram o ministério. Esse número, distribuído ao longo de duas décadas, representou um golpe significativo para um país que, à época, era majoritariamente protestante. Para se ter uma ideia da dimensão, considerando que os Estados Unidos possuem cerca de 190 dioceses, cada uma com em média de 100 a 150 padres, muitas delas ficaram seriamente desfalcadas, perdendo dezenas de sacerdotes em pouco tempo, numa crise vocacional que atingiu seu auge por volta de 1970.

Passados quase vinte anos do Concílio, depois de todos esses acontecimentos no mundo, ou seja, em 1988, Dom Lefebvre desejou sagrar bispos. Estando já próximo da morte, deixou também um livro chamado Orientações Espirituais, que é um testamento sacerdotal, visando mostrar a forma como o padre deve conduzir as almas. Do ponto de vista histórico, talvez seja o último material escrito na linguagem da Igreja anterior ao Concílio, quanto à catequese e ao ensino dos padres, tratando de tópicos de importância radical no ensino católico — o que, em si, já traz um valor histórico relevante. Confesso que, como professora, é um texto muito tocante. Ele traz também muitas falas que, para a época, devem ter soado exageradas, mas que, lidas no futuro, é fácil constatar que realmente aconteceram, e essa constatação é profundamente desconcertante.





À época, aqui no Brasil, os padres estavam seriamente tomados por um espírito de despojamento que, em muitos casos, ganhou proporções desmedidas. Em Piracicaba, por exemplo, o prédio da residência episcopal e da cúria diocesana, inaugurado em 1954, foi vendido em 1985. Com isso, toda a administração e os arquivos sacramentais tiveram de ser transferidos provisoriamente para anexos da Igreja São Benedito (uma capela, também com pouco cuidado), e só em 1997 foram reinstalados em outro espaço. Em São Paulo também houve alienações de imóveis ligados à cúria nesse período, dentro da mesma mentalidade de super desapego.

Esse movimento, "inspirado" (inventado aqui no Brasil, pelo clero brasileiro) pelo Concílio Vaticano II (1962–1965), buscava, na teoria, dar exemplo de simplicidade e proximidade com os fiéis. No entanto, trouxe consequências práticas sérias: os prédios da cúria são o centro administrativo da Igreja local, onde ficam arquivados livros de batismo e casamento desde a fundação das dioceses, documentos usados para a feitura de árvores genealógicas, dupla cidadania e outros trâmites eclesiásticos, históricos e sociais. Com a venda desses imóveis, esse material ficou sem a proteção adequada e fora de um espaço próprio para sua preservação. Foi também baseado nessa mentalidade que os templos católicos foram despojados, a ponto de tomarem ares hospitalares.

Após esse momento da sagração de 1988, muitas coisas aconteceram, incluindo outras separações que duram até hoje, todas movidas pelo mesmo tema: a autoridade dos padres e do Papa. Foi nesse contexto que nasceram grupos como a Fraternidade Sacerdotal São Pedro (1988), o Instituto Cristo Rei Sumo Sacerdote (1990), a Administração Apostólica São João Maria Vianney (2002) e o Instituto do Bom Pastor (2006). Todos eles se organizaram em torno da liturgia tradicional, mas buscaram manter comunhão com Roma, diferenciando-se da postura da FSSPX. 

O que nos importa, neste ponto da digressão, é perscrutar o estado dos ânimos e a variedade de acontecimentos pós-conciliares que foram solenemente relegados ao silêncio, numa atuação destinada a moldar a leitura histórica futura (isto é, a nossa leitura dos acontecimentos) como inteiramente benéfica, porém deficiente de uma visão geral.





Entramos, então, no segundo ponto. Muitos dizem que a atuação é similar à dos luteranos; no entanto, avaliando com a mente desprovida de inclinações por um ou outro grupo, não é isso que os levantamentos históricos apontam. Os grupos tradicionais pós‑1988 não se multiplicaram em movimentos independentes e descontrolados como os que surgiram após rebelião de 1517; ao contrário, eles buscaram manter conciliação com Roma, preservando a unidade eclesial mesmo com fortes e justas críticas aos caminhos eclesiásticos pós conciliares.

Lutero escreveu as 95 teses em 1517, que foram rapidamente utilizadas por nobres e burgueses como justificativa para deixar de pagar o dízimo à Igreja. A partir desse movimento, surgiram grupos em vários lugares independentes de Lutero, guiados pelo que se poderia chamar de “espírito das 95 teses”. Lutero tentou contê-los, inclusive de forma violenta.

A Igreja, por seu lado, leu as teses e constatou que mudanças deveriam ser feitas. Para aplicar e alinhar essas mudanças foi realizado o Concílio de Trento (1545–1563). Lutero foi convidado, mas não quis participar. Ou seja, a Igreja resolveu as demandas que ele apontou e, mesmo assim, ele não voltou.


No caso atual, além das divisões a favor do Papa e não contra o Papa, mesmo com aproximações esporádicas, houve momentos em que a Santa Sé chegou muito perto de oficializar a proposta de prelazia pessoal para a Fraternidade São Pio X. O Papa Bento XVI ofereceu essa possibilidade, e o Papa Francisco quase aceitou, deixando em suspenso a exigência imediata de adesão ao Concílio Vaticano II e à missa de Paulo VI. O que levou Francisco a cogitar esse “congelamento” foi sua simpatia pela ideia do caminho sinodal, fortemente influenciado pela visão administrativa alemã (e não, necessariamente visão moral, portanto, "meio alemã") de sinodalidade.


Peço que se atente as explicações que darei a seguir.





Esse modelo de sinodalidade permitiria, na prática, uma gestão eclesiástica regionalizada, em que cada diocese ou conjunto de dioceses poderia, por meio de sínodos locais com bispos, clero e leigos, definir diretrizes próprias. A unidade da Igreja, nesse esquema hipotético, seria espiritual, mas a disciplina e a prática pastoral poderiam variar conforme a localidade. É aqui que o exemplo dos Estados Unidos ajuda a compreender: assim como cada estado possui leis civis diferentes — e ninguém muito progressista se arrisca a propor algo no Texas, onde as normas são conservadoras —, dentro da Igreja seria possível haver dioceses com orientações distintas. Algumas poderiam manter práticas tradicionais, como a Fraternidade que rejeita o Concílio Vaticano II e a missa de Paulo VI; outras poderiam adotar diretrizes progressistas; e outras ainda conservar elementos de ambas.

Esse caminho sinodal "meio alemão" permitiria uma coisa positiva e outra negativa. A negativa seria que a unidade da Igreja se tornaria apenas aparente, pois, na prática, cada região seria dirigida por diretrizes e espíritos distintos. A positiva é que esse modelo de gestão possibilitaria que um padre com perfil conservador fosse transferido para uma diocese reconhecidamente conservadora, enquanto um padre com perfil progressista poderia ser encaminhado para uma diocese de mesma linha. Da mesma forma, os leigos teriam clareza sobre quais regiões possuem dioceses com diretrizes conservadoras ou progressistas, podendo escolher onde se inserir de acordo com suas convicções.

No entanto, o Papa Leão XIV retomou (quando realinhou a definição de sinodalidade) a exigência de aceitação integral do Concílio Vaticano II e da missa de Paulo VI como condição para qualquer reconhecimento da Fraternidade São Pio X. Com isso, a proposta de prelazia foi novamente bloqueada. Não se trata, portanto, do mesmo cenário vivido por Lutero, e é intrigante que tantas pessoas não percebam essa diferença. 

Ainda mais curioso é o fato de que as negociações avançaram durante o pontificado do Papa Francisco, guiadas justamente pela mentalidade sinodal "meio alemã", fruto do Concílio que a Fraternidade rejeita. Nesse contexto, pode-se considerar que, diante de articulações políticas, a Fraternidade tenha vislumbrado a oportunidade de se inserir mais fortemente na dinâmica da política eclesiástica, mantendo suas convicções e, ao mesmo tempo, ampliando sua influência. Tal possibilidade, evidentemente, não agradaria a muitos. Também vale observar que, pela leitura dos fatos, o Papa Francisco (apesar da simpatia a sinodalidade "meio alemã") centralizava a unidade na ligação com o Papa e somente isso. É fato que a Fraternidade deixou de se autodenominar sedevacantista, ou melhor dizendo, passou a corrigir mais fortemente quem assim a denominava quando começou a estabelecer uma troca de cartas com Roma. Já o Papa Leão (seguindo João Paulo II ou Bento XVI) acrescentou à unidade com o Papa a adesão ao Concílio e à Missa de Paulo VI, ampliando o leque de aceitação para manter a unidade.

O que nos interessa nessa articulação é a unidade (ou que achamos que é a unidade). Voltamos nossos olhos em busca de uma definição de unidade. Esta estaria fortemente embasada na adesão conciliar não dogmática, a qual, em algum momento futuro, poderia passar pelo crivo de um novo concílio? Afinal, é preciso distinguir: um Concílio Dogmático define verdades de fé e de moral que permanecem imutáveis, como Niceia ou Trento; já um Concílio Disciplinar trata de normas pastorais e litúrgicas, que podem ser revistas conforme as necessidades compreendidas pela Igreja, como é o caso do último concílio. 

Ainda é preciso refletir, com coração calmo e sensato, se o que temos hoje na Igreja, principalmente na atuação dos padres e dos bispos, pode ser chamado de unidade efetiva.


O que me leva ao terceiro ponto.







Nesse momento, vale visitar a situação na Alemanha. Em política eclesiástica, o quadro é sempre visto de forma ampla: uma peça tem sempre ligação com outra, mesmo que à primeira vista não pareça. Na Alemanha, existem bispos que estão realizando celebrações de casamento entre pessoas do mesmo sexo, utilizando a bênção concedida pelo Papa Francisco para transformar, na prática, esses momentos em cerimônias oficiais. É importante lembrar que tais atos já eram realizados antes de Francisco instituir essa bênção específica, considerada por muitos desnecessária, já que todas as pessoas podem receber a bênção comum que se dá a quem a solicita.

Muito bem, trata-se de uma desobediência que já conta com pelo menos quatro anos de cartas de correção, advertências, pedidos e outras tentativas de ajuste. No entanto, até agora não houve nenhuma excomunhão. Isso gera a pergunta justa de vocês: por que tanta distinção no tratamento? Ainda mais se considerarmos que se trata de um grupo abertamente escandaloso.

Bem, caso seu chá tenha acabado, sugiro que o reponha, pois a resposta é indigesta.


Apesar da explicação comum ser que, normalmente, eles não realizam um ato solene, abertamente desobediente, existe outra resposta que, em termos políticos, está mais próxima da realidade. A Alemanha é composta por dioceses ricas, e o Papa não exerce pleno poder na Alemanha.

Explico.



Quando o Papa escolhe um bispo para governar uma diocese na Alemanha, esse bispo passa a estar vinculado à diocese também na esfera civil. Ou seja, ele se liga juridicamente à catedral, às contas bancárias, aos imóveis e às ações (eles tem ações, você leu certo) como representante legal na esfera civil. Na prática, se o Papa quiser retirar um bispo alemão de sua diocese e o bispo se recusar, a Santa Sé precisará abrir um processo civil para efetivar a remoção, pois o Estado alemão entende a atuação do Papa como uma intervenção externa na esfera de poderes e cargos dentro da Alemanha. Dessa forma, o poder do Papa é limitado, e os bispos alemães têm plena consciência disso.

Isso se deve à própria estrutura política herdada do Sacro Império Romano-Germânico, onde muitos bispos eram também príncipes (Fürstbischöfe), governando territórios com poder civil e religioso. Esses bispos administravam bens, impostos e exerciam autoridade política, o que lhes conferia relativa independência em relação a Roma. Embora nem todos estivessem diretamente ligados à família imperial, sua posição como autoridades territoriais os tornava figuras de peso tanto na esfera espiritual quanto na civil. Essa tradição de autonomia eclesiástica, consolidada ao longo de séculos, deixou marcas profundas na Alemanha e ainda hoje pode ser rastreada como uma das bases históricas que motivam o caminho sinodal alemão, que defende maior autonomia das dioceses frente ao poder central da Santa Sé.

A autonomia foi abraçada pelo Papa Francisco, que deu impulso a essa dinâmica ao promover a sinodalidade fora dos moldes da Alemanha (com alguns ajustes “para não ultrapassar as fronteiras do evangelho”, mas mantendo as possibilidades de gestão local, portanto, uma sinodalidade "meio alemã"). Em seu pontificado, os bispos passaram a ter mais espaço para decisões locais e também mais possibilidades de simplificar processos antes fortemente centralizados em Roma. O ponto negativo, contudo, é que o caminho eclesiástico, antes supervisionado de forma mais direta pelo Vaticano, passou a depender mais da figura do bispo. Houve, portanto, uma descentralização em relação a Roma, mas também uma concentração maior de responsabilidades na esfera episcopal, o que alterou significativamente o equilíbrio de poder dentro da Igreja. O bispo é, de certa forma, o papa mais próximo.





Outro ponto importante é o da riqueza. Na Alemanha, a coleta do dízimo é feita pelo Estado. Isso significa que um cidadão que se declara católico em seus dados oficiais deve automaticamente contribuir com cerca de 8% a 9% do valor do imposto de renda devido, retirados diretamente junto ao imposto. Para não ter que doar, o cidadão precisa comparecer a um cartório e declarar formalmente que não é mais católico; a diocese, ao receber esse documento, procede ao desligamento da pessoa da comunidade. A partir desse momento, ela deixa de pertencer à comunidade e não tem mais direito de receber os sacramentos, como casamento, crisma e outros.

Eu sei que, para um brasileiro, essa conjuntura parece extremamente estranha, mas na Alemanha é assim. Ainda assim, ouso pensar que o não recebimento da comunhão seja algo difícil de monitorar com base no dízimo — e, de fato, eles não têm interesse em fazê-lo. Portanto, você que vive reclamando que é preciso pagar para casar, mesmo sem nunca ter contribuído com nada para a Igreja, deveria considerar que, ao menos, está no Brasil. Talvez seja mais sensato parar de reclamar.

Pois bem, continuando o relato: devido a essa coleta, as dioceses alemãs têm uma quantidade considerável de dinheiro entrando em suas contas, com frequência, sem necessidade de quermesse, pizza, porco no rolete e diversas outras coisas que os padres brasileiros precisam fazer para gerar renda e cobrir as diversas despesas.

Devido a todo esse dinheiro, a Alemanha banca sozinha pelo menos duas obras caritativas do Vaticano e também faz doações adicionais. 







O Vaticano, apesar de sua majestade, vive no vermelho. Segundo os últimos dados, o déficit anual gira em torno de 50 a 60 milhões de euros. Isso ocorre porque o Vaticano é essencialmente uma cidade administrativa e não arrecada impostos dos poucos moradores e lojistas que ali residem ou trabalham. A renda da Cidade do Vaticano vem dos ingressos nos museus, das lojinhas e do Óbolo de São Pedro. 

O Óbolo de São Pedro é a coleta realizada em todas as igrejas no dia da solenidade de São Pedro e São Paulo, destinada a sustentar as obras de caridade do Papa e a missão da Santa Sé. Os países que mais contribuem são os Estados Unidos, a Itália e o Brasil, seguidos por Coreia do Sul, Alemanha, França e Espanha. Com essas doações, é possível cobrir parte do déficit anual do Vaticano, embora os valores arrecadados não sejam suficientes para eliminar completamente o rombo financeiro. 

Portanto, em resumo: a Igreja Católica na Alemanha possui um peso financeiro expressivo dentro da Igreja mundial. O principal fator é o Kirchensteuer, o imposto religioso arrecadado pelo Estado, que garante bilhões de euros anuais às dioceses. Em 2019, esse sistema atingiu seu auge, com cerca de 6,76 bilhões de euros arrecadados. No entanto, desde então, os valores vêm caindo devido à saída massiva de fiéis e ao envelhecimento da população.

Mesmo assim, a Alemanha continua sendo uma das maiores financiadoras da ação global da Igreja. Em 2022, dioceses, ordens religiosas e agências alemãs destinaram aproximadamente 673 milhões de euros para projetos pastorais e sociais em diversos países. Desse montante, cerca de 425 milhões de euros vieram de doações diretas, enquanto 47,8 milhões de euros foram subsídios públicos para iniciativas de desenvolvimento e assistência emergencial.

Apesar dessa força financeira, a Igreja alemã enfrenta uma crise (obviamente). Em 2024, o número de católicos caiu para 19,7 milhões, menos de um quarto da população do país, e apenas 6,6% frequentam regularmente a missa dominical. Além disso, mais de 321 mil pessoas deixaram oficialmente a Igreja em 2024, o que impacta diretamente na arrecadação futura. Projeções indicam que algumas dioceses podem acumular déficits superiores a 100 milhões de euros até 2035.

A Igreja na Alemanha é hoje uma das mais ricas do mundo e sustenta grande parte da ação missionária e social da Igreja Católica. Porém, seu peso financeiro está ameaçado pela secularização (mundanização).







Então, é isso que sinalizo quando escrevo que um dos motivos que impedem sanções aos bispos alemães é que a Igreja na Alemanha é rica? Não, não só isso. Apesar da grande participação na contribuição financeira ao Vaticano, outros países poderiam suprir a falta com tranquilidade em caso de um novo cisma alemão. E nem mesmo toda a Alemanha seria cismática.

A questão é outra: como eles ainda têm dinheiro de sobra e em caso de excomunhão seria difícil retirá-los do cargo, eles teriam dinheiro para abrir seminários abertamente heréticos e crescer muito rapidamente. Entretanto, a forma de desobediência alemã tomou os ares da hipocrisia: eles desobedecem fingindo lealdade. Se o Papa os separar, eles podem facilmente (e ricamente) seguir sem o Papa, como quem diz "azar o seu".

A atitude deles é de puro escárnio, demonstrando obediência nas aparências, enquanto na prática desobedecem — e muitos padres brasileiros seguem o mesmo caminho, sabendo que contam com a proteção de certos cardeais do alto clero. Por isso, meus caros, é muito mais fácil emitir um decreto de excomunhão contra um grupo já desligado uma vez da Igreja (sem vínculo administrativo ou financeiro) do que contra os alemães. 

Um grupo ainda possui pouca influência política e financeira, tanto na maioria dos países quanto dentro da própria Igreja. Isso acontece, em geral, com os movimentos ligados à tradição, embora, no Brasil, esse cenário esteja se desenhando com traços curiosamente distintos, o que certamente poderá nos levar a novos cenários dentro da política eclesiástica.

Já o outro representa praticamente uma potência econômica, sustentada pelo sistema de arrecadação estatal alemão. Além disso, o Estado alemão garante proteção institucional ao cargo de bispo, assegurando sua posição e autoridade dentro da estrutura eclesiástica. Essa combinação de riqueza e respaldo estatal, somada ao entusiasmo de parte do clero pelo caminho sinodal, torna a Igreja na Alemanha muito mais difícil de ser sancionada.

O que nos importa, a esta altura, é reconhecer que esse assunto está para além da desobediência velada ou aberta de um ou de outro grupo. Ele se encontra no território da unidade, que pode ser afetiva, mas não é efetiva. E boa parte da Igreja está envolta nessa mesma trama. Importa-nos observar (dolorosamente) que talvez estejamos a assistir a uma unidade firmada sobre a premissa do fingimento.






Em resumo, é este o prisma de luz que tenho a apresentar, meus caros. Rezo a Deus para que, além de debates apaixonados, possamos nos firmar naquela esperteza das serpentes que tanto nos falta, a fim de permanecermos firmes e ancorados no Senhor, conscientes das tramas reais que direcionam a história da Igreja. No fim, mesmo que nossos olhos humanos e limitados não consigam perceber todo o desenlace histórico, a Providência sempre ordena tudo para o bem da Igreja, guiada pelo Espírito Santo.






¹Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)






Referências


ALEMANHA. Artigo 140 da Lei Fundamental da República Federal da Alemanha (Grundgesetz). Incorporação dos Artigos 136, 137, 138, 139 e 141 da Constituição de Weimar de 1919 sobre as Corporações de Direito Público (Körperschaft des öffentlichen Rechts). Berlim: Ministério Federal da Justiça, 1949 (atualizado). Disponível em: gesetze-im-internet.de.

ARQUIDIOCESE DE COLÔNIA (Erzbistum Köln). Relatório de Balanço Patrimonial e Ativos Financeiros da Arquidiocese. Colônia: Departamento de Finanças, 2015-2025. Disponível em: reuters.com.

BÄTZING, Georg. Germany's top bishop repeats call for female clergy. [Entrevista concedida à Revista Stern]. The Catholic Herald, Londres, 13 set. 2025. Disponível em: https://thecatholicherald.com/article/germanys-top-bishop-repeats-call-for-female-clergy.

BRASIL. Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890. Proíbe a intervenção da autoridade federal e estadual em matéria religiosa, consagra a plena liberdade de cultos e extingue o padroado. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1890. Disponível em: planalto.gov.br.

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Vade-mécum sobre as bênçãos litúrgicas e a salvaguarda dos sacramentos. Cidade do Vaticano: Santa Sé, 2026. Disponível em: vaticannews.va.

DICASTÉRIO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Decreto sobre a exclusividade do múnus da homilia na Celebração Eucarística. Cidade do Vaticano: Santa Sé, 2026. Disponível em: reuters.com.

ENCÍCLICA Non abbiamo bisogno. Pio XI. Roma: Santa Sé, 1931.

LEFEBVRE, Marcel. Orientações Espirituais. Écône: 1988.

ÓBOLO DE SÃO PEDRO. Relatório Anual de Arrecadação e Distribuição do Fundo Papal. Cidade do Vaticano: Secretaria para a Economia da Santa Sé, 2025. Disponível em: vaticannews.va.

SANTA SÉ. Decreto de Excomunhão latae sententiae por consagrações episcopais ilícitas em Écône. Cidade do Vaticano: Tribunal do Dicastério para a Doutrina da Fé, 2026. Disponível em: vaticannews.va.

THE CATHOLIC HERALD. Women's ordination, transgender ideology move forward at German Synodal Way. Arlington: Catholic Herald, 13 mar. 2023. Disponível em: https://www.catholicherald.com/article/global/womens-ordination-transgender-ideology-move-forward-at-german-synodal-way/.

VASCONELOS, Irmã Maria. Vestes litúrgicas e paramentos. Brasil, década de 1950.

VATICAN NEWS. Esclarecimento da Santa Sé sobre o "Caminho Sinodal" na Alemanha. Cidade do Vaticano: Dicastério para a Comunicação, 2022. Disponível em: vaticannews.va.
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