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Pelo Encorajamento da Ação Cultural e Social Católica

by - terça-feira, maio 21, 2019









A palavra encorajamento deriva da ideia de "dar coração" (do francês encourager, ligado a cœur, coração), significando infundir ânimo, força e disposição para agir. Já a palavra católica, proveniente do grego katholikós, significa "universal", aquilo que se dirige ao todo. Assim, o encorajamento da ação cultural e social católica pode ser entendido como o impulso dado às pessoas para que ajam no mundo de forma consciente, orientando sua atuação para a eudaimonia, a vida boa, que é, em suma, a vida virtuosa capaz de mover a sociedade em direção ao bom, ao belo e ao justo.


Falemos um pouco sobre o movimento que ficou conhecido como: Ação Católica.




A Ação Católica Italiana tem suas raízes na Società della Gioventù Cattolica Italiana, fundada em 1867 por Mario Fani e Giovanni Acquaderni, em meio às tensões da unificação nacional e à perda do poder temporal dos papas. Inicialmente voltada para a juventude, a associação buscava fortalecer a identidade católica e oferecer formação religiosa e social em sintonia com a hierarquia eclesiástica. O termo “Ação Católica” só se consolidou mais tarde, sobretudo no pontificado de Pio XI (1922–1939), quando foi definido como “participação dos leigos na ação hierárquica da Igreja”. Essa formulação marcou uma virada: o movimento era uma extensão da própria missão eclesial no mundo, os braços e as pernas da hierarquia eclesiástica.


A partir dessa definição, multiplicaram-se os setores voltados a diferentes públicos — juventude, mulheres, trabalhadores e universitários —, cada qual com programas específicos de formação e engajamento. Nas décadas de 1950 e 1960, especialmente no pós-guerra, a Ação Católica Italiana atingiu seu auge, reunindo milhões de membros e tornando-se uma das maiores organizações leigas do mundo. A Juventude Católica, por exemplo, chegou a ultrapassar os dois milhões de inscritos, mostrando a força do movimento na vida social e cultural italiana.





Mario Fani e Giovanni Acquaderni, reunidos na casa dos irmãos Malvezzi em Bolonha, desenvolveram o programa da nascente "Sociedade da Juventude Católica" (1868), posteriormente Ação Católica.





Um traço marcante da Ação Católica Italiana foi a presença de leigos celibatários, alguns consagrados formalmente, outros vivendo o celibato por opção pessoal. Entre os que assumiram votos públicos ou privados, destacam-se: Venerável Armida Barelli (1882–1952), que fez votos privados e cofundou o Instituto Secular das Missionárias da Realeza de Cristo, além de organizar a Gioventù Femminile; Venerável Giuseppe Lazzati (1909–1986), fundador do Instituto Secular Cristo Rei, que professou votos públicos e se tornou reitor da Universidade Católica de Milão; e Beato Pier Giorgio Frassati (1901–1925), que fez votos privados, foi membro ativo da Ação Católica e das Conferências Vicentinas, beatificado em 1990 e canonizado em 2025.

Já entre os que viveram em celibato sem documentação de votos encontram-se Luigi Gedda (1902–2000), médico e líder da juventude católica; Mario Fani (1845–1869) e Giovanni Acquaderni (1839–1922), fundadores da Gioventù Cattolica; e Igino Righetti (1903–1962), dirigente da FUCI e da Ação Católica.

O reconhecimento público dessas figuras foi realizado por meio de ruas, praças e escolas italianas que receberam seus nomes.






No Brasil, a Ação Católica foi oficialmente instituída em 1935 pelo cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, em sintonia com as orientações do Papa Pio XI, que havia incentivado os bispos brasileiros a mobilizarem os leigos diante da escassez de clero. O objetivo central era formar cristãos capazes de atuar como apóstolos no ambiente social, promovendo a cristianização da família e da sociedade. Inspirada nos estatutos da Ação Católica Italiana, a versão brasileira organizou-se em setores específicos: Homens da Ação Católica (HAC), Mulheres da Ação Católica (MAC), Juventude Masculina (JAC) e Juventude Feminina (JACF).

O movimento atraiu intelectuais e professores, entre eles Alceu Amoroso Lima (o Tristão de Athayde), que se tornou um dos principais divulgadores da Ação Católica. Contudo, com o tempo, parte dos líderes e intelectuais se afastou devido ao viés progressista que o movimento assumiu, especialmente após 1963.

O processo de reorganização da Igreja no Brasil, iniciado com a experiência da Ação Católica, acabou por preparar o terreno para a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1952. Embora a CNBB tenha herdado elementos organizativos e a ideia de mobilização social que vinham da Ação Católica, sua natureza é completamente distinta. Enquanto a Ação Católica tinha como missão central a formação de leigos militantes [relacionados ao termo "Igreja militante"], oriunda do anseio dos próprios leigos, diretamente engajados na vida social e cultural sob orientação da hierarquia, ou seja, uma ação que partiu de "baixo para cima" e que, posteriormente, tornou-se una em sua atuação, a CNBB nasceu como um organismo episcopal, uma ação de "cima para baixo", e assim se manteve, voltado para a coordenação nacional da ação pastoral da Igreja.

Essa mudança representou uma ruptura significativa. A CNBB assumiu a tarefa de articular dioceses e criar pastorais temáticas (juventude, saúde, terra, comunicação, entre outras), mas deixou de lado a formação sistemática dos leigos, que havia sido o coração da Ação Católica. O movimento que antes buscava formar apóstolos no cotidiano foi substituído por uma estrutura institucional de caráter mais administrativo e político-partidário.

Além disso, a CNBB rapidamente se tornou marcada por um viés progressista, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, quando se aproximou de pautas sociais e políticas em sintonia com a Teologia da Libertação, muitos com boa intenção, que fique aqui apontado. Esse perfil contrastava com o projeto original da Ação Católica, que visava fortalecer a identidade católica e a presença dos leigos na sociedade como braços cristãos da atuação clerical de evangelização. Não é exagero dizer que, no Brasil, a Ação Católica já nasceu um tanto corrompida, mais permeável às tensões ideológicas locais, e que a CNBB consolidou essa tensão ao assumir um papel institucional que deslocou o foco da formação leiga (que visa uma intervenção social puramente católica) para uma intervenção social político-partidária, ao menos até recentemente assim tem se comportado.


Em resumo: Houve uma mudança no modelo educacional de atuação dos leigos no Brasil. Antes, a inspiração era o foco em formar leigos para agir cristãmente no mundo; depois, o foco passou a ser a participação em estruturas pastorais e institucionais (muitas delas politicamente partidarizadas).

Surge então uma pergunta inevitável: quem assumiu, hoje, a função de formar os leigos?

Costuma-se dizer que a Igreja perdeu espaço na sociedade. Mas a questão é outra. Ao que parece, a Igreja, o clero, deixou de formar leigos capazes de ocupar espontaneamente esse espaço.

Se esse diagnóstico estiver correto e há bons motivos para acreditar que esteja, uma nova pergunta se impõe: quem está formando, agora, os leigos para atuar na vida pública de forma autenticamente cristã?



Voltemos...

Assim, a CNBB não é uma continuação da Ação Católica, mas um desenlace não muito feliz, pois o objetivo da Ação Católica era formar os leigos para uma ação social ordenada; no entanto, agora os leigos são usados como "mão de obra" para manter inúmeras pastorais com algum funcionamento.

Não espanta, portanto, que o Espírito Santo tenha de suprir essa defasagem suscitando o que deveria ter sido suscitado com a Ação Católica. Vale também salientar que a CNBB pode, se desejar, reverter com alguma facilidade esse quadro; basta realocar algumas atuações e alinhar alguns projetos (e mentalidades). Por exemplo:

  • A tão debatida Campanha da Fraternidade seria mais bem vivida no Tempo Comum, já que o Tempo Comum é o tempo em que recordamos o trabalho do Senhor entre nós. A Campanha da Fraternidade seria uma forma de articular formas católicas de atuação na vida comum. O tema sobre moradia, por exemplo, poderia ser melhor trabalhado no Tempo Comum, com uma semana de seminários, por exemplo, sobre o urbanismo, sobre a arquitetura das casas destoando do clima, sobre a opressão do mercado imobiliário, sobre patrimônio tombado que não é utilizado, sobre os patrimônios da Igreja que estão parados; enfim, poderíamos falar sobre muitas coisas. Já na Quaresma poderíamos falar da morada celeste e, ao entrar no Tempo Comum, estaríamos prontos para falar sobre a morada terrestre. Não é difícil.
  • Os materiais produzidos pela CNBB melhoraram, não posso deixar de dizer, mas ainda valorizam pouco os artistas sacros da história da Igreja e falam muito pouco sobre a virtude. Os temas e os textos são bem genéricos, o que não enriquece, o que é uma pena, já que muitas das eminências são teólogos fantásticos, mas suas reflexões nunca chegam até o povo.
  • Por fim, de modo geral, seria útil uma revisão e reafirmação de definições segundo a tradição e o Catecismo Católico, coisa perigosa de se fazer em alguns meios, mas necessária. A maioria das homilias vem com termos sem definição: amor, justiça, profecia... Percebemos claramente, como leigos, que essas palavras são usadas com outros significados; por isso, as homilias são fracas e ineficazes. Caberia, portanto, definir de forma católica esses termos, assim como acrescentar um glossário de termos aos textos produzidos usando a definição do catecismo. 
Não seria difícil mas é preciso uma forte e determinada boa vontade paternal.





No mais, mesmo que as eminências não façam ajustes visando o alinhamento educacional, ao que parece, o próprio Espírito Santo tem feito seus movimentos, usando os leigos como seus próprios braços e pernas, revivendo os saberes antigos e dos sábios em todos os cantos. Claro que mais inteligente seria se o clero se unisse à atuação tão evidente e clara do Espírito Santo. Também seria menos doloroso para os senhores e para o povo, afinal toda essa resistência gera um gasto de forças que os senhores já devem estar a sentir. 

Quanto aos leigos, rezo sempre para que cada um encontre seu caminho no Senhor e me sinto grata e feliz por participar da jornada de muitos de vocês, tanto aqui no Brasil como em outros lugares do mundo. Por aqui, desta professora, encontrarão sempre encorajamento; então, se se sentirem cansados, voltem aqui, descansem e se alimentem. O Senhor vê e valoriza o seu esforço em querer ser uma pessoa melhor, em querer ser um bom cristão. Não há nada de errado com isso; pelo contrário, você recebeu uma graça.


Lembrem-se: vocês podem ser melhores, vocês podem ser santos. Não tenham vergonha nem medo de seguir os saberes dos antigos e dos sábios. A Igreja, essa grande escola, tem como diretor o Espírito Santo. 





Professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)

























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