A Mulher Cristã: Beleza, Graça e Submissão
Esse conteúdo foi publicado pela primeira vez em 20 de abril de 2015, reajustado em 26 de junho de 2017 e, na presente data, 28 de setembro de 2022, novamente reorganizado. É uma alegria poder apresentar, ao longo dos anos, aprimoramentos que enriquecem o conteúdo.
“Quem sois? Sois mulheres e sois cristãs – dois nomes, dois títulos, duas auréolas. Como mulher, tendes um coração de ouro; como cristã, possuís o bem inestimável da Fé. Por isso, é tal o vosso poder, que Pierre l’Ermite julgou poder dizer-vos: ‘Ah! donzelas, se soubésseis a força para o bem que há numa só de vossas palavras quando realmente cristãs, num só de vossos olhares quando se iluminam dos pensamentos do além! … Ah! se o soubésseis como Joana d’Arc o sabia!’ – E deveis sabê-lo” (L’ERMITE, A Donzela Cristã, s.d.).
O Gênesis nos oferece uma clara medida do papel da mulher na Criação: foi criada para ser sinal da Beleza, da Graça e da Submissão. O diadema da criação recebeu uma glória especial, como explica São Paulo: “a glória de Deus é o homem, e a glória do homem é a mulher” (BÍBLIA SAGRADA, 1Cor 11,7). Essa glória a faz “mãe dos homens”, toda mulher é mãe em potencial e carrega em si a responsabilidade que lhe foi conferida.
Essa responsabilidade é descrita por Santo Tomás de Aquino, que afirma: “Deus tomou do coração do homem a substância com que devia formar a mulher. Não a tirou da cabeça, porque não é feita para domínio. Não a tirou dos pés, porque não é feita para escravidão ou desprezo. Tirou-a do coração, porque é feita para amar e ser amada” (AQUINO, Summa Theologica, s.d.). Assim, a mulher é chamada a ser sacrário vivo do Senhor e farol da Luz Divina.
Padre Baeteman complementa essa visão ao dizer: “Se o homem é a força que se impõe, a mulher é a autoridade que se faz amar. Sua influência nasce da própria natureza: mais doce, flexível, graciosa, com leveza no andar e dignidade no porte. Menos forte que o homem, mas superior por sua alma mais viva, mais inclinada à oração, à caridade e à esperança” (BAETEMAN, Donzela Cristã, s.d.). Dessa forma, compreendemos que a mulher, mesmo em sua aparente fragilidade, possui um poder espiritual e moral que a eleva.
É nesse contexto que surge a crítica ao feminismo. “O feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem a seus patrões, mas escravas quando ajudam seus maridos” (CHESTERTON, Educa-te, s.d.). Essa contradição revela como o movimento, propagado como bênção, pode se tornar maldição.
A tradição cristã mostra o contrário: São João Crisóstomo elogiava a coragem das mulheres na vida cristã (CRISÓSTOMO, Homilias, s.d.), e São Jerônimo exaltava discípulas que aprendiam línguas rapidamente (JERÔNIMO, Cartas, s.d.). Além disso, Lamy reforça: “As mulheres têm hoje o dever de combater aquilo que lhes combate as crenças. Resta-lhes utilizar, em proveito dessas crenças, a força imensa dos respeitos e dos desdéns, das admirações e das ironias, das palavras e dos silêncios que elas podem empregar pró ou contra uma doutrina” (LAMY, Donzela Católica, s.d.).
Assim, a mulher cristã é chamada não apenas a viver sua fé, mas também a defendê-la com coragem e firmeza, tornando-se protagonista na preservação da verdade.
Essa missão exige virtudes sólidas, entre elas a temperança. O Catecismo da Igreja Católica ensina: “A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados” (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, nº 1809, 1993). Santo Agostinho acrescenta: “Viver bem é amar a Deus de modo incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” (AGOSTINHO, De moribus Ecclesiae catholicae, s.d.).
Entre as virtudes anexas à temperança, destacam-se a continência, a clemência, a mansidão e a modéstia. Padre Scheeben afirma: “Aos filhos de Deus cumpre serem perfeitos como é perfeito o Pai Celeste, terem costumes divinos e reproduzirem a imagem de Deus em cada um de seus atos” (SCHEEBEN, Maravilhas da Graça Divina, s.d.). São João Crisóstomo resume: “Modéstia é um sinal de amor” (CRISÓSTOMO, Homilias, s.d.).
Por isso, São Paulo recomenda: “Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus” (BÍBLIA SAGRADA, 1Tm 2,9-10).
Referências
AGOSTINHO, Santo. Os costumes da Igreja Católica e os costumes dos maniqueus. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1999.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Tradução de vários autores. São Paulo: Edições Loyola, 2009-2012. 9 v.
BAETEMAN, José. Formação da Donzela. Tradução de Luís Leal Ferreira. Petrópolis: Vozes, 1958.
BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB. São Paulo: Paulus, 2002.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1993.
CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. Tradução de Almiro Pisetta. São Paulo: Ecclesiae, 2012.
CRISÓSTOMO, João. Homilias sobre o Evangelho de João. Tradução de Paulo Sérgio Lopes Gonçalves. São Paulo: Paulus, 2005.
JERÔNIMO, São. Cartas. Tradução de Frei Luís de León. São Paulo: Paulus, 2010.
LAMY, A. A Donzela Católica. Paris: Librairie Catholique, 1902.
L’ERMITE, Pierre. A Donzela Cristã. Paris: Librairie Catholique, 1898.
SCHEEBEN, Matthias Joseph. Maravilhas da Graça Divina. Tradução de Pe. José Pedro Galvão. Petrópolis: Vozes, 1955.

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