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Salus in Caritate

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Devocional 63 Da piedade para com os pais e a pátria (Segundo São Tomás de Aquino)
Retrato de uma Dama (em detalhe) por Rogier van der Weyden, 1460




Dentre as virtudes agregadas à Virtude Cardeal da Justiça a mais importante depois da Virtude da Religião é a Virtude da Piedade. 


A virtude da piedade é a que tem por objeto honrar e venerar aos pais e a pátria pelo grande benefício de nos terem dado a vida, conjuntamente com tudo o mais que a conserva e completa. 


Estes deveres são especialmente sagrados e obrigatórios. 

Depois dos deveres para com Deus, não existe outros mais sagrados. 


A piedade para com os pais impõem as seguintes obrigações: respeitá-los, obedecer-lhes enquanto se vive debaixo de sua autoridade e socorrê-los em necessidades. 


Já a piedade para com a pátria impõem a obrigação de reverenciar àqueles que a personificam e representam, obedecer às suas leis e sacrificar, se necessário, a vida por ela na guerra justa. 


Vale, caro leitor, fazer uma breve citação da piedade filial demonstrada nos contos de fadas, hoje tão desajustados de seu real objetivo educacional por questões ideológicas. Por exemplo: a Bela (de a Bela e a Fera), aceitou ficar no lugar do pai, ainda que este, dependendo da história abordada, não seja bom moralmente. Ela não foi sequestrada, ela escolheu ficar no lugar do pai por piedade filial. O mesmo fez Mulan, ela foi para a guerra, não para fazer afronta aos homens e tomar o lugar deles, foi por devoção filial, no lugar do pai idoso que não tinha filhos homens para cumprir a devoção para com a pátria. 


A devoção filial é retratada em contos de fadas para mostrar aos pequenos que existe uma regra no mundo, existe um coisa que devemos nos lembrar, mesmo que trilhemos caminhos diferentes dos nossos pais, nós devemos honrar a nossa linhagem que, muitas vezes apesar de seus erros e desvios, são pessoas que disseram um sim à vida e possibilitaram que, numa linha que se perde na história do mundo, nós pudéssemos estar aqui, nós somos o resultado do sim dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos bisavós, dos nossos tataravós e assim sucessivamente até o primeiro de nossa linhagem. A devoção filial nos faz honrar a Vida expressa no sim à vida dado por nossos antepassados, perdidos no curso da história, mas presentes no Plano Perfeito do Senhor.

Sempre me lembro da família do Senhor... 

Vemos mulheres com marcas de atos reprováveis: Tamar, coabitou com o seu próprio sogro Judá e gerou dele dois filhos gêmeos Farés e Zara; Raabe era prostituta em Jericó; Rute era moabita e Bate-Seba, mãe de Salomão, adulterou com Davi. Talvez alguns não citariam pessoas assim de sua família, mas os textos sagrados mantiveram-nas para mostrar o poder da Redenção e da Misericórdia. 

Também vemos homens cuja vida foi marcada pela mentira. Os patriarcas mencionados, Abraão, Isaac e Jacó tiveram momentos de fraqueza na área da mentira. Eles não só se omitiram, mas esconderam a verdade e inverteram os fatos com medo de sofrerem com as consequências de seus atos. Esses atos não foram apagados de suas vidas pois o Senhor é poderoso para usar os instrumentos mais fracos e inúteis, pois isso, inclusive, serve para mostrar o Seu Poder e Misericórdia.


Além disso vemos homens cuja vida há marcas de violência. Davi, tinha as mãos cheias de sangue. Roboão governou Judá com truculência. O rei Acaz queimou seus filhos, perseguiu seu próprio povo e cerrou ao meio o profeta Isaías. Manassés foi muito violento, ele encheu Jerusalém de sangue. Poucos listariam entre seus parentes pessoas que cometeram crimes, não é mesmo? Mas desta linhagem marcada com sangue, saiu Aquele que deu todo o Seu Sangue por nós e que incitou a sermos violentos para entrarmos no Céu. Aprendemos com o Senhor a tornar as marcas históricas que "herdamos" em redenção e purificação para nós e para os outros. 


Outros ainda eram idolatras, ou seja, colocaram as coisas do mundo ou a si mesmos no lugar de Deus. Salomão, por causa de suas muitas mulheres, sucumbiu à idolatria. Roboão, fez um bezerro de ouro e construiu novos templos em Israel para desviar o povo de Deus. Acaz fechou a casa de Deus e encheu Jerusalém de ídolos abomináveis. Manassés foi astrólogo, idólatra e feiticeiro, levantou altares pagãos. Vemos assim exemplos de rebeldia na família do Senhor Jesus, pessoas desobedientes. Mas Ele veio como o Grande Obediente, Aquele que se responsabiliza pelos outros (a obediência não gera irresponsabilidade). 

Agora é a nossa chance de sermos sinais de obediência ao Pai Celestial em nossas famílias. 


Acredito que você tenha entendido a extensão do que desejo lhe dizer. Você pode ser descendente de pessoas ilustres, boas e até santas; mas pode, assim como eu, ter uma linhagem problemática. Talvez existam assassinos, ladrões, corruptos, rebeldes, mentirosos, violentos, viciados em sua família, talvez isso seja uma realidade bem próxima... talvez você tenha medo de replicar isso, talvez já tenha replicado. Mas a virtude da devoção filial nos faz viver melhor a verdade da redenção extensa e profunda, integral, como diz o Papa Bento XVI. Ele também tinha uma linhagem problemática... você já parou para pensar que em Belém a maioria era da família de Davi? Boa parte da cidade era parente de São José, parentes próximos, irmãos de sangue, primos... ninguém o recebeu, ninguém recebeu o primogênito da linhagem de Davi e o Seu Menino, que seria o Rei dos Reis.

Talvez esta seja uma das grandes virtudes desse tempo, uma virtude que incorpora tudo que muitos desejam que já não exista mais.


A devoção filial se desdobra na devoção à pátria, à terra em que nascemos. Cada país tem uma vocação, que é demonstrada pelos seus traços históricos, cada país tem um papel no Plano Perfeito do Senhor, então se você nasceu brasileiro tenha certeza que Deus quis, para o nosso bem, que nascêssemos aqui. Este país é a nossa casa no mundo, a história deste país é também a nossa história, devemos lembrarmo-nos daqueles que por ela lutaram com fé e verdade. Nós temos uma responsabilidade radical de, enobrecendo e convertendo a nossa vida, fazer a nossa parcela no enobrecimento e conversão deste país. Nós nascemos para sermos santos e se nascemos aqui, nascemos para sermos santos brasileiros, para que através da nossa jornada ao Eterno aconteça os passos da santificação de uma nação. Para isso é importante não perdermos de vista a história verdadeira do nosso povo, a vocação católica deste país que é a terra da Vera Cruz. 





Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino



ORAÇÃO À SANTA TERESINHA PARA
ALCANÇAR A PAZ NA FAMÍLIA


Ó Santa Teresinha, anjo tutelar da família cristã, vós que fostes o raio de sol e o sorriso de vossa família, dignai-vos acolher debaixo de vossa proteção, a minha família que ardentemente recomendo à vossa Bondade. Que a paz, o sossego da família alegre também a minha com a reprodução de todo o bem e de todas as virtudes de que a vossa foi verdadeiro santuário. Que o nome de Deus seja adorado e bendito em minha casa; que a sua santa lei e os preceitos de sua Igreja sejam perfeitamente observados por todos e por cada um. Afastai de minha casa o pecado e o espírito de vaidade e de dissipação do mundo. Longe de minha casa seja a irreverência, a desconfiança, o ciúme, a inveja, o ódio, as desgraças, os males todos; só reine sobre nós a abundância do amor, da caridade, mútua compaixão e do bem. Ó milagrosa Santinha, delícia dos vossos pais, santo orgulho de toda a vossa família, pelo amor terníssimo que tivestes aos autores dos vossos dias e a todos os vossos queridos, abençoai a minha família; que o bom exemplo e a virtude desçam do céu sobre aqueles que são obrigados a obedecer, a fim de que se transformem em obediência e respeito para com aqueles que tem a responsabilidade do lar. Que na vossa proteção e na vossa devoção seja esta família uma no amor, no pensamento e na ação, para ser uma na felicidade da terra e na bem-aventurança eterna do céu. Assim seja!.



Consagração do Brasil e oração do voto nacional


Vimos a Vós, ó Coração Sagrado de Jesus, depois de nossa fraquezas e infidelidades; abri-nos os tesouros de Vossa Misericórdia infinita. O Sangue que correu de Vossas Chagas resgatou o mundo; permita que uma gota desse Sangue Divino, por seu poder expiatório, resgate  ainda uma vez este Brasil a que tantas provas de amor tendes dado, e que venha ele a reconhecer seus grandes erros, contando em cada um do seus filhos um verdadeiro cristão.

Esquecei nossas ingratidões, para lembrar-vos unicamente que Vossa Cruz foi o primeiro sinal de civilização e de possa plantado em nossa Pátria. 

Coração adorável de nosso Deus, em nome da nação brasileira Vos imploramos: concedei-lhe Vosso amor, Vossa benção e dignai-vos salvá-la. Amém. 





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Devocional 62 Dos Vícios Opostos à Virtude da Religião (superstição e adivinhação) e da Irreligião (tentar a Deus, perjúrio e sacrilégio)




Os vícios que se opõem a virtude da religiosidade são de duas classes:

- uns são opostos por excesso e chamam-se superstição

- outros são por defeito e são chamados de irreligião


Entendemos por superstição uma aglomeração de vícios que consiste em dar a Deus um culto indigno Dele ou em dar às criaturas o que só a Deus pertence. O motivo mais frequente deste pecado é o desejo imoderado em conhecer o oculto, o secreto e o futuro que leva os homens a se entregarem às práticas de adivinhação e de observâncias. 


A irreligião abrange dois excessos:

- ver com indiferença ou desdém o que se refere ao culto e serviço de Deus;

- abster-se inteiramente de praticar atos de religião.


Este último se reveste de especial gravidade, visto que supõe desprezo ou esquecimento desdenhoso Daquele a quem todos os homens estão obrigados a servir e honrar. 

Este vício se propaga, atualmente, pelo laicismo.


Entendemos como laicismo o ato de pôr Deus completamente a parte, perseguindo-o e tratando de expulsá-lo de toda a parte, a Ele, Dono e Senhor de tudo quanto existe, ou organizando a vida social, familiar e individual, como se Ele não existisse. 

O grande pecado do laicismo consiste no ódio e fanatismo sectário ou também de uma espécie de entorpecimento e estupidez moral e intelectual que cega sobre tudo o que se refere ao sobrenatural e ao metafisico. 

Temos obrigação de nos opor energicamente contra o laicismo. 


Outros vícios que abrangem o ato de irreligião é o perjúrio (falso juramento), o tentar a Deus, o sacrilégio (profanar lugares, objetos ou pessoas sagradas) e a simonia (compra e venda de coisas espirituais ou cargos eclesiásticos). 


Tentar a Deus é um pecado contra a virtude da religião, pois sem respeito a Majestade Divina, pedem e exigem a intervenção de Deus como que pondo a prova a sua onipotência. Também tentamos a Deus quando confiamos em seu auxilio sem fazer o que podemos e devemos fazer. 

Perjúrio é um pecado contra a virtude da religião pois é apelar com falsidade para o testemunho divino, também é perjúrio o dizer de forma irrefletida o Santo Nome de Deus. 

O sacrilégio (atentar contra lugares, coisas e pessoas sagradas) é atentar contra o próprio Deus, aos sacrílegos se reserva os mais severos castigos, ainda neste mundo. 

Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás


Não te lembres das nossas iniquidades passadas; apressa-te e antecipem-se-nos as tuas misericórdias, pois estamos muito abatidos.
Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos e perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome.

Salmo 75 

Ato meditativo: reze sobre os pontos em negrito ou algum outro que tenha lhe chamado a atenção. 

Resolução: peça a Deus a graça de crescer nesta virtude excelsa, mas também faça boas resoluções sobre isso: o que você pode fazer para melhorar o ato de devoção e oração? 




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Comentário católico do Livro de Jó
Pintura: Livro de Jó, William Black


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Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui. 

Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto  2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui). 



I- Introdução


A história se passa numa terra obscura e distante de Israel, chamada Uz. O personagem principal, Jó, não é Israelita. 

Uz é por vezes identificada com o reino de Edom (país dos descendentes de Esaú (edomitas), que era irmão de Jacó (Israel), Esaú trocou a primogenitura por um prato de lentilhas), aproximadamente na área da moderna Jordânia sudoeste e sul de Israel. Conforme indicado em Lamentações 4,21 que diz:. "Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz".

Portanto, Jó não era israelita, era edomita. Segundo Gênesis 36,33 estes são os reis que reinaram em Edom (aparentemente um reinado eletivo): 

- primeiro foi Balaque, filho de Beor, e sua capital chamava-se Denaba,
- depois de Balaque, reinou Jobabe, que depois se chamou Job (Jó),
- depois deste Husam (Asom), que foi chefe da região de Temã; 
- depois dele, Adade filho de Barade, que foi o que derrotou os Midianitas (ou madianitas, descendentes de  Midiã filho de Abrãao e sua segunda esposa Quetura, desposada após a morte de Sara) no campo de Moabe, e sua capital chamava-se Getaim (Gn 36,31-35). 

Assim Jó era  descendendo em quinto grau de Abraão (no ramo de Esaú e não do de Jacó). 

Os amigos que foram  visitar Jó eram: 
- Elifaz de Temã (descendente de Esaú, talvez o mais importante dos visitantes, por, talvez, ser o mais idoso; ele fala primeiro e seus discursos são mais extensos, isso demonstra abertura de autoridade);
- Bildade de Suá, soberano dos saqueus (descendente de Suá, que foi também um dos filhos que Abrãao gerou com Quetura, o filho caçula)
- Zofar de Naamã, rei dos mineus (O Reino de Main ficava no Iêmem (400 a 200 a.c) e depois foi conquistado pelo Reino de Sabá). 


Jó aborda a questão da teodiceia — a justificação da justiça de Deus à luz do sofrimento da humanidade — e é uma rica obra teológica que apresenta diversas perspectivas sobre a questão. O texto tem sido amplamente elogiado por suas qualidades. Alfred Tennyson (laureado poeta inglês) chamou-o de "o maior poema dos tempos antigos e modernos".


E o autor, que é anônimo, não situa a história em nenhum período específico da história antiga. O que parece ser intencional. 


II- Estrutura


O livro de Jó tem uma esquematização literária bem clara. Ele começa e termina com um curto prólogo narrativo e depois com um epílogo. E a parte central do livro é um denso poema hebraico representando conversas entre Jó e seus 4 parceiros de diálogo.

Essas conversas são então concluídas por uma série de discursos poéticos de Deus para Jó. 

1- Primeira Parte


O prólogo nos apresenta Jó. É um homem justo que honra a Deus. E então, de repente, somos levados para o Reino Celestial onde Deus está numa espécie de "reunião". É uma  imagem comum no Antigo Testamento, descrevendo como Deus governa o mundo (Santa Brígida viu várias "reuniões" como essas sobre diversos assuntos).

E entre essas criaturas celestiais está uma figura chamada de "Satan", que em hebraico significa "O  acusador", ou "O promotor". Ou seja, é uma reunião que parece um  espécie de julgamento.

Deus mesmo apresenta Jó como esse homem verdadeiramente justo! E então o acusador desafia  a  política de Deus de recompensar pessoas justas como Jó, ele diz que a única razão que faz com que Jó obedeça a Deus é porque Ele o abençoa de forma próspera. Satan propõe que o Senhor deixe Jó sofrer e então Ele veria que Jó não era tão bom assim. Deus concorda em deixar o Acusador aflingir Jó com sofrimento, com várias ressalvas sobre não lhe atentar contra a vida. Ou seja, Deus mediu a porção do sofrimento.

Esse é o ponto da história em que a maioria de nós se vê inquieto: Deus permitiu o sofrimento, Deus permitiu a dor, a angústia e ainda... permitiu que um justo sofresse. Muitos podem se perguntar "mas como?", "por quê?"; e ao lermos o livro, essa questão não é respondida. Nada no livro responde a essa questão. Passamos por um reajuste que nos leva às verdadeiras questões que o livro intenta responder, que são: sobre a justiça de Deus e a nossa visão sobre os planos da Providência. São essas as questões que o livro responde. 

A principal razão para o sofrimento de Jó simplesmente nunca é revelada. No entanto, ao fazermos a leitura seguindo o ensinamento da Igreja lembramos facilmente das feridas do pecado original (a ignorância, a doença e a morte, a concupiscência) e que após a queda do homem o sofrimento se tornou parte inerente da existência humana. Relembremos o Catecismo da Igreja:

Além da Graça Santificante, Deus concedeu aos nossos primeiros pais outros dons, chamados "preternaturais", quais sejam:

 - a integridade, isto é, a perfeita sujeição dos sentidos à razão; 
- a imunidade a todas as dores e doenças, 
- a imortalidade do corpo; 
- a ciência infusa proporcional ao seu estado.

Quando o pecado entrou no mundo perderam-se os dons preternaturais e em seu lugar surgem as feridas do pecado original: a ignorância, a morte, a concupiscência (os sentidos não são submissos à razão). 

Dessa escravidão - do pecado - veio nos resgatar Nosso Senhor Jesus Cristo que é a Verdade - remédio da ignorância, Vida - que nos resgatou das garras da morte eterna, Caminho - de virtudes que nos afasta da trilha animalesca da escravidão dos sentidos.

Catecismo Essencial, 1987 



Então o prólogo é concluído com um Jó aturdido e em sofrimento, que perde tudo e depois é abordado por 3 amigos que tentarão prover sabedoria e conselho. Eles são todos não-israelenses, como Jó, como já vimos. E eles representam o melhor do pensamento antigo oriental sobre Deus e o sofrimento na condição humana. 


comentário católico ao livro de jó
Pintura: Satan ferindo Jó, William Black




2- Segunda Parte



Todos os debates que se seguem estão focados em 3 questões: "Deus é realmente justo em seu caráter?" e  "Deus realmente governa o universo de acordo com  princípios de justiça?" E se sim, então "como o sofrimento de Jó, que é justo, é explicado?". O raciocínio é  sempre: "se você é sábio, uma boa pessoa e honra a Deus, coisas boas irão acontecer com você. Deus irá recompensá-lo. Mas se você é mal e estúpido e faz coisas pecaminosas, coisas más irão acontecer com você. Deus irá lhe punir."

Lembrando que a definição de Justiça, dentro da Doutrina Católica, é: “a justiça é uma constante e perpétua vontade de dar a cada um o seu direito” (São Tomás de Aquino)

No entanto, a argumentação constante de Jó nos seus discursos é: primeiramente, que ele é inocente, a implicação disso é que seu sofrimento não é uma punição divina. Nós sabemos pelo prólogo, que essas coisas são verdade, Deus mesmo disse que Jó era justo e sem culpa, então, por fim, Jó conclui seu argumento acusando a Deus. Gerando duas possibilidades: ou Deus não governa o mundo de acordo com Sua justiça, ou pior, o próprio Deus é simplesmente injusto!

Os amigos, por outro lado, discordam veementemente. O argumento deles é de que Deus é justo. Deus sempre governa o mundo de acordo com Sua justiça, e dessa maneira, eles concluem não acusando Deus, mas acusando Jó. Jó deve ter feito algo muito, muito ruim para Deus e Ele lhe puniu a falta. 

Jó discorda em absoluto e continua dizendo que é justo, que é capaz de se apresentar diante de Deus e atestar que é justo. E é isso o que ele faz, ele leva o seu sofrimento a Deus. 


Vale lembrar que Jó está em um emaranhado de emoções nesses poemas. Ele costumava pensar que Deus era justo, mas agora ele não consegue conciliar isso com o fato de estar sofrendo. E isso faz com ele, num impulso, acuse Deus, ele diz até mesmo que Deus orquestra toda a injustiça no mundo! Mas no mesmo momento que ele solta esse pensamento, ele fica aterrorizado com isso porque ele quer acreditar e ter esperança de que Deus é verdadeiramente justo. Ele novamente se declara inocente e pede a Deus que se explique. 

Nesse momento surge um amigo surpresa: Elihu, o Buzita. Elihú significa "Meu Deus É Ele". Ele não é israelita, mas tem um nome hebreu, é jovem e tinha se mantido em silêncio por conta de sua pouca idade. E Elihu tem a mesma idéia que os amigos de Jó, ele argumenta que Deus é justo, isso encadeia a idéia de que Deus sempre opera no universo de acordo com Sua justiça, mas a sua conclusão é mais sofisticada sobre a razão das pessoas boas sofrerem. Ele diz que pode não ser pelos pecados que foram cometidos, Deus pode inflingir sofrimento como um aviso para alertar as pessoas a evitarem pecado no futuro ou Deus pode usar a dor e o sofrimento para construir caráter ou para ensinar as pessoas lições valiosas. Elihu não reivindica saber o porque Jó está sofrendo, mas de uma coisa ele está certo: Jó está errado em acusar Deus de ser injusto. Jó nem mesmo responde a Elihu, e o diálogo chega ao fim. A sabedoria dos Anciões parece ter se acabado e o mistério permanece. 


5- Terceira Parte


Deus então responde, Ele aparece em uma tempestade e começa a questionar Jó sobre a forma de governar o universo. 

Primeiro Ele responde a acusação de Jó de que Ele é injusto e incompetente em governar o universo. Ele faz isso como que levando Jó a ver as realidades mais amplas do Universo e começa a fazer várias 
perguntas sobre a ordem e a origem dos cosmos. Estava Jó por perto quando Deus arquitetou a Terra e organizou as constelações? Havia Jó comandado o nascer do sol ou controlado o tempo? Deus tem um olhar atento sobre todos esses detalhes cósmicos que Jó nem sequer podia conceber. E o Senhor ainda continua descrevendo detalhadamente os hábitos de pastar das cabras da montanha ou como o cervo dá a luz, ou o padrão de alimentação dos leões e dos burros selvagens. 

Mas qual é a intenção do Coração Divino ao fazer essas perguntas? Deus quer mostrar que a suposição de Jó e de seus amigos sobre a forma dEle governar o universo carece de uma perspectiva mais ampla de existência. Ele faz isso para desconstruir todas essas suposições ditas nos capítulos anteriores.

Primeiramente, mostra que o universo é um lugar vasto e complexo, e que Deus tem um olhar atento sobre absolutamente tudo -- em cada detalhe. Jó, por outro lado, tem apenas o pequeno horizonte de sua experiência de vida, sua visão de mundo é muito limitada, e o que parece ser injustiça divina do ponto de vista de Jó precisa ser visto em um contexto infinitamente mais amplo. Jó simplesmente não está em uma posição que lhe favoreça fazer tamanhas acusações contra Deus. Após o Seu discurso educativo o Senhor pergunta a Jó se ele gostaria de governar o mundo por um dia de acordo com os princípios de justiça que Jó e seus amigos presumem serem os mais corretos.

Deus quer mostrar a complexidade do universo e também a complexidade de seus desígnios que criou o cosmos. Ele mostra que nós não somos capazes de abarcar as suas motivações. 

O Senhor começa a descrever, curiosamente, duas criaturas fantásticas: Behemoth e Leviathan, que algumas pessoas pensam que são representações poéticas de um hipopótamo e um crocodilo. É provável que elas se refiram a criaturas bem conhecidas da mitologia do antigo oriente e que são usadas em outros lugares da Bíblia como símbolos da desordem e do perigo que existe no bom mundo de Deus. Mas Deus não fala que elas são más, pelo contrário parece estar bem feliz por tê-las criado. Portanto, não são más, mas também não são seguras. O mundo de Deus tem ordem e beleza, mas também é selvagem e algumas vezes perigoso, como essas duas criaturas fantásticas. 

E então nós voltamos a grande questão sobre o sofrimento de Jó. Existe sofrimento no mundo - seja por terremotos ou animais selvagens ou outros humanos - é a herança do pecado original que alterou toda a ordem da criação pelo rebaixamento da cabeça da criação, o homem.

No livro de Jó, Deus nos ensina a perceber que o mundo e nossa natureza não estão mais arquitetado para evitar o sofrimento, mesmo na vida do justo ele acontecerá. E essa é a resposta de Deus. Ele pede a Jó que ele confie em Sua sabedoria e Seu caráter. E então, Jó responde com humildade e arrependimento. Ele pede perdão por acusar Deus e reconhece que falou do que não entendia. 

Mas, de repente, o livro concluí com um curto epílogo.

Primeiro, Deus diz que os amigos estavam errados (exceto Elihu, ele não foi corrigido, provavelmente porque a conclusão dele era mais próxima da verdade), que as suas ideias sobre a justiça de Deus eram apenas simples demais - não eram verdadeiras na profundidade da sabedoria de Deus e de sua ação no mundo.

E, surpreendentemente, Deus diz que Jó falou corretamente sobre Ele! Isso é surpreendente porque não se aplica a tudo o que Jó falou sobre Deus. Nós vimos que Jó tirou conclusões precipitadas e erradas, mas Deus, ainda assim, aprova a luta de Jó, ele foi honestamente diante de Deus com toda sua dor. E Deus diz que esse é o jeito certo de proceder: com luta e da oração.

O livro conclui com Jó tendo sua saúde, sua família, sua riqueza, tudo restaurado - não como uma recompensa por bom comportamento, mas simplesmente como um presente generoso de Deus. E esse é o final do livro. O livro de Jó não resolve o a questão do motivo que coisas ruins acontecem com pessoas boas, o livro nos convida a confiar na sabedoria de Deus em meio aos sofrimento e a desilusão, ao invés de tentar descobrir a razão e os motivos dos acontecimentos. Quando nós procuramos pelas razões, nós tendemos a simplificar Deus - como os amigos - ou ainda como Jó podemos acusar Deus nos baseando somente em nossa visão limitada da realidade. 

Confiar que Deus realmente se importa e que Ele sabe o que está fazendo, tudo visando o nosso resgate das feridas do pecado original, que existem até mesmo nos justos, é sobre isso que o livro fala.


III- Job imago Christi et exemplum virtutis¹


"Job, este homem dotado de tantas virtudes admiráveis, que se conhecia a
si mesmo e a Deus. Mas teria permanecido desconhecido para nós, se não
tivesse sido ferido e posto à prova... Do mesmo modo que um perfume não
se pode cheirar ao longe se não for agitado ou o incenso não espalha o seu
aroma se não for queimado, assim também o perfume da virtude dos santos
só se espalha por meio das tribulações"


(GREGÓRIO MAGNO, Moralia in Job, prefácio).

Durante muitos anos Orígenes não teve seguidores que se afoitassem a comentar o Livro de Job. Temos de esperar pela segunda metade do século IV para podermos ler as homilias sobre Job, de Hilário de Poitiers. 


De fato, a partir dos inícios do século IV, a tendência, que já vinha de trás, para considerar sobretudo as virtudes de Job, propondo-o como modelo de edificação moral, é cada vez mais notada.


Metódio de Olimpo, entre os séculos III e IV, consagrara definitivamente a metáfora atlética aplicada a Job, para expressar a condição humana, mormente sob a experiência da dor, e exortar à sua superação. A mesma metáfora será reutilizada por outros autores, como Dídimo o Cego, de quem temos um comentário ao Livro de Job (restituído pelos papiros de Tura, apenas até ao capítulo 17). Neste, Job é proposto como modelo de coragem, suportação e submissão à vontade de Deus, verdadeiro “atleta”, e exemplo de testemunho prático da ressurreição. Em Dídimo encontramos também já o paralelo Eva-Adão; Diabo-Job (2,9), e a identificação da Serpente de Gn com o Diabo, ideia já consumada no século IV. O Pseudo Ambrósio ou Ambrosiaster (Quaestio 118 de Job) segue a mesma exegese, revisitando Job como modelo dos cristãos nas suas lutas contra a tentação do Diabo (9-10). O ilustre patriarca bíblico personifica todo o género humano enganado pelo Diabo e Eva (Job enganado pelo Diabo por meio da 
sua mulher, 8). Ideia que Agostinho fará sua.


Agora o herói bíblico é reproposto como o homem de fé e virtude a toda a prova. Cirilo de Jerusalém (segunda metade do século IV), na catequese sobre o Credo, recorda Job como o homem sábio que se mantém na fé reta, sem blasfémia: "Os hereges tiveram o desplante de blasfemar contra Deus que nos profetas se mostrou todo-poderoso. Tu, adora um só Deus omnipotente, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foge do erro... foge de toda a heresia e diz como Job: Rogarei ao Senhor todo-poderoso, que fez coisas grandes e insondáveis, gloriosas e admiráveis, que não têm número" (Jó 5,8-9).


A partir dos finais do século IV e no século v, num tempo em que os cristãos já não são perseguidos, assistimos, por um lado, a esta transferência do adversário real (mundo hostil que persegue) para o adversário simbólico (Diabo, Tentador), ao mesmo tempo que se verifica um processo paralelo de “santificação” de Job (Capadócios). É o que encontramos nos grandes comentários de Ambrósio, Crisóstomo, Agostinho e sobretudo Gregório Magno. Mas já S. Leão Magno, nos seus Sermões se refere frequentemente à figura do Beatus Job, para mostrar que homem algum pode escapar à experiência do pecado e do sofrimento35. E S. João Crisóstomo atesta a existência de lugares de peregrinação a São Job, frequentados pelos cristãos desejosos de “tocar” os lugares em que teria decorrido a história de Job.

Numa série de homilias De interpellatione Job et David, Santo Ambrósio apresenta estes ilustres personagens bíblicos como exemplos da fragilidade humana e pretexto para uma ampla reflexão sobre a condição humana. Segundo o bispo de Milão, a interpellatio dirigida por Job a Deus foi em nome de todos nós (pro nobis), sublinhando a leitura cristológica de Job. Na pregação do célebre bispo milanês reencontramos ainda um tema que também vinha de longe, mas agora ganha nova atualidade: Job figura do homem pio e sábio. Com Santo Agostinho esta ideia assume novos desenvolvimentos.


O bispo de Hipona, que ao Livro de Job apenas dedica umas “annotationes” que nunca quis publicar, assume em toda a sua obra uma especial predileção pela figura e temas de Job. Neste vê o ícone do cristão, imagem do “homem ferido na sua natureza” que confessa a sua condição e pecado diante de Deus. Interessa a Agostinho não o Job secundum historiam, mas enquanto prefiguração do homem do Novo Testamento, e figura do homem confessante (laus, fides, peccatum) ou da própria Igreja (em polémica contra os donatistas que rejeitava os maus dentro da Igreja).


Como Job, Agostinho sabe que ninguém é puro diante de Deus, mesmos os homens justos. Ficam assim já anunciadas, nestas notas agostinianas, algumas temáticas antipelagianas ante litteram: a mortalidade como castigo pelo pecado; que ninguém é puro diante de Deus. Job, embora justo, permanece consciente do próprio status de pecaminosidade intrínseca. Há um pecado natural de conditione mortale.


Agostinho vê também na mulher de Job a “nova Eva”, enquanto Adão é qualificado como Adam in stercore, com uma diferença: Job resistiu à tentação do demónio. 


Há ainda um outro motivo que explica a estima de Agostinho por Job. O doutor da graça vê nesse patriarca bíblico a figura perfeita do homem na sua condição confessante, no sentido mais existencial e teológico que a palavra “confessio” assume no Hiponense... Sabemos que, para Agostinho, a confissão não é um ato exterior, ou uma prática de piedade religiosa, mas a raiz da própria relação do homem com Deus e do homem consigo mesmo, na sua verdade radical.


O homo verus é aquele que confessa, o homem verax que não engana Deus nem os demais. Neste contexto, S. Gregório Magno introduzirá um tema que se tornou popular na espiritualidade inspirada em Job. O motivo das lágrimas, evocado, por exemplo, neste comentário:



"A vida daquele que o Senhor iluminou converte-se em gemido... e choros
pela maldade cometida no passado, e pelo homem que se foi antes, porque já
começa a ver o bem que não fez... e já só deseja a penitência."


A metáfora atlética inspirada em S. Paulo e desenvolvida pela espiritualidade martirial continua agora a ser reutilizada para apresentar Job como modelo do agon christianus que S. Gregório Magno expõe nestes termos:


"Os comentadores de competições desportistas habitualmente descrevem
primeiro as características dos lutadores: compleição física, vigor, boa saúde,
musculatura desenvolvida e firme, abdómen sem o peso da gordura nem a
fraqueza esquelética. Só depois de ter mostrado primeiro quanto capazes são
para a competição, narram os fortes golpes que infligem. Pois bem, como
o nosso atleta ia travar um combate contra o Diabo, o escritor sagrado da
história – como se estivesse diante de um espetáculo da arena – enumera
as virtudes espirituais deste atleta e, descrevendo os membros de sua alma,
disse: era um varão simples e reto que temia a Deus e rejeitava o mal» (I,3,4)".



Mas é a S. Gregório Magno que devemos o contributo mais significativo para a confirmação do livro e figura de Job como referências obrigatórias da teologia e moral cristãs. Os seus 35 extensos livros intitulados Moralia in Job assinalam o culminar da exegese moral patrística, e o consumar do processo de moralização da figura de Job. O grande objetivo dos Moralia (primeiro grande manual de teologia moral e ascética) é, de facto, a edificação mediante a leitura moral do texto bíblico, abrindo caminho para a exegese medieval. 


Quando S. Gregório, a pedido do bispo Leandro de Sevilha, se dispôs a comentar o Livro de Job, começa por recordar que antes dele ninguém tinha comentado esse difícil livro bíblico: "Quando me coloquei perante este livro obscuro, nunca comentado antes, deparei-me com tantas e tais dificuldades que, vencido pelo peso da petição, me julguei, confesso-o, sucumbir pelo abatimento."


Com Gregório Magno ficou superada definitivamente a relutância que se notava até então face ao texto de Job da parte dos comentadores. Retomando a metodologia origenista, Gregório interpreta o Livro de 
Job a três níveis: literal, alegórico e moral, isto é: a história de Job; Job figura de Cristo cabeça da Igreja (leitura eclesiológica); Job como exemplum de virtude, a nível individual ou moral, onde se recolhem orientações para a vida de cada cristão. Lê-se Job para contemplar Cristo, para melhorar a vida e assim edificar a Igreja.


Falar de Job é tratar do homem na sua flagrante fragilidade: "O homem que se desfaz como a madeira podrida, como vestido carcomido pela traça" (Job 13,28). Palavras que Gregório Magno comenta assim: "Que é o homem senão uma folha caída da árvore do paraíso? Que é ele senão uma folha levada pelo vento da tentação e sacudida pela corrente dos seus desejos?". Job é, pois, a figura do Homem, na sua condição de filho de Adão que sabe que “ninguém é justo diante de Deus”.


Contra o maniqueísmo e pessimismo reinantes, Gregório apoia-se nas palavras de Job para afirmar  inequivocamente a bondade da criação, incluída a carne humana. Para além de retomar o lugar-comum que via em Job o profeta da ressurreição da carne, ao comentar a expressão “tuas mãos me formaram e me fizeram por completo”, conclui:

"Com estas palavras fica destruída a perversa opinião de Mani que defendendo erradamente que há dois princípios, pretende afirmar que o espírito foi criado por Deus e a carne por Satanás. O santo varão, cheio da graça do espírito profético,... elimina tais erros, dizendo: Tuas mãos me formaram e me fizeram por completo". 

É verdade que o sofrimento existe, mas Deus permite que o homem inocente sofra os flagella Dei porque estes se podem tornar, para o homem justo, um percurso de santidade.


Segundo uma consistente tradição interpretativa, o pecado de Adão foi uma “falta de paciência” (IRENEU, TERTULIANO...). Neste contexto, Job aparece como o antídoto de Adão e Eva desobedientes e impacientes. "Só a paciência – pregam os pastores patrísticos – pode salvar, só ela pode realizar o que buscamos; é por ela que restabelecemos a retidão de alma e dos pensamentos. Ela é a chave para o reino do céu."


Referências


¹Isidro Pereira Lamellas (da Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Portugal), O Homem que falou bem de Deus. Revista Didaskalia XLV (2015) II, pg.151-177. Foi mantido o português usado na publicação.





Devocional 61 Atos Exteriores da Virtude da Religião adoração, sacrifício, oblação, expensas do culto, voto, juramento, invocação do Santo Nome de Deus


Todos os atos exteriores destinados a honrar a Deus são atos da virtude da religiosidade. 

São eles, em primeiro lugar, certos movimentos corporais, como inclinação de cabeça, genuflexão, prostração, e em geral, todos os compreendidos na palavra adoração. 

Sua bondade consiste no fato de que, por meio deles, se honra a Deus com o corpo, se tornam assim auxiliares para suscitar os movimentos interiores de adoração.

Podemos oferecer ainda, além do nosso corpo e alma em adoração, coisas exteriores em sacrifício, homenagem e tributo. 

No que se refere ao sacrifício, no sentido de imolação de uma vitima, existe somente uma única forma na Nova Lei: o sacrifício da Missa. Nela sob as espécies sacramentais do pão e do vinho, se oferece a Deus a única vítima agradável aos seus olhos, imolada no sacrifício da Cruz. 

É ainda ato de religião contribuir, conforme permite os bens de cada um, para estabelecer e realçar o culto e sustentar os ministros em seu ministério. 

Tais atos não se realizam somente quando se oferece bens materiais para suprir questões temporais do exercício da Igreja no mundo, mas também quando oferecemos coisas que agradam a Deus. Damos a esses atos o nome de: voto. 

O fiel que fez um voto está obrigado a cumpri-lo, exceto em caso de impossibilidade verdadeira ou dispensa do voto por um padre. 

Os atos externos da virtude da religião também se realizam no manejo dos objetos sagrados e no uso do Santo Nome de Deus. 

Os objetos sagrados são os que, por intermédio da Igreja, receberam de Deus uma benção e consagração especiais, tais como as pessoas consagradas a Deus, os sacramentos, os sacramentais como a água benta, os objetos de piedade e os lugares destinados ao culto. Os objetos sagrados devem ser tratados com piedade. 

O uso do Nome Santo de Deus deve ser usado para honrar a Deus, amando-O como testemunha dos nossos atos e invocando-O para louvá-lO e bendizê-lO.

O ato de chamar o Senhor como testemunha dos nossos atos chama-se: juramento. Tal ato deve ser tomado somente em casos de grande necessidade e ser usado com a mais severo cuidado e temor. 

O ato de invocar o Nome de Deus ou alguma coisa sagrada, para obrigar outrem a executar ou desistir de algum propósito chama-se: adjuração. O uso é lícito quando é feita com o respeito devido ao invocado. 

O Nome de Deus pode ser invocado com frequência, desde que com o devido respeito e veneração, e não como se fosse uma forma de expressão corriqueira e banal. 

Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás



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Brevíssimo Catecismo sobre a Total Consagração à Santíssima Virgem Maria


01) O QUE É A TOTAL CONSAGRAÇÃO?

A Total Consagração é uma entrega total a Jesus por Maria.


02) QUEM INVENTOU?

Nosso Senhor Jesus Cristo ao dizer "eis aí a tua mãe" no alto da cruz, entregou a ela todos os filhos da Igreja que tem a missão de receba-lA como mãe nas moradas de seus corações e vida.


03) MÉTODO DE S. LUÍS?

Tal prática, de se consagrar a Santíssima Virgem, sempre existiu, São Luís, no entanto, fez um método, como bom missionário, para aplicá-la nas paróquias que trabalhava. Tal trabalho era feito com práticas de piedade por um mês e uma romaria em honra a Nossa Senhora, ao final da procissão se erigia uma cruz, o povo beijava o evangeliário e se prostrava aos pés de Maria para rezar a oração escrita por São Luís, que hoje chamamos fórmula da Total Consagração a Santíssima Virgem Maria.


O4) E O TRATADO?

São Luís preocupado em manter método tão eficaz para converter e fortalecer o povo escreveu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, em 1712, tal livro, como profetizado pelo próprio santo, ficou escondido em uma arca por 130 anos. pois o demônio dele se horrorizava, já que tem um ódio enorme da Mãe do Senhor, por ser Ela toda humilde e por isso a mais querida do Senhor, sendo portanto seu total oposto, já que ele, o demônio, é todo orgulho e soberba.

Deus permitiu que o demônio escondesse o livro, pois, usa de tudo para a Sua Maior Glória e assim fez desse ato a comprovação de que o livro desagrada ao demônio e portanto agrada muito a Deus.

Assim que foi descoberto foi publicado com o título de Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, depois descobriu-se que seu título original, dado pelo Santo era: PREPARAÇÃO PARA O REINO DO NOSSO SENHOR JESUS, assim, fica fácil compreender a frase: "para que venha o Vosso Reino, ò Jesus; venha o reino de Maria", ou seja, somente corações marianos podem dizer "eis os escravos do Senhor" para que se cumpra sem demora a Vontade do Amado e Soberano Jesus.

Nenhuma das regiões em que se fez tal consagração sucumbiu a Revolução Francesa, que tinha como lema "enforcar o último rei com as tripas do último padre".


05) QUAL A FINALIDADE?

Toda devoção tem por finalidade: Jesus.

A Total Consagração em especial tem a finalidade de formar corações adoradores da Vontade Divina; Templos e Ostensórios da Sagrada Eucaristia, defensores dos pensamentos imutáveis e inabaláveis de Cristo.

Resumindo: pessoas que pensam e vivem sobre Reinado do Divino Jesus verdadeiramente.


06) QUEM PODE SE CONSAGRAR?

Toda alma que deseja servir a Deus verdadeiramente e santificar-se.


07) QUEM NÃO PODE SE CONSAGRAR?

Quem esta em pecado mortal, pois a própria pessoa excluiu a graça da sua vida. Os pecados mortais mais comuns são: amasiados (vivem juntos sem se casar), casais de segunda união, quem faz uso de anticoncepcionais ou qualquer método ou procedimento para se fechar a vida e não ter filhos, aqueles que são inscritos na maçonaria, no comunismo, apoiam ou participam de grupos ou partidos abortistas, gayzistas, comunistas, feministas, ou defensores da ideologia de gênero e derivações que podem surgir com o tempo.

Resumindo: todo aquele que escolheu viver em estado de pecado mortal, não pode se consagrar.

No entanto, Deus não fecha a porta a ninguém que se arrepende verdadeiramente. A porta da misericórdia só se abre com a chave do arrependimento e da mudança de vida.


O8) QUAIS AS OBRIGAÇÕES DO CONSAGRADOS?

Nada é exigido sob pena de estar cometendo pecado. Mas deve viver como um verdadeiro católico, ou

seja, honrar as promessas batismais.

Dessa forma o compromisso maior é se manter em estado de graça, buscar a salvação e ter um devoção mariana assídua.

Para tal são Luís aponta as práticas interiores e exteriores dessa devoção.


09) QUAIS AS INTERIORES?

Fazer tudo por Maria: é obedecer-lhe e fazer passar tudo que pedimos e fazemos por suas mãos.

Fazer tudo com Maria: é imitá-lA em todas as coisas, buscar fazer como Ela faria, reagir como Ela reagiria.

Fazer tudo em Maria: é trocar nossos pensamentos pelos dEla, é uma união que permite que Ela nos use como instrumento nos Planos Divinos e para isso nos molde.

Fazer tudo para Maria: é oferecer tudo a Ela, para honrá-lA e nEla e por Ela honrar Nosso Senhor Jesus.


10) QUAIS AS EXTERIORES?

Obrigatoriamente: Preparação e Consagração (lendo o tratado, fazendo formações e esclarecendo dúvidas, fazer os 30 dias de exercícios espirituais, confissão geral e consagração); buscar o desapego do mundo, ou seja, dos pensamentos mundanos que nos afastam dos pensamentos de Cristo, buscar rezar o Rosário como pediu diversas vezes Nossa Senhora.

Outras práticas sugeridas: rezar a coroinha de Nossa Senhora, o Magnificat, honrar os dias marianos e principalmente o dia 25 de março, dia da Encarnação do Verbo. Nossa Senhora disse a Santa Brígida que foi o dia mais feliz de sua vida, o dia em que o mundo recebeu o Messias, presente em seu ventre.


11) ESTA CONSAGRAÇÃO É IGUAL A CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA FEITA NO BATISMO?

Não. As consagração feitas no batismo ou em Missas são consagrações simples, se pede proteção, não se entrega o valor total das obras que fazemos.


12) O QUE SE ENTREGA AO SE CONSAGRAR?

Tudo que temos e somos, inclusive o valor de nossas boas obras, passadas, presentes e futuras. Ou seja, tudo o que fizer, faz ou fez será aplicado pelas mãos da Santíssima Virgem para a realização da Vontade Divina.

Por isso que se diz que o consagrado já não pode colocar intenções as suas orações, tudo que almeja é que seja feita a Vontade Divina.

Isso não impede, no entanto, que reze pelos parentes e amigos ou por quem lhe pede orações, rezará apresentando a pessoa a Deus e rezando para que seja feita a Vontade de Deus e não a sua ou a vontade da pessoa em tal situação

Torna-se real a busca do "seja feita a Sua Vontade", pois o que Deus quer é sempre melhor e viver a Vontade Divina, como diz Santo Afonso Maria de Ligório, é o verdadeiro caminho de santificação.


13) TENHO QUE MUDAR O QUE VISTO E ASSISTO E ETC?

A exigência de se vestir, comportar como filhos de Deus é para todo cristão. A modéstia é um fruto do Espírito Santo. O que assisti também deve ser digno de um filho e filha de Deus. De modo, que tais coisas são obrigações de todo cristão e a Total Consagração vem em auxílio para vivê-las concretamente, numa busca real pela santidade, apesar de nós mesmos, e não somente da boca pra fora.


14) EXISTE OUTRA CONSAGRAÇÃO COM O MESMO OBJETIVO E ENTREGA?

Sim, de São Maximiliano Maria Kolbe. As duas consagrações, de São Luís e de São Maximiliano, possuem a mesma natureza e intuito, só muda a nomenclatura.


15) É POSSÍVEL SE "DESCONSAGRAR"?

A consagração é PERPÉTUA, para sempre; a não ser que se revogue explicitamente, o que é o mesmo que renegar expressamente Jesus e Maria e só faria isso quem se decidiu entregar-se ao diabo.

Já que só existe dois exércitos nesse mundo o do diabo e seus sequazes e de Maria e seus filhos, que vivem sobre a Reinado do Soberano Jesus.


16) POR QUE SE DIZ "ESCRAVO"?

Um escravo esta totalmente nas mãos do seu senhor, assim nos colocamos também nas mãos de Jesus por Maria. Imitando a Santíssima Virgem e ao próprio Jesus, assim como o fizeram os apóstolos e muitos papas (Rm 1, 1; 1Cor 7,22; Rm 6,22; Efésios 6,6; Gálatas 1, 10; Isaías 42; 49; 50; 52.13; 53.12; 61; Lc 1, 38; Fl 2;7)


17) O QUE ACONTECE SE UM CONSAGRADO PECAR MORTALMENTE?

Deve se confessar e não voltar mais a pecar, recorrer à Santíssima Virgem Maria para não sucumbir as tentações do mal e as fraquezas da carne.


18) O QUE É UMA CONFISSÃO GERAL?

Em momentos de nova conversão ou grandes mudanças, como casamento, ordenação sacerdotal, consagrações, se faz uma confissão geral, que é confessar todos os pecados mortais cometidos durante a vida, não por desconfiança de que não foram perdoados, mas para apresentar um arrependimento mais perfeito e uma resolução de cumprir a Vontade Divina nessa nova etapa.


19) COMO ME CONSAGRAR?

É preciso ler o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria, escrito por São Luís de Montfort; fazer as formações e esclarecer dúvidas; fazer os 30 dias de exercícios espirituais, a confissão geral, recitar a fórmula da Total Consagração disponível no Tratado. Esses passos são obrigatórios.

Não é preciso a presença do padre na consagração.

Não é preciso que seja feita durante a Santa Missa, se for possível é bom. Mas pode ser feita em casa ou na Igreja diante de uma imagem de Maria.

Não é preciso que o padre assine a fórmula, embora seja bom. 

Não existe "padrinhos de consagração", padrinhos só são solicitados em sacramentos como casamento, batismo e crisma.

É bom que seja num dia mariano, mas não há problema fazer em outro dia.


20) POSSO RENOVAR EM OUTRA DATA?

Pode, no entanto, é bom evitar, principalmente se a causa for desleixo, falta de ordem e comprometimento. Mas pode ser feito.


21) SE NÃO RENOVAR DEIXO DE SER CONSAGRADA?

Não, um consagrado é consagrado para sempre.


22) QUAIS AS DATAS QUE LUCRAM INDULGÊNCIA PLENÁRIA AO SE CONSAGRAR?

28 de abril: dia de São Luís de Montfort

25 de Março: Solenidade da Encarnação do Verbo

08 de dezembro: Solenidade de Nossa Senhora da Conceição

01 de Janeiro: de Santa Maria Mãe de Deus.


23) COMO SÃO LUÍS ENSINA A RECEBER A COMUNHÃO?

Humilhar-se: pedindo a Santíssima Virgem Maria que troque o nosso coração pelo dEla e nossas disposições pelas dEla, para receber bem Nosso Senhor Jesus.

Suplicar: a Nosso Senhor Jesus que não olhe nossas imperfeições, mas o que fez a Santíssima Virgem em nós.

Após a comunhão: pedimos para a mesma disposição da Santa Mãe de Deus ao receber Jesus Eucarístico nas comunhões, para lhe dar ação de graças.


24) O QUE FAZ  A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA NA ALMA DO CONSAGRADO?

Mata o velho Adão. Esfola nossas imperfeições e mazelas. Limpa as nódoas do pecado. Prepara-nos para ir até Nosso Senhor Jesus.



PAPAS QUE APROVARAM A TOTAL CONSAGRAÇÃO
PELO TRIUNFO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA


Clemente VIII (1592-1605) – Confere grande indulgência a Confraria dos Escravos.

Gregório XV (1621-1623) – Confere indulgências aos Escravos de Nossa Senhora;

Urbano VIII (1623-1644) – Este Soberano Pontífice, consultado sobre as práticas exteriores da Santa Escravidão de Amor, especialmente sobre o uso das correntes, aprovou de modo elogioso tão louvável fervor, escrevendo a Bula ‘’Cum sicut accepimus’’(de 20 de julho de 1631), onde concede grande número de indulgências aos escravos de Maria;

Alexandre VII (1655-1667) – Expediu um bula, a 23 de junho de 1658, na qual, por motivo da organização da “Sociedade da Escravidão’’ em Marselha;

Pio IX (1846-1878) – É sob seu pontificado que, a 12 de maio de 1853, se promulga em Roma o decreto que declara que os escritos do Padre Luís Maria Grignion de Montfort eram isentos de todo erro que pudesse obstar-lhe a beatificação;

Leão XIII (1878-1904) – Beatificou o Padre de Montfort e morreu renovando sua Total Consagração a nossa Senhora e invocando o nome do então Beato Luís Maria de Montfort;

São Pio X (1904-1914): Ao responder aoPedido do Procurador Geral dos Padres Monfortinos para que abençoasse seu apostolado de difusão da Total Consagração à Santíssima Virgem, o Santo Papa disse: "Atendendo ao vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito belo Beato de Montfort; e a quantos lerem este Tratado concedemos, de todo coração, a benção apostólica’’.

Bento XV (1914-1922) – Em carta a família Monfortana escreveu: "O Tratado da Verdadeira Devoção é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade e de uma grande unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão em um grande número de almas.’’;

Pio XII (1939-1958) – Canonizou São Luís de Montfort em 1947 e tinha uma grande relíquia desse santo em sua capela particular;

João Paulo II (1978-2005) – Fez sua Total Consagração quando ainda era seminarista. Foi um grande devoto de São Luís G. de Montfort a quem chamava de mestre da vida espiritual. Foi um dos maiores apóstolos da Santa Escravidão Mariana em nossos tempos, ao ponto de fazer da Total Consagração o lema de seu pontificado. Seu ‘’Totus tuus’’, correu o mundo e deu testemunho de sua grande estima a esta grande espiritualidade. Escreveu a família Monfortana dizendo que ‘’não se deve deixar escondida’’ esta consagração;

Bento XVI (2005-2013) – Durante seu pontificado foi convocado o ano sacerdotal (2009-2010) em cujo encerramento foi distribuído para todos os sacerdotes presentes na Praça da Basílica de São Pedro, uma cópia do “Segredo de Maria’’, uma espécie de resumo do Tratado da Verdadeira Devoção, escrito também por São Luís de Montfort.



ENCHI-ME DE ZELO PELA MINHA

MÃE IMACULADA E ELA ME

LIVROU DE TODAS AS

TRIBULAÇÕES.













Devocional 60| Atos interiores da Virtude da Religião: a Devoção e a Oração
Condessa de Pages por Joseph Desire Court, entre 1820-1850



O primeiro ato da religião é uma ato interior chamado devoção. A devoção é um movimento da vontade, em virtude do qual ela (e quanto dela depende) se acha sempre disposta para empregar-se no serviço de Deus. 


Depois da devoção o primeiro ato que o homem se ocupa é a oração. Algumas frases de Santo Agostinho nos orientam sobre isso:


A oração é necessária não para que Deus conheça as nossas necessidades, mas para que nós fiquemos conhecendo a necessidade que temos de recorrer a Deus, para receber oportunamente os socorros da salvação.

A oração consiste na elevação da alma a Deus. 

Depois do batismo, a oração contínua é necessária ao homem. Embora sejam perdoados os pecados pelo batismo, sempre ainda ficam os estímulos ao pecado; que nos combate interiormente, o mundo e os demônios que nos combatem exteriormente.


Todas as graças que o Senhor, desde toda a eternidade, determinou conceder-nos, não as quer conceder a não ser por meio da oração.


Condições requeridas na oração : que o homem peça para si, coisas necessárias à salvação, com devoção e com perseverança.

Cada um é obrigado a rezar, porquanto deve procurar os bens espirituais, que só por Deus são concedidos e que só podemos alcançá-los por meio da oração.

Oração


Jesus, minha esperança, minha força e meu consolo, dai-me força para que eu Vos seja fiel. Dai-me luz, fazei-me conhecer as coisas de que me devo desapegar; ajudai-me para que em tudo eu Vos queira obedecer.

Jesus, eu me ofereço e me abandono inteiramente em Vós, satisfazendo o desejo que tendes de unir-Vos comigo, a fim de unir-me Convosco, meu Deus e meu tudo! Vinde Jesus, possuí todo o meu ser, atraí para Vós todos os meus pensamentos e todos os meus afetos.

Renuncio a todos os meus caprichos, a todas as consolações, a todas as criaturas. Só Vós me bastais. Dai-me a graça de não pensar senão em Vós, não desejar senão a Vós, meu Deus e único bem.

Maria, Mãe de Deus, alcançai-me a graça da perseverança.


Ato meditativo: reze sobre os pontos em negrito ou algum outro que tenha lhe chamado a atenção. 

Resolução: peça a Deus a graça de crescer nesta virtude excelsa, mas também faça boas resoluções sobre isso: o que você pode fazer para melhorar o ato de devoção e oração? 



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Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

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