A invasão das mulheres no Altar e o feminismo que entrou na Igreja

by - janeiro 14, 2021



A invasão das mulheres no Altar e o feminismo que entrou na Igreja




"O mundo não é um grande cabo de guerra, se não temos maturidade para ver alguns dos vários prismas da realidade, com serenidade e seriedade, como podemos ser a luz do mundo? "


Ponto 1 e2 escrito em 27/05/2019

1) Introdução: Histórico da participação da mulher na liturgia


O Santo Magistério diz (basta clicar nos links no texto e verá o documento original):

A Canon 44 do Sínodo de Laodicéia realizada no quarto século diz claramente: “As mulheres não podem ir ao altar.”

Em 1755, o Papa Bento XIV falou claramente, em sua carta encíclica “Allatae Sunt”, no ponto 29, que: “O papa Gelásio, em sua nona carta (capítulo 26), aos bispos de Lucânia condenou a prática maligna que havia sido introduzida das mulheres que servem o sacerdote na celebração da missa. Como este abuso se espalhou para os gregos, Inocêncio IV proibiu-o estritamente em Sua carta ao bispo de Tusculum: “As mulheres não devem ousar servir no altar; a elas devem ser completamente recusados este ministério.”

Reiterando o já dito no Etsi Pastoralis 6, n. 21, tomo 1 do nosso Bollario.

Código de Direito Canônico de 1917 diz: “Que o ministro servindo na missa não seja uma mulher, a não ser que, faltando um homem, por razão justa, e precavendo para que a mulher responda de uma certa distância e de modo algum suba no altar. [Minister Missae inserviens ne sit mulier, nisi, deficiente viro, iusta de causa, eaque lege ut mulier ex longinquo respondeat nec ullo pacto ad altare accedat]” (Canon 813, §2).


Papa Paulo VI em 1970, escreveu em sua carta de instrução Liturgicae instaurationes: "Em conformidade com as normas tradicionais da Igreja, as mulheres (solteiras, casadas e religiosas), seja em igrejas, conventos, casas, escolas ou instituições para mulheres, são impedidas de servir o sacerdote no altar."

Por algum motivo o texto acima de 1970 não foi encontrado no site do Vaticano, no entanto, tal decreto existe e foi usado como referência no decreto sobre as Normas Litúrgicas promulgado para conter os abusos que preocupavam o Papa São João Paulo II, como pode ser visto na referência 11 do texto Observância das normas litúrgicas e “ars celebrandi”, que também vale a leitura. 



Tal documento também não se encontra mais no site do Vaticano, no entanto, é citado nas referências do Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no Sagrado Ministério dos Sacerdotes, que também vale a leitura, sobre as mulheres está exposto na Premissa nos parágrafos terceiro e oitavo, sendo o último a exposição do que de fato podemos fazer para aliviar o peso sacerdotal: "existe um campo especial, o que diz respeito ao sagrado ministério do clero, em cujo exercício podem ser chamados a colaborar os fiéis leigos, homens e mulheres, e, naturalmente, também os membros não-ordenados dos Institutos de vida consagrada e das Sociedades de vida apostólica. A este campo particular refere-se o Concílio Ecumênico Vaticano II, quando ensina: « Finalmente, a Hierarquia confia aos leigos certas funções que estão mais intimamente relacionadas com os deveres dos Pastores como, por exemplo, a exposição da doutrina cristã, alguns atos litúrgicos, a cura de almas »."

Quanto ao citado "alguns atos litúrgicos" é justamente o orientado pelo Papa São João Paulo II na Inaestimabile donum .

2) Motivos para o incentivo da participação da mulher no serviço do altar



Quais os motivos que levaram a facilitar que as funções do altar fossem desempenhadas por mulheres:

a) O feminismo


Depois da revolução sexual houve uma constante pressão para que as mulheres assumissem cargos, inclusive na Igreja, de modo que hoje, a Igreja que é ainda chamada de "patriarcal", tem mulheres fazendo absolutamente tudo e até demais, enquanto os homens estão reduzidos ao chamado terço dos homens. Isso é um sinal claro do adoecimento da complementariedade entre homem e mulher.

b) Mulheres sacerdotisas e diaconisas


Ora, não é difícil notar que uma das maiores pressões que a Igreja sofre é a de dar o sacramento da ordem também às mulheres. Assim, uma vez que o povo já está tão habituado a vê-las fazendo tudo, caso um dia essa idéia seja proposta a maior parte do povo achará bom, afinal, "ela é tão boazinha", "ela faz tudo tão bem feitinho", "ela fala tão bem".

Colocar as mulheres no altar é dessensibilizar o povo e gradualmente fazer com que um dos pilares da Igreja seja ainda mais questionado.

Nós mulheres somos responsáveis por gerar homens que serão padres, coroinhas, ministros - corporal ou espiritualmente - não é a nossa missão tomar o lugar deles e depois ainda reclamarmos que não existe homem decente e viril na Igreja.

Todo caminho de desordem não vem de Deus.

A ordenação de mulheres é uma porta fechada, como diz o Papa Francisco, mas as janelas para o desequilíbrio foram abertas, cabe a nós mulheres tomarmos de fato o nosso papel e fecharmos as janelas da desordem, pois enquanto as mulheres buscam ser ministras de tudo os seminários estão vazios e os homens deslocados na Igreja. 

As funções que nos foi legada é a maternidade: como catequistas, professoras, conselheiras, formadoras, cuidadoras da Igreja e para algumas a honra de cuidar das vestes sacerdotais usadas no rito, ou seja, as vestes de Cristo. 

Como podes dizer que isso é pouco?

Busque ser mulher e deixe os homens serem homens, eles não são palermas, a realidade é que não lhe deixam espaço. 

Quando o altar estiver tomado por bons padres, coroinhas, acólitos, seminaristas e nas orações soar o tom grave da voz masculina estaremos vivendo verdadeiramente dentro do Plano de Deus.


Atualização 14/01/2020

3) Motu Proprio Spiritus Domini


No dia 10 de janeiro de 2021 o Papa Francisco escreveu uma Carta Apostólica em forma de Motu Proprio chamada Spiritus Domini, sobre a modificação do Canôn 230 do Código de Direito Canônico. É o cânon que fala sobre o acesso (impedimento) da mulher ao altar no caso de acolitato e leitorado. 

Como este é um temas que mais me preocupa atualmente, resolvi fazer deste artigo um memorial vivo dos acontecimentos e seus resultados reais. O motu proprio normaliza algo que já era vivenciado na Igreja durante esses últimos cinquenta anos, ou seja, mulheres como leitoras, ministras e acolitas. Ou seja, até a data de 10 de janeiro de 2021 todos estavam vivendo segundo a própria cabeça, sendo guiados por motivos seja pastorais ou emocionais ou expressamente ideológicos. Digo isso pois, como vimos no texto anterior não existe nada que embase essas funções, exceto a premissa dos últimos cinquenta anos. E é sobre isso que eu desejo escrever: sobre a criação de premissas para mudanças em alicerces da Igreja. 

Acredito que nem todos estejam preparados para considerar que a realidade não é um grande cabo de guerra. A maioria acha que ao refletir sobre as consequências de um ato estamos logo nos posicionando contra o Papa. E saibam: não é o caso, mas eu não posso fazer nada se você acha que é. O caso é que mentes maduras e realistas podem ver que atos que podem ter boa intenção (já que ninguém pode avaliar a intenção do outro) podem ter consequências ruins e desastrosas muitas vezes. Ou seja, minha intenção é que quem me lê compreenda que não podemos ser ingênuos. No entanto, como disse anteriormente, no momento são poucos os que possuem maturidade para ver a realidade com clareza e não como um cabo de guerra infantil. Mas isso não pode me impedir de escrever fatos concretos sobre esse ponto que, não é exagero, me atormenta, pois é a lança que poderá causar umas das maiores chagas na Igreja: a corrupção do sacerdócio como Deus instituiu e uma igreja comandada por leigos. 

A parte importante da curta carta (aqui) é:

Algumas Assembleias do Sínodo dos Bispos realçaram a necessidade de aprofundar doutrinalmente este tema, de modo a responder à natureza dos mencionados carismas e às exigências dos tempos, oferecendo um apoio oportuno ao papel de evangelização que cabe à comunidade eclesial.

Aceitando estas recomendações, nestes últimos anos alcançou-se um desenvolvimento doutrinal que evidenciou como determinados ministérios instituídos pela Igreja têm como fundamento a condição comum de batizado e o sacerdócio real recebido no Sacramento do Batismo; eles são essencialmente distintos do ministério ordenado, recebido com o Sacramento da Ordem. Com efeito, também uma prática consolidada na Igreja latina confirmou que tais ministérios laicais, baseando-se no Sacramento do Batismo, podem ser confiados a todos os fiéis que forem idóneos, de sexo masculino ou feminino, de acordo com quanto já é implicitamente previsto pelo cânone 230 § 2.

Por conseguinte, depois de ter ouvido o parecer dos Dicastérios competentes, decidi prover à modificação do cânone 230 § 1 do Código de Direito Canónico . Portanto, disponho que no futuro o cânone 230 § 1 do Código de Direito Canónico seja assim redigido:

«Os leigos que tiverem a idade e as aptidões determinadas com decreto pela Conferência Episcopal, podem ser assumidos estavelmente, mediante o rito litúrgico estabelecido, nos ministérios de leitores e de acólitos; no entanto, tal concessão não lhes atribui o direito ao sustento ou à remuneração por parte da Igreja».


Portanto, a decisão tomou como base dita: o sacerdócio comum dos leigos. Para lhe refrescar a memória, quando somos batizados somos ungidos: sacerdotes, profetas e reis (no feminino a sacerdotisas, profetisas e rainhas). Guarde esta informação pois a pergunta que eu faço é: o caminho para a vivência do sacerdócio comum dos leigos é entrar em funções do altar? (novamente, para as mentes do cabo de guerra, digo que estou fazendo uma pergunta reflexiva - uma vez que como disse não é nada novo, é a normalização do desvio. É isso mesmo que significa o sacerdócio comum dos leigos, tanto homens como mulheres? Significa funções sacerdotais?). Guarde estas questões. 


Já no meio secular a notícia foi recebida com misto de esperança e desesperança, o El País (nossa referencia de jornal comuna mais próximo) disse: 

"Decreto promulgado pelo Pontífice institucionaliza uma prática realizada há décadas, mas não abre as portas ao sacerdócio feminino". 


"A revisão do velho documento promulgado por Paulo VI (1972), que especificava que apenas os homens podiam receber os ministérios do Leitorado e do Acolitado, representa a institucionalização de uma prática habitual. Mas não deixa de estabelecer um precedente importante. Para alguns, a medida é um avanço rumo à abertura do sacerdócio ou do diaconato feminino. Sobretudo considerando que, no caso das crianças, trata-se às vezes do primeiro degrau de uma carreira religiosa. Para outros, como Lucetta Scaraffia, especialista em história da relação entre a Igreja e a mulher, é uma armadilha para não dar mais passos à frente nesse sentido. “É a institucionalização de algo que as mulheres já fazem. É uma operação cosmética. Finge abrir a Igreja às mulheres, mas não há mudanças reais”, afirma."


Ou seja, ou existe a criação de excedentes ou a Igreja não está "se abrindo as mulheres". Ambas visões feministas. 

Você deve se perguntar a razão de usar a mídia aqui, faço isso porque a mídia tem um papel importante na propagação ou não da realidade. As pessoas não leem a Carta na integra leem as matérias e muitas dessas pessoas estão nos bancos da Igreja ou no altar. 


4) O grande perigo da normalização da mulher no altar


Como disse anteriormente o grande perigo das mulheres em funções do altar é a criação de uma premissa para o sacerdócio feminino. De fato, se você revirar a história da Igreja e os documentos (exceto o recente) não encontrará nada que sirva de justificativa. Mas os últimos cinquenta anos foram vistos como premissa, ou seja, primeiro o ato se espalha como se fosse normal e em trinta, cinquenta anos temos uma premissa criada para mudanças. 

De fato o documento não abre portas para o sacerdócio ou diaconato feminino; de fato, pode ser o último estágio de alteração sobre isso, mas é bem possível que não. Pode ser o começo, talvez não intencional, da criação de uma premissa para que daqui cinquenta anos ou menos vejamos mulheres "padres". Eu não sei se consigo lhe explicar a gravidade disso, o tamanho desta chaga. 

Além do terrível caminho de uma "Igreja de Leigos", uma Igreja em que não existe diferença entre o ofício do padre e do leigo, em que o padre parece leigo e o leigo faz coisas de padre, uma igreja em que não sabemos distinguir o pai dos filhos. 

Dai a mulher o que é da mulher e dai ao homem o que é do homem


Seria ótimo que antes que uma mulher fosse vestir batina para acolitar ou ser "ministra" alguém lhe perguntasse: "quantos filhos você tem?".

Não é interessante que ninguém pergunte sobre a missão radical da mulher? Não é estranho que ninguém fale sobre isso, mas sim de cargos de liderança, até mesmo cargos sacerdotais? É o que acontece quando o papel da mulher é "feministizado", quando o lar, a criação dos filhos é visto como menos importante do que uma liderança, ou qualquer oficio que não é nosso. É o que o feminismo faz, diz valorizar a participação feminina, mas é na verdade uma super valorização do que pertence ao masculino como melhor. 

Cargos de liderança não são nada, ainda mais quando a mulher se fecha a missão de ter quantos filhos Deus lhe enviar. É uma afronta horrível! Mas disso ninguém fala. 

Esse é o papel da mulher na Igreja: gestar, gerar e educar (corporal e espiritualmente) os filhos de Deus. Nada que você faça na Igreja ou no trabalho supera essa missão radical, nada. 

Dai ao homem o que é do homem e dai a mulher o que é da mulher. 


Qual seria o sacerdócio comum dos leigos? Na Igreja Domiciliar: no lar. 

No lar o homem é sacerdote (orienta a família, é a cabeça), profeta (corrige, orienta, abençoa), e rei (governa a ação da família em meio a sociedade). 

No lar a mulher é sacerdotisa (dos corações, da formação humana, interior), profetisa (acolhe, corrige, abençoa), rainha (governa o lar que é o coração da sociedade). 

Este é o âmago do sacerdócio comum dos leigos.

Dai aos leigos o que é dos leigos e aos padres o que é dos padres.


O tempo dirá se o que eu digo se confirmará- e eu espero que não. Você, leitor, pode tirar a sua consideração final. Quanto a mim, Ana Paula, que poderia ser "padra" facilmente se abrissem agora a porta, que poderia ser ministra e tudo o mais de lideranças, prefiro imitar a Santíssima Virgem Maria (e todas as Santas da Igreja), no serviço oculto (sob o ocultamento do véu e fora da vida pública) para que meus irmãos cresçam homens fortes e tementes a Deus, pois isso não é desvalorização é somente a Beleza da Ordem. Acredito nisso com todas as fibras do meu coração.


"Os símbolos são no visível a linguagem do invisível... a rejeição do véu tem um profundo simbolismo...o gesto exterior nunca é insignificante; emanando da substância da coisas, exprime-lhes a essência."

 

"O símbolo do véu atribuí à mulher, antes de tudo, o invisível: amor, bondade, piedade, solicitude, proteção, todos os valores cuja a substância se acha realmente escondida do mundo e , na maior parte do tempo, traída. Outrossim, as épocas em que as mulheres são afastadas da vida pública não são épocas que eliminam sua significação metafísica, são talvez ao contrário essas épocas que, sem se dar conta lançam o peso enorme da feminilidade na balança do mundo". 


"O véu é, neste mundo, o símbolo do metafísico. É também o da feminilidade: todas as grandes circunstâncias da vida feminina nos mostram a figura da mulher sob um véu. Esse véu ajuda a compreender porque não é o homem e sim a mulher que prepara o mundo à introdução dos grandes mistérios do cristianismo"


"O abandono do véu implica sempre a destruição do mistério feminino... o "eterno feminino" (a Santíssima Virgem) não tendeu para cumes senão para dobrar os joelhos diante do Eterno Divino." 

Gertrud Von Le Fort, A Mulher Eterna, 1953

Paz e Bem!

ps: a ETWN é a maior emissora católica do mundo e possuí um dos acervos mais fiéis sobre as noticiais e orientações da Santa Sé, foi fundado pela Madre Angélica. 





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13 comentários

  1. Excelente Ana. Infelizmente na minha paróquia geográfica tem duas ministras extraordinárias e pra piorar elas ficam a missa toda sentadas AO LADO DO PADRE. Sabe onde devem ficar os co-celebrantes? Bem ali.A missa inteira. Depois não entendem pq a paróquia está vazia e o padre está tendo que demitir os funcionários da casa paroquial... Misericórdia, Senhor!

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  2. Pode mulher servir na liturgia da missa? Desculpa não entendi muito bem.

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    1. Olá, Paz e Bem! Não pode. Treine a leitura isso é muito importante nesse tempo.

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    2. Eu quis dizer leitura mas acho que dá no mesmo. Obrigada!😊

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  3. Ana, faço parte da liturgia, fazendo as leituras ou comentando, nesse caso também nao pode?? Se eu sair estarei deixando de servir a Deus?

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  4. Ana, faço parte da liturgia, faço leituras e comentário, estou errada? Se eu sair estarei deixando de servir a Deus ?

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  5. Obrigada, Ana! Dá vontade de enviar para a igreja que freqüento. Deus lhe abençoe.

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  6. Ana,a questão das leituras da Missa, percebo certa confusão... Pq muitos sites divulgam que a mulher não deve fazer as leituras, seria em caso de necessidade? Se não houver um leitor?

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  7. Nossa,muito bom o texto! Tirou minhas dúvidas sobre essa questão.

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  8. Paz e Bem!

    sim!

    Falo sobre isso aqui: https://www.salusincaritate.com/2017/12/o-que-toda-catolica-deve-saber-sobre-o.html

    Paz e Bem!

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Olá, Paz e Bem! Que bom tê-lo por aqui! Agradeço por deixar sua partilha.