Visão Geral: Livro de Tobias

by - outubro 11, 2021




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Livro de Malaquias




Uma vertente defende que não relata uma história real, pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período, outra acredita que é histórico (pontos abordados abaixo). O livro pertence ao gênero sapiencial, segundo a primeira vertente o livro é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos.


O livro conta a história de duas famílias judaicas aparentadas deportadas em Nínive, na Mesopotâmia (cidade citada no Livro de Jonas, cidade sede do reinado assírio de Senaqueribe na época do profeta Isaias, cidade corrigida pelo profeta Naum) e em Ecbátana, na Pérsia (cidade citada no livro de Neemias, ele morava e servia o rei da Pérsia nessa cidade, era a cidade de veraneio dos reis persas, mas foi construída pelos medos). 


Tobit, chefe da família de Nínive, fica cego e envia seu filho Tobias para buscar certa importância em dinheiro, guardada na casa de um amigo em uma cidade distante. Durante a viagem, protegido pelo Arcanjo Rafael, Tobias encontra e casa-se com Sara, sua prima em Ecbátana atormentada por um demônio chamado Asmodeu, que anteriormente matara sete maridos de Sara na noite de núpcias antes mesmo que tivessem relações sexuais. No retorno de Tobias, Tobit é curado.


Segundo as histórias judaicas, Asmodeu é considerado um dos sete príncipes do Inferno abaixo somente de Lúcifer (imperador do inferno, que se alimenta e se fortalece da avareza). É o demônio representante do pecado da Luxúria. Sua origem difere muito conforme a fonte. Alguns o consideram como um anjo caído, porém alguns escritos judaicos indicam Asmodeu como o "Rei Esquecido de Sodoma". Nesses contos Asmodeu é visto como o homem mais impuro já nascido, e aquele que guiou Sodoma à luxúria. Alguns teólogos consideram a destruição de Sodoma como meio de matar Asmodeu. 


Rafael significa "Deus cura" em hebraico; a palavra correspondente a médico é Rophe. O fato de Rafael ser considerado o portador da cura Divina, fornece indícios de que ele seja o responsável pela transição do corpo e espírito. Rafael também é figura proeminente nos costumes do Judaísmo, que descrevem-no como um dos três angelicais que visitaram Abraão antes da devastação física de Sodoma e Gomorra. O que explica a presença dele em oposição ao demônio da luxúria já citado: Rafael é o anjo em oposição ao demônio da luxuria em Tobias e no episodio em Sodoma. 


O protagonista do livro de Tobias é um judeu justo e fiel a Deus, mostrando que a verdadeira sabedoria e o caminho para a felicidade consistem em amar a Deus e obedecer à sua vontade (mandamentos), independentemente das circunstâncias.


Um vertente acredita que livro foi escrito na época da dominação decorrente das conquistas de Alexandre, que tentava impor a cultura, a religião e costumes helenistas, ameaçando a identidade do povo judeu. O livro busca reafirmar esta identidade ameaçada.



Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, foi rei do reino grego antigo da Macedônia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em 356 a.C., o jovem príncipe sucedeu a seu pai, o rei Filipe II, no trono com vinte anos de idade. Ele passou a maior parte de seus anos no poder em uma série de campanhas militares sem precedentes através da Ásia e nordeste da África. Até os trinta anos havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Morreu invicto em batalhas e é considerado um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história. Durante sua juventude, Alexandre foi orientado pelo filósofo Aristóteles até aos 16 anos. 


O último xá do império Persa, Dario III, foi morto através de Besso que era um dos comandantes mais confiáveis do rei Persa. Alexandre enterrou o corpo de Dario com toda a solenidade e inclusive se casou com a filha dele. Alexandre viu Besso como usurpador e o perseguiu, Besso foi entregue a Alexandre pelas mãos de seu general Ptolomeu. Assim o reino persa foi subjugado ao macedônio, terminado mais o ciclo que até agora temos acompanhado. 









Entre os ensinamentos do livro de Tobias, destacam-se a descoberta da providência divina na vida cotidiana (Arcanjo Rafael), a fidelidade à vontade de Deus (Lei), a prática da esmola, o amor aos pais, a oração e o jejum, a integridade do matrimônio e o respeito pelos mortos. O autor mostra, sobretudo, que o homem justo não vive sozinho: está sempre acompanhado e protegido por Deus. 


O livro de Tobias foi considerado canônico pelo Concílio de Cartago em 397 e reconfirmado por todos os concílios. E reconfirmado pela Igreja Católica Apostólica Romana no Concílio de Trento em 1546, depois da "Reforma" Protestante. Assim como os outros livros deuterocanônicos, o livro de Tobias não foi incluído na Bíblia Hebraica, ou Tanakh como também é conhecida. Apesar de não estarem na Bíblia Hebraica, tanto o livro de Tobias quanto os outros livros deuterocanônicos sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo eles estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel.

A Bíblia de Jerusalém relata que numa gruta em Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) foram encontrados restos de quatro manuscritos em aramaico e de um manuscritos em hebraico do Livro de Tobias, e que ele figura no Cânon, no ocidente a partir do Sínodo de Roma de 382, e no oriente a partir do Concílio de Constantinopla, denominado "in Trullo", em 692.




Comentários segundo os consagrados trabalhos de Glaire, Knabenbauer, Lesetre, Lestrade, Poels, Vigouroux, Bossuet. Publicados pela Editora das Américas, 1950. 



O nome de Tobias, é em hebreu Tobiyah e significa Iahvé é meu bem. Aparece algumas vezes a forma abreviada Tobi, porque o segundo elemento da palavra yah pode subentender-se nos nomes próprios. 


Segundo São Jerônimo (Proefatio in Tobiam, t. 29. col. 23) foi escrito em aramaico, mas há outros críticos que entendem que foi escrito em hebreu e, segundo outros, em grego. O texto primitivo perdeu-se, mas em 1877 foi descoberto um texto aramaico, que foi publicado em 1878, mas que não é certamente o texto original. Os críticos modernos inclinam-se a que fosse originariamente escrito em hebreu. 


É sabido que os protestantes consideram este livro apenas como um romance piedoso; porém a sua realidade histórica é afirmada pelas minudências da narração, pela genealogia do personagem principal e pelos dados preciosos sobre a geografia, história e cronologia. 


Objeções - Dizem que se narram fatos sobrenaturais, porém, isto nada prova contra o caráter histórico deste livro, porque, admitida a Onipotência de Deus, não se pode negar que o Ente Supremo intervenha sobrenaturalmente nas coisas criadas. 


Afirmam que Ragés, cidade da Média, foi construída em data muito posterior, mas esta asserção é destituída de fundamento, porque ela é muito antiga, e Estrabão, cujo testemunho invocam, apenas diz que Seleuco mudou o nome de Ragés no de Europos, Estrabão, 11-13, da edição Didot. 


Há, sustentam ainda, incorreções gráficas, mas estas explicam-se pela perda do original e erros de cópias. 


Composição - A tradição constante atribuiu a Tobias pai e ao filho a redação da sua história. Na verdade, em todas as versões (exceto na de São Jeronimo) Tobias fala na primeira pessoa. Além disso, no texto grego, lê-se que o Anjo mandou a Tobias que escrevesse a sua história. 


ps: este comentário de 1950 aponta que o livro teria sido escrito nos anos da deportação dos hebreus para a Assíria, em meados da época do profeta Naum (profeta citado nas últimas falas de Tobit antes da sua morte) e não após a queda do império persa que é a vertente mais atual. O que faz sentido já que Nínive caiu em 612 e ficou desocupada por 15 anos. 


















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