Gotas de Tomismo 27: Educação do Coração e as 11 Paixões (São Tomás de Aquino)
Também podem influenciar nos atos da vontade, rumo ao último fim, os movimentos afetivos chamados paixões.
Tais movimentos não são exclusivos do homem, pois também os animais os possuem. Contudo, as paixões humanas podem ser objeto de moralidade, já que somente o homem está sujeito ao império da vontade livre.
Chamamos propriamente de paixões aos movimentos do coração que nos impelem a buscar o bem e a fugir do mal, conforme nos são apresentados pelos sentidos.
As paixões são onze: amor, desejo, prazer ou alegria, ódio, tédio, tristeza, esperança, audácia, temor, ira e desesperação.
Elas estão ligadas à nossa natureza sensitiva. O homem é composto de duas naturezas: uma racional e outra sensitiva. Esta última atua primeiro, pois está em contato direto com o exterior e dele recolhe os dados de conhecimento e ação.
Logo, as paixões não são más em si mesmas. Tornam-se más quando se afastam da reta razão, desviando do bem e impelindo para o mal sensível, antecipando ou contrariando o juízo da razão.
Essas paixões não se limitam à parte sensível, mas também alcançam a faculdade da vontade. Ao falarmos do coração humano, referimo-nos tanto às paixões sensitivas quanto às da vontade.
Assim, o conselho bíblico de vigiar atentamente os movimentos do coração significa que devemos ter grande cuidado em não seguir inconsequentemente os primeiros impulsos afetivos, pois estes apenas nos impelem a buscar o prazer e a fugir do sofrimento.
Do mesmo modo, recomenda-se educar o coração, isto é, ocupar-se em desarraigar os movimentos afetivos que nos inclinam ao mal.
Esses conselhos são de suma importância, pois resumem todos os esforços do homem para adquirir a virtude e afastar-se do vício.
Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás
Nem muitas águas conseguem
apagar o amor;
os rios não conseguem levá-lo
na correnteza.
Se alguém oferecesse todas as riquezas
da sua casa para adquirir o amor,
seria totalmente desprezado.
Cânticos 8,7


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