Desafio de retórica: 5 dias de escrita pelo maravilhamento

by - quarta-feira, junho 10, 2026






A escrita, principalmente a escrita à mão, não é uma prática apenas para quem quer ser escritor, tampouco uma forma de colocar em prática uma tara gramatical, mas ajuda a organizar a mente para alicerçar bem o pilar da retórica. Escrever é como pintar uma tela que se imprime na mente de quem lê, e esse alguém pode ser o próprio escritor. Quando escrevemos sobre temas, principalmente os mais banais, como é a proposta do ciclo de escrita deste ano, escolhemos fragmentos da memória a respeito do tema. Esses fragmentos, quando trabalhados, formam uma narrativa; essa narrativa, quando lida pelo escrevente, gera um acervo autobiográfico, num ciclo de retroalimentação da alma por memórias revisitadas, organizadas, narradas, apreciadas e reassimiladas.


A narrativa de qualquer assunto dentro dessa forma de escrita pelo maravilhamento melhora a acuidade sobre temas triviais, coloca sobre eles um olhar atento e notas fantásticas, engraçadas ou reflexivas. As coisas comuns da vida ganham outro impacto depois de narradas pelo maravilhamento. Esse é o poder da escrita e o objetivo deste projeto. Não tenho nenhuma intenção de avaliar textos; minha intenção é que, ao escrever pelo maravilhamento, a porta da retórica se abra e você possa ordenar a mente, falar sobre coisas interessantes, tornar o habitual instigante e ser uma pessoa interessada na vida, atributo próprio do filósofo.


Para isso, gostaria de orientar que faça a escrita à mão. O texto deverá ter no máximo uma página e, no mínimo, um parágrafo de sete linhas. Clareza é mais desejável que refinamento, mas, se quiser aproveitar para enriquecer o vocabulário buscando sinônimos para palavras que percebe repetir muito, essa é uma ótima oportunidade.


Muitos alunos têm dificuldade em encontrar a própria linguagem. É bem comum no Brasil esse “roubo linguístico” que, de uma hora para outra, toma as pessoas como um espírito de possessão: de repente, todo mundo está a falar como o fulano ou o beltrano. Isso não é de todo ruim, mas evite imitar linguagens nesta etapa. Aqui, a intenção é que você possa usar algo seu; portanto, se você é formal, use a linguagem formal; se é mais descolado, use essa linguagem sem recorrer a gírias e palavrões, que são normalmente uma forma de incapacidade de comunicação, já que a pessoa costuma usar a mesma palavra para algo bom e para algo ruim. Para esta etapa, isso não é interessante. A linguagem informal não é ruim, desde que exista clareza nas ideias, assim como nos textos escritos em formato de fluxo de pensamento.

Esqueça a tara da gramática: simplesmente escreva buscando pelo maravilhamento. Depois, você poderá revisar o texto. O texto é algo vivo e, como a vida, raramente é perfeito.









Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)


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