instagram
  • Home
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Cursos Educa-te
  • Login Educa-te

Salus in Caritate

Seja um Educando




Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).


Livro de Malaquias




Uma vertente defende que não relata uma história real, pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período, outra acredita que é histórico (pontos abordados abaixo). O livro pertence ao gênero sapiencial, segundo a primeira vertente o livro é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos.


O livro conta a história de duas famílias judaicas aparentadas deportadas em Nínive, na Mesopotâmia (cidade citada no Livro de Jonas, cidade sede do reinado assírio de Senaqueribe na época do profeta Isaias, cidade corrigida pelo profeta Naum) e em Ecbátana, na Pérsia (cidade citada no livro de Neemias, ele morava e servia o rei da Pérsia nessa cidade, era a cidade de veraneio dos reis persas, mas foi construída pelos medos). 


Tobit, chefe da família de Nínive, fica cego e envia seu filho Tobias para buscar certa importância em dinheiro, guardada na casa de um amigo em uma cidade distante. Durante a viagem, protegido pelo Arcanjo Rafael, Tobias encontra e casa-se com Sara, sua prima em Ecbátana atormentada por um demônio chamado Asmodeu, que anteriormente matara sete maridos de Sara na noite de núpcias antes mesmo que tivessem relações sexuais. No retorno de Tobias, Tobit é curado.


Segundo as histórias judaicas, Asmodeu é considerado um dos sete príncipes do Inferno abaixo somente de Lúcifer (imperador do inferno, que se alimenta e se fortalece da avareza). É o demônio representante do pecado da Luxúria. Sua origem difere muito conforme a fonte. Alguns o consideram como um anjo caído, porém alguns escritos judaicos indicam Asmodeu como o "Rei Esquecido de Sodoma". Nesses contos Asmodeu é visto como o homem mais impuro já nascido, e aquele que guiou Sodoma à luxúria. Alguns teólogos consideram a destruição de Sodoma como meio de matar Asmodeu. 


Rafael significa "Deus cura" em hebraico; a palavra correspondente a médico é Rophe. O fato de Rafael ser considerado o portador da cura Divina, fornece indícios de que ele seja o responsável pela transição do corpo e espírito. Rafael também é figura proeminente nos costumes do Judaísmo, que descrevem-no como um dos três angelicais que visitaram Abraão antes da devastação física de Sodoma e Gomorra. O que explica a presença dele em oposição ao demônio da luxúria já citado: Rafael é o anjo em oposição ao demônio da luxuria em Tobias e no episodio em Sodoma. 


O protagonista do livro de Tobias é um judeu justo e fiel a Deus, mostrando que a verdadeira sabedoria e o caminho para a felicidade consistem em amar a Deus e obedecer à sua vontade (mandamentos), independentemente das circunstâncias.


Um vertente acredita que livro foi escrito na época da dominação decorrente das conquistas de Alexandre, que tentava impor a cultura, a religião e costumes helenistas, ameaçando a identidade do povo judeu. O livro busca reafirmar esta identidade ameaçada.



Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno, foi rei do reino grego antigo da Macedônia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em 356 a.C., o jovem príncipe sucedeu a seu pai, o rei Filipe II, no trono com vinte anos de idade. Ele passou a maior parte de seus anos no poder em uma série de campanhas militares sem precedentes através da Ásia e nordeste da África. Até os trinta anos havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Morreu invicto em batalhas e é considerado um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história. Durante sua juventude, Alexandre foi orientado pelo filósofo Aristóteles até aos 16 anos. 


O último xá do império Persa, Dario III, foi morto através de Besso que era um dos comandantes mais confiáveis do rei Persa. Alexandre enterrou o corpo de Dario com toda a solenidade e inclusive se casou com a filha dele. Alexandre viu Besso como usurpador e o perseguiu, Besso foi entregue a Alexandre pelas mãos de seu general Ptolomeu. Assim o reino persa foi subjugado ao macedônio, terminado mais o ciclo que até agora temos acompanhado. 









Entre os ensinamentos do livro de Tobias, destacam-se a descoberta da providência divina na vida cotidiana (Arcanjo Rafael), a fidelidade à vontade de Deus (Lei), a prática da esmola, o amor aos pais, a oração e o jejum, a integridade do matrimônio e o respeito pelos mortos. O autor mostra, sobretudo, que o homem justo não vive sozinho: está sempre acompanhado e protegido por Deus. 


O livro de Tobias foi considerado canônico pelo Concílio de Cartago em 397 e reconfirmado por todos os concílios. E reconfirmado pela Igreja Católica Apostólica Romana no Concílio de Trento em 1546, depois da "Reforma" Protestante. Assim como os outros livros deuterocanônicos, o livro de Tobias não foi incluído na Bíblia Hebraica, ou Tanakh como também é conhecida. Apesar de não estarem na Bíblia Hebraica, tanto o livro de Tobias quanto os outros livros deuterocanônicos sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo eles estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel.

A Bíblia de Jerusalém relata que numa gruta em Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) foram encontrados restos de quatro manuscritos em aramaico e de um manuscritos em hebraico do Livro de Tobias, e que ele figura no Cânon, no ocidente a partir do Sínodo de Roma de 382, e no oriente a partir do Concílio de Constantinopla, denominado "in Trullo", em 692.




Comentários segundo os consagrados trabalhos de Glaire, Knabenbauer, Lesetre, Lestrade, Poels, Vigouroux, Bossuet. Publicados pela Editora das Américas, 1950. 



O nome de Tobias, é em hebreu Tobiyah e significa Iahvé é meu bem. Aparece algumas vezes a forma abreviada Tobi, porque o segundo elemento da palavra yah pode subentender-se nos nomes próprios. 


Segundo São Jerônimo (Proefatio in Tobiam, t. 29. col. 23) foi escrito em aramaico, mas há outros críticos que entendem que foi escrito em hebreu e, segundo outros, em grego. O texto primitivo perdeu-se, mas em 1877 foi descoberto um texto aramaico, que foi publicado em 1878, mas que não é certamente o texto original. Os críticos modernos inclinam-se a que fosse originariamente escrito em hebreu. 


É sabido que os protestantes consideram este livro apenas como um romance piedoso; porém a sua realidade histórica é afirmada pelas minudências da narração, pela genealogia do personagem principal e pelos dados preciosos sobre a geografia, história e cronologia. 


Objeções - Dizem que se narram fatos sobrenaturais, porém, isto nada prova contra o caráter histórico deste livro, porque, admitida a Onipotência de Deus, não se pode negar que o Ente Supremo intervenha sobrenaturalmente nas coisas criadas. 


Afirmam que Ragés, cidade da Média, foi construída em data muito posterior, mas esta asserção é destituída de fundamento, porque ela é muito antiga, e Estrabão, cujo testemunho invocam, apenas diz que Seleuco mudou o nome de Ragés no de Europos, Estrabão, 11-13, da edição Didot. 


Há, sustentam ainda, incorreções gráficas, mas estas explicam-se pela perda do original e erros de cópias. 


Composição - A tradição constante atribuiu a Tobias pai e ao filho a redação da sua história. Na verdade, em todas as versões (exceto na de São Jeronimo) Tobias fala na primeira pessoa. Além disso, no texto grego, lê-se que o Anjo mandou a Tobias que escrevesse a sua história. 


ps: este comentário de 1950 aponta que o livro teria sido escrito nos anos da deportação dos hebreus para a Assíria, em meados da época do profeta Naum (profeta citado nas últimas falas de Tobit antes da sua morte) e não após a queda do império persa que é a vertente mais atual. O que faz sentido já que Nínive caiu em 612 e ficou desocupada por 15 anos. 
























Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).



Livro de Malaquias



Malaquias é o último dos profetas menores, tendo sido escrito por volta do ano 430 a.C., sendo que o seu nome não é citado em mais nenhum livro da Bíblia.


O profeta Malaquias foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio do povo judeu na Babilônia em que os muros de Jerusalém tinham sido já reconstruídos em 445 a.C., sendo necessário conduzir os israelitas da apatia religiosa aos princípios da lei mosaica (lei de Moisés).


Os temas tratados na obra seriam o amor de Deus, o pecado dos sacerdotes, o pecado do povo e a vinda do Senhor.


Nas últimas linhas deste livro do Antigo Testamento bíblico, vemos uma exortação de Deus às famílias: "converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais". No término do livro de Malaquias convida-se ao arrependimento da família como alicerce da sociedade.


Outro tema tratado no livro de Malaquias refere-se às ofertas e aos dízimos, nos versos de 7 a 12 do capítulo 3, passagem esta que é muito utilizada com o objetivo de se justificar com amparo bíblico a contribuição da suas primícias. Provérbios 3,9-10, a primeira parte da renda dos fiéis de uma organização religiosa.


Embora o dízimo tenha sido reconhecido desde a época de Moisés, nos dias de Malaquias os sacerdotes do templo recolhiam as ofertas e não repassavam para os levitas, para que eles pudessem utilizá-las para cuidar dos próprios levitas, dos órfãos, das viúvas e viajantes. E isso fez com que o profeta (Malaquias) iniciasse uma advertência a todos sobre o roubo do dízimo: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda." (Malaquias 3,9)








Comentários e anotações segundo os consagrados trabalhos de Glaire, Knabenbauer, Lesetre, Lestrade, Vigouroux, Bossuet, etc. publicados pela Editora das Américas, 1950. 


Malaquias, o último dos doze profetas menores, cujo o nome significa enviado do Senhor, foi contemporâneo de Neemias: profetizou durante a estadia deste em Jerusalém, 32 anos depois de  Artaxerxes Longimano, cerca do ano 432 A.C. Mostrou-se defensor estremo as reformas de Neemias, protestando contra o casamento com mulheres pagãs (Esdras 13, 23-24); contra a oferenda de vítimas, indignas de Deus e contra a negligência no pagamento de dízimos. O templo já estava terminado e o culto recomeçado. 

A autenticação do livro de Malaquias não tem sofrido contestação séria. 

O estilo é em geral claro, conciso e regularmente elevado, sem que atinja a sublimidade de Isaías: é um espécie de diálogo entre Deus e povo ou os sacerdotes. 





Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).




Livro de Neemias






Neemias, era filho de Hacalias (Neemias 2, 3), e provavelmente pertencia à Tribo de Judá; seus ancestrais residiam em Jerusalém antes de seu serviço na Pérsia.


Fez erigir os muros de Jerusalém e realizou importantes reformas religiosas exercendo papel fundamental na fixação da lei mosaica. O livro bíblico que traz seu nome, Livro de Neemias, redigido pouco antes do ano 400 a.C., juntamente com o Livro de Crônicas e o livro de Esdras, relata a obra de restauração de Neemias.


Viveu durante o período em que Judá era uma província do Império Aquemênida, e havia sido designado copeiro real no palácio de Susa; o rei, Artaxerxes I (Artaxerxes Longimanus), parece ter tido um bom relacionamento com seu funcionário, como evidência a longa licença que lhe foi concedida durante a restauração de Jerusalém.


Artaxerxes I Longímano, foi um rei do aquemênida, filho de Xerxes I e Améstris (que seriam Assuero e Vasti do Livro de Ester). Após o assassinato de Xerxes I em 465 a.C., ele assumiu o trono persa ao qual governaria até 424 a.C., sendo sucedido por seu filho Xerxes II. Os autores gregos lhe deram o sobrenome “Longímano”. Eles explicam o termo simbolicamente como “com grande alcance” ou de forma racionalizada, porque sua mão direita era mais longa que a esquerda.






Neemias permaneceu na Judéia por doze anos atuando como governador (Neemias 5, 14), realizando diversas reformas, apesar da oposição que encontrou (Neemias 13, 11). Construiu o Estado seguindo o que vinha sendo feito, "implementando e complementado a obra de Ezra", e fazendo todos os arranjos visando a segurança e o bom governo da cidade. Ao fim deste período importante de sua vida pública, retornou à Pérsia a serviço de seu senhor real em Susa (cidade citada no livro de Ester) ou Ecbátana (cidade cidade no livro de Tobias).


Alguns estudiosos acreditam que teria sido nessa época que Malaquias teria surgido, em meio ao povo, com palavras sisudas e solenes, de reprovação e alerta; e quando Neemias novamente retornou da Pérsia, após uma ausência de cerca de dois anos, sofreu profundamente com a degeneração moral que havia se instaurado enquanto estivera fora. Empenhou-se com vigor para retificar os abusos flagrantes que haviam surgido, e restaurou a administração ordenada dos cultos públicos e a observância externa da Lei de Moisés (Neemias 13, 6-31).


Sobre sua história subsequente, pouco se sabe. Uma das especulações é de que teria permanecido em seu cargo de governador até sua morte, por volta de 413 a.C., já com idade avançada. O local de sua morte e de seu enterro é desconhecido.


Neemias foi o último dos governadores enviados pela corte persa à Judeia; logo depois a província foi anexada à satrapia de Cele-Síria, e passou a ser governado por um sumo sacerdote (kohen gadol) indicado pelos sírios. Ele também é indicado como autor do livro das Crônicas e finalizador do livro de Esdras.


O Livro de Neemias põe o registro histórico da missão de Neemias num contexto teológico. Sob um ponto de vista político, seus atos foram o resultado do desejo persa de aumentar a segurança do Levante, e ampliar o controle do império sobre a região.



Levante é um termo geográfico, a região se resume à Síria, à Jordânia, a Israel, à Palestina, ao Líbano e a Chipre. Outras fontes definem o Levante de uma maneira mais ampla, incluindo porções da Turquia, do Iraque, da Arábia Saudita e do Egito.











Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).




Livro de Ester



Também conhecida como Hadassa bat Avihail, foi uma rainha persa cuja história é narrada no Livro de Ester. Ela foi esposa do rei persa Assuero (identificado como Xerxes I*).


Xerxes I, foi o xá aquemênida de 486 a.C. até a data do seu assassinato em 465 a.C. Era filho de Dario I e neto de Histaspes e de Ciro, o Grande. Seu nome, Xerxes, é uma transliteração para o grego de seu nome persa depois de sua ascensão, Jshāyār Shah, que significa "governante de heróis". Na Bíblia é mencionado como "Assuero". Mais tarde morreria assassinado por seu ministro Artabano, em 465 a.C. Retratado no rei persa do filme Os 300 de Esparta. 



Segundo o Livro de Ester, essa mulher originária da Judeia, chamava-se Hadassa, que significa mirta em hebraico. Quando ela entra para o harém real, recebe o nome de Ester, que possivelmente era a designação dada à mirta, pelos medos. A palavra é bastante próxima da raiz do termo que designa tanto "mirta" como "estrela", a forma da flor. 


Os judeus o chamam o Livro de Ester de Meghil-láth És-tér, ou simplesmente de o Meghil-láh, que significa "rolo", "rolo escrito", porque constitui para eles um rolo muito estimado, parte da seção dos "Escritos" (Ketuvim) da Bíblia hebraica. É um dos cinco megillot e é lido no feriado judaico do Purim (a festa da salvação do povo hebreu do plano de Hamã, narrado no Livro de Ester). A celebração deste feriado é uma forte evidência da autenticidade do livro. Diz-se que uma inscrição cuneiforme, evidentemente de Borsipa (cidade da Suméria, hoje Iraque), menciona um oficial persa de nome Mardukâ (Mordecai?), que estava em Susã no fim do reinado de Dario I ou no começo do reinado de Xerxes I.

O Livro de Ester está de pleno acordo com o restante das Escrituras e complementa os relatos de Esdras e de Neemias, contando o que aconteceu com o exilado povo de Deus na Pérsia.









Comentários e anotações segundo os consagrados trabalhos de Glaire, Knabenbauer, Lesetre, Lestrade, Poels, Vigouroux, Bossuet, etc. Editado pela Editora das Américas, 1950


Este livro é assim chamado porque contem a história de Ester, ilustre mulher da tribo de Benjamim, que logrou obter do rei da Pérsia a liberdade e  vida dos judeus, que por edito do mesmo tinham sido condenados à morte. 

O autor é desconhecido. O Talmude, Barbabathra, 15, a, 1, 4, 5, atribui-o à Sinagoga; Clemente de Alexandria, Aben Esra e outros, a Mardoqueu. O cap. 9, no versículo 20, parece confirmar esta opinião, mas o versículo 31 mostra que o final lhe não pode pertencer. Os críticos modernos, Glaire [em seu] Introducion à l'Escriture Sainte e Vigouroux [em seu] Manuel Biblique, e outros, sustentam que a maior parte desta história foi composta por Mardoqueu. 


Este livro, em que pese aos racionalistas; que consideram uma fábula, "Confictam esse universam parabolam"¹ (Semler), é um livro histórico. Para nos certificarmos basta que se apliquem as mais elementares regras da boa hermenêutica. Alude o autor à festa do Purim, Est 9, 28, que ainda hoje é celebrada nas sinagogas. O dia 13 de adar, véspera da festa, é um dia de jejum, em cuja a tarde se lê todo o livro de Ester. A história profana confirma a narração deste livro relativa aos usos e costumes dos persas. Nada há, pois, que não seja rigorosamente histórico. É certo que na parte chamada proto canônica do livro de Ester, se não encontra uma só vez o nome da Divindade, certamente por ter sido escrito entre pagãos; mas se não está o nome augusto de Deus expresso, está claramente indicada a ação eficaz e sobrenatural da Providência. 


O livro de Ester compreende o livro propriamente dito e uns apêndices, juntos por São Jerônimo, que constituem uma segunda parte deste livro. Conquanto não se conheça o texto original, é certo que se encontram nas mais antigas e autorizadas versões. De Rossi sustenta que existiu um original aramaico do livro de Ester, mais completo que o texto hebreu atual, contendo esses fragmentos apensos por São Jeronimo. "Spicimen variarum lectionum sacri textus et chaldaica Estheris additamenta"² (Tubingue, 1783). 


Quanto ao Livro de Ester, não há dúvidas sobre a sua canonicidade... na segunda parte, isto é, com respeito aos adiantamentos que acima falamos, os protestantes não aceitam como divinamente inspirada ou autentica* . Josefo aceitou e citou como autenticas e inspiradas estas passagens. A tradição constante na Igreja, desde os primeiros tempos, reconheceu a autoridade destas passagens, da mesma maneira que a do livro de Ester. Nos Setenta, na versão de Tedocião e na Itália, como nas siríaca, árabe, etiópica, copta e armênia, encontram-se estes adiantamentos. O citado Rossi encontrou os manuscritos antigos aramaicos, um na biblioteca de Pio VI, outro na Vaticana, outro na Ambrosiana. 


* O texto se refere a parte do decreto do rei e a morte de vários persas. De fato existe uma vertente de comentários, agora não somente da linha protestante, que considera todo o texto uma ficção, mas principalmente, essa parte. 



1- "A história toda foi inventada"
2- "Um exemplo das várias leituras do texto sagrado e dos acréscimos caldeus de Ester"


Autores citados:


Jean-Baptiste Glaire nasceu em Bordeaux. Tendo concluído um curso de estudos sérios em Bordéus, foi para o seminário de Saint-Sulpice em Paris, cujos cursos frequentou simultaneamente com os de línguas orientais na Sorbonne. Após a ordenação sacerdotal, em 1822, começou a lecionar hebraico no seminário de Saint-Sulpice.

Em 1825, Glaire foi nomeado assistente do Abade Chaunac de Lanzac, professor de hebraico na Sorbonne, e o sucedeu como conferencista em 1831. Foi professor de Sagrada Escritura em 1836, tornou-se reitor da faculdade em 1841 e se aposentou em 1851. Morreu em Issy, perto de Paris.



Fulcran Grégoire Vigouroux nasceu em Nantes. Terminou sua educação em outubro de 1853. Ele foi ordenado em 21 de dezembro de 1861. Após a ordenação, ele se tornou membro da Sociedade de Saint-Sulpice. Entre 1862 e 1864 Vigouroux lecionou como professor de filosofia, primeiro no seminário de Autun e depois, de outubro de 1864 a 1868, no seminário de Issy. Em 1890, ele substituiu o abade Paul Martin no Institut Catholique de Paris como instrutor da Bíblia, particularmente do Antigo Testamento. Vigouroux se engajou na defesa da historicidade da Bíblia. Preocupado principalmente com questões apologéticas, Vigouroux tendia a ser conservador na exegese. 

Em 1903, Vigouroux foi chamado a Roma para se tornar o primeiro secretário da recém-formada Comissão Bíblica Pontifícia. Vigouroux se envolveu na obra de fundação do Pontificio Istituto Biblico. Ele morreu em Paris.

É autor de um Manuel Biblique (1880). Sua obra La Bible et les découvertes modernes en Égypte et en Assyrie teve seis edições entre 1877 e 1896. De acordo com esse trabalho, as descobertas arqueológicas modernas no Egito e na Assíria confirmavam a confiabilidade da Bíblia. Vigouroux também editou o Dictionnaire de la Bible (Dicionário da Bíblia), com orientação apologética, em cinco volumes (1891–1912). Suas obras têm caráter apologético. Vigouroux foi um dos polemistas de Ernest Renan.

Vigouroux foi considerado um dos maiores apologistas católicos de sua época.


Flávio Josefo, ou apenas Josefo, também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu, "José, filho de Matias" [Matias é variante de Mateus]) e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo (latim: Titus Flavius Josephus), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.

Suas duas obras mais importantes são A Guerra dos Judeus (c. 75) e Antiguidades Judaicas (c. 94). O primeiro é fonte primária para o estudo da revolta judaica contra Roma (66-70), enquanto o segundo conta a história do mundo sob uma perspectiva judaica, também publicada como História dos Hebreus. Estas obras fornecem informações valiosas sobre a sociedade judaica da época, bem como sobre o período que viu a separação definitiva do cristianismo do judaísmo e as origens da dinastia flaviana, que reinou de 69 a 96.






 

Profeta Zacarias por Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano



Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).




Livro de Zacarias


Ele foi contemporâneo de Ageu (Esdras 5, 1). Com Ageu, ele foi chamado para despertar os judeus que retornaram, para completar a tarefa de reconstruir (Esdras 6,14). Como filho de Baraquias, filho de Ido, ele era de umas das famílias sacerdotais da tribo de Levi. Ele é um dos mais messiânicos dos profetas do Antigo Testamento, dando referências distintas e comprovadas sobre a vinda do Messias.

Ele foi um profeta do Reino de Judá, e foi o décimo primeiro profeta dos doze profetas menores. Conforme Ezequiel, ele foi um profeta do exílio. Ele descreveu a si mesmo (Zacarias 1,1) como "o Filho de Baraquias." Em Esdras, foi chamado "o filho de Ido," que foi na realidade seu avô. Sua carreira profética iniciou-se no segundo ano de Dario I*, Rei do Império Aquemênida (520 a.C.), cerca de seis anos antes do primeiro grupo que retornou do exílio babilônico.

*Dario I, cognominado o Grande, foi o terceiro rei do Império Aquemênida. Governou o império durante o seu auge, quando ele compreendia boa parte da Ásia Ocidental, o Cáucaso, Ásia Central, partes dos Bálcãs (Bulgária-Romênia-Panônia), regiões do norte e nordeste da África, incluindo o Egito (Mudrâya), o leste da Líbia, o litoral do Sudão e a Eritreia, bem como a maior parte do Paquistão, as ilhas do mar Egeu e o norte da Grécia, a Trácia e a Macedônia.

Dario assumiu o trono após derrubar um usurpador chamado Bardia (Gaumata), supostamente um mago, com o auxílio de seis outras famílias nobres persas; foi coroado na manhã seguinte. O novo rei se deparou com revoltas por todo o reino, e conseguiu reprimi-los. Um dos grandes acontecimentos na vida de Dario foi a sua expedição para punir as cidades-estado de Atenas e Erétria por seu papel na Revolta Jônica, e subjugar a Grécia. Dario expandiu seu império após conquistar a Trácia e a Macedônia e invadir a Cítia, terra natal dos citas, uma tribo nômade que havia invadido a Média anteriormente e assassinado Ciro, o Grande.

Dario organizou o império, dividindo-o em províncias (satrapias), e colocando sátrapas para governá-las. Organizou um novo sistema monetário unificado, e fez do aramaico o idioma oficial do império. Também instituiu projetos de construção por todo o império, especialmente em Susa, Pasárgadas, Persépolis, Babilônia e no Egito — onde também foi responsável pela codificação das leis. Dario também é lembrado por ter gravado num penhasco a célebre Inscrição de Beistum, uma autobiografia de grande importância linguística. Entre os colossais projetos arquitetônicos pelos quais foi responsável, estão os magníficos palácios de Persépolis e Susa.

Seu sonho era conquistar a Grécia, criou as guerras médicas, mas na Batalha de Maratona fracassou, morreu de causas naturais e deixou o trono para seu filho Xerxes I (que é o rei da batalha contra os 300 de esparta e seria também o "Assuero" do livro de Ester). Dário contava com um exército altamente treinado, que se distribuía pelo império, dispondo mais de 100 mil homens em diferentes pontos do território.


Há indícios no Targum das Lamentações de que "Zacarias filho de Ido" teria sido morto no Templo, apesar de os estudiosos acreditarem ser esta uma referência para personalidade bíblica Zacarias filho de Jeoiada. Em Mateus 23, 35, O Senhor Jesus informa que Zacarias, filho de Baraquias, foi morto entre o santuário e o altar.


Segundo o Introdução Geral e Especial aos Livros do Antigo e do Novo Testamento dos professores de Exegese da Liga de Estudos Bíblicos de 1950:
 
O próprio Zacarias no início de sua profecia (I,I), como o fazem geralmente os profetas, esclarece-nos sobre a sua pessoa, apresentando-se como "filho de Baraquias e neto de Ado (ou Ido)". Esse Ado é provavelmente o mesmo que ocorreu nas listas de Neemias (12, 4-16): era um judeu, pertencente à hierarquia sacerdotal, que , atendendo ao edito de Ciro, voltou a Babilônia à sua pátria. Seu nome, aliás muito frequente entre personagens bíblicos significa "aquele que se lembra de Javé" ou "o lembrado de Javé". Em Mt 23, 35 lemos as palavras de Jesus Cristo sobre um Zacarias, filho de Baraquias, que foi "morto entre o templo e o altar". Era natural que se pretendesse aplicar estas palavra ao nosso profeta. Entretanto, como São Jerônimo atesta, num Evangelho aramaico, usado pelos Nazarenos, lia-se que esse Zacarias era filho de Jojadá. Daí em Mt 23, 35 atual deve haver um engano e devemos atribuí-lo ao profeta Zacarias citado em 2 Crônicas 24, 20, 23 que foi realmente morto nos átrios do templo.


Zacarias foi contemporâneo de Ageu. Esdras que os cita várias vezes nomeia Zacarias sempre depois de Ageu, indicando ser este mais velho. Como Ageu, também Zacarias data exatamente as suas profecias pelo reinado dos Persas, então senhores da Palestina. A sua primeira profecia foi feita no oitavo mês do segundo ano do reinado de Dario I (521-486) e a segunda no quanto ano do mesmo monarca. A sua época se caracterizava pela inúmeras dificuldades civis e religiosas com que os israelitas lutavam. A religião de Javé em particular, de um lado, florescia, já não havendo outros cultos prestados a ídolos entre o povo. De outro lado, porém, os israelitas mostravam-se remissos e negligentes, necessitando das exortações calorosas que Zacarias em nome de Deus lhes faz nestas profecias. 

São Jerônimo, no seu prologo, caracteriza de "obscuríssimo" o livro de Zacarias, epíteto este em parte merecido pelo seu estilo apocalíptico e pela má conservação do texto. 






Visão Geral: Livro de Ageu



Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).



Livro de Ageu


Ageu, foi um profeta hebreu e contemporâneo de Esdras, Neemias e Zacarias. Sua mensagem foi de exortação e motivação a respeito da restauração de Jerusalém e seu Templo. Possui quatro principais mensagens do Senhor para os judeus que retornaram do exílio em Babilônia. São fortes repreensões devido ao descaso na reconstrução do Templo.

Escrito entre o final de agosto e meados de dezembro de 520 AC , cerca de 17 anos depois do retorno dos judeus do exílio, quando ainda não se completara a construção do Templo. O profeta Ageu, indicava que o povo estava se preocupando com as próprias vidas e esquecendo do principal - a casa de Deus. Este livro frisa a importância nas obras de Deus e que Ele deve estar sempre em primeiro lugar, na vida e nas obras das pessoas.

No ano 538 AC, quando os judeus voltaram do Exílio da Babilônia, a situação de Judá e de Jerusalém era deplorável: cada um procurando se defender sozinho, sem nenhum interesse em formar a unidade que lhes desse a característica de povo. Mesmo aqueles que voltaram do exílio estavam preocupados em construir a própria casa, plantar a sua roça, vender as suas mercadorias, mais do que restabelecer a dignidade nacional. Um leigo (Zorobabel) e um sacerdote (Josué) procuram reunir esse povo e reconstruir Jerusalém e o Templo, a fim de reestruturar o povo judeu.

No ano 520 AC o profeta Ageu entra em cena para encorajar os compatriotas. Suas exortações têm como eixo o seguinte tema: se o Templo for reconstruído, tudo vai melhorar, pois Deus habitará de novo no meio deles e espalhará as suas bênçãos.


Segundo o Introdução Geral e Especial aos Livros do Antigo e do Novo Testamento dos professores de Exegese da Liga de Estudos Bíblicos de 1950: 

Ageu, tanto na sua profecia, como em Esdras é simplesmente designado como profeta, sem que se indique a sua filiação. O seu nome (Chaggai) significa "festivo" ou solene. A Ageu são atribuídos muitos salmos nas respectivas inscrições do saltério, sendo de notar todavia que essas indicações são de data posterior e que variam muito nas diversas traduções antigas como LXX, na siríaca e na Vulgata. É possível que esses salmos tenham sido introduzidos no culto por sua intervenção. 

Se pouco sabemos da pessoa de Ageu, estamos inteirados acuradamente sobre a data de suas profecias que foram feitas no segundo ano de Dario I* o qual reinou de 521-486. Existe a possibilidade que Ageu tenha nascido em Jerusalém antes do exílio, tendo sido deportado ainda jovem, no caso ele se inclui entre aqueles que tinham conhecido o Templo de Salomão e já teria então, quando profetizou, a idade de 80 a 90 anos. Mais provável é que tenha nascido na Babilônia. Em todo o caso, acompanhou um dos primeiro grupos de israelitas que, guiados por Zorobabel, voltaram à Palestina, depois do edito de Ciro (538) que permitia a reedificação do templo de Jerusalém e restituía aos judeus os vasos desse santuário. 

Aconteceu que os primeiros israelitas que tornaram à pátria, cheios de zelo, começaram logo a reconstrução do templo, mas sobrevieram muitas dificuldades tanto em consequência do estado precário em que viviam, como pela má vontade dos habitantes de Samaria e de outros lugares vizinhos. A consequência foi que caíram em lamentável desânimo e indolência. Quanto sabemos, Zorobabel, nomeado pelos persas, era o chefe civil do povo; ao seu lado exercia a função de sumo sacerdote um hebreu chamado Jesus. A estes dois é que tanto Ageu como Zacarias se dirigem, exortando-os, a eles e ao povo, a continuarem a construção do Templo. 


Sobre o caráter messiânico de 2, 6-9: a tradição dos Santos Padres assegura-nos que esse oráculo contem profundo sentido messiânico: a glória do reino universal e teocrático do Messias. Basta aliás compará-lo com os oráculos de tantos profetas antes do exílio e com Zacarias, para certificar-nos que Ageu ensina as mesmas esperanças a Israel: as nações de todo o orbe reconhecerão as prerrogativas do Messias, irão imolar no seu templo e fruirão de sua paz perfeita. 

Mas, questiona-se: Ageu nesse passo refere-se expressamente a pessoa do Messias? Na Vulgata e em muitas traduções que dela dependem lê-se (v. 7): "e virá do desejado (desideratus) de todas as nações". A palavra desuteratus corresponde ao grego (da Sentuaginta) ekletá que significa "as coisas escolhidas" ou as melhores coisas, as coisas desejáveis. Em hebraico o termo chemdat tem sentido de tesouros  e riquezas (ou o desejo). Os comentadores gregos viam nesse ekletá a conversão da elite das nações ao cristianismo. Compreende-se a tradução latina da Vulgata, atendendo-se ao processo assaz familiar a São Jeronimo de substituir uma forma abstrata por uma mais concreta, para assim acentuar o momento messiânico do texto. No caso é evidente que todo o contexto e o paralelismo exigem sentido primário do termo hebraico: riquezas. Conclusão: Ageu não menciona propriamente o Messias, mas refere-se a sua era.


*Dario I, cognominado o Grande, foi o terceiro rei do Império Aquemênida. Governou o império durante o seu auge, quando ele compreendia boa parte da Ásia Ocidental, o Cáucaso, Ásia Central, partes dos Bálcãs (Bulgária-Romênia-Panônia), regiões do norte e nordeste da África, incluindo o Egito (Mudrâya), o leste da Líbia, o litoral do Sudão e a Eritreia, bem como a maior parte do Paquistão, as ilhas do mar Egeu e o norte da Grécia, a Trácia e a Macedônia.

Dario assumiu o trono após derrubar um usurpador chamado Bardia (Gaumata), supostamente um mago, com o auxílio de seis outras famílias nobres persas; foi coroado na manhã seguinte. O novo rei se deparou com revoltas por todo o reino, e conseguiu reprimi-los. Um dos grandes acontecimentos na vida de Dario foi a sua expedição para punir as cidades-estado de Atenas e Erétria por seu papel na Revolta Jônica, e subjugar a Grécia. Dario expandiu seu império após conquistar a Trácia e a Macedônia e invadir a Cítia, terra natal dos citas, uma tribo nômade que havia invadido a Média anteriormente e assassinado Ciro, o Grande.

Dario organizou o império, dividindo-o em províncias (satrapias), e colocando sátrapas para governá-las. Organizou um novo sistema monetário unificado, e fez do aramaico o idioma oficial do império. Também instituiu projetos de construção por todo o império, especialmente em Susa, Pasárgadas, Persépolis, Babilônia e no Egito — onde também foi responsável pela codificação das leis. Dario também é lembrado por ter gravado num penhasco a célebre Inscrição de Beistum, uma autobiografia de grande importância linguística. Entre os colossais projetos arquitetônicos pelos quais foi responsável, estão os magníficos palácios de Persépolis e Susa.

Seu sonho era conquistar a Grécia, criou as guerras médicas, mas na Batalha de Maratona fracassou, morreu de causas naturais e deixou o trono para seu filho Xerxes I (que é o rei da batalha contra os 300 de esparta e seria também o "Assuero" do livro de Ester). Dário contava com um exército altamente treinado, que se distribuía pelo império, dispondo mais de 100 mil homens em diferentes pontos do território.






Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 

visão geral livro de esdras





Este é um material de apoio do Projeto de Leitura Bíblica: Lendo a Bíblia, para baixar o calendário de leitura bíblica e os outros textos de apoio dos Doutores da Igreja , online e pdf, sobre cada livro da Bíblia, clique aqui.



Este projeto é um dos ramos de uma árvore de conteúdos planejados especificamente para o seu enriquecimento. Os projetos que compõem esta árvore são: Projeto de Leitura Bíblica com textos de apoio dos Doutores da Igreja (baixar gratuitamente aqui), Plano de Vida Espiritual (baixar gratuitamente aqui), o Clube Aberto de Leitura Conjunta Salus in Caritate, com resenha e materiais de apoio (para ver a lista de livros, materiais e os cupons de desconto 2020 clique aqui) e o Salus in Caritate Podcast (ouça em sua plataforma preferida aqui).



Livro de Esdras




Esdras significa "Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador) é um personagem da tradição judaico-cristã que liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram da Babilônia em 457 a.C. Descendente de Araão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés.

Seu nome é citado 30 vezes na Bíblia.

Ele recebeu ordem do rei Artaxerxes I para ir até Jerusalém. Ele levaria oferta para o templo, judeus que quisessem voltar com ele e pessoas para trabalhar no templo (levitas, servidores do templo, porteiros, cantores). O objetivo da missão dele era ver como estava à condição espiritual do povo judeu. Com as ofertas ele teria que comprar animais e outros produtos para serem utilizados nos sacrifícios. Esdras tinha também autoridade para nomear magistrados e juízes que julgassem o povo além do rio Eufrates.

Artaxerxes I Longímano (? — 424 a.C.) foi um rei do aquemênida, filho de Xerxes I e Améstris. Após o assassinato de Xerxes I em 465 a.C., ele assumiu o trono persa ao qual governaria até 424 a.C., sendo sucedido por seu filho Xerxes II. Os autores gregos lhe deram o sobrenome “Longímano”. Eles explicam o termo simbolicamente como “com grande alcance” ou de forma racionalizada, porque sua mão direita era mais longa que a esquerda.


Originalmente combinado com Neemias num único livro (Esdras-Neemias), os dois foram separados nos primeiros séculos da era cristã. O tema é o retorno a Sião depois do cativeiro na Babilônia e o livro está dividido em duas partes, a primeira contando a história do primeiro retorno dos exilados, do primeiro ano de Ciro, o Grande (538 a.C.) até a finalização e de dedicação do novo Templo de Jerusalém no sexto ano de Dario I (515 a.C.); a segunda contando a missão subsequente de Esdras a Jerusalém e sua luta para purificar os judeus do que o livro chama de "pecado do casamento com não-judeus". Juntamente com o Livro de Neemias, representa o capítulo final na narrativa histórica da Bíblia hebraica.


Ciro, o Grande, foi rei e fundador do Império Aquemênida, que reinou entre 559 e 530 a.C., ano em que morreu em batalha com os Masságetas. Pertencente à dinastia dos Aquemênidas, foi sucedido pelo filho, Cambises II.

Ciro, o Grande foi um estadista e conquistador que expandiu seu império, conquistando enormes porções de território no Antigo Oriente Próximo, no Sudoeste Asiático e na Ásia Central. Ele anexou os impérios de Medos, Lídia e da Neobabilônia aos seus domínios. Ciro acabou criando o maior império que o mundo já tinha visto até aquele ponto, indo do Mar Mediterrâneo e do Helesponto até o Rio Indo. Ciro o Grande respeitava os costumes e religiões dos povos conquistados, com seu império se tornando um modelo de administração e centralização governamental, que levou a um período de prosperidade. Ele também é reconhecido por suas conquistas em direitos humanos, política e estratégia militar, bem como por sua influência nas civilizações oriental e ocidental.


Após a conquista de Babilônia, Ciro é citado num cilindro (o Cilindro de Ciro) dizendo:

“ Eu sou Ciro, rei do mundo, grande rei, rei legítimo, rei de Babilônia, rei da Suméria e de Acade, rei das quatro extremidades [da terra], filho de Cambises, grande rei, rei de Anzã, neto de Ciro I, . . . descendente de Teíspes . . . de uma família [que] sempre [exerceu] a realeza". 





Dario I, cognominado o Grande, foi o terceiro rei do Império Aquemênida. Governou o império durante o seu auge, quando ele compreendia boa parte da Ásia Ocidental, o Cáucaso, Ásia Central, partes dos Bálcãs (Bulgária-Romênia-Panônia), regiões do norte e nordeste da África, incluindo o Egito (Mudrâya), o leste da Líbia, o litoral do Sudão e a Eritreia, bem como a maior parte do Paquistão, as ilhas do mar Egeu e o norte da Grécia, a Trácia e a Macedônia.

Dario assumiu o trono após derrubar um usurpador chamado Bardia (Gaumata), supostamente um mago, com o auxílio de seis outras famílias nobres persas; foi coroado na manhã seguinte. O novo rei se deparou com revoltas por todo o reino, e conseguiu reprimi-los. Um dos grandes acontecimentos na vida de Dario foi a sua expedição para punir as cidades-estado de Atenas e Erétria por seu papel na Revolta Jônica, e subjugar a Grécia. Dario expandiu seu império após conquistar a Trácia e a Macedônia e invadir a Cítia, terra natal dos citas, uma tribo nômade que havia invadido a Média anteriormente e assassinado Ciro, o Grande.

Dario organizou o império, dividindo-o em províncias (satrapias), e colocando sátrapas para governá-las. Organizou um novo sistema monetário unificado, e fez do aramaico o idioma oficial do império. Também instituiu projetos de construção por todo o império, especialmente em Susa, Pasárgadas, Persépolis, Babilônia e no Egito — onde também foi responsável pela codificação das leis. Dario também é lembrado por ter gravado num penhasco a célebre Inscrição de Beistum, uma autobiografia de grande importância linguística. Entre os colossais projetos arquitetônicos pelos quais foi responsável, estão os magníficos palácios de Persépolis e Susa.

Seu sonho era conquistar a Grécia, criou as guerras médicas, mas na Batalha de Maratona fracassou, morreu de causas naturais e deixou o trono para seu filho Xerxes I (que é o rei da batalha contra os 300 de esparta e seria também o "Assuero" do livro de Ester). Dário contava com um exército altamente treinado, que se distribuía pelo império, dispondo mais de 100 mil homens em diferentes pontos do território.



Esdras foi escrito para se encaixar no padrão esquemático no qual o Deus de Israel inspira um rei da Pérsia a nomear um líder da comunidade judaica para realizar uma missão; três líderes sucessivos realizam três destas missões: a primeira é reconstruir o Templo, a segunda, purificar a comunidade judaica e a terceira, selar a cidade sagrada de Jerusalém reconstruindo a sua muralha. O programa teológico do livro explica os muitos problemas em sua cronologia. A primeira versão do livro provavelmente apareceu por volta de 399 a.C. e o livro continuou a ser revisado e editado por muitos séculos até ser aceito como parte do cânone bíblico no início da era cristã.











Newer Posts
Older Posts
"Quem ama a disciplina, ama o conhecimento" - Provérbios 12, 1

Visitas do mês

"A língua dos sábios cura" - Provérbios 12, 18

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)



Abas Úteis

  • Sobre Ana Paula Barros, Portifólio Criativo Salus e Contato Salus
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Educa-te: Paideia Cristã
  • Revista Salutaris
  • Salus in Caritate na Amazon
  • Comunidade Salutares: WhatsApp e Telegram Salus in Caritate
  • Livraria Salus in Caritate

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Temas Tratados

  • A Mulher Católica (82)
  • Arte & Literatura (71)
  • Biblioteca Digital Salus in Caritate (21)
  • Cartas & Crônicas & Reflexões & Poemas (69)
  • Celibato Leigo (7)
  • Cronogramas & Calendários & Planos (10)
  • Cultura & Cinema & Teatro (7)
  • Devoção e Piedade (124)
  • Devoção: Uma Virtude para cada Mês (11)
  • Educação e Filosofia (102)
  • Estudiosidade (40)
  • Estudos Literários Católicos (25)
  • Gotas de Tomismo (72)
  • Livraria Digital Salus (4)
  • Plano de Estudo A Tradição Católica (2)
  • Plano de Leitura Bíblica com os Doutores da Igreja (56)
  • Podcasts (1)
  • Salus & Viriditas (5)
  • Semiótica & Estudos Culturais (25)
  • Total Consagração a Jesus por Maria (21)
"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Arquivo da década

  • ▼  2026 (29)
    • ▼  agosto (1)
      • Metaestética
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (8)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (2)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2025 (51)
    • ►  novembro (24)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (2)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2024 (37)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (3)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (3)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2023 (61)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (8)
    • ►  maio (5)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2022 (41)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (12)
    • ►  junho (2)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2021 (104)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (16)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (11)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (6)
    • ►  maio (10)
    • ►  abril (11)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (13)
    • ►  janeiro (9)
  • ►  2020 (69)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (6)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (8)
    • ►  junho (9)
    • ►  maio (6)
    • ►  abril (6)
    • ►  março (6)
    • ►  janeiro (5)
  • ►  2019 (96)
    • ►  dezembro (43)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (5)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2018 (27)
    • ►  dezembro (3)
    • ►  novembro (1)
    • ►  outubro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (7)
    • ►  junho (7)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2017 (26)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (6)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2016 (11)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  fevereiro (2)
  • ►  2015 (3)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  junho (1)
  • ►  2014 (3)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
  • ►  2013 (1)
    • ►  julho (1)
  • ►  2012 (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
    • ►  junho (1)
Ana Paula Barros| Salus in Caritate. Tecnologia do Blogger.
Ana Paula Barros SalusinCaritate | Distribuido por Projetos Culturais Católicos Salus in Caritate