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Salus in Caritate

Seja um Educando

 




Introdução


Este artigo visa suscitar o tema da Virtude da Amabilidade utilizando como texto base o livro "O Poder Oculto da Amabilidade" (aqui). O desejo da divulgação mais reflexiva sobre este tema, a escuta atenta dos discursos vigentes (seja dos intitulados conservadores, seja dos progressistas), a crítica de cultura necessária diante dos discursos que visam uma deturpação da Virtude da Amabilidade pelo excesso ou pela escassez, assim como o entendimento equivocado da amabilidade na prática cotidiana, como se fosse "uma obrigação cristã a ser bobinho e bonzinho", foram alguns motivadores deste artigo que terá 4 partes. 


Autor do livro


Padre Lovasik foi ordenado em 1938 na Sociedade do Verbo Divino, fundou a congregação feminina "Sisters of the Divine Spirit" e o instituto secular "Family Service Corps". Conduziu missões nos EUA por quarenta anos.


O livro "O Poder Oculto da Amabilidade"


O autor dividiu o tema da Virtude da Amabilidade em três partes: 

Parte 1- Cultive um comportamento amável
Parte 2- Aprenda a falar amavelmente
Parte 3- Corrija com Amabilidade
Parte 4 - Demonstre seu amor com atitudes amáveis



Corrija com amabilidade

Corrigir ou repreender é o ato de advertir o outro com autoridade, de modo aberto e direto, por um erro cometido. É uma expressão direta de desaprovação à pessoa corrigida e, evidentemente, é um dever daqueles que possuem a responsabilidade de governar os outros, tais como autoridades eclesiásticas, representantes da lei, pais, empregadores, professores e todos os que possuem o dever de proteger os interesses autênticos das atividades em geral. 


O autor inicia a abordagem sobre a correção fraterna definindo o que é e de quem é o dever de corrigir. No entanto, não é abordado que a correção deve ser feita não embasada no "ser autoridade" e sim na avaliação da conduta da pessoa segundo os parâmetros cristãos e seu ensino moral. Me parece necessário pontuar tal diferença para nos posicionarmos de forma acertada diante de abusos de autoridade em prol da defesa de condutas morais contra a doutrina e ensino católico. Afinal, se tornou comum o uso do microfone e da autoridade investida para semear correções, diretas ou indiretas, contra atos de piedade e escolhas moralmente boas e edificantes.



Se a caridade o exigi não tenha medo de corrigir, mas não se precipite. Primeiramente, pondere se vale a pena fazê-lo, pois algumas pessoas gostam de corrigir por meras ninharias. São Paulo diz a Timóteo: exorta com toda paciência e empenho em instruir. O resultado de uma correção apressada é que ela perde sua eficácia ou produz um efeito contrário. 


O ato de instruir é abordado somente na perspectiva da ignorância, ou seja, aqui se trata de instruir os ignorantes, aqueles que por ventura não receberam alguma bagagem moral ou educacional e que portanto, são objeto de caridade intelectual, para tal é necessário apontar a conduta mais acertada e fazê-lo desvendado os lugares de equivoco, mostrando assim, com clareza e cortesia, os erros. Isso deve ser feito sem medo, pois o medo tira a percepção e maravilhamento que a convicção, por si só, gera no outro.


No entanto, o autor não aborda a correção dos que tem o conhecimento. Afinal, existe os que decidem agir contrariamente ao que lhes foi ensinado, é uma decisão, não uma ignorância. Neste caso é importante ficar com o seguinte ensino "pondere se vale a pena fazê-lo". Uma pessoa que tem o conhecimento e mesmo assim tomou uma decisão contrária, selecionou para isso os pensamentos que lhe são caros. Por exemplo, eu como professora católica ensino o que é moralmente correto, ensino o ensino milenar católico, mas não posso obrigar os que escutam a segui-lo, esta é a grande limitação da evangelização. Se a pessoa escolheu não seguir, é porque eu não estou entre os pensamentos importantes para ela. As pessoas só seguem os conselhos de pessoas que são importantes para elas, se eu não estou entre estas pessoas, não vale a pena corrigir. Esta é a pior parte de ensinar... quando as pessoas rejeitam solenemente o ensino, para elas não tem importância.


Para isso o autor diz "não permita que a sua correção seja resultado da preguiça espiritual, por não se dar ao trabalho de encontrar outras formas de ajudar". Existem outras formas de ajudar os que escolheram o erro (ou o minimamente bom) mesmo sabendo a verdade (ou o melhor a ser feito): interceder, fazer penitência, incentivar que lembrem das belezas do que é certo ou do que é melhor e suportar a limitação das pessoas.


"Faça com que a sua correção brote do amor e não da irritação". 




Para corrigir o autor oferece o seguinte itinerário ao que corrige:




1) Comece com elogios,

2) Fale sobre seus próprios erros antes de criticar os dos outros,

3) Faça perguntas em vez de dar ordens diretas,

4) Proteja a boa fama das pessoas,

4) Incentive, mostrando que, na verdade, é fácil acertar os pontos errados.







Ao que recebe a correção:

1) Ouça sem interromper,

2) Esteja disposto a considerar o assunto,

3) Evite reações violentas,

4) Cultive a gratidão a Deus (neste ponto o padre diz sobre a "oportunidade de sofrer injustiça", no entanto, também é matéria de gratidão ser corrigido por alguém sábio).







Singelamente, Ana



 



Ó Santo e Divino Espírito,
não quero mais viver para mim mesmo;
em Vos amar e agradar
quero empregar tudo o que me resta da vida.
Com este fim, Vos peço
que me concedais o dom da oração mental.




Vinde a meu coração, ensinai-me vós mesmo
a praticá-la como se deve.
Dai-me a força de não deixá-la por tédio no tempo da aridez;
dai-me o espírito de oração,
isto é, a graça de sempre orar e de fazer aquelas orações
que sejam mais agradáveis ao vosso divino Coração.




Por meus pecados me havia perdido;
mas por tantos sinais de vossa ternura,
reconheço que quereis a minha salvação e santificação.
Quero santificar-me para Vos agradar
e amar mais a vossa infinita bondade.
Amo-vos, ó meu soberano Bem, meu amor, meu tudo,
e porque Vos amo, dou-me todo a Vós.



Ó Maria, minha esperança, protegei-me. Amém!

 





Introdução


Este artigo visa suscitar o tema da Virtude da Amabilidade utilizando como texto base o livro "O Poder Oculto da Amabilidade" (aqui). O desejo da divulgação mais reflexiva sobre este tema, a escuta atenta dos discursos vigentes (seja dos intitulados conservadores, seja dos progressistas), a crítica de cultura necessária diante dos discursos que visam uma deturpação da Virtude da Amabilidade pelo excesso ou pela escassez, assim como o entendimento equivocado da amabilidade na prática cotidiana, como se fosse "uma obrigação cristã a ser bobinho e bonzinho", foram alguns motivadores deste artigo que terá 4 partes. 


Autor do livro


Padre Lovasik foi ordenado em 1938 na Sociedade do Verbo Divino, fundou a congregação feminina "Sisters of the Divine Spirit" e o instituto secular "Family Service Corps". Conduziu missões nos EUA por quarenta anos.


O livro "O Poder Oculto da Amabilidade"


O autor dividiu o tema da Virtude da Amabilidade em três partes: 

Parte 1- Cultive um comportamento amável
Parte 2- Aprenda a falar amavelmente
Parte 3- Corrija com Amabilidade
Parte 4 - Demonstre seu amor com atitudes amáveis



Parte 2- Aprenda a falar amavelmente


O autor inicia este tópico com o subtítulo "Busque sempre a verdade", o que já nos distancia de um entendimento, bem comum, da amabilidade como uma espécie doce de respeito humano. 

A Virtude da veracidade, significa dizer exatamente o que está em sua mente. A palavra é a imagem do pensamento. A verdade significa a imagem certa. A veracidade é a imagem da Verdade Divina


No entanto, tal dedicação deve fugir da calúnia, da difamação e da murmuração. Neste ponto encontramos um entrave moral recorrente, pois, quanto seria possível guardar silêncio diante de um ato ruim, de uma conduta ruim? O autor não entra neste entrave. O capítulo parece se referir às relações próximas, como com os filhos e entre os esposos ou, quando muito, entre amigos próximos, em que tais coisas são ruins pois os laços de união são, na doutrina católica, indissolúveis (filhos e esposos).  Acredito ser importante esta ponderação, pois se o capítulo for entendido como conduta mestra para tudo, podemos cair em pontos problemáticos no que se refere à limites nos relacionamentos e ainda à devida postura diante de um comportamento público reprovável. 


Portanto, como qualquer questão moral, estamos enredados em questões complicadas que exigem a boa conduta respectiva a cada situação. Por exemplo, ele aborda o respeito do direito da boa reputação, que é algo realmente importante, no entanto, existem casos em que alguém pode se valer da boa reputação para fazer coisas más (isto, no entanto, não é abordado no livro). 


Então podemos entender que o autor se refere à fofocas infundadas que maculam a reputação das pessoas sem que nada esteja comprovado. Fofocas infundadas são um desrespeito ao mandamento de "não dar falso testemunho".


Após abordar a necessidade da veracidade o autor nos faz relembrar, o já visto no tópico anterior, sobre o valor da caridade nas palavras. No geral, a escrita tende a reiterar o discurso sobre "evitar brigas", novamente, parece ser escrito pensando num contexto familiar e de amizades; mas em várias passagens fiquei com a nítida impressão de estar a ler algo escrito por um fleumático mor, que faz de um tudo para fugir de uma briga. O que nos leva à afirmações problemáticas, veja bem:


Minimize suas conquistas. Até mesmo os seus amigos preferem falar sobre suas próprias realizações do que ouvir você se gabar das suas. Deixe seu amigo superá-lo, porque isso lhe dá um sentimento de importância. Afinal, do ponto de vista humano, você realmente não é muito importante.


É claro que a intenção parece ser cultivar a humildade, no entanto, só temo que a pessoa que está a se minimizar acredite que isso é uma amizade. Não parece ser. Existem pessoas que necessitam de espaço (bem grande, muitas vezes) para se expressar, mas acreditar que isso é uma amizade saudável me parece um problema.


Mas logo adiante o autor se redime (aos meus olhos), voltando à cortesia diplomática:


Se estiver certo, tente conquistar as pessoas com tato e amabilidade para a sua maneira de pensar. As pessoas podem reconhecer a força ou fraqueza de seu caráter, bem como a sua caridade, pela maneira como você discute uma questão controversa com outras pessoas. É sinal de caridade cristã e de fortaleza de caráter defender um ponto com calma, mente aberta, objetiva e educadamente, embora com entusiasmo e sinceridade. Uma das mais proveitosas e agradáveis ocupações humanas é uma discussão honesta e direta.

 

Se você tomasse a decisão firme de nunca dizer uma palavra desagradável, progrediria rapidamente no caminho para a santidade.


Sozinho vigie seus pensamentos; em família, seu temperamento; socialmente, sua língua.


Fale de coisas, não de pessoas.


O sal da sabedoria deve temperar sua conversa o tempo todo. A sabedoria se demonstra ao ficar calado ou ao dizer a coisa certa na hora certa. Se você for sobrenaturalmente sábio e amável, o Espírito Santo o ajudará a dar as respostas apropriadas às perguntas que lhe fazem. 


 











Modéstia: O Caminho da Beleza e da Santa Ordem
Autora: Ana Paula Barros
Prefácio: Carlos Nougué

Páginas: 212
Ano de publicação: 2018 - Segunda Edição: 2025
R$: 29,00


Formato 1: livro digital acervo Salus (adquira aqui).
Formato 2: livro digital acervo Amazon (adquira aqui) para os leitores digitais Kindle e app Kindle em celular e tablet
Formato 3: livro físico na Amazon (adquira aqui) ou com valor especial aqui.


O livro Modéstia - O Caminho da Beleza e da Santa Ordem propõe-se a tratar da virtude da modéstia de maneira assertiva e ponderada, abordando tanto os pontos cruciais quanto os amplamente debatidos.

Neste volume, você encontrará respostas para questões como:
  • O que é a moralidade cristã?
  • A importância das virtudes, não apenas no âmbito religioso, mas também no social, e as consequências da ausência dessas virtudes na sociedade.
  • A influência do feminismo especificamente nesta área.
  • Documentos da Igreja sobre o tema e uma vasta referência de textos.
  • Artigos científicos que corroboram as orientações milenares da Santa Igreja.
  • Respostas às perguntas mais frequentes sobre esta virtude.

E outras abordagens pertinentes.

Com 209 páginas, este livro é fruto de uma jornada pessoal motivada por minhas convicções, após uma enxurrada de críticas à virtude da modéstia e às diversas deturpações que surgiram a partir delas. Revisitei todas essas questões. Em cada linha escrita, depositei uma fibra do meu coração e o amor à Verdade.










O segundo ensaio da tríade A Mulher Católica acaba de ser publicado:


Ensaio: A Mulher Católica: Graça & Beleza
Autora: Ana Paula Barros
Revisão de texto: Jarbas

Páginas: 100
Ano de publicação: 2025
R$: 25,00




Formato 1: livro digital acervo Salus (aqui)
Formato 2: livro digital acervo Amazon para os leitores digitais Kindle e app Kindle em celular e tablet (aqui)



Página da autora na Amazon (aqui)

Sobre a Autora (aqui)









Eu sei, a Quaresma mal começou e você já está cansado. Principalmente se você criou uma aversão à Campanha do Desgosto — quer dizer, da Fraternidade. Mas ao menos podemos pensar que é uma obra de misericórdia (claro, enviesada politicamente para alicerçar algumas falas dos últimos anos... tá, parei), mas não deixa de ser uma obra de misericórdia. Aliás, quem também precisa de misericórdia é o fiel católico... está puxado ser católico, de verdade, na terra tupiniquim (mas ao menos não estamos sendo perseguidos abertamente...).

Provavelmente, nós poderíamos competir com uma escola de samba no quesito barulho. Em pensar que os antigos diziam que todo mundo silenciava na Quarta-feira de Cinzas... mas agora a Igreja faz é barulho o ano todo. Viciados em barulho, obcecados pelo novo.

Eu, particularmente, estou cansada de tanto barulho, tanta cafonice, tanta obsessão pelo novo, novo, novo. Todos estão cansados, mas nenhum padre (ou bispo) se pergunta se isso cansa — e vem nos socorrer. O diálogo só existe no texto, não na realidade. E, se existe, só alguns são contemplados.

E, provavelmente, alguns padres acharão que minha fala é contra a obediência — porque o certo é todo mundo engolir barulho, cafonice, frases vazias sem reclamar. Eu tenho pra mim que uma Igreja da Congregação é mais silenciosa que a nossa e (pasmem) eles usam o órgão (é um instrumento do rito católico, veja bem — o instrumento por excelência) todo domingo. Enquanto nós ficamos nas guitarras, baterias e todo tipo de percussão — até na Quaresma. Uma escola de samba deslocada. E depois ninguém sabe o que estamos fazendo de errado. Mas ninguém pode falar isso... é quase um tabu, assim como outros temas.

Portanto, estamos a pedir demais que uma igreja católica, com padre católico, seja católica. Me parece que é um pedido muito difícil. E todo tipo de desacordo é solenemente ignorado — afinal, nós temos que nos adaptar.

Eu, pessoalmente, não quero me adaptar. Eu não vou me adaptar a essa joça cafona, barulhenta e cansativa. Considerando que existe um número grande de pessoas que não querem se adaptar (e não são escutadas), a Quaresma no Brasil se tornou o tempo litúrgico em que a relação “pais e filhos eclesiásticos” se revela desordenada e atritiva. Simplesmente porque os padres (e bispos) resolveram escutar mais uns filhos do que outros — sendo que deviam escutar a Tradição Católica. Assim está formado o momento em que ir à Missa já é uma penitência. E estou eu aqui a escrever coisas que muitos católicos queriam gritar na Santa Missa (inclusive eu) — para ver se o padre, os ministros e os músicos, principalmente os músicos, se comportem segundo o tempo litúrgico.

A Quaresma Católica no Brasil se tornou um tempo de revolta — porque os padres não escutam os filhos, ou escutam alguns filhos, aqueles que rejeitam solenemente a Tradição (interessantemente). Praticamente não existe silêncio, não existe reflexão, não existe valorização da piedade. Tudo se foi na realidade paroquial. Simplesmente, não existe. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado.

Passamos um período falando do combate à fome — enquanto morremos de inanição. Com fome de silêncio, de reverência, de piedade, de reflexão tranquila, de beleza penitencial. Fome da Tradição Católica. E ninguém sabe o que estamos fazendo de errado.

















 







Introdução


Este artigo visa suscitar o tema da Virtude da Amabilidade utilizando como texto base o livro "O Poder Oculto da Amabilidade" (aqui). O desejo da divulgação mais reflexiva sobre este tema, a escuta atenta dos discursos vigentes (seja dos intitulados conservadores, seja dos progressistas), a crítica de cultura necessária diante dos discursos que visam uma deturpação da Virtude da Amabilidade pelo excesso ou pela escassez, assim como o entendimento equivocado da amabilidade na prática cotidiana, como se fosse "uma obrigação cristã a ser bobinho e bonzinho", foram alguns motivadores deste artigo que terá 4 partes. 


Autor do livro


Padre Lovasik foi ordenado em 1938 na Sociedade do Verbo Divino, fundou a congregação feminina "Sisters of the Divine Spirit" e o instituto secular "Family Service Corps". Conduziu missões nos EUA por quarenta anos.


O livro "O Poder Oculto da Amabilidade"


O autor dividiu o tema da Virtude da Amabilidade em três partes: 

Parte 1- Cultive um comportamento amável
Parte 2- Aprenda a falar amavelmente
Parte 3- Corrija com Amabilidade
Parte 4 - Demonstre seu amor com atitudes amáveis


Parte 1- Cultive um Comportamento amável


A amabilidade de Deus O levou a criar o mundo e a preservá-lo na existência. Da bondade divina brotam, como de uma fonte, a força e as bênçãos de toda a bondade criada.

A amabilidade é a nossa imitação da Providência Divina.

O impulso secreto que constituiu a amabilidade é um instinto que constitui a parte mais nobre de você mesmo.

A amabilidade brota da alma do homem; é a nobreza do homem. 


Atos possíveis para cultivar a amabilidade:


1- A amabilidade antecipa a necessidade dos outros: a solicitude nos move.
2- A amabilidade neutraliza a infelicidade do pecado:  a amabilidade é grande parte do poder que Deus nos deu de sermos felizes. Num mundo onde reina o pecado podemos gerar luz com uma cortesia cristã.
3- A amabilidade tem uma poderosa influência nos outros: encorajar os outros em seus esforços na virtude.
4- A amabilidade é um dos maiores presentes de Deus: ela purifica e enobrece tudo o que toca. 


O apostolado da amabilidade dedica-se a reconquistar para a glória de Deus este mundo infeliz pelo pecado.

As regras que o autor orienta para esta ação são:


Regras da Fraternidade da Amabilidade:


Nãos
1- Não fale mal de ninguém.
2- Não fale mal de ninguém (sim, o autor repete, na parte 2, falaremos sobre a correção fraterna, que faz parte da gentileza cristã).
3- Não seja indelicado com ninguém.


Sins
1- Fale amavelmente de alguém pelo menos uma vez ao dia.
2- Pense algo amável sobre alguém pelo menos uma vez ao dia.
3- Tenha um gesto amável com alguém pelo menos uma vez ao dia. 


Caso você se descuide da amabilidade
1- Faça um breve ato de contrição (ex: "Perdão, Jesus")
2- Peça desculpas, se for possível.
3- Faça uma pequena oração pela pessoa com quem você não foi amável (ex: "Senhor, abençoe...").


O autor também salienta a necessidade da cortesia, ser cortês é um dever de caridade. Os relacionamentos melhoram com polidez, educação e cortesia. O autor escreve longamente sobre este tema, o que me lembrou, pessoalmente, da necessidade atual do resgate da cordialidade da diplomacia. Em meio a tantos debates apaixonados cabe a reflexão da necessidade da expressão de divergências dentro de uma linguagem cordial e diplomática. 


Deixe a sua polidez seja a polidez de coração. Não existe sinal externo de polidez sem algum fundamento moral profundo. 


O autor também aponta que a cortesia é vivenciada na pontualidade, nas manifestações cotidianas de caridade (pequenos afazeres que facilitam a vida de alguém) e pelas lembranças oportunas (ser capaz de lembrar-se com antecedência de uma ocasião ou situação que um presente ou uma atitude gentil serão especialmente apreciados). Estes atos treinam a habilidade de ser cortês através do fortalecimento do atributo da confiabilidade, se tornar alguém que as pessoas confiam e contam. 

Também é salientado a necessidade de crescer em abnegação, da oração e da alegria, sem os quais não existe amabilidade. 


Torne-se membro do apostolado do sorriso. Seu sorriso está a serviço de Deus, porque é um instrumento para ganhar almas. A graça santificante que habita em sua alma adoçará o seu sorriso e o habilitará a fazer muito bem. 


Longo tempo é dedicado a abordagem da ira e da avareza. O autor relembra alguns pontos, que são familiares aos conhecedores dos ensinamentos dos Padres do Deserto, sobre o desajuste interno provocado pela ira. No entanto,  o autor segue a linha atualmente vigente, que visa suprimir a ira. Esta abordagem não é a dos Padres do Deserto e de alguns moralistas ilustres como o Padre Toth ou o Padre Royo, estes acreditam que a ira e a raiva são movimentos internos humanos que podem desajustar as faculdades da alma e levar à atitudes pecaminosas, mas também podem ser canalizadas para a feitura do bem para Glória de Deus. Me dedico a salientar este ponto, pois esta linha de pensamento de supressão perdura por todo o livro e pode criar uma imagem cristã difícil de ser praticada por alguns temperamentos, pois também tende, em outros temas, a suscitar uma visão de um cristianismo incapaz de impor limites às situações e pessoas, o que não é saudável (isso será abordado, como adendo reflexivo, na parte 2). 


O último tópico desta primeira parte é dedicado aos pensamentos amáveis:


Cada vez que nutre um pensamento amável, é como se Deus visse Seu próprio Ser refletido em sua alma, em uma semelhança sagrada e silenciosa. Um pensamento amável é como a imagem do Salvador em sua alma. Deus observa e se alegra com isso e abençoa sua alma porque seus pensamentos e sentimentos são muito semelhantes aos do Seu próprio Coração. 

O caráter é forjado no mundo dos pensamentos e sob a sua influência. Se você for dono dos seus pensamentos, você será domo de si mesmo. Se aprendeu a controlar seus pensamentos terá o controle de todo o seu ser. Se tiver um coração amável, suas palavras e ações também serão amáveis. Por isso é tão importante cultivar pensamentos amáveis. 

A beleza interior de sua alma, manifestada em sua habitual amabilidade de pensamento, é maior do que as palavras podem descrever. 

 

Os pensamentos amáveis irradiam luz e alegria entre os homens. Eles alegram você primeiro e depois aqueles que estão ao seu redor. As pessoas nunca deixam de notar a presença de tais pensamentos. 


A boas ações dos outros podem ser suas aos olhos de Deus se, ao observá-las, você as oferecer a Deus com uma oração e bons desejos. 


Sua alma é um jardim no qual pode plantar as mais belas flores dos pensamentos amáveis. 


Outros tópicos e adendos serão apresentados na parte dois desta série de três textos. Espero que estes tópicos possam lhe fazer refletir sobre a verdadeira Virtude da Amabilidade.







Eu estava a ler A Divina Comédia, em prosa, e me admirava das repetidas falas do poeta Virgílio em sua descida aos círculos do Inferno como guia de Dante. Ele dizia que “assim quis Aquele que pode tudo o que quer”. Enquanto me admirava das formas épicas do inferno retratadas na obra, também me admirava das preocupações atuais.

Em meio a tanto caos, parece que existem moças que, além de pegar seus terços e tentar crescer nas virtudes, estão preocupadas com a sublime prática de estar peladas — sem nenhum constrangimento moral. Para tal, é preciso consultar com toda assiduidade uma celebridade católica do Instagram, que tem como ofício responder perguntas de todo tipo, como o oráculo de Delfos ou um biscoito da sorte.

Em resposta ao oráculo de Delfos, travestido de catolicismo, parece ter se levantado uma massa de pessoas favoráveis e contrárias — tudo para contradizer a resposta do oráculo, que só ganha dinheiro com tudo isso e provavelmente fez isso com essa intenção.

O resultado é que, inusitadamente — ou não — a nova forma de defender uma atitude pagã é falar que a piedade é uma atitude muçulmana. Não me pergunte como isso se deu, não faço ideia.

Realmente — e desgraçadamente — a maioria dos católicos não tem bagagem histórica e não quer ter. Provavelmente porque o nudismo tem seus atrativos num coração angelical que tudo vê com pureza celestial, numa existência que está a criar asas de tão pura, que não precisa mais se atentar ao decoro e à vigilância moral dos reles mortais. Com toda essa elevação, não deve sobrar tempo para estudar — que também é uma coisa necessária somente aos reles mortais.

Historicamente, a modéstia sempre foi uma virtude que rege o comportamento e está presente em várias culturas e religiões. Ligá-la a uma religião não cristã, embasada em ideias preconceituosas — como se isso fosse, em si, um insulto — me parece falta de inteligência e de catolicismo.

Por exemplo, no Rito Alexandrino (o que nós frequentamos se chama Latino Romano), os padres usam algo na cabeça que parece um turbante indiano. Ou seja, existe uma série de coisas que você pode não saber sobre os costumes católicos dentro dos seis ritos da Igreja — todos aprovados por Roma, como nós gostamos. Se deixar guiar por falas como a anterior só te torna menos católico.

A questão, então, é a cegueira da atual catolicidade — alimentada por stories de Instagram, emburrecida pela TV e não formada pelo clero. A maioria acredita que tudo se resume à vivência limitada de um catolicismo de opiniões pessoais, e se deixa levar por um coração estreito e preconceituoso — e ainda batem palmas.





Enquanto estava vendo a contenda do nudismo — que é uma temática anual nesta terra tupiniquim — me lembrava, por motivos óbvios (mas, se não for, procure sobre), do labirinto do Minotauro. A história é assim: um pai e um filho construíram um labirinto para o Minotauro. Após a morte do Minotauro, assassinado por Teseu, o filho e o pai ficaram presos no labirinto e tiveram a brilhante ideia de construir asas de cera. Fizeram-nas semelhantes às asas das aves. O pai orientou seu filho a não voar perto do sol, para não derreter as asas, e também a se distanciar do mar, pois, se molhadas, as asas poderiam ficar pesadas. Mas o filho, já voando, quis chegar perto do sol. Satisfazendo o seu desejo, teve as asas derretidas e, caindo no mar Egeu, afogou-se.

Como diriam os antigos: qual é a moral da história?

Você responderá: que ele caiu por falta de prudência.

Algumas orientações são assim — como esse rapaz que está preso no labirinto ou voando imprudentemente.

No mais, o Brasil brasileiro — o país mais católico do mundo (até parece) — está entre os países que menos frequentam a Santa Missa. Não me espanta nem um pouco... Afinal, o país tem síndrome de mulher de bandido politicamente, e as moças católicas não sabem que usar biquíni é estar pelada. E ai de quem as lembrar que estão peladas. É um choque tremendo para elas — e para os rapazes que defendem, convenientemente, a nudez sazonal em prol da vitamina D, da diversão, do sol na pele (enfim, motivos de mentes elevadas, não é mesmo?). Porque, afinal, segundo o oráculo de Delfos, só os muçulmanos se preocupam com isso.

Por essas e outras, eu prefiro ler A Divina Comédia.

















 





 

Introdução

A leitura deve ser uma ferramenta eficaz na aquisição e amadurecimento do saber humano e espiritual. No entanto, mais do que ler é preciso reter o que foi lido. 

Os mapas mentais podem auxiliar e incentivar a leitura. Assim, deixo abaixo o mapa mental do clássico da espiritualidade "Tratado da Castidade" do doutor Santo Afonso Maria de Ligório, na esperança de contribuir em sua jornada e também com o intuito de incentivar (através da entrega deste tipo de material nos grupos paroquiais) os padres, coordenadores e catequistas a utilizarem literatura clássica católica, na íntegra, em seus cronogramas formativos, confiando na inteligência dos filhos de Deus somada a ação eficaz do Espírito Santo.


Mapa Mental Tratado da Castidade (encontre o livro aqui)













O livro Maconha S.A. de Dr. Álvaro Mendes é um ensaio analítico de orientação crítica. Esse termo significa um texto que não se limita a expor dados, mas organiza argumentos, interpretações e reflexões em torno de um problema, com intenção de provocar consciência e debate. A escrita tem tom acadêmico leve, mas mantém proximidade com o leitor, marcada por uma voz “paternal” que conduz a leitura ao longo das 358 páginas e dez capítulos.

A estrutura é clara: capítulos médios e longos, sustentados por bibliografia extensa. Cada capítulo começa com relatos históricos, que vão de referências monásticas a episódios da história americana. Esse recurso dá amplitude ao tema, situando a discussão sobre a legalização da maconha em diferentes cenários culturais e políticos.

Nos capítulos iniciais, especialmente I, II e IV, o autor enfatiza os danos psicológicos do consumo da maconha: dificuldades de aprendizado, problemas familiares e limitações na vida adulta. Essa repetição segue uma cadência pedagógica, ou seja, um ritmo pensado para fixar ideias pela insistência, característica da educação clássica.

O autor também introduz o conceito de subcultura, que é um conjunto de práticas, valores e símbolos que se formam dentro de uma sociedade maior, criando identidade própria. Quando fala em “subcultura do vício”, ele se refere a grupos e ambientes que normalizam o consumo de drogas, transformando-o em estilo de vida e em referência cultural. Essa ideia aproxima o livro de clássicos como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, onde a normalização de substâncias químicas aparece como parte de uma engrenagem social que molda comportamentos.

As notas de rodapé merecem um olhar atento: em vários momentos funcionam como ensaios dentro do ensaio, abrindo novas frentes de reflexão e oferecendo ao leitor digressões independentes que enriquecem a leitura.

A bibliografia extensa reforça a credibilidade da obra e a torna útil para estudos e pesquisas. 

















Tradução livre do site Catholic Essentials. As citações bíblicas foram atualizadas para a norma brasileira, mas o texto é a tradução livre do inglês. Nas citações de textos do magistério foram acrescentados, por nós, os links para os documentos, na íntegra, no site oficial da Santa Sé.


Definição de Liberalismo e a  Igreja

"Em várias formas, afirma que as leis são derivadas da autoridade do Estado (Liberalismo Absoluto), ou ao conceder uma autoridade jurídica à Igreja, nega que a Igreja seja de algum modo suprema ou superior ao Estado e, se mantem a autoridade dela, é apenas sobre as consciências. Estabelece que ela não possui autoridade externa ou social (liberalismo moderado)" (The Catholic Dictionary, 1951)


Referências à Igreja e ao Estado (anti-liberalismo) na Escritura:

E se ele não vai ouvi-los: conte à igreja. E se ele não ouvir a igreja, deixe-o ser para você como pagão e publicano (Mateus 18,17).

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Rende então a César as coisas que são de César e a Deus as coisas que são de Deus. E se maravilharam com ele (Marcos 12,17).


Ensino da Igreja Católica sobre o Liberalismo na Igreja:

"A Igreja, portanto, como dissemos, é o guia do homem para o que pertence ao Céu. Este é o ofício designado por Deus: para que possa vigiar e ordenar tudo o que diz respeito à religião, e pode, sem prejuízo, exercer, de acordo com o seu julgamento, a sua acusação sobre as práticas cristãs. Por isso, os que fingem que a Igreja tem algum desejo de interferir em questões civis, ou violar os direitos do Estado, não o conhecem ou caluniam com perversidade ". (Encíclica "Satis Cognitum, sobre a Unidade da Igreja" pelo Papa Leão XIII, 1896)


"Nisto, você deve trabalhar e cuidar diligentemente que a fé seja preservada em meio a esta grande conspiração de homens impíos que tentam derrubá-la e destruí-la. Todos podem se lembrar do julgamento em relação à sã doutrina com a qual as pessoas devem ser instruídas. Lembre-se também de que o governo e a administração de toda a Igreja recaem sobre o Romano Pontífice, a quem, segundo as palavras dos Padres do Concílio de Florença, "o pleno poder de alimentar, governar e reger a Igreja universal foi dado por Cristo o Senhor" (Encíclica "Mirare vos, sobre liberalismo e indiferentismo religioso, Papa Gregório XVI, 1832)


"Além disso, a disciplina sancionada pela Igreja nunca deve ser rejeitada ou ser marcada como contrária a certos princípios da lei natural. Ela nunca deve ser chamada aleijada ou imperfeita ou sujeita à autoridade civil. Nesta disciplina, a administração de ritos sagrados, padrões de moralidade, e o entendimento dos direitos da Igreja e seus ministros são abraçados " (Encíclica "Mirare vos, sobre liberalismo e indiferentismo religioso, Papa Gregório XVI, 1832).


O liberalismo também é claramente condenado pelo nome no "SYLLABUS DOS ERROS CONDENADOS POR PIUS IX na Encíclica Quanta Cura" em 1864.


Resumo

É claro, a partir da Escritura e do ensino da Igreja, que a Igreja e o Estado trabalham em harmonia e que todos os fiéis consultam à Igreja, em primeiro lugar, quanto a moral e a prática cristã litúrgica e social.




Referências


CATHOLIC ESSENTIALS. Liberalism. [S. l.], 1 jan. 2008. Disponível em: http://www.catholicessentials.net/liberalism.htm. Acesso em: 21 dez. 2017.








Segundo um historiador os santos são “focos de luz, de calor religioso, de vida litúrgica, que não só mantiveram acesa a fé e o fervor religioso nos povos cristãos, mas também evangelizaram e civilizaram nações inteiras, conquistadas para a Igreja de Roma”.


No livro Gertrudes de Helfta - Vida e Exercícios Espirituais encontramos a seguinte orientação:

"A mensagem de Gertrudes se dirige a todos, sem exceção. "Deus quer ser vencido pela confiança de cada pessoa. Deus não lhe resiste. Seu coração transpassado se rompe, e cataratas de ternura inundam o abismo da humanidade, seja qual for a profundidade de sua miséria".

É impossível ler os escritos de Santa Gertrudes sem ser invadido por um profundo sentimento de alegria e esperança, pois mesmo os aspectos mais triviais da vida humana tornar-se-ão suave fragrância para Cristo, um belo cântico de alegria para seu coração.

Quem é esta mística alemã do século XIII que comoveu o mundo cristão dois séculos e meio após sua morte e cuja influência perdura até hoje? Que encanto possuía esta monja da Idade Média para que seus escritos despertem uma avidez e interesses assombrosos?

Gertrudes Magna arrasta consigo todos aqueles que, sem se deixar confundir pela imensa variedade de métodos de espiritualidade que assolam os nossos dias, desejam viver em plenitude a vocação cristã. Fascinada por Cristo, alimentada pela Escritura e a Liturgia, a Santa de Helfta recorda-nos que somente o Amor redentor e trino de Deus é a fonte inesgotável de uma autêntica vida espiritual.

Os exercícios espirituais de Santa Gertrudes apresentam mais um caminho do que um guia, mais vida do que doutrina.

Impossível se aproximar deles sem ser arrebatado pelo entusiasmo amoroso de Gertrudes que ensina a rezar, rezando. Sem que o perceba, o leitor é conduzido ao louvor, à ação de graças, ao júbilo, sendo transportado às alturas da oração contemplativa.

Mais ainda: seguirá pelo caminho de uma vida mística "ordinária", vivenciando o que Gertrudes experimentou de modo "extraordinário". Pois a vida mística não é privilégio de um grupo. Desde agora todos são chamados às mais íntimas alegrias da união com Deus."



Os Exercícios Espirituais de Santa Gertrudes são marcados pelo anseio da alma esponsal, pelo uso da imaginação na recordação da graça recebida em cada sacramento e pelo tom maternal de suas orientações. São exercícios ideias para aqueles que desejam iniciar a oração mental e realizar exercícios espirituais em casa. 



"Beber desta fonte salvadora significa restituir a si a própria verdade, ofuscada pelo pecado, para recuperar a luminosidade da inteligência e do amor originais. Quem faz tal experiência reencontra o próprio coração, recriado no amor de Deus"


Para que você saiba do que se trata deixo abaixo alguns exemplos, pois, no total são 8 exercícios, sendo que os últimos devem ser feitos cada um num dia dedicado à meditação. Os exercícios podem ser encontrados no livro supracitado. Basta clicar no título para acessar os áudios. Boa meditação!

Renovação da Inocência Batismal| Primeiras Meditações de Santa Gertrudes de Hefta

Conversão Espiritual| Primeiras Meditações de Santa Gertrudes de Hefta










Parte 1 ( em vídeo aqui)


Parte 2 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Em dezembro de 2017 eu falei pela primeira vez sobre a minha vivência da modéstia, que iniciei no final de 2014. Agora, em 2023, seis anos depois, venho falar sobre essa mesma vivência. 


Em 2017 as pessoas estavam muito empolgadas com a virtude, muitas moças mudaram suas vestimentas e eu insistia na necessidade de conhecer a virtude, ler e estudar; para que fosse uma mudança duradoura. Bem, você, que está a ler, deve saber que não foi o que aconteceu. Parece que o tema "saiu de moda" e agora o tema é falar do "belo e da feminilidade" sem saber muito bem do se fala. 


Quanto a mim, eu tenho uma personalidade nada volúvel, como quem me acompanha já sabe. Portanto, acredite, eu não mudei de idéia sobre nenhum ponto que falei em meados de 2017 e 2018. A modéstia é uma necessidade radical na evangelização no Brasil. É acima de tudo um anseio. 


Desde 2017, eu venho estudando os pontos sobre a virtude e minha vivência se tornou ainda mais natural e serena, nada me é pesado ou alimentado pelo comparativo com outras realidades. Acho a vivência leve, bonita, a verdadeira elegância. 


Elegância vem da palavra eleger, ou seja, escolher. A modéstia é elegância, pois se trata de escolher bem. Escolher bem as vestes, as palavras, o modo de falar, os gestos, o porte, o que olhar e o limite de se deixar olhar. Escolher entre símbolos de rebelião e símbolos de obediência a Deus. Escolher entre falar da decadência do mundo, dos filme e séries ou se tornar a cada dia, concretamente, um símbolo vivo que sinaliza a ordem criada por Deus.


Acredito que refinei a minha percepção sobre a "cascata de virtudes" a partir da Modéstia. Esta virtude, que é anexa a virtude cardeal da Temperança, nos leva, como numa ponte, à Humildade e a Estudiosidade. Interessantemente, virtudes hoje muito citadas.


Externamente me tornei mais clássica, comecei a vestir roupas mais claras e a me preservar, ainda mais, nas redes sociais. Eu nunca fui de mostrar a minha vida, mas comecei a notar que poderia contribuir para a jornada dos que me permitem ajudar, sem compactuar com toda essa super exposição motivada por validação passageira.


Também passei a colocar um olhar atento sobre as minhas palavras e a forma de falar. No geral, sempre recebi elogios pela fala, mas notei que precisava me dedicar a polir e refinar essa área, principalmente porque o trabalho online costuma nos tirar o polimento básico como "bom dia, boa tarde, boa noite" ou ainda o devido falar ordenadamente e respeitosamente (um cala, enquanto o outro fala). Por graça, eu não perdi estas coisas, mas tenho me dedicado a melhorá-las.


Outro ponto que tenho me esforçado é na leveza, voltar a praticar exercícios com frequência tem me ajudado muito. No entanto, reitero que não fiz nenhuma concessão a respeito das calças ou qualquer outra coisa que tenha orientado nos últimos sete anos. Já que eu realmente as vivo.  Eu expliquei no meu livro os motivos para estas escolhas, e é claro que se as fiz e as oriento conscientemente, é porque acredito que são as melhores escolhas a se fazer a partir dos motivadores. Portanto, tudo que falo não é de um lugar relativista, do qual me esforço para me manter distante. Acredito, profundamente, que é possível a leveza e a beleza sem perder a firmeza, a constância e a perseverança nas escolhas. Continuo acreditando que é fácil viver algo quando todos estão empolgados, mas o teste vem quando ninguém mais está vivendo.


No mais, infelizmente, ainda não me dediquei a costurar, como era a minha intenção. Mas encontrei peças únicas em brechós, o que me ajudou muito. Mantive o cuidado com o consumismo, acho válido este apontamento, pois é possível cultivar um vício mesmo tentando seguir uma virtude. 


Quanto aos outros, fico feliz que depois de tantos anos, ao menos os que me cercam, parecem ter notado que essa é minha maneira de ser, eu escolhi assim. Acredito que foi o tempo, mas os olhares de estranheza cederam aos de algum agrado. O mesmo vale para o uso do véu. 


Mas ainda assim, seja embaixo de elogios ou olhares atravessados, se é para viver a virtude, vale a pena. 


Bem, acredito que este seja um bom resumo. 


Paz e Bem,
Ana

ps: como não faço nada sem referências, caso ainda não possa adquirir o meu livro, deixo aqui o texto "Guia sobre Modéstia sem relativismo", em que fiz um apanhado de mais de 30 escritos de papas, santos e membros ilustres da Igreja. Faço um convite para que os leia e aconselho a escutar o santos antes de seguir opiniões sem embasamento teológico em redes sociais. 




















Hoje é dia 1º de janeiro de 2023. Horas: 20h48.

A passagem de ano parece ter sido feliz para alguns brasileiros e temerosa para outros. Me pareceu que alguns deixaram a esperança em algum lugar remoto e panfletam sobre as incertezas do tempo. Bem, acontece que existir é uma coisa incerta. De modo que me pareceu um tanto estranho não escutar bênçãos da boca de cristãos — quase da mesma forma que sempre me parece estranho dizer “bênção, padre” e o padre não falar nada ou dizer “oi”. Enfim...

Fora esse clima, eu fiz uma coisa que não faço há mais de seis anos: tirei férias (e plantei plantas com a minha mãe). Retirar-se quando tudo depende de você para funcionar é um tanto difícil, mas o principal é: eu sempre achei que não precisava de férias, já que eu não me sentia cansada. Mas aí, descobri — nas férias — que eu estava cansada. A tensão de ter que produzir, escrever, semear alguma coisa era o que me cansava... e eu não estava sentindo o cansaço. Eu sei, louco... ou graça. Escolha.

Fiquei um mês sem acessar nenhuma rede, sem escrever sobre alguma coisa, sem ter que pensar em plano de aula, sem ter que editar aulas. Me dediquei ao ócio com solene dedicação. Foi muito maravilhoso não precisar acessar as redes. Eu não sei se você sabe, mas trabalhar usando uma plataforma online é muito solitário e cansativo — embora tenha muitas comodidades.

Por fim, logo depois de me retirar da minha rotina normal, mais para o final do mês, notei que tinha feito muitas coisas nesses dez anos de Salus. Eu finalmente vi que trabalhei muito. Nunca tinha notado isso — embora, recentemente, tenha visto que não sei como produzi tanta coisa “sozinha” (já que o Senhor estava lá). Então, meu cansaço fazia sentido, e minha consciência de que fiz sacrifícios parece que se alinhou.

Eu não sei se você sabe, mas eu sempre achei o Salus muito, muito pequeno — e isso aumenta com a percepção deturpada das pessoas sobre as coisas na internet. Mas acho que voltei mais orgulhosa do Salus do que antes. Sabe, o Salus tem meio milhão de acessos por ano, sem cobrar nada e sem receber nada. Eu não pago o tio Google e nem o tio Zuck. E isso é tão, tão maravilhoso! Sem pagar os robôs das redes, sem entrar em panelinhas, sem bajular ninguém, sem falar sobre polêmicas ou futilidades o tempo todo.

Me orgulho disso, porque trabalhei muito pra isso.

Refleti sobre muitas coisas nesse tempo e fiquei muito grata pelos que me acompanham há 8 ou 6 anos. Grata por quem colheu os frutos deste apostolado de alguma forma. Mas também refleti sobre como está na hora de mostrar que o Salus é maior do que as pessoas (e eu mesma) penso. Porque ele foi construído com trabalho e algumas escolhas nada marqueteiras — mas eu gosto dele assim. Acho que se torna uma oferta mais agradável.

Refleti sobre outras coisas, mas já são 21h13, e eu teria que tomar café para continuar (o que seria ótimo), mas é melhor me recolher e deixar isso para amanhã.
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Hoje é dia 9 de janeiro de 2023. Um dia depois da Epifania — e de pessoas que entraram no Salão do STF e vandalizaram a coisa toda com camisa brasileira, embora eu tenha a nítida sensação de que vi água no teto e no chão.

Eu, no entanto, estava alheia a tudo isso. Só fiquei sabendo às 21 horas. E me senti grata por isso, já que estava arrumando a louça do almoço, arrumando a roupa de cama, desengordurando a assadeira. Acho que a minha felicidade veio da sensação de estar, sem saber, estabelecendo a ordem em meio às desordens e falatórios. Talvez, se eu estivesse atenta às novidades, o caos reinaria na minha cozinha também.

Estranhamente, este episódio me lembrou a leveza de uma acrobata que desafia as leis da gravidade sem perceber. Eu desafio o caos sem perceber — arrumando a cozinha e tentando manter a mesa de trabalho em ordem (nunca tenho um sucesso duradouro).

No mais, os youtubers alinhados com a linha que se estabelece no país estão viajando loucamente. E parece que o Palácio da Alvorada — aquele primor de arte e requinte — foi deixado como um cativeiro mal cuidado.

Parece que o Capitão foi morar nos EUA. E eu não posso falar nada, já que, se me convidassem, eu também iria.

A terra tupiniquim é um recanto de lucidez, como você pode notar. Assim, busco fazer coisas sãs e com algum significado — mas acho que levei muito a sério a minha meta... Eu comprei, recentemente, um shampoo e condicionador Neutrox, por puro saudosismo. Depois, me vi assistindo He-Man e She-Ra. Devo dizer: que gotas de sanidade! Assistam alguns episódios e me entenderão. Mas, interessantemente, não me lembrava de que a She-Ra era irmã do He-Man. Enfim, descobertas incríveis! De uma época em que os desenhos tinham personagens com o nome “Ela” e “Ele”, embora pudessem vestir mais roupas. A era dos super-heróis, certamente, não permitia heroísmo e roupas na mesma pessoa. Cada época com suas dificuldades, não é mesmo?

Comecei o texto no dia 9, mas agora são 9h54 do dia 11, e eu estou aqui escrevendo sem tomar café — novamente. O que é algo terrível, que irei corrigir agora mesmo.

Paz e Bem!







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Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)



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