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Salus in Caritate

S.S. Pio XII
Alocução às Meninas da Ação Católica,
6 de outubro de 1940.[1]

(Esta é a hora da juventude católica)
Se amanhã o mundo não desejar permanecer para sempre enterrado na sombra da morte, ele terá que se ocupar em reparar as suas perdas, reconstruir as ruínas. Nesse momento você deve colaborar, Juventude Católica! E que maravilhosos empreendimentos aguardam a sua colaboração! Para reconstruir a sociedade sobre uma base cristã; para pôr em estima e honra o Evangelho e sua moral; para renovar a vida da família, restaurando ao matrimônio a sua coroa – sua dignidade sacramental, e ao marido e à mulher o sentido de suas obrigações e a consciência de sua responsabilidade; para estabelecer em toda a sociedade a noção genuína da autoridade, da obediência, do respeito pela lei, dos direitos e deveres recíprocos do homem. Esse é o seu amanhã.
Uma de suas grandes tarefas será a de ensinar a doutrina de Cristo. O mundo é dominado hoje em grande parte pelo “laicismo”: a tentativa do homem de agir sem Deus. É uma iniciativa vã e ímpia, que assume diferentes aspectos e títulos de acordo com a variedade de tempo e lugar: indiferença, descuido, desprezo, revolta, ódio. Este último, o mais perverso de todos, felizmente, não é freqüentemente encontrado em famílias nutridas pelo cristianismo há séculos, mas muitas vezes o desenvolvimento, o progresso, a difusão da ciência e das máquinas e os progressos no bem-estar material causaram em muitas pessoas uma crescente indiferença para com Deus e para com as coisas divinas. Os homens acreditam que dependem menos diretamente de Deus, agora que ganharam para si um padrão mais elevado de bem-estar material aqui embaixo. Eles ingratamente esquecem que tudo o que temos é um dom de Deus: quer se trate das forças da natureza que eles aproveitam, quer das suas próprias faculdades intelectuais e físicas — precisamente os instrumentos de seu sucesso e de suas vitórias.
Em outras épocas — não em si totalmente imune de falhas e erros — uma fé religiosa penetrava e invadia o conjunto da sociedade, especialmente a vida familiar, sendo as paredes adornadas com o crucifixo e imagens piedosas. A literatura e a arte da casa eram baseadas na Bíblia. As cidades, vilas, montanhas, nascentes levavam os nomes dos santos, ao longo das vias na zona rural e em cruzamentos, o viajante contemplava a imagem de Cristo crucificado e de Sua Mãe Santíssima. Parecia que tudo, o próprio ar, falava de Nosso Senhor, porque os homens viviam em contato estreito com Deus, viviam conscientes de sua presença universal e de seu poder soberano. O sino da igreja os acordava, convidava-os para o sacrifício divino; a oração do Angelus três vezes ao dia, para as funções de sagrado; governava a rotina diária de trabalho, assim como o sacerdote assegurava que o trabalho fosse bem feito. Cada família de então possuía um catecismo, uma história da Bíblia, muitas vezes, também, a vida dos santos para cada dia do ano. Mas quantas casas existem hoje, mais ou menos desordenadas com várias publicações, com romances e contos, mas com a falta daqueles livros! Quantos pais não estão, justamente, ansiosos para garantir que seus filhos aprendam bem as regras de higiene, mas dificilmente prestam todos estes cuidados à sua educação religiosa!

Ensinando do catecismo

Nossos venerados predecessores muitas vezes lamentaram publicamente o desconhecimento da doutrina cristã e os graves prejuízos para as almas que resultam disso. Devido a esse fato, a Ação Católica, nunca surda às palavras dos pontífices romanos, considera como uma das suas funções essenciais, bem como a formação religiosa e moral dos seus membros, também a sua preparação para o ensino do catecismo: pois o catecismo é o fundamento do conhecimento Cristão e da vida Cristã. Aquelas jovens moças que hoje ardentemente desejam fundar uma família cristã (e não há muitos entre vós que têm precisamente esse desejo?) devem se preparar e treinar para ser, se não as doutoras da religião, pelo menos as professoras. Mais do que uma de vocês, no futuro, pode perceber que a mulher deve lembrar o seu marido, com infinito tato, sabedoria e paciência, das verdades da fé e dos preceitos do Evangelho. Certamente terá que fazê-lo para seus filhos, em qualquer caso, mas não estará cheia de apreensão ou medo desse dever, se adquiriu experiência e prática em tempo útil, no âmbito da Ação Católica.
Ensinar e instruir uma alma é ao mesmo tempo “dar e receber”, o que corresponde perfeitamente com uma das ambições mais belas do seu sexo e da sua idade. A menina, a mulher que se torna professora da verdade e da bondade dá aos outros algo do tesouro da sua alma e de seu coração, através do seu trabalho falado; ela dá a si mesma para formar uma vida espiritual, da mesma forma como uma mãe dá a si mesma para a constituição física de seu filho, às vezes heroicamente, sacrificando até mesmo sua própria vida.
(Agradecimentos ao linho do altar oferecido pelo movimento.)

Moda e modéstia

Vocês que piedosamente vestem o altar e o sacrário nunca devem esquecer que carregam Deus dentro de si pela habitação da graça em suas almas. Essa presença divina faz não só suas almas, mas também seus corpos, templos sagrados. O apóstolo Paulo escreveu em sua primeira epístola aos Coríntios: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” Certamente vocês sabem que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós. E que Ele é dom de Deus para vós, de forma que vós já não vos pertenceis”.[2]
A consciência da habitação divina, da nossa incorporação em Cristo, tem através dos séculos, desenvolvido um respeito religioso para com o corpo em povos dóceis ao espírito do Evangelho. Esse respeito se manifesta no adorno da pessoa humana, no comportamento e na atitude, na fala sabiamente regulamentada e cuidadosamente medida: em uma palavra, modéstia. O mesmo apóstolo, nos primeiros anos da Igreja, desejava que as mulheres usassem o véu nas funções sagradas, e de novo para os Coríntios escreveu: Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher reze a Deus sem estar coberta com véu? No entanto, para a mulher é glória ter longa cabeleira, porque os cabelos lhe foram dados como véu”.[3]
Este ano vocês têm dado o primeiro lugar em seus projetos para a “grande cruzada da pureza”, a mesma pureza da qual a modéstia é a salvaguarda. Assim como a natureza colocou em cada criatura o instinto de autopreservação no que diz respeito à vida da criatura e da integridade dos seus membros, assim, a consciência e a graça, que não destroem a natureza, mas a aperfeiçoam, colocam na alma, por assim dizer, um sentido que se torna vigilante contra os perigos que ameaçam a pureza. Essa é uma característica especialmente da jovem cristã. Lemos na “Passio SS. Perpetuae et Felicitatis” — com justiça considerada uma das jóias mais preciosas da literatura cristã primitiva — que, no anfiteatro de Cartago, quando a mártir Vibia Perpétua, jogada para o alto por uma vaca selvagem, caiu no chão, seu primeiro pensamento e ação foi arrumar o vestido de modo a cobrir sua coxa, porque ela estava mais preocupada com a modéstia do que com a dor.[4]
Moda e modéstia devem andar de mãos dadas como duas irmãs, porque ambas as palavras têm a mesma etimologia: elas derivam do latim “modus”, significando a medida certa, e qualquer desvio em uma direção ou outra é considerada não reta, não razoável[5]. Mas a modéstia não é algo apartado da moda. Muitas mulheres, como pobres, tolas criaturas que perdem o instinto de autopreservação e a ideia de perigo, e então jogam-se em incêndios e rios, têm esquecido a modéstia cristã por causa da vaidade e da ambição: caem miseravelmente em perigos que podem significar a morte de sua pureza. Elas entregam-se à tirania da moda, mesmo que a moda seja indecente, de forma a não parecer nem mesmo suspeitarem que isso é inconveniente. Elas perderam o próprio conceito de perigo: elas perderam o instinto de modéstia.
Ajudar essas mulheres infelizes a reconhecer suas obrigações morais será o seu apostolado, a sua cruzada em todo o mundo: “Seja a vossa modéstia conhecida de todos os homens”.[6]

Exemplo

Seu apostolado será realizado, acima de tudo pelo bom exemplo. Será o dever de seu amado Presidente, de seus líderes sábios, ensinar-lhes que antes de vocês colocarem um vestido, vocês devem se perguntar o que Jesus Cristo iria pensar disso; eles vão avisá-las que, antes de aceitar um convite, vocês devem considerar se o seu invisível guardião celestial poderá acompanhá-las, sem cobrir seus olhos com suas asas; eles vão dizer-lhes quais teatros, quais companhias, quais praias evitar; eles vão mostrar a vocês como uma garota pode ser moderna, culta, esportiva, cheia de graça, naturalidade e distinção, sem ceder a todas as vulgaridades de uma moda doentia, mas preservando uma aparência que não tem artificialidades, assim como a alma que essa aparência reflete, um semblante sem sombra, quer interior quer exterior, mas sempre reservado, sincero e franco. Recomendamos, acima de tudo, rezar para a corajosa e ativa defesa de sua pureza. Recomendamos especialmente a devoção à Eucaristia e à Virgem Maria Imaculada, a quem vocês estão consagradas.
Na Eucaristia vocês encontram a Deus, a pureza em si, porque Ele é infinitamente perfeito. Quando Ele se entrega a vocês, — agrada-nos repetir as palavras do profeta — “O trigo dará vigor aos jovens, e o vinho às donzelas”[7]. Nosso Senhor, “que é uma efusão da luz eterna, um espelho sem mácula”[8] purifique suas almas e suas faculdades, seus corpos e seus sentidos. Quanto mais uma criatura se aproxima de Deus, mais se une a Ele, mais pura se torna e mais ela deseja a pureza, mais ela tende para Aquele que é o Ser puro.
Quando o Verbo desejou tornar-se carne e nascer de uma mulher, colocou o seu olhar sobre o mais perfeito ideal de Suas criaturas: uma moça na graça de sua virgindade. Quando essa graça foi unida por um milagre singular à graça da maternidade divina, sua beleza era tão sublime, que os artistas, poetas, santos aspiravam ardentemente, mas sempre em vão, dar-lhe expressão adequada. A Igreja e os seus anjos a saúdam com os títulos de Rainha e Mãe, inúmeros são os títulos com os quais a piedade dos fiéis a coroou como um diadema de um milhar de jóias. Mas de todos esses títulos de glória, um é particularmente caro a ela, e descreve a sua perfeição: a Virgem.
Que essa Virgem das Virgens, Maria, Rainha do Santo Rosário, seja o seu modelo e sua força durante toda sua vida como jovens mulheres católicas e, especialmente, na sua cruzada pela pureza.

[1] Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958).
[2] I Cor 6, 15.19.
[3] I Cor 11, 13.15.
[4] Cf. Ed Franci de Cavalieri, 1896, p. 142-144.
[5] Horace Sermones, I, 1, 106-107.
[6] Fil 4, 5 N.T. No original “modestia vestra nota sit omnibus hominibus Dominus prope”.
[7] Zac 9, 17.
[8] Sab 7,26.


Tradução: modaemodestia.com.br

Felicitações por ter começado a “Cruzada pela Pureza”

É uma cruzada contra os que minam a moral cristã, contra os perigos que estão criando, no fluxo tranqüilo da boa moral no mundo, poderosas ondas de imoralidade que estão inundando todo o mundo e envolvendo todas as classes sociais. Não é apenas a Igreja que proclama esse perigo existente hoje em toda a parte; mesmo entre os homens que não seguem a fé cristã, aqueles que são mais perspicazes, os mais preocupados com o bem público, têm apontado claramente os perigos terríveis para a ordem social e para o futuro das nações. Os incentivos à impureza, multiplicando-se continuamente, envenenam as bases da vida. E ao mesmo tempo, a atitude indulgente, ou melhor, a atitude negativa de uma parte cada vez maior da opinião pública, tornando-a cega para os mais graves distúrbios morais e relaxa ainda mais as rédeas que mantêm o mal sob controle.
A imoralidade presente é pior do que a de idades precedentes? Seria talvez imprudente afirmar isso, e a pergunta é em todo caso supérflua. Na sua própria época, o autor do Livro de Eclesiastes pôde escrever: “Não digas jamais: Como pode ser que os dias de outrora eram melhores que estes de agora? Porque não é a sabedoria que te inspira esta pergunta. O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol”.[2]

Batalha Cristã

A vida do homem na terra, mesmo na época cristã, permanece sempre uma guerra. Temos que salvar nossas almas e as almas dos nossos irmãos. Hoje, o perigo é certamente maior, porque os meios de excitar as paixões, anteriormente muito restritos, multiplicaram-se enormemente. O progresso na impressão, publicações baratas e luxuosas, fotografia, ilustrações, reproduções artísticas de todas as formas, cores e preços; filmes, espetáculos de variedades e centenas de outros meios apresentam secreta e discretamente as atrações do mal, e as tornam disponíveis a todos — velhos e jovens, mulheres e garotas. Não é verdade que está aí para todo o mundo ver uma moda que é tão exagerada a ponto de dificilmente ser adequada a uma garota cristã? E o cinema não apresenta agora as produções que anteriormente eram apresentadas apenas em locais onde mal se ousava pôr os pés?
Em face de tais perigos, em alguns países, as autoridades públicas têm tomado medidas legislativas ou administrativas para conter a avalanche de imoralidade. Mas essa ação externa vinda até mesmo das autoridades mais poderosas, embora louvável, útil e mesmo necessária, nunca pode por si só trazer os resultados na esfera moral, que são sinceros, fecundos e curadores para a alma. Para curar a alma, um tipo diferente de poder é necessário.

O dever da Ação Católica

A Igreja deve trabalhar pela alma, e da mesma forma a Ação Católica, a sua ação, a serviço da Igreja, em união íntima e sob a direção da Hierarquia, lutando contra os perigos da imoralidade, lutando em qualquer campo que esteja aberto para você: no campo da moda e do vestuário, da saúde e do esporte, no domínio das relações sociais e de entretenimento, suas armas serão a sua palavra, o seu exemplo, a sua cortesia e seu comportamento; armas que põe ante os outros um padrão de ações, que são uma honra para você e sua atividade, e tornam este mesmo padrão possível e louvável para eles.
Não temos a intenção de pintar o triste retrato, apenas muito familiar, dos exageros que você percebe sobre si: vestidos que dificilmente são suficientes para cobrir a pessoa, ou outros que parecem concebidos para enfatizar aquilo que deveria esconder; esportes que são realizados com tais vestuários, tanto exibicionismo e em tais companhias que são irreconciliáveis até mesmo com o padrão menos exigente da modéstia; danças, filmes, peças teatrais, publicações, ilustrações, decoração a partir do qual o desejo louco de entretenimento e prazer produz graves perigos. Ao contrário, nós temos o desejo de trazer à mente mais uma vez os princípios cristãos que iluminem suas decisões nesses assuntos, seus passos e guia de conduta, e inspirem e sustentem sua guerra do espírito.
É realmente uma guerra. A pureza das almas que vivem em estado de graça sobrenatural não é preservada, nem será preservada, sem luta. Felizes são vocês que têm recebido em suas famílias na aurora da vida, do berço, uma vida mais elevada, vida divina, através do batismo. Quando você era bebê não tinha que batalhar, inconsciente de tal grande dom e de tal felicidade — como fazem as almas mais maduras, mas menos afortunadas do que você — para ganhar um tão grande bem: mas você também deve lutar para preservá-lo.
Embora o pecado original tenha sido limpo de suas almas pela ação purificadora da graça santificante que as reconciliou com Deus, tornando vocês filhas adotadas e herdeiras do céu, deixou em vocês uma forma triste da herança de Adão: um desequilíbrio interior, um conflito, que até mesmo o grande apóstolo Paulo sentia. Quando o homem interior alegrou-se na lei de Deus, sentiu outra lei, a lei do pecado nos seus membros, a lei das paixões e das inclinações desordenadas, nunca inteiramente sujeitadas, com a qual o anjo de Satanás trabalha, ajudado pela carne e pelo mundo, para seduzir as almas. Essa é a guerra do espírito e da carne, tão abertamente atestada na revelação, que (se excetuarmos só a Virgem Maria) é inútil pensar que pode haver uma vida humana sem o devido cuidado e luta.
Não se engane, considerando a sua alma insensível à tentação, invencível a atrações e perigos. É verdade que o hábito pode tornar uma alma menos impressionável, sobretudo no caso de uma cujos poderes são absorvidos e totalmente ocupados no exercício de alguma atividade intelectual superior ou profissional. Mas imaginar que todas as almas, tão propensas ao sentimento, podem tornar-se insensíveis às incitações provenientes de imagens que, coloridas pela sedução do prazer, chamam e prendem a atenção, seria supor e julgar que a cooperação no mal que os convites insidiosos encontram no instinto da natureza decaída e desordenada poderiam cessar ou diminuir.

O objetivo de ação comum

Essa luta inevitável você aceita com coragem e espírito cristão. O objetivo da ação comum não pode ser a eliminação total desse combate, mas deve ter por objetivo assegurar que esse necessário conflito espiritual não se torne mais difícil e perigoso para as almas pelas circunstâncias extrínsecas e pela atmosfera em que os corações que sofrem seus ataques devem resistir e lutar.  Nos campos de batalha da Igreja, onde a virtude se opõe ao vício, você encontrará sempre os personagens heróicos novos intrépidos, moldados por Deus: esses, sustentados pela graça, não se abalam nem caem, não importa o quão fortes sejam os golpes; eles podem abertamente conservar-se incorruptos e puros no meio da sujeira que os cerca; eles são, por assim dizer, o fermento no grão bom, e um renascimento para o maior número de almas – esses, também, redimidos pelo sangue de Cristo, que constituem as massas. O objetivo, então, do seu combate deve ser o de tornar menos árdua para os homens de boa vontade a conquista do grau de pureza cristã, a condição de salvação: para garantir que as tentações que surgem do ambiente não excedam os limites da resistência que, com a graça divina, a vitalidade medíocre de muitas almas possa se opor a elas.
Para realizar objetivo tão santo e virtuoso, deve-se agir de acordo com os grupos e correntes de idéias: uma tarefa na qual uma ação conjunta pode operar com grande efeito. Desde que a união faz a força, apenas um grupo compacto, tão numeroso quanto possível, de espíritos cristãos resolutos e não tímidos, será capaz de, sempre que a sua consciência exige, de lançar fora o jugo de certos ambientes sociais, de se libertar da tirania – hoje mais forte do que nunca – de modas de todo tipo: a moda no vestir, a moda no comportamento e nas relações da vida.

Moderação e bom gosto

O movimento da moda em si não é algo mau. Ele flui espontaneamente da natureza social do homem, de acordo com um impulso que o inclina a manter-se em harmonia com seus semelhantes, e com o modo de agir das pessoas entre os quais ele vive. Deus não lhe pede para viver fora do seu tempo, tão descuidado das exigências de forma a tornar-vos ridículos, vestindo-se de maneira oposta ao gosto comum e práticas de seus contemporâneos, sem considerar o que agrada a todos eles.
Por isso mesmo o angélico Santo Tomás afirma que, nas coisas externas que o homem usa, não há mal. Mas o mal vem do homem, que faz uso dessas coisas sem moderação, ou de modo contrário ao uso comum no seu ambiente, tornando-se estranhamente em discórdia para com os outros. Ou então, usando as coisas de acordo com o uso comum, mas na verdade com afeição exagerada, através do uso de muitas roupas pelo orgulho de estar na moda ou pelo prazer, ou analisadas com um cuidado exagerado, quando apenas humildade e simplicidade teriam sido suficientes para garantir o decoro necessário.
E o mesmo santo Doutor vai tão longe e diz que o ornamento da pessoa do sexo feminino pode ser um ato meritório da virtude, quando estiver em conformidade com o estado, a posição da pessoa, e se é feito com boas intenções, e quando as mulheres usam ornamentos que são decentes de acordo com sua posição e sua dignidade, quando eles são governados de acordo com os costumes de seu país. Então ornamentar a si mesmo também se torna um ato da virtude da modéstia, que influencia o modo de andar e de se portar, o modo de vestir, todos os movimentos externos.
Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser a regra suprema da conduta; que acima da moda e de suas exigências existem leis mais altas e imperiosas, princípios superiores e imutáveis, que em nenhum caso podem ser sacrificados ao talante do prazer ou do capricho, e diante dos quais o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência. Esses princípios foram proclamados por Deus, pela Igreja, pelos santos e pelas santas, pela razão e pela moral cristãs, assinalados limites, além dos quais não florescem lírios e rosas, nem pairam nuvens de perfumes da pureza, da modéstia, do decoro e da honra feminina, mas aspira-se e domina um ar malsão de leviandade, de linguagem dúbia, de vaidade audaz, de vanglória, não menos de espírito que de traje. São aqueles princípios que Santo Tomás mostra para o ornamento feminino e recorda, quando ensina qual deve ser a ordem de nossa caridade, de nossas afeições: o bem da própria alma deve preceder o do nosso corpo, e à vantagem de nosso próprio corpo devemos preferir o bem da alma de nosso próximo. Não se vê, portanto, que há um limite que nenhuma idealizadora de modas pode fazer ultrapassar, a saber, aquele além do qual a moda se torna mãe de ruína para a alma própria e dos outros?

O sacrifício exige

Algumas jovens dirão talvez que uma determinada forma de vestuário é mais cômoda, e também mais higiênica; mas, se constitui para a saúde da alma um perigo grave e próximo, não é certamente higiênica para o espírito: tem-se o dever de renunciar. A salvação da alma fez heroínas mártires como Inês e Cecília, em meio dos tormentos e lacerações de seus corpos virginais: e não irão vocês, suas irmãs na fé, no amor de Cristo, na estima para virtude, encontrar no fundo de seus corações a coragem e força para sacrificar um pouco do bem-estar — uma vantagem física, se vocês preferem – para conservar segura e pura a vida de suas almas?
E se, por um simples prazer próprio, não se tem o direito de colocar em perigo a saúde física dos outros, não é talvez ainda menos lícito comprometer a saúde, até a própria vida de suas almas? E, se como dizem algumas mulheres, uma moda ousada não deixa nelas impressão alguma, o que sabem elas da impressão que deixarão nos outros? Quem lhes assegura que outros não tirarão disto um incentivo para o mal? Vocês não conhecem bem a fragilidade humana, nem de que sangue de corrupção sangram as feridas deixadas na natureza humana pela culpa de Adão com a ignorância no intelecto, com a malícia na vontade, com a ânsia do prazer e a debilidade para o bem, árduo nas paixões dos sentidos a tal ponto que o homem, como cera amoldável ao mal, “vê o melhor e o aprova, e ao pior se apega”[3], por causa daquele peso que sempre, como chumbo, o arrasta para o fundo. Ó, quão verdade seria se algumas mães cristãs suspeitassem as tentações e quedas que causam aos outros com seus modelos de vestidos e familiaridades em seus comportamentos, que elas inconscientemente consideram de pouca importância: estariam chocadas pela responsabilidade que é sua!
Ao que Nós não duvidamos de acrescentar: oh, mães cristãs, se soubésseis que futuro de perigos e íntimos desgostos, de dúvidas e irreprimível rubor preparais para vossas filhas e filhos, com imprudência em acostumá-los a viver parcamente vestidos, fazendo deles desaparecer o sentido natural da modéstia, vós mesmas enrubesceríeis, e vos horrorizaríeis pela vergonha que causais a vós mesmas e o dano que fazeis aos filhos que vos foram confiados pelo céu, para que crescessem cristãmente. E aquilo que dizemos para as mães, repetimo-lo a não poucas senhoras crentes, e mesmo piedosas, que aceitam seguir esta ou aquela moda arrojada, e com o seu exemplo fazem cair as últimas hesitações que retêm uma turba de suas irmãs que estão longe daquela moda, a qual poderá tornar-se para elas fonte de ruína espiritual. Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.
(Exortação a um combate inteligente e corajoso)

[1] Alocução 22 maio 1941. Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958).
[2] Eclesiastes 7, 10; 1, 9.[3] Rm 7, 19.









Ponto I


Sabes? Desejo revelar-te um segredo… 
Sabes? És imortal! 
Não acreditas, percebo, neste segredo. 
Mas saiba que é verdade, tu possuis uma alma imortal. 
Contudo, deves também conhecer a outra parte do segredo, 
O pecado é para ela um veneno fatal, 
Se o tomar e não se remediar,
 jamais contemplará o Reino Celestial.



O homem é um ser composto de espírito e matéria que, de algum modo, condensa os mundos espiritual e material.

O espírito do homem denomina-se alma.

As plantas e os animais, que também são seres corpóreos, possuem alma; a diferença reside no fato de que a alma das plantas é vegetativa e a dos animais, vegetativa e sensitiva. Já a alma humana, além dessas duas faculdades, possui também a faculdade da inteligência.

A alma humana também exerce sua função própria independentemente do corpo, já que o objeto do entendimento buscado pela inteligência é o imaterial, e dessa verdade podemos concluir que a alma é imortal, pois se é independente do corpo no obrar, forçosamente o há de sê-lo no existir.

Assim, o corpo perece sem a alma, mas a alma existe ainda que sem o corpo, é eterna.

Portanto, a alma só se une ao corpo para formar um todo harmônico chamado homem. E a união da alma ao corpo não é acidental, não ocorre ao acaso.

A alma confere ao corpo todas as perfeições que possui: o existir, o viver e o sentir, reservando para si, unicamente, o ato de entender.

Quem entende é a alma, e a alma é imortal.




“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” (Provérbios 9, 10)

Respondeu Jesus: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.” (São Mateus 22, 37)

“Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (II Coríntios 4, 4)





Ponto II


Senhor, prepara a minha alma, Minha alma, aceita ser um santuário.
Senhor, prepara minha alma para ser teu santuário. Minha alma, aceita ser pura, verdadeira e santa.
Senhor, prepara a minha alma para ser um santuário, Puro, Santo e Verdadeiro.


O corpo vive das potências vegetativas, que são três: o poder de nutrição, o de crescimento e o de reprodução.

E sente por virtude das potências sensitivas, que se dividem em duas classes: cognoscitiva e afetiva.



Das cognoscitivas:

Cognoscitivas (com sentidos exteriores), que são cinco sentidos.
Cognoscitivas sensíveis (sem órgão externo), que são o senso comum, a imaginação, o instinto e a memória.

O homem possui também outra faculdade cognoscitiva chamada de inteligência ou razão, que são uma só potência; no entanto, tem dois nomes, pois há verdades que o entendimento compreende de um só golpe e outras que necessitam de raciocínio.

O homem possui assim a capacidade de discorrer (entender pelo raciocínio), tal habilidade é uma perfeição do homem em relação a outros seres, pois pode chegar à verdade por esse meio. E imperfeição, comparado a Deus e aos anjos, pois pode ainda cair no erro.

A verdade é o conhecimento do que existe.

A ignorância é a carência de conhecimento sobre algo.

O erro é atribuir existência ao que não a teve ou tem.

A verdade pode ser conhecida a partir da idade da razão, 7 anos. No entanto, não é possível, mesmo por investigação, adquirir o conhecimento de todas as verdades; mas poderá conhecer naturalmente as coisas sensíveis e as verdades que deste conhecimento se derivam.




Das afetivas: o Livre Arbítrio

As faculdades afetivas são o poder que o homem tem de propender para o que as faculdades cognoscitivas lhe apresentam como bom e de fugir do que como mau lhe põem diante dos olhos.

Existem duas classes de faculdades afetivas: o apetite sensitivo e a vontade (que é um apetite, mas mais nobre e espiritual) e, portanto, mais perfeito.

Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja.




“O coração do homem dispõe o seu caminho, mas é o Senhor que dirige seus passos.” (Provérbios 16, 9)

“Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque esta é a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais.” (Deuteronômio 30, 19-20)

“Porém, se vos desagrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem serviram os vossos pais além do rio, se aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos o Senhor.” (Josué 24, 15)

Deus “retribuirá a cada um conforme o seu procedimento”. Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade. Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça. Haverá tribulação e angústia para todo ser humano que pratica o mal: primeiro para o judeu, depois para o grego; mas glória, honra e paz para todo o que pratica o bem: primeiro para o judeu, depois para o grego. Pois em Deus não há parcialidade. (Romanos 2, 6-11)

“…voltem a si, uma vez livres dos laços do demônio, que os mantém cativos e submetidos aos seus caprichos.” (2 Timóteo 2, 26)

“Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica.” (1 Coríntios 10, 23)

“Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade.” (Gálatas 5, 13)



Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino.










Ponto I

No início da primeira era do mundo, ele estava lá;
Na queda do grande traidor, ele estava lá;
Na queda de Adão e de Caim, ele estava lá;
E ele viu as reviravoltas do mundo.
Na Grande Obra da nossa remissão, ele estava lá.
Seu anjo da guarda, este ser te dado como guardião, ele estava lá.
Não acha estranho deixar que sua orientação, de certo valiosa, por descuido, se vá?


"Os anjos foram criados em estado de graça, o que significa que, com sua natureza, receberam a graça santificante que os tornou filhos adotivos de Deus.

Sua glória decorreu da execução de um ato livre, que foi submeter-se à ação da graça que os inclina a submeter-se a Deus por inteiro; isso ocorreu em um só instante.

Nem todos permaneceram fiéis; alguns, por orgulho, quiseram ser como Deus e gozar a felicidade independentes da Vontade Divina. Deus então, justamente, os precipitou no Inferno; assim, os anjos rebeldes e os condenados ao Inferno chamam-se demônios."

(Catecismo da Suma Teológica de Santo Tomás)


A inveja é filha e escrava do orgulho. Por esses dois vícios, orgulho e inveja, o demônio é o que é. O demônio é como um cão preso na coleira; Cristo o prendeu; só morde quem dele se aproxima.

O demônio não influencia nem seduz ninguém se não encontra terreno propício. Quando o homem ambiciona uma coisa, sua concupiscência legitima as sugestões do demônio. Quando um homem teme algo, o medo abre uma brecha em sua alma pela qual se infiltram suas insinuações. Por essas duas portas, a concupiscência e o medo, o demônio se apodera do homem.

O demônio não pode fazer mais do que lhe é permitido por Deus.

(Santo Agostinho)


Ponto II

Que bela é a Obra da Criação,
Nela podemos ver o Dedo do Senhor e nos deixar elevar em adoração.
Que bondoso foi Nosso Amor nesta ação,
Que do nada tirou tudo e deu ordem à confusão.

"A segunda categoria dos seres criados por Deus é formada pelo mundo corpóreo, criado no princípio dos seres, ao mesmo tempo que Deus criava o mundo dos espíritos (anjos); ambos foram criados instantaneamente.

Mas Ele não o criou como hoje o vemos. O Senhor o criou primeiro em estado caótico, o que significa que Deus primeiro criou os elementos ou matérias que iria utilizar para criar o mundo como hoje vemos.

Ele, no entanto, não rematou de uma só vez a Sua Obra, mas usou de intervenções sucessivas, que foram seis, e que chamamos de ‘os seis dias da criação’:

  1. A luz;
  2. O firmamento;
  3. Os mares separou da terra e criou as plantas;
  4. Sol, lua, estrelas;
  5. Aves e peixes;
  6. Animais terrestres e o homem."

(Catecismo da Suma Teológica de São Tomás de Aquino)






Carta 15 Coerencia e concretude



Piracicaba, 3 de novembro de 2019

Sabe o que é mais importante? Concretude e coerência.

Tenho pensado muito nesse "pensamento fluido" atual. Já vi muita gente que dizia a coisa certa e passou a dizer o contrário para ser aceita em grupos, ou para aliviar o peso, ou para não ter problemas, ou para ser bem vista no geral.

Eu acredito profundamente no poder do exemplo — foi a forma de propagação do cristianismo. As pessoas se convertiam por verem o exemplo dos cristãos. Acredito que temos que formar a nossa "assembleia de vozes importantes" para não desfalecermos em meio a tantas vozes, nessa era com tanta informação e pouca formação. É, ao meu ver, uma questão de sobrevivência.

No entanto, é preciso formar uma estrutura interior capaz de seguir numa direção. Uma alma sem essa força interior segue nessa jornada mudando com o vento das opiniões, de acordo com o grupo em que está ou com o que se diz no momento. Nenhuma concretude e nenhuma coerência pode surgir disso.

"Seja fiel no pouco e Ele te confiará mais", já dizia aquela música. Pois bem, a fidelidade demanda certa retidão nas pequenas coisas.

Tente formar a sua assembleia de vozes e seja capaz de discernir. Não adianta dizer que só Jesus importa e parecer um oráculo que, a cada hora, fala e expressa uma coisa — muitas vezes contraditórias. Como pode alguém que hoje diz algo e amanhã (ano que vem, ou dois...) outra coisa praticamente contrária — não somente ao que dizia anteriormente, mas, acima de tudo, ao Evangelho — ajudar na sua coerência?

Temos que desenvolver a esperteza das serpentes e sermos capazes de ver os ventos estranhos que fazem tais coisas. Para qualquer assunto, siga essa premissa: coerência e concretude — principalmente no que se refere à virtude.

O caminho não muda, a direção dos corações sim. A porta é estreita e sempre será.

Os santos são os únicos que devem ter voz nessas questões. Portanto, se um dia eu disser algo contrário à fidelidade à virtude que Deus, por graça, tem me mantido, vão embora e fiquem com os santos.

Tudo que é usado para apaziguar e deixar viver na "meia mundanidade" — essa coisa de muda e não muda — vem de Satanás.

O caminho da virtude, entendam, é mais importante do que buscar imitar qualquer coisa em alta no momento, que normalmente a diminui.




Singelamente, Ana




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Carta 14 A vida tem estações
Pintura por Tomas Lawrence, "Catherine Grey, Lady Manners" (detail)




Piracicaba, 26 de outubro de 2021


A vida tem estações. E é, de certa forma, pautada, em parte, pela nossa idade cronológica. É claro que existem os que são maduros e os imaturos em relação à idade, mas é interessante que os aprendizados da idade cronológica são implacáveis — estão lá, visíveis como a luz do sol, para quem já passou para a fase do outono da vida. Eu entrei com alegria nessa fase de outono, já faz algum tempo. Tenho agora 31. E, seja pelo temperamento, seja pela vocação, observar as fases da vida me é natural. O celibato é estar, de certa forma, fora do tempo — compartilhar o olhar de Deus, que observa a humanidade indo, ora para Ele, ora para longe d’Ele.

Mas o motivo da escrita é outro. Em épocas de Instagram, em que a vida virou, de certa forma, um reality, temos os processos de cada fase mostrados e contemplados. Cada fase é interessante e acontece mesmo em quem já é bem maduro para a idade. Até os 25, a maioria tem, talvez, alguns valores, mas as posições definitivas assustam — posições de linha de pensamento, e não escolha vocacional (tem diferença). É uma fase em que se colhe de vários jardins e se reverbera aquilo que está em alta no momento. Mesmo com bons propósitos, é uma busca por algo que falta e não se sabe ao certo o quê.

Depois dos 25, dos 27 até uns 28, é interessante como ainda se busca, mas é uma fase inquietante — é uma certa busca por identidade individual. Algumas pessoas fazem isso "causando", outras se doando em algo, outras não fazem nada. Afinal, é totalmente possível deixar a vida no pause — simplesmente ir vivendo e, ao mesmo tempo, não vivendo.

Dos 29 em diante, acho que se afirma a maternidade. Veja bem, eu sou celibatária, e muita gente se torna mãe bem antes dos trinta, mas realmente não falo de maternidade biológica. Existe uma maternidade maior, mais abrangente, que é ser mãe espiritual todo o tempo. É uma fase de enraizamento, para nutrir e gerar frutos que alimentam a outros. Tudo é para a alma do outro, considerando que existem os filhos mais velhos e os mais novos — que não entendem ainda o que se diz sem clareza, que não conseguem discernir entre os alimentos e que ainda estão sendo educados. Pode acontecer antes ou depois dos trinta...

Mas a ocupação maior é nessa estação. Escrevo para mostrar que, talvez, deva considerar isso ao ver alguém por aqui, na internet. Quantas estações ela tem? É uma pergunta importante. O outro motivo é para não se preocupar com a idade (isso é uma característica, principalmente, de quem tem vocação ao matrimônio: ficar desesperado com a idade, com o tempo passando). Não se preocupe com a idade — ocupe-se em crescer na estação em que está.


Singelamente, Ana




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anjos



Ponto I

Seres amigos, seres irmãos,
Tão diferentes de nós, estes santos irmãos,
Mas que alegria tê-los conosco.
Façamos nós também asas, tecidas em adoração com os fios da confiança e do amor.
Ensina-nos, amados amigos irmãos, a cultivar almas leves que voem para Nosso Senhor.
Vamos juntos adorar o Nosso Amor.

Deus quis que houvesse espíritos puros para que fossem a coroa da obra de Suas mãos, pois são a porção mais formosa, nobre e perfeita do Universo. São substâncias completas, não têm qualquer relação com a matéria, por isso são denominados puros espíritos.

Tais são numerosíssimos, pois era conveniente que na Obra de Deus o perfeito sobrepujasse o imperfeito.

Chamamo-los de anjos, pois são enviados de Deus e, através deles, Deus exerce o Seu governo, soberano e efetivo, sobre as demais criaturas.

Os puros espíritos podem somente tomar aparência humana, não podem se unir à matéria. Sendo espíritos, podem executar atividades sucessivas em lugares distintos.

(Baseado na Suma Teológica de São Tomás de Aquino)


Tais são numerosíssimos, pois era conveniente que na Obra de Deus o perfeito sobrepujasse o imperfeito.

Não devemos nos esquecer que o número dos anjos do Senhor é maior do que qualquer coisa ruim ou imperfeita que pode acontecer em nossas vidas, na Igreja e no mundo. O conhecimento da grandeza do mundo angélico nos dá esperança de que, apesar de nós mesmos e dos maus, ainda estamos em maior número.

Como anda a sua relação com os anjos? Para começar a se relacionar com eles, tome primeiro a consciência clara da sua existência. Como poderias falar com alguém que não tomou conhecimento que existe?

Perceba, o mundo material e visível é uma pequena parte da realidade; o visível está mergulhado na amplitude imensa do invisível, e a parcela invisível é mais poderosa e eficaz. A ação dos anjos é maior que a dos homens e dos demônios, pois agem cumprindo as Ordens de Deus.

Deus os criou para que o perfeito sobrepujasse o imperfeito!

“Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?” (Hebreus 1, 14)

“Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1, 8)


Ponto II

Ensina-nos, santos irmãos,
Ajuda-nos a caminhar,
Não nos deixe perder o coração em coisas vãs,
Guia-nos, para no caminho reto andar.

A vida íntima dos anjos consiste em conhecer e amar; possuem, no entanto, um conhecimento intelectual, carecem absolutamente do sensitivo, pois são incorpóreos.

Seu conhecimento é mais perfeito, muito mais que o nosso, pois numa só visão abrangem o princípio e a consequência das coisas.

Tal ciência não é infinita; não podem conhecer os pensamentos nem os segredos dos corações, só o conhecem por revelação de Deus ou pela manifestação do agente, ou seja, pela oração. No entanto, como são mais antigos e mais sagazes, podem intuir certas coisas por observação, afinal, foram criados no começo dos tempos e viram gerações e gerações de seres humanos sobre a terra.

Também não sabem o futuro, somente por revelação divina. Amam a Deus, a si mesmos e as criaturas. Vivem nesta ordem natural do amor.
(Baseado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás)


O perfeito sobrepuja o imperfeito.

Quem pode impedir a ação de Deus?

A relação com os anjos nos faz dar glória a Deus por Sua Bondade, Perfeição e, acima de tudo, nos permite dilatar nossos corações na esperança certa de que estamos em maior número. Mesmo que você não os veja, miríades e miríades de anjos celestiais estão nos ares garantindo a proteção dos filhos e servos de Deus e lutando pela execução perfeita da Vontade Divina na História dos homens.

“Os anjos são os nossos pastores; não só levam a Deus as nossas mensagens, como também trazem até nós as que Deus nos envia… apascentam-nos a alma com doces inspirações e comunicações divinas; sendo bons pastores, protegem-nos e defendem-nos dos lobos, isto é, dos demônios”. São João da Cruz


Ponto III

Corações ardentes rodeiam o Senhor,
Como chamas vivas de puro amor,
Anjos e homens em santo esplendor,
Repletos estão do Santo Amor.

Deus criou os anjos imediatamente no princípio dos tempos e no mesmo instante que os elementos do mundo material, num lugar chamado Céu Empíreo, o lugar mais alto dos Paraísos, onde está Deus e os seres bem-aventurados (santos) tomados pela Luz Divina. “Empíreo” vem de “empyrius”, que remete a queimar no amor de Deus.

(Inspirado no Catecismo da Suma Teológica de São Tomás)

Contemplar o mundo angélico nos permite ampliar a nossa visão, muitas vezes diminuta, da obra das mãos de Deus. Quando os horizontes não são alargados, corremos o risco de ver um Deus desprovido de Seu poder. Mas a obra da criação é uma manifestação do poder de Deus em Sua Palavra e em Seu Amor. Deus criou o mundo pelo império da Sua Palavra e pelo influxo do Seu Amor.

Que os anjos possam nos ensinar a queimar em zelo e amor pelo Santo dos santos, por Aquele que é o Ser por excelência.

E lembre-se, seu Anjo da Guarda foi criado lá, no começo dos tempos. Quanto não te pode ensinar? Peça ajuda, proteção e seja dócil às suas inclinações; peça para que seu coração reconheça os sopros da orientação do seu guardião.


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"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




"Quem ama a disciplina, ama o conhecimento" - Provérbios 12, 1

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