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Salus in Caritate



“E tudo submeteu debaixo de seus pés e constituiu-o, acima de tudo, Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todos.” - Efésios 1, 22-23



Política Eclesiástica - Ponto II

Professora Ana Paula Barros¹






A distinção entre monarquia e democracia ou república é de importância radical para compreender a política eclesiástica. Na democracia ou república, o poder emana do povo e é exercido por meio de mecanismos de participação direta ou indireta, como votos, pressão midiática, abaixo-assinados e manifestações coletivas. A lógica democrática valoriza a alternância de poder, a representatividade e a capacidade de o povo influenciar as decisões por meio de instrumentos institucionais e sociais. Na monarquia, por outro lado, o poder é concentrado em uma figura central, o monarca, e a participação popular se dá de forma distinta, geralmente indireta e mediada por estruturas hierárquicas. A legitimidade do poder monárquico não depende de votos ou da pressão das massas, mas da tradição, da sucessão e da autoridade reconhecida. A comunicação política, nesse modelo, não se apoia em mecanismos de mobilização popular, mas em conselhos, instituições e canais formais que sustentam a estabilidade da ordem.

A Igreja Católica organiza-se como uma monarquia eletiva, como já vimos, um modelo singular que combina elementos da eleição com a autoridade monárquica. Reiterando, o Papa é escolhido pelo Colégio de Cardeais, mas, uma vez eleito, exerce poder monárquico pleno. Assim, a política eclesiástica não se confunde com a lógica democrática ou republicana: nela, a participação dos fiéis não se dá por votos ou pressão popular, mas pela escuta por parte dos padres e pelo discernimento espiritual vindo de um olhar atento, que são considerados canais legítimos de influência na condução da Igreja.

A ideia de monarquia eletiva encontra paralelos na Bíblia e na tradição dos hebreus. No Antigo Testamento, a escolha dos reis Saul e Davi foi marcada pela unção profética e pela intervenção divina, numa eleição que não era apenas política, mas também religiosa. Assim, a monarquia eletiva eclesiástica guarda semelhança com essa tradição: a escolha do Papa é entendida como um ato de discernimento espiritual, em que os cardeais buscam a inspiração do Espírito Santo para indicar o sucessor de Pedro. O que não significa que não existam tentativas de manejar a vontade de Deus em prol da vontade humana. No entanto, a vontade humana, sendo inferior em força e poder diante da divina, mesmo que se manifeste, ainda estará, de certa forma, subjugada à vontade divina na ordem geral das coisas, ainda que, em uma ordem menor, isso não fique tão evidente.







Já a estrutura de uma monarquia não se limita ao monarca, mas envolve também o que nomeamos nobreza e aristocracia, que desempenham papéis fundamentais na manutenção da ordem e na condução da vida política. A nobreza, tradicionalmente composta por príncipes e duques, representa a proximidade imediata do poder, atuando como conselheiros diretos do soberano e guardiões da unidade. A aristocracia, formada por famílias influentes e autoridades locais, exerce funções administrativas e garante a estabilidade do governo em diferentes regiões. Essa divisão de responsabilidades cria um equilíbrio entre a autoridade central e a participação das elites, assegurando continuidade e legitimidade ao sistema monárquico.

Na monarquia eletiva eclesiástica, essa lógica se traduz de maneira espiritual e institucional. Os cardeais são considerados príncipes da Igreja, constituindo uma verdadeira nobreza eclesiástica. Sua missão não é apenas escolher o Papa, mas também aconselhá-lo, participar de consistórios e colaborar na definição das grandes diretrizes da Igreja universal. Paralelamente, existe uma aristocracia formada por bispos e superiores religiosos, que governam dioceses e institutos, garantindo a aplicação das decisões em nível local e regional. Essa aristocracia eclesiástica assegura que a vida da Igreja se mantenha ordenada e fiel à tradição, mesmo diante das mudanças de época.

Como acontecia no medievo, essa estrutura ainda preserva a exigência de que nobres e aristocratas sejam, de certa forma, guardiões do povo e exemplos de virtude, nobreza espiritual e caráter. São aqueles que, vindos do meio do povo, assumem a responsabilidade de cuidar dele ou, ao menos, assim deveria ser.








No que tange à comunicação, principal objeto de análise deste escrito, é preciso estabelecer primeiro que a participação não segue os moldes democráticos ou republicanos, baseados em pressão popular ou mobilização de massas. A Igreja não é uma democracia.


Isso posto, cabe estabelecer que, segundo, na monarquia, sobretudo a eclesiástica, a comunicação se dá por canais institucionais oficiais e espirituais em prol da unidade. 


No entanto, é válido salientar que a unidade verdadeira não significa ausência de divergência ou de opiniões distintas; trata-se de uma unidade que pensa sobre essas diferenças como sendo parte natural da vida comunitária. Assim, o discurso de defesa da unidade não deve ser entendido como um "mecanismo de contenção" ou de silenciamento, mas como um convite à fala e à escuta respeitosa e à busca comum da Verdade. 


A história da Igreja mostra que, quando se tenta ignorar ou afastar vozes críticas, dentro da própria Igreja, por motivos político-partidários ou pessoais, frequentemente surgem divisões. Infelizmente, essa atitude ainda é recorrente em alguns contextos clericais, sobretudo no Brasil. Muitas situações poderiam ser resolvidas com mais serenidade se houvesse abertura para escuta e autorreflexão por parte do clero.


Retomando a explicação, na política civil, como vimos, os meios de comunicação política incluem pressão midiática, abaixo-assinados, votos e manifestações públicas.  Já em uma monarquia, e de modo particular na monarquia eletiva eclesiástica, tais mecanismos não possuem a mesma eficácia e muitas vezes não são bem recebidos.


Os padres, em geral, são formados nos seminários para discernir e conduzir a pastoral sem se deixar guiar por pressões populistas ou de massas. Por isso, iniciativas que buscam mobilização popular não encontram espaço efetivo dentro da estrutura monárquica da Igreja. A comunicação, nesse contexto, se dá por meios próprios: diálogos pastorais oficiais, cartas e documentos oficiais, consultas internas oficiais. Esses canais são institucionalizados e seguem uma ordem hierárquica, na qual o parecer clerical geralmente antecede e condiciona o parecer dos leigos.


Para o leigo, os meios de comunicação disponíveis são essencialmente mediadores: sua voz precisa passar pelo clero para alcançar instâncias superiores, ponto também já mencionado no artigo anterior. Isso significa que, na prática, a escuta dos fiéis depende da disposição dos padres e bispos em transmitir suas preocupações. Embora existam espaços de participação mais direta, como conselhos pastorais e assembleias diocesanas, a estrutura monárquica favorece o peso da autoridade clerical sobre a opinião popular. Assim, o leigo tem uma influência extremamente indireta e espiritual.


Os leigos, ao buscar participação, devem considerar com bastante atenção que uma comunicação eficaz na Igreja passa por canais institucionais oficiais e espirituais, e não por mecanismos de pressão típicos da política civil. Nesse contexto, torna-se essencial destacar a importância da diplomacia.









Vimos que os meios oficiais constituem os canais legítimos de participação, quer os leigos gostem ou não. Ainda que, à primeira vista, possam parecer pouco eficazes diante de interesses internos ou resistências político-partidárias existentes dentro da dinâmica eclesiástica, são justamente esses instrumentos que asseguram que a comunicação seja reconhecida como válida e que tenha peso dentro da estrutura monárquica da Igreja.
 

As ações populares podem gerar mobilização social geral, mas não são reconhecidas como válidas pela hierarquia (e raramente penetram as realidades pastorais com efetividade) e, normalmente, acabam produzindo um efeito local contrário ao esperado. Daí a falta de harmonia entre os movimentos gerais e as vivências pastorais em um mesmo país, porque os leigos movem o social e o clero o pastoral, e cada um está tracionando, de certa forma, intencionalmente ou não, para um lado.


A diplomacia, nesse sentido, não é apenas uma questão de forma, mas de eficácia: somente por meio de interações respeitosas e oficiais — insisto na palavra "oficiais" — é possível que a voz dos leigos seja ouvida e integrada ao discernimento eclesial. Mesmo que não seja acolhida, mesmo que não produza efeitos imediatos, os requerimentos precisam ser apresentados repetidamente, sempre de maneira oficial, com arquivamento em cópia tanto do pedido quanto da resposta, quando houver. Atualmente, de modo geral, as autoridades eclesiásticas podem alegar facilmente que nunca receberam uma solicitação oficial, por meio de carta oficial, a respeito dos assuntos hoje tão debatidos nos meios de comunicação aberta, e esta é uma bela falha de método por parte dos leigos.


No contexto diplomático da política eclesiástica, seguir o método é mais importante do que obter uma resposta imediata. O método correto, veja bem, gera uma sequência de registros históricos oficiais: tanto das solicitações dos leigos às autoridades quanto das respostas ou da ausência delas. Oficialmente, esse é o único poder do leigo dentro da política eclesiástica (extremamente esquecido ou ignorado pelos leigos). A outra forma de participação se dá pela atuação cultural, que complementa e amplia sua presença na vida da Igreja.






A proposta deste tópico, repetitivo intencionalmente, é enfatizar a necessidade de uma comunicação mais compatível com a estrutura da Igreja. Uma estrutura monárquica. Essa estrutura, querida por Nosso Senhor, também protege o povo ao atribuir ao clero, e somente ao clero, a responsabilidade pelas decisões.






"A Igreja é Santa: porque Jesus Cristo, seu Fundador, é Santo; Santo é o Espírito que vivifica; Santa a sua Doutrina; Santos os seus Sacramentos; Santos são muitos dos seus membros." - Catecismo Essencial, 1987








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¹Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)






Política Eclesiástica 1

“Ele é a cabeça do corpo, da Igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a primazia.” - Colossenses 1,18





Política Eclesiástica - ponto 1

Professora Ana Paula Barros¹





Para São Tomás de Aquino, a política é uma ciência prática que tem como finalidade ordenar a vida da comunidade em vista do bem comum. Em sua obra De Regno, São Tomás afirma que o governo não deve ser entendido apenas como técnica de administração, mas como uma dimensão moral: o governante é responsável por conduzir o povo à virtude e à justiça.


O bem comum, na tradição católica, significa o conjunto de condições sociais, morais e espirituais que permitem às pessoas alcançar sua plenitude — não apenas material, mas também ética e religiosa. Não se trata da soma dos interesses individuais, mas daquilo que garante a realização integral da comunidade e de cada pessoa dentro dela. A virtude é a prática do bem com todas as forças físicas e espirituais, e a justiça é dar a cada um o que lhe é devido. Na Suma Teológica, o Santo Doutor também distingue entre diferentes formas de governo, reconhecendo que a monarquia, quando orientada pelo bem comum, é superior às demais, mas alerta para o risco da tirania quando o poder se volta ao interesse próprio. Essa visão mostra que, para a tradição católica, a política é inseparável da moral e da finalidade última do homem, que é Deus.


Santo Agostinho, em A Cidade de Deus, oferece uma perspectiva anterior e complementar ao distinguir a civitas terrena (cidade terrena), marcada pelo amor próprio e pela busca de poder, da civitas Dei (cidade de Deus), orientada pelo amor a Deus e pela justiça. Para Santo Agostinho, a política terrena tem um valor subordinado: é necessária para manter a ordem e evitar o caos, mas deve sempre estar subordinada à lei divina.


Outros autores católicos reforçaram essa visão ao longo da história. São Roberto Belarmino (século XVI–XVII) afirmou que a autoridade política é legítima quando reconhece sua origem em Deus e se orienta pelo bem comum. Papa Leão XIII, na encíclica Rerum Novarum (1891), aplicou esses princípios à questão social, mostrando que a política deve proteger os trabalhadores e promover justiça social, sempre subordinada à lei moral. Por fim, Jacques Maritain, no século XX, retomou parte da tradição tomista ao afirmar que a política deve respeitar a dignidade da pessoa humana e ser expressão de uma ordem justa, mas também sublinhou a autonomia da esfera política em relação à Igreja, contribuindo para a concepção moderna de laicidade positiva.


A chamada laicidade positiva é uma concepção moderna que busca harmonizar a autonomia do Estado com a presença da religião na vida pública. Diferente da laicidade hostil, que procura excluir a fé do espaço social, a laicidade positiva reconhece que a religião, especialmente no caso da tradição cristã, pode oferecer valores éticos e culturais fundamentais para a construção do bem comum. No entanto, seus malefícios aparecem quando esse equilíbrio se rompe: o Estado pode instrumentalizar a religião para legitimar decisões políticas e a própria Igreja corre o risco de reduzir sua missão espiritual ao papel de mera colaboradora política. Assim, a laicidade positiva, embora concebida como diálogo, pode degenerar em ambiguidade e gerar tensões politico religiosas (como acontece aqui no Brasil nesse exato momento e em vários lugares do mundo).









A política eclesiástica pode ser entendida como a organização do poder dentro da Igreja, voltada para a preservação da fé, da disciplina e da comunhão. Diferente da política civil, que busca ordenar a sociedade em vista do bem comum temporal, a política eclesiástica tem como finalidade a unidade espiritual e a fidelidade à tradição. Em princípio, não deveria ser guiada pela lógica da competição ou da disputa de interesses, mas na prática muitas vezes sofre com as fragilidades humanas: invejas, ciúmes, ambições de poder e obstinações que não defendem a tradição, mas sim ideias de caráter político-partidário. Essa tensão mostra que, embora a estrutura eclesiástica seja ordenada e voltada para a comunhão, ela também está sujeita às mesmas limitações que marcam a vida social e política em geral.


A organização interna da Igreja se distribui em diferentes níveis de poder. O Papa, sucessor de Pedro, exerce autoridade suprema e garante a unidade da fé. O colégio episcopal, formado pelos bispos em comunhão com Roma, governa suas dioceses e participa de sínodos e concílios, colaborando na condução da Igreja em nível regional e universal. O clero local, composto por padres e diáconos, exerce autoridade pastoral direta sobre as comunidades, sendo o elo mais próximo entre a hierarquia e os fiéis. Já os institutos religiosos — ordens e congregações — ainda que subordinados à hierarquia, possuem autonomia interna para viver e testemunhar seus carismas específicos. Essa estrutura garante que a política eclesiástica seja ao mesmo tempo hierárquica e colegial, equilibrando a autoridade central com a participação das diversas instâncias, instâncias  clericais e religiosas, veja bem.



Apesar dessa organização, a política eclesiástica, no que se refere aos leigos, depende essencialmente da escuta dos padres. Para que o prisma do leigo seja considerado, é necessário que sua voz passe pelos padres às instâncias superiores. Isso exige uma relação saudável entre clero e povo, bem como um genuíno interesse do clero pelo bem das almas católicas, evitando abordagens que apenas validem percepções pessoais, tendências político-partidárias ou correntes clericais internas (as populares panelinhas). Essa dinâmica se explica porque a Igreja é, em sua essência, uma monarquia — uma das poucas monarquias eletivas ainda em funcionamento no mundo — e sua vitalidade depende da fidelidade à tradição e da atenção aos movimentos dentro da comunidade católica, especialmente aqueles espontâneos, que muitas vezes sinalizam a ação do Espírito Santo nas diretrizes da Igreja. O clero brasileiro, contudo, tem demonstrado dificuldade em interpretar tais sinais. Quando foi solicitada a oração sobre o laicato em 2017, surgiram iniciativas de institutos seculares em diversos cantos do país, mas os padres pediram, receberam e não acolheram bem. Nos anos seguintes, clamou-se para que “o espírito de profecia não morra na Igreja”, mas, diante das denúncias que emergiram — afinal, profecia é também denúncia do erro — novamente os padres pediram, receberam e não gostaram. Isso evidencia que parte do clero encontra dificuldades em ler e compreender os movimentos espontâneos, resposta imediata às próprias orações. 



No plano institucional, a Igreja se organiza como uma monarquia eletiva: o Papa é escolhido pelo Colégio de Cardeais, mas uma vez eleito exerce poder monárquico pleno dentro da Igreja. Esse modelo combina a dimensão eletiva com a dimensão monárquica, que garante unidade e autoridade suprema. A antiga tríplice coroa ou tiara papal simbolizava três dimensões do poder pontifício: a autoridade espiritual sobre a Igreja, o poder temporal sobre os Estados Pontifícios e a primazia moral como vigário de Cristo. Com a perda dos Estados Pontifícios no século XIX, a Igreja deixou de exercer poder temporal direto, concentrando-se em sua autoridade espiritual e moral. Desde o Papa Paulo VI, a tiara deixou de ser usada, sinalizando a mudança definitiva no modo de exercer o poder político.


Ao longo da história, também se manifestaram correntes eclesiásticas, que podem ser comparadas a partidos internos, embora não sejam partidos políticos formais. Na Idade Média, disputas entre ordens religiosas e entre conciliaristas e papistas marcaram a vida da Igreja. No século XX, especialmente após o Concílio Vaticano II, surgiram divisões entre correntes progressistas e tradicionalistas. 


Nada de novo debaixo do sol...




A proposta destas explicações é oferecer uma visão mais realista da Igreja, reconhecendo tanto sua grandeza espiritual quanto suas fragilidades humanas. O fato de a Igreja ter atravessado séculos, resistido a crises internas e externas e permanecido fiel à sua missão, apesar das limitações de seus membros, constitui em si um verdadeiro milagre. Essa consciência permite viver uma catolicidade mais madura, sem ilusões ingênuas, mas também sem perder a admiração pelo mistério que sustenta a instituição. Para os leigos, essa maturidade significa ter clareza sobre o que esperar do clero, compreender como lidar com suas falhas e saber como proceder dentro de uma monarquia eletiva.




"A Igreja é Santa: porque Jesus Cristo, seu Fundador, é Santo; Santo é o Espírito que vivifica; Santa a sua Doutrina; Santos os seus Sacramentos; Santos são muitos dos seus membros." - Catecismo Essencial, 1987








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¹Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)





Contexto

Santa Perpétua de Cartago (†203) é uma das figuras mais significativas do cristianismo primitivo, tanto pelo testemunho de sua fé quanto pela singularidade de seus escritos. Nascida em família nobre, foi presa em Cartago durante a perseguição de Septímio Severo, aos vinte e dois anos, já casada e mãe de um lactente. Junto a Felicidade, sua escrava grávida, e outros catecúmenos, enfrentou o cárcere e posteriormente o martírio no anfiteatro da cidade. O registro de sua experiência encontra-se nas Atas da Paixão de Perpétua e Felicidade.


Septímio Severo (145–211 d.C.) foi imperador romano entre 193 e 211 e fundador da dinastia Severa. Nascido em Léptis Magna, na África Proconsular, ascendeu ao poder em meio à crise política conhecida como “ano dos cinco imperadores”. Consolidou sua posição derrotando rivais como Pescênio Níger e Clódio Albino, estabelecendo um governo marcado pela centralização do poder e pela valorização do exército. Entre suas principais medidas estão o aumento do soldo dos legionários, a permissão para que militares se casassem e a intensificação da disciplina, o que garantiu lealdade mas elevou os custos do Estado.


No campo administrativo, reduziu a influência do Senado e reforçou a autoridade imperial, além de promover reformas jurídicas e obras públicas, especialmente em sua cidade natal. Conduziu campanhas militares contra os partas, ampliando o domínio romano na Mesopotâmia, e na Britânia, onde faleceu em 211, em Eburacum, atual York, na Inglaterra. Vale lembrar que a cidade de York, além de ter sido um importante posto militar romano, acabou, com o tempo, ganhando espaço também na literatura inglesa. Ela aparece em romances vitorianos e clássicos: em Nicholas Nickleby, de Charles Dickens, parte da trama se passa no condado de Yorkshire (York está dentro de Yorkshire) e inclui referências à cidade; em Jane Eyre, de Charlotte Brontë, York surge como ponto geográfico citado; e em The Tenant of Wildfell Hall, de Anne Brontë, a ambientação no norte da Inglaterra reforça sua presença. O Jardim Secreto (1911), de Frances Hodgson Burnett, dá certa importância ao sotaque de Yorkshire. Mas voltemos...



O governo de Septímio Severo também ficou marcado pela repressão religiosa: proibiu conversões ao cristianismo e ao judaísmo, o que resultou em martírios célebres, como o de Santa Perpétua e Santa Felicidade em Cartago. Embora o Império Romano fosse conhecido por integrar ao seu panteão divindades de povos conquistados, a proibição de conversões ao cristianismo e ao judaísmo sob Septímio Severo tinha fundamentos políticos e sociais. Diferentemente das religiões politeístas, que conviviam sem conflito, essas tradições monoteístas afirmavam a exclusividade de um único Deus e rejeitavam os cultos públicos considerados essenciais para a pax deorum, a paz com os deuses que legitimava o poder imperial. Ao recusar sacrifícios e cerimônias cívicas, cristãos e judeus eram vistos como desleais ao Estado e como ameaça à coesão religiosa e política do Império. Após sua morte, foi sucedido por seus filhos Caracala e Geta, e recebeu do Senado a honra de ser "divinizado". A prática da divinização dos imperadores romanos, conhecida como consecratio, consistia na elevação oficial de um governante falecido ao status de divindade, transformando-o em divus e integrando-o ao culto público. Esse processo, sancionado pelo Senado, tinha função política e religiosa: reforçava a legitimidade da dinastia, perpetuava a memória do imperador e consolidava a ideia de continuidade entre poder humano e ordem divina. No caso de Septímio Severo, após sua morte em 211, o Senado o proclamou divino, garantindo-lhe culto oficial e inserindo sua figura no panteão imperial.






Obra: A Passio


A Passio Sanctarum Perpetuae et Felicitatis, conhecida como Atas da Paixão de Perpétua e Felicidade, é um dos textos mais notáveis da literatura cristã primitiva. Produzida no início do século III, a obra apresenta uma estrutura singular: parte escrita pela própria Perpétua, parte atribuída a seu companheiro Saturo e, por fim, uma edição final realizada por um redator anônimo que afirma ter sido testemunha ocular dos acontecimentos.

Do ponto de vista literário, o texto se destaca por sua pluralidade de vozes narrativas. A seção inicial, atribuída a Perpétua, possui caráter autobiográfico e confessional, aproximando-se do gênero do diário espiritual. Nela, a mártir descreve sua prisão, os diálogos com o pai que implorava que renunciasse à fé, e sobretudo suas visões místicas. Essas visões apresentam forte simbolismo bíblico e escatológico: Perpétua vê uma escada que conduz ao céu, guardada por um dragão, e interpreta a subida como metáfora da vitória sobre o mal e da entrada na glória eterna.

A segunda parte, atribuída a Saturo, reforça o caráter coletivo da obra, mostrando que o martírio não era apenas experiência individual, mas comunitária. Saturo narra suas próprias visões e confirma a esperança na salvação, criando uma espécie de diálogo espiritual entre os mártires. Por fim, o redator anônimo acrescenta a descrição da execução pública no anfiteatro, conferindo ao texto uma dimensão histórica e testemunhal.


Literariamente, a obra pode ser analisada sob três aspectos principais:

  • Autobiografia: Perpétua é uma das primeiras mulheres da Antiguidade a deixar um relato pessoal escrito. 
  • Visões e simbolismo: As imagens oníricas e alegóricas apontam uma espiritualidade enraizada na esperança escatológica (que significa: "últimas coisas"). O texto aproxima-se da literatura apocalíptica (que vem de apokálypsis: desvelamento, revelação), mas com forte marca pessoal.
  • Estrutura narrativa híbrida: A combinação de diário, visões e relato histórico cria um gênero literário único.

Do ponto de vista teológico, as Atas apontam a tensão entre os vínculos familiares e a fidelidade a Cristo. O diálogo de Perpétua com seu pai é emblemático: ela recusa abandonar a fé, mesmo diante da súplica paterna e da responsabilidade materna. 

Em termos de recepção, a obra foi amplamente difundida em latim e grego, influenciando a espiritualidade cristã posterior. Para a crítica literária, trata-se de um texto que inaugura uma tradição de escrita feminina na Igreja, em que a experiência pessoal se transforma em testemunho universal.

Assim, a Passio não deve ser lida apenas como documento histórico, mas como obra literária e espiritual, capaz de indicar a profundidade da fé e a riqueza da expressão simbólica de uma jovem mãe que, ao escrever sua própria paixão, eternizou sua voz na memória da Igreja.




Papa Leão na Vogue: o sinal de um anseio

Professora Ana Paula Barros¹






A inclusão do Papa Leão na lista dos mais bem vestidos da Vogue 2025 deve ser compreendida como demonstrativo da relevância da tradição na cultura contemporânea. O reconhecimento pela revista secular evidencia a valorização de elementos que ultrapassam o campo da moda e se inserem na esfera da memória cultural, da linguagem não verbal que sustenta uma sociedade. O catolicismo é a religião, a resposta, mas é também uma cultura. Possui literatura, arquitetura, língua, artes, política, filosofia e leis próprias. Essa estrutura cultural apresenta uma linguagem verbal e uma não verbal. A linguagem não verbal é o que nomeamos como simbólica, que, longe de ser apenas figurativa, constitui um farol de sinalização.


Esse movimento de resgate da memória coletiva conecta-se a fenômenos observados em diferentes contextos. Na China, o retorno do hanfu reafirma a identidade nacional e a preservação de costumes. Na América do Norte e na Europa, o crescimento do vintage fashion demonstra a busca por peças que representam períodos históricos importantes, como a Guerra Civil americana ou a era vitoriana na Inglaterra. No livro intitulado Modéstia, capítulo “Anseio”, escrito em 2018 e reeditado em 2025, afirmo que esse processo é uma resposta ao vazio contemporâneo, em que o passado é convocado para sustentar o presente de uma sociedade formada por pessoas sem bagagem histórica, sem memória familiar ou coletiva. Trata-se de um esforço das gerações anteriores de esquecer a si mesmos, sem sucesso. Como mencionei em aula, as gerações são movidas por uma resposta à geração anterior, como um pêndulo social. 


"Dentre os diversos modos de se referir a esse interesse pela modéstia, está a expressão “onda” ou ainda “neurose”.

O tempo dirá se estou certa, mas essa expressão provém de uma análise incompetente, não somente pelo que já foi dito anteriormente, mas ainda pelo que virá adiante.

Quando estamos diante de um comportamento social, devemos nos atentar a alguns pontos cruciais visando analisá-lo bem. No que se refere à modéstia, alguns deles podem ser observados nas respostas às seguintes perguntas:

— Quais os motivadores desse comportamento no Brasil?
— Isso se repete em outros países?
— Se sim, tem as mesmas características?
— Existe um fio condutor entre o que acontece no Brasil e o que acontece em outros países?

Toda abordagem que não considera nem mesmo estas questões é falha." (Modéstia, p. 171)




Durante as Olimpíadas de Paris 2024, o uso de trajes tradicionais por delegações reforçou esse aspecto.  O uniforme deixou de ser apenas funcional e passou a representar narrativas culturais, pertencimento e raízes, ampliando a recepção simbólica dos participantes.


Há um anseio humano por história e herança. As descobertas arqueológicas evidenciam isso ao revelar estruturas como Göbekli Tepe, na Turquia, datado de cerca de 9600 a.C., aproximadamente 100 a 200 anos após o fim da última era glacial, quando o planeta ingressava no Holoceno. O fato de comunidades recém-saídas de um contexto de instabilidade climática severa terem erguido templos monumentais antes de possuírem suas próprias casas, ainda como nômades, demonstra a preocupação em deixar marcas duradouras e transmitir saberes astronômicos e simbólicos às gerações futuras. Esse impulso não se restringiu à Eurásia: na Amazônia, em Monte Alegre (Pará), os painéis rupestres da Pedra Pintada, feitos com pigmentos minerais misturados a resinas vegetais, datam de cerca de 11.200 anos atrás, praticamente contemporâneos a Göbekli Tepe. A ideia de criar e preservar uma herança histórica é puramente humana e reforça o papel da tradição como âncora cultural. Impressiona a engenhosidade desses antepassados: de um lado, estruturas monumentais de pedra na Turquia; de outro, um painel amazônico cuja técnica de fixação garantiu a durabilidade por milênios. É curioso e intrigante pensar que, séculos depois, artistas como Edgar Degas e Van Dyck enfrentaram problemas com a durabilidade de seus pigmentos, enquanto povos pré-históricos (aqueles que viveram antes da invenção da escrita) já haviam encontrado soluções eficazes para preservar sua arte. O depósito de saberes dos antigos. Mas voltemos...


Quando esse vínculo, o da herança histórica, não é encontrado nas famílias ou nos vínculos pessoais, ele migra para a cultura e para a religião quase automaticamente, caso o indivíduo em questão tenha essa graça. A religião, nesse contexto, assume o papel de família simbólica, oferecendo tradições, narrativas e linguagem próprias — verbais e não verbais — que acolhem o indivíduo em um manto de herança. Daí a importância dos padres e catequistas em transmitir a fé corretamente e o efeito negativo (humano e espiritual) da não realização dessa tarefa. Esse circuito — anseio, busca, religião — cura a sociedade ao oferecer bases históricas e de herança que funcionam como âncora: a história da Igreja passa a ser a história da pessoa.


Assim, a presença do Papa Leão na lista da Vogue 2025 não deve ser vista apenas como reconhecimento aparente, mas como parte de uma trama de anseio que possui o mesmo fio condutor: a busca por elementos que tenham história e que também nos inserem em uma narrativa coletiva que se torna pessoal. Em sociedades fragmentadas, como a pós-moderna, a tradição torna-se elemento de coesão, presente tanto nas vestes religiosas quanto nos resgates culturais em diferentes regiões do mundo.



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¹Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

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