Devocional 49: Dos Vícios Opostos à Prudência: imprudência, precipitação ou temeridade, inconsideração, inconstância e os Vícios que a simulam: Prudência da carne, astúcia, dolo, fraude, falsa solicitude

by - outubro 05, 2020


Devocional 49: Dos Vícios Opostos à Prudência: imprudência, precipitação ou temeridade, inconsideração, inconstância e os Vícios que a simulam: Prudência da carne, astúcia, dolo, fraude, falsa solicitude
Pintura de: Johann Georg Meyer von Bremen


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Os vícios opostos à prudência são de duas classes: uns se opõem por defeito, e outros por excesso. 


Os opostos por defeitos são chamados de imprudência. Imprudência é todo ato que não se ajuste à normas da reta razão e da prudência. 


O ato imprudente pode ser pecado mortal, quando se menosprezam ou infringem regras e normas divinas. Será, por sua vez, pecado venial, quando, mesmo que seja bom, é executado com precipitação, inconsideração ou negligência. 


A precipitação é um ato contra a prudência, que consiste em tomar resoluções antes de informar-se convenientemente. 


A inconsideração é o pecado daquele que não toma em conta todos os elementos de que dispõe para formar juízo acertado nas coisas práticas. 


A inconstância, por sua vez, se opõe à prudência pois, como vimos, o ato principal da prudência é mandar; o inconstante carece de firmeza e resolução para levar à prática os seus projetos e desígnios. 


A negligência é uma falta de solicitude e presteza em ordenar a execução das resoluções tomadas depois de maduro exame, no concernente à prática da virtude. É uma pecado que podemos qualificá-lo como grande pelo pernicioso influxo que exerce em toda a economia espiritual, pois, ou a paralisa inteiramente, estorvando os seus atos ou fazendo que sejam frouxos, indolentes e como que forçados, perdendo deste modo o seu valor e mérito. 


Quando a negligência se estende a atos exteriores chama-se preguiça, e enervamento ou tardança. Esta é distinta da negligência, pois como se estende o seu influxo a todos os domínios da atividade, é veneno posto na fonte, capaz de contaminar todo o caudal de obras e virtudes. 


Tal ato pode ser pecado mortal quando impede que o homem se resolva a fazer algo de necessário para salvar-se, porém, ainda em casos mais amenos, produz um estado de apatia e indolência que conduz fatalmente à caducidade e à morte, se não se põe grande empenho em desarraigá-la. 


Temos também os vícios que pecam por excesso contra a prudência, são eles: solicitude fingidas ou simuladas. 


A prudência simulada é um conjunto de vícios que desnaturalizam o caráter da verdadeira prudência, abusando dos seus meios próprios, para procurar-se um fim ilícito. 


O vício que simulando a prudência busca um fim ilícito chama-se prudência da carne. Esta consiste em dispor e ordenar a vida, procurando como fim a maior soma possível de prazeres sensuais. 


A prudência da carne é pecado mortal quando o homem busca o prazer como fim último de seus atos, se, no entanto, o busca e procura com excessiva afeição, porém considerando habitualmente a Deus como fim último, será pecado venial. 


os vícios opostos à prudência, por abuso dos meios são: a astúcia, e seus anexos, o dolo e a fraude. 


A astúcia é uma simulação da prudência, que consiste em excogitar meios tortuosos e artes de dissimulação e engano para conseguir um fim, quer seja bom ou mau. 


O dolo é a execução exterior dos planos forjados pela astúcia. 


O dolo, portanto, é a execução dos planos forjados pela astúcia, empregando palavras e obras, já a fraude tem o mesmo objetivo, mas emprega somente as obras. 


O dolo e a fraude são diferentes da mentira, pois esta tem a finalidade de enganar e é oposta a virtude da veracidade, já a astúcia, o dolo e a fraude como são vícios opostos à prudência -- e já que esta se incorpora em outras virtudes -- andam misturados com todo gênero de pecados e vícios. 


A falsa solicitude é daquele que se preocupa exclusivamente com os bens temporais; e põe em procurá-los, mais trabalho e solicitude que nos da alma; também teme que possam faltar-lhe (bens temporais), se cumpre com seu dever. 


Nós temos, é claro, a obrigação de sermos solícitos em procurar pelos bens temporais com diligência moderada, ordenando-os à consecução da glória e confiando sempre na divina Providência. Não se deve, no entanto, ter preocupação com o porvir, pois, ela é má, quando peca por excessiva, ou se antecipa, usurpando o lugar de outros cuidados mais decisivos. No entanto, é boa, quando se limita a prevenir para o futuro o que depende e há de ser consequência do presente e deixa para mais tarde cuidados que terão de trazer tempos vindouros. 



Baseado na Suma Teológica em forma de Catecismo
















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