instagram
  • Home
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Cursos Educa-te
  • Login Educa-te

Salus in Caritate

Paz e Bem!
Sempre digo que conhecer os escritos dos santos é a única forma de ajustar nossos pensamentos aos pensamentos de um cristão de verdade, pois Deus inspirou suas ações e por meio delas podemos ter maior clareza do que agrada à Deus.
São João Vianney, é o padroeiro dos sacerdotes e nos oferece sermões ricos em doutrina e conselhos tão diretos e claros que é impossível se dizer que não compreendeu. São João Maria Vianney aceitou ser pároco na pequena aldeia “pagã”, chamada Ars, onde o povo era dado aos cabarés, vícios, bebedeiras, bailes, trabalhos aos domingos e blasfêmias; tanto assim que suspirou o Santo: “Neste meio, tenho medo até de me perder”. Dentro da lógica da natureza vem o medo; mas da Graça, a coragem. Com o Rosário nas mãos, joelhos dobrados diante do Santíssimo, testemunho de vida, sede pela salvação de todos e enorme disponibilidade para catequizar, o santo não só atende ao povo local como também ao de fora no Sacramento da Reconciliação.

Dessa forma, consumiu-se durante 40 anos por causa dos demais (chegando a permanecer 18 horas dentro de um Confessionário alimentando-se de batata e pão). Portanto, São João Maria Vianney, que viveu até aos 73 anos, tornou-se para o povo não somente exemplo de progresso e construção de uma ferrovia – que servia para a visita dos peregrinos – mas principalmente, e antes de tudo, exemplo de santidade, de dedicação e perseverança na construção do caminho da salvação e progresso do Reino de Deus para uma multidão, pois, como padre teve tudo de homem e ao mesmo tempo tudo de Deus.

Se você não tem diretor espiritual, não se apavore; se o padre não faz uma homília tão boa pra lhe falar essas coisas, não se revolte; nós temos a graça dos escritos dos santos, basta saber se a alma que me lê agora de fato está disposta a trilhar os caminhos apontados por essas almas santas que Deus em sua bondade suscitou na Igreja.
Sobre danças: seja religioso ou seja um condenado
Insta: @salusincaritate

Sermão sobre Danças: Seja religioso ou seja um condenado

São João Vianney

Há sempre alguém que vem me dizer: “Padre, que mal existe em uma pessoa se divertir um pouco? Eu não faço mal a ninguém… Eu não sou um religioso e nem pretendo sê-lo! Se eu não puder sequer dançar um pouco, eu estarei passando a minha vida nesse mundo como se fosse um morto!”
Meu caro amigo, você está muito errado. Ou você se torna um religioso, ou você será um condenado. E o que é ser uma pessoa religiosa? Nada mais é do que uma pessoa que cumpre com todos os seus deveres como Cristão. Você me diz que eu não vou conseguir nada tentando convencê-lo a respeito do mal que existe nas danças e que você não vai se tornar por isso, nem mais e nem menos indulgente a esse respeito.
Mas eu lhe digo: você está errado novamente, pois ao ignorar e desprezar as instruções do seu pastor, você atrai sobre si a ira e os castigos de Deus, e eu pelo meu lado, serei recompensado por ter cumprido com os meus deveres. Na hora da minha morte, Deus não vai me perguntar se você cumpriu ou não com as suas obrigações, mas sim, se eu lhe ensinei ou não o que você deveria fazer para cumprir com seus deveres.
Você também me diz, que eu nunca conseguirei quebrar a sua resistência, a ponto de fazê-lo acreditar que existe algum mal em divertir-se dançando. Você não quer mesmo acreditar que existe algum mal nisso, não é verdade? Bem, isso é problema seu. Que eu saiba, é suficiente pra mim, falar-lhe num modo, que me assegure que ao fazê-lo, estarei fazendo aquilo que como pastor eu deveria fazê-lo. Portanto, que isso não lhe irrite! Seu pastor está apenas cumprindo com o dever.
Mas você me dirá: Nem os 10 Mandamentos e nem tampouco toda a Sagrada Escritura proíbe alguém de dançar! Talvez você diga isso porque não os examinou atentamente. Siga o meu raciocínio por um momento e eu lhe mostrarei que não existe um só mandamento, ao qual as danças não levem à transgressão e não existe um só sacramento que não seja profanado por causa das danças.
Você sabe tão bem quanto eu, que essas folias e extravagâncias selvagens, acontecem principalmente nos domingos e feriados. Que você me diz então daquele jovem ou daquela jovem que decidiram ir a um baile ou a uma festa dançante? Qual o amor que eles tem por Deus? Suas mentes estarão totalmente ocupadas com os preparativos para chamar a atenção daqueles com os quais eles estarão misturados.
Suponhamos que eles já tenham feito suas orações. Com que espírito essas orações foram feitas? Só Deus sabe! Por outro lado, que tipo de amor a Deus uma pessoa pode sentir, quando seu coração está suspirando e pensando somente nos prazeres e nas criaturas? Nesse ponto você terá que admitir que é impossível agradar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo. Aliás, isso nunca será possível!
Deus também proíbe “juras”. Sabe Deus, quantas querelas, quantas juras e blasfêmias são proferidas como resultado das ciumeiras que se levantam entre a juventude, quando eles estão reunidos nesses encontros! Vai me dizer que não acontecem freqüentemente, disputas e brigas nesses locais? Quem poderia contar quantos crimes são cometidos nesses encontros diabólicos?
O Terceiro Mandamento, manda-nos guardar os dias santos e nesse caso, o Domingo em particular. Será que alguém poderia realmente acreditar, que um rapaz que passou várias horas do Domingo com uma garota, com o coração aceso como uma fornalha, estaria realmente satisfazendo esse preceito? Santo Agostinho tem boas razões em dizer que um homem faria melhor coisa em passar o dia inteiro trabalhando na terra e as garotas, tecendo, do que irem para esses encontros dançantes. O mal seria bem menor.
O Quarto Mandamento diz que os filhos devem honrar seus pais. Esses jovens que frequentam bailes, será que possuem o respeito e a submissão que eles devem a seus pais? Não, certamente que não. Eles causam a seus pais maior preocupação e desgosto do que você pode imaginar! Tanto pelo modo com o qual eles ignoram seus desejos e pelo mal uso que fazem do dinheiro, como também por criticarem e zombarem de seus pais chamando-os de “fora-de-moda”.
Quanta dor tais pais devem sentir! – isto é, se a fé deles ainda não se extinguiu por completo – , ao verem seus filhos se lançarem em tais prazeres, ou pra dizer de um modo mais claro, nesses caminhos licenciosos! Esses filhos não são mais abençoados por Deus, mas estão sendo engordados para o Inferno. Mas suponhamos que esses pais já tenham perdido a fé… Coitados… eu sequer ouso ir mais adiante… Quão cegos são esses pais! Quão perdidos são esses filhos!
Pode por acaso existir algum outro lugar, ou tempo ou ocasião em que tantos pecados são cometidos contra a pureza, do que nos salões de bailes e danças? Não seriam nesses encontros que as pessoas são incitadas mais violentamente contra a santa virtude da pureza? Onde mais os sentidos são tão fortemente impulsionados em direção da excitação dos prazeres?
Se formos aprofundarmos ainda mais, deveríamos morrer de horror diante dos muitos crimes que são cometidos ali! E não são nesses encontros, que o demônio furiosamente acende o fogo da impureza no coração dos jovens, de modo a aniquilar neles a graça do Batismo? E não são nesses locais que o Inferno escraviza tantas almas quanto deseja?
Imagine então: Apesar da ausência de ocasiões de pecado e do auxílio de tantas orações já é tão difícil perseverar na virtude da pureza de coração, como poderia então ser possível preservar tal virtude no meio de tantas fontes de corrupção?
São João Crisóstomo diz: “Olhe aquela jovem mundana e leviana, ou melhor, olhe para aquela pequena chama do fogo diabólico, que com sua beleza e gestos “flamboyants”, acende no coração daquele jovem, o fogo da concupiscência.” Você não os vê? Um mais do que o outro, buscando atrair-se mutuamente pelos seus charmes e toda a sorte de truques e ardis?
Se você puder, pode contar, Ó infeliz pecador: o número de seus maus pensamentos, ou maus desejos e suas ações pecaminosas! Não é nesses lugares que você ouve aquilo que agrada aos seus ouvidos, que inflama e queima os corações, fazendo dessas assembleias fornalhas de “falta-de-vergonha”? E não é por acaso ali, meus caros irmãos, que os rapazes e moças, bebem diretamente na fonte do crime, a qual logo, logo, se transforma num rio que transborda o seu leito, arruinando e envenenando tudo à sua volta?
Pois eu digo; continuem! Sigam em frente, pais e mães desavergonhados! Sigam para o Inferno, onde a justiça e a fúria de Deus os aguarda com todas as ações que vocês praticaram, permitindo aos seus filhos correrem tais riscos. Pois sigam em frente, porque eles não demorarão muito a se reunirem com vocês, já que vocês deixaram a estrada pavimentada para eles. Sigam em frente e contem o número de anos que seus filhos e filhas perderam! Apresentem-se diante do Supremo Juiz para prestarem contas de suas vidas e ali vocês verão que o seu pastor tinha toda a razão ao proibir essa espécie de prazer diabólico!
Você me dirá: –Ah! Você está apresentando as coisas maiores do que elas são realmente! Pois bem, você acha que eu estou falando demais? Então ouça o que os Santos Padres da Igreja dizem a esse respeito! São Efraim diz-nos que a dança é a perdição de moças e mulheres, a cegueira dos homens, o lamento dos anjos e a alegria dos demônios. Meu Deus! Será que alguém possui olhos tão enfeitiçados a ponto de acreditar que não existe mal nenhum nisso, enquanto essa é a corda com a qual o demônio arrasta a maioria das almas para o Inferno? Então continuem, sigam em frente pobres pais, cegos e perdidos! Sigam desprezando o que o seu pastor está dizendo para vocês! Continuem no caminho que vocês estão seguindo! Ouçam tudo e não tirem proveito de nada! Deixem entrar por um ouvido e sair pelo outro!
Quer dizer que não existe mal algum nisso, não é? Digam-me então o que foi que vocês renunciaram no dia do seu Batismo? Ou sob que condições o Batismo lhes foi concedido? Será que não foi sob a condição de que ao fazerem seus votos diante do Céu e da Terra, na presença de Cristo sobre o Altar, vocês renunciariam a Satanás e todas as suas pompas e obras por todo o tempo de suas vidas? Em outras palavras, que vocês renunciariam a todos os prazeres e vaidades deste mundo? Não foi sob a condição de abandonarem tudo para seguirem ao Cristo Crucificado que vocês foram batizados?
Sendo assim, não é verdade que vocês estão violando as promessas de seu Batismo e profanando este Sacramento da Misericórdia? Vocês não estariam também profanando o Sacramento da Confirmação, ao trocar a Cruz de Cristo que vocês receberam, por vaidades e roupas obscenas, envergonhando-se ao invés, da Cruz, a qual deveria ser para vocês, glória e felicidade? Santo Agostinho diz-nos que aqueles que frequentam bailes, verdadeiramente renunciam a Jesus Cristo para poderem se entregar ao demônio. Como isso é horrível! Expulsar Jesus depois que vocês O receberam em seus corações!
São Efraim nos diz: “– Hoje vocês se unem a Jesus Cristo, para logo depois, amanhã, se reunirem a Satanás!” Comporta-se exatamente como Judas Iscariotes, aquela pessoa que logo depois de receber Nosso Senhor Jesus Cristo, vai vendê-lo a Satanás nesses encontros, onde ela se reúne com tudo que existe de mais pecaminoso!
E quando se trata do Sacramento da Penitência? Oh! Quanta contradição em tais vidas! Um Cristão que depois de um único pecado, deveria passar o resto de sua vida no arrependimento, pensa apenas em se atirar nesses prazeres mundanos! Uma grande maioria profana o Sacramento da Extrema Unção que receberam num momento de dor, entregando-se depois a tudo quanto é movimento indecente com os pés, as mãos e o corpo inteiro que um dia foi santificado com os Santos Óleos.
Por outro lado, o Sacramento das Sagradas Ordens também é insultado pelo desacato e desprezo com os quais as instruções dos pastores são consideradas. Mas quando chegamos ao Sacramento do Matrimônio, que Deus nos ajude! Quantas infidelidades podemos contemplar nessas assembleias? Parece que tudo é admissível. Quão cego é aquele que ainda pensa que não existe mal algum nisso!
O Conselho Municipal de Aix-la-Chapelle, proíbe danças, mesmo nos casamentos. E São Carlos Borromeo, o Arcebispo de Milão, dizia que deveriam ser dados 3 anos de penitência àqueles cristãos que frequentassem bailes e mais, que se voltassem atrás, deveriam ser ameaçados com a excomunhão. Então, se é verdade que não existe nenhum mal nisso, será que a Igreja e os Santos Padres é que estariam errados?
Mas quem é que diz que não existe mal algum nisso? Só pode ser um libertino, ou uma mulher leviana e mundana que está tentando aliviar seu remorso de consciência do modo mais conveniente possível.
Bem, você poderia me dizer que há sacerdotes que não falam muito sobre isso durante a Confissão ou que embora admitam ser pecado, nunca se recusam em dar logo a absolvição para tal delito. Ah! Eu não saberia dizer se tais sacerdotes são ou não tão cegos, mas eu posso assegurar-lhes que todos aqueles que estão procurando por sacerdotes tão condescendentes, estão buscando um passaporte que os leve diretamente para o Inferno. Da minha parte, se eu mesmo tivesse frequentado bailes, sei que não deveria receber absolvição a não ser depois de ter uma firme resolução de não voltar mais a frequentar tais salões.
Veja bem o que diz Santo Agostinho e depois você me dirá se as danças são ou não uma boa ação. Ele nos diz que “as danças são a ruína das almas, o inverso da decência, um espetáculo desavergonhoso e uma profissão pública do crime”. São Efraim chama as danças de: “ruína da boa moral e alimento do vício”. Já São João Crisóstomo: “Uma escola pública da falta de castidade”. Para Tertuliano, a dança era considerada: “O Templo de Vênus, O Consistório da Falta de Vergonha e a Cidadela de toda a depravação”. Santo Ambrósio disse uma vez:
“– Eis aqui uma moça que dança! Mas não se esqueçam de que ela é filha de uma adúltera, porque uma mãe verdadeiramente cristã, ensinaria à sua filha; a modéstia, um sentido adequado de vergonha e absolutamente nada a respeito de danças!”
E agora eu lhes pergunto; quantos jovens existem aqui, que desde que começaram a frequentar esses bailes, não frequentam mais os Sacramentos? Ou quando o fazem, fazem apenas para profaná-los? Quantas pobres almas existem que perderam sua religião e sua fé! E quantos mais, nunca conseguirão abrir os olhos para ver o estado infeliz em que se encontram, a não ser depois que já tiverem caído no Inferno!
Retirado do “Sermão sobre a Pureza” de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars.

ps: vale lembrar que o Cura D'ars se refere a danças de "festejo", essas danças que possuem  a intensão de folia e a exibição do corpo. Danças de fato artísticas, com a intenção de passar um vislumbre da Beleza e exaltar a feminilidade, o pudor (que se refere ao comportamento regido pela estaca da disciplina e da postura) e a modéstia (que se refere a vestimento orientada para a feminilidade e ao recato, que de fato deve ser uma atenção dos pais, de fato, cristãos, pois as roupas nesses ambientes precisam de umas alterações para atingir essa finalidade).



Quem é você quando está sozinho?

Nós gastamos muito do nosso tempo conversando, falando e nos preocupando com a nossa relação com as pessoas e com como somos vistos e quistos por elas, mas gastamos muito pouco tempo falando, pensando e vivendo a solidão. Provavelmente isso deve-se ao fato de que não gostamos nem mesmo de pensar em solidão.

Mas a verdade é que, depois que a faculdade termina, depois que os amigos vão embora, depois que se mudam comportamentos e ideias, sempre nos deparamos com a solidão. Esses momentos são dolorosos porque buscamos ser o que o outro espera que sejamos e, quando estamos sozinhos, não precisamos mais fazer esse esforço tremendo para agradar as criaturas, que, devo dizer, mudam de opinião a todo tempo. No entanto, a solidão, que deveria trazer um alívio, para muitos é sinal de ansiedade, medo, tristeza e agonia.

A solidão é uma oportunidade. Muitas pessoas se atormentam por não ter o número x de amigos, por não ter um relacionamento amoroso, se atormentam com os momentos de solidão.

Quando estamos sozinhos, podemos ver mais claramente as miríades de expectativas que criamos para nós e que criaram para nós. A solidão é difícil, pois ela deixa a realidade nua e crua diante de nós, e isso dói. A realidade das expectativas não alcançadas, aquela perspectiva de alcançar x, y e z coisas até tal idade, não concretizada. A realidade é uma dose que poucos se habituam a tomar todos os dias na calmaria da solidão. Mas a realidade é a única coisa que de fato importa.

É justamente quando tudo se torna claro que podemos ver a ação de Deus; é olhando o inesperado que descobrimos quem somos e nos livramos dessa revolta interna de tudo que devia ter sido e não foi, nos reconciliamos com o desenrolar dos planos de Deus e nos perdoamos por tantas vezes não acolher esses planos. Eu sei que o mundo diz o contrário, mas você não é o mestre absoluto do seu destino: existe Alguém Maior.

E Ele normalmente está com você e fala muito baixo quando você está sozinho. Ele é o único que pode lhe dizer quem você é, mas, para isso, você deve adentrar nessa escura noite da solidão, acesa pelo ardente amor, e esperar ali a aurora da verdade sobre quem você é.

A solidão nos permite falar dos medos, angústias e expressar todo "o não dito" que muitas vezes tem poder sobre nós. Como filhos da luz, devemos apresentar tudo ao Deus que é a Luz da luz. Diante da Verdade, todas as mentiras que vivem em nossa cabeça e coração perdem a força.

Nós nos desvelamos das máscaras quando estamos sozinhos. E, sem essas máscaras, quem é você?

Existe um tremendo poder em aprender a estar em casa com você mesmo. Nesses momentos, você recebe a oportunidade de literalmente descascar camadas da sua vida. E acredite: você não está sozinho. Não está sozinho porque muitos irmãos passam por isso, eu passei por isso, e não está sozinho porque Deus está ali no silêncio e na quietude — que pode parecer assustadora, mas é curativa — da solidão.

Deixe que esse momento aconteça. Nesses momentos, você está escrevendo com Deus a sua história, que é irrepetível.





professora Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 


"A realização final, a atividade significativa absoluta, a expressão mais perfeita de estar vivo, a satisfação mais profunda e a realização mais plena da existência humana devem acontecer em uma instância de contemplação... Uma forma particularmente venerável, particularmente negligenciada também, é a meditação religiosa, a imersão contemplativa do eu nos mistérios divinos". (Josef Pieper)

"Talvez vos tenha acontecido algumas vezes, diante de uma escultura, de um quadro, de certos versos de uma poesia ou de uma peça musical, sentir uma emoção íntima, ter uma sensação de alegria, ou seja, sentir claramente que diante de vós não havia apenas matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, mas algo maior, algo que «fala», capaz de sensibilizar o coração, de comunicar uma mensagem e de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, procura descobrir o seu sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem, das formas, das cores e dos sons. A arte é capaz de expressar e de tornar visível a necessidade que o homem tem de ir além daquilo que se vê, pois manifesta a sede e a busca do infinito. Aliás, é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, impelindo-nos rumo ao alto." (Arte e Oração, Audiência Geral 31 de agosto de 2011, Papa Bento XI).

Nós possuímos o foco de atenção limitado, de fato, seria irreal dizer que mantemos um foco constante e inabalável diante de uma cena ou um estudo. No entanto, atualmente somos seres não somente com uma capacidade de atenção limitada, mas que entrou em um vórtice de distanciamento resoluto da atitude de, ao menos, se colocar em postura de contemplação, estamos perdendo a nossa capacidade de nos maravilharmos com a realidade da Beleza criada por Deus e também da beleza criada pelo homem nas artes sacras. A educação clássica muitas vezes definiu a arte sacra como "portais", pois nos levam a contemplar uma realidade além, uma realidade eterna. Essa contemplação nutri e eleva o espírito, nos coloca diante de símbolos que nos catequizam e nos fazem aprofundar-mo-nos na espiritualidade cristã, que é contemplativa.

Nós somos aqueles que contemplam, se maravilham diante do Deus que se fez homem, diante do Amor que se fez carne, diante do invisível que se fez visível.

Por essa razão que a igreja deve ser o local em que é possível ver uma concentração dos feixes da Beleza expressos nas belezas criadas por mãos humanas, na igreja devemos ter a oportunidade de contemplar, de descansar a alma, de nutri-la e elevá-la e ainda alimentar a inteligência com o vislumbre da Verdade.

No entanto, muitos não sabem contemplar, por essa razão se esquecem da importância da arte sacra na vida humana, nós somos seres que contemplam, mas devemos contemplar buscando amadurecimento, elevação, senão passamos a usar os olhos para a concupiscência, deslizando a tela do celular sem nenhum motivo racional ou repousando os olhos em feiúras, indecências e imoralidades.

Portanto, esse texto visa lhe ensinar a contemplação no seu modo mais simples, ou seja, não estou aqui a falar da contemplação das morada elevadas do castelo interior, mas a falar sobre a contemplação que nos fornece forças para seguir de morada em morada. Uma contemplação que é encorajada pelo desejo de se afastar da poluição sonora e visual. 

Como ser um contemplador? 

"Ao longo deste período, evoquei várias vezes a necessidade de que cada cristão encontre tempo para Deus, para a oração, no meio das numerosas ocupações dos nossos dias. O próprio Senhor oferece-nos muitas oportunidades para nos recordarmos dele. Hoje, gostaria de meditar brevemente sobre um daqueles canais que nos podem conduzir a Deus e servir também de ajuda no encontro com Ele: trata-se do caminho das expressões artísticas, que faz parte daquela "via pulchritudinis" — "caminho da beleza" — da qual já falei diversas vezes e que o homem contemporâneo deveria recuperar no seu significado mais profundo." (Arte e Oração, Audiência Geral 31 de agosto de 2011, Papa Bento XI).

Nós muitas vezes nos esforçamos para sair dessa roda de rato que é vida moderna, mas as redes sociais e a ansiedade não permitem, mas ainda existe uma forma de realizar esse passo que é fundamental para o crescimento humano. 

Nós estamos vivendo uma onda do que chamo fé sensível, ou seja, uma fé que se baseia pelo que recebe dos sentidos e se resume a isso, portanto, reduz-se a fé a sensações corporais. Essa vivência utiliza os sentidos corporais de forma equivocada, buscando embriagá-los em vez de purificá-los. Pois, devemos nos lembrar que os sentidos possuem, mesmo após o batismo, as marcas do pecado original, que nos levam a usá-los de forma equivocada.

Mas como disse existe o caminho da purificação dos sentidos e isso é possível quando passamos a contemplar a arte sacra.

A arte sacra está intimamente ligada a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e ao Sagrado Magistério, longe de ser um aspecto de ostentação é antes uma forma de elevar a alma humana que busca sempre o belo, a beleza é um anseio da alma humana, reflexo da busca pela Beleza.

Ofereço abaixo um exemplo que pode lhe incentivar:


Esta pintura de Michelangelo chama-se Criação de Adão.

Ela nos remete a criação, devemos portanto nos esforçar para lembrar-mo-nos do que diz as Sagradas Escrituras sobre a criação do homem:

Sagradas Escrituras

"Mas quantas vezes quadros ou afrescos, fruto da fé do artista, nas suas formas, nas suas cores e na sua luz, nos impelem a dirigir o pensamento para Deus e fazem aumentar em nós o desejo de beber na fonte de toda a beleza. Permanece profundamente verdadeiro aquilo que foi escrito por um grande artista, Marc Chagall, ou seja, que durante séculos os pintores molharam o seu pincel naquele alfabeto colorido que é a Bíblia. Então, quantas vezes as expressões artísticas podem ser ocasiões para nos recordarmos de Deus, para nos ajudar na nossa oração ou também na conversão do coração! Paul Claudel, dramaturgo e diplomata francês, poeta famoso na Basílica de Notre Dame em Paris, em 1886, precisamente ouvindo o canto do Magnificat durante a Missa de Natal, sentiu a presença de Deus. Não tinha entrado na igreja por motivos de fé, mas precisamente para procurar argumentos contra os cristãos e, no entanto, a graça de Deus agiu no seu coração." (Arte e Oração, Audiência Geral 31 de agosto de 2011, Papa Bento XI).


Então que nossa mente também se volte para as Escrituras:


E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.
Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar;
E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.
E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.
Gênesis 1, 26; 2, 18-25




Contemplação e Reflexão


Para contemplar é preciso se deixar maravilhar, permitir que o olhar descanse na beleza e que encontre as belezas expressas pelo artista.

Portanto, para onde o seu olhar é atraído na imagem?

Veja o ponto em que Adão e Deus estão quase se tocando. Observe: de quem é a mão mais frouxa e de quem é a mais firme? O que isso diz para você?

O que seria esse espaço entre as duas mãos?

Observe as cores que envolvem Adão e as cores que envolvem Deus. O manto vermelho lhe parece ter qual forma? Um cérebro, remetendo a Vontade Divina? Ou um útero, expressando de onde provêm a fonte da vida?

Olhe e se maravilhe ao ver as criaturas em volta do Criador. Observe a mulher que repousa no braço de Deus. Observe que pode ser Eva retida ainda na mente divina enquanto Ele criava Adão. Para onde ou quem ela olha, em quem está se firmando?

Isso lhe diz alguma coisa, te remete a outras reflexões?

Deus é o Criador. Ele cria. Você tem esse desejo criador? Tem o impulso ao maravilhamento?

Qual o fim da sua contemplação ao se deparar que o pico da criação é o homem?

Queridos amigos, convido-vos a redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus. As cidades e os povoados do mundo inteiro encerram tesouros de arte que exprimem a fé e nos exortam à relação com Deus. Então, a visita aos lugares de arte não seja apenas uma ocasião de enriquecimento cultural — também isto — mas possa tornar-se sobretudo um momento de graça, de estímulo para refortalecer o nosso vínculo e o nosso diálogo com o Senhor, para nos determos a contemplar — na passagem da simples realidade exterior para a realidade mais profunda que exprime — o raio de beleza que nos atinge, que quase nos «fere» no íntimo e nos convida a elevar-nos rumo a Deus. Termino com a oração de um Salmo, o Salmo 27: «Uma só coisa pedi ao Senhor, e desejo-a ardentemente: poder habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, contemplando a beleza do Senhor e orando no seu templo» (v. 4). Esperemos que o Senhor nos ajude a contemplar a sua beleza, tanto na natureza como nas obras de arte, assim como a sermos sensibilizados pela luz da sua face, a fim de que também nós possamos ser luzes para o nosso próximo.  (Arte e Oração, Audiência Geral 31 de agosto de 2011, Papa Bento XI).


modestia

"Ó mulher mundana,
que perdeste o pudor e
te apresentas ao público
sem te envergonhar,
por que ages assim?"
(D. Giuseppe Tomaselli).

Escuta e Reflete!

Breves Pensamentos Morais


1º Ponto: Antes não existias. Dentro de 100 anos onde estarás... Ou no Paraíso ou no Inferno! Qual é o fim da tua vida?... Dar ao Criador a prova de amor, com a observância de sua Lei. A vida não é prazer; é luta contra as paixões, contra Satanás e as máximas perversas do Mundo.

Para vencê-los precisamos da ajuda de Deus, que se obtêm com a Oração e com os Sacramentos. O fruto da vida cristã é a paz do coração, a resignação na dor, e depois, o Paraíso.

2º Ponto: No toca disco ficam impressas as ondas sonoras... cantos delicados ou grosseiros... palavras santas ou inconvenientes... Assim, no livro da tua vida permanecem escritos: os bons pensamentos ou os maus, as conversas morais ou imorais, as obras boas ou as más. Depende de ti escrever somente o bem.

3º Ponto: O rio corre; a cada momento se avizinha do mar. A tua vida foge: cada dia que passa é um de menos que te fica sobre a terra; todo o dia é um passo em direção do cemitério. Não queres pensar nisto? És tola! Imita as virgens prudentes!
4º Ponto: Sabe que a alma vale mais que o corpo. Por que tanta solicitude com o mísero corpo e tanto desleixo com a alma? Aprende a ser mais sábia!

Ouve, ó Filha, o que Eu tenho para te dizer:

Ó mulher, lança um olhar para Mim, flagelado até o sangue e coroado de espinhos! Contempla as minhas contusões e chagas!... Depois escuta e reflete!

Na vida terrena Eu me mostrei um manso cordeiro. Subi ao Calvário sem abrir à boa.

Tratei com doçura a Samaritana e a converti. Toquei o coração da pecadora de Magdala e fiz dela uma predileta Minha.

Ao longo das estradas da Palestina saiam da Minha boca palavras de luz, de paz e de amor. Os Meus ensinamentos eram doces como o favo de mel.

Um dia, porém, lançando um olhar Divino sobre todos os séculos, à vista do mal que inundava o mundo, pronunciei palavras de fogo: "Ai do mundo por causa dos escândalos!..."

Ai de quem escandaliza um destes pequeninos que crêem em Mim! Melhor seria que se pendurasse ao pescoço de quem dá escândalo uma mó de moinho e fosse precipitado no mar!

Quem pronuncia este "ai" é um Deus; sou Eu, Jesus, o Redentor, que tanto sofri para salvar as almas; sou Eu, o Juiz Supremo da Humanidade, Eu, que deverei pronunciar a sentença eterna para todas as almas: ou o Paraíso ou o Inferno!

Reflete, ó mulher, que segues a moda livre, reflete sobre o escândalo que dais a quem te olhar e sobre a tremenda responsabilidade de que te carregas!...

Podes iludir-te a ti mesma dizendo: Que mal há em seguir esta moda?... De resto, as outras mulheres fazem exatamente o mesmo!... − Esta ilusão vale para ti; mas a realidade é bem diferente!

Não podes enganar-me, que sou Bom, mas também sou Justo! Eu, o Legislador Divino, disse: Se alguém olhar para uma mulher com malícia, já pecou com ela no seu coração! − Todos os olhares lançados sobre ti com malícia, quer em casa, quer fora, são pecados que se cometem.

Tais pecados são imputáveis a quem te olhar, mas antes de tudo a ti que és a causa voluntária deles.

Um dia, quando a morte te arrancar do mundo e compareceres diante de Mim para ser julgada, verás as culpas que os homens cometeram ao ver-te com vestido indecente e tu mesma ficarás horrorizada!... Que escusa Me apresentarás?... Ai de ti, ó mulher, pelos teus escândalos!

Ó mulher mundana, que perdeste o pudor e te apresentas ao público sem te envergonhar, por que ages assim?


Tu não crês que existe um Deus, que há uma outra vida após esta terrena e que há uma alma a salvar! 
Crês ser semelhante a qualquer animalzinho, o qual, quando estiver morto tudo acabou para ele! Enganas-te!...

És uma criatura de ordem superior. Há um Deus acima de ti, ao qual nada escapa, um Deus que é justo punidor da culpa.

Escuta!

Quando talvez um dia estiveres presa ao leito, sem esperança de levantar-te... ou amassada entre duas máquinas, ensanguentada e próxima de morrer, ou quando o alarme de um germe maligno te disser que os espaços para ti terão acabado..., ou quando lutares com a morte, enquanto o teu corpo for atormentado na sala de operação... ou quando talvez tenhas um veneno perto ou uma arma para satisfazer ao desespero... lembra-te nesse instante que Deus está te pagando!...

Deus não paga o sábado, mas paga sempre!

Disse ao paralítico de Betsaida, depois de tê-lo curado: Não peques mais, para que não te aconteça algo de pior... Aquele homem tinha ficado paralisado durante 38 anos por motivo dos seus pecados.

É verdade que às vezes Eu toco com dor o corpo dos meus prediletos, para se santificarem e salvarem as almas; mas frequentemente Eu toco o corpo dos que pecam para puni-los, na esperança de fazê-los compreender!

Eu possuía uma vinha numa fértil colina. Eu a rodeei de cercas, tirei dela as pedras e a enchi de videiras escolhidas. Edifiquei no meio uma torre, construí um lagar e esperei que produzisse uvas; mas não deu outra coisa senão labruscas (uma casta de uva preta).

Que coisa deveria ter feito pela Minha vinha e não fiz?... Agora darei a conhecer o que pretendo fazer à Minha vinha: arrancarei a sebe e esta será devastada... Deixá-la-ei no abandono!

A vinha da qual Eu falo és tu, ó mulher, que tens o nome de cristã, mas na realidade não és!

Eu te fiz nascer num país iluminado pela Fé e numa família cristã; foste instruída nas Verdades Divinas; muitas vezes te liberei dos perigos da alma e do corpo; te enriqueci de muitas graças espirituais.

Enquanto estavas na infância, prometias muito e Eu aguardava os bons frutos de ti, ó Minha vinha amada. Mas na juventude tu te deixavas arrebatar pela corrente mundana e também tu segues hoje a moda, se não totalmente escandalosa, certamente muito livre.

Houve tempo em que detestavas nas outras mulheres aquela moda de vestir, que apesar disso fizeste tua... Tu te tornastes imunda! Inutilmente os Meus sacerdotes levantam a voz e expõem os sagrados avisos no Templo.

Ó mulher, que te crês religiosa e trajas vestidos pouco decentes, reflete sobre o teu caso!

Ora, seja por hábito ou por conveniência social, às vezes te resolves a comungar. Sabendo que o sacerdote não te daria a Sagrada Partícula ao ver-te com os braços nus e muito decotada, no momento da Comunhão te cobriste o melhor que podias e assim recebeste-me no Santíssimo Sacramento.

Eu, que invisto contra o escândalo, entro no teu corpo. Quanta amargura experimento quando vens para receber-me!... Penso na tua moda!

Saída da igreja, eis que te vestes imodestamente de novo, e ages por motivo de vaidade para não parecer menos inconvenientemente vestida que as outras mulheres... mas apesar disso estás debaixo das vistas dos homens, os quais frequentemente não são simples em olhar e em pensar!

Na igreja o teu corpo que comunga se torna um Tabernáculo, e fora da igreja, ao longo das ruas, nos pontos de encontro, na praia e em casa, o teu corpo se torna instrumento de Satanás, incentivo do mal.


Que coisa poderia Eu fazer mais à Minha filha e não o fiz?... Não Me resta senão abandoná-
la!

Lembra-te, ó mulher, que um dia Me darás conta dos pecados que os outros cometeram devido à ocasião que deste! Recorda-te também que não é a moda pouco decente que confere beleza à mulher, mas a modéstia no vestir e a seriedade da vida!

Pais e Mães de família, escutai!


Eu tinha posto um olhar amoroso sobre um homem, um certo Eli. Abençoei-o até quando se manteve fiel.

Tinha ele dois filhos, Ofni e Finéias; amava-os muito e, para não contristá-los, não os corrigia quando cometiam culpas, mesmo graves.

Em vão esperei que o pai abrisse os olhos. Depois de algum tempo enviei-lhes o jovem Profeta Samuel para dizer-lhes: Eis o que acontecerá aos teus dois filhos, Ofni e Finéias: morrerão ambos no mesmo dia! − E assim foi.

Sou Eu, Jesus, o Criador da Família! Eu abençoo o convívio do homem com a mulher!

Sou Eu que alegro a Família com o sorriso dos inocentes! Toda a criança é um dom da Minha liberalidade, um tesouro que confio aos genitores, tesouro que constitui para eles uma responsabilidade muito grande.
Pais e mães, deveis ter cuidado antes de tudo da alma e depois do corpo dos filhos, educando-os segundo a Minha Lei. Deveis guiá-los especialmente na adolescência e na juventude com o exemplo e a palavra, com a vigilância e a prece, com o amor e às vezes com a vara.

Ai daquele que dá escândalo aos filhos! E ai de vós genitores, se permitis aos filhos dar escândalo em presença da sociedade! A responsabilidade maior da moda indecente pesa sobre vós, ó pais, ou porque dás o triste exemplo dela, ou porque a permitis sem remorso, ou porque sois demasiado débeis na educação dos vossos filhinhos.

Pais e mães de Família são estes os pecados dos quais vos pedirão estritas contas! Não são tanto as pequenas impaciências familiares os pecados a serem apresentados ao Meu ministro para serdes absolvidos deles! É a má conduta das vossas filhas que deve pesar fortemente sobre a vossa consciência... se não tiverdes feito o possível para impedir-lhe a moda má!

Pais, refleti sobre esta verdade: é responsável pelo pecado aquele quem o faz e quem devia impedi-lo e culpavelmente não o impede.

Permitindo a moda livre e provocante, vós não amais as vossas filhas, antes quereis o seu mal, porque a colocais na estrada da condenação eterna.

A liberdade de vestir leva à leviandade, tira o pudor natural, salvaguarda da pureza, põe a filha no fogo das más ocasiões e facilmente a dispõe aos maus caminhos, os quais farão chorar a filha e vós.

A filha ajudada pela mania da moda atual, torna-se incontentável, ira-se se é repreendida, não obedece e procura encrenca em casa. Tal moça alega sempre novos pretextos, corre de prazer em prazer e talvez depois... uma página de jornal acabará a sua história: "uma jovem se envenena...", 
"Enganada ela se joga do 5º andar...""Disparou sobre o noivo e depois se matou".

São centenas de modos que diariamente acontecem e que não obstante não vos fazem abrir os olhos, ó pais!

Virá o dia do ajuste de contas no Meu Tribunal e então compreendereis o mal operado na vossa grave missão de genitores.

Quereis ficar com a consciência tranquila, conservar a família em paz e depois o prêmio eterno? Recordai-vos destas normas e das seguintes: 

Tendes filhas? Vigiai sobre a sua pessoa e não lhes mostreis o rosto muito sorridente.

Vigiai atentamente sobre a filha imodesta, se não quiserdes que esta, encontrada a oportunidade,
se perca.

Se amais as vossas filhas castigai-as frequentemente, para ter consolação com isso no futuro.

Não deixeis que a filha proceda a seu modo na juventude nem fecheis os olhos diante dos seus caprichos. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça o que o Espírito Santo sugere!

Pecado por Cooperação


Peca quem opera o mal e quem coopera com ele de qualquer modo.

E vós alfaiates, que confeccionais roupas pouco modestas, estais imunes da culpa?... Também vós não cooperais no mal?... Somente Eu, porque sou Deus, posso medir o grau da vossa responsabilidade. Recordai-vos que o vosso trabalho não pode atrair a Minha bênção.

A Imodéstia nas Praias


Todo o mundo está colocado debaixo do Maligno. A obra diabólica penetra em todo lugar. 

Mas um dos lugares preferidos por Satanás é a praia no período de verão. Aqui a imoralidade inunda, porque o mal aparece legalizado.

A veste indecente na praia é a ruína moral de muitas almas. Mas o que mais Me fere é ver na praia, com vestes livres, as mulheres que normalmente costumam acercar-se da Mesa Eucarística.
Elas crêem na sua cegueira, que a veste indecente seja lícita, pelo fato de que muitas pessoas a usam.

O mal é sempre mal. A conduta pouco correta de muitas mulheres não justifica a má conduta própria.

Satanás alegra-se em ver na praia as suas servas e já conta com vê-las consigo no Inferno.

Eu, ao invés, Me aflijo ao ver aquelas almas, pelas quais derramei o Meu Sangue, tornadas em instrumentos do Demônio por motivo do nudismo descarado.

Minha Divina Justiça fez cair do Céu fogo e enxofre e destruiu as cidades imorais de Sodoma e Gomorra. Eu deveria fazer chover sobre as praias fogo e enxofre para incinerar os que, imodestamente vestidos, passam as horas e os dias em mole ociosidade!

Quem pedi conta até de uma única palavra ociosa, que conta exigirá das mulheres imodestas no dia do juízo?... Minha tremenda Justiça as tratará como tiverem merecido as suas obras perversas.

A Riqueza e a Imoralidade


A riqueza iníqua, o dinheiro ganho ilicitamente, arrasta para toda a baixeza. Mulheres sem consciência se esquecem da sua dignidade, e pelo avultado lucro se prestam a se apresentarem através da tela da televisão ou do cinema de modo incorreto. São milhões e dezenas de milhões de olhos imodestos que se colocam sobre tais mulheres.

Eu, que sou o Criador, dei uma Lei Moral. Quem na terra está autorizado a anulá-la? Ninguém!...

Apesar disto esta Lei é zombada, pisada. E Eu, Justiça eterna, ficarei indiferente a isto?

No Divino Tribunal Me darão contas os diretores, os artistas e os que assistem às cenas despudoradas. A responsabilidade pesa, além disso, sobre a consciência dos pais, que permitem aos filhos assistirem às indecências da televisão.

Almas que viveis no lodo moral e disseminais ruínas e mortes, olhai-me crucificado, refleti em vosso caso e meditai no Inferno, onde eternamente cumprem e cumprirão grandes penas multidões de almas as quais um dia também viveram sobre a terra como vós, na libertinagem!...

Enquanto Eu caminhava para o Calvário, uma piedosa mulher teve compaixão de Mim e veio enxugar-me o rosto, sujo de sangue. Agradou-me muito aquele gesto piedoso. Enquanto agonizava na Cruz, Eu era confortado pela Minha Dolorosa Mãe e pelas santas mulheres.

Enquanto a Humanidade é peregrina sobre a terra, continuo a cumprir o ofício de Redentor. Procuro conforto e reparação. Volto-me a vós, almas fiéis! Escuta! A Minha Alma está triste até a morte!
Hoje, ao ver os escândalos da moda, renovo o Meu lamento: Estou triste... tão triste!
Confortai-me vós, ó caras almas! Vesti sempre com modéstia. Não permitais na vossa família a moda indecente. Repreendei a juventude feminina com caridade e fortaleza, para o bem. Ao ver pelo caminho ou em qualquer outro lugar, mulheres mal vestidas, rezai por elas, recitando uma Ave Maria, a fim de que a Minha Mãe interceda por elas. Acrescentai esta invocação: Piedade, Jesus, destas servas de Satanás!

No verão comungai, acrescentando às outras intenções também esta: reparar os escândalos da moda.
Mandai celebrar alguma Santa Missa em reparação dos pecados do nudismo.

Oferecei no verão algum sacrifício, por exemplo, limitando-vos no beber ou renunciando a algum refresco. Qualquer mortificação repara a Divina Justiça e atrai a sua Misericórdia.

Bem-aventurado quem escuta a Minha palavra e a põe em prática!


(D. Giuseppe Tomaselli, "Moda Femminile − A Moda Feminina", Messina, 1966; Traduzido do italiano pelo Prof. João Carlos Cabral Mendonça).


Poema Cavalaria Ana Paula Barros





Tudo continua na mesma calmaria
Corações numa contínua romaria
Ações envoltas em teimosia
Lá vai a nobre cavalaria da covardia



Passa o tempo, essa muralha de monotonia
Os pássaros em calma sinfonia
À porta d’alma a agonia
Que corta o coração em afonia


Que porca babilônia essa em cacofonia?
Que vida tão cheia de irônica calmaria
Lá vai a cavalaria da falsa harmonia
Mas que importa, não lhes basta a calmaria?

Ana Paula Barros









Aspirações à vida eterna

Vivo sem em mim viver
E tão alta vida espero,
Que morro de não morrer.

Vivo já fora de mim
Desde que morro de amor;
Porque vivo no Senhor,
Que me escolheu para Si.
Quando o coração lhe dei,
com terno amor lhe gravei:
Que morro de não morrer.

Esta divina prisão,
do amor em que eu vivo,
fez a Deus ser meu cativo,
e livre meu coração;
e causa em mim tal paixão
ser eu de Deus a prisão,
Que morro de não morrer.

Ai que longa é esta vida!
Que duros estes desterros!
Este cárcere, estes ferros
onde a alma está metida!
Só de esperar a saída
me causa dor tão sentida,
Que morro de não morrer..

Ai! Como a existência é amarga
Sem o gozo do Senhor!
Se é doce o divino amor,
Não o é a espera tão larga:
Tire-me Deus esta carga
Tão pesada de sofrer,
Que morro de não morrer.

Só vivo pela confiança
De que um dia hei de morrer;
morrendo, o eterno viver
Tem por seguro a esperança.
Ó morte que a vida alcança,
Não tardes em me atender,
Que morro de não morrer.

Olha que o amor é bem forte!
Vida, não sejas molesta;
Vê, para ganhar-te resta
Só perder-te: - feliz sorte!
Venha já tão doce morte;
Venha sem mais se deter,
Que morro de não morrer.

Lá no céu, definitiva,
É que a vida é verdadeira;
Durante esta, passageira,
Não a goza a alma cativa.
Morte, não sejas esquiva;
Mata-me para eu viver,
Que morro de não morrer.

Vida, que posso eu dar
a meu Deus que vive em mim,
se não é perder-me enfim,
para melhor o gozar?
Morrendo, o quero alcançar,
pois nele está meu socorro,
Que morro de não morrer.

Se ausente de meu Deus ando,
Que vida há de ser a minha
Senão morte, mais mesquinha,
Que mais me vai torturando?
Tenho pena de mim, quando
Me vejo em tanto sofrer,
Que morro de não morrer.

Já de alívio não carece
O peixe em saindo da água,
Pois tem fim toda outra mágoa
Quando a morte se padece.
Pior que morrer parece
Meu lastimoso viver,
Que morro de não morrer.

Se me começo a aliviar
Ao ver-te no Sacramento,
Vem-me logo o sentimento
De não poder gozar.
Tudo aumenta o meu penar,
Por tão pouco assim te ver,
Que morro de não morrer.

Quando me alegro, Senhor,
Pela esperança em ver-te,
Penso que posso perder-te,
E se dobra a minha dor:
E vivo em tanto pavor,
Sem na espera esmorecer,
Que morro de não morrer.

Oh! Tira-me desta morte,
E dá-me, Deus meu, a vida;
Não me tenhas impedida
Por este laço tão forte.
Morro por ver-te, de sorte
Que sem ti não sei viver,
Que morro de não morrer.

Choro a minha morte já;
E lamento a minha vida,
Enquanto presa e detida
Por meus pecados está.
Ó meu Deus, quando será
Que eu possa mesmo dizer
Que morro de não morrer?

Dilectus meus mihi

Entreguei-me toda e assim
Os corações se hão trocado
Meu Amado é para mim,
E eu sou para o meu Amado.

Me atingiu com sua seta,
Nos meigos braços do Amor
Minh'alma aninhou-se quieta.
E a vida em outra, seleta,
Totalmente se há trocado:
Meu amado é para mim,
E eu sou para meu Amado.

Era aquela seta eleita
Ervada em sulcos de amor,
E minha alma ficou feita
Uma com o seu Criador.
Já não quero eu outro amor,
Que a Deus me tenho entregado:
Meu Amado é para mim,
E eu sou para meu Amado.

Colóquio Amoroso

Deus meu, se o amor que me tendes
É como o amor que vos tenho,
Dizei, por que me detenho?
Ou vós, por que vos detendes?
- Alma, que queres de mim?
- Deus meu, não mais do que ver-vos.
- E tu temes? Como assim?
- O que mais temo é perder-vos.

Uma alma em Deus escondida,
Que mais tem que desejar?
Senão sempre amar e amar,
E, no amor toda incendida,
tornar-vos de novo a amar?
Oh! Dai-me, Deus meu, carinho!
Oh! Dai-me amor abrasado,
E eu farei um doce ninho
Onde for do seu agrado.



Ante a Formosura de Deus

Formosura que excedeis
A todas as formosuras, Sem ferir, que dor, fazeis!
E sem dor desfazeis
O amor das criaturas!

Ó Laço que assim juntais
Dois seres tão diferentes,
Se, atado, em gozos trocais
As dores, as mais pungentes

Ao que não tem que ser, juntais
Com quem é Ser por essência;
Sem acabar, acabais;
Sem ter que amar, amais;
E nos ergueis da indigência.










Acessar o Portal Educa-te aqui



"She Was Pretty" (2015)


Como o nome sugere, a série aborda o tema da "beleza" no sentido de imagem e aparência, especificamente a feminina.


A protagonista é uma "fracassada" que consegue um estágio em uma revista de moda. Além desse fator, ela tem uma aparência considerada desagradável, especialmente para os padrões coreanos. Para contextualizar, a Coreia é um dos países com a maior demanda por cirurgias plásticas, sendo um dos mercados mais renomados da medicina estética. Uma plástica é um dos presentes de maioridade mais frequentes na Coreia.


Assim, é comum que as séries coreanas apresentem reflexões sobre a beleza, os padrões idealizados naquela cultura e seus resultados. No entanto, "She Was Pretty" (2015) aprofunda-se na questão. A beleza estabelecida como um padrão baseia-se na aquisição, por meios financeiros, de alguns traços físicos que conferem ao portador a beleza socialmente aceita. Neste ponto, embora não de forma tão exigente, o Brasil apresenta comportamentos similares em relação à beleza física. A beleza é entendida como uma série de aquisições feitas de forma recorrente, determinando que uma pessoa é bela por adquiri-los. Ou seja, é uma visão materialista da beleza, uma beleza comprável.






Para aprofundamento: Livro A Mulher Católica: Graça & Beleza (Ana Paula Barros)





Esta aquisição torna-se uma forma de comunicação e se desenrola em uma lista de exigências que devem ser seguidas: sempre "passar um batonzinho", nunca "faltar um brinquinho", "que linda essa foto que você está mostrando as pernas", "acho tão bom que você está se cuidando fazendo as unhas". Estas "regras sociais", que parecem insignificantes, mostram uma série de normas (regras não verbais) que passam a possuir o status de beleza e geram uma longa dependência do olhar de aprovação do outro, que determinará se o aspirante a ser belo socialmente está de acordo com os requisitos.


As duas culturas possuem a visão da beleza pela exposição: se a pessoa não mostrar que fez tal coisa - se não é visível - não será belo. Embora a Coreia tenha um padrão de construção dessa imagem mais natural e acessível do que o brasileiro, que é uma sucessão de camadas visíveis para esconder uma determinada insatisfação, ambas compartilham a ideia de que não basta ter uma pele bem tratada ou um cabelo limpo e tratado. Nada do território do saudável basta.


E este é o ponto de várias produções asiáticas sobre a aparência que bem servem para o Brasil, que tem um aspecto de exposição bem mais estabelecido e sedimentado.


A série também aborda o sucesso profissional, a dedicação ao trabalho, os sonhos esquecidos e os relacionamentos que nos ajudam a descobrir quem realmente somos.




O aspecto do sucesso profissional não é insignificante; muitos mercados estão focados na imagem, especialmente o digital. No entanto, ao contrário dos americanos, europeus e alguns latinos, que recentemente têm optado pelo traço do "estranho", a Coreia (e também a China) ainda preserva exigências de imagem e aparência muito específicas e rigorosas quanto ao "normal perfeito". A aparência impecável, que impressiona alguns, pode esconder uma grande máquina de mercado que enriquece à custa das ansiedades dos consumidores.

Outro tema importante da série é a vergonha de si mesmo e suas consequências. "She Was Pretty" mostra que a beleza não está nos adornos que a protagonista coloca em si para parecer bela. Adotando uma abordagem quase socrática sobre a beleza, a série evidencia que a beleza não se resume à aquisição de apetrechos. Essa percepção é importante, pois nos distancia da ideia perigosa de que basta ter uma série de aquisições para ser bonita ou feminina, como se tais atributos fossem mercadorias adquiridas em transações comerciais, refletindo uma visão marxista sobre a aquisição da feminilidade e da masculinidade.




Para aprofundamento: A atual percepção de feminilidade flerta com o marxismo




As pressões sociais sobre a aparência feminina oscilam entre os estereótipos dos comerciais de margarina dos anos 50 e a aparência alienígena. No entanto, cabe observar a perspectiva cristã sobre a aparência e a imagem:






1 Pedro 3, 3-4: "Não sejam, pois, as suas atenções voltadas para o exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro ou roupas caras; mas sim para o interior do coração, unido ao incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus."


Provérbios 31, 25-26: "A força e a dignidade são os seus vestidos, e quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações. Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua."


1 Timóteo 2, 9-10: "Da mesma forma, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada, ou com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras."


Cânticos 4, 7: "És toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito."






Além disso, é interessante notar a presença do cristianismo na cultura coreana. De forma sutil, a série mostra como as percepções do cristianismo e da cultura ocidental se integraram ao cotidiano na Coreia, sendo visíveis em hospitais, escolas e orfanatos. Em uma cena com a protagonista e sua melhor amiga, essas influências são claramente evidentes.

O cristianismo, na percepção das produções coreanas, está atrelado à capacidade de suportar sofrimento, à remissão e ao perdão. Os símbolos cristãos surgem em determinados momentos das cenas, sempre que esses temas são abordados.

Também é possível encontrar produções mais recentes com padres e freiras como protagonistas, como a série "Um Padre Ousado", onde a justiça ativa, tão diferente do comportamento budista e taoísta em relação às ações sociais (baseadas na impassibilidade e na não-ação), está vinculada às ações cristãs. Nessa série, são retratadas pessoas que lutam por justiça e não aceitam o poder das máfias e das injustiças, uma visão que, para um ocidental consciente, é bem bondosa.






A complementariedade entre a missão feminina e masculina encontra diversos ruídos nas mais diversas produções culturais. Fruto da nossa limitação em conceber essa interação de forma saudável, frequentemente vemos estabelecidos, sem nenhum critério, uma série de padrões, tanto progressistas quanto conservadores, para essa interação.




É interessante observar que, dentre as produções culturais mais equilibradas sobre o assunto, destacam-se as produções chinesas. A produção chinesa, com altos investimentos e artistas de múltiplos talentos, tem mostrado uma abordagem hábil e reflexiva sobre pautas políticas como o feminismo.

A China é uma cultura milenar que se esforça por preservar sua história, mesmo num regime que, em essência, tende a descredibilizar o passado. O país parece trilhar um caminho próprio, fruto da união inusitada entre comunistas e empresários. Durante a revolução chinesa, os empresários apoiaram o avanço militar, o que resultou em um governo comunista militar empresarial.



Dessa interação inicial surgiu uma abordagem de governo de esquerda militar e de riqueza produtiva. E uma das maiores fontes para ver o retrato da China por ela mesma é o grande apoio que os produtores culturais da internet recebem para propagar a cultura chinesa. Cada canal de YouTube está ligado a uma empresa de mídia, uma vez que não existe YouTube na China, é preciso publicar os vídeos fora. Essa leitura da China é realmente agradável, de fartura e muita riqueza alimentar, o que mostra uma abordagem sinalizatória sobre o sucesso da China, que todos podemos ver nos produtos que compramos, pois são todos chineses. Essa potência silenciosa é também uma potência cultural silenciosa.


Na série "Los Intérpretes", a produção é voltada para a educação chinesa sobre o fato de que todo chinês é um embaixador da China nos países em que estão. Essa abordagem mostra a preocupação da China e a ação conjunta dos chineses em fazer da China uma grande nação. É o sonho coletivo chinês, desde a época dos imperadores chineses (assim como o sonho da unificação da China).


Há quem me pergunte o motivo de me atentar às produções chinesas. Além do fato de ser a atual superpotência do mundo, existe a questão da evangelização. Logo, nós estaremos cercados mais pela cultura chinesa do que pelas outras. É importante saber o que eles valorizam.


O sonho coletivo chinês, de uma nação bela, inteligente e forte, é plasmado na sociedade pelas produções, que querem educar mostrando que o país será forte, belo e inteligente se todos, homens e mulheres, assim forem. Veja, portanto, que o objetivo chinês é o crescimento de influência de sua pátria. Para isso, as pautas ideológicas não são favoráveis, já que muitas vezes colocam um em detrimento do outro. Por isso, as produções tendem a mostrar uma ação conjunta em prol de todos e da pátria.





A visão está correta e poderia ser muito melhor aproveitada se colocássemos uma visão cristã sobre isso, não só pelo bem da pátria terrena, mas pela vida na pátria celeste. Esta abordagem é inexistente nas produções chinesas (claro, por conta da mentalidade base do comunismo); no entanto, a complementariedade sempre existe, até mesmo no "olimpo chinês" com seus deuses e criaturas míticas. Mas este olimpo é uma cópia mais caótica do olimpo grego e romano. Com frequência, existem confusões sobre o bem e o mal, numa clara tentativa de incutir que uma vida terrena calma e tranquila é tudo o que poderíamos querer.


Portanto, embora a produção cultural chinesa tenha muitos pontos positivos, carece desse ponto fundamental. No entanto, a maioria das produções ocidentais também nada têm a enriquecer nesse ponto.


Os pontos positivos que podem fazer com que o avanço das produções asiáticas repercutam de forma a favorecer a boa doutrina cristã, através de um alimento cultural menos pernicioso moralmente, são:




Primeiro: são séries marcadas por grande pudor. Por razões culturais, raramente se encontram comportamentos luxuriosos e cenas de nudez explícita nas séries, nem mesmo comportamentos depravados. Para que se tenha uma ideia, até mesmo um beijo e pegar na mão são extremamente raros e só acontecem depois de muitos episódios. Isso é de extremo valor para nós, brasileiros, que temos dificuldade em viver o pudor devido à necessidade, quase crônica, de tocar nas pessoas. Especialmente aqueles que desejam viver um namoro santo encontrarão nessas séries uma forma de absorver comportamentos mais comedidos e poderão reafirmar a certeza de que amor e tocar na pessoa são coisas distintas. Observar como eles são comedidos nos ajuda a viver a temperança, o pudor e a modéstia em nossas atitudes.


Segundo: os personagens realmente condensam em si a missão masculina no homem e a feminina na mulher. Fica extremamente clara a distinção e a importância de cada missão e da individualidade de cada pessoa.


Terceiro: em muitas séries é possível notar a evolução da cultura asiática através do contato com a cultura ocidental (judaico-cristã). Portanto, nos ajuda a notar como os valores cristãos incutidos nas leis e na moral auxiliaram diversos povos a melhorarem (principalmente em relação ao valor da mulher e ao casamento), mesmo indiretamente, como é o caso da Ásia. Eles não são um povo evangelizado; no entanto, em sua maioria, absorveram muitas coisas culturalmente católicas, afinal, o catolicismo é também uma cultura. Além disso, em séries contemporâneas é possível notar como o cristianismo tem feito parte da vida do povo comum. Presentes em hospitais, escolas e orfanatos, além das igrejas, é fácil notar cruzes pelas cenas, assim como as diversas reações ao cristianismo. Temos desde aqueles que acabam recebendo o benefício das obras de caridade até personagens que representam não pessoas em si, mas a cultura milenar desses países e sua tentativa de permanecer. Aliás, boa parte das séries possui a intenção de ressaltar os valores da cultura oriental, não fazendo menção direta a nenhuma religião, o que permite que possamos trabalhar o filtro para absorver as qualidades e nos atentar ao que chamo de brecha de evangelização (todas as civilizações possuem pequenas brechas que possibilitam a conversão ao cristianismo, e é assim que a Igreja vem evangelizando desde São Paulo com os gregos) e observar os pontos de erro para treinar como refutá-los (ao menos essa é a forma que concebo).


Quanto à complementariedade, objeto deste artigo. Podemos observá-la em todas as séries. Na série "General and I" ficam realmente desenhados os aspectos da complementariedade.


E, como o próprio nome indica, trata-se da história de um general e uma moça órfã e só no mundo, mas muito, muito inteligente. A série se desenrola em mais de 60 episódios. O tema da série é a nação. Uma característica muito interessante, como já apontado, é que o romance amoroso é um elemento, não o motivo da história; o tema da série é o patriotismo de ambos os personagens, e exemplos de fidelidade, caridade, abnegação, honestidade, honra e coragem. O que torna os personagens muito interessantes. É claro que, para que estas virtudes se tornem mais evidentes, existem também seus antagônicos, os vícios, presentes na trama.


Além disso, observamos uma representação profunda do casamento, um ponto que merece atenção especial. Aborda os motivos para o casamento e o significado de se unir a outra pessoa, destacando a fidelidade aos votos matrimoniais. Em todas as culturas, o casamento é um compromisso assumido pelos próprios noivos; no catolicismo, não é diferente. O casamento é o único sacramento realizado pelos noivos, onde ambos fazem votos expressos diante de Deus e prometem cumpri-los até a morte. Esse aspecto, que enfatiza o cumprimento dos votos, é tratado com clareza.



Aprofundamento sobre complementariedade: Livro A Mulher Católica: Graça & Beleza (Ana Paula Barros).



Com uma abordagem tão interessante é fácil conceber uma complementariedade social em prol do crescimento nacional. Característica também vista em "Você é a minha glória", "O começo de uma nova vida", "Floresce na Adversidade" e "O Tigre e a Rosa".


Talvez o que mais evidencie a forma chinesa de lidar com as pautas tão debatidas no ocidente seja a produção "O Tigre e a Rosa", sobre uma roteirista feminista que cria um mundo regido pelo "matriarcado" e não pelo "patriarcado". A história mostra de forma divertida o erro de somente inverter os supostos polos de força social.


Também é possível constatar nas séries modernas a resistência ao casamento e alguns pontos sobre a legalização da interrupção da gestação, que mostram como esses atos de pecado foram abraçados. Embora seja possível ver coisas bem piores em séries ocidentais, vale observar como o tema é retratado pela arte do cinema oriental.



Aprofundamento sobre educacional: Educa-te: Paideia Cristã 

Sobre Educação Estética: Revista Digital Salutaris: Educação Estética, Arte & Patrimônio 




Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia, Graça & Beleza.












Newer Posts
Older Posts

Visitas do mês

"A língua dos sábios cura" - Provérbios 12, 18

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




"Quem ama a disciplina, ama o conhecimento" - Provérbios 12, 1

Abas Úteis

  • Sobre Ana Paula Barros, Portifólio Criativo Salus e Contato Salus
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Educa-te: Paideia Cristã
  • Revista Salutaris
  • Salus in Caritate na Amazon
  • Comunidade Salutares: WhatsApp e Telegram Salus in Caritate
  • Livraria Salus in Caritate

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Temas Tratados

  • A Mulher Católica (82)
  • Arte & Literatura (69)
  • Biblioteca Digital Salus in Caritate (21)
  • Cartas & Crônicas & Reflexões & Poemas (69)
  • Celibato Leigo (7)
  • Cronogramas & Calendários & Planos (10)
  • Cultura & Cinema & Teatro (6)
  • Devoção e Piedade (124)
  • Devoção: Uma Virtude para cada Mês (11)
  • Educação e Filosofia (101)
  • Estudiosidade (39)
  • Estudos Literários Católicos (25)
  • Gotas de Tomismo (72)
  • Livraria Digital Salus (4)
  • Plano de Estudo A Tradição Católica (2)
  • Plano de Leitura Bíblica com os Doutores da Igreja (56)
  • Podcasts (1)
  • Salus & Viriditas (5)
  • Semiótica & Estudos Culturais (23)
  • Total Consagração a Jesus por Maria (21)
"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Arquivo da década

  • ▼  2026 (24)
    • ▼  junho (7)
      • Em defesa da preservação da Missa Tridentina (em s...
      • Moda e Leitura Compartilhada
      • Desafio de retórica: 5 dias de escrita pelo maravi...
      • Metaética: O certo e o errado existem
      • Brasil, o novo luxo
      • Literato Católico: Santa Melania
      • Literato Católico: Santa Paula de Roma e a Erudiçã...
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (2)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2025 (51)
    • ►  novembro (24)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (2)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2024 (37)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (3)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (3)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2023 (61)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (8)
    • ►  maio (5)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2022 (41)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (12)
    • ►  junho (2)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2021 (104)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (16)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (11)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (6)
    • ►  maio (10)
    • ►  abril (11)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (13)
    • ►  janeiro (9)
  • ►  2020 (69)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (6)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (8)
    • ►  junho (9)
    • ►  maio (6)
    • ►  abril (6)
    • ►  março (6)
    • ►  janeiro (5)
  • ►  2019 (96)
    • ►  dezembro (43)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (5)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2018 (27)
    • ►  dezembro (3)
    • ►  novembro (1)
    • ►  outubro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (7)
    • ►  junho (7)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2017 (26)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (6)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2016 (11)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  fevereiro (2)
  • ►  2015 (3)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  junho (1)
  • ►  2014 (3)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
  • ►  2013 (1)
    • ►  julho (1)
  • ►  2012 (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
    • ►  junho (1)

Ana Paula Barros| Salus in Caritate. Tecnologia do Blogger.

É uma alegria ter você por aqui!

Gostaria de convidá-lo(a) para a Comunidade Salutares: Literatura | Arte | Filosofia no WhatsApp e Telegram

Entrar

Ana Paula Barros SalusinCaritate | Distribuido por Projetos Culturais Católicos Salus in Caritate