Batalha de víboras

by - domingo, setembro 27, 2026







Chegamos a tal ponto no corpo místico de Cristo que veneno é combatido com veneno. Facilmente é possível olhar ao redor e ver víboras destilando veneno umas contra as outras, numa espécie de ação apotecária em que veneno se remedia com veneno, em que o veneno é um antídoto contra outro. E o corpo fica, em suma, envenenado, mas cada veneno age lentamente por conta da ação bloqueadora de outro veneno. As víboras dedicadas a essa função montam em torno de si uma roda de zombadores, que riem e zombam de outro grupo dentro do próprio corpo, e o outro grupo, por sua vez, zomba do primeiro. Víboras em roda de zombadores, isso na igreja, no templo, em homilia, diante do Santíssimo. Sem nenhum senso cristão. Realmente estamos perdendo muito.

Quanto a quem, como eu, só tem fome e sede de justiça desde a infância, percebe que não tem vocação para serpente. Realmente essa atribuição existe: ser astuto como as serpentes. E muitas que hoje estão na batalha das serpentes são desse grupo. Mas talvez você, como eu, não tenha chamado para ser serpente, tampouco para ser pomba. Nos falta aquela ingenuidade; nós vemos, e vemos friamente e cruamente. Veneno destilado na casa do Senhor. Só nos perguntamos: que serventia tem isso? Nenhuma resposta vem, apenas a constatação de que é mais um capítulo da disputa de poder que agora assume o posto de quem destila mais veneno contra o grupo que entende como opositor. E Cristo a esperar que os venenos cumpram sua função. E nós, que não somos serpentes nem pombas, a assistir, sem nada a dizer, apenas com fome e sede de justiça a crescer.

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