Livro de Miquéias: Visão Geral

by - julho 26, 2021

 

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Livro de Miqueias

Miqueias nasceu em Morasti (Moréshet), uma vila no interior do reino de Judá, a oeste de Hebrom. Por sua origem camponesa se assemelha à Amós, com quem compartilha uma aversão às grandes cidades e uma linguagem concreta e franca, nas comparações breves e nos jogos de palavras.

Miqueias era ativo em Judá, desde antes da queda de Samaria (1,2-7), em 722 a.C., viveu sob o rei Acaz (735-715 a.C.) e do rei Ezequias (715-687 a.C.), e (aparentemente) experimentou a devastação causada pela invasão de Senacherib em Judá (701 a.C.). O título do livro (1,1) também adiciona o nome do rei Jotão (742-735 a.C.). Isto faria Miqueias ativo de 742 a.C a 701 a.C..


Jotão (ou Jotam) foi o 11º rei de Judá e começou a governar por volta do ano 750 a.C., reinando por 16 anos. Foi contemporâneo ao profeta Isaías.

Filho do rei Uzias (Azarias), de Judá, com Jerusa (Jerusá), filha de Zadoque. (2Rs 15.32, 33; 1Cr 3,12; 2Cr 27,1; Mt 1,9). Depois de Uzias ser atacado de lepra, quando se irou com os sacerdotes por ser repreendido por eles pela invasão ilícita do templo e pela tentativa de oferecer incenso, Jotão começou a cuidar das tarefas reais em lugar de seu pai. Mas, aparentemente foi só depois da morte de Uzias que Jotão, aos 25 anos de idade, começou seu reinado de 16 anos (777-762). — 2Rs 15,5;7;32; 2Cr 26,18-21, 23; 27,8.

Isaías, Oseias e Miqueias serviram como profetas no tempo de Jotão. (Is 1,1; Os 1,1; Miq 1,1) Embora seus súditos se empenhassem em adoração imprópria nos altos, Jotão mesmo fazia o que era direito aos olhos de Jeová. — 2Rs 15,35; 2Cr 27,2-6.

Durante o reinado de Jotão se fizeram muitas construções. Ele erigiu o portão superior do templo, fez muita construção na muralha de Ofel, construiu também cidades na região montanhosa de Judá, bem como fortes e torres nos bosques. — 2Cr 27,3-7.

Mas, Jotão não teve um reinado pacífico. Guerreou com os amonitas (descendentes de Amon, filho do incesto de Ló com sua filha mais nova) e finalmente triunfou sobre eles. Em resultado disso, durante três anos, eles pagaram um tributo anual de 100 talentos de prata (US$660.600) e de 10.000 coros (2.200 kl) tanto de trigo como de cevada. (2Cr 27,5) Durante o reinado de Jotão, a terra de Judá começou também a sofrer pressão militar do rei sírio Rezim e do rei israelita Peca. — 2Rs 15,37.

Quando Jotão morreu, ele foi sepultado na Cidade de Davi, e seu filho, Acaz, que tinha cerca de quatro anos quando Jotão se tornou rei, ascendeu ao trono de Judá. — 2Cr 27,7-28,1.



Acaz (em hebraico: אחז) foi o 12º rei de Judá, tendo iniciado o seu reinado em 735 a.C. e governou por 16 anos, sendo contemporâneo do profeta Isaías. É considerado um rei mau, de acordo com a Bíblia, pois promoveu a idolatria, fechou as portas do Templo de Deus e sacrificou o próprio filho aos deuses pagãos. Além disso, ele ofereceu sacrifícios e queimou incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda a árvore frondosa, imitando as abominações das nações que Deus havia expulsado diante dos israelitas. Sofreu importantes derrotas militares e não conseguiu obter o apoio da Assíria para controlar os conflitos com as nações vizinhas.


Ezequias (em hebraico: חזקיהו; em grego: Εζεκία; em latim: Hezekiah), também chamado de Hezequias, foi o 13º Rei de Judá, e reinou por 29 anos (726–697 a.C.)era filho de Acaz e de Abi (ou Abia). Reinou conjuntamente com seu pai de 729 a 715 a.C. e, com a idade de 25 anos, tornou-se rei absoluto. Seguiu o exemplo do seu brilhante antepassado, o Rei Davi, teria começado a reinar com 25 anos de idade e governou por 29 anos, a partir de 715 a.C.. 

No exato primeiro dia do seu reinado, reparou as portas e purificou a Casa/Templo de Yauh. Reintegrou os sacerdotes e levitas ao seu ministério, e restaurou a celebração da Páscoa (II Crônicas 29, 3 e 30, 5). Além disso, combateu a idolatria em Judá proibindo o culto aos deuses pagãos, determinando também que fosse destruída a serpente de bronze construída na época de Moisés, pois novamente o povo estava adorando-a. E, devido à sua obediência, a Bíblia relata que Deus trouxe paz ao seu reino. Enquanto cuidou do templo, providenciou a adoração adequada.

De acordo com a Bíblia, Ezequias, ao ser confrontado pelo grande Rei da Assíria, Senaqueribe, orou a Deus e foi salvo do cerco de Jerusalém (por volta do ano 701 a.C.), através de um anjo enviado por Deus, que teria exterminado cento e oitenta e cinco mil soldados assírios durante a noite.Também no contexto do cerco, ordenou a construção do Túnel de Ezequias, para impedir as tropas de Senaqueribe de terem acesso ao precioso líquido (água), desviando o curso da água de fora das muralhas de Jerusalém para dentro da mesma.

Segundo a Bíblia, após a expulsão dos assírios, Ezequias experimenta um novo milagre. Tendo adoecido gravemente acometido do que a Bíblia chama de úlcera (alguns acreditam tratar-se de um câncer), o profeta Isaías veio lhe dizer que iria morrer. Não se conformando, Ezequias pôs-se a orar e Isaías retorna com outra mensagem de Deus informando um acréscimo de mais 15 anos à vida do rei. E, como prova do cumprimento dessa palavra, Deus deu um sinal a Ezequias, fazendo atrasar dez graus a sombra do relógio solar construído por Acaz.

Tendo se recuperado, cometeu um sério equívoco ao mostrar os seus tesouros aos mensageiros de Merodaque-Baladã II, rei da Babilônia. Devido a isso, foi advertido pelo profeta Isaías, prevendo o futuro cativeiro dos judeus, o que ocorreu numa invasão de Nabucodonosor II, no reinado de Zedequias.

Ezequias faleceu em 696 a.C., mas seu filho Manassés (708 a.C. - 642 a.C.) assumiu a posse de rei aos 12 anos, permitindo a idolatria em Jerusalém e fazer Judá cair em pedaços.



Miqueias, e os outros profetas menores (Amós, Abdias, Oseias), também se manifestaram contra a falta de obediência da aliança. Muitos aspectos da aliança haviam sido abandonados em favor do culto a Baal e de outras práticas pagãs. A esta luz, Samaria, um dos líderes desta apostasia, está condenada à destruição (lembrar de ligar esse fato ao comportamento dos discípulos, no NT, ao realizar a visita à Samaria e do papel do Senhor em curar a desavença).


O período da atividade de Miqueias se sobrepõe a de Isaías, é possível que os dois fossem contemporâneos, muitas vezes confundidos um com o outro. Jeremias 26,18-20 fala do efeito de Miqueias sobre o rei, e que ele e o rei não foram capazes de atender, mas que a mensagem de Miqueias foi capaz de trazer o rei para o arrependimento. No entanto, alguns estudiosos consideram que pode ser mais provável que Isaías tenha causado o arrependimento do rei, pois ele tinha acesso ao rei, era muito mais provável de influenciar as decisões do rei.


No livro de Miqueias existem também promessas e esperanças. Entre elas se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (5, 1-3). A precisão deste versículo messiânico é impressionante, pois fornece o nome da cidade onde o Messias iria nascer, cerca de 700 anos antes. O Novo Testamento retomará essa profecia e o atribuirá ao nascimento do Senhor Jesus (Mt 2, 6).









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