Carta de fim de tarde
Piracicaba, 28 de dezembro de 2024
Acabo de voltar de uma das minhas caminhadas de fim de tarde. Enquanto caminhava, pensava na grande alegria que cerca as coisas. Percebi que muitas plantas, de forma muito inesperada, começam a dar brotos nas pontas dos galhos; uma árvore parece criar novos galhos em um dos grossos troncos podados, aparentemente há muitas estações. Em uma janela, um gato observa pacientemente a rua; um pássaro, com no máximo dez centímetros, contempla majestoso a criação dos filhos de Adão do alto de um fio de poste. O azul do céu contrasta com o verde da copa das árvores, e o sol magicamente lança seus raios entre o verde e o azul, numa exibição cinematográfica. Uma pracinha foi podada, e noutra, uma ninhada de pintinhos estabelece seus domínios, completamente ignorantes de que aquela pracinha não foi pensada para uma ninhada de pintinhos. Os pássaros cantam suas melodias de fim de tarde, que são, como você poderá notar ao escutar em algum fim de tarde, absolutamente diferentes do canto soprano da manhã.
Há uma profunda importância nessas pequenas coisas, vivenciadas em 30 minutos e apreendidas a cada 10 minutos. Essas experiências tornam esse pequeno tempo precioso, como os dez minutos de uma oração mental. É interessante como, na verdade, novos ciclos começam o tempo todo ao nosso redor.
Com esta carta, gostaria de desejar toda a graça e bênção que essas descrições desenham.
Professora Ana Paula Barros

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