Em meio ao caos nasce uma santa| Livros Católicos

by - junho 11, 2019


Em meio ao caos nasce uma santa| Livros Católicos


"O homem nasce, não para viver sempre neste mundo, senão para morar nele por algum tempo, consagrado ao cumprimento dos deveres sagrados impostos pela lei natural e positiva, sofrendo com resignação cristã os trabalhos da vida presente até chegar a hora de partir para a pátria celeste, para a qual foi criado. Tal é o fim do homem sobre a terra; porém, quando por culpa das mães, ignora ou esquece esse destino, a criança de hoje empreenderá amanhã a carreira da vida com passo incerto, na noite obscura do presente, sem a luz da fé e sem os ensinos salutares que inspiram a fervorosa piedade da mãe, não podendo esperar, quando for entrando em anos, outra coisa senão graves e dolorosas quedas morais que multiplicando os males presentes, o despenharão por fim no abismo".

Ficha e curiosidade:


Livro: A vida de Santa Rita de Cássia
Autor: Padre José Rodrigues Cabezas
Editora: Minha Biblioteca Católica
Leitura: Fácil

Conteúdo e Curiosidades:

Margherita Lotti, era italiana, nasceu em 1381, Roccaporena, Itália e faleceu em 22 de maio de 1457, Cássia, Itália.
O ano de seu nascimento foi cercado de revezes, um dos principais foi que o rei João I de Castela aliou-se ao papa de Avinhão (antipapa) Clemente VII.

O Papado de Avinhão, conhecido também como "Cativeiro de Avignon", compreendido entre 1309 e 1377, se refere ao período e que a residência do papa foi alterada de Roma para Avinhão. À medida que o poder real foi se fortalecendo na França, surgiram conflitos com a Igreja. Durante o reinado de Filipe IV de França, o Belo (1285-1314) - o mesmo que incitou a morte dos Templários - , registou-se um choque entre esse soberano e o então Papa Bonifácio VIII. O Papa não permitia que o rei cobrasse tributos da igreja francesa. O sucessor do Papa Bonifácio VIII, Clemente V, foi levado (sem possibilidade de debate) pelo rei francês a residir em Avinhão, dando origem aos papas franceses que viveram naquela cidade.

Este episódio é conhecido como a "Crise de Avinhão", dando início ao período chamado de "cativeiro babilônico dos papas" (ou da Igreja), uma alusão ao exílio bíblico de Israel na Babilônia. Por coincidência, o "cativeiro" dos papas em Avinhão durou aproximadamente o mesmo tempo que o exílio dos Judeus na Babilônia, tornando a analogia ainda mais conveniente e retoricamente poderosa.

O rei Filipe IV de França conseguiu que fosse eleito um papa francês em 1305 (que adotou o nome de Clemente V) e, em 1309, persuadiu-o a deslocar a sede papal de Roma para Avinhão, às margens do rio Ródano.

Em 1377 a residência do papa foi transferida de volta para Roma por Gregório XI, que faleceu um ano depois, enquanto um papa rival era eleito em Avinhão. Houve um período de controvérsia entre 1378 e 1414 ao qual escolásticos católicos se referem como o "Cisma Papal", ou, "A grande controvérsia dos AntiPapas" (também chamado "o segundo Grande Cisma" ou Grande Cisma do Ocidente por muitos historiadores protestantes ou seculares), quando facções da igreja católica se dividiram quanto aos vários pretendentes a Papa. O Concílio de Constança, em 1414 resolveu finalmente esta controvérsia, desmantelando os últimos vestígios do papado de Avinhão.

O Antipapa Clemente VII nascido Roberto de Genebra, foi um antipapa sediado em Avinhão e o primeiro do Cisma Papal.

Clemente VII era filho de Amadeu III, Conde de Genebra, e foi destinado à vida eclesiástica desde jovem. Em 1361 foi nomeado Bispo de Thérouanne e em 1368 Arcebispo de Cambrai, tendo sido feito cardeal em 1371. Durante a sua carreira inicial na Igreja, Clemente VII foi legado dos papas de Avinhão.

Em 1377, o Papa Gregório XI decidiu, por intervenção de Santa Catarina de Siena, deslocar a sede do papado de novo para Roma. No ano seguinte o papa morreu e foi substituído por Urbano VI. Esta escolha foi influenciada pela população de Roma, que queria assegurar com a eleição de um italiano a permanência do papado na cidade. A maioria dos cardeais de origem francesa discordava desta escolha e detestava o novo papa pela sua personalidade conflituosa. Como resposta, quatro meses após a eleição de Urbano VI, os cardeais franceses reuniram-se em Anagni e realizaram novo conclave. Desta reunião saiu a proclamação de Roberto de Genebra como Papa, sob o nome de Clemente VII. Para concretizar o cisma, Clemente VII excomungou e foi excomungado por Urbano VI e fixou residência em Avinhão.

Ao contrário do seu opositor, Clemente VII era um diplomata experiente em manobras políticas e soube alcançar apoios para a sua causa. Se mostrou particularmente ardiloso quando se valeu da crença do Santo Sudário para incentivar a fé católica e, ao mesmo tempo, gerar recursos para sua Igreja. Contrariando outras vozes da Igreja, declarou-a como autentica, relíquia sagrada, e ofereceu indulgências a quem peregrinasse para a ver.

O cisma da Igreja Católica estava longe de ser resolvido quando Clemente VII morreu em 1394. Foi sucedido pelo antipapa Benedito XIII.

Portanto, em meio ao caos Deus suscitou Santa Catarina de Sena e fez nascer uma menina que viria a ser Santa Rita de Cássia.

Para que entenda, ao menos em parte, essa época conturbada segue um pequeno esquema sobre os papas e anti papas.



"Contava ainda poucos anos e já mostrava certa compaixão pelos pobres, grande inclinação à piedade e nenhum entusiasmo pelos brinquedos próprios de sua idade; seu rosto alegre e risonho aparecia mais belo e encantador pela modéstia que realçava sua formosura; porém, o que caracterizou Rita em seus primeiros anos foi um amor extraordinário a Jesus crucificado e às dores de sua Mãe Santíssima, dando assim a entender o que seria aquela menina quando chegasse ao desenvolvimento de sua inteligência". 

"...a inclinação de Rita para vestir-se com simplicidade, juntamente com grande recato e modéstia superiores à sua idade, acrescentando que o temor e a oração eram nela como que instintivos".

"Sua infância cheia de prodígios; sua modéstia, aquela prematura inclinação à penitência, seu desprendimentos e caridade, que ela praticaria até chegar aos mais heróicos sacrifícios."

"A décima primeira testemunha na causa de beatificação declara que Rita era desde os primeiros anos modelo de perfeição por sua piedade, pela frequência aos sacramentos e por sua muita oração, sendo ao mesmo tempo exemplar pelo respeito e obediência aos seus pais, pela modéstia no vestir e recato no falar".

Uma Santa que viveu a santidade em todos os estados da vida cristã, mostrando que em todos a santidade é possível.

Em sua vida se vê duas palavras, citadas com insistência: modéstia e resignação.

"Curvada, dizia Padre Tardi, pelo peso da dor, não tardou em levantar-se, fazendo se superior a si mesma e a tudo o que havia sucedido. Elevou sua contemplação ao Céu, reconhecendo que tanto os bens que dele procedem, como os males, que o homem causa, todos entram nos desígnios da Providência que respeitosamente devemos aceitar... e adorou esses desígnios do Altíssimo".

"Ad augusta per angusta" (às coisas excelentes pelo caminho estreito)

"Não há nada que tão eficazmente influa na vida privada e pública das pessoas como o exemplo. Por isso, os servos de Deus...fizeram do seu exemplo um facho luminoso... muitas vezes esse mesmo exemplo salvou povos e sociedades inteiras da ruína iminente."

"Na ocasião da morte de Santa Rita, os moradores de Cássia não só haviam melhorado seus costumes, gozando ao mesmo tempo do beneficio da paz, como se sentiam orgulhosos... das virtudes daquela filha de Cássia".


Esse facho luminoso foi o sinal de esperança em um tempo de caos, que perdurava, na alta cúpula do clero. No ano de sua morte o papa era Calisto III, ele era membro de uma família muito influente: os Borgias. Foi papa de 8 de abril de 1455 até à data da sua morte, perto de Xàtiva, Valência, hoje Espanha. Foi o Papa que reviu a condenação de Joana d'Arc e reconheceu sua inocência em 1456.

Filho de Domingo de Borja e de sua mulher Francisca Martì, foi tio materno doutro papa da família Bórgia, Alexandre VI (um dos papas mais polêmicos da história) e do cardeal Luis Juan de Milà y Bórgia.

Portanto, vemos na vida dos santos a forma do agir da Vontade Divina em sua Igreja, quando as trevas aumentam surgem luzes ainda mais radiosas. 





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