instagram
  • Home
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Cursos Educa-te
  • Login Educa-te

Salus in Caritate

Seja um Educando






A educação baseada nas artes liberais, conhecida como Educação Liberal, tem suas raízes na educação clássica da Antiguidade e na Idade Média, onde o foco era desenvolver habilidades intelectuais fundamentais através do estudo de sete artes liberais: gramática, lógica, retórica, aritmética, geometria, música e astronomia. Enfatiza a importância do aprendizado ao longo da vida e do desenvolvimento intelectual em diversas áreas do conhecimento.

Irmã Miriam Joseph Rauh, C.S.C., PhD (1898–1982), foi integrante das Irmãs da Santa Cruz e obteve seu doutorado na Universidade de Columbia. Ela lecionou inglês no Saint Mary's College de 1931 a 1960 e é autora de diversos livros, incluindo "The Trivium" (1937), um texto desenvolvido para o currículo básico do Saint Mary's College. No prefácio da edição de 1947, ela menciona a inspiração e instrução do professor Mortimer J. Adler, da Universidade de Chicago, e reconhece suas dívidas intelectuais com Aristóteles, John Milton e Jacques Maritain. O livro aborda a educação medieval em artes liberais, com foco na gramática, lógica e retórica.

Em 1935, a carreira da Irmã Miriam Joseph deu uma guinada significativa após uma palestra do Dr. Mortimer J. Adler, da Universidade de Chicago, no Saint Mary's College. Adler destacou a importância das artes liberais e criticou a especialização que separou gramática, lógica e retórica, levando à deterioração de suas funções educacionais.

Após a palestra, o Padre William Cunningham, C.S.C., professor de Educação em Notre Dame, perguntou a Adler sobre a viabilidade de restaurar o Trivium no curso de inglês para calouros. Anos mais tarde, a Irmã Miriam Joseph escreveu que, quando a pergunta foi feita, “muitos na plateia viraram-se e olharam para mim”. As irmãs Madeleva, Miriam Joseph e Maria Theresa estudaram com Adler em Chicago e na Columbia University em Nova York. No outono de 1935, a Irmã Miriam Joseph começou a lecionar o curso "The Trivium" no Saint Mary's College, que se tornaria uma instituição essencial. O curso, ministrado cinco dias por semana durante dois semestres, treinava os estudantes a pensar corretamente, ler inteligentemente, falar e escrever de maneira clara e eficaz.

Sem um livro-texto adequado, a Irmã Miriam Joseph escreveu "The Trivium in College Composition and Reading", publicado pela primeira vez em 1937.




Obras Publicadas


  1. Joseph, Irmã Miriam (1937). O Trivium Integrado com a Composição da Faculdade (1ª ed.).
  2. Joseph, Irmã Miriam [1948]. McGlinn, Marguerite (ed.). O Trivium: As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica (3ª ed.).
  3. Joseph, Irmã Miriam [1948]. O Trivium na Composição e Leitura da Faculdade (3ª ed.).
  4. Joseph, Irmã Miriam [1947]. O Uso das Artes da Linguagem por Shakespeare.
  5. Joseph, Irmã Miriam (1962). Retórica na Época de Shakespeare: Teoria Literária da Europa Renascentista.
  6. Joseph, Irmã Miriam (1940). Lógica Cotidiana.
  7. Joseph, Irmã Miriam (1954). Ortodoxia no Paraíso Perdido.
  8. Referências a Mulheres nas Epístolas de Cícero, Sêneca e Plínio (1954).
  9. Joseph, Miriam (abril de 1962). "Hamlet, uma Tragédia Cristã". Estudos em Filologia, 59(2): 119-141. Imprensa da Universidade da Carolina do Norte.
  10. Joseph, Miriam (1959). "Uma Leitura 'Trivial' de Hamlet". Laval Théologique et Philosophique, 15(2): 182-214. Universidade Laval. DOI: 10.7202/1019978AR. ISSN 1703-8804 (versão impressa).



Acesse aqui: Literato Católico 2025 





Panorama do século XX




O século XX foi um período de grandes transformações e acontecimentos históricos que moldaram a sociedade como a conhecemos hoje. Foi marcado pelas duas Guerras Mundiais, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que trouxeram devastação e mudanças geopolíticas significativas, incluindo o colapso de impérios e o surgimento de novas superpotências como os Estados Unidos e a União Soviética. Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo mergulhou na Guerra Fria (1947-1991), uma disputa ideológica, tecnológica e militar entre o capitalismo e o socialismo, que influenciou profundamente a política global e levou à corrida espacial, com momentos marcantes como o lançamento do satélite Sputnik pela União Soviética em 1957.

O século também viu o processo de descolonização, intensificado após a Segunda Guerra Mundial, com diversos países da África, Ásia e Oriente Médio conquistando sua independência ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970, como a independência da Índia em 1947.

Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos e científicos revolucionaram todos os aspectos da vida humana, desde a medicina, com o desenvolvimento de vacinas como a da poliomielite nos anos 1950, e antibióticos como a penicilina na década de 1940, até as comunicações, com a invenção do rádio (década de 1920), da televisão (anos 1930), do computador (década de 1940) e, mais tarde, da internet (década de 1980). A exploração espacial tornou-se uma realidade, culminando com a chegada do homem à Lua em 1969.

Socialmente, o século XX foi palco de movimentos transformadores em busca de direitos civis, "igualdade de gênero" e inclusão de grupos marginalizados, como o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos nos anos 1960 e as ações feministas ao longo de todo o século. Na cultura, o modernismo (início do século XX), o surrealismo (década de 1920) e outras correntes artísticas redefiniram as fronteiras da criatividade, enquanto a globalização conectou as nações como nunca antes, especialmente após a Segunda Guerra Mundial.





Literatura do Século XX 




No modernismo, autores como James Joyce, com Ulysses (1922), e Marcel Proust, com À Sombra das Raparigas em Flor (1919), introduziram inovações como o fluxo de consciência. Na literatura existencialista, obras como O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, e A Náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, exploraram a liberdade e a alienação.


O realismo mágico emergiu com força na América Latina, com escritores como Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão (1967), e Juan Rulfo, com Pedro Páramo (1955), que mesclaram o cotidiano ao fantástico. No cenário pós-colonial, autores como Chinua Achebe, com O Mundo se Despedaça (1958), e Salman Rushdie, com Os Filhos da Meia-Noite (1981), abordaram a  independência cultural.


A poesia modernista também se destacou, com T.S. Eliot publicando A Terra Desolada (1922), uma obra repleta de alusões fragmentadas, enquanto Pablo Neruda publicava sua poesia romântica e política, como em Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924). No teatro, Samuel Beckett desafiou as convenções com Esperando Godot (1953), representativo do Teatro do Absurdo, enquanto Federico García Lorca explorou as tensões sociais em peças como A Casa de Bernarda Alba (1936).


A literatura distópica também floresceu com obras como 1984 (1949), de George Orwell, que lançou uma poderosa crítica ao totalitarismo, e Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, que examinou os perigos de uma sociedade controlada. Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo (1949), enquanto Virginia Woolf publicou Uma Janela para o Amor (1927).


No Brasil, Clarice Lispector se destacou como uma das maiores escritoras do século, trazendo uma linguagem introspectiva e poética em obras como sua obra A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Por outro lado, autoras afro-americanas como Zora Neale Hurston, com Seus Olhos Viam Deus (1937), e Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel em 1993, trouxeram narrativas sobre a experiência afrodescendente, como em Amada (1987).


O mercado também abriu espaço para narrativas de suspense, como as de Agatha Christie, a "Rainha do Crime", cujas obras, como Assassinato no Expresso do Oriente (1934) e E Não Sobrou Nenhum (1939). 



Gertrud von Le Fort destacou-se com Hymnen an die Kirche (1924), um tributo à Igreja Católica, e Die Letzte am Schafott (1931), que narra o martírio das Carmelitas de Compiègne. Edith Stein, filósofa e santa católica, deixou importantes escritos como On the Problem of Empathy (1916) e The Science of the Cross. Maria Luiza Chaveut publicou o seu A virgem cristã na família e no mundo em 1930.


Na África, Margaret Ogola contribuiu com The River and the Source (1994), uma celebração de gerações de mulheres quenianas, além de I Swear by Apollo (2002) e Place of Destiny (2005). Flannery O'Connor, uma renomada escritora americana, trouxe contos e romances que abordam a graça divina e a complexidade humana, como em Wise Blood (1952). Alice Thomas Ellis explorou a fé e a moral em obras como The Sin Eater (1977), enquanto Caryl Houselander destacou-se por seus escritos espirituais, como The Reed of God (1944), que reflete sobre a Virgem Maria.


Ademais, Irmã Miriam Joseph, acadêmica e autora católica, deixou um importante legado com The Trivium: The Liberal Arts of Logic, Grammar, and Rhetoric (1937), uma obra que revitaliza as artes liberais na educação, e Shakespeare's Use of the Arts of Language (1947), que analisa o uso da retórica nas obras de Shakespeare. 




Crítica de Cultura (por Professora Ana Paula Barros)



O que chama a atenção na história da irmã Miriam é a pergunta do padre ser automaticamente ligada a ela. Ou seja, o reverendo já tinha em mente colocá-la a cabo dessa tarefa. Valorização clara, evidente. Esquecida completamente. Uma ação realizada fora da cultura de massa.

Mas um ponto importante do esquecimento é a cultura de massa. Por exemplo, quando você aceita a pessoa que possui muito alcance, números, como se ela fosse uma autoridade, sem nenhuma formação para ministrar coisa alguma, isso é movimentado pela cultura de massa. No Brasil, a cultura de massa é veiculada pelas celebridades. O celebrismo é um atributo que confere à pessoa o nível de autoridade automaticamente, sem nenhuma reflexão. Essa dinâmica do celebrismo é bem conhecida no jornalismo cultural e norteia praticamente toda a recepção dos conteúdos gerados em cultura no Brasil. O público é treinado para ver somente o que tem o brilho do celebrismo, assimilando com isso a fala e os trejeitos da celebridade.

No meio católico, não é diferente: as autoridades são as celebridades. Não importa a formação, se são de fato sensatas e corretas segundo as regras da Igreja; basta que tenham visibilidade para ganharem automaticamente autoridade. O que faz com que todo produtor de conteúdo vise antes ser celebridade, populista e polemista do que qualquer outra coisa, já que vocês, o público, querem isso. Compram qualquer coisa vendida por celebridades, mas desprezam qualquer bom trabalho feito por alguém não conhecido. Isso é a cultura de massa e você é a massa moldada e manipulada.

Também é cultura de massa quando, dentro do mecanismo da imitação de comportamento, você escolhe citar em suas redes sociais a celebridade feita de autoridade para navegar por alguns segundos na fama da celebridade, mas não cita um professor desconhecido que oferece um conteúdo mil vezes melhor. Isso é a cultura de massa e você é a massa moldada e manipulada.

Também é cultura de massa quando o consumo, os temas e as opiniões são modulados pela maioria, quando você só procura ler algo se alguém, "celebridade", mostra nas redes sociais que leu. Isso é a cultura de massa e você é a massa moldada e manipulada.

É crença que a cultura de massa está vinculada somente à TV, funk, pagode. Não, a cultura de massa está ao nosso redor, e não acredite que, por ser católico e consumir conteúdos católicos, você está a salvo. Não está, porque você consome conteúdo das celebridades católicas. Você imita os gostos, roupas, jargões das celebridades católicas, você cita em seus stories a celebridade e não cita o professor que mais oferece conteúdo de verdade. Você ainda está na cultura de massa e você é a massa moldada e manipulada.

Por este motivo, pelo interesse da massa ser moldado pelas celebridades cheias de jargões e pouco cérebro, autoras como a irmã Miriam são esquecidas. Uma mulher consagrada a Deus com um alto nível de conhecimento clássico simplesmente não tem obras traduzidas nesta terra das celebridades.

Este padrão não pode ser mantido durante uma vida de estudo sério. Da mesma forma como não pode ser mantido o ridículo proceder masculino de não ler obras de mulheres. Ou das mulheres de não buscarem conhecimento em arte e beleza que realmente seja sério e não um deleite diante da própria imagem. Não sei se isso acontecerá, no entanto, tenho quase certeza de que, se uma celebridade lançar um curso com preço absurdo para resolver algo profundo em dez aulas, haverá uma massa moldada e manipulada para pagar. E a massa é você.


Parece severo, não é mesmo? Mas faz parte do trabalho, e não é um desabafo pessoal que leva um professor a trazer tais pontos à tona. Não é curioso que a própria massa não perceba que é a massa? No livro O Discurso sobre a Servidão Voluntária, o autor [com as ressalvas que é prudente ter com os humanistas] aborda uma questão que permanece atual: qual a razão das ações irrefletidas das massas? O próprio autor sugere: "vós mesmos podeis libertar-vos, basta que não apoiem mais".

Entretanto, os ensinamentos propagados pela cultura de massa limitam essa consciência de escolha, esse entendimento de que "eu posso optar por não consumir isso", seja no mundo digital ou fora dele. Mais uma vez, parece perpetuar-se o que já existia na Roma Antiga: o prazer proporcionado pelo "pão e circo". Apesar de, em tempos de inflação, o pão não ser tão acessível, o circo certamente não falta. O fascínio pelo circo e pelo entretenimento atualiza as reações da turba romana.

Nero, tão terrível quanto foi, recebeu o pranto da turba ao falecer. Por quê? Bem, ele era generoso em prover entretenimento. É por isso que a cultura de massa merece uma análise minuciosa, mesmo no contexto de uma dinâmica dita cristã. Pois, por trás da diversão que diverte e "desvia", há um terreno fértil para a irreflexão, que torna aceitáveis frases como "esposa troféu" ou "o homem perde sua masculinidade ao lavar a louça".

Uma filha de Deus não é um troféu; nenhuma mulher é um objeto. Da mesma forma, a ideia de que sua "aquisição" confere status ao possuidor-ganhador é absurda. Apenas a carência poderia enxergar nessa frase um elogio; somente as sequelas do pecado original podem torná-la tolerável. Quanto à segunda frase, é questionável uma masculinidade que "escoa pelo ralo". Sem mencionar que santos como Santo Antônio, entre muitos outros, alcançaram a santidade também servindo na cozinha em prol dos irmãos, vivendo a masculinidade católica de maneira autêntica, sem recorrer a essas ideias ridículas, mas eu falo mais sobre isso no livro Graça & Beleza.





Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 

 








Escrever um ensaio sempre me pareceu semelhante a escrever uma carta: longa e repleta de detalhes. Cada escrita reflete o olhar do autor e tudo o que esses olhos testemunharam.


Para alguns, o processo de escrita é árduo; para outros, flui com facilidade. Escrever em si nunca foi difícil para mim, mas o fluxo rápido de ideias sempre foi um desafio maior. Também não acredito que uma obra esteja concluída até que o autor assim o declare ou até que ele tenha falecido. Portanto, não tenho ilusões sobre a obra perfeita. Para mim, o mais importante é que seja coerente e reflexiva.


Como mencionei várias vezes em aula, escrever é, para alguns, uma espécie de sina; para outros, um mecanismo de enfrentamento, utilizado apenas na esfera pessoal. O escritor está na primeira categoria. E dessa condição vêm desconfortos, lágrimas e tempo necessário para a concepção. Não é um processo luxuoso, nem tampouco perfeito. Inclusive, acredito que é difícil ensinar alguém a ser escritor. Também considero difícil que ser escritor esteja atrelado a uma fama pré-existente.


Digo isso porque, neste cenário pós-moderno superinformativo, as pessoas fazem uma correlação entre as duas coisas, sem saber que, no mercado literário, existem escritores muito conhecidos em certos nichos, com leitores que aguardam ansiosamente seus livros. São pessoas que não são famosas fora desses nichos. É muito interessante esse modelo social que se formou, com nichos completamente desconhecidos para outros nichos.




A escrita de "Modéstia" foi impulsionada pelo caos infinito que o tema gerou em 2018, um ano que serviu como peneira para muitas celebridades deste nicho ao qual pertenço. Após essa grande "seleção natural", o assunto surgiu em minha mente como uma exigência para escrever, e então o fiz. Esse ensaio faz parte de uma tríade que até então existia apenas em minha mente. No entanto, foi fruto de estudos realizados desde 2012, ou seja, seis anos—praticamente uma faculdade sobre o mesmo tema—para conceber a primeira parte. Foi uma grande felicidade, embora tenha me causado alguma tristeza depois, devido às dificuldades do meio editorial. Alegro-me apenas pelas pessoas que leem o livro físico; o restante dessa experiência com a edição física me trouxe muita tristeza. Mas enquanto foi apenas um livro digital, foi uma felicidade.

A escrita não foi difícil, mas havia muitos pontos que deveriam ser abordados sem tornar o livro pesado. Este tema é sempre muito sensível, e as reações são geralmente exacerbadas. Portanto, o livro também tem a intenção de suprir algumas deficiências na formação humana católica. A formação católica possui três níveis: humano, doutrinal e espiritual. Todas são alimentadas pela Sagrada Escritura e pela Sagrada Tradição. É frequente, no entanto, que até mesmo os mais versados acreditem que todas são formações espirituais, mas isso é um engano. As instâncias são distintas. A formação humana abrange toda a área educacional; a doutrinal, a Santa Doutrina; e a espiritual, em suma, são as direções espirituais. Vivemos numa época sem ação efetiva sacerdotal, o que torna muito confuso, até mesmo para eles, observar a diferença gritante entre as áreas. Que dirá para as outras pessoas sem formação católica ou recém-convertidos.

Portanto, a escrita de "Modéstia" deveria contemplar todas essas nuances e oferecer um bom material de reflexão sobre a temática, que é uma das bases da formação educacional dos iniciantes. Para isso, este ensaio possui muitas citações diretas e transcrições, creditadas inclusive aos tradutores que muito contribuíram nesse sentido, além de poemas de minha autoria e de outros autores. No final, tornou-se um bom livro para a educação moral cristã a partir dos 14 ou 15 anos, que realmente era a minha intenção, sem deixar de atender as mulheres sem sólida formação católica.


No entanto, considerando a necessidade de veicular a temática em outras áreas, o livro possui vasta referência bibliográfica e pode ser incluído nas referências de trabalhos acadêmicos de moda, psicologia comportamental e ciências sociais, sem deixar a desejar.

Por trabalhar na área acadêmica há 15 anos e ter lecionado a desafiadora disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso muitas vezes, sei que pode ser difícil encontrar referências para algumas temáticas. Também sei da importância do papel dos estudantes nessa ação cultural católica. Os estudantes católicos têm o dever de citar todos os autores católicos que conseguirem em seus trabalhos e não ter medo. Exceto alguns nomes midiatizados, por conta da "sociedade dos nichos", seus professores certamente não sabem quem são os escritores e tradutores católicos, e vocês podem usar isso ao seu favor. O resultado é a veiculação das obras no meio acadêmico secular, um meio solenemente ignorado até hoje.

Ao escrever, pensei em todas essas coisas, na esperança de que os vórtices da internet se transformassem em uma mudança de mentalidade verdadeira a respeito da produção cultural católica responsável, que pudesse causar mudanças na recepção dos leitores e fazê-los deixar de ver a catolicidade como um nicho separado das outras áreas, atitude que realmente dificulta a evangelização e a ação cultural católica. Quem sabe um dia tenhamos estudantes realmente corajosos?




Em termos de vendas de livros, há diferentes níveis de "sucesso" que podem ser observados no mercado editorial. Os best-sellers são aqueles livros que conseguem vender um grande número de cópias rapidamente após o seu lançamento, comumente mais de 10.000 cópias no primeiro ano. Eles são frequentemente destacados nas listas de mais vendidos e alcançam uma ampla audiência de forma rápida e eficaz.

Por outro lado, temos os livros de mídias livres, que vendem bem, mas não chegam ao status de best-seller. Esses livros geralmente vendem entre 1.000 a 5.000 cópias no primeiro ano e ainda conseguem um bom desempenho, mesmo que não alcancem os números impressionantes dos best-sellers.

Os livros de nicho são aqueles que vendem principalmente em segmentos específicos de mercado. Eles costumam ter vendas mais modestas, entre 500 a 1.000 cópias no primeiro ano. Apesar de suas vendas menores, esses livros têm uma audiência dedicada e fiel dentro de seu nicho.

Finalmente, há os livros de baixa venda, que vendem poucas cópias. Esses livros geralmente vendem menos de 500 cópias no primeiro ano. Embora suas vendas sejam limitadas, eles ainda encontram valor entre leitores específicos e podem atender a propósitos especializados ou pessoais.

"Modéstia" encontra-se entre um livro de nicho e mídias livres, dependendo do formato de edição (digital ou física), o que não implica em um ganho significativo, não é mesmo, caríssimos? Como expliquei nesta aula aberta: Letras, mercado e política (transcrição de aula aberta). Por isso, agradeço muito aos leitores, principalmente aos leitores do livro digital, pelas razões mencionadas na aula.



O segundo ensaio, Graça & Beleza, publicado este ano (2025), 15 anos após os primeiros passos nas pesquisas da temática, traz uma reflexão que realmente visa mulheres a partir dos 20 anos. Foi pensado como uma ação educativa que poderá acompanhar a formação de algumas moças e suprir minimamente a formação de outras que, embora com idade e muitas com fama, não são mais que iniciantes na catolicidade. Desta forma, este ensaio foi escrito com uma abordagem mais madura e com mais enfoque na crítica social, em continuação ao ensaio anterior. Busquei momentos de leveza, usando a literatura poética católica tradicional. Foi uma escrita densa, mas não me pareceu pesada ao finalizar.

De modo geral, vejo os escritos como uma oportunidade de treinar minha capacidade de condensar um tema sem perder profundidade. Esta visão destoa de alguns autores que acreditam no poder de um calhamaço em capa dura; principalmente os homens gostam bastante dessa abordagem. Eu, como mulher, realmente prefiro o sagrado poder da síntese sem perder profundidade, resgatando as camadas profundas de escrita que existem em contos e mitos.

Além disso, há um motivo prático: se o leitor for uma mulher com seus vários lindos filhos, indo a uma pracinha, carregando bolsas e todo o kit de sobrevivência para uma excursão externa, ela certamente poderia levar um livro. No entanto, é fundamental que ele seja leve, e o formato da edição ajuda muito nisso. Afinal, todas as coisas que são carregadas alegremente pelas crianças voltam devidamente unidas e ao mesmo tempo para os braços do adulto mais próximo. Portanto, isso também passa pela minha cabeça quando escrevo, assim como penso nas mães de recém-nascidos que escutam as aulas em áudio e com isso se sentem nutridas de conhecimento em meio ao período de adaptação. Acredite, já acompanhei muitas mamadas dessa forma.

Quanto à utilização acadêmica, mantive a mesma intenção do primeiro ensaio.




Como vê, meu processo de escrita se desenvolve na formação humana sem perder o olhar humano. Desenvolvido ao longo de muitos anos, entre sorrisos, lágrimas, algumas humilhações e falta de respeito. E, como tudo na vida, tem suas tristezas, principalmente quando em contato com o lado escuro de algumas alas. Mas, em suma, quando me trazem alguma notícia do que o Senhor fez com simples palavras—mas palavras consagradas—compensa em parte o processo oculto de escrever e a lapidação que realiza no próprio escritor.


A autora,
Professora Ana Paula Barros




Página da autora na Amazon (aqui)

Sobre a Autora (aqui)


























 




Autora: Ana Paula Barros
Revisão de texto: Jarbas

Páginas: 100
Ano de publicação: 2025
R$: 25,00


Formato 1: livro digital acervo Salus (aqui)
Formato 2: livro digital acervo Amazon para os leitores digitais Kindle e app Kindle em celular e tablet (aqui)
Formato 3: livro físico na Amazon (adquira aqui) ou com valor especial aqui.




------





A tríade A Mulher Católica começa com o livro Modéstia, publicado em 2018:


Modéstia: O Caminho da Beleza e da Santa Ordem
Autora: Ana Paula Barros
Prefácio: Carlos Nougué

Páginas: 212
Ano de publicação: 2018 - Segunda Edição: 2025
R$: 29,00


Formato 1: livro digital acervo Salus (adquira aqui).
Formato 2: livro digital acervo Amazon (adquira aqui) para os leitores digitais Kindle e app Kindle em celular e tablet
Formato 3: livro físico na Amazon (adquira aqui) ou com valor especial aqui.


Um ensaio literário é um texto escrito em prosa que explora um tema ou uma ideia de maneira reflexiva. Ele combina análise crítica e expressão artística, permitindo que o autor apresente seus pensamentos, argumentos e insights de forma estruturada e eloquente. Os ensaios literários são frequentemente usados para discutir obras de literatura, temas filosóficos, eventos históricos, questões sociais ou culturais, entre outros tópicos.










Ficha de Leitura


Sob a influência do filósofo Elme Marie Caro e do livro Les Sources, de Auguste Joseph Alphonse Gratry, Léon Ollé-Laprune, após dedicar-se a estudos brilhantes na École Normale Supérieure (1858 a 1861), enveredou pela filosofia. Sua trajetória acadêmica o viu lecionar primeiro nos liceus e, a partir de 1875, na École Normale Supérieure.

Frédéric Ozanam, notável por seu papel como professor católico de história e literatura estrangeira na universidade, inspirou Ollé-Laprune a almejar o mesmo destino na filosofia. O teólogo jesuíta Théodore de Régnon escreveu-lhe: "Alegro-me em pensar que Deus deseja, em nosso tempo, reavivar o apostolado dos leigos, como nos tempos de Justino e Atenágoras; é você, especialmente, quem me inspira esses pensamentos".

O governo da Terceira República, embora pressionado por setores da imprensa a punir o "clericalismo" de Ollé-Laprune (o governo fez tal coisa, veja bem, não os padres), foi dissuadido por sua reputação filosófica. No entanto, por um ano (1881-82), após organizar uma manifestação em favor das congregações expulsas, ele foi suspenso de suas funções docentes por Jules Ferry.

Em 1897, Ollé-Laprune foi eleito para a seção filosófica da Academia de Ciências Morais e Políticas, sucedendo Vacherot. Poucos meses após sua morte, William P. Coyne comentou que ele era "o maior leigo católico a surgir na França desde Ozanam" (New Ireland Review, junho de 1899, p. 195).



Beato Frédéric Ozanam

Frédéric Ozanam (1813-1853) foi um ilustre acadêmico, advogado, jornalista e escritor francês, notoriamente conhecido por seu trabalho social e pela fundação da Sociedade São Vicente de Paulo. Nascido em Milão, Ozanam dedicou-se ardorosamente à causa dos pobres.

Iniciou suas atividades filantrópicas como estudante em Lyon, formando, com alguns amigos, a Sociedade São Vicente de Paulo. Enquanto professor de literatura estrangeira na Sorbonne, suas aulas conquistaram grande popularidade. Ozanam acreditava na unificação da fé e da razão, e seu trabalho abarcava a defesa da doutrina social católica juntamente com o combate às injustiças sociais de sua época.

Prematuramente falecido aos 40 anos, seu legado perdurou, levando à sua beatificação pelo Papa João Paulo II em 1997.



Elme Marie Caro

Elme Marie Caro foi um renomado filósofo francês, nascido em 4 de março de 1826, em Poitiers, França. Ele foi influenciado pelo pensamento espiritualista e teve uma carreira acadêmica brilhante. Caro estudou no Collège Stanislas de Paris antes de se formar na École Normale Supérieure em 1848, destacando-se como um dos alunos mais brilhantes de sua classe. Inicialmente lecionou em diversas universidades provinciais antes de se estabelecer em Paris como mestre de conferências na École Normale Supérieure.

Ao longo de sua carreira, Caro escreveu extensivamente, defendendo o Cristianismo contra a filosofia positivista prevalecente na época. Ele foi membro da Académie Française e contribuiu para publicações como La France e Revue des deux Mondes. Era conhecido por suas qualidades de exposição e crítica, mais do que pela originalidade do pensamento. Entre suas obras notáveis estão L'Idée de Dieu (1864) e Le Pessimisme au XIXe siècle (1878).




Auguste Joseph Alphonse Gratry

Auguste Joseph Alphonse Gratry (1805-1872) foi um influente teólogo, filósofo e escritor francês. Sua obra Les Sources é uma coleção de reflexões filosóficas e teológicas escritas no final do século XIX. O livro aborda principalmente a importância do cultivo das faculdades intelectuais e espirituais, destacando o valor do silêncio, da solidão e do estudo rigoroso para o crescimento pessoal e o esclarecimento.

Gratry enfatiza a necessidade de introspecção e reflexão profunda como meio para adquirir sabedoria, argumentando que a distração da vida contemporânea pode ser um obstáculo à verdadeira compreensão. Ele encoraja os leitores a se envolverem em uma espécie de conversa divina durante seus estudos, buscando alcançar a Verdade.




Terceira República Francesa

A Terceira República Francesa, vigente de 1870 a 1940, constituiu um período crucial na história política francesa. O regime foi oficialmente proclamado em 4 de setembro de 1870, após a queda do Segundo Império durante a Guerra Franco-Prussiana, e perdurou até a invasão alemã e o subsequente estabelecimento da França de Vichy.

O Segundo Império Francês, instaurado por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, marcou um período de monarquia bonapartista de 1852 a 1870. Sob o governo de Napoleão III, houve uma centralização do poder e esforços de modernização da economia e infraestrutura francesa. Contudo, essa era chegou ao fim durante a Guerra Franco-Prussiana, quando o exército francês foi derrotado e Napoleão III capturado.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) foi um conflito decisivo que resultou na queda do Segundo Império e na proclamação da Terceira República. A guerra teve início devido ao aumento das tensões entre a França e a Prússia, exacerbadas pela nomeação de um candidato prussiano ao trono espanhol, vista como uma ameaça pela França. Otto von Bismarck, o chanceler prussiano, manipulou a diplomacia para incitar a França a declarar guerra. A Prússia, com seus exércitos bem equipados e organizados, venceu rapidamente os franceses. Na batalha decisiva de Sedan, Napoleão III foi capturado, levando à queda de seu regime. Após a derrota, a França foi forçada a ceder territórios à Prússia e pagar pesadas indenizações.

Economicamente, o período da Terceira República foi de significativa mudança. A industrialização avançou, e Paris tornou-se um centro cultural e econômico global. A Exposição Universal e a construção da Torre Eiffel em 1889 simbolizaram o progresso e a modernidade do país.

Culturalmente, a Terceira República foi uma era de florescimento artístico e literário, conhecida como a Belle Époque. Artistas e escritores como Émile Zola, Marcel Proust, Claude Monet e Henri de Toulouse-Lautrec contribuíram para o rico cenário cultural dessa época.


Politicamente, os primeiros anos da república foram tumultuados, com o governo enfrentando a difícil tarefa de lidar com as consequências da guerra.

O filme "O Conde de Monte Cristo" (2002), embora centrado na vingança de Edmond Dantès, se passa durante e após o Segundo Império e "Os Miseráveis" (2012), a adaptação do famoso musical, que captura bem os conflitos sociais do século XIX, ocorre especialmente durante a época da Terceira República. 





Crítica de Cultura (por professora Ana Paula Barros)




A filosofia espiritualista, especificamente o Espiritualismo Cristão, é uma corrente filosófica que floresceu principalmente no século XIX na França. Ela é caracterizada por uma profunda valorização da espiritualidade e da vida interior, em contraste com o materialismo e o positivismo predominantes da época. Lembra um pouco a anterior Devotio Moderna (séculos XV e XVI), que tanto influenciou Santo Inácio de Loyola, já mencionados na aula "Alienação e Intolerância" lecionada em 2022. Há uma tentativa clara de conciliar a fé com a razão filosófica. Esta filosofia valoriza a moralidade e a ética como fundamentais para a formação do caráter humano e para a orientação das ações no cotidiano.


Além disso, o Espiritualismo Cristão busca oferecer respostas às questões existenciais e morais suscitadas pelas revoluções industrial e democrática dos séculos XVIII e XIX.





Panorama do Século XVIII


Frequentemente referido como o "Século das Luzes" ou "Século da Razão", esta época destacou-se pela ascensão do Iluminismo e por várias revoluções significativas. Na política, o século XVIII foi marcado por eventos que redesenharam o mapa global. A Revolução Francesa (1789-1799) foi um evento monumental que inspirou movimentos libertários em outras partes do mundo. Este século também viu a Revolução Americana (1775-1783), que levou à independência das treze colônias britânicas na América do Norte. Estas revoluções desafiaram a legitimidade das monarquias e aristocracias estabelecidas, promovendo ideais hoje tão conhecidos de liberdade, igualdade e fraternidade. Sobre esses ideais, falamos na aula "Nova Ordem Mundial" lecionada em 2017.

Na economia, a Revolução Industrial começava a tomar forma, especialmente no Reino Unido. A mecanização da produção e a introdução de novas tecnologias, como a máquina a vapor, mudaram drasticamente a economia. Houve um aumento na produção e eficiência em indústrias têxteis e outras manufaturas. Com a expansão colonial europeia, o comércio global intensificou-se, trazendo riquezas e produtos exóticos para o continente.

A sociedade do século XVIII foi profundamente influenciada pelo Iluminismo, que trouxe uma nova era de pensamento crítico e ceticismo em relação às tradições e superstições. Voltaire, Montesquieu e John Locke propuseram ideias que defendiam a razão, a ciência e a separação dos poderes do Estado. Uma nova classe de intelectuais e burgueses começou a influenciar a sociedade.

Na música, compositores como Johann Sebastian Bach, George Frideric Handel e Wolfgang Amadeus Mozart criaram algumas das obras mais memoráveis da história. Este período também testemunhou o auge do barroco tardio e o surgimento do estilo clássico, mais estudados nos volumes da Revista Digital Salutaris.




Livros da Literatura do Século XVIII 


Na literatura inglesa, algumas das figuras mais proeminentes incluem Jonathan Swift, com suas sátiras mordazes como As Viagens de Gulliver (1726), e Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoé (1719), que é considerado um dos primeiros romances modernos. Samuel Richardson inovou com seus romances epistolares, como Pamela (1740), enquanto Henry Fielding é lembrado por obras como Tom Jones (1749).

Na literatura francesa, Voltaire destacou-se com sua prosa incisiva e bem-humorada, sendo Cândido (1759) uma de suas obras mais conhecidas. Jean-Jacques Rousseau, com sua obra Emílio, ou Da Educação (1762), influenciou profundamente as teorias educacionais e filosóficas. Pierre Choderlos de Laclos também contribuiu com Ligações Perigosas (1782), um romance epistolar que explorava a intriga e a moralidade na aristocracia francesa.

A literatura alemã do século XVIII foi marcada pelo Sturm und Drang, um movimento literário e musical que precedeu o romantismo. Johann Wolfgang von Goethe emergiu como uma figura central, com obras como Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), que teve um grande impacto na juventude da época, afinal, ele era um bom moço perdido em seus pensamentos e um tanto inclinado a amores infrutíferos, mas com reflexões muito úteis. Friedrich Schiller também foi uma figura importante, com seus dramas influentes, como Maria Stuart (1800) e Guilherme Tell (1804).

Na literatura russa, figuras como Aleksandr Sumarokov e Mikhail Lomonosov foram pioneiros no desenvolvimento da literatura russa moderna. Os contos e poesias de Aleksandr Sumarokov ajudaram a estabelecer uma nova tradição literária, enquanto Mikhail Lomonosov contribuiu significativamente para a língua russa com suas obras científicas e poéticas.

A literatura americana do século XVIII viu o surgimento de escritores como Benjamin Franklin, cujas Autobiografias (1791) oferecem uma visão sobre a vida e as realizações de um dos fundadores dos Estados Unidos. Thomas Paine é outra figura importante, com seu influente panfleto O Senso Comum (1776), que inspirou os colonos americanos a buscar independência da Grã-Bretanha.




Panorama do Século XIX



O século XIX foi um período de profundas transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, marcando o início da era moderna.

Política: A Revolução Francesa (1789-1799) deixou um legado duradouro que influenciou eventos subsequentes. A primeira metade do século viu a ascensão e queda de Napoleão Bonaparte, cujas conquistas militares redesenharam o mapa da Europa. O Congresso de Viena (1815) tentou restaurar a ordem pré-revolucionária, mas ideias de nacionalismo e liberalismo se espalharam, culminando nas revoluções de 1848, que buscaram reformas políticas e sociais em várias partes da Europa. A segunda metade do século foi marcada pela unificação da Alemanha e da Itália, e pela expansão dos impérios europeus na África e na Ásia.

Economia: A Revolução Industrial, que começou no final do século XVIII, teve seu auge no século XIX. Este período viu a transição de economias agrárias para economias industrializadas, baseadas em manufatura e produção em massa. A invenção de máquinas como o tear mecânico e a máquina a vapor impulsionou a produção industrial, enquanto a construção de ferrovias e navios a vapor facilitou o transporte e o comércio. As mudanças econômicas também levaram à urbanização, com milhões de pessoas migrando para cidades em busca de trabalho nas novas fábricas.

Sociedade: A sociedade do século XIX passou por mudanças significativas devido à industrialização e às revoluções sociais. As condições de trabalho nas fábricas eram frequentemente duras e perigosas, resultando em movimentos trabalhistas e na formação de sindicatos que buscavam melhores direitos e condições para os trabalhadores. O tema da educação também ganhou destaque, com vários países reformando seus sistemas educacionais para atender às demandas de uma economia industrial. Questões de gênero e direitos das mulheres emergiram com força, levando ao desenvolvimento dos movimentos feministas.

Cultura: O século XIX também foi uma época de florescimento cultural. O romantismo surgiu como um movimento literário e artístico que valorizava a individualidade e a natureza, em oposição à racionalidade da era anterior. Escritores como Victor Hugo, Mary Shelley e Johann Wolfgang von Goethe produziram obras icônicas que refletiam as preocupações e o ideal da alma bela mencionado nas publicações Salus Beleza (2023) e  Estética (2024). O realismo e o naturalismo, que vieram depois, focaram em representar a vida cotidiana e os desafios sociais com precisão. A música também floresceu, com compositores como Ludwig van Beethoven, Richard Wagner e Pyotr Ilyich Tchaikovsky criando algumas das peças mais memoráveis da história.




Livros da Literatura do Século XIX 


Na literatura inglesa, Jane Austen destacou-se com suas obras como Orgulho e Preconceito (1813) e Emma (1815). Charles Dickens é outro gigante da literatura, conhecido por seus romances sociais como Oliver Twist (1837-1839) e Um Conto de Duas Cidades (1859), que abordam questões de pobreza e justiça. As irmãs Brontë também se destacaram, com Charlotte Brontë publicando Jane Eyre (1847) e Emily Brontë lançando O Morro dos Ventos Uivantes (1847). Mary Shelley, por sua vez, criou o icônico Frankenstein (1818), um marco na literatura de ficção científica. Elizabeth Gaskell, em 1854, escreveu seu famoso "Norte e Sul", que trata da revolução industrial e das mudanças cotidianas resultantes dessas transformações.

Na literatura francesa, Victor Hugo é um escritor de destaque com suas obras Os Miseráveis (1862) e O Corcunda de Notre-Dame (1831). Stendhal contribuiu com O Vermelho e o Negro (1830) e seu protagonista dúbio, e Gustave Flaubert com a perturbada Madame Bovary (1857). Honoré de Balzac também deixou sua marca com Ilusões Perdidas (1837-1843), parte de sua vasta coleção de romances conhecida como A Comédia Humana, que inaugurou uma forma de escrita única em séries com "personagens ponte". Marcel Proust iniciou a série Em Busca do Tempo Perdido em 1913, também marcada pela complexidade psicológica dos personagens.

A literatura russa do século XIX é notável por suas obras de grande profundidade psicológica e social. Liev Tolstói escreveu os épicos Guerra e Paz (1869) e a estranha Anna Karenina (1877), enquanto Fiódor Dostoiévski explorou temas de moralidade e redenção em Crime e Castigo (1866) e Os Irmãos Karamázov (1880). Nikolai Gógol, por sua vez, é lembrado por sua sátira social Almas Mortas (1842).

Na literatura americana, Herman Melville escreveu Moby Dick (1851), uma complexa história sobre a obsessão com referências bíblicas abundantes. Nathaniel Hawthorne é conhecido por A Letra Escarlate (1850), um romance que explora temas de culpa e redenção. Mark Twain contribuiu com clássicos da literatura infantil As Aventuras de Tom Sawyer (1876) e As Aventuras de Huckleberry Finn (1884), que também exploram temas sociais mais amplos.

Por fim, na literatura alemã, Johann Wolfgang von Goethe deixou um legado duradouro com Fausto (1808 e 1832), uma obra-prima que aborda a luta humana pela compreensão e anseio espiritual. Theodor Fontane, com sua obra Effi Briest (1895), destacou-se na descrição dos costumes e da sociedade da época.

Estas obras não apenas capturaram as realidades sociais, econômicas e políticas do século XIX, mas também influenciaram profundamente a literatura e a cultura dos séculos subsequentes. Elas oferecem uma visão rica e diversificada das experiências humanas pela perspectiva feminina e masculina. e ainda outros aspectos abordados na publicação Salus Literatura: Entre a Edificação e a Perversão (2015). Que bom seria se todos vissem as obras como Dickens, tão ávido em ver nas obras de Elizabeth Gaskell outro prisma da mesma realidade.








Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 



















Literato Católico 2025 (aqui)



Ficha de Leitura

Título: A última Cadafalso

Autor(a): Gertrud von le Fort

Ano de Publicação: 1931

Gênero: Novela

Tema: Metafísica e Teologia Mística



Crítica de Cultura (por Professora Ana Paula barros)


Um artigo da Universidade de Chicago diz: "Gertrud von le Fort foi uma proeminente literata católica do século XX, autora de mais de 20 romances, contos e poemas. Seu emprego do realismo sacramental exerceu uma influência significativa, embora muitas vezes inadvertida, mas frequentemente explícita, sobre obras de escritores como O’Connor, Greene, Bernanos e outros.


Le Fort cresceu no norte da Alemanha no final do século XIX. Em 1907, aos 21 anos, visitou Roma pela primeira vez e manteve-se lá por quatro meses, aproximando-se da Igreja Católica e da freira Irmã Marie de Maylis. Contudo, a experiência levou alguns anos para convencer totalmente le Fort a se converter. Sua obra poética magna, "Hinos à Igreja", indicou um movimento definitivo em direção à Igreja Romana em 1924. Ela se converteu ao catolicismo em 1926 e viveu e publicou até 1971, quando faleceu no Dia de Todos os Santos, aos 95 anos."




Em 1931, Gertrud von le Fort publicou a novela Die Letzte am Schafott (A Última ao Cadafalso), baseada na execução em 1794 das Mártires Carmelitas de Compiègne. Uma tradução em inglês, intitulada The Song at the Scaffold, apareceu em 1933. Com base nesta novela, Georges Bernanos escreveu um guião em 1947 para um filme de Philippe Agostini que, contudo, jamais foi filmado. Após a morte de Bernanos, em discussão com Albert Béguin, executor literário de Bernanos, von le Fort concedeu permissão para a publicação em janeiro de 1949 e doou a sua fração das royalties, que lhe eram devidas enquanto autora, à viúva e aos filhos de Bernanos. Von le Fort solicitou que a obra de Bernanos recebesse um título diferente de sua própria novela, ao que Béguin optou por Dialogues des Carmélites, que viria a ser a base para a ópera de Francis Poulenc, de 1956.


Seus escritos lhe conferiram o título de "a maior poetisa transcendente contemporânea." Ela escreveu sobre sua novela: "O contexto histórico era meramente um traje para vestir um problema muito agudo." Ela foi nomeada por Hermann Hesse ao Prêmio Nobel de Literatura e agraciada com um Doutorado Honorário em Teologia, em reconhecimento às suas contribuições à questão teológica em suas obras.


No que diz respeito à sua produção literária, tanto os ensaios quanto os romances de Gertrud von le Fort perpassam a metafísica e, como seria de se esperar, a teologia mística. Uma autora verdadeiramente grandiosa, abertamente decidida a proporcionar reflexões profundas e a transformar até mesmo o medo em objeto de análise filosófica e teológica de grande profundidade.


O artigo da já citado afirma a esse respeito: "Le Fort colocou suas teorias de medo existencial cristão em diálogo com a imaginação literária católica."


E continua: "Gertrude von Le Fort foi a primeira autora a tratar dos aspectos psicológicos e metafísicos do medo em uma obra de ficção: o medo das criaturas indefesas, o medo de todas as criaturas, que é o medo da agonia de Cristo no Monte das Oliveiras. Aqueles que leram este livro nos anos trinta na Alemanha compreenderam claramente o seu significado."




Considerando que a temática do medo, pavor e pânico, bem como os avanços das ideias modernistas em relação ao feminino, crescem desenfreadamente, torna-se evidente a necessidade desta obra como uma fonte de reflexão profunda sobre a temática e, acima de tudo, sobre as respostas. Esta filósofa e teóloga católica não se contenta apenas em analisar o problema, mas também em trazer à luz a posição de resposta, ou seja, para onde devemos voltar nosso olhar e em que estado deve se manter nossa mente em relação a essas temáticas.

Esta estudiosa de notável capacidade nos favorece com uma visão clara das limitações em que a mente moderna se encontra. Aplicando-se à nossa época: inclusive os mais devotos trilham um caminho sem se desvencilharem das armadilhas escondidas nas ilusões que se apresentam sob diferentes disfarces. Por exemplo, a crença feminista na superioridade das mulheres sobre os homens é análoga à convicção de que as mulheres piedosas podem, sozinhas, elevar a sociedade. Ambas são ilusões que excluem o papel masculino de se responsabilizar e se tornar mais semelhante ao Senhor, livrando-se das limitações, preconceitos e clubismo, características maléficas realmente existentes por conta do pecado original. Ambas percepções atribuem uma supercapacidade às mulheres em detrimento dos homens e, acima de tudo, negligenciam a verdadeira complementaridade entre a ação feminina e masculina.

Essa complementaridade não reside em dividir tarefas estereotipadas — uma lavar a louça e o outro carpir, uma fazer bolo e o outro estudar — mas em cada um fazer tudo que sabe fazer, o homem como homem e a mulher como mulher. Estranhamente, parece muito complexo aplicar esta realidade. Passamos de ilusão em ilusão, ilusões excludentes que não fazem o homem e a mulher trabalharem juntos, mas, mesmo piedosamente, acreditarem infantilmente que podem fazer algo: os homens num clubismo masculino e as mulheres numa roda feminina. Dessa forma, todos permanecem confortavelmente numa falsa contra-revolução, que apenas preparará o terreno para uma nova revolução ideológica contrária.



A Universidade de Cambridge aponta sobre a autora: "A celebração do octogésimo quinto aniversário de Gertrud von le Fort, ocorrida em outubro passado em Oberstdorff, Baviera, passou praticamente sem comentários neste país. Embora o nome desta autora católica não seja desconhecido do público inglês — sua obra mais conhecida, Die Letzte am Schafott, foi a fonte de uma ópera de Poulenc apresentada no Covent Garden em 1958 e de um filme roteirizado por Georges Bernanos produzido em 1960 — é verdade que grande parte de seu trabalho permanece literalmente um livro fechado. Trata-se de um estado de coisas lamentável, uma vez que seus escritos abordam diversos temas tratados por figuras literárias amplamente celebradas internacionalmente, como Mauriac e nosso próprio Graham Greene.

De ascendência huguenote, Gertrud von le Fort nasceu em 1876 em Minden, Vestfália, e pode traçar uma rica história familiar que remonta aos tempos da Reforma. Três membros da família Le Fort lutaram como oficiais de Luís XVI nas Tulherias, enquanto o mais famoso de seus ancestrais, François le Fort, foi almirante e companheiro de Pedro, o Grande."







Como acontece com todos os trabalhos filosóficos que são expostos à luz, inevitavelmente são submetidos ao esquartejamento moderno, e com esta escritora alemã não é diferente. Na Alemanha, surgem linhas e grupos com o objetivo de desmantelar o texto e inserir interpretações contemporâneas, num esforço solenemente vergonhoso.

No entanto, todos os que escrevem ou falam em público estão cientes de que suas palavras podem ser descredibilizadas, pisoteadas, alteradas e "interpretadas". Por isso, é especialmente importante garantir a preservação mais pura de uma obra tão sublime, sem buscar imprimir nela os devaneios modernos de inexatidão.





Contexto Histórico: Política, economia e comportamento


Nos anos de 1930 e 1931, o mundo testemunhou eventos significativos que se destacaram tanto no cenário internacional quanto no contexto brasileiro.

Internacionais:

Em 1930, a Grande Depressão continuou a devastar as economias globais, resultando em elevadas taxas de desemprego e falências generalizadas. Na esfera cultural, a primeira Copa do Mundo de Futebol foi realizada no Uruguai, onde o país anfitrião obteve a vitória. A indústria cinematográfica lançou filmes notáveis que refletiam a tensão e as esperanças da sociedade em meio à crise econômica. Na ciência e tecnologia, ocorreram avanços substanciais, como o autogiro de Juan de la Cierva, precursor do helicóptero moderno.

Em 1931, a conjuntura internacional foi marcada por uma série de eventos políticos significativos. Na Espanha, a monarquia foi abolida e a Segunda República Espanhola foi proclamada em abril. Na esfera artística e cultural, "The Star-Spangled Banner" foi oficialmente adotado como hino nacional dos Estados Unidos em março, enquanto Luis Buñuel lançou "A Idade Dourada", uma obra-prima do cinema surrealista. Além disso, desastres naturais, como as inundações na China, causaram devastação e resultaram em inúmeras perdas.

Brasil:

No Brasil, em 1930, a Revolução de 1930 culminou na deposição do presidente Washington Luís em 24 de outubro, com Getúlio Vargas assumindo a presidência. Esse evento significou uma mudança radical no panorama político brasileiro.

Em 1931, o Brasil viveu um ano de "consolidação" sob a liderança de Getúlio Vargas, que continuou a implementar várias reformas políticas importantes. Além disso, a inauguração do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, em 12 de outubro, foi um marco significativo do período.


Em 1930, Bertha Lutz, uma das principais líderes feministas do Brasil, estava ativamente engajada na luta pelos direitos das mulheres. Foi em 1932, pouco após este período, que as mulheres brasileiras conquistaram finalmente o direito de voto com a promulgação do Código Eleitoral. Os debates internos entre diferentes abordagens feministas também eram intensos. Algumas vertentes, influenciadas pelo Partido Comunista do Brasil, viam o feminismo como um movimento "pequeno-burguês" e inadequado para as reais necessidades das mulheres trabalhadoras, enfatizando a luta de classes como o verdadeiro caminho para a "emancipação feminina." Isso explica as características peculiares e regionais do feminismo brasileiro e por que, de certa forma, as ações antifeministas (mesmo as piedosas) tendem à atitude burguesa, pois esta foi colocada como antagônica histórica, não por ser boa, mas por ser capitalista. O que, para a resolução da questão sobre respeito genuíno, definitivamente não traz respostas.




Perceba que este estado de ânimo antecedeu à Segunda Guerra Mundial, que recebeu pessoas recém-saídas dos loucos anos 20 já citados (aqui: Literato Católico: Maria Luiza Chaveut e sua Teologia Educacional ) e embevecidas por mudanças políticas, econômicas e ideológicas.






Livros da Literatura do Século XX 



No modernismo, autores como James Joyce, com Ulysses (1922), e Marcel Proust, com À Sombra das Raparigas em Flor (1919), introduziram inovações como o fluxo de consciência. Na literatura existencialista, obras como O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, e A Náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, exploraram a liberdade e a alienação.


O realismo mágico emergiu com força na América Latina, com escritores como Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão (1967), e Juan Rulfo, com Pedro Páramo (1955), que mesclaram o cotidiano ao fantástico. No cenário pós-colonial, autores como Chinua Achebe, com O Mundo se Despedaça (1958), e Salman Rushdie, com Os Filhos da Meia-Noite (1981), abordaram a  independência cultural.


A poesia modernista também se destacou, com T.S. Eliot publicando A Terra Desolada (1922), uma obra repleta de alusões fragmentadas, enquanto Pablo Neruda publicava sua poesia romântica e política, como em Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924). No teatro, Samuel Beckett desafiou as convenções com Esperando Godot (1953), representativo do Teatro do Absurdo, enquanto Federico García Lorca explorou as tensões sociais em peças como A Casa de Bernarda Alba (1936).


A literatura distópica também floresceu com obras como 1984 (1949), de George Orwell, que lançou uma poderosa crítica ao totalitarismo, e Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, que examinou os perigos de uma sociedade controlada. Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo (1949), enquanto Virginia Woolf publicou Uma Janela para o Amor (1927).


No Brasil, Clarice Lispector se destacou como uma das maiores escritoras do século, trazendo uma linguagem introspectiva e poética em obras como sua obra A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Por outro lado, autoras afro-americanas como Zora Neale Hurston, com Seus Olhos Viam Deus (1937), e Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel em 1993, trouxeram narrativas sobre a experiência afrodescendente, como em Amada (1987).


O mercado também abriu espaço para narrativas de suspense, como as de Agatha Christie, a "Rainha do Crime", cujas obras, como Assassinato no Expresso do Oriente (1934) e E Não Sobrou Nenhum (1939). 



Gertrud von Le Fort destacou-se com Hymnen an die Kirche (1924), um tributo à Igreja Católica, e Die Letzte am Schafott (1931), que narra o martírio das Carmelitas de Compiègne. Edith Stein, filósofa e santa católica, deixou importantes escritos como On the Problem of Empathy (1916) e The Science of the Cross. Maria Luiza Chaveut publicou o seu A virgem cristã na família e no mundo em 1930.


Na África, Margaret Ogola contribuiu com The River and the Source (1994), uma celebração de gerações de mulheres quenianas, além de I Swear by Apollo (2002) e Place of Destiny (2005). Flannery O'Connor, uma renomada escritora americana, trouxe contos e romances que abordam a graça divina e a complexidade humana, como em Wise Blood (1952). Alice Thomas Ellis explorou a fé e a moral em obras como The Sin Eater (1977), enquanto Caryl Houselander destacou-se por seus escritos espirituais, como The Reed of God (1944), que reflete sobre a Virgem Maria.


Ademais, Irmã Miriam Joseph, acadêmica e autora católica, deixou um importante legado com The Trivium: The Liberal Arts of Logic, Grammar, and Rhetoric (1937), uma obra que revitaliza as artes liberais na educação, e Shakespeare's Use of the Arts of Language (1947), que analisa o uso da retórica nas obras de Shakespeare. 





para apreciação

Gertrud von le Fort | Blackfriars | Núcleo de Cambridge
Gertrud von Le Fort
Le Fort, Gertrud von – PHTE · Portal digital sobre a História da Tradução na Espanha





Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação pela Pontifícia Universidade Católica. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural pela Academia de Belas Artes de São Paulo. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025). 

 




Carta da professora


Ao longo da história cristã, a busca pela perfeição tem sido uma jornada inerente à realização plena da Vontade Divina. O material inicialmente produzido em 2017, ao longo de várias versões subsequentes, culminou nesta edição mais recente, cujo propósito é suscitar uma reflexão honesta sobre o cultivo interior à luz da perspectiva de ação e inação. Retomando a noção do "caminho do mais perfeito," concebida em 2015, são estendidas algumas ponderações.

A essência da perfeição cristã reside na conformidade absoluta com a Vontade de Deus. Na eventualidade de que tal Vontade permaneça desconhecida, incumbe ao cultivador empenhar-se em ações que melhor se alinhem aos desígnios divinos. Com o tempo, aquilo que é específico se revelará.

Frequentemente, pode-se cair na armadilha de fornecer respostas antes mesmo que Deus elabore a pergunta adequada. A imposição da obrigação de saber responder, sem sequer conhecer a natureza das indagações divinas, pode ser um fardo desnecessário.

É fundamental compreender que, ao iniciar qualquer empreendimento, Deus também o leva a termo. Caso Ele tenha iniciado uma comunicação através das circunstâncias e eventos da vida, completará esta interlocução.

Por conseguinte, não há razão para tormentos. É imprescindível buscar fazer o melhor, encontrar maneiras de infundir mais amor nas tarefas cotidianas, rezar com maior devoção e sinceridade, e dedicar-se em conhecer, amar e servir.


O imperador Marco Aurélio, em suas meditações, nos favorece com algumas luzes que, somadas à grande luz cristã, tomam novos ares e fazem deste nosso jardim, cultivado com esmero, mais propício à visita de Deus. Nossa vida, diz ele, deve ser vivida com o frescor do primeiro dia e a gravidade do último, vivendo cada dia conscientes da existência do caos, mas aplicando a unidade com o cosmos, que é ordem e providência.


Pois Deus está em cada um de nós, como reiteradamente nos lembrou Santa Teresa de Ávila, e nos protege. Portanto, cabe a nós, e melhor é, sermos retos do que retificados. Cabe-nos também, assim como ao imperador romano, aprender com os que nos cercam e elogiar as lições que cada um nos oferece, dedicando-nos à moderação do caráter em docilidade e gravidade. A isso chama-se cuidar de si, ou seja, em nossos termos, do próprio cultivo, e agradecer o processo.


Existe uma pesquisa feita pelo ....


Acesso livre: Rumo ao mais perfeito (aqui)


Todos os materiais para formação humana e espiritual no livro Físico: Cultivo - plano de vida Espiritual (aqui)





Newer Posts
Older Posts
"Quem ama a disciplina, ama o conhecimento" - Provérbios 12, 1

Visitas do mês

"A língua dos sábios cura" - Provérbios 12, 18

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)



Abas Úteis

  • Sobre Ana Paula Barros, Portifólio Criativo Salus e Contato Salus
  • Projetos Preceptora: Educação Católica
  • Educa-te: Paideia Cristã
  • Revista Salutaris
  • Salus in Caritate na Amazon
  • Comunidade Salutares: WhatsApp e Telegram Salus in Caritate
  • Livraria Salus in Caritate

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Temas Tratados

  • A Mulher Católica (82)
  • Arte & Literatura (71)
  • Biblioteca Digital Salus in Caritate (21)
  • Cartas & Crônicas & Reflexões & Poemas (69)
  • Celibato Leigo (7)
  • Cronogramas & Calendários & Planos (10)
  • Cultura & Cinema & Teatro (7)
  • Devoção e Piedade (124)
  • Devoção: Uma Virtude para cada Mês (11)
  • Educação e Filosofia (102)
  • Estudiosidade (40)
  • Estudos Literários Católicos (25)
  • Gotas de Tomismo (72)
  • Livraria Digital Salus (4)
  • Plano de Estudo A Tradição Católica (2)
  • Plano de Leitura Bíblica com os Doutores da Igreja (56)
  • Podcasts (1)
  • Salus & Viriditas (5)
  • Semiótica & Estudos Culturais (25)
  • Total Consagração a Jesus por Maria (21)
"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Arquivo da década

  • ▼  2026 (29)
    • ▼  agosto (1)
      • Metaestética
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (8)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (2)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2025 (51)
    • ►  novembro (24)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (2)
    • ►  agosto (2)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (4)
    • ►  março (1)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2024 (37)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (6)
    • ►  agosto (3)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (1)
    • ►  maio (3)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (3)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (4)
  • ►  2023 (61)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (8)
    • ►  maio (5)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (6)
  • ►  2022 (41)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (12)
    • ►  junho (2)
    • ►  abril (2)
    • ►  março (5)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2021 (104)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (5)
    • ►  outubro (16)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (11)
    • ►  julho (7)
    • ►  junho (6)
    • ►  maio (10)
    • ►  abril (11)
    • ►  março (7)
    • ►  fevereiro (13)
    • ►  janeiro (9)
  • ►  2020 (69)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  novembro (6)
    • ►  outubro (7)
    • ►  setembro (7)
    • ►  agosto (7)
    • ►  julho (8)
    • ►  junho (9)
    • ►  maio (6)
    • ►  abril (6)
    • ►  março (6)
    • ►  janeiro (5)
  • ►  2019 (96)
    • ►  dezembro (43)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (5)
    • ►  setembro (5)
    • ►  agosto (4)
    • ►  julho (2)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (9)
    • ►  abril (3)
    • ►  março (14)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (3)
  • ►  2018 (27)
    • ►  dezembro (3)
    • ►  novembro (1)
    • ►  outubro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (7)
    • ►  junho (7)
    • ►  maio (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  março (2)
    • ►  fevereiro (1)
    • ►  janeiro (2)
  • ►  2017 (26)
    • ►  dezembro (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  outubro (4)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (6)
    • ►  julho (3)
    • ►  junho (2)
    • ►  maio (2)
    • ►  abril (1)
    • ►  janeiro (1)
  • ►  2016 (11)
    • ►  dezembro (2)
    • ►  outubro (3)
    • ►  setembro (1)
    • ►  agosto (1)
    • ►  julho (1)
    • ►  abril (1)
    • ►  fevereiro (2)
  • ►  2015 (3)
    • ►  dezembro (1)
    • ►  setembro (1)
    • ►  junho (1)
  • ►  2014 (3)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
  • ►  2013 (1)
    • ►  julho (1)
  • ►  2012 (4)
    • ►  novembro (2)
    • ►  agosto (1)
    • ►  junho (1)
Ana Paula Barros| Salus in Caritate. Tecnologia do Blogger.
Ana Paula Barros SalusinCaritate | Distribuido por Projetos Culturais Católicos Salus in Caritate