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Salus in Caritate

Seja um Educando



Trabalho realizado de 02 à 05 de maio de 2023


"Aclarada pelas luzes da fé, elevada pelos voos da esperança, imersa em Deus pela caridade, a vida cristã é toda celeste. Nostra autem conversatio in coelis est (Fl 3, 20).

O verdadeiro cristão só toca o mundo com os pés. Fitos os olhos no céu, faz a sua peregrinação sobre a terra, suspirando com o profeta: Heu mihi, guia incolatus meus prolongatus est (SI 119, 5). Por que é que meu exílio se prolonga? Gloriosa Jerusalém, quando me abrirás as tuas portas? Quando poderei contemplar os teus esplendores, exultar com as tuas harmonias e imergir-me na torrente das tuas delícias? Deus de beleza, de ternura e de amor, que sois já a alegria do meu coração, quando poderei ver-vos face a face e unir-me a vós em eterno abraço?

Tal deveria ser a nossa vida. Mas não é sem lutas e esforços que o homem se lança assim para os bens eternos. Desde que o pecado transtornou completamente a nossa natureza, em vez de voar para Deus, o nosso coração volta-se para si mesmo; fascinado pelo brilho enganador dos bens da terra, movido pela concupiscência, nem ergue os olhos para o céu e, longe de se erguerem, as suas aspirações abaixam sempre mais.
Omne quod est in mundo, concupiscentia carnis est et concupiscentia oculorum, et superbia vitae – “Tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida” (1 Jo 2, 16)" ¹



"Há pessoas que querem santificar-se, mas a seu modo; querem amar a Jesus Cristo, mas seguindo as suas inclinações, isto é, sem renunciar aos seus divertimentos, à vaidade dos trajes, às delícias da mesa; amam a Deus... mas não se desapegam das riquezas, honras do mundo, vaidade ... Essas pessoas fazem oração, frequentam os Sacramentos, mas, como têm o coração cheio de afeições terrenas, logram pouco fruto das suas devoções. O Senhor nem sequer lhes fala, porque vê que seria em vão."²



Dante e Virgílio no Inferno (detalhe). William Bouguereau, 1850 Musée d'Orsay, Paris


Cegados pela concupiscência



Concupiscência é o termo utilizado para designar a cobiça e apreço por bens materiais e prazeres sensuais. Vem do latim concupiscens, que significa “o que tem um forte desejo."

“Não ameis o mundo nem as coisas do mudo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo.” (1Jo 2, 15-16).


Portanto, São João nos aponta o forte desejo da carne e dos olhos, somados a soberba da vida, que dita a vida no mundo. 

"Se alguém ama o mundo não está nele o amor do Pai"

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12, 2)

"Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?" (Marcos 8, 38)

"Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente." (Tito 2, 11-12)

"Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1Jo 5, 4)


O mundo é o império de satanás, este império convive conosco desde a queda de Adão. O mundo que devemos vencer não são as forças da natureza, não se trata, neste caso, do cosmos, da Criação.


Desta forma é surpreendente quando, apesar de todo o declínio que o pecado gerou nos homens e na criação, somos informados, pelo mesmíssimo São João de que:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)


"Deus amou o mundo". Não se trata aqui da quantidade de amor e sim da intensidade e sobretudo da qualidade, do tipo de amor. Para que pudéssemos vencer o mundo, passo apontado com insistência nas Sagradas Escrituras, foi preciso que o Senhor jorrasse sobre o mundo toda a potência do Seu amor, o mesmo que criou todo o cosmos, e abrisse para nós a vida eterna. 


Como nos ensina a catequese tradicional da Igreja Católica: o mal entrou no mundo pela desobediência dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Estes, antes da queda, eram puros e viviam no Édem em união com Deus. Possuíam: inteligência infusa ou ciência (proporcional ao estado de humanos, eles não precisavam que ninguém lhes ensinasse os componentes ou utilidade das coisas no jardim, por isso, Adão deu o nome a todos os bichos assim que colocava os olhos no animal); integridade (perfeita sugestão dos sentidos à razão); imunidade (a todas as doenças e a imortalidade corporal).

Estes dons são chamados de "Dons preternaturais", são dons não exigidos pela nossa natureza humana, mas dados pela Potência Divina para aperfeiçoar a nossa natureza. Todos estão, atualmente, buscando a "sua melhor versão", bem, a nossa melhor versão era o "estado original", o ser humano em sua melhor versão. Mas ainda existia mais! Nossos primeiros pais tinham a Graça Santificante, esta graça foi infundida no dia da criação dos nossos primeiros pais e os tornavam filhos de Deus e herdeiros do Paraíso (o Éden não era o Paraíso, era um jardim terrestre). 


Mas aí aconteceu "um forte desejo" por uma maçã proibida (concupiscência dos olhos). Perdemos tudo: os dons preternaturais e a graça santificante. Não sabemos nada e mesmo estudando muito ainda nos falta, adoecemos, morremos e, como você deve ter notado, os sentidos não obedecem a razão. Nossos primeiros pais, como ensina a Tradição Católica, fizeram penitência numa caverna por longos anos, já que viveram bastante, mas viram um filho matar o outro e o mal entrar nos corações profundamente. Seus descendentes se tornavam cada vez mais maus e a Bíblia nada mais é do que o resumo do Plano Divino para nos resgatar do demônio e ... de nós mesmos. ³

Começaram, então, os ensinos simples com quem o Senhor tinha disponível: Noé, uma arca e depois o mesmo Noé bêbado; Abraão e seu medo de deixar sua família e terra por um Deus que ele não conhecia; Isaac o menino tão esperado, Jacó o gêmeo esperto que acabou sendo enganado e depois onze irmãos que queriam dar fim num irmão chamado José que acabou salvando a todos. Seguimos a história com Moisés e um povo cabeça dura, depois Juízes, Profetas e um povo ainda muito cabeça dura. 4 

Uma situação desesperadora, mas como ficamos com a mente embotada, ninguém se importou. A concupiscência cegou a todos e até mesmo os melhores reis de Israel, não eram muito exemplares. 

Mas chegou o tempo do Senhor nos trazer luz. Um menino nos foi dado e toda a nossa esperança está nEle.

O sacrífico do Senhor nos deu remédios. Ele é a Verdade para a nossa ignorância, Ele é a Vida para a nossa morte espiritual e corporal, Ele é o Caminho das virtudes para que possamos submeter os sentidos à razão.

Pela ordem divina os apóstolos começaram uma grande ação de evangelização para tirar as almas da concupiscência. São Pedro insistia na vida santa em suas cartas, São Paulo era extremamente exigente na mudança de conduta em seus escritos, principalmente aos Gálatas e aos Coríntios, São João afirmava repetidamente que a amizade com o mundo era inimizade com Deus. 

O remédio nos foi dado, propagado, mas ainda estamos solenemente presos aos grilhões do apego, da mesma forma que as comunidades da época dos apóstolos.


Frederick Sandys (1829–1904) Love's Shadow, 1867





Apegos e a Virtude do Desapego



Os apegos podem ser vivenciados de diversas formas e uma quantidade significativa de pessoas nunca foi apresentada ao degrau inicial da vida cristã:  a virtude do desapego. Por isso, Santo Afonso é enfático ao defender o malefício do apego. Um costume, um mau linguajar, más companhias (reais ou virtuais), maus modelos, maus livros, vestes imodestas, vaidades, honras humanas, panelinhas, aplausos, apegos à modas, marcas, quantidade além do necessário de roupas, perfumes, livros... Bem, tudo isso pode ser um desequilíbrio na virtude do desapego, também conhecida como "pobreza espiritual".  

A palavra virtude vem do latim "virtus" que significa "força". É preciso força para "viver no mundo sem ser do mundo" (Jo 15, 19) e esta força vem do desapego. Desapego de todas estas pequenas coisas supracitadas, que juntas formam um emaranhado de finas linhas que nos prendem e sufocam. 


Narciso apaixonado pela própria imagem




"Essas pessoas fazem oração, frequentam os Sacramentos, mas, como têm o coração cheio de afeições terrenas, logram pouco fruto das suas devoções. O Senhor nem sequer lhes fala, porque vê que seria em vão."

A vida sacramental (comunhão, confissão) nos oferece acesso às sementes de virtudes semeadas em nossa alma, mas elas só germinam se conseguimos nos desapegar desses emaranhados de fios que sufocam-nas. Sim, você tem razão, estamos falando da parábola do semeador e espero que você tenha notado que satanás age pelos nossos apegos. Às vezes, ele nem precisa fazer algo, está ganhando o crédito sem esforço, nós que realmente nos sabotamos solenemente. 

Eis aí a importância da virtude do desapego, da pobreza de espírito, que nos faz buscar o Reino dos Céus e, justamente por isso, herdá-lo (Mt 5,3). 




Efeitos da Virtude do Desapego


Nós estamos nos afundado em concupiscência por saudade do Édem. A verdade é que todos nós sabemos que nascemos para algo mais, isso é saudade do estado original. Nós estamos em desordem, portanto, buscamos nutrição humana e espiritual fora de Deus. 

A concupiscência dos olhos pode ser vista facilmente em vídeos do Tiktok e Instagram vistos sem fim, mas também é notada, mais tradicionalmente, no fato de querermos possuir tudo e controlar tudo. Ver tudo, saber sobre tudo. Uma condição propícia para estados de perturbação interior, afinal, não fomos feitos para gerenciar tantas informações e controlar a tudo. 

A concupiscência da carne se refere às atitudes animalescas, passamos a negociar os limites do pecado e a justificar o pecado pela fraqueza. Também se refere aos sentidos super excitados: vídeos, séries, músicas, barulho, palmas, uma tv ligada todo tempo, redes sociais, opiniões sobre tudo e todos, mil stories de várias pessoas. Uma verdadeira hipnose dos sentidos, amortecendo o corpo, entorpecendo a mente. Uma grande cortina de fumaça que nos afasta dos remédios que a ressurreição nos alcançou.


A soberba da vida se refere a regalar-se nas coisas, nos bens do mundo e ser honrado por isso. 



Enfim, você já deve estar inquieto, normalmente, este tema deixa uma sensação estranha na boca do estomago ou no peito, afinal, quando falamos de desapego já imaginamos um monge maltrapilho que de tão desapegado levitou. Também é comum sentir uma sensação de que esta virtude nos pede que não tenhamos amigos, nem familiares queridos; sem divertimento, comidas boas, roupas boas, enfim, parece que todos pensam que serão infelizes. Este é o motivo de ser um degrau desprezado com certa frequência.


Bem, a virtude pede que haja o desapego de honras, das amizades e parentes, das riquezas? Sim. 

A virtude pede que haja o desapego de vaidades nas vestimentas, renúncia das imodéstias, das falas baixas e palavrões, dos comportamentos não cristãos? Sim.

A virtude pede que haja desapego dos divertimentos desmedidos, dos bares e festas, dos locais, eventos, programas e séries mundanos? Sim. 


Mas isso não significa infelicidade e sim purificação. E não estou a falar dos recém convertidos, não! Estou falando, como Santo Afonso, bem aponta, das necessidades de desapego das pessoas que estão na Igreja, tomando os Sacramentos e patinando na vida interior com toda a pompa. 


O desapego não é matéria de segunda ordem, é de importância radical para o crescimento em qualquer virtude. 


É a resistência em se desapegar que gera dor. É o querer andar com um pé em cada barco que gera dor. É a vida dupla que gera dor, pois a pessoa que toma os sacramentos e não se desapega, toma o remédio para logo depois tomar doses cavalares de veneno. 


Os efeitos da virtude do desapego são: clareza, liberdade e ordem. 




Atitudes de Desapego


O apego pode ser observado por afeições desordenadas por pessoas, coisas e prazeres. Por exemplo: a dependência excessiva de companhia, aprovação, ciúmes, inveja e medo de ser abandonado podem sinalizar apego às pessoas; dificuldade em se desprender de objetos, livros e roupas (seja em quantidade, qualidade, imodéstia ou imperfeição) pode sinalizar apego às coisas, assim como também o é quando consumimos sem necessidade ou acumulamos coisas; já a necessidade de sempre estar em uma festa, de confortos,  de uma distração, boas comidas e cosméticos pode sinalizar apego aos prazeres. 


Das afeições terrenas: buscar ter um amor ordenado e não apegado aos amigos e parentes, observar se as amizades e suas opiniões estão tomando o lugar dos pensamentos de Cristo, ordenar as afeições por animais de estimação. Os relacionamentos devem ser dotados do equilíbrio amoroso e da cordialidade , mas devem gerar sempre crescimento e amadurecimento; as dependências que impedem este crescimento são ruins humanamente e espiritualmente. 


Dos bens da terra: se desapegar do desejo de possuir sempre mais. Nesta temática é importante diferenciar o dever necessário de possuir bens em prol da família, uma vida digna e capacidade de empreender para ajudar uma outra pessoa (segundo a Doutrina Social da Igreja). Mas uma fixação por ganhos e lucros a custa de renunciar à proteção e privacidade da família, utilizar subterfúgios para ganhar audiência e aumentar a rentabilidade, pode estar ligado ao apego às coisas da terra. 


Dos prazeres e estima do mundo: buscar não se afeiçoar a elogios, ao desejo de ser amado e valorizado, assim como se afastar de buscar satisfação sensoriais todo o tempo: boas comidas, cosméticos e etc. Neste aspecto, não significa não ter nada de bom. Vamos refletir: uma coisa é ter um bom perfume outra é ter vários, sem uso; uma coisa é ter um tanto de boas roupas, que duram, outra é ter várias sem uso e compradas no impulso ou por estar na moda (incluo lojas de roupas modestas e decentes, roupas que podem ser compradas por puro impulso); uma coisa é ter um momento de lazer e cuidados por semana, outra é não conseguir estar numa situação sem confortos e cosméticos sem inquietação e reclamação ou pior, com vergonha de quem você é sem essas coisas; uma coisa é ter um almoço especial de tempos em tempos, outra é ficar refém da "boa comida" (aqui me refiro à restaurantes e variedades por não conseguir comer o mesmo sempre). 

Perceba que a questão em relação a estes apegos externos é a dependência deles e a influência que eles possuem na sua vida e maturidade. É preciso comer o que tem na mesa, é preciso buscar ter uma vida digna com paga justa, é preciso realizar os cuidados necessários com a imagem - priorizando a limpeza e o zelo - mas sem vergonha de quem você é sem aquele cabelo, aquele toque no rosto, aquele sei lá o quê; é preciso se relacionar com as pessoas de forma sadia e não dependente (inclusive parentes), sem necessidade de ganhar elogios a todo tempo e sem grandes saltos diante dos xingamentos; todos devem ser tratados com cordialidade.


Apegos internos


Os apegos podem ser de matéria emocional ou comportamental: se apegar à própria opinião, medo de ser abandonado e ter o ego ferido, apego à cargos e seus privilégios (seja dentro ou fora da Igreja), medo de perder determinada pessoa (em relacionamentos amorosos românticos ou não), sentir-se deprimido sem companhia. Se livre da obrigação de ter que opinar sobre tudo, das ilusões de controle, das expectativas irreais, da dependência da aprovação alheia e das aparências irreais que os status modernos trazem.



Conclusão


As coisas (pessoas e honras) devem passar por nós e se tornarem ou nos tornarem algo melhor. Somos administradores da multiforme graça de Deus que lança os seus raios também sobre as coisas materiais e as fazem participar do nosso processo de santificação.  


Referências


1- AZEVEDO C.SS.R., Padre Oscar das Chagas. As Doze Virtudes para cada Mês do Ano. Editora Vozes, p. 75-102. Disponível em: https://amzn.to/3AUD5OC


2- OMER C.SS.R., Padre Saint. Seleta das belas orações, Doutor da Igreja. Editora MBC, 2019, p. 53. 


3- INSTITUTO DIOCESANO MISSIONÁRIO DOS SERVOS DA IGREJA. Catecismo Essencial: Subsídio Catequético Vocacional - Devocional. 5. ed. São José do Rio Preto: Instituto Diocesano Missionário Dos Servos da Igreja, 1987. 84 p.

4- JERUSALÉM, B. de. Bíblia de Jerusalém. 10. ed. São Paulo: Paulus, 2015.




Leitura Complementar

- Filocalia: o livro clássico da Igreja oriental (aqui)
- O Peregrino Russo (aqui)
- O Ideal da Alma Fervorosa (aqui)
- Os Três Monges Rebeldes (aqui)









por William Adolphe Bouguereau

Artigo original em 23/06/2018
Atualização em 28/04/2023


"Jesus em rosto de homem, refletia sua beleza interior, ao mesmo tempo que exprimia o equilíbrio perfeito de sua natureza de homem. Ele irradiava o fascínio de todas as criaturas ao ponto de todos virem a Ele. Não se apropriava de nada, mas livrava cada um daquilo que o entravava, seu olhar penetrava até a profundeza, para que cada um pudesse visualizar um novo futuro. Cruzar com seu olhar chamava à uma transfiguração do olhar humano, tornando-o apto a contemplar Deus, a Beleza suprema, Deus na sua glória. Olhar do Filho único sobre o Pai. Olhar do Pai sobre o Filho do seu amor."

Cônego Constant Tonnellier ¹





By the Lily Pond, Arthur Parton. (1842 - 1914)




"As coisas são belas, portanto, na medida em que participam da beleza transcendente, que não nasce nem morre… É uma espécie de ardil com que o Bem capta a atenção da alma para arrebatá-la da servidão do corpo.

O Amor, servindo-se do Bem, acende na alma humana o desejo de imortalidade, fazendo-a passar do conhecimento dos belos corpos ao das belas ações, das belas almas aos belos conceitos, até que, no pináculo da contemplação, revela-se-lhe o oceano da beleza universal…

Se as coisas belas se parecem com a alma, é na própria alma que a beleza melhor se revela. Será preciso, então, fechar os olhos do corpo para abrir a visão interior… Interiorizando a beleza."²


por Sir Thomas Lawrence


por Arthur John Elsley




Anônimo




Referências:

1- TONNELIER, C. 15 de Dias de Oração com São João da Cruz. Paulinas, 2011. 104 p.
Disponível em: https://amzn.to/3GO5PvE.

2- NUNES, B. Introdução à Filosofia da Arte. São Paulo: Edições Loyola, 2016. 116 p.
Disponível em: https://amzn.to/43xVApb.








Artigo original em 23/06/2018
Atualização em 17/04/2023 

"A Beleza Suprema não podia senão criar a beleza. Neste cosmos tudo era apenas equilíbrio e simples reflexo da Beleza criadora. Quais olhares podiam descobrir o Belo? Os do homem e da mulher, criados a imagem de Deus, a quem Deus insuflou seu hálito de vida, capazes de se maravilharem um diante do outro, num face a face que conduz ao olhar criador que faz o outro existir.  Eis a obra primordial de Deus, seu primeiro olhar de amor: o homem elevado na beleza de Deus e, pelo homem, todas as criaturas, feitas para ele, e ele tendo parte comum com esse universo. Uma criação manando de mil graças. Agora um olhar sedutor desemboca num olhar destruidor. O olhar humano é embaciado, o olhar de Deus permanece na sua limpidez. Mas como concedê-lo ao homem? Pelo Filho único, resplendor da glória do Pai e expressão do seu Ser (Hb 1, 3)"
Cônego Constant Tonnellier



Você é toda linda, minha querida;
em você não há defeito algum.
Cântico dos Cânticos 4, 7





O Belo manifesta-se a uma espécie de visão interior. O Belo é espiritual, mas pode ser captado, em parte, pelos sentidos.

Quando os sentidos reconhecem a Beleza, é como uma perfeição do conhecimento sensível.

Esse conhecimento é embasado numa satisfação desinteressada.

O Belo possui três acepções: a estética, a moral e a espiritual.

A acepção estética vem da sua qualidade de pureza, que é constatada pela harmonia da forma.

A acepção moral vem da percepção de que a Beleza é o patrimônio das almas equilibradas, que conseguem manter-se em perfeita harmonia consigo mesmas.

A acepção espiritual se refere à característica do Belo de levar à Verdade.






Logo, o belo estético está subordinado ao belo moral e espiritual, já que ambos são superiores ao estético.




As artes estão no conjunto do belo estético, a beleza da alma no conjunto do belo moral e a verdade está no conjunto de beleza espiritual.

Por isso, uma obra de arte é bela quando está subordinada ao belo moral e espiritual. Assim também a beleza corporal física humana.

Já a fonte das três acepções do belo é a beleza divina, da qual somos adoradores e, espantosamente, espelhos. Somos belos conforme nos fazemos mais semelhantes à beleza divina. Este esforço virtuoso está na categoria de beleza moral; as virtudes são a riqueza da alma e o belo moral é o patrimônio das almas equilibradas.

“A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e joias de ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus.” (1 Pedro 3, 3-4)

A primeira é a beleza humana aparente e a segunda, a beleza moral que atrai a suprema beleza, já que isso Lhe agrada.

Esta é a beleza que atrai o Senhor para residir na alma amada de Cânticos. A alma que busca e é buscada. Que ama e é amada. A alma bela.

A beleza divina se fez carne e se deixou conhecer, para que os olhos humanos, já embaçados pela corrupção do pecado e atualmente pela feiura estética, moral e espiritual crescente, pudessem purificar seus olhares na limpidez da beleza divina, gerada e não criada, consubstancial ao Pai. Este influxo de graça perpassa os séculos e ainda hoje nos é apresentado como remédio salutar.

No entanto, embora tal purificação possa acontecer misticamente, foi também necessário o uso dos sentidos, tão envenenados pelo pecado e corrupção, para uma purificação de corpo e alma. Os sentidos elevados a Deus pelo maravilhamento usam a beleza terrena criada pelas mãos dos homens como trampolim para vislumbrar, pela virtude da esperança, a beleza da face divina que, com solicitude, espalha sua presença nas boas obras artísticas e morais humanas e na natureza.









Referências:

NUNES, B. Introdução à Filosofia da Arte. São Paulo: Edições Loyola, 2016. 116 p.
Disponível em: https://amzn.to/43xVApb.

TONNELIER, C. 15 de Dias de Oração com São João da Cruz. Paulinas, 2011. 104 p.
Disponível em: https://amzn.to/3GO5PvE.

 




Introdução


Este artigo visa fornecer maior compreenssão das diversas modalidades de consagração dentro do estado de vida "leigo consagrado". Dedicaremos um olhar atento para além do voto professado dentro de uma ordem religiosa ou em comunidades de vida consagrada, tal ato é imbuído da esperança de tornar mais próxima dos padres, bispos e leigos a multiplicidade, constante, eficaz e muitíssimas vezes sutil da Graça na Igreja.

Apresento-lhes, a Ordem das Virgens, na voz das consagradas ao Senhor nesta modalidade, que pode ser considerada a mais antiga forma de consagração presente na Igreja. No Brasil a Ordem das Virgens conta aproximadamente com 150 consagradas. A restauração do rito de "Consagração das Virgens", fora de uma ordem, foi feita após um longo estudo sobre as forma de consagração pré período monástico, ato que possibilitou que o rito fosse usado, novamente, para este fim. Uma das consagradas mais antigas nesta modalidade de consagração é a secretária de Dom Paulo Arns, Maria Ângela Borsoi, que conta atualmente com 50 anos de consagração e 84 anos de idade.






A Ordem das Virgens



A consagrada Juliana Torres (39 anos), da Arquidiocese de Olinda e Recife, consagrada há 1 ano (desde 26/12/2021). Nos esclarece a respeito dos seguintes pontos:



Qual o tipo de voto?

R. Público e Solene.



Como se faz o voto?

R. Por meio do Rito de Consagração das Virgens, que consta no Pontifical Romano.


Quais são os pré requisitos necessários?

R. Todos os pré requisitos estão no documento Ecclesiae Sponsae Imago, que dá todas as diretrizes sobre a Ordem das Virgens. De forma resumida: a candidata precisará passar por um período de formação e de discernimento, sendo que a primeira fase desse processo não pode acontecer antes dos 18 anos, para a admissão à consagração deve ser considerada a idade do casamento tradicional da região, e a consagração não acontecerá antes da candidata ter completado 25 anos de idade. A candidata também não pode ter sido casada nem ter "vivido em público e estado manifestamente contrário à castidade".




De acordo com o Direito Canônico há condições para a admissão de vida consagrada que também são diretrizes para a Ordo Virginum (Cânon 604): a candidata precisa ter recebido todos os sacramentos da iniciação cristã (Cânon 645), equilíbrio psicológico (Cânon 689, cf ESI 91), e ser aceita pelo Bispo Diocesano, que avaliará os critérios de maturidade, bom senso e capacidade para professar o voto em nome da Igreja. (Cânon 594, ESI 46, 47).




É necessária a virgindade corporal?


R. Não.


Assim como em outras modalidades de consagração, atualmente, a virgindade corporal não é necessária como pré requisito para admissão, embora seja fortemente encorajada na vida cristã tendo a moça intenção ou não de se consagrar a Deus.






Outras especificidades recorrentes são respondidas pela consagrada Lucilene Livino de Melo (49 anos), da Diocese de Marília, consagrada há 7 anos ( 26/11/2015).



Qual o carisma?

R. O carisma Ordo Virginum trata-se de um estado de vida a honrar a carne de Cristo, traduzindo-se no Amor Esponsal. Deve oferecer os frutos da intimidade da oração em fecundidade ao mundo e à Igreja, com valor profético de antecipação do Reino dos Céus e vigilante espera pela plena comunhão com o Senhor.


"As mulheres consagradas encontram no Evangelho a fonte inesgotável de alegria que dá sentido à vida, a orientação de seu caminho e sua regra fundamental [41] . Seguindo a Cristo, eles adotam seu estilo de vida casto, pobre e obediente [42] e se dedicam à oração, penitência, obras de misericórdia e apostolado, cada um de acordo com sua situação e carisma [43] . Como no Ordo virginum , a vocação da virgindade é harmonizada com os carismas que dão forma concreta ao testemunho e ao serviço eclesial de cada mulher consagrada [44] , nela amadurecem, como expressão de uma total e completa dedicação ao Senhor. , diferentes sensibilidades, ideias espirituais, projetos e estilos de vida [45] ." -Instrução "Ecclesiae Sponsae Imago" sobre o "Ordo virginum"





Qual participação eclesial?

As consagradas, além de serem verdadeiros luzeiros da chama viva de amor, atraindo novas vocações para uma Igreja viva, são chamadas a dar testemunho de fé e vida cristã em sua profissão, com a própria família e onde estiverem.






O que elas fazem



Quanto a multiplicidade das participações contempladas por esta modalidade, foi possível colher os seguintes exemplos de atuação:



Qual o trabalho que realizou sendo OV?

R. Continuo servindo na minha paróquia, em diversos serviços (música/liturgia, catequese de batismo, Pastoral da Comunicação, apoio/direcionamento a um grupo de jovens). Ainda não realizei nenhum trabalho/serviço específico a nível Arquidiocesano (Juliana Torres, da Arquidiocese de Olinda e Recife).
R. Continuo realizando, sendo catequista, ministra da eucaristia, coordenadora do conselho diocesano, visitação aos enfermos, aconselhamentos, acompanhamentos e escuta, e sempre estou à disposição da minha Diocese ( Lucilene Livino de Melo, Diocese de Marília).




R. Especificamente sendo consagrada na Ordem das Virgens, como relatora da OV do Brasil, no Encontro Internacional da OV, realizado em Roma (maio/2008). Como bem cita a Instrução sobre a Ordo Virginum Ecclesiae Sponsae Imago n.39, as consagradas devem “estar atentas a acolher os apelos que vêm do contexto em que vivem e solícitas em pôr à disposição do Senhor os dons recebidos”, completando no n.40 que “conscientes de tais responsabilidades, escolhem a atividade laborativa com base nas próprias atitudes…cuidando de adquirir um profissionalismo competente, atualizado e responsável. Neste sentido, tendo a formação acadêmica de arquiteta urbanista e desejosa de colocar minha profissão a serviço da Igreja, realizei entre 2002 e 2004 o curso Bens Culturais da Igreja, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Depois trabalhei na Cúria da Arquidiocese de Curitiba, como arquiteta de 2005 a 2008; e coordenei a Comissão para os Bens Culturais da Igreja da arquidiocese de Curitiba de 2005 a 2012 (Maria de Fátima Valério Idade, 52 anos, consagrada aos 20 de agosto de 2000, na arquidiocese de Curitiba - PR).






Quais são as graças colhidas neste caminho dentro da OV?

R. Primeiramente, a paz interior e a felicidade de ter a certeza de estar vivendo a vocação que Deus pensou para mim, e que neste estado de vida sigo minha caminhada rumo ao Céu, cada vez mais consciente da minha pequenez e da necessidade que tenho de Deus, especialmente para superar minha fraquezas e limitações. Uma outra graça com certeza foi ter um diretor espiritual para chamar de meu (hehe), um sacerdote que na época do meu discernimento era meu pároco, mas, que no processo de caminhada até a minha consagração foi muito importante e me ajudou muito, e de forma natural e espontânea tornou-se meu diretor espiritual. Por fim, posso dizer que foi a oportunidade de trabalhar como secretária da minha paróquia, que além de ser a 2 minutos de onde moro, posso ajudar a cuidar mais de perto e de tantas formas da casa de Deus e dessa porção do Seu povo, e especialmente pelo fato de poder estar mais perto de Jesus, diante do sacrário, para adorá-lO (Juliana Torres, da Arquidiocese de Olinda e Recife).



R. Em ti eu quero crer, te amar até morrer,
servir-te na alegria e na dor,
pois ao entardecer do meu mortal viver,
serei julgado pelo amor!


Gosto muito desse refrão (aquela eterna fonte) dessa música, ser uma leiga consagrada pela ordem é estar cada dia mais perto de Jesus, sentir o que Ele sentiu, olhar pelos olhos Dele, amar como Ele amou, estar sempre bebendo dessa fonte eterna que é Ele... só Ele me basta, só Ele me dá sentido a tudo ( Lucilene Livino de Melo, Diocese de Marília)




R. As graças são tantas, de modo especial, a alegria do amor esponsal de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Crucificado Ressuscitado; o chamado a seguir o Cristo mais de perto com um coração indiviso, a busca da santidade, poder iluminar e testemunhar a outras mulheres que estão discernindo sua vocação esta forma de vida consagrada (Maria de Fátima Valério Idade, 52 anos, consagrada aos 20 de agosto de 2000, na arquidiocese de Curitiba - PR).









Olhando para a Igreja e o mundo, o que lhe parece ser o pedido de Deus para as Consagradas nesta modalidade?



R. Acredito que dar testemunho, nos mais diversos lugares e setores, de que vale a pena seguir a Cristo, de que vale a pena entregar-se verdadeiramente a Ele e de que vale a pena fazer de tudo para estar mais perto Dele e de agrada-lO. Ele nos chama a nos colocarmos cada vez mais a Seu serviço, também servindo ao próximo, sem medir esforços. Sobretudo, Ele nos chama a uma vida mais intensa de oração, mesmo em meios as nossas obrigações ordinárias (Juliana Torres, da Arquidiocese de Olinda e Recife).




R. Silêncio, precisamos nos silenciar mais, para ouvir o que Deus quer que saia dos nossos lábios, precisamos ter as palavras certas a serem lançadas, para edificar e não destruir, para trazer esperança e consolo e não discórdias, fofocas.
Oração, sem dúvida é a nossa essência.


Entrega e abandono, é a resposta as nossas orações, é lançar-se aos braços de Deus, mergulhar em seu coração e ali permanecer e amá-lo cada vez mais ( Lucilene Livino de Melo, Diocese de Marília)




R. Acima de tudo a de darem à Igreja e ao mundo um testemunho vivo de amor e gratidão e ser sinal manifesto do Reino futuro, através do nosso estado de vida, de uma vida santa, no corpo, na alma e no espírito, conforme o Evangelho (Maria de Fátima Valério Idade, 52 anos, consagrada aos 20 de agosto de 2000, na arquidiocese de Curitiba - PR).




Conclusão


Após a leitura de tantos pontos você ainda poderá ter dúvidas, deixo aqui o site oficial da Ordem das Virgens na Arquidiocese de Juiz de Fora e abaixo uma listagem de referências instigantes.






Bibliografia Complementar




BARROS, A. P. Salus in Caritate: Consagrados: sobre o Celibato Leigo. Disponível em: https://www.salusincaritate.com/2021/02/consagrados-sobre-o-celibato-leigo.html?m=0. Acesso em: 6 fev. 2023.

BARROS, A. P. Salus in Caritate: Leigos Celibatários 1: História da Venerável Carla Ronci. Disponível em: https://www.salusincaritate.com/2022/02/leigos-celibatarios-1-historia-da.html. Acesso em: 6 fev. 2023b.

BARROS, A. P. Salus in Caritate: Leigos Celibatários 2: História do Beato Contardo Ferrini (intelectual católico). Disponível em: https://www.salusincaritate.com/2022/02/leigos-celibatarios-2-historia-do-beato.html. Acesso em: 6 fev. 2023c.


BARROS, A. P. Salus in Caritate: Vocação ao celibato. Disponível em: https://www.salusincaritate.com/2018/08/vocacao-ao-celibato.html. Acesso em: 6 fev. 2023.

Cresce o fenômeno das Virgens Consagradas. Disponível em: https://domtotal.com/noticias/index.jsp?id=1181479. Acesso em: 6 fev. 2023.

Instrucción Ecclesiae Sponsae Imago sobre el Ordo virginum (8 de junio de 2018). Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccscrlife/documents/rc_con_ccscrlife_doc_20180608_istruzione-ecclesiaesponsaeimago_sp.html. Acesso em: 6 fev. 2023.

Ordem das Virgens. Disponível em: https://www.arquidiocesedegoiania.org.br/comunicacao/noticias/1789-ordem-das-virgens. Acesso em: 6 fev. 2023.

Ordem das Virgens. Disponível em: https://www.ordemdasvirgensjf.com/. Acesso em: 6 fev. 2023.


ORDEM DAS VIRGENS, A. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/pook-book/goncalves-margarida-ordem-das-virgens-a-2864907301?msclkid=a290380c7b1e14ee3d8e5bed633fd6e3&utm_source=bing&utm_medium=cpc&utm_campaign=Shopping%20Base&utm_term=4579946971044398&utm_content=Todos%20o%20Acervo. Acesso em: 6 fev. 2023.


ORDEM DAS VIRGENS CONSAGRADAS. Disponível em: https://www.diocesesa.org.br/2014/10/28/ordem-das-virgens/. Acesso em: 6 fev. 2023.


Ordem das Virgens são sinal de esperança para a Igreja. Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/mundo/ordem-das-virgens-sao-sinal-de-esperanca-para-a-igreja-diz-papa/. Acesso em: 6 fev. 2023.







Esta lista não possui nenhuma classificação de primeiro a último lugar. Foi escrita de forma aleatória, mas todos são favoritos. 


Séries e Filmes

Makanai: Cozinhando para a Casa Maiko
The Princess Weiyoung
General and I
Adoráveis Mulheres (1994)
Sarah (Plain and Tall/ Desafio de uma Vida/ Um Novo Reencontro)
Jane Eyre (1994)
Norte e Sul (2004)
Razão e Sensibilidade (1995)
Ebenézer Scrooge - Adorável Avarento (1970)
Saga Love Come Softly (2003-2011)


Livros

O ideal da alma fervorosa
O Peregrino Russo
Filocalia
Santa Catarina de Sena
Razão e Sensibilidade
Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem
O dom de Pentecostes
Pollyana
Alienação e Intolerância
A Mulher Eterna



Músicas

Christos Anesti
Joel Sunny
Cantigas de Santa Maria: Madre de Jesus Cristo
Cantigas de Santa Maria: Estrela do dia
Live at the Library
Live at the Library 2
Born to be an eagle
Agni Parthene (arabe)
Agni Parthene (grego)
Oração Cantada de São João Crisóstomo
Da Pacem Domine

Outras músicas favoritas de outros momentos


Singelamente, Ana





 


Introdução


Este artigo visa suscitar o tema da Virtude da Amabilidade utilizando como texto base o livro "O Poder Oculto da Amabilidade" (aqui). O desejo da divulgação mais reflexiva sobre este tema, a escuta atenta dos discursos vigentes (seja dos intitulados conservadores, seja dos progressistas), a crítica de cultura necessária diante dos discursos que visam uma deturpação da Virtude da Amabilidade pelo excesso ou pela escassez, assim como o entendimento equivocado da amabilidade na prática cotidiana, como se fosse "uma obrigação cristã a ser bobinho e bonzinho", foram alguns motivadores deste artigo que terá 4 partes. 


Autor do livro


Padre Lovasik foi ordenado em 1938 na Sociedade do Verbo Divino, fundou a congregação feminina "Sisters of the Divine Spirit" e o instituto secular "Family Service Corps". Conduziu missões nos EUA por quarenta anos.


O livro "O Poder Oculto da Amabilidade"


O autor dividiu o tema da Virtude da Amabilidade em três partes: 

Parte 1- Cultive um comportamento amável
Parte 2- Aprenda a falar amavelmente
Parte 3- Corrija com Amabilidade
Parte 4 - Demonstre seu amor com atitudes amáveis


Demonstre seu amor com atitudes amáveis


Palavras amáveis são uma força criativa, um poder que corre para a construção de tudo o que é bom, uma energia que derrama bênçãos sobre o mundo, tanto para os que as pronunciam como para os que as ouvem. O autor inspirado das Sagradas Escrituras exclama: Como é agradável uma palavra oportuna!



Pequenas frases como "Estou orgulhoso de você", "Qual é a sua opinião?" e "Obrigado" são cortesias que lubrificam as engrenagens da monótona rotina da vida cotidiana. Eles são a marca registrada da boa educação. 


 

Comece por aplicar o toque mágico do apreço em sua própria casa. Não há outro lugar onde seja mais necessário - nem mais negligenciado. Sua família deve ter alguns pontos positivos. Há quanto tempo você não expressa sua admiração por algum deles?



O homem comum reclama se não gosta de alguma coisa, se gosta, não diz nada. Nutrimos o corpo de nossos filhos e amigos. Mas com que frequência alimentamos sua autoestima, demonstrando-lhes o apreço caloroso que desejam.  

 


O elogio encoraja e o silêncio desencoraja. Muitos permanecem parados na luta pela santidade, ou até mesmo recuaram, porque ninguém achou conveniente manifestar-lhes o reconhecimento elogioso por seus primeiros esforços e sucessos.  


Ser mesquinho com seus elogios é um defeito que pode ser sinal de uma espécie de apatia.


 

Se você inspirar as pessoas com quem entra em contato a perceberem os tesouros ocultos que elas possuem, poderá transformá-las, pois elas geralmente usam apenas uma pequena parte de seus recursos físicos e mentais. 


Se você falar com amabilidade, vai se tornar uma pessoa cordial, e a cordialidade é uma autêntica força. Nada pode ser feito para Deus sem cordialidade. 


O pior pecado contra o amor fraterno é o escândalo. Uma pessoa que incita ao pecado é culpada do pecado mortal de escândalo tendo sucesso ou não em sua intenção. 

 



As Palavras


Como vimos o autor gasta um longo tempo nos orientando sobre o poder das palavras. Para tal ele aborda o efeito positivo do encorajamento genuíno que pode ser demonstrado com elogios ou uma presença reconfortante. Cada momento exige uma palavra, mas muitas vezes é possível ver, mesmo na Igreja ou na família, uma escassez de palavras de encorajamento genuínas. Elogios genuínos.





Quantos padres não elogiam um determinado fiel por uma boa prática, por um caminho de virtude, quantos amigos se recusam a dar crédito aos talentos dos seus amigos, a prestigiá-los; quantos pais deixam passar tantos bons feitos dos próprios filhos. Quantos usufruem de vários trabalhos, apostolados sem emitir uma palavra de reconhecimento, deixando tudo nas mãos de Deus sendo que podiam ser instrumento do encorajamento de Deus, no entanto, normalmente, tais coisas só aparecem em momentos críticos (pois se veem obrigados a falar elogios) e não no cotidiano, onde está toda a Graça.


Toda essa recusa em prestar a devida ação de reconhecimento nos leva a um egoísmo clerical e eclesial muito característico da atualidade.


Talvez isso venha da nossa percepção, verdadeira, de que devemos fazer as coisas para o Senhor Jesus, no entanto, isso não seria também uma desculpa para o crescimento livre do egoísmo e da inveja? Coisas tão frequentes no clero, que interessantemente, não possui o hábito de encorajar os fiéis, que por sua vez não se encorajam entre si?


O autor nos adverte de que isso pode ser um quadro de apatia. Apatia é a falta de interesse. Estaríamos todos nós profundamente desinteressados nas belezas do ser humano e de seus talentos que passamos a viver uma vida comunitária fake? Talvez esta seja a causa de tantos discursos vazios.



Encorajamento



O encorajamento inspira as pessoas a usarem as suas capacidades, a lapidarem seus talentos e a usarem mais dos seus recursos físicos e mentais. Mas para tal é preciso acreditar que as pessoas podem fazer e ser mais. Acreditar que todos são repletos de talentos e graças.



Quanto não se perde por um professor que não acredita no potencial dos próprios alunos e lhes oferece uma abordagem baixa pois "afinal eles não vão entender", quanto não perde um padre que por não acreditar no potencial do povo (e na ação da Graça) faz uma homilia sem preparo, utiliza termos de programas matinais da TV e não utiliza nem mesmo 1% do que aprendeu em 7 ou 10 anos de seminário, pois "afinal, eles não vão entender".

Quanto não se perde com essa visão derrotada, desencorajadora e cômoda.



Cordialidade



A cordialidade se trata de um comportamento amável de atenção e educação. Ser cordial é uma força, já que nos permite a autenticidade e a defesa de nossos pontos de vista, com uma dose de serena seriedade. As palavras oportunas, levam a atitudes amáveis e depois a um comportamento cordial, que é marcado pela educação e pelo polimento. Polimento é a educação aprimorada, o refinamento.



O refinamento vem da atenção contínua ao tom, gestos, roupas, porte, modelos de referência e, principalmente, ao olhar para além de si.




Quanto se perde com um ato descortês, que leva, quase sempre a falta de caridade. Isso inclusive nos meios religiosos, quantas vezes se recebe de forma desatenciosa um missionário? Este é recebido sem uma mesa com ao menos água, pão e uma cadeira. Isso pelas mesmas pessoas que rezam com frequência. No entanto, a oração verdadeira nunca nos faz ter tal comportamento embasado num egoísmo religioso... comportamento, infelizmente, tão frequente atualmente.



Ser Bom Exemplo


Dar bom exemplo é um ato de extrema amabilidade. Por isso, tanto preocupa os exemplos que incitam ao pecado e as más escolhas. Não somente no que é claramente ruim, mas no que não deveria ser orientado por um católico.



Infelizmente a geração que mais fala de "amor fraterno" é a que mais causa escândalo.

 




Introdução


Este artigo visa suscitar o tema da Virtude da Amabilidade utilizando como texto base o livro "O Poder Oculto da Amabilidade" (aqui). O desejo da divulgação mais reflexiva sobre este tema, a escuta atenta dos discursos vigentes (seja dos intitulados conservadores, seja dos progressistas), a crítica de cultura necessária diante dos discursos que visam uma deturpação da Virtude da Amabilidade pelo excesso ou pela escassez, assim como o entendimento equivocado da amabilidade na prática cotidiana, como se fosse "uma obrigação cristã a ser bobinho e bonzinho", foram alguns motivadores deste artigo que terá 4 partes. 


Autor do livro


Padre Lovasik foi ordenado em 1938 na Sociedade do Verbo Divino, fundou a congregação feminina "Sisters of the Divine Spirit" e o instituto secular "Family Service Corps". Conduziu missões nos EUA por quarenta anos.


O livro "O Poder Oculto da Amabilidade"


O autor dividiu o tema da Virtude da Amabilidade em três partes: 

Parte 1- Cultive um comportamento amável
Parte 2- Aprenda a falar amavelmente
Parte 3- Corrija com Amabilidade
Parte 4 - Demonstre seu amor com atitudes amáveis



Corrija com amabilidade

Corrigir ou repreender é o ato de advertir o outro com autoridade, de modo aberto e direto, por um erro cometido. É uma expressão direta de desaprovação à pessoa corrigida e, evidentemente, é um dever daqueles que possuem a responsabilidade de governar os outros, tais como autoridades eclesiásticas, representantes da lei, pais, empregadores, professores e todos os que possuem o dever de proteger os interesses autênticos das atividades em geral. 


O autor inicia a abordagem sobre a correção fraterna definindo o que é e de quem é o dever de corrigir. No entanto, não é abordado que a correção deve ser feita não embasada no "ser autoridade" e sim na avaliação da conduta da pessoa segundo os parâmetros cristãos e seu ensino moral. Me parece necessário pontuar tal diferença para nos posicionarmos de forma acertada diante de abusos de autoridade em prol da defesa de condutas morais contra a doutrina e ensino católico. Afinal, se tornou comum o uso do microfone e da autoridade investida para semear correções, diretas ou indiretas, contra atos de piedade e escolhas moralmente boas e edificantes.



Se a caridade o exigi não tenha medo de corrigir, mas não se precipite. Primeiramente, pondere se vale a pena fazê-lo, pois algumas pessoas gostam de corrigir por meras ninharias. São Paulo diz a Timóteo: exorta com toda paciência e empenho em instruir. O resultado de uma correção apressada é que ela perde sua eficácia ou produz um efeito contrário. 


O ato de instruir é abordado somente na perspectiva da ignorância, ou seja, aqui se trata de instruir os ignorantes, aqueles que por ventura não receberam alguma bagagem moral ou educacional e que portanto, são objeto de caridade intelectual, para tal é necessário apontar a conduta mais acertada e fazê-lo desvendado os lugares de equivoco, mostrando assim, com clareza e cortesia, os erros. Isso deve ser feito sem medo, pois o medo tira a percepção e maravilhamento que a convicção, por si só, gera no outro.


No entanto, o autor não aborda a correção dos que tem o conhecimento. Afinal, existe os que decidem agir contrariamente ao que lhes foi ensinado, é uma decisão, não uma ignorância. Neste caso é importante ficar com o seguinte ensino "pondere se vale a pena fazê-lo". Uma pessoa que tem o conhecimento e mesmo assim tomou uma decisão contrária, selecionou para isso os pensamentos que lhe são caros. Por exemplo, eu como professora católica ensino o que é moralmente correto, ensino o ensino milenar católico, mas não posso obrigar os que escutam a segui-lo, esta é a grande limitação da evangelização. Se a pessoa escolheu não seguir, é porque eu não estou entre os pensamentos importantes para ela. As pessoas só seguem os conselhos de pessoas que são importantes para elas, se eu não estou entre estas pessoas, não vale a pena corrigir. Esta é a pior parte de ensinar... quando as pessoas rejeitam solenemente o ensino, para elas não tem importância.


Para isso o autor diz "não permita que a sua correção seja resultado da preguiça espiritual, por não se dar ao trabalho de encontrar outras formas de ajudar". Existem outras formas de ajudar os que escolheram o erro (ou o minimamente bom) mesmo sabendo a verdade (ou o melhor a ser feito): interceder, fazer penitência, incentivar que lembrem das belezas do que é certo ou do que é melhor e suportar a limitação das pessoas.


"Faça com que a sua correção brote do amor e não da irritação". 




Para corrigir o autor oferece o seguinte itinerário ao que corrige:




1) Comece com elogios,

2) Fale sobre seus próprios erros antes de criticar os dos outros,

3) Faça perguntas em vez de dar ordens diretas,

4) Proteja a boa fama das pessoas,

4) Incentive, mostrando que, na verdade, é fácil acertar os pontos errados.







Ao que recebe a correção:

1) Ouça sem interromper,

2) Esteja disposto a considerar o assunto,

3) Evite reações violentas,

4) Cultive a gratidão a Deus (neste ponto o padre diz sobre a "oportunidade de sofrer injustiça", no entanto, também é matéria de gratidão ser corrigido por alguém sábio).







Singelamente, Ana



 



Ó Santo e Divino Espírito,
não quero mais viver para mim mesmo;
em Vos amar e agradar
quero empregar tudo o que me resta da vida.
Com este fim, Vos peço
que me concedais o dom da oração mental.




Vinde a meu coração, ensinai-me vós mesmo
a praticá-la como se deve.
Dai-me a força de não deixá-la por tédio no tempo da aridez;
dai-me o espírito de oração,
isto é, a graça de sempre orar e de fazer aquelas orações
que sejam mais agradáveis ao vosso divino Coração.




Por meus pecados me havia perdido;
mas por tantos sinais de vossa ternura,
reconheço que quereis a minha salvação e santificação.
Quero santificar-me para Vos agradar
e amar mais a vossa infinita bondade.
Amo-vos, ó meu soberano Bem, meu amor, meu tudo,
e porque Vos amo, dou-me todo a Vós.



Ó Maria, minha esperança, protegei-me. Amém!

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Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)



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