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O Livro dos Provérbios (em hebraico: מִשְלֵי, "Míshlê [Shlomoh]") ou Provérbios de Salomão é o segundo livro da terceira seção (Ketuvim) da Bíblia hebraica e um dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia cristã, onde ele é o Vigésimo Quarto livro. Quando ele foi traduzido para o grego e o latim, o título assumiu diferentes formas: na Septuaginta grega, Παροιμίαι ("Paroimiai", "Provérbios"); na Vulgata latina, o título é "Proverbia", do qual deriva o nome em português.
Provérbios não é apenas uma antologia e sim uma "coleção de coleções" relacionadas a um padrão de vida que perdurou por mais de um milênio. O livro é um exemplo da tradição sapiencial bíblica e levanta questões sobre valores, comportamento moral, o significado da vida humana e uma conduta direita. O tema recorrente é que "o Temor a Deus — a submissão à vontade de Deus — é o princípio da sabedoria". A sabedoria é elogiada por seu papel na criação; Deus a manifestou antes de tudo e, através dela, ordenou o caos; e como os homens devem sua vida e prosperidade a conformidade com a ordem da criação, buscar a sabedoria é a essência e o objetivo da vida religiosa.
O Antigo Testamento do período anterior ao cativeiro na Babilônia (antes de 586 a.C.) não admitia iguais a Javé no céu, apesar de admitir a existência de uma assembleia de seres celestes lhe servindo. Os escritores pós-exílio da tradição sapiencial desenvolvera a ideia de que a Sabedoria existia antes da criação e foi utilizada por Deus para criar o universo: presente desde o princípio, a Sabedoria assume o papel de construtora principal enquanto Deus estabelece os céus, restringe as águas caóticas e modela as montanhas e campos. Emprestando ideias dos filósofos gregos, que defendiam que a razão mantinha o universo coeso, a tradição sapiencial ensinava que a Sabedoria, Palavra e Espírito de Deus eram a base da unidade cósmica. A verdade Cristã, por sua vez, converteu estas ideias e as aplicou a Jesus: a Epístola aos Colossenses chama Jesus de «...a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação» (Colossenses 1,15) e o Evangelho de João identifica Jesus como sendo a palavra criativa: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.» (João 1,1).
No século IV, quando o cristianismo lutava contra heresias e ainda estava desenvolvendo o credo que definiria suas crenças, Provérbios 8,22 foi utilizado tanto para apoiar quanto para refutar as alegações dos arianos. Os arianos, assumindo que Cristo poderia ser igualado à "Sabedoria de Deus" (I Coríntios 1, 24), defendiam que o Filho, como a Sabedoria, foi "criado": «Javé me possuiu no princípio dos seus caminhos, antes das suas obras da antiguidade.» (Provérbios 8,22). Por conta disto, o Filho seria subordinado ao Pai, o Criador. A oposição embasada na verdade, embora em minoria, que no final prevaleceram, defendiam que a palavra hebraica relevante deveria ser traduzida como "gerado" e o Credo Niceno declarou que o Filho foi "gerado, não feito", uma afirmação da consubstancialidade de Deus e Cristo.
A palavra provérbio tipicamente se refere a um pequeno e inteligente ditado que oferece algum tipo de sabedoria e este livro tem muitos desses. Mas eles estão quase todos na seção central do livro, capítulos 10 ao 29. Mas tem muito mais no livro de Provérbios especialmente no começo -capítulos 1 ao 9- e a conclusão -capítulos 30 e 31.
Este livro foi projetado com uma introdução -capítulo 1 versos 1 ao 9- que conecta este livro ao Rei Salomão lembremos da história de 1Reis capítulo 3, Salomão pediu a Deus por sabedoria para liderar bem a Israel, então Salomão ficou conhecido como o homem mais sábio do mundo antigo e somos informados em 1 Reis capítulo quatro, que ele escreveu milhares de provérbios e poemas e colecionou conhecimento sobre plantas e animais. Então Salomão era como uma fonte da literatura de sabedoria de Israel. Então mesmo que nem todo o material deste livro seja escrito por ele pessoalmente, ele é onde a tradição de sabedoria de Israel começou. A introdução diz que por ler este livro você também pode adquirir sabedoria.
Agora para a maioria de nós sabedoria significa conhecimento, mas a palavra hebraica Khokhmah significa muito mais que somente atividade mental, era ação também.
Então, devemos entender que sabedora é a habilidade ou conhecimento aplicado. No livro de Êxodo capítulo 31, vimos que eram os artistas e os artesãos que eram conhecidos de ter Khokhmah, ou seja, pessoas que colocavam em pratica a habilidade e o talento (o saber) que Deus lhes havia dado.
Então o propósito deste livro é ajudá-lo a desenvolver um conjunto de habilidades específicas para viver bem no mundo de Deus, este propósito está conectado com a palavra chave da introdução do livro: o temor do Senhor.
Segundo São Tomás o Dom do Temor:
O efeito que produz a virtude da esperança nos fiéis enquanto vivem neste mundo é o de fortalecer a vontade contra o excessivo temor de não alcançar a glória.
Existe um temor que é essencialmente bom e enlaçado à virtude da esperança, este é o temor de Deus, chamado temor filial.
O temor filial nos obriga a venerar a Deus em atenção à sua excelência e infinita majestade, e a considerar como a maior das desgraças a de ofendê-lO, ou expor-se a perdê-Lo por toda a eternidade.
No entanto, existe um temor de Deus que é distinto do filial, conhecido como temor servil. O temor servil se designa como certo sentimento ínfimo, próprio dos escravos que temem o amo porque ameaça com castigos.
O temor das penas com que Deus ameaça os pecadores é sempre temor servil; porém nem sempre é defeituoso ou envolve pecado.
Será pecaminoso quando considera o castigo ou perda de qualquer bem criado como mal supremo.
Se alguém temesse o castigo, não como objeto principal do temor, mas enquanto leva consigo a perda de Deus, a quem ama sobre todas as coisas, não experimentaria temor servil pecaminoso, este temor seria bom, ainda que de ordem inferior ao temor filial.
Dizemos que é inferior, porque o que tem amor filial jamais se preocupa com a perda dos bens criados, contanto que consiga a posse de Deus, Bem incriado.
O temor filial, portanto, é motivado unicamente pelo pesar e pelo sentimento de perder o bem infinito, ou de expor-se a perdê-lo.
O temor filial tem uma ligação estreita com o dom do Espírito Santo chamado dom do temor, já que em virtude (a palavra virtude vem do latim virtus que significa força) deste dom, o homem se mantém sujeito a Deus, e em vez de resistir aos movimentos da graça, segue com docilidade seus impulsos.
A diferença do dom do temor e a virtude da esperança é: a esperança olha diretamente ao bem infinito alcançável com o favor divino, e o dom de temor considera a irreparável desdita de perder a Deus, fazendo-se, pelo pecado, indigno dos auxílios sobrenaturais.
No entanto, a virtude da esperança é mais nobre que o dom do temor; porque as virtudes teologais são superiores aos dons, e também porque a esperança nos move e impele para Deus em qualidade de bem supremo, e o temor se estaciona na consideração do mal que resultaria em perdê-lo.
O dom do temor (filial), por sua vez, é inseparável da caridade. No entanto, é possível coexistir a caridade com o temor servil não pecaminoso; quando isso acontece o inicio dos atos é motivado pelo temor servil mas a medida que a caridade os incremente este temor passa a evoluir até se tornar temor filial, que é caracterizado pelo temor em perder a Deus que é a nossa única e verdadeira felicidade.
O dom do temor permanece quando a alma alcança a bem aventurança no Céu; porém em estado mais perfeito e com atos distintos dos praticados neste mundo. Esses atos praticados no Céu consistem de uma espécie de aniquilamento, produzido, não pelo temor de perder a Deus, mas pela admiração de sua soberana grandeza e estremecedora majestade, comparada com a própria pequenez, pois o bem aventurado tem sempre a mais íntima convicção de que sua felicidade só de Deus depende.
A introdução nos leva à primeira seção principal do livro, capítulos 1 ao 9 os quais também não contém pequenos provérbios de uma linha só, na verdade o que nós achamos aqui são 10 discursos de um pai para um filho. Discursa sobre como o filho deve ouvir a sabedoria e cultivar o temor do Senhor e viver de acordo com o que significa uma vida de virtude, integridade, generosidade e tudo que leva a uma vida de sucesso e paz.
Então o filho deve buscar a sabedoria e o temor do Senhor e fazer com que sejam o seu mais alto objetivo na vida. E esse modo de pensar forma a lógica moral de todo este livro.
Estes discursos também nos mostram que o livro de Provérbios é uma literatura diferente dos outros livros da Bíblia, não é como o Livro da lei de Moisés ou os livros proféticos. Ao invés disso a literatura da sabedoria tem um conhecimento acumulado do povo de Deus através das gerações, que ensinam como viver de uma maneira que honre a Deus e aos outros.
Logo após os conselhos do pai para o filho temos os poemas da Senhora Sabedoria, que são uma maneira poética de explorar esta ideia que nós vivemos no universo moral de Deus e que a justiça e bondade são realidades objetivas.
Agora unindo estes dois conjuntos de discursos do pai e da Senhora Sabedoria vemos que este livro não está simplesmente nos dando bons conselhos, é um convite de Deus para aprendermos sabedoria das gerações passadas. Ele também está ali.
Na próxima seção do livro, capítulos 10 ao 29, nós encontramos centenas de provérbios antigos e eles aplicam a sabedoria e o temor do Senhor a qualquer parte da vida que possamos imaginar: família, trabalho, vizinhança, amizade, sexo, casamento, dinheiro, raiva, perdão, álcool, dívida, tudo. E todos estes conselhos passam pelo filtro do sistema de valor de Provérbios 1-9.
Chegando ao final lemos os poemas de um homem chamado Agur. Que começa reconhecendo sua própria ignorância e sensatez, e sua grande necessidade da sabedoria de Deus. Logo depois Agur descobre que aquela sabedoria divina foi dado a ele nas escrituras que o ensinam como viver bem. Agur é posto a nós, leitores, como modelo do livro de Provérbios; alguém que está sempre aberto a ouvir a sabedoria de Deus através das Escrituras.
Os poemas finais são ligados a um homem chamado Lemuel, ele é um rei não-israelita e transmite a sabedoria que foi dada a ele por sua mãe. Ressaltando, assim, um pilar do livro de Provérbios, o conhecimento dos mais velhos deve ser respeitado e passado adiante. É um guia para ser um líder justo e sábio.
O poema final é um acróstico ou um poema alfabético onde cada linha começa com uma nova letra do alfabeto hebraico e os poemas inteiros falam sobre o caráter nobre de uma mulher. Ele mostra uma mulher que vive de acordo com a sabedoria de Provérbios e é posta como um modelo de alguém que ouve à sabedoria de Deus e então a traduz em decisões práticas do dia a dia. No trabalho ou em casa, na sua família ou em sua comunidade. O livro nos dá modelos de um homem temente a Deus, de um bom líder e de uma mulher que agrada a Deus; todos baseados e moldados na lógica moral do livro de Provérbios.
O livro começa com as palavras de uma pai a um filho sobre dar ouvidos à Senhora Sabedoria e termina oferecendo as palavras de uma mãe ao seu filho e sobre uma mulher que vive sabiamente.
O livro dos Provérbios é para toda pessoa em todas as fases da vida. É um guia para viver sabiamente e bem no mundo governado pela Soberania de Deus.

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