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Salus in Caritate







Um dia escutei uma pedagoga dizendo "hoje tudo é o brincar, brincar, brincar". Me lembro nitidamente de concordar que não é possível reduzir a educação "ao brincar". Afinal, brincar faz parte do processo educacional, tanto no descanso como na atividade, mas também faz parte do processo educacional conhecer os próprios talentos, superar limitações, entender horários e a vida com outras pessoas. Bem, depois de um tempo, estava na pós graduação de Neuro Educação, escutando, novamente, sobre o tal do brincar e a educação.

 O professor era um italiano com carinha de vovô que dava a aula em espanhol. Me espantou muito escutar o professor, que tinha um pezinho no "revolucionário", dizer coisas que eram, na verdade... da Educação Clássica. Pasme, não tinha nada novo na aula, exceto o fato da proposta ter aspectos da Educação Clássica, como:

- leitura em voz alta para crianças não alfabetizadas e alfabetizadas, leitura como centro da formação, leitura das crianças mais velhas para as mais novas, 

- formação de oficinas e laboratórios, que segundo apresentado pelo professor, me lembraram as "mesas de educação" da Educação Clássica, em que se estuda um tempo na mesa de Ciências, depois outro tempo na de História e outro na de Literatura, cada mesa é uma oficina, um pequeno universo de estudo e os estudos se interligam. O professor apresentou esta ideia sem o nome "Educação Clássica", só que numa escala maior. Cada sala seria uma oficina. Bem, quem estudou ou trabalhou em escola pública sabe que existe a mudança de sala pelos alunos, em outras escolas são os professores que mudam de sala, na proposta dada seria necessário a mudança dos alunos. 

- uso dos espaços abertos da escola, museus e patrimônios da cidade como oficinas e laboratórios. Que me lembrou as visitas aos Museus realizadas na Educação Clássica, estudo da história da cidade e pontos históricos da mesma, assim como lavouras, a observação de alguma criação animal ou de uma coleção de pedras e rochas. 

Também me lembro que foi abordado a "educação pela cidade", pela beleza e acesso à natureza com facilidade, uma cidade para pessoas e não para carros. Numa cidade assim é possível brincar, uma brincadeira sem a constante ação adulta de "fazer uma atividade educativa". O brincar, na proposta abordada, não está no lugar da educação, é o tempo de recreação. Na verdade, me pareceu muito o brincar dos anos 90: nós dizíamos "mãe, vamos brincar" e a mãe nos orientava dos perigos, do horário da volta e pronto. Nada mais. 

Estes pontos me pareceram muito alinhados com a Educação Clássica. Outros não. Mas continuando.

Sabia que foi um padre que inventou a história que a "escola não reprova"? Pois é, a ideia era assim: a escola deve acolher e encorajar, se ela não consegue suscitar os talentos, encorajar, tem algo errado com o método. Não posso dizer que isso seja uma abordagem errada. Pois a Educação Clássica favorece justamente este aspecto, por exemplo, se um menino quer se dedicar mais ao aprendizado do grego por ter facilidade e interesse em línguas, isso é encorajado e usado como gancho para o aprendizado de outras matérias. O mesmo com o xadrez, o ballet, a literatura, as artes, invenção, matemática ou qualquer outro talento. Entretanto, conseguimos transformar isso em "aprovação automática", mas estou me adiantando.

Me lembro, chegaram os professores do Brasil. 

Interessante como o discurso parecia o mesmo, mas não era. No lugar de uma cidade para pessoas e não carros, se propunha "parques e pontos brincáveis", que era exatamente o que o professor havia dito que não era brincar (brincar é inventar). No lugar de oficinas e laboratórios se propunha um certo louvor da "baderna educativa". No lugar do encorajamento educacional, que não reprova talentos focando em defeitos - por exemplo, o fulana (o) é ótimo em literatura ou ballet e péssimo em química, normalmente todos focam no que ele não é bom, enquanto a propulsão vem do que ele é bom, como se faz na Educação Clássica - temos a aprovação automática que na verdade não reprova o defeito mas tão pouco encoraja a habilidade ou o talento. 

Diante dos meus olhos vi um telefone sem fio horroroso, chegou até nós que a proposta "abrasileirada" é não ter plano de aula ou se o tem que seja muito "lúdico", enquanto a proposta real é focar em objetivos duráveis. Por exemplo, existe uma história muito conhecida de um professor de literatura que se viu numa sala com alunos sem hábito de leitura. Diante disso ele resolveu deixar um pouco o plano de aula de lado e dedicar vinte minutos de suas aulas para ler em voz alta um livro. Só ler, sem atividade, sem exercícios, ler para saber a história dos personagens. O ano terminou e o professor não havia terminado a história... o resultado foi que muitos alunos compraram seu primeiro livro para saber o final e muitos adquiriram o hábito da leitura. Um objetivo durável atingido, que nada tem com notas de vestibular ou o lúdico mirabolante, tampouco o desempenho baseado unicamente em notas sem notar, encorajar e validar mudanças de comportamento, maturidades atingidas e bons hábitos desenvolvidos. Isso vale para a educação em todas as idades, seja a educação escolar ou a religiosa.



"A árvore jovem, se cresce torta, nunca mais se endireita! E depois…e depois…e depois…"
"Coragem!... Continuai a servir alegremente o Senhor."
"Educar bem as crianças é transformar o mundo e conduzi-lo à verdadeira vida."

Santa Paula Frassinetti





















 






Agora vejo o sol entrar pela janela. Um sol escaldante de uma tarde de um fim de outono nada outonal. As plantas foram podadas e comidas leves já se tornaram a única forma de alimentação possível. Exceto pelo café escaldante, que é ainda acolhido com alegria como companhia perfeita para um dia escaldante. Os dias estão calmos e pacatos, o ventilador não deixa o seu ofício e minha mente se vê, novamente, cercada por alguns assuntos.

Recentemente, voltando de um dia todo ministrando aulas sobre assuntos da catolicidade, estava escutando um sermão. Não me espantou que o padre estivesse defendendo o direito de só os padres catequisarem. Que só padres devem ensinar a Santa Doutrina. 

Não me espantou porque sei que existem leigos e padres que pensam fortemente assim (além de confundirem aulas católicas com "ensinar a Doutrina", uma confusão inaceitável mas comum), principalmente porque já possuem um meio salutar estabelecido e raramente saem para cidades em que não existem ciclos similares. Eu pessoalmente, gostaria que todos pudéssemos ter essa oportunidade, gostaria de todo coração que nenhum leigo tivesse que caçar uma boa Missa, um bom padre, gostaria mesmo que todos tivessem acesso facilitado aos ensinamentos de um padre como estes que dizem tais coisas, porque são bons padres e seria o melhor para o povo se todos tivessem um padre assim para chamar de seu. 

No entanto, durante a escuta desta fala eu fiquei esperando a solução, afinal o argumento não era novo. Fiquei portanto esperando a solução para a maioria dos católicos que não tem acesso a essa dinâmica tão comum para aquele padre e seus paroquianos. Bem, não veio. Não houve nenhuma solução apresentada, somente  a fala insistente que só o padre pode ensinar doutrina e dar catequese. 

Eu me lembro que já lhes contei sobre o momento em que o governo da Dilma, ainda no inicio, declarou que a minha faixa de salário era "classe média alta". Eu uma recém formada, com salário de recém formada e dividas de uma recém formada, que trabalhou para pagar a faculdade, como a maioria dos brasileiros. Me lembro como se fosse hoje de olhar em volta e pensar "no máximo eu sou uma classe pobre alta". 

Bem, uma sensação similar me veio quando escutei aquele padre, numa rodoviária lotada de pessoas, depois de uma viagem longa, que veio depois de um dia inteiro dando aulas. Enquanto olhava em volta, vendo o rosto das pessoas, seus cansaços de viajante, esperava o padre dar os horários em que poderia visitar as cidades, dar aulas e ensinar a catequese como ele disse. Também não veio essa informação. Não me causou surpresa, afinal, todos sabem que os padres são ocupados e que são poucos os bons padres. No entanto, como havia a solene defesa de que só padres podem catequisar, deveria também existir a quantidade de padres e padres com tempo... me parece uma coisa obrigatória. Mas ao que parece, para ele, não é. 





 Interessantes são as reflexões que surgem como resposta à crise da Igreja. No entanto, algumas beiram a obtusidade. Outras a falta de humildade... Todos sabemos que raramente um padre consegue sair da sua paróquia e grupo de paroquianos, as pessoas que vão até ele. Existem cidades que nem mesmo se conhece a catequese tradicional e os costumes tradicionais, os padres com tais conhecimentos são poucos e estão sem tempo de viajar até lá... então a proposta seria deixar os irmãos na ignorância? Desconhecendo a Tradição e a beleza da Igreja? Desconhecendo até mesmo que existem bons padres do calibre dos senhores?... Não é possível que alguém que a ama a Tradição Católica defenderia algo assim, não é de se crer. Seria uma obtusidade. Ainda mais não tendo tempo, nem número suficiente.

Não, muito provavelmente os padres diriam "obrigado" por trazermos pessoas até o berço da Tradição para que eles comecem nelas o trabalho de lapidação. Agradecendo com coração cheio de orgulho paternal aos filhos que levam à sua frente o estandarte da Santa Casa de Deus a qual pertencem. Ou no máximo ficariam em silêncio, para não nos atrapalhar a atrair pessoas para a Doutrina da Igreja e a prática da vida cristã. Sim, não é de se crer que se colocariam contra quem está ajudando no acesso ao Tesouro da Tradição. Não é de se crer. 




"Se você  fizer alguma coisa a chance de ser um erro ou um acerto é de 50% cada, mas se você não fizer nada, é 100% certo que não dará certo".
 








Logo vem a Primavera. 

A primavera é a estação em que as plantas possuem mais viriditas, ensina Santa Hildegarda. É a estação perfeita para colher ervas aromáticas e hortaliças. No entanto, um pouco antes, no fim do outono, se poda algumas plantas, como a lavanda. Se faz isso, para que possuam mais força e novas folhas nasçam na Primavera, justamente por ser a estação em que estão mais fortes. 

Esse período de poda, coincide, no Brasil, com o mês de Setembro, dedicado ao aperfeiçoamento da Virtude da Mortificação. Afinal, o que é essa virtude senão uma poda orquestrada, programada, anual, para dar melhores frutos de virtude nos outros meses? 

No entanto, se você já precisou podar uma planta, sem que ela estivesse com alguma praga visível, sabe que é uma tarefa difícil. Algumas plantas precisam ser podadas em 2/3! Parece que nunca mais vão crescer. Mas é impressionante, logo no dia seguinte começam a dar brotos... Aquele tamanho todo, todos aqueles galhos e folhas, ramificações, não estavam fazendo bem à planta. Ela estava grande, mas não dava folhas novas, estava fadigada. 

Poda anual é uma regra necessária para algumas plantas. Talvez as almas também sejam assim... é preciso desapegar, mas quando se trata de coisas profundas, ramificações incrustradas no fundo do coração, que impedem a vida de fluir... bem, quando isso acontece, é preciso podar. Mortificar. 

Podar as coisas excessivas, tirar os olhos das coisas inúteis, diminuir um tanto para ficar mais forte nos próximos meses, isso é mortificar. 

Sim, dói. Uma dor espiritual. Cortar coisas profundas gera aquele sentimento de certa agonia interior mas, como quando se poda lavanda, gera um perfume de suave odor que se levanta até o Céu. 

Há quem possa apontar que a vida já é puxada, não precisamos, portanto, dessa virtude. Mas, embora eu acredite que não estejamos na altura de pedir sofrimentos, talvez seja adequado se abrir à oportunidade das podas anuais que nos fazem resolver tantas coisas interiores, coisas estas que fazem a vida patinar, causam certos desequilíbrios interiores ou disputas nas sombras do coração. Vale à pena pedir luz para ver essas linhas, cordas ou grilhões interiores que nos prendem. Só ao vê-los teremos já uma dose considerável de mortificação. Depois a graça de se ver livre deles. 


A Mortificação


"A mortificação deve abraçar o homem inteiro, corpo e alma; porque o homem inteiro, se não está bem disciplinado, é que é uma ocasião de pecado. É certo que, falando com rigor, só a vontade é que peca; mas a vontade tem por cúmplices e instrumentos o corpo com os seus sentidos exteriores e a alma com todas as suas faculdades... por conseguinte, o homem todo deve ser disciplinado... deve-se praticar com prudência ou discrição, ser proporcionada segundo as forças físicas e morais de cada um..." ¹

É preciso: 1) poupar as forças físicas, ou seja, não ultrapassar os limites do corpo e acabar por enfraquece-lo demais, 2) poupar forças morais, ou seja, não se impor objetivos que não poderá seguir constantemente levando a um relaxamento moral, após tentar voar alto demais; 3) devem estar em harmonia com os deveres de estado. 






Prática cotidiana

Modéstia do corpo


"Para mortificar o corpo, comecemos por observar perfeitamente as regras da modéstia e urbanidade, nisto se encontra abundante matéria de mortificação... é mister respeitar o nosso corpo como templo santo, como um membro de Cristo. Nada desses trajes mais ou menos indecentes, que não são feitos senão para provocar a curiosidade e a volúpia... traga o vestido reclamando a sua condição, simples e modesto para sempre asseado e decente."¹

"Sede elegante, Filoteia, e nada haja em vós destoante e mal posto... mas fugi o máximo possível das vaidades e afetações, das curiosidades e loucuras... tendei sempre, para a singeleza e modéstia..."²

" A compostura do porte exterior é igualmente uma excelente mortificação ao alcance de todos. Evitar com cuidado as posições moles e efeminadas, conservar o corpo direito sem violência ou afetação".¹

*urbanidade = boas maneira, civilidade, cortesia.


Disciplina da inteligência


Esta consiste em, pela dedicação ao estudo, vencer a ignorância. Mantendo ainda um olhar atento às coisas elevadas, desviando os olhos das coisas inúteis que alimentam a curiosidade, que é uma doença do espírito que aumenta a ignorância religiosa. 







Educação da Vontade


Para tal é preciso vencer:

- a irreflexão: que instiga a agir sem refletir;
- a correria febril: produz uma tensão demasiada, uma agitação até mesmo para fazer o bem. Esta afasta o sossego e a paz, levando ao um agir imoderado e caracterizado por rompantes;
- a negligência e preguiça: é a falta de energia moral que paralisa e atrofia as forças; é preciso fortificar as convicções;
- medo de fracassar: o medo de fazer uma figura fraca oriunda da falta de confiança, pode ser afastado pela fé de que com a ajuda de Deus seremos bem sucedidos.
- o respeito humano: que nos torna escravos dos outros e reféns de seus gostos, isso se combate com a convicção de que o juízo Divino é o mais importante; as pessoas são finitas, hora gostam de uma coisa, hora de outra; Deus é eterno e já manifestou o que Lhe agrada ou desagrada;
- maus exemplos: os maus exemplos oferecem grande perigo, por isso, a boa educação da vontade conta com a eleição de bons modelos, segundo as características oferecidas pelo Evangelho e a vida moral e espiritual dos santos, ou seja, nesta eleição até mesmo os nossos gostos e inclinações pessoais, tão influenciados pela mentalidade do mundo, devem ser purificados.


Convicções


As convicções nascem da : 1) a decisão, depois de refletir e orar, é preciso agir sem hesitação; 2) decisão firme, a firmeza nas pequenas ações é que assegura a fidelidade nas grandes; 3) uma firmeza que se renova para ser constante e tranquila, ninguém é vencido senão quando abandona a luta. Mesmo com alguns desfalecimentos ou ferimentos, nesta santa batalha contra frouxidão moral, podemos nos considerar vitoriosos. Como quem sobe nos ombros de um gigante, podemos ganhar convicção e vencer cotidianamente a frouxidão moral nos apoiando em Deus que nos faz participar da Sua invencibilidade. É por esta razão que ter convicção é, num mundo como o nosso, um milagre oculto. 














"Como o Filho único e Amado, Jesus, nós também somos feitos para estarmos voltados para o Pai, para estar cara a cara com Ele, para gozar e contemplar a Beleza infinita, a deliciosa presença que cumula e sacia todos os desejos já purificados. Já agora, porém, que eu Te veja face a face com os olhos da minha alma. 

Porque também Deus é invadido pelo desejo de visitar as criaturas, o Amado aspira fortemente a cumular com Sua presença o ser sedento da sua vinda. Na profundeza de sua ternura, como poderia Ele fazer esperar mais tempo a alma em busca dAquele que ela ama?"¹


O homem realiza contemplação, ação e produção. Produz obras para o benefício do corpo e outras para o benefício da alma. As primeiras são as chamadas artes servis (com uso das mãos) e as últimas, artes liberais (com o uso do conhecimento). Dentre as artes liberais, existem aquelas que fazem o homem propender ao bom e ao verdadeiro, utilizando para isso o belo; ou o fazem afastar-se do mau e do falso, utilizando, por sua vez, o horrendo.

Assim, as chamadas artes do belo são de importância evidente para a saúde espiritual do homem, e seu estado interior pode ser aferido pela forma plasmada nas artes.

A arte do belo é produzida através da aquisição de um hábito intelectual virtuoso.





Mas qual é a causa de uma coisa ser bela? Um pré-socrático invocaria elementos físicos. No entanto, é preciso considerar a existência de uma causa anterior e elevada. Esta, para ser verdadeira, deve ser não sensível e inteligível. Esta causa é a Ideia ou Forma do Belo, que, por sua presença mesma ou certa relação com ela, torna as coisas sensíveis belas.

Para os gregos, a Ideia não era o pensamento, e sim o “objeto do pensamento”. Para os helenos, a beleza e a bondade são medida, proporção e virtude. É a realização precisa de determinada essência.




 



A beleza tem algo mais que as outras formas inteligíveis, pois pode ser vista pelos olhos da alma e do corpo.

O autêntico Amor é o desejo pelo Belo, mas também pelo Bem, pela Sabedoria, pela Felicidade e pela Imortalidade. O Amor, por sua vez, dispõe de vários caminhos para o Bem; o verdadeiro amante é o que sabe percorrer os caminhos do Amor até o fim.
O grau mais baixo do amor é o físico, mas neste já existe o desejo de eternidade. O grau mais elevado é o dos amantes fecundos quanto às almas e não aos corpos; são estes os amantes das almas, das leis e das ciências puras.²






Referências:



1) TONNELIER, C. 15 de Dias de Oração com São João da Cruz. Paulinas, 2011. 104 p. Disponível em: https://amzn.to/3GO5PvE.

2) NOUGUE, C. Das Artes do Belo. Formosa: Edições São Tomás, 2021. 2ª edição. 588 p. Disponível em: https://amzn.to/3YbmUac








Os dias passam. Talvez seja essa a sensação reinante na maioria das almas. Os dias passam. Mesmo com tantas coisas por ler, estudar, viver. Os dias passam. Mesmo com tantos filmes, passeios, conversas e pessoas que vem ou vão. Os dias sempre passam. Plasmando em nós algo como o estado interior de Salomão, ao dizer que tudo é, no fim, vão. Este estado, embora extremamente lúcido, possue a desvantagem de ingendrar na alma certo enfado. 

Me lembro sempre dos atenienses a quem São Paulo e São Barnabé disseram: 

“Homens” – clamavam eles –, “por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há. Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus cami­nhos.
Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria”. (Atos 14, 15-17)

Os atenienses tinham sede de novidade, ficavam esperando por elas. Esperar sempre por algo acontecendo, numa obsessão por novidade, gera um extremo enfado na alma, uma apatia mordaz que a impede de ver as maravilhas de Deus, de se maravilhar. 

"Nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios".

Maravilhar-se. O Senhor dá testemunho de Si, todo o tempo. Essa correspondência silenciosa nutre a alma e o corpo, estimula a mente, acalma o coração. 

Para nós, acredito, não tem sido fácil. Nossos olhos estão a receber luzes de diversas partes, luzes falsas que só geram escuridão e desânimo na alma. Somos bombardeados por diversas falas, notícias e conteúdos, não notamos com olhar atento os testemunhos que Deus nos dá de Si mesmo no cotidiano. Os dias passam e passamos o dia.

“Desvie meus olhos de olhar para coisas inúteis; e dá-me vida nos teus caminhos.” (Salmo 119, 37)

Hoje escrevo depois de um dia de coração cansado, mas tentando pensar nos testemunhos que Ele me deu dEle mesmo. Hoje estava resolvendo coisas burocráticas, mas recebi dois ótimos atendimentos, fiquei até constrangida com a dedicação; depois um senhor passou por mim e disse "a paz" (eu sempre respondo ou dou uma aceno de cabeça respeitoso) e logo depois, voltou dois passos e disse "Você é católica, né? Devota de Nossa Senhora?". 

Sabe... uma das coisas mais difíceis é "falar sem dizer nada", é cansativo se não estamos atentos aos testemunhos do Senhor de Si mesmo, sinto que ainda não tenho o talento para colocar o coração em palavras... o Senhor está tão comprometido em não nos deixar, é tudo o que consigo escrever, e em dar-nos vida em Seus caminhos. 

Os dias passam, as pessoas passam, as conversas passam, algumas amizades passam, lugares passam; Deus não passa, só precisamos desviar os olhos das coisas inúteis e buscar a correspondência silenciosa que o Senhor cotidianamente nos envia. 

“Desvie meus olhos de olhar para coisas inúteis; e dá-me vida nos teus caminhos.” (Salmo 119, 37)














 A "crise". Às vezes penso sobre ela tomando café, como estou fazendo agora. Eu sei, não parece um passatempo muito prazeroso... e não é. Mas faço isso como se estivesse diante de uma obra cubista ou abstrata. O que gera um misto de reações: "que joça é essa?", "isso é geometricamente feio", "estou com tontura". 

Na verdade, nós já estamos na sedimentação da crise, a crise em si já passou. Estamos colhendo o fruto do caos. Estes poderiam ser menores se não fosse tantos covardes dentro da Igreja. 

Todo mundo é covarde em alguma coisa, não há dúvida. Temos a infelicidade de termos, atualmente, muitos "covardes bons". 

A covardia é um tanto assombrosa porque atinge boa gente. Seu sinal é que quando precisa ser feito algo pela fé ou até mesmo por algo que a pessoa diz valorizar, ela "dá pra trás". 

Isso significa que existem muitos com boa doutrina que são covardes. O que faz pensar do que vale ter boa doutrina se não existe a coragem de falar e agir segundo a mesma. 

A Igreja padece pela covardia dos bons. Não é somente uma crise doutrinal, é pessoal... é uma crise de gente frouxa. 

Recentemente tive um exemplo, muito nítido, da covardia dos bons. É comum encontrar quem diz que ama a Missa Tradicional, que acha bonito, que quer resgatar a Tradição. Agora se pergunte se você teria coragem de colocar o seu nomezinho numa solitação e enviar para a Cúria da sua cidade, de se apresentar conforme o que deseja e pensa? Bem, não sei qual seria a sua resposta, mas recentemente tive a prova de que colocar o nome num papel e defender seu próprio direito e carisma pela Tradição é pedir muito. Covardia dos bons.

Os maus fazem até cartilha na Quaresma e possuem uma insana desvergonha, enquanto os bons não conseguem colocar sua própria cara à tapa diante da Hierarquia Eclesiástica, não colocam nem seu nomezinho num papel. Bons porém frouxos.  

Todos acham que o quadro mudou porque as pessoas estão comentando em vídeos, denunciando. Que ilusão. Eu só acredito quando os mesmos, seja padre ou leigo, derem a sua cara à tapa diante da Hierarquia afirmando com cordialidade e firmeza aquilo que acreditam. 

A Igreja padece porque seus filhos são covardes. 

O avanço dos maus é pela covardia dos bons. Bons leigos e padres... bons, porém, covardes.

 







São inúmeras as demandas da vida. Mas recebemos outras tantas demandas da vida on-line. Cursos, promoções de livros, lives, textos, vídeos, podcasts, aulões e inúmeras reflexões e viradas de chave. Bem, nem todo mundo gerencia bem tantas oportunidades. 

Eu me lembro que, quando criança, ia até a biblioteca, pedia no balcão os livros que tratassem de determinado assunto e ficava horas sentada pesquisando, copiando, tirando cópias de três ou quatro páginas. 

Hoje estamos aqui, 20 anos depois, com uma enxurrada de assuntos que não precisam de pesquisa, já que o smartphone "escuta" nossos interesses e realiza uma curadoria dos mesmos. 

Antes gastavamos tempo pesquisando e procurando, hoje gastamos tempo gerenciando tudo que nos chega. Gastamos tempo escolhendo... ou não. 

Acredito que alguns pontos podem contribuir para a sua gestão on-line, como contribui para a minha: 

- não atole a sua agenda de coisas,
- leia os livros não lidos da estante antes de adquirir outros, talvez um projeto de leitura com os livros que tenha na estante, 
- não se inscreva em vários cursos ao mesmo tempo, ao menos que saiba que pode fazê-los,
- separe um tempo para assitir as aulas dos cursos que se matriculou, 
- tenha uma lista dos materiais on-line que deseja adquirir e vá ordenando a compra e realização conforme a sua prioridade, 
- evite buscar materiais complexos se sabe que precisa de materiais mais simples ou com didática mais compatível com o seu tempo,
- observe qual o seu método de absorção mais rentável e durável: ler, ler enquanto escuta, ver. Lembre-se que gostar e ser durável são coisas diferentes, existe quem aprecia um conteúdo visual mas armazena melhor um conteúdo escutado ou lido. Depois de descobrir priorize esse tipo de conteúdo digital. 
-você pode priorizar os canais, podcast, sites e trabalhos que deseja acompanhar de perto, assim você não se torna passivo no uso da internet, mas ativo. Alguém que escolhe. Para isso, talvez ajude visitar esses lugares uma vez por semana de forma intencional e buscar fazer algo com o conteúdo apreciado: como escrever um texto citando-o, comentar com alguém, iniciar uma conversa sobre aquele tema. Enfim, os conteúdos digitais são feitos para enriquecer as interações humanas, unir pessoas, gerar boas conversas, uma interação útil e bela na internet e fora dela.
- faça um detox tecnológico com certa frequência: uma vez ao ano por 20 - 30 dias ou uma vez a cada 7 ou 15 dias, a depender da sua necessidade ou do estado mental e espiritual. Algumas coisa que podem ser um sinal de alerta: ficar muito tempo no celular, consumir coisas muito superficiais e aleatórias, perceber que está mais ansioso, que não consegue se concentrar para ler ou sente que a vida está muito lenta, que as coisas estão demorando ou o tempo está lento, o peito apertado, certa letargia... são sinais de que algo não está bem, então é melhor dar um tempo, se visitar e ordenar a vida. 

🌻







"Ao ver Natanael se aproximando, disse Jesus: “Aí está um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade”.

Dentre os apóstolos sempre tive grande apreço por São Natanael por conta desse elogio que o Senhor lhe fez. "Em quem não há falsidade". Em algumas versões lê-se "que não tem falsidade diante de Deus" ou "em quem não há fingimento". Seria o suficiente receber essa sentença ao ver o Senhor. 

É um elogio que trás um ensinamento muito importante. Antes de falar com o Senhor Natanael disse "e sai algo bom de Nazaré?". Parece uma ofensa não? Mas, na verdade, era o que Natanael realmente pensava, ele falava exatamente o que passava em seu interior. Eu sei, parece impulsividade, mas neste caso não é. É um argumentação muito sincera.

Talvez num tempo tão sensível seja difícil notar a sinceridade de Natanael com as suas próprias percepções. Tanto que ao falar com o Senhor, assim que constata que ele é o Senhor, logo o diz. Honestamente e claramente. Ele foi um dos primeiros discípulos dizer isso, baseando-se em muito pouco, comparado a tudo que estava prestes a ver. Ele viu que o Senhor o viu e bastou. 

A Virtude da Verdade é uma virtude anexa à Virtude da Justiça. Trata-se de mostrar, na fala e no comportamento, aquilo que realmente somos. São Natanael fazia isso diante de Deus e do próximo. Ele não faltava com a verdade. 

A falsidade gera uma fragmentação na alma, uma duplicidade entre o que somos e o nosso discurso oral ou comportamental. Às vezes, isso pode acontecer quando não nos apresentamos devidamente munidos de honestidade diante de Deus. 

São Natanael tem muito a nos ensinar com sua postura franca e honesta, principalmente, no nosso tempo. 

Não existem muitos relatos dele, exceto uma versão que talvez tenha evangelizado até a Índia e outra, guardada pela Tradição, que sofreu martírio por esfolamento onde hoje é a Província Russa do Daguestão junto ao Cáucaso. No entanto, não vemos grandes obras registradas, mas mesmo assim nos parece que toda a sua vida se tornou a sua única frase registrada: "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel". 

O verdadeiro israelita reconheceu o seu Senhor e Deus. 


 


Nós cremos, errôneamente, que o mundo gira em torno de nós. Isso se deve ao fato de vermos a vida em primeira pessoa. Na nossa vida nós somos os protagonistas. No entanto, todas as outras pessoas possuem a mesma sensação. Resultado: passamos a achar que tudo se refere a nós, que somos o centro. Mas não somos. 

Acredito que está aí o motivo para o encorajamento da caridade, da empatia e da ampliação da visão de mundo que a educação fornece. 

Veja bem, se não somos incentivados a olhar uns para os outros, passamos a vida achando que tudo se refere a nós. O que chamamos de egoísmo. 

Acontece que o egoísmo é mais que uma conduta de "pensar somente em si", é também o fato de se esquecer do outro. Completamente. Pois, não há problema em pensar em si mesmo, desde que se lembre do outro. 

Quando nos lembramos do outro passamos não só a fazer ações de caridade e desenvolver uma conduta empática, passamos também a adotar uma visão ampla da realidade: "o mundo não sou eu", "as coisas nem sempre tem relação comigo", "nem tudo é uma ofensa pessoal". 

Você sabia que o desenvolvimento cerebral pleno ocorre de forma gradativa até os 20 anos? Pois é. Acontece de forma postero anterior (da parte de trás do cérebro para a parte da frente). Na parte anterior fica a região das interações sociais, decisões e etc, ela é a última a se desenvolver plenamente. Sempre que me lembro deste tópico penso que talvez esteja a demorar mais tempo para a maturação, por conta da forma e estímulos que estamos, ou não, recebendo no processo educacional até os 20 anos.  

Bem, voltando, a maturidade é justamente a capacidade relacional. Atualmente, é muito comum que as pessoas se ofendam simplesmente pela vivência ou prática do outro. E saem ousadamente em defesa de si mesmos, baseados em algo que nem mesmo foi um ataque, afinal se trata de outra pessoa, outra vida. 



 E aí encontramos um agente importante: o filósofo. Realmente, no Brasil, e ainda nos grupos entitulados de direta, conservadores ou seja lá a placa que você acredite ser a melhor nomeação, o filósofo é uma figura nova, no que se refere a ser conhecido e escutado; não necessariamente em existir. Veja bem, o filósofo, o pensador, o estudioso é como um terapeuta social, ou seja, o que é um terapeuta no âmbito privado o é o filósofo no âmbito social. Desta forma é papel de ambos ser o agente que mostra regiões obscuras, ilumina as sombras e resumidamente tem certo dever de ser "desagradável" para poder gerar a reflexão necessária, também é seu papel encorajar as melhores coisas que podemos fazer e pensar. No entanto, uma coisa é preciso: a pessoa precisa estar disposta. Bem, é aí que está a dificuldade do filósofo, o nosso "terapeuta social". 

Como as pessoas estão ensimesmadas e pessoalmente ofendidas, não conseguem estabelecer aquele estado necessário para ver o movimento do todo. Afinal o filósofo é aquele que diz "você está vendo que estamos todos fazendo isso?", "pra quê?", "por que?", "pra quem?". Essas questões sociais refletem o estado pessoal e é sempre um movimento incômodo, que salvo excessões, sempre é recebido como uma ofensa pessoal, pois, a pessoa está no "mundo eu eu".

No entanto, essa atitude nos coloca muito atrás dos revolucionários, que são versados em se auto analisar, eles falam constantemente sobre seus pontos e suas condutas. É comum um cenário mais reflexivo entre eles, não em todos, mas em muitos grupos o filósofo não é estranho e suas palavras, não são recebidas como ofensa pessoal, mas como convite à reflexão, a sair do "mundo do eu eu". Então, veja bem a nossa situação, tanto no âmbito pessoal como no social esta defasagem tem mostrado o seu estrago. 

Por isso, vivo a pensar e a dizer que embora seja bom a produção de materiais de alto valor filosófico e intelectual, de obras de renome e etc; precisamos, com urgência, colocar um olhar atento sobre a maturidade efetiva do estado interior de reflexão e isso se dá pela presença e escuta do filósofo católico que está atento a realidade, que fala do tempo e de suas mazelas, convidando a todos a verem não só a mazela, mas o caminho humano e espiritual de resposta (isso somado a uma vida interior, claro). Tal escuta deve ser isentada de qualquer floreio apaixonado, preferências pessoais, acalentamento emocional ou apreciação material de status.  

Sem esta devida maturação, sem esse real enfoque na atitude reflexiva, podemos entrar num ativismo vazio com ares religiosos ou num catolicismo sem a devida maturação emocional e humana . 









Virtudes

"É sempre nas profundezas que se ocultam as grandes coisas.

A virtude tomada em seu conjunto é uma vida; cada virtude é um de seus órgãos. Cada uma possui sem dúvida suas belezas próprias, mas também se reveste da beleza de suas irmãs, em função da unidade da vida e da lei das permutas. Algumas, no entanto, participam desta vida de uma maneira mais próxima, mais ampla, mais contínua e mais indispensável; a vida, a própria vida, se move em cada parte do conjunto, mesmo na mais ínfima, mas não se estende e não brilha em cada uma dessas partes de maneira igual. 






Orgulho

O orgulho não é mais que um desvio de duas tendências legítimas:

- o sentimento de superioridade, busca pela primazia, será porventura o orgulho uma recordação de nossa grandeza originária? Seu erro seria então não estar mais dentro de seu contexto. Rei caído por sua falta, e orgulhoso sob seus farrapos, "um Deus caído que se recorda dos céus", assim nos apareceria o homem em sua tendência ao orgulho.

- ou desordem e vício, ao invés de ser a marca da coroa perdida, não seria porventura o estigma da revolta vencida?


"Sereis como deuses". 

A tensão teria sido assim transmitida ao sangue para turvá-lo. 

A humildade é a virtude encarregada de se opor a esses desvios. Ela é, portanto, verdade e justiça. Ela é verdade, e, enquanto tal, traça a regra de direção. Ela é justiça, e , enquanto tal, inclina a agir em conformidade com essa regra.

...a verdade reside na inteligência, enquanto a justiça, reside na vontade. Mas, dado que estas faculdades agem uma sobre a outra, todo desenvolvimento na luz aumenta a força da inclinação, e todo desenvolvimento na inclinação conduz a melhor busca e a melhor apreender os motivos e as regras da humildade. 

[Devemos buscar] colocá-las em situação mais favorável, ora, a situação mais favorável da inteligência é a convicção e a situação mais favorável da vontade é a propensão. 

A verdadeira noção desta virtude decorre dos nossos dogmas fundamentais e sua prática completa depende da graça, ela é portanto eminentemente sobrenatural. É necessário, no entanto, conceder um papel bastante amplo às faculdades naturais na aquisição da virtude.

A humildade visa regular e conservar a ordem em relação à estima pessoal e ao desejo de louvor.

Daí se vê que, em geral, nos adultos, a virtude será caracterizada pelo esforço. As virtudes sobrenaturais, não são feitas para deixar inativas as forças naturais, ou para substituí-las; mas para elevá-las, completá-las e sustentá-las. Elas as elevam à ordem sobrenatural por meio de sua presença; elas as completam e sustentam pelas graças atuais que atraem. 





A importância da convicção:

1) não é tão fácil determinar, mesmo teoricamente, o que é orgulho e o que é dignidade pessoal! O cuidado com a própria reputação, o dever de conservar a própria posição ou de defender as próprias ideias justas autorizam um grande número de atos, os quais espíritos mal informados tomam facilmente por orgulho. Quanto orgulho, inversamente, podem autorizar delicadas reservas!

2) ... na prática o discernimento se torna ainda mais difícil. Com efeito, nada é tão sedutor quanto o vício: ele se dissimula, se transforma, cresce e se estende de maneira lenta; quando abriu seu espaço, dificilmente o sentimos, e, quando o entrevemos, nós o desculpamos.

3) O orgulho inspira pouco horror. Sua feiura e sua malícia nos impressionam menos que a feiura e a malícia dos outros vícios. Seus perigos nos parecem ainda menos temíveis porque, entre os cristãos, o orgulho raramente constitui por si mesmo um pecado mortal, e, enfim porque poucos dentre nós levam este defeito ao extremo. E, no entanto, sua perniciosa influência é tamanha que os santos o chamam o pai de todos os outros. 


Como adquirir a virtude

1) Atos e atos... os atos generosos, são eles que se estabelecem na praça forte e aí fazem reinar a humildade. 

2)... nós possuímos o recurso inesgotável dos atos, seja interiores, seja exteriores, aos quais comandamos. 

3) as demonstrações exteriores não devem ser negligenciadas (a atitude curvada de um suplicante, as vezes beijar a terra...)


Graças a todos esses meios longamente empregados, a inclinação não é mais um simples assentimento da inteligência à verdade, uma simples determinação da vontade à justiça: ela é esse assentimento e essa determinação convertidos em hábito, fixados no seio de nossas potências desenvolvidas e fortalecidas. Trata-se de força permanente que confere a facilidade, o movimento, e até mesmo o gosto; pois é da natureza de toda força impelir à ação e encontrar um certo desfrute em seu livre exercício. 


Influência geral

A humildade é verdade e justiça. A verdade ilumina toda a ordem intelectual e a justiça domina toda a ordem moral. 

A verdade conduz ao belo e a justiça ao bem. Ao afirmar o dever a justiça faz da verdade uma virtude moral. O dever se sintetiza na submissão universal, esta é a aceitação da leis de Deus e a fidelidade a todas as inspirações. Por ela Deus passa em nossos atos e os conduz para Ele, realizando, assim, toda a justiça. 

A humildade abre de maneira mais ampla o caminho em direção ao perfeito.


Por fim...

Às duas tendências que a humildade tem o encargo de regular e de conduzir (a estima por si e o desejo da glória)... apresentemos-lhes objetos mais nobres a alcançar, aprovações mais deliciosas a conquistar: este ímpeto sublime os afastará ainda mais de todo orgulho. Admirável educação a buscar! Todas as verdades religiosas, todos os sentimentos piedosos, todas as graças do alto emprestarão conjuntamente sua assistência a esta obra que coroará a humildade. Sendo mais bela esta virtude encantará o coração de Deus; sendo mais penetrante, conferirá ao nosso uma paz divina, e talvez até mesmo alegrias desconhecidas".¹





Admirável Educação


A humildade, a simplicidade, não é o mesmo que mediocridade. A humildade não é uma virtude contraria à magnanimidade (grandeza), que também é uma virtude. Infelizmente, na conjuntura brasileira, estas duas virtudes são colocados como rivais. Na educação religiosa frequentemente existe uma preocupação maior em sufocar um possível orgulho a encorajar boas práticas ou bons propósitos e projetos. Perdemos muito com uma educação religiosa não encorajadora. Pessoalmente, vi somente um encorajamento na minha vida de fé, foi de um padre americano, ele disse "beautiful, beautiful" ao ver uma das moças usando o véu na fila de comunhão e o padre ao lado nos recebeu com um sorriso. Foi a única vez que vi um encorajamento assim. Bem... e ao mesmo tempo todos estão interessadíssimos nos jovens e em receber a todos... sem encorajar ninguém...


"O encorajamento inspira as pessoas a usarem as suas capacidades, a lapidarem seus talentos e a usarem mais dos seus recursos físicos e mentais. Mas para tal é preciso acreditar que as pessoas podem fazer e ser mais. Acreditar que todos são repletos de talentos e graças.


Quanto não se perde por um professor que não acredita no potencial dos próprios alunos e lhes oferece uma abordagem baixa pois "afinal eles não vão entender", quanto não perde um padre que por não acreditar no potencial do povo (e na ação da Graça) faz uma homilia sem preparo, utiliza termos de programas matinais da TV e não utiliza nem mesmo 1% do que aprendeu em 7 ou 10 anos de seminário, pois "afinal, eles não vão entender".

Quanto não se perde com essa visão derrotada, desencorajadora e cômoda."²

Devidamente encorajados seremos capazes de cumprir a nossa verdadeira e radical missão (e dever) de louvar a Deus e viver a virtude da grandeza e da humildade características dos Filhos de Deus:

"Há uma pequena parcela de martírio na vida de cada pessoa que se compromete a seguir a Cristo; que procura, dia após dia, viver com fidelidade... muitas vezes, é mais fácil morrer por Cristo, do que viver por Ele.

O verdadeiro zelo, porém, não se limita às orações. São as nossas ações que evidenciam, com mais clareza, o nosso zelo. Há muita coisa que podemos fazer por Deus, se prezamos verdadeiramente os Seus interesses.

As tentações contra a Fé mais frequentemente fatais são as originadas por conflitos morais, mais do que por obstáculos de doutrina." ³



Referências:


1) BEAUDENOM, L. A Formação para a Humildade, 2023. 17-30 p. Disponível em: https://amzn.to/3YCaMzt.

2) LOVASIK, L. O poder oculto da amabilidade. Cultor de Livros, 2022. 256 p. Disponível em: https://amzn.to/44cbHb4.

3) TRESE, L. Dizer sim a Deus e não a mediocridade. Cultor de Livros, 2015. 140 p. Disponível em: https://amzn.to/3DYpzuY.



Quando o assunto é comportamento todo tipo de vertente surge. O comportamento humano é profundamente enraizado na história pessoal e nas percepções que a cultura permite vislumbrar. 

Comumente somos direcionados a acreditar que a moral deve se encaixar na cultura. Ou seja, a cultura se torna o padrão de referência e a moral precisa se encaixar no padrão, como uma massinha de modelar. No entanto, não é este o ensinamento cristão sobre a busca de uma conduta santa. A moral não é uma massinha de modelar, pelo contrário, está fortemente alicerçada no Evangelho. Assim a cultura deve ser purificada pela moral cristã e não a moral cristã moldada pela cultura. 

Muito bem, tal reflexão já oferece muitos pontos de análise para temas polêmicos no assunto modéstia. No entanto, um olhar atento precisa ser colocado sobre a temática apontada no título. 

Existe um grupo de mulheres e homens que, preocupados com o crescimento da influência islâmica, tem atribuído a vivência da modéstia entre as católicas à assimilação dessa influência.

De fato, a influência islâmica cresceu absurdamente. Na Europa, por exemplo, é fácil encontrar alas nas lojas de roupas entituladas como "modesty". Nas redes sociais também é possível acompanhar suas escolhas e conteúdos, além do número significativo de mulheres cristãs admiradoras da atmosfera islâmica. Também é possível encontrar uma ou outra moça que, por algum motivo, passaram a usar o véu o tempo todo à moda judaica tradicional ou mesmo à moda islâmica. 


No entanto, cabe avaliar se isso torna a vivência da modéstia nos meios cristãos uma imitação, como alegado. Vale notar, primeiramente, que essa preocupação tem um fundo mais político-social do que religioso. Em nenhum momento se fala da virtude e se o faz é na percepção da moral como massinha de modelar. 


O fato é que esse avanço moral dos atos islâmicos e sua influência nos meios seculares se deve única e exclusivamente à incompetência das cristãs em viver o Evangelho. Não existe outro motivo. E como a conduta moral cristã se tornou uma massinha de modelar e a maior parte dos cristãos se habituou à vivência mundana, fica mais fácil colocar a moça católica vestida como católica no mesmo lugar que a muçulmana. Não é difícil encontrar comentários com esse teor.


Nós nos tornamos um povo sem moral e sem costumes que em parte admira o costume de outros ou simplesmente tem por isso profunda aversão. Mas a verdade é que nós temos tradições, costumes e moral, todos, resultados do preço que pagou o Nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo. 

Quanto às moças católicas que usam o véu todo o tempo, cabe uma orientação simples para que reflitam sobre o motivo de tomarem outras religiões como modelo de conduta. Talvez seja por não encontrarem nada belo e digno de imitação na cultura ocidental, na "catolicidade moderna". De fato, não nos resta muitas referências de comportamento verdadeiramente pio. No entanto, ainda é possível ver as pastorinhas de Fátima e os costumes europeus da vida campestre. Digo isso, para alertar dos perigos de flertar com costumes não transfigurados pelo Sangue de Cristo, pelo Evangelho e pela Devoção Mariana. 

Eu, pessoalmente, entendo o interesse pelos costumes orientais. Eu mesma tenho mais afinidade com a Igreja Católica do Oriente que do Ocidente, pois minha formação foi iniciada com os Padres do Deserto. Particularmente, nutro um apreço sincero pelos santos do oriente e pelos costumes salutares preservados nas Igrejas Católicas Orientais. E é esta a sugestão que deixo aqui para estas moças. Existem muitos costumes que se perderam, se perdeu também muita beleza e zelo com isso, mas não quer dizer que não tenhamos tudo que precisamos na arca da Tradição Católica. Nós realmente temos tudo bem aqui, na nossa casa. Claro que hoje é preciso mais esforço para encontrar, mas tenha calma, está tudo na arca da Tradição. É só pedir ajuda e Deus conduz com calma e paz à beleza da conduta católica zelosa e santa. 

Assim, resumidamente, realmente o caminho do meio de São Tomás não é o caminho do mais ou menos. O que nos faz tomar decisões convictas quanto a conduta que iremos seguir cotidianamente e ao mesmo tempo nos tornarmos mais católicos ao vivencia-la fielmente. 



A pacata vida cotidiana é um terreno muito fértil para vivenciar a virtude. Estava agora mesmo arrumando a casa e me veio a ideia deste texto, mais precisamente enquanto tirava o pó da cômoda do meu quarto. Pensei em compartilhar algumas coisas simples que me fazem enraizar profundamente na decisão comprometida em vivenciar esta virtude fortemente educadora do corpo, da alma e da mente. 

Pequenas atitudes importam:

- limpar a casa em silêncio e escutar o barulho das coisas, o barulho da vida.
- tentar falar sempre num mesmo tom,
- escolher palavras cordiais,
- ver imagens da Santíssima Virgem em suas diversas aparições (observar sua fala, modos e vestes),
- escutar músicas calmas,
- tenho uma imagem de Padre Pio e Santa Gemma na minha cômoda (a dele me recorda de seus conselhos sobre a modéstia e a dela me recorda de sua vida fortemente entrelaçada à modéstia),
- cultivar plantas e observar a sua beleza sem ostentação ou afetação,
- ler a vida das Santas com alguma frequência,
- todos os domingos leio uma das cartas de São Paulo ou São Pedro que orientam sobre a conduta da mulher piedosa,
- uso água benta todos os dias,
- penso que minha escolha concreta desagrava o Coração de Jesus e Maria, além de ser uma forma de abençoar as pessoas com esse amor. 







 




 "Os livros são uma sociedade deliciosa. Se você entra em uma sala e a encontra cheia de livros, mesmo sem tirá-los das prateleiras, eles parecem falar com você, para lhe dar as boas-vindas." (William Gladstone)


Eu me lembro da primeira vez que consegui manusear muitos livros. Foi quando entrei na Biblioteca Municipal de Piracicaba, quando ainda ocupava o prédio ao lado da Capela de São Benedito (lugar nomeado pelo Dom Moacyr Vitti como a Praça dos Quatro Poderes em Piracicaba), e fiz a minha carteirinha da Biblioteca. Então, depois do curso de computação, veja bem, ia até a biblioteca, passava a catraca de entrada e entrava na linda área à esquerda (à direita era o balcão para pesquisa, que eu já conhecia, a sala da esquerda era nova na minha vidinha de 12 anos). Eu não sei quanto tempo ficava ali, só me recordo de levar quatro ou cinco livros para casa. Detalhe, eu ia sozinha. O resultado foi ter lido os clássicos brasileiros e alguns outros antes do ensino médio. E não, eu não tinha ninguém me ajudando, somente o meu anjo da guarda. Foi também na biblioteca que encontrei o livro a "Bíblia no meu dia a dia" do Padre Jonas (ele não era tão famoso) e fiz meu primeiro programa de leitura bíblica. Estimulada por um livro da Biblioteca.


Meus pais não são leitores, são pessoas muito simples, mas que respeitam o que eu chamo "nobreza do livro". Eu tenho até hoje uma edição que meu pai achou do livro Dom Casmurro, todo estrupiado, o coitado do livro, mas está aqui comigo, são e salvo, já há 20 anos.


Acho que desde nova percebi que os livros são importantes e nobres professores. E acredito que gradativamente comecei a semear uma cultura dos livros na minha vida. Bem, eu sou a irmã e tia e amiga e filha espiritual que só dá livros de presente. Alguns livros que presenteei a minha irmã mais nova estão hoje com minhas sobrinhas. E minha casa acabou por refletir essa acolhedora cultura.


Comecei este texto falando sobre a Biblioteca, pois sei que alguns acreditam que quem lê muito é rico ou sempre ganhou livros de presente ou sempre foi incentivado em casa ou qualquer outra coisa. Como vê não é bem assim. A cultura do livro é algo que se constrói. Devagar, com releituras, doações, trocas de livros, visitas à sebos e um olhar atento às editoras que auxiliam esta cultura.


Minhas sobrinhas ficam impressionadas porque em minha casa não tenho TV, quando elas chegam colocam o rostinho na estante e pegam um dos livros de contos, que elas já sabem que são delas. Quando vão embora já podem sair com um ou outro livro. Fico feliz quando alguém me visita e se sente mais encorajado a ler, a fugir da agitação e acumulo de informação lá fora. Para mim é um elogio enorme ver minhas sobrinhas dizendo que: "a casa da minha tia é uma biblioteca". Não é, mas fico feliz que elas sintam o que eu sentia ao entrar na Biblioteca Municipal da minha cidade: certo maravilhamento.


Ler exige disciplina, o ambiente doméstico cheio de livros é um aconchegante convite à leitura e nos ajuda a fugir da cultura do entretenimento chamativo. Um ambiente que cria espaço para leitura e conversas tranquilas, risadas genuínas e tranquilidade. Não é preciso muito: bons livros, chá ou café e um sofá. Pronto.


Antes das redes sociais eu mergulhava num livro, sinceramente, não me lembro de algo que gostasse mais, minhas memórias da infância, adolescência e férias da faculdade estão cheias de memórias de coisas que eu li. A cultura do livro me ajuda a não me esquecer do quanto isso foi edificante e fundamental para mim. Muito do que eu sou são os livros que eu li, muitas respostas de Deus chegaram até mim por um livro e muitos projetos que realizei começaram com um livro que deu fruto cinco, dez anos depois.


Se você percebe que gostaria de criar esta cultura em sua vida e casa, eu quero lhe encorajar. Primeiro reze a Deus por isto, é bem verdade o que conta os antigos judeus, sempre reze apresentando a sua dúvida e a resposta virá. Acredite, é verdade, e isso não é diferente para as leituras e estudos. Depois, seja um rato de sebos e boas editoras. Tenha certeza que você colherá ótimas coisas. Acredite na Providência e na Bondade do Senhor.


Talvez eu já tenha contado essa história, mas relembrar é viver. Em 2020 eu estava fazendo o Plano de Leitura Bíblica com comentário dos Doutores da Igreja, aqui neste site. Quando cheguei ao Antigo Testamento começou a dificuldade em encontrar bons autores e textos válidos. Fiz o que falei anteriormente. Depois de um tempo, achei na sacristia de um Igreja um saco preto cheio de edições de Bíblias comentadas, duas coleções inteiras, mais a coleção História dos Hebreus, também inteira. Os livros seriam enviados para alguma forma de descarte. Como também já aconteceu de encontrar no sebo um livro que eu só fui usar anos depois, num estudo ... havia comprado por pura intuição.


Então, se você quer fazer parte dos semeadores da cultura do livro, sugiro fortemente que se permita ser um pouco doido. Visite sebos sem intenção certa, peça para ver a biblioteca dos amigos, valorize livros antigos e gastos, fale sobre livros sem medo e presentei com livros sem acanhamento. Você verá como essa assembleia de amigos é respeitosa e grata com seus cultivadores.














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"Pois o preceito é lâmpada, e a instrução é luz, e é caminho de vida a exortação que disciplina" - Provérbios 6, 23

Ana Paula Barros

Especialista em Educação Clássica e Neuro Educação. Graduada em Curadoria de Arte e Produção Cultural. Professora independente no Portal Educa-te (desde 2018). Editora-chefe da Revista Salutaris e da Linha Editorial Practica. Autora dos livros: Modéstia (2018), Graça & Beleza (2025).

Possui enfática atuação na produção de conteúdos digitais (desde 2012) em prol da educação religiosa, humana e intelectual católica, com enfoque na abordagem clássica e tomista.

Totus Tuus, Maria (2015)




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