Educação Cristã 3: O filósofo busca imitar o Criador

by - março 21, 2022


Considerando o atual cenário não seria exagero verificar que temos uma noção muito equivocada a respeito do que é ser filósofo. O ato de pensar bem passou a ser confundido com um emaranhado pouco lúcido de opiniões altamente apaixonadas. Vimos anteriormente o quanto São Tomás nos ensina sobre como debater desapaixonadamente, tendo como princípio que a Verdade tem uma força em si e que a cortesia deve se unir à clareza para gerar uma exposição adequada. 

Cabe então ao pensador o domínio da linguagem e a dedicação em lapidar o seu uso de modo a expressar o que deseja usando as palavras que realmente as expressa. No entanto, não é difícil notar que, numa educação em que "ter senso crítico" vem antes de aprender a dominar o mundo da linguagem, poucos são os que lêem o que realmente está sendo dito.

Portanto, vale relembrar alguns pontos sobre essa temática, na esperança de deixar mais claro que um filósofo é um opinador, mas nem todo opinador é um filósofo. Em tempos de internet se torna extremamente perigoso aderir opiniões pessoais como quem aceita um dogma, sem verificar donde veio aquela informação e se sua fonte é idônea, saber estabelecer um critério de seleção, sem paixões desordenadas, para executar um julgamento, é um dos ensinamentos da educação clássica, assim como o alicerce do pensador. Com essa habilidade pode-se julgar sobre livros e política, moral e casos cotidianos, através desse julgamento temos uma opinião, uma posição, e isso é essencial para não ser tragado pelo turbilhão de ideias atuais. 


O filósofo busca ser um imitador do Criador 


OS LIVROS

1.     Saiba quando e onde o livro que lê foi escrito, assim poderá entender a situação do escritor, substituir o que falta e cortar o que excede, decifrar termos, compreender e dar valor a uma queixa ou repreensão.


O FILÓSOFO

2.     Um filósofo é quem se dedica a investigar a natureza, a moral e a relação entre as pessoas. Para isso é preciso:

                          I.          Clareza

                        II.          Juízo com verdade;

                       III.          Discorrer com rigor e firmeza;


Esses são os traços de um bom filósofo:

                          I.          Clareza e firmeza: exige uma percepção habituada a estar atenta.

                        II.          Juízo: julgar é decidir interiormente se algo é ou não é. Para bem julgar é preciso: 1. Partir de uma boa definição (e elas são raras); 2. Não usar expressões imprecisas (a confusão dos termos é a origem da confusão de ideias); 3. Fugir de suposições gratuitas e dos preconceitos (ideias pré-concebidas impedem de ler o que realmente está escrito, nos levam a ler ou ouvir o que queremos), infelizmente a educação que recebemos, baseada em Paulo Freire e o imediatismo atual, nos inclina a isso destruindo todo o processo de aprendizado.


IMITANDO O CRIADOR

3.     A dificuldade não está em aprender, está em captar. Para isso não é preciso um grande número de ideias ou se fadigar em torturar a alma para aprender, é preciso dar a alma certa folga para inspirar-se e instruir-se, e deixar que o trabalho de contemplar se torne um hábito, sem com isso abrir a brecha do desleixo.

À medida que a alma se aproxima de Deus o número de ideias diminui, pois o próprio Deus, Inteligência Infinita, tem todo conhecimento numa única ideia, fala tudo numa única palavra. A alma que se aproxima dEle se torna mais capaz de encontrar a ideia raiz da questão e dali tem uma gama grande de conhecimento, isso é o que chamamos de gênio.

 

ENSINO                                

4.     Ser claro e profundo, unir simplicidade à complexidade, conduzir por caminhos fáceis e ensinar a vencer as dificuldades do aprender, inspirar e dar intelecto às consciências fracas, esses são os atributos do bom professor, que sozinho pode produzir benefícios imensos.


INFLUXO DO CORAÇÃO

5.     Para o bem pensar nada é mais importante que compreender as alterações que o humor pode gerar. E essa é a razão que faz com que tão poucos homens passem o espírito do seu tempo, pois não conseguem dominar as circunstâncias pessoais, preconceitos e interesses. O jovem está convicto que está meditando, mas não faz mais que sentir, acredita ser um filósofo que julga, quando não passa dum homem que se compadece (o que é bom, mas não é filosofia).

Ter ideias determinadas sobre os assuntos é um bom caminho e quando não as tem é de vital importância não se entregar às inspirações repentinas e não seguir o influxo do coração de imediato.


Baseado no livro: O Critério - sobre a arte de pensar bem (aqui) 



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Singelamente, Ana




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