Resumão: Eclesiástico + Comentários

by - novembro 23, 2021


Resumão Eclesiástico + Comentários




Eclesiástico ou Sirácida é um dos livros deuterocanônicos da Bíblia, de composição atribuída a Jesus filho de Sirach (Jesus Ben Sirac ou Ben Sirá, ou, em grego Sirácida). O livro, formado por reflexões pessoais do autor, era comumente lido em templos cristãos, aliás o nome Eclesiástico (Livro da Igreja ou da Assembleia) provém do uso oficial que a Igreja cristã faz desse livro, em contraposição à Sinagoga judaica, que não o aceita como Palavra de Deus. Tal designação vem desde a época de São Cipriano de Cartago. O livro foi originalmente escrito em hebraico, entre 190 e 124 a.C., possui 51 capítulos e, posteriormente, foi traduzido para o grego por um neto de Jesus filho de Sirach, em 123 a.C.



No início do século II a.C., a Palestina passou do domínio dos Ptolomeus (Egito) para o dos Selêucidas (Síria). A fim de unificar o império, exposto a conflitos internos, os selêucidas promoveram uma política de assimilação, e procuraram impor aos povos dominados a cultura, a religião e os costumes gregos - um imperialismo cultural que ameaçava destruir a identidade cultural e religiosa dos dominados.

Parte dos judeus aceitava adaptar o judaísmo a uma civilização mais universal, entretanto outra parte buscava preservar a identidade e salvaguardar a fé e a vocação de Israel, testemunha do Deus vivo para todas as nações. Ben Sirac escreveu então este livro, uma espécie de longa meditação sobre a fidelidade hebraica. Ele procura reavivar a memória e a consciência histórica do seu povo, a fim de mostrar sua identidade própria e o valor perene de suas tradições. O autor, porém, não é intransigente, pois em seu livro mostra ter já assimilado diversos aspectos da cultura grega, iniciando o caminho de uma síntese que culminará no Livro da Sabedoria, ou seja, o livro dirige-se a todo aquele que queria se comportar como judeus em um mundo que mudava, trata-se de uma obra de um conservador lúcido, que quer preservar o essencial, sabendo que não se deve ignorara as situações novas.

O centro do livro está no cap. 24, em que o autor identifica a Sabedoria com a Lei de Moisés (24,23), presente nos cinco livros do Pentateuco que, em hebraico, se chamam Torá = Lei. Esta, na visão do autor, constitui a Sabedoria de Israel.

Com efeito, a narração toda do Pentateuco mostra a experiência básica de todo homem e de qualquer povo: a sabedoria que nasce da experiência concreta e conduz à vida.

São Jerônimo afirmava tê-lo conhecido em sua língua original.

Aproximadamente dois terços de uma antiga cópia do texto em hebraico provenientes de uma Sinagoga no Cairo foram encontrados em 1896.

Alguns fragmentos também foram encontrados nas grutas de Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) e outros fragmentos foram encontrados em Massada.





Comentários e anotações segundo os consagrados trabalhos de Glaire, Knabenbauer, Lesêtre, Lestrade, Poels, Vigouroux, Bossuet etc. editado pela Editora das Américas, 1950.



Este livro denomina-se O Eclesiástico, tradução duma palavra grega, que significa "livro para uso da assembleia'. Na versão dos Setenta tem este outro: "Sabedoria de Jesus, filho de Sirac", título que indica o objeto e o autor do livro.


Não se sabe ao certo quem foi esse Jesus, pelos dados que o texto nos fornece sabemos ser homem versado na medicina, sacerdote, com larga cultura obtida em viagens, desempenhando funções elevadas na corte de um rei.


É incerta a época em que o autor do Eclesiástico viveu.


O seu livro fornece-nos um esclarecimento indicando-nos o nome do grande sacerdote judeu, Simão, filho de Ozias, mas esta indicação é insuficiente, porque são conhecidos dois grandes sacerdotes com o mesmo nome e a mesma filiação: Simão I, cognominado o justo, que viveu no tempo de Ptolomeu, no ano 290 A.C e Simão II, eleito pontífice magno quando Ptolomeu IV Filopator quis à força entrar no templo de Jerusalém. Os críticos divergem: uns têm o autor como contemporâneo do primeiro, outros do segundo.


O texto que possuímos é grego, mas foi composto em hebraico, como deduzimos do prólogo e também da tradição judaica. São frequentes no Talmud e no Midraschim as citações do Eclesiástico, feitas em hebraico. Há uma coleção de provérbios do Eclesiástico, e que são conhecidos pelo nome de "Ben Sira, do filho de Sirah". São Jerônimo atesta que viu o texto hebraico do Eclesiástico. Há ainda um outro argumento fornecido pelas passagens dificeis de empreender na tradução e que se explicam facilmente pelo original hebraico.


Sempre se considerou este livro como divinamente inspirado, o mais útil dos livros sapienciais, e uma das partes das Escrituras, cuja a leitura é mais útil. Os protestantes negaram a canonicidade do Eclesiástico, mas contra esta pretensão protesta a tradição universal e constante (De canonicis Scripturis decretum. Sess 4). Martini, célebre tradutor italiano e comentador da Bíblia, diz deste livro: "Aqui se encontram com singular abundância os ensinamentos mais puros e mais santos, adaptados aos homens, de todos os tempos e de todas as condições, etc". (Martini, Vecchio Testamento)


Partes do livro:


Prólogo - escrito pelo neto do autor

Primeira parte - compreende os primeiros 42 capítulos (até cap. 42, 14), podemos nomear esta parte como "tratado dogmático", o autor nos faz conhecer: 

1) Deus e seus atributos; 
2) a doutrina da predestinação, 
3) a inocência do homem antes da queda, 
4) a liberdade humana (Welte, Dictionnaire encyclopedique de la théologie catholique). 


Segunda parte - tem por objetivo o elogio de Deus, Criador. Compreende 3 pontos: 

1) Hinos a Deus, Criador da Terra, é como um resumo da teodicéia. 
2) Do elogio de Deus o autor passa aos justos, é um hino em honra dos patriarcas e dos santos do Antigo Testamento. 
3) Súplica final, agradecendo a Deus todos os benefícios que o autor recebeu. 


















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