Genesis, feminismo e a Temperança

by - setembro 28, 2022



genesis, feminismo e temperança



Introdução


Esse conteúdo foi publicado pela primeira vez em 20 de abril de 2015, depois foi reajustado em 26 de junho de 2017 e na presente data, 28 de setembro de 2022, esta sendo novamente reorganizado. Fico feliz em poder lhes apresentar, pelos anos, aprimoramentos de conteúdo. 


Genesis e a Mulher


"Quem sois? Sois mulheres e sois cristãs! – dois nomes, dois títulos, duas auréolas.

Como mulher, tendes um coração de ouro ; como cristã, tendes o bem inestimável da Fé. Por isso, é tal o vosso, poder, que Pierre l’Ermite julgou poder dizer-vos : “Ah! donzelas, se soubésseis o que de fôrça para o bem há numa só de vossas palavras quando realmente cristãs, num só de vossos olhares quando se iluminam dos pensamentos do além ! … Ah! se o soubésseis como, por exemplo, Joana d’Arc o sabia !” – E deveis sabê-lo.
Mas, para sabê-lo e compreendê-lo, deveis sair das banalidades ôcas de uma vida egoísta e pessoal, sentir que tendes asas e não vos esquecer de servir-vos delas.

As “banais bonecas da moda que se depreciam no meio dos trapos”, provavelmente não compreenderão êste livro, se lhes cair nas mãos ; porém as “Valentes”, as que lutam, as que rezam, as que se dedicam, as que salvam, oh! estas lhe farão acolhida, quererão vivê-lo !" (A Donzela Cristã, aqui)


O Genesis nos oferece uma boa mensuração do papel da mulher na Criação. A mulher foi criada para ser sinal da Beleza, da Graça e da Submissão. 

O diadema da criação foi investido de uma glória especial, como diz São Paulo, ao explicar que a glória de Deus é o homem e a glória do homem é a mulher. Essa glória lhe faz "mãe dos homens", toda mulher é mãe em potencial, logo trás em si a responsabilidade que a glória lhe conferiu. 

A responsabilidade é ser um sinal forte e vivo da Beleza, da Graça e da Submissão. 

  • Beleza, para fazer com que a humanidade se volte para o Belo Deus que nos criou,
  • Graça para que todos notem pelo cuidado, hospitalidade, doação, um sinal dos cuidados e da Graça de Deus, que nos dá mais do que merecemos e pensa em nós sempre, 
  • Submissão para sermos sinais visíveis da obediência que toda criatura deve ter diante do criador.

Cada atributo possui o seu sinal visível:

  • A Beleza - a Modéstia no vestir e portar-se,
  • A Graça - a doação e o serviço,
  • A Submissão - o piedoso uso do véu e o exercício em prol de uma alma piedosa que ilumina e salga.


Não basta somente saber, de forma romântica, os atributos que representamos, é preciso concretude, uma ação intencional, em fazer de nós mesmas sacrários vivos do Senhor e faróis da Luz Divina (aprofundamento Curso Mulher Católica, Módulo I: Identidade, Educa-te, aqui).


"E, primeiramente, que é a mulher? Eis, a este respeito, uma reflexão de S. Tomás de Aquino que vos sensibilizará: Deus tomou do coração do homem a substância com que devia formar a mulher. Não lha tirou da cabeça, porque ela não é feita para domínio. Não lha tirou dos pés, porque ela não é feita para a escravidão e para o desprezo. Tirou-lha do coração, porque ela é feita para amar e ser amada. ‘

Estes belos pensamentos mostram-vos claramente o que a fé vê em vós: um ente feito para amar e ser amado. Poder temível e bem doce ! sublime grandeza! mas também, imensa responsabilidade!

...

E aí está por que, se o homem é a força que se impõe, a mulher é a autoridade que se faz amar. Essa estranha influência da mulher ressalta da sua natureza própria, da sua índole, das suas qualidades, e até mesmo dos seus defeitos. No exterior, algo de mais doce, de mais flexível, de mais maleável, de mais gracioso: ·· uma leveza no andar que toca menos na terra, uma dignidade no porte que se eleva melhor para o céu, uma beleza mais requintada, mais tocante, porque tem mais encantos, porém em compensação menos fôrça; a não ser que a sua própria fraqueza seja o seu extremo poder. Menos forte do que o homem, a mulher é superior ao homem por uma natureza menos material, por uma faculdade de arrôjo mais viva. E’ mais esclarecida nas coisas do coração. E’ mais alma do que o homem. Mais humilde e mais terna, e por conseguinte mais religiosa do que o homem, é mais inclinada à oração, mais aberta à caridade e à esperança. (Padre Baeteman, Donzela Cristã, aqui).


Toda Mulher é um sopro de amor que faz amar, amar o nosso Criador e Pai principalmente. Todas as deturpações fizeram da humanidade um tanto caricata, promulgadora de um amor que não leva ao Pai Celestial, mas a árvores, astros e baleias, um "amor debilitante", por ser terreno, que ama a todos e não ama a ninguém, um amor que não é Amor. 


Feminismo



“o feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem a seus patrões, mas escravas quando ajudam seus maridos” (Chesterton, aqui).


O feminismo é uma maldição propagada como benção, sua influência se dá pelas seguintes questões:

  1. as mulheres são oprimidas e os homens privilegiados;
  2. as mulheres ilustres da história foram feministas;
  3. as mulheres medievais eram infelizes;
  4.  a mulher não podia governar;
  5. a mulher não podia estudar;
  6. a mulher não podia votar.


Quanto aos dois primeiros argumentos e o último, podemos usar o que já foi dito antes, já que na percepção cristã é justamente o oposto. Mas também podemos acrescentar que uma breve consulta aos nomes dos santos e aos altares das igrejas mostrarão o número infinitamente maior de mulheres. E São João Crisóstomo em seus comentários elogia muitas vezes a coragem e firmeza das mulheres na vida cristã em oposição aos homens que se deixavam vencer, assim como São Jerônimo elogiava uma de suas discípulas por já estar fluente em hebraico em pouco tempo. 


A infelicidade das mulheres medievais se mescla a infelicidade que todo que o mundo parece ter passado nesse período, juntamente com uma alegada burrice coletiva que parece ter tomado a mente de todos, apesar das catedrais enormes e irreplicáveis, e da época de Santa Joana D'arc, Santa Catarina e de rainhas e abadessas muito influentes socialmente (governar). Uma idade das trevas assustadoramente luminosa. Quanto aos estudos é importante recordar que os conventos femininos, os primeiros, foram erigidos com a educação na regra do convento, os primeiros conventos femininos eram convento-escola, depois surgiram as escolas paroquiais, que eram mistas, veja bem (aprofundamento no Curso Mulher Católica, Módulo III: História da Mulher, Educa-te, aqui).


"Primeiramente, tende convicções sólidas, uma fé baseada em princípios inabaláveis, e para isso estudai-a pela maneira, católica, que consiste em seguir a Igreja, em inspirar-se antes de tudo nas suas vistas, na sua direção. Mas não é o bastante. “As mulheres têm hoje em dia o dever de combater aquilo que lhes combate as crenças. Resta-lhes utilizar, em proveito dessas crenças, a força imensa dos respeitos e dos desdéns, das admirações e das ironias,. das solicitudes e das friezas, das palavras e dos silêncios que elas podem empregar pró ou contra uma doutrina. Resta-lhes lançar na balança, incerta ainda, o peso do seu número e da sua coragem" (Lamy apud Donzela Católica, aqui)



Temperança 


Segundo o Catecismo da Igreja Católica, nº 1809:

"A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (Tt 2, 12)"

"Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)" (Santo Agostinho, De moribus Ecclesiae catholicae, 1, 25, 46: CSEL 90, 51 (PL 32, 1330-1331).


A Temperança possui várias outras virtudes anexas. As Virtudes Anexas são mais fáceis de executar que a Virtude Cardeal das quais são precursoras, ou seja, a Virtude Cardeal é o Portal e as virtudes anexas são as pedras seguras do caminho. Nada entendeu do sistema das virtudes, tão detalhadamente explicado por São Tomás, quem acredita que é possível ser temperante sem antes fazer os esforços necessários na aquisição das virtudes anexas. As virtudes anexas são: a continência, a clemência, a mansidão e a modéstia.


Virtude da Mansidão e da Clemência: a primeira modera os movimentos da ira e a segunda regula os movimentos de castigar sem exceder a justiça; quantas faltas nessa virtude semeou o viés ideológico nas almas femininas, num instante instigados pela ira, noutro não dando o castigo como dita a justiça ou ainda excedendo o mesmo conforme os gostos partidários. 

Virtude da Modéstia: visa moderar o comportamento (falar, vestir, andar, gesticular). "Aos filhos de Deus cumpre serem perfeitos como é perfeito o Pai Celeste, terem costumes divinos e reproduzirem a imagem de Deus em cada um de seus atos, em todos os gestos e ações" (Padre Scheeben, em seu Maravilhas da Graça Divina, aqui)


"A pureza do coração exige o pudor, que é paciência, modéstia e discrição. O pudor preserva a intimidade da pessoa" (CIC, 2533)

"Modéstia e um sinal de amor" (São João Crisóstomo)


A Modéstia é a guardião do corpo e a guardiã da moral, muito estranho é visar uma renovação moral sem se atentar ao grande potencial educador da Virtude da Modéstia. 


Ao tratar sobre a Virtude da Modéstia encontramos a beleza da ação das virtudes em nossas almas, como uma atrai as outras, temos também, virtudes anexas à Temperança por influencia da Modéstia. Ou seja, como um amigo que chama outros amigos, a Virtude da Modéstia nos faz crescer em Humildade, Estudiosidade e a Modéstia propriamente dita (comportamento: falar, olhar, vestir, agir).


Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a Deus”. (1 Timóteo 2,9-10).







Referências (dos livros atualmente disponíveis):

Bíblia Sagrada (aqui)

Catecismo (aqui)

Livros Chesterton (aqui)

Donzela Cristã (aqui)

Educa-te (aqui)

Modéstia o Caminho da Beleza e da Santa Ordem (aqui)

Maravilhas da Graça Divina (aqui)


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