VOCÊ É CATÓLICO MESMO?

by - agosto 27, 2017


Sou católica desde quando nasci, não seria eu mesma se não fosse católica, minha fé que cresceu - e que o bom Deus permitirá que cresça mais - cresceu alimentada pela Doutrina Católica.

No entanto, devo dizer que eu não era como sou hoje, não sabia muita coisa, não havia me convertido o bastante para me deixar moldar e ainda não cheguei a termo, mas nunca traí a minha fé, nunca traí a Igreja, eu era diferente do que sou hoje, sabia algumas coisas e não sabia muitas outras mais... assim como não sei coisas hoje que daqui a alguns anos passarei a saber, a me converter mais e mais.

Você também deve se identificar com isso, não é mesmo? É o dinamismo natural da vida e é o que permite que eu partilhe com você algumas coisas e realidades que você ainda não viveu e que você faça o mesmo partilhando realidades e coisas que eu não vivi. E vamos aprendendo.

No entanto, você deve estar a se perguntar onde eu quero chegar com isso.



Quero chegar no testemunho que estamos dando. Demorei um bom tempo para escrever esse texto porque o silêncio normalmente norteia mais as pessoas que as palavras, mas não em todas as situações.

O testemunho é aquilo que sai de nós depois da transformação que Jesus faz em nós a cada nova conversão. De conversão em conversão novas belezas devem sair de nós, pois tudo que Deus faz é bom.

Uma dessas belezas é a defesa da fé, da Igreja, da Doutrina, da Tradição, dos Padres, dos Bispos e do Papa.

Nunca se viu um testemunho de santo que tenha faltado essas pérolas de beleza e arrisco dizer que uma busca por santidade que despreza qualquer uma delas, não é uma uma busca verdadeira.

O caminho da santidade é difícil e se, novamente, olharmos a vida dos santos veremos que eles realmente tinham um profetismo. Realmente denunciavam, se posicionavam, que é o que uma alma convertida faz, pois afinal o muro pertence a satanás. No entanto, vemos na vida desses mesmo santos o silêncio e a fala, ordenados, temperados.

Mais uma beleza que brota na alma de conversão em conversão. Ou seja, o profetismo muito se diferencia de "hemorragia verbal", muito diferente é alguém que fala, orienta, refuta consciente que um dia foi, muitas vezes pior, do que aquelas almas que agora condena.

Existe uma diferença muito grande entre ser profeta e um "digitador de sentenças digitais". Um profeta usa os meios de comunicação para orientar, passar a Palavra de Deus, falar baseado nos novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso), faz isso de forma clara - para que não ocorra dualidades - mas consciente que a outra alma pode simplesmente - e muitas vezes é assim - estar sem orientação.

E essa alma pode se converter do que jorra da sua alma. Mas o que jorra dela?

Todos sabemos que o mais difícil é equilibrar a Verdade e a Caridade, mas não é impossível, pois são atributos de Jesus que trabalha dia e noite em nós, se assim permitimos e trabalhará também para equilibrar as células destoantes do seu Corpo Místico.

Pois, não é possível considerar testemunho uma alma que denúncia destruindo o irmão, assim como não é possível considerar testemunho uma alma que adula o erro também destruindo o irmão.

Os Padres do Deserto dizem que um santo é aquele que se deixa purificar, se deixa curar por Deus e depois sai para curar os irmãos. 

Curar os irmãos é ajudar a limpar sua feridas sem matá-lo no processo a ponto que ele prefira morrer tomado pela podridão das feridas ao invés de aceitar ajuda para limpá-las. Curar o irmão é mostrar que ele esta ferido, que esta apodrecendo e que é preciso fazer algo, que ele não pode permanecer doente, mesmo que ele ainda não sinta toda a dor da doença.

Eu sei não é fácil e fica inda mais difícil, quando se fala demais e se deixa curar de menos. 

Existem almas mais apaixonadas que ao se converterem querem que todos venham com elas e isso é muito certo. No entanto, é sempre bom lembrar, quantos anos você caminhou para chegar aí onde esta? Será que é justo esperar que os outros cheguem ao mesmo lugar em dias, meses porque você no fundo se sente sozinho?

E aqui, chego ao ponto de se deixar curar. A solidão é necessária depois da conversão para melhor poder defender a fé. Essa defesa da fé que não abomina os alicerces da Igreja, que não ridiculariza nenhum sacerdote (coisa verdadeiramente horrível mesmo se o padre não esta a contento da missão que recebeu, ele é padre e se não é possível defendê-lo, ao menos, não devemos ridicularizá-lo, isso não é profetismo, é revolta, muito similar a de Lutero. Se existe algum padre que não esta a contento realmente existe duas coisas a fazer oração e falar com o Bispo do padre e ponto, isso é profetismo efetivo) padre significa "pai" e não é aceitável ridicularizar, esnobar um pai.

Me detenho nesse ponto pois a tal crise da Igreja, tem duas vias, existem realmente padres que infelizmente, para a alma dele e para as nossas, não estão indo bem - lembrando que ele também vai de conversão em conversão - mas também, por outro lado, existem leigos muito mornos, que não se dão ao trabalho de ler nem a liturgia diária e fazer a oração da noite e da manhã, acreditando num deus hippie moderno que tudo é paz e amor ou ainda o extremo oposto aqueles que leram um capítulo da Suma Teológica ou foi ao Rito Tridentino e se acham melhor que o padre da paróquia.

Os leigos, generalizando para fins explicativos, não respeitam de verdade os padres, não pedem benção, não escutam mais quando o padre fala que não podem fazer aquilo, acham que é democracia que o que o padre fala é mais um voto entre os outros, a Igreja não é uma democracia. 

Os padres, generalizando para fins explicativos, não orientam o povo com clareza, não seguem a Doutrina, nem o Rito da Santa Missa, passam a interpretação do catolicismo que a TL ou ainda outras interpretações que nem sabemos donde vem ao certo, esquecendo que se a pessoa é católica é porque ela quer a Doutrina Católica.

Se os padres devem testemunhar, os leigos também devem. Se eles devem rezar, os leigos também devem. Se eles devem se formar, melhorar, converter, se preocupar com as almas, os leigos também devem. Se os padres devem ser santos, os leigos também devem.

Portanto, a crise da Igreja é uma via de duas mãos. Digo isso, pois estamos em um pingue pongue, os padres falam dos leigos e os leigos dos padres. Ou ainda os leigos falam dos rito da Santa Missa (que são 6, todos válidos, obviamente, pois o Senhor Eucarístico esta presente em todos os ritos e merece honra e adoração e tudo que de melhor e bonito é possível fazer, a "Missa de sempre" é aquela que o Corpo do Senhor esta presente, basta estudar a Eucaristia desde os primeiros cristãos até o Concílio e a História da Igreja e esta lá claro como a lus do dia, ao meio dia) e do padre e os padres falam dos leigos que são mais tradicionais (no sentido de tradicional mesmo não tradicionalistas) como se fossem párias e sectários (o que não é verdade, quem ama a Igreja, ama a Tradição da Igreja e não desdenha de nenhum padre ou rito, embora defenda a piedade e principalmente o zelo para oferecer ao Senhor o melhor comportamento, vestimento, música, gestos e plena concentração possível, é nesse grupo no qual eu me encaixo).

Talvez com tantas oportunidades de falar e testemunhar estejamos formando imagens equivocadas do catolicismo para nós mesmos e para os outros, isso por falta de oração e ainda por falta ou da Verdade ou da Caridade.

Enfim, o falar e o calar são precisos, equilibrar os dois, conscientes de que é preciso falar mesmo que ninguém goste por que é preciso curar as feridas que o pecado faz na humanidade, mas que também é preciso calar para que Jesus possa fazer a ação naquela alma no tempo e na individualidade daquela alma, ação que pode e irá ser auxiliada com nosso testemunho e exemplo, como faróis que Ele usa para tornar mais visível a Vontade para dele para aquela alma. 

Basta saber se nosso estado de graça que nos permite uma Comunhão dominical e até mesmo diária transborda até o irmão como instrumento de cura para o irmão, que pode sim ser de exortação mas nunca de desprezo, sectarismo, separação.

Paz e Bem!
Ana

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3 comentários

  1. O texto que eu precisava!
    Tenho 18 anos e comecei de verdade o processo de conversão faz pouco tempo. Venho de uma família ''católica'', mas que só pisa na Igreja em casamentos ou batismos. Meus pais se renderam ao espiritismo(e quase fui junto hehe), meu padrasto é ateu e católica mesmo só minha avó. É difícil passar por isso sozinha, ainda mais quando a própria família não aprova e quando não tenho nenhum amigo católico. Na verdade, até hoje não sei o porquê dessa minha vontade de me converter dado ao meio um tanto cético que fui criada, mas sinto que há algo que me chama. A prova disso é que várias vezes fui ''tentada'', se é que me entende, e toda vez escuto lá no fundo um clamor que me impede e me diz que é errado, que eu tenho outro caminho a seguir. Sei que parece loucura, mas é como se fosse um guia que me protege e me orienta.
    Nisso venho estudando e aprendendo cada vez mais, embora seja difícil reconhecer que nem orar eu sei. Fiz Eucaristia e não me Crismei porque na época dei uma de rebelde adolescente, mas pretendo mudar isso em breve. Creio que Deus preencha o vazio que existe em mim e me sinto bem na Igreja. É um caminho árduo que estou disposta a passar e acredito que as recompensas sejam boas.
    O seu canal e blog estão me ajudado de uma forma inexplicável(as vezes eu comento nos vídeos, não sei se você já viu hehe). Muito obrigada pelo conteúdo disponibilizado e por estar me ajudando na minha caminhada, você é uma grande inspiração para mim.
    Abraço, paz e bem!

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    Respostas
    1. Paz e Bem, fico muito feliz :) você não sabe o quanto, uma alma é importante para Deus, siga em frente e não esqueça a sua vocação e sua eleição, nós devemos buscar a santidade. Deus te dará as orientações, nossos anjos da guarda são muito devotados a nossa proteção e querem que nos apresentemos diante de Deus como a obra perfeita e acabada que Ele sonhou.

      Além da confissão e da comunhão. Acredito que já deva ter visto os vídeos sobre sobre os Exercícios de Santa Gertrudes, podem te ajudar muito na vida de oração.

      E o Santo Terço, a Santa Virgem nos ajuda muito a sermos as mulheres que Deus deseja que sejamos.

      Do que precisar, lembre-se de mim, você não esta sozinha :)

      Abraço, Paz e Bem!

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  2. Muito obrigada pelas palavras, Ana Paula! Fico muito feliz e grata por poder contar com o seu apostolado.
    Paz e bem, que Deus te abençoe!

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