CRESCIMENTO ESPIRITUAL x SER VISTO COMO FANÁTICO

by - julho 12, 2017

Olá, Paz e Bem!

Todos queremos vivenciar o tal "crescimento espiritual", é o assunto de muitas conversas santas e o tema de palestras que talvez estejam acontecendo nesse momento, ou ainda de textos como este que você esta lendo.

No entanto, é interessante essa visão que temos da vida espiritual, uma escada que sobe, uma ascensão linear, sem rupturas. Que obviamente não condiz com a realidade...

A vida espiritual, assim como qualquer outra área da vida, tem seus percalços e muitas vezes não subimos a escada... descemos...

Não é algo para se apavorar, se desesperar, mas sim para aprender. O auto conhecimento é possível nessas situações, afinal que sentido tem correr atrás da santidade quem já acredita ser santo? Os percalços são lições na escola da perfeição.



No entanto, não devemos parar neles, como orienta Santa Teresa D'avilla devemos rezar que "preferimos morrer a retroceder", ter uma "determinada determinação" em avançar mesmo quando nos vemos retroceder ou fraquejar.

Não é sadio pensar na vida como uma ascensão em linha reta, constante e exata, simplesmente porque não é a realidade... a realidade é uma ascensão com algumas curvas, degraus e até mesmo grandes descidas seguidas de grandes subidas. Muitas vezes fazemos caminhos longos e complicados para um objetivo simples da vida espiritual, como acontece muitas vezes quando colocamos uma rota no google maps e percebemos depois que o caminho poderia ser muito mais fácil. Tudo isso acontece e nada fica sem sua valia.

No entanto, além dos percalços que são originados da nossa própria natureza e temperamento, temos também as dificuldades que se originam da falta de compreensão das pessoas. Não é difícil encontrar quem nos coloque na caixinha de fanáticos, repetitivos, os certinhos, os santinhos, os tradicionais, os chatos e etc... enfim, pintam uma imagem de fanatismo para aqueles que simplesmente praticam a fé, praticam uma virtude muito esquecida atualmente: a virtude da religião.

A virtude da religião basicamente é dar a Deus o que é de Deus e dar a César o que é de César. Ou seja, é saber o lugar de Deus e o nosso.

Partindo dessa reflexão, sobre a ausência da virtude da religião, até mesmo entre os cristãos, podemos entender a facilidade em rotular todos, que a praticam, como fanáticos.

Interessante, que muitos me pediram para abordar esse assunto, confirmando assim o dito acima e também mostrando uma grande oportunidade de santificação.

Nosso objetivo é ver oportunidade de santificação em todas as coisas, nas mais simples e ordinárias. Assim, podemos nos deixar moldar. No entanto, antes de nos moldar, Deus precisa nos retirar das formas que passamos a assumir durante a vida. Ou seja, cada olhar, cada palavra dita a nós exerce uma ação moduladora e passamos então a carregar essa forma em nós, fomos e somos moldados. Partindo desse fato, podemos entender que para nos fazer novos Deus necessariamente precisa nos tirar dos moldes antigos. E um deles é a modulação exercida pelas palavras das pessoas, principalmente os parentes e dentre estes, os pais.

Quando Deus chamou Abrãao, vemos uma progressão interessante no desprendimento dessa santo homem. O Espirito diz:
"Ora disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção: abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Levou Abrão consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas que lhe acresceram em Harã. Partiram para a terra de Canaã; e lá chegaram."
Gênesis 12, 1-5
Deus diz sai da tua terra, ou seja do país e somente depois fala parentela e por último casa de teu pai. Abrão tinha setenta e cinco anos, sua casa toda era pagã e ele saiu obedecendo a Deus, no entanto, o desprendimento de todas as modelagens recebidas dos parentes e dos pais, veio depois, pois é um desprendimento interior, podemos estar a quilômetros de distância dos nossos familiares e ainda assim nos deixar modelar, guiar e influenciar pelas sua opiniões. 

Não é um desprendimento fácil, no entanto necessário, pois possui uma intima relação com o desejo de ser estimado, o desejo de ser acolhido.

Este, no entanto, não é um desejo muito cristão, já que o Amado Jesus não é amado, é pouco estimado e acolhido, assim nós também. Devemos usar essas situações como mortificação, oferecimentos pelas almas e meios de santificação.

É bom ser sinal de contradição no mundo.

No entanto, vale uma observação sobre os exageros e atitudes realmente contradizentes com o Magistério e a Tradição. Nenhum impeto religioso particular pode ser maior que a Santa Tradição e os Santos Padres. Tudo com temperança.

Uma segunda observação é a existência de uma categoria oposta de fanáticos, a primeira, já dita, são os impetuosos da religião particular que acreditam ser mais sábios que todos os Santos Padres, o segundo, a saber, são os fanáticos pela mundanidade dentro da Igreja, a estes tudo que lembra a piedade lhes causa aversão. 

Ambos são ruins ao Corpo Mistico de Cristo, que é a Igreja. São eles os fanáticos, os que seguem a religião são católicos mesmo. 

Nós, de nossa parte, devemos nos esforçar para acolher as oportunidades de mortificação.

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Paz e Bem!
Abraços!


















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