QUAL A MISSÃO DA MULHER?| São Josemaria Escrivá 01

by - agosto 18, 2017

Olá, paz e bem

Hoje iniciamos um pequeno ciclo de formação com São José Maria Escrivá, em que ele responde questões importantes sobre a mulher, o lar e o trabalho. Como hoje ainda sentimos as sequelas do movimento feminista, acredito que será útil partilhar essa formação, para mostrar a visão da Igreja sobre a mulher, as motivação que a mesma da as mulheres, a importância da vocação feminina e principalmente o reconhecimento da extensão da mesma. 

Tenho notado em conversas com algumas meninas, moças e mulheres que, provavelmente devido ao feminismo que entrou nos lares e na formação escolar, existe uma confusão e uma inquietação sobre a missão e a vocação de ser mulher. Isso sendo ampliado para a relação da mulher com o lar, a família e o trabalho, transparecendo que são coisas contrárias e inimigas. Lembrando que essa formação vale para homens e mulheres casadas ou solteiras. 


Monsenhor, é cada vez maior a presença da mulher na vida social, para além do âmbito familiar em que ela até agora se movia quase que exclusivamente. Que lhe parece esta evolução? E quais são, em seu entender, as características gerais que a mulher deve vir a ter para cumprir sua missão?

Em primeiro lugar, parece-me oportuno não contrapor esses dois âmbitos que acaba de referir. Tanto como a vida do homem, ainda que com matizes muito peculiares, o lar e a família ocuparão sempre um lugar central na vida da mulher: é evidente que a dedicação aos afazeres familiares representa uma grande função humana e cristã. Isso, porém, não exclui a possibilidade de uma ocupação em outros trabalhos profissionais - o do lar também o é-, qualquer dos oficios e empregos nobres há na sociedade em que se vive. Logo se vê o que se quer dizer quando se equaciona o problema assim; contudo, eu penso que insistir na contra-posição sistemática - mudando apenas a tônica- levaria facilmente, do ponto de vista social, a um equivoco maior do que aquele que se tenta corrigir, pois seria mais grave que a mulher abandonasse o seu trabalho em casa.



No plano pessoal, também não se pode afirmar unilateralmente que a mulher só fora do lar alcança sua perfeição, como se o tempo dedicado à família fosse um tempo roubado ao desenvolvimento e à maturidade da sua personalidade. O lar - seja qual for, porque a mulher solteira deve ter um lar- é um âmbito particularmente propicio ao desenvolvimento da personalidade. A atenção prestada à família será sempre para a mulher a sua maior dignidade: no cuidado com o marido e os filhos ou, para falar em termos mais gerais, no trabalho com que procura criar em torno de si um ambiente acolhedor e formativo, a mulher realiza o que há de mais insubstituível em sua missão e, por conseguinte, pode atingir aí sua perfeição pessoal.

Como acabo de dizer, isso não se opõe à participação em outros aspectos da vida social e mesmo da politica, por exemplo. também nesses setores pode a mulher dar uma valiosa contribuição, como pessoa, e sempre com as peculiaridades de sua condição feminina; e assim o fará na medida em que estiver humana e profissionalmente preparada. É claro que tanto a família quanto a sociedade necessitam dessa contribuição especial, que não é de modo algum secundária.

Desenvolvimento, maturidade, emancipação da mulher, não devem significar uma pretensão de igualdade - de uniformidade - com o homem, uma imitação do modo de atuar masculino: isso seria um logro, seria uma perda para a mulher; não porque ela seja mais, mas porque é diferente. Num plano essencial - que deve ser objeto de reconhecimento jurídico, tanto no direito direito civil como eclesiástico -, aí, sim, pode-se falar de igualdade de direitos, porque a mulher tem, exatamente como o homem, a dignidade de pessoa e filha de Deus. Mas, a partir dessa igualdade fundamental, cada um deve atingir o que lhe é próprio; e, neste plano, dizer emancipação é o mesmo que dizer possibilidade real de desenvolver plenamente as virtualidades próprias: as que tem em sua singularidade e as que tem como mulher. A igualdade perante o direito, a igualdade de oportunidades em face da lei, não suprime, antes pressupõe e promove essa diversidade, que é riqueza para todos.

A mulher esta destinada a levar a família, à sociedade civil, à Igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: sua delicada ternura, sua generosidade incansável, seu amor pelo concreto, sua agudeza de engenho, seu capacidade de intuição, sua piedade profunda e simples, sua tenacidade...A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível, e se não a insere na própria vida.

Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingênuo espírito de imitação que - em geral - a situaria facilmente num plano de inferioridade, impedindo-lhe a realização das suas possibilidades mais originais. Se se forma bem, com autonomia pessoal, com autenticidade, realizará eficazmente o seu trabalho, a missão para que se sente chamada, seja qual for: sua vida e trabalho serão realmente construtivos e fecundos, cheios de sentimento, quer passe o dia dedicada ao marido e aos filhos, quer se entregue plenamente a outras tarefas, se renunciou ao casamento por alguma razão nobre. Cada uma em seu próprio caminho, sendo fiel a vocação humana e divina, pode realizar e realiza de fato a plenitude da personalidade feminina. Não esqueçamos que Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, é não somente modelo, mas também a prova do valor transcendente que pode alcançar uma vida aparentemente sem relevo. 

São Josemaria Escrivá
Entrevista a revista feminina Telva, 1968 

Paz e bem,
Abraços,
Ana Paula Barros

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1 comentários

  1. Excelente! São José Maria de Escrivá, rogai por nós! Para quem deseja conhecer a vida edificante de São José Maria de Escrivá:

    Filme legendado sobre sua vida no "Glória TV"

    gloria.tv/video/j7WaaMQ5NSREHeYfXs3Q4mt9m

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