RECLAMAR VALE A PENA?

by - agosto 18, 2017


Houve um tempo em minha vida que mais da metade das palavras que saiam da minha boca eram reclamações, vivia numa constante insatisfação com a vida, nada estava bom, eu merecia "mais e melhor". Juntamente a isso eu vivia uma acídia monstra, isso durou de dois a três anos (não me recordo ao certo, o tempo é uma coisa muito nebulosa, para quem esta insatisfeito, nunca passa, já que se vive na mesma escuridão, mas pelas minhas contas é isso).

Pois bem, claro que me sentia péssima, vazia, me lembro que rezava a Deus que me tirasse do casulo em que estava. Sabe o casulo da lagarta? Que deve virar uma borboleta? Já parou para pensar, ela não esta morta, esta lá dentro vendo tudo passar, parada, como se estivesse morta, esperando Deus tecer suas asas, mudá-la em outro ser completamente diferente, que voa. Pois é, lindo não? Mas estar dentro do casulo não assim tão "agradável", é estranho, exige aceitação e uma mudança de atitude, comportamento, tudo muda, Afinal, uma lagarta não é uma borboleta, são extremamente diferentes. Acontece um processo na natureza que se chama histólise, o suco gástrico existente dentro da lagarta destroe a mesma de dentro para fora. Pois, acredito que foi essa metamorfose similar que aconteceu comigo, em longos três anos. 



Enfim, mesmo lá dentro, o sentimento de insatisfação perdurou, até que gradativamente Aquele que estava a me tecer, rompeu a linha dessa forma de agir. Não sei ao certo como, mas me tornei muito perspicaz em me observar, observar minhas reações e meus pensamentos, por isso posso te dizer, Deus é muito bom por ter me aguentado, eu reclamava absurdamente, eu era insuportável, depois que comecei a me observar nem eu me aguentava.

Comecei a reparar minhas orações, reclamava e pedia, basicamente. Minhas conversas com as pessoas, não mudavam muito. Quando percebi que fazia isso, resolvi me disciplinar, sinceramente o que passou pela minha mente foi "sou interesseira, só me aproximo de Deus para pedir e reclamar do que acho que devia ter ou ser".

Acredito que à partir daí comecei a sair do casulo, que não foi fácil, passei mais uns dois anos, saindo do casulo, me adaptando a ser outra pessoa, ou melhor, a ser quem eu era. 

E por fim, criei uma certa relutância a reclamações. É um louvor a satanás, realmente. Deus foi bondoso comigo e me colocou num casulo, para que eu enfim pudesse me observar e ver o que Ele via (vou ser sincera que na época não entendia, como disse, não é agradável). Isso aconteceu, exatamente no silêncio e na pequenez de um casulo real na natureza, ninguém vê, ninguém nota a presença ou a falta, pequenos grandes milagres.

Sempre falo isso, observar o pequeno, porque foi a primeira coisa que vi depois que consegui me sentir saindo casulo. Sempre me regulo para mais agradecer e louvar, do que reclamar. Sempre que reclamo, tento ver o que afinal me incomoda naquilo ou naquela pessoa e busco aprender, logo o que era reclamação se torna aprendizado que deve ser agradecido. 



Todos temos nossas dores, sei que muitas vezes nos parece que nossa vida é bem pior que as outras vidas, mas será isso verdade? Todas as dores são dores, isso foi o que aprendi, mas nem todas as reclamações geram benefícios, realmente. 

Foi nessa altura que um dia, andando pela rua vi um senhor passando mal, estava convulsionando, não é algo tão novo para mim, mas naquele dia fiquei impactada porque estava na rua, me lembro que estava conversando com Deus e vejo um alvoroço, me chamam, chegam enfermeiros (colegas que chamei) e o senhor apresentando um quadro bem peculiar. Me lembro de pensar, "somos pó", ele olhou nos meus olhos e vi medo e surpresa, até hoje consigo me lembrar. Confesso que depois do socorro, não sei o que lhe aconteceu, o que sei é que será mesmo que vale a pena passar a vida a reclamar? Já que ela é tão pequena e grandiosa, tão frágil e transformadora?

Eu cheguei a conclusão que não...e ainda agradeço a esse senhor que me ensinou sem falar nada, aonde quer que ele esteja...

Paz e bem.

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