Doemos nossos filhos| Maternidade Sacerdotal 1/5

by - fevereiro 02, 2016


Hoje é dia de Nossa Senhora da Luz! 

Foi nesse dia que fiz meu primeiro vídeo para o canal Salus in Caritate, a um ano. E na minha memória ficou registrado como o dia que resolvi falar, ser mais um eco, mesmo pequeno, da Igreja.

E para comemorar, resolvi dar um presente que agrade a Mamãe. Falar sobre Maternidade Sacerdotal. Será uma série, com relatos reais de leigas que responderam a esse chamado.



Recentemente encontrei uma orientação, em forma de livreto, da Congregatio pro Clericis, chama-se Adoração Eucarística pela Santificação dos Sacerdotes e Maternidade Espiritual.

Trata-se de um texto em que a Congregação para o Clero estimula a Adoração Eucarística nas Paroquias e uma ação, dos leigos, consagrados e religiosos, "como que em maternidade sacerdotal."

É um chamado.

Além disso o texto explica vários aspectos, a Eucaristia tem total relação com a vocação sacerdotal e vice e versa. A Eucaristia não se faz presente sem um padre e o padre não existiria se não fosse a Eucaristia. Uma interessante e maravilhosa relação. Por isso, não causa espanto ser a Adoração ao Santíssimo Sacramento a melhor via de santificação do clero.

Mas, não para por ai, o texto também chama-nos a Maternidade Sacerdotal, todas as moças, jovens, casadas, celibatárias, religiosas, viúvas. Chama todas!

Isso causa, um pouco de espanto, já que a maternidade sacerdotal tem ficado sob a "tutela" das religiosas diante dos olhos dos leigos. No entanto, na prática, você já deve ter escutado seu pároco, o vigário, todo padre e o Papa dizendo "orem por mim!".

Assim, temos sim, nós mulheres (a exemplo de Maria que é Mãe) e a Igreja (que é formada por cada um de nós e a é Mãe) a vocação da Maternidade Sacerdotal.

"São realmente muitas as coisas a serem feitas para o verdadeiro bem do Clero e para a fecundidade do ministério pastoral nas circunstâncias atuais, mas, exatamente por isso, mesmo com o firme propósito de enfrentar essas dificuldades e essas fadigas, cientes de que o agir sucede ao ser e que a alma de cada apostolado é a intimidade com Deus, pretende-se iniciar um movimento espiritual que, favorecendo uma consciência cada vez maior da ligação ontológica entre Eucaristia e Sacerdócio e da especial Maternidade de Maria em relação a todos os Sacerdote"

Assim devemos partir para uma ação espiritual e não uma afronta em tempos dificeis. Sempre me pergunto, quantos dos que reclamam dos padres oram por eles. Quantos dos que reclamam de uma homilia rezam um Pai-Nosso, que seja, pelo padre que estará presidindo a missa. Quantos oram pelo padre que lhe vai escutar a confissão.

Nunca fui respondida e talvez seja melhor não saber.

A Maternidade Sacerdotal


"A vocação a ser mãe espiritual para os sacerdotes é muito pouco conhecida, insuficientemente compreendida e portanto pouco vivida, apesar de sua vital e fundamental importância. Essa vocação muitas vezes está escondida, invisível ao olho humano, mas voltada a transmitir vida espiritual."
"Independentemente da idade e do estado civil, todas as mulheres podem se tornar mãe espiritual para um sacerdote e não somente as mães de família. É possível também para uma mulher doente, para uma moça solteira ou para uma viúva. Em particular isso vale para as missionárias e as religiosas que oferecem inteiramente a própria vida a Deus para a santificação da humanidade. João Paulo II agradeceu até mesmo uma menina pela sua ajuda materna: “Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta de Fátima pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento”. (13 de maio de 2000)."

O sonho do Cardeal Nicolau Cusano  

"Elas eram tão gráceis e recolhidas que havia lugar para todas, apesar da comunidade ser numerosa. As irmãs rezavam e o cardeal nunca tinha visto rezar tão intensamente. Elas não estavam de joelhos, mas firmes em pé, o olhar não longínquo, porém fixo num ponto próximo a ele e no entanto invisível aos seus olhos. Os braços das irmãs estavam abertos e as mãos viradas para o alto, numa posição de oferecimento”. O incrível desta visão é que as irmãs seguravam em sua pobres e delicadas mãos homens e mulheres, imperadores e reis, cidades e países. Às vezes as mãos apertavam-se ao redor de uma cidade; outras vezes um país, reconhecível pelas bandeiras nacionais, estendia-se sobre uma muralha de braços que o sustentavam. Nestes casos também em volta de cada rogadora expandia-se um halo de silêncio e discrição. A maioria das religiosas, porém sustentava com as mãos um só irmão ou irmã. Nas mãos de uma jovem e frágil monja, quase uma menina, o cardeal Nicolau viu o papa. Percebia-se quanto a carga pesasse sobre ela, mas seu rosto brilhava de felicidade. Sobre as mãos de uma idosa freira estava ele próprio, Nicolau Cusano, bispo de Bressanone e cardeal da Igreja romana."

Bom, para que você não diga, isso é coisa de freira, são somente elas que devem ter esse tipo de conduta. Aí vai, alguns, dos exemplos colocados na orientação da Congregação para o Clero e em outros posts virão outros, são vários, o que é ótimo!

Para iniciar, devo esclarecer que existem duas fomas de exercer a Maternidade Sacerdotal: pedindo que Deus suscite vocação entre os seus filhos e sustentando pelas orações os padres que já estão em serviço ou entrarão em serviço (seminaristas, os que descobriram a vocação a pouco tempo, os que acabam de ser ordenados).

Uma forma não excluí a outra. Vou focar aqui nos exemplos de leigas, pois, acredito que daí vem maiores dúvidas. Aqui temos fragmentos, no material disponível no grupo Salus in Caritate você os relatos completos, lindos e até engraçados.

Doemos nossos filhos a Deus



"A inglesa Eliza Vaughan, mãe de família e mulher dotada de espírito sacerdotal, que rezou muito para as vocações.
Certa do poder da oração silenciosa e fiel, Eliza Vaughan reservava cada dia uma hora de adoração na capela da casa, rezando pelas vocações na sua família. Tornando-se mãe de seis sacerdotes foi grandemente atendida.
Falecida em 1853, Mamãe Vaughan foi enterrada em Courtfield, na propriedade da família que ela tanto amara.
Hoje Courtfield é um centro de exercícios espirituais da diocese de Cardiff. Com o exemplo da santa vida de Eliza, em 1 54 a Capela da Casa foi consagrada pelo bispo como “Santuário de Nossa Senhora das Vocações”, título que foi confirmado no ano 2000."
A marido (que não era muito a favor que os filhos se tornassem sacerdotes, mas depois os entregou) de Eliza disse quando ela faleceu: 

“Hoje, durante a adoração, agradeci o Senhor, por ter podido devolver a Ele minha amada esposa. Abri a Ele o meu coração cheio de gratidão por ter-me doado Eliza como modelo e guia, a ela ainda me liga um vínculo espiritual inseparável. Que maravilhosa consolação e que graça me transmite! Ainda a vejo como sempre a vi frente ao Santíssimo com aquela sua pura e humana gentileza que lhe iluminava o rosto durante a oração”.

Vilarejo de Lu

"Vamos, agora, ao pequeno vilarejo de Lu na Itália do norte, uma localidade com poucos milhares de habitantes, situado numa região rural a 90 km a oeste de Turim. Este pequeno vilarejo teria ficado desconhecido se em 1881 algumas mães de família não tivessem tomado uma decisão que iria ter “grandes repercussões”.

Muitas dessas mães tinham no coração o desejo de ver um de seus filhos tornar-se sacerdote ou uma de suas filha entregar-se totalmente ao serviço do Senhor. Começaram
então a reunir-se todas as terças-feiras para a adoração do Santíssimo Sacramento, sob a guia de seu pároco, Monsenhor Alessandro Canora, e a rezar para as vocações. Todos os primeiros domingos do mês recebiam a Comunhão com essa intenção. Após a Missa todas as mães rezavam juntas para pedir vocações sacerdotais. Graças à oração cheia de confiança destas mães e a abertura de coração destes pais, as famílias viviam num clima de paz, de serenidade e de alegre devoção que permitiu aos filhos discernir com maior facilidade suas chamadas."
 Deste vilarejo emergiram 323 vocações à vida consagrada (trezentas e vinte três !): 152 sacerdotes (e religiosos) e 171 religiosas pertencentes a 41 diferentes congregações. Em algumas famílias houve até três ou quatro vocações. 
Entre esses estava Filippo Rinaldi, foi o terceiro sucessor de Dom Bosco, beatificado por João Paulo II aos 29 de abril de 1990.

A oração das mães era:
“Senhor, fazei que um de meus filhos se torne sacerdote! Eu mesma quero viver como boa cristã e quero conduzir meus filhos ao bem para obter a graça de poder oferecer a Vós, Senhor, um sacerdote santo. Amém”. 

Obs: Anota aí, que essa oração é das boas. 


Trecho retirado do livro: Adoração Eucarística pela santificação do Clero e Maternidade Sacerdotal escrito pela Congregação para o Clero



Textos completares citados, história de cada venerável leiga que abraçou esse chamado:

Doemos nossos filhos - aqui
Pelos que amam e pelos que não amam - aqui
Padres Santos - aqui
Venerável Conchita do México - aqui

Dá-nos padres - aqui

Espero que possa se unir a nós!
Por mais padres, bons e santos.

Paz e Bem,
Ana Paula Barros

"Enchi-me de zelo pela minha Mãe Imaculada e Ela me livrou de todas as tribulações."
Salve Maria Imaculada

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2 comentários

  1. Ótimo Ana, já rezava por meu pároco e todo o clero, mas não sabia sobre ser mãe Espiritual de um Padre! Obrigada! Paz e bem!

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    1. Paz e Bem. É uma vocação que precisa ser conhecida, transformaria o clero e o mundo.

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