Tudo pode se tornar oração

by - janeiro 16, 2016


TUDO pode se tornar oração.

"Estamos em oração quando o nosso coração se dirige a Deus. Quando uma pessoa ora, entra numa relação viva com Deus." ( Catecismo da Igreja Católica, 2558-2565)

É comum que ao imaginar a cena de alguém que ora bastante, venha a imagem de uma pessoa que fica horas ajoelhada, rezando. Mas isso é falta de ler a vida dos santos. 

Santa Faustina fazia um roteiro diário, sempre colocava coisas do tipo "não reclamar", "aceitar as tarefas e dificuldades diárias", "cinco minutos de adoração", "oferecer pelas almas". Bom, quem já leu, Santa Terezinha. Santa Tereza, Santa Gertrudes e uma infinidade de outros santos verá uma semelhança de comportamento.



Agora vem comigo, os religiosos possuem uma vida que tem, em si, a recitação da Liturgia das Horas, do Santo Terço, Missa e outras práticas, cada qual de acordo com a ordem em que estão inseridos. Mesmo assim, eles possuíam o desejo do "algo a mais", "fazer mais um pouco".

Agora eu te pergunto, qual a diferença entre eles e nós, nesse sentido. É comum ver leigos que queriam, apesar das tarefas, fazer "algo a mais", ou seja, queriam demostrar mais o amor.

Pois bem, primeiro que se fizermos um levantamento dos monges e dos padres do deserto veremos a prática do "trabalhar e orar" e somado a isso veremos que o trabalho é oração.

Para São Bento é o elemento que torna possível a oração contínua. 
Na verdade, a contemplação não é um atividade, mas sim uma atitude. É uma relação de amor com Deus que não pode ser dissociada não somente daquilo que somos mas também daquilo que fazemos. Se nos tornamos gradualmente verdadeiros contemplativos, não somente nossos momentos de oração silenciosa se tornarão momentos de contemplação, assim como nossa participação no Ofício Divino, mas nossas horas de trabalho se tornarão também momentos de contemplação. Não porque nós nos esforçaremos de recitar orações durante o trabalho, mas simplesmente porque estaremos unidos a Deus através do nosso próprio trabalho. Nosso trabalho não é um participação na atividade criadora de Deus? Duas pessoas que se amam, gostam de trabalhar juntas. Esta comunhão com Deus pelo trabalho se realizará se nós estamos presentes - totalmente e com amor - àquilo que fazemos. Trabalhar sem prestar atenção ao nosso trabalho a fim de aplicar nosso espírito à oração tornaria impossível nestas circunstâncias uma união contemplativa com Deus.  (Capítulo proferido por D. Armand Veilleux, OCSO, à comunidade do Mosteiro Notre Dame de Scourmont em Forges, Bélgica, 2/5/1999.)
Tudo pode ser oração, desde que você se recorde de oferecer a Deus suas atitudes, seus trabalhos. No Caminho da Perfeição, de Santa Tereza D'avilla, veremos que ela dá muita importância a fazer tudo com perfeição. São José Maria Escrivá, também fala em fazer tudo de forma perfeita e acabada no cotidiano.

Ou seja, trabalho bem feito é caminho de santificação, é oração. Não é fonte de orgulho e soberba, deve ser oração.

Isso vale para qualquer trabalho, desde as tarefas profissionais até as domésticas, todas.

Se vemos as coisas deste modo, toda forma de trabalho - quer seja uma criação artística ou descascar legumes, um trabalho de informática ou a limpeza dos banheiros, um trabalho na floresta ou na lavagem de roupas - tem o mesmo valor humano pois pode sempre ser um meio de união com Deus.
Se o trabalho não é assim percebido, existem ao menos duas tentações nas quais podemos cair. A primeira é de escapar para o trabalho como forma de fugir das exigências da vida interior. A outra tentação seria pensar que todo tempo consagrado ao trabalho é roubado da oração. (Capítulo proferido por D. Armand Veilleux, OCSO, à comunidade do Mosteiro Notre Dame de Scourmont em Forges, Bélgica, 2/5/1999.)
É preciso, que nos abramos a essa realidade, que é a realidade de todos os cristãos, independente da vocação, o trabalho como santificação e oração, é um chamado geral. Todos percorrem isso, cada qual em sua vocação. 

Trabalhar, mas manter a mente e a alma em oração de entrega, como? Fazendo um trabalho bom, perfeito e acabado para entregar ao Rei. Entende? Se visto dessa forma, você cozinha para Deus, arruma para Deus, trabalha para Deus, tudo para Deus.

E podemos ir além, nessa prática. Com certeza, assim como acontece comigo, existem tarefas que não te agradam. Pois, essas tarefas são para nós um sacrifício...então são mortificação e podemos entregar pelas almas, pelas almas do purgatório, pelo clero, podemos entregar em desagravo ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. 

É possível fazer do cotidiano uma extensão da Missa. Fazer dos nossos atos um constante ofertório, um louvor real a Deus e uma obra de caridade com os irmãos. 

O tamanho do seu amor a Deus é o tamanho da sua oração.

"Orai sem cessar" (1 Tessalonicenses 5, 17)

É possível, se a todo tempo elevarmos a mente e a alma à Deus, ofertando nossa vida.  

Esta recitação pode te ajudar, é aprovada para Indulgência Parcial também.


Inspirai, ó Deus
Inspirai, ó Deus as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece e para vós termine tudo aquilo que fizermos. Por Cristo nosso Senhor. Amém. (Miss. Rom., 5a. feira após as cinzas, coleta; Lit. Hor., I sem. 2a. feira, laudes.)

Paz e bem!

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