Bom e ruim, muralhas do julgamento e a Porta Estreita

by - maio 15, 2015


Hoje acredito que é um tempo favorável para a reflexão que escreverei. Por diversas razões, mas principalmente pelo meu e o seu coração.

Estamos vivendo num ciclo interessante e vicioso, portanto parar e olhar para dentro é importante. 

Temos sempre a tendência de separar tudo e todos em bons e ruins, isso acontece pela atividade de uma parte do nosso cérebro que se chama Cérebro Reptiliano. Afinal isso existe? Sim, existe bom e ruim, assim como pessoas e situações boas e ruins. 

Mas será que seria prudente categorizar logo "de cara" uma pessoa ou situação como boa ou ruim? 

Entenda que o que eu digo é em relação ao ato de julgamento, não estou aqui questionando a existência de bom e ruim. 

Mas porque questiono o julgamento?

Todo vez que fazemos um julgamento, fazemos um decreto, dele surgem muralhas e estas nos impedem de ver com clareza a situação ou a pessoa. E se fizemos o julgamento cedo demais?

Portanto, não é à toa que Jesus insistia no "não julgue e não será julgado". Essa frase que é muito usada para dar uma base para não receber orientação, criticas e até mesmo permanecer no erro em paz, obviamente não foi dita nesse sentido. 

Jesus estava nos mostrando que o julgar nos tira o discernimento, um julgador perde a visão verdadeira das coisas, enquanto que ao discernir é possível ver as várias formas e pontos de uma situação ou pessoa. Dessa forma fica mais praticável o "ame ao teu próximo como Eu vos amei", Jesus nos amou sem julgamento sem colocar muralhas na visão que tem de nós, mesmo sendo cada um de nós imperfeitos Ele já nos vê na perfeição. 

Assim, para amar devidamente é preciso substituir o julgamento pelo discernimento, para que o fruto seja o amor. 

E o amor entende o tempo de desenvolvimento diferenciado de cada um. 

Outra faceta dessa reflexão, ainda na base do bom e ruim, esta ligada a nossa comodidade. Somos facilmente encantados pelo fácil, pelo bom e pelo tranquilo, portanto tudo que nos tira da zona de conforto já gera o "julgamento do bom e ruim", nesse caso logo a situação é tida como ruim e as muralhas se formam. Quando isso ocorre todo o nosso ser se coloca em resistência a situação, em proteção. 



Mas Jesus teve o cuidado de nos dizer sobre a Porta Estreita, que é por ela que encontraremos a vida (Mt 7, 14). Ora numa porta estreita temos que nos encolher, as vezes abaixar a cabeça, passar apertadinho, Porque ela é estreita temos que sair do nosso conforto e comodidade para nos adaptarmos a passagem para o Céu. Portanto, a passagem não é confortável mas o destino é sublime. Temos essa porta à nossa espera a todo momento e posso dizer que passar por ela é um processo de moldagem, que muitas vezes não é te todo agradável. Entende agora porque não podemos rotular imediatamente tudo que nos vem? E se for uma porta estreita que você deve passar para se transformar, transformar o meio em que você esta e chegar mais perto de Deus? 

Poderiam acontecer coisas maravilhosas se não resistíssemos.

Não digo que é fácil, não. Mas digo que durante esse processo, que cada um faz diariamente a seu tempo, em cada situação da vida, devemos contar com o suporte e repouso de Deus e com Ele o caminho se torna agradável e feliz.  

Entenda, a porta estreita quer nos dizer que vamos fazer um esforço, nos adaptar, nos moldar nas mãos de Deus e isso exige de nós firme proposito, afinal muitos de nós não gostamos de mudanças, muitas vezes sair da zona de conforto já é um sofrimento, diferente da porta larga que não pede nenhuma mudança e pelo contrário só dá alegrias e cores, mas na verdade te deixa na comodidade e na mesmice de nunca evoluir, te deixa na tranquilidade da zona de conforto, um fast food espiritual e interior e nele você não tem nenhuma atitude.

Portanto, muitas vezes o que nosso cérebro diz que é ruim pode ser uma porta estreita, uma oportunidade de transformação. Que deve ser vivida plenamente e conforme o tempo de cada um. Digo isso, pois podemos mesmo com a consciência de que o julgar gera muralhas e não gera amor, querer forçar a nós mesmos ou ao outro a passar pela porta de uma vez só. Acontece que a "velocidade" não é o mais importante, nós temos é que passar, viver a passagem e o tempo que cada um precisa para fazer essa vivência esta nas mãos de Deus, que esta passando pela porta com cada um de nós. 

Mas quem escolhe se vai passar ou não ainda somos nós. Ele como o Senhor do Amor não nos forçará. 

Gratidão.
Muita paz e saúde.






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