ACÍDIA, TÉDIO, DESÂNIMO, PREGUIÇA E ASCESE

by - outubro 03, 2015


ACÍDIA, TÉDIO, DESÂNIMO, PREGUIÇA E ASCESE







O termo Ascese vem de ascender, subir


“A mentalidade corrente parece banir os valores da ascese como se eles se opusessem à alegria do Evangelho e ao primado da Graça, portanto não condizentes com a vida espiritual. Dá-se a entender que basta o desejo e a espontaneidade dos indivíduos para atingir uma meta tão elevada como a de uma intensa vida espiritual. 

O caminho espiritual, no entanto, precisa de cuidados, de atenções porque é uma trilha exigente e dura. Não esqueçamos: a finalidade é ser verdadeiro discípulo de Jesus, autêntico amigo do Esposo. Trata-se de um caminho fascinante, mas exigente. 

A ascese cristã nada tem a ver com afirmação de si, não é uma forma de voluntarismo fechado e orgulhoso que faria depender o progresso espiritual diretamente do esforço individual segundo uma visão pelagiana. Também não é uma espécie de “quietismo” que considera inútil e incoerente o esforço espiritual do discípulo.

(Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova, Camminare nelle vie dello Spirito, Carta Pastoral de 2009-2010 in Franciscanos.org). 


Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4, 13).

Mas é preciso deixar espaço para a ação do Espirito Santo, renunciar ao que não é necessário e manter vigilância constante aos sentidos e vontades.

Karl Rahner escrevia: “Há que se evitar de considerar o novo e o antigo como compartimentos estanques dentro da espiritualidade cristã: o novo só é autêntico quando conserva o antigo. O antigo só tem viço quando vivido de forma nova”.

Portanto, as formas de ascese ainda se baseiam na formula "antiga" de Santo Agostinho "Conhece-te, aceita-te e domina-te".

No entanto, devemos aprender com o passado. 

As práticas ascéticas do passado eram marcadas pelo dualismo entre corpo e espírito. O corpo era sempre visto como inimigo do espírito. Conhecida a expressão “salva a tua alma”, como se a espiritualidade não tivesse que levar em conta o fato de que Deus assumiu um corpo. A cultura dominante era que o corpo se constituía como inimigo da alma, sede das faculdades inferiores que deveriam ser submetidas ao espírito. No fim de sua vida, Francisco de Assis pediu desculpas ao “irmão corpo” por tê-lo tantas vezes maltratado… Havia a convicção de que a salvação se faria sempre pela fuga do mundo.
 (Franciscanos.org)

Portanto, a Ascese é um caminho para reorganizar a ordem natural, do Gênesis antes do pecado, do Éden.

A hierarquia na relação corpo e alma é a capacidade da alma de dominar o corpo, mas se trata de um domínio dócil e amável, não ditatorial e mortal, afinal somos a união de corpo e alma, e essa interação nos qualifica como humanos e todas ressuscitarão, mas a alma deve fazer seu papel de comando e para tal é preciso que ela esteja ligada a Deus e o corpo ao domínio da alma, de uma forma hierárquica, dócil e, por fim, sadia. 

Mais sobre o tema você encontra o vídeo acima, com ditos e explicações dos Padres do Deserto.

Gratidão por assistir e ler.

Paz e bem!

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2 comentários

  1. Estou acompanhando suas postagens e elas são didáticas e toda catequista deveria conhecer seu trabalho porque infelizmente temos desde padres até os fiéis, uma fé infantil. Necessitamos estudar desta forma para vivenciar em plenitude nossa fé.
    Eu sou beneditina e foi graças aos monges que eu consegui ir em frente com meu arado. Obrigada pela postagem

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    Respostas
    1. Que alegria! Louvado seja Deus! Que possamos crescer na fé e conhecer as riquezas da Igreja!

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Olá, Paz e Bem! Que bom tê-lo por aqui! Agradeço por deixar sua partilha.