TEOLOGIA DO CORPO E FISIOLOGIA DA PAIXÃO E A CULTURA DOS RELACIONAMENTOS DESCARTÁVEIS

by - junho 26, 2017


O tema paixão é muito tempo foco de estudos no mundo todo. Por quê? Simples, para responder questões como:

  • "porque alguns casais dão certo e outros não?"
  • "é possível mesmo ser apaixonado pelo parceiro depois de décadas?"
  • "existe almas gêmeas ?"
  • "a ciência poderia explicar o amor e a paixão?"

Essa e muitas outras questões estão começando a ser descobertas por cientistas. Para abordá-lo inicio com uma análise biológica resumida de cada ação, dentro da interação homem e mulher, visando explicar a sua utilidade primeira dentro de todo processo e depois unimos aos dados expostos os ensinamentos sobre Teologia do Corpo.

Muito bem, os fatos conhecidos até o momento são:

A escolha do parceiro está associada ao físico, sim, inconscientemente vemos no físico informações sobre virilidade, fertilidade, saúde. As mulheres tendem a se concentrar no rosto, isso é explicado no fato de que a testosterona, hormônio predominante no homem, é responsável por conferir características como lábios finos e maxilares largos, assim esses sinais significam fertilidade, virilidade e saúde. Os homens se concentram na cintura e quadris, a cintura fina e quadris largos demonstram saúde e fertilidade. Ou seja, a principio tudo ocorre visualmente, com o objetivo inconsciente de se realizar uma análise do outro, visando descendentes saudáveis, uma família saudável.




Essa análise gera atração física, no entanto, existe o beijo. No beijo é possível realizar uma análise, inconsciente, do MHC (complexo principal de histocompatilidade). O MHC é a mescla de genes responsável pela proteção do organismo, ou seja faz parte do sistema imunológico. O parceiro que possuir MHC mais diferente do seu, terá o beijo mais agradável.

Novamente vemos que o beijo também faz parte do processo para a escolha de quem fará contigo uma família, visando também uma descendência. Por isso, já adianto que não faz nenhum sentido sair beijando todos por aí. Afinal, o beijo é algo intimo com alguém com quem se pretende formar descendência. Mas vem sendo usado, somente, como uma forma de se extrair prazer ou usar como ferramenta de test drive. Afinal, test drive se faz com objetos, com coisas e não pessoas. 

O MHC também influência o odor, o que explica a atração pelo cheiro. Isso acontece porque, no fundo, todos procuramos um parceiro que possa trazer uma descendência saudável, então quanto mais diferente a mescla de MHC mais chances de obter descentes protegidos de doenças (novamente família, rs, acho que já entendeu né? rs).

Isso explica porque tantas pessoas se desinteressam depois do beijo ou o beijo lhes parece pouco atraente, isso ocorre porque os genes MHC são muito próximos e portanto não poderão oferecer uma descendência saudável, provavelmente. Aqui podemos analisar que o beijo faz parte da fase de namoro, o que não faz parte são os acréscimos que se fazem a ele e ainda não faz parte a retirada de prazer pelo prolongamento deles. Isso porque é fácil que se transformem em fonte de prazer quando prolongados, que por sua vez, podem gerar o esquecimento do caráter do estado em que está, um namoro, ou seja, uma fase de conhecimento, em que atitudes como essa podem gerar uma dependência alimentada pela carência (já explico).

Portanto, é claro, que desde o principio da interação homem e mulher a questão da descendência, filhos e família é o centro das atenções de todo o subconsciente humano, mas evidentemente o consciente humano e coletivo (pois a sociedade é formada por gente) tem deturpado esses verdadeiros sinais milagrosos e biológicos, tornando tudo uma interação abaixo da animal, já que os animais não tem consciência e portanto são isentos de erro, já nossa espécie, tem consciência e pisoteia nela. E sobre isso diz alguém - se achando muito esperto- que é a tal evolução - outra deturpação, pois a evolução não tem nada com comportamentos desregrados e sem o minimo de racionalidade, sentimentos humanos ou mesmo comprometimento pela manutenção da própria espécie.

Mais é claro que na relação entre o casal existe mais do que a compatibilidade física, mas ela é importante e faz parte do processo, vivida com equilíbrio e temperança. 



No entanto este é só o começo, os apaixonados possuem uma relação de dependência do parceiro, o que ocasiona uma real satisfação quando estão juntos e desespero na separação, isso é agravado com o beijo e infinitamente mais com a relação sexual. As áreas cerebrais acionadas são as mesmas de um dependente químico. Como áreas de ansiedade e euforia ativadas. Isso é para manter o casal unido, voltado para sua família e um para o outro. É lindo e é como tem que ser dentro do matrimônio. Se o beijo e a relação sexual ocorrem fora dele acontece uma exposição da própria alma sem a certeza da união com o outro. É como casar-se sem ter ido ao próprio casamento e sem ter qualquer comprometimento com o relacionamento. É estar ligado alguém, não para gerar e manter uma família, mas para satisfazer uma dependência química e psicológica, que todos passaram a chamar de amor. Mas é paixão, sem nenhum objetivo de se tornar amor, muitas vezes. 

Não se sabe ao certo como análises do físico e histocompatibilidade se transformam no sentimento arrebatador da paixão.

Mais essas alterações químicas duram em media 2 anos, após esse tempo a tendência do organismo é acalmar-se, pois nenhum sistema consegue viver em um constante turbilhão de hormônios e oscilações de emoções. Após esse tempo ocorre o término da relação ou o AMOR.

O amor fisiologicamente é a permanência da paixão com o controle das áreas de ansiedade e euforia do cérebro e a ativação da área responsável pela calma.

Assim o AMOR mora nas seguintes áreas (áreas ativadas em casais com anos e até décadas de vida juntos e que se dizem ainda apaixonados):



Vale lembrar que, qualquer informação, para ser armazenada no cérebro precisa seguir um padrão de repetição, ou seja, estímulos constantes. E no amor não é diferente.

Com os estudos da ciência é possível dizer que, sim, pode haver crise de abstinência após o termino de uma relação, com beijos prolongados e "animados" e relação sexual. Em relações sadias existe a falta do outro, que não pode ser chamada de abstinência. Nas relações com beijos e principalmente relação sexual, isso aumenta, mas com maior incidência nos namoros com relação sexual. 

Assim fica claro que o laço de união é maior quanto mais intimidade um tem com o outro e que isso é sadio quando se esta num casamento e em um lar, não fora dele. Devemos lembrar que o namoro é um período que é destinado ao conhecimento da alma, que também gera uma unidade pela amizade. Dessa forma devemos entender que a relação sexual não é sadia para esse período - namoro -, pois passa a unidade corporal antes do conhecimento da alma, que muitas vezes pode ficar esquecida.



Essa dependência química causada pela união corporal na relação sexual com diversas pessoas diferentes a cada ou com a mesma pessoa até lhe agrade, que vemos hoje na sociedade, nos deixa com uma questão, é possível existir viciados em paixão? Indivíduos que não conseguem manter uma relação de AMOR e buscam pela arrebatadora paixão? Pois afinal estamos sendo induzidos a acreditar que o amor é o sentimento arrebatador e cheio de rompantes da paixão, sendo que na verdade é a estabilidade acrescida do conhecimento real da pessoa (passamos por uma inversão de comportamento, que nem base cientifica tem rs).  Assim, quando o sentimento tende a se acalmar e sedimentar o individuo acha que não está mais amando...sendo que iniciaria a amar realmente, a partir daquele momento. Afinal, estaria com seu cérebro calmo e já conheceria os defeitos e qualidades do outro, dando inicio a uma relacionamento consciente e não guiado por rompantes fisiológicos. 

Afinal, além das interações químicas, estão os hobbies, gostos, religião e ideais, fatores que também são considerados na escolha do parceiro e são descobertos na amizade e namoro. Fatores estes que influenciam no sucesso da relação.

Sabendo, então, de todo esse quadro biológico fica infinitamente fácil verificar o posicionamento do cristianismo e me particular da Igreja Católica, em relação a afetividade e sexualidade antes do casamente e durante o mesmo. Afinal vimos que existe uma área cerebral chamada Area Tegmentar Ventral que impulsiona uma espécie de dependência. Agora pensa, se você esta casado, ótimo essa área manterá uma sensação agradável da paixão, somada a calma do amadurecimento, lindo , lindo.

MAS e se você NÃO se casa?  Você já viu um dependente em abstinência ou após o uso de drogas? Se não, eu te conto! Ele fica em pedaços, estilhaçado, deprimido. É praticamente se deixar transformar em um objeto que pode ser dispensado quando não tem  mais serventia.

Mas antes que você acredite que isso, é o tal amor romântico que se debulha em lágrimas após o termino do relacionamento, te digo que não, isso é uma dignidade ferida, estilhaçada, que pode demorar para se recompor-se ou irá entrar num padrão auto destrutivo de um ciclo repetitivo de desastres. E é aqui, leitores, que mora a cilada moderna, achar "que é normal", "esta tudo bem". Obviamente, que não esta! Existem jovens de 15 ou menos estilhaças e pessoas que simplesmente se esqueceram de quem são, para se tornar objetos umas das outras.

Mas você sabe porque isso encontra morada entre nós? Porque esquecemos quem somos!

O homem passou a ver a mulher como um objeto. Sabia que há um estudo que demonstra que ao ver mulheres de biquini os homens acionam áreas cerebrais responsáveis por armazenar informações sobre objetos? Tipo: martelo, chave de fenda, serrote, ferramentas em geral.

A mulher, por outro lado, passou achar "super glamour" ser objeto, se mostrar como se estivesse numa prateleira no supermercado "em promoção". O fato é que a mulher é um Templo, todos somos, mas a mulher é um Templo de Vida, só em nós Deus realiza o milagre da vida. É possível fecundar um óvulo, mas para que ele vingue, é preciso que Deus faça um milagre no útero de uma mulher. Percebe a degradação? Toda a interação física e comportamental do homem e da mulher em prol de uma união para gerar uma família, reduzida a uma relação superficial entre objetos que se deixam usar. E muitos nem sabem disso, pois realmente acreditam que isso é normal, que isso é viver o amor.

Concluímos que toda alteração da natureza humana, estabelecida por Deus, gerou pessoas devastadas. Mulheres vivendo como templos devastados e homens que mal sabem o que fazer ou se comportar.

Somente com o entendimento da natureza humana, da forma criada por Deus, poderemos voltar a ter relacionamentos realmente sádios.

Acesse o nosso canal para mais formações, se inscreva e compartilhe!
















Paz e Bem!

Ana Paula Barros
Salus in Caritate







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4 comentários

  1. "Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor."

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  2. Muito interessante esse estudo!!!

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  3. Sou católico, me formei em Filosofia e gosto de ler muito sobre Psicologia.

    Gosto muito de textos como este onde Espiritualidade e ciência estão juntas! FANTÁSTICO! PARABÉNS!

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    1. Paz e bem :) que alegria :) louvado seja Deus. A ciência fala de Deus, basta ter ouvidos para escutar, não é mesmo? :)

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